MUITO ALÉM DO BUG DO MILÊNIO #02: Contraband – Velvet Revolver (2004)

Publicado: 4 de fevereiro de 2016 em Muito Além do Bug do Milênio
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Velvet Revolver - Contraband

DISCO: Contraband
BANDA: Velvet Revolver
LANÇAMENTO: 8 de junho de 2004
ORIGEM: Estados Unidos
GÊNERO: Hard Rock
FORMAÇÃO DO DISCO: Scott Weiland (Vocal), Slash (Guitarra), Dave Kushner (Guitarra), Duff McKagan (Baixo e Vocal) e Matt Sorum (Bateria e Vocal)
PRODUCÃO: Josh Abraham (Slayer, Limp Bizkit, Linkin Park e Weezer) e Nick Raskulinecz (Rush e Foo Fighters) na música Set Me Free
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: Aerosmith, Cheap Trick, David Bowie, Sex Pistols, Guns N’ Roses, Stone Temple Pilots, Neurotic Outsiders, Iggy Pop e Talking Heads

HISTÓRIA

Velvet Revolver

Velvet Revolver

Com o desmanche que aconteceu no Guns N’ Roses em meados dos anos 90, os integrantes remanescentes, depois de muito quebrar a cabeça em carreiras solo e demais projetos paralelos, resolveram finalmente unir forças e montar uma banda.

A primeira formação do Velvet Revolver, que ainda não atendia por esse nome, contava com Slash e Izzy Stradlin nas guitarras, Duff McKagan no baixo, os três oriundos na formação clássica do Guns N’ Roses, além do baterista Matt Sorum, que assumiu as baquetas do clã de Axl Rose nas gravações dos discos Use Your Ilusion I e II e seguiu com a banda até 1993.

Com essa formação o grupo chegou a trabalhar em uma série de canções que provavelmente integraria o primeiro disco do conjunto, os vocais eram divididos por Izzy e Duff, no entanto Slash achava melhor a banda ter um vocalista fixo e de preferência renomado, para atrair mais atenção a banda. Izzy foi contra a sugestão e saiu do conjunto antes mesmo dele se apresentar ao vivo.

Segundo narra Slash em sua biografia, as opções para vocalista da banda eram muitas, a princípio ele pensava em quatro nomes: Steve Jones (Sex Pistols e Neurotic Outsiders), Ian Astbury (The Cult), Myles Kennedy (hoje na banda de Slash e também no Alter Bridge, mas época havia recém-saído do The Mayfield Four) e Scott Weiland (Stone Temple Pilots). O ex-vocalista do Skid Row, Sebastian Bach, chegou a fazer alguns ensaios com a banda, mas na época ele estava encenando na Broadway o musical Jesus Christ Superstar e não pode acompanhar mais o grupo.

Acabou que Scott Weiland, que na época estava em hiato com sua banda Stone Temple Pilots, acabou abocanhando a vaga de vez, e para a segunda guitarra entrou o músico Dave Kushner, vindo da banda Wasted Youth.

Com essa formação a banda gravou o primeiro single, Set Me Free, que entrou para a trilha sonora do filme Hulk e na sequencia entraram em estúdio para gravar o seu primeiro álbum de músicas inéditas, que viria a ser lançado no dia 8 e junho de 2004.

A princípio a banda queria que Rick Rubin (Black Sabbath, Johnny Cash, Red Hot Chili Peppers e Jay Z) assinasse a produção, mas na época o mesmo estava envolvido com a gravação de diversos discos, entre eles o De-Loused in the Comatorium do Mars Volta, 99 Problems do Jay Z e o Vol. 3: (The Subliminal Verses) do Slipknot, o que impossibilitou de trabalhar com o grupo. Quem assumiu a produção foi Josh Abraham, que já trabalhou com Slayer, Weezer, Linkin Park, Courtney Love e que hoje produz boa parte da garotada pop, entre eles o Justin Bieber.

Esperado com tamanha euforia, Contraband fez jus ao seu suspense, emplacou logo de cara o primeiro lugar na Billboard dos discos mais vendidos com 256 mil só na primeira semana de lançamento. Ao todo Contraband vendeu 4 milhões de cópias no mundo todo, sendo 2,9 milhões apenas nos Estados Unidos.

O single Slither ganhou o prêmio Grammy em 2005 de Melhor Performance Hard Rock. E o single Fall To Pieces foi uma das canções mais tocadas nas rádios no mesmo ano.

Com Contraband, o Velvet Revolver embarcou em uma turnê mundial e foi aos poucos consolidando o seu nome na história do rock, não apenas por ter em sua formação nomes de importantes bandas do gênero, mas pela qualidade alta do seu próprio trabalho.

 

FAIXA A FAIXA

1 – Sucker Train Blues
Começa com o baixo de Duff McKagan e a guitarra de Slash trazendo melodia a canção que vai tomando forma até se transformar em um Hard Rock vistoso.
Scott Weiland vai cuspindo de forma veloz letra por letra até chegar no refrão explosivo. No meio da música, o seu berro desesperador se une com a guitarra de Slash que faz um solo frenético.

2 – Do It For The Kids
Sem instrumento algum, Scott já começa berrando os versos: “Went too fast I’m out of luck and I don’t even give a fuck”, algo como: “Fui rápido demais, estou sem sorte e estou pouco me fudendo”.
Do It For The Kids foi a canção que abriu todos os shows da turnê Contraband, e com certeza foi a escolha certeira devido a pegada explosiva e enérgica da mesma. Impossível se manter parado ao som dela.

3 – Big Machine
Com certeza é a canção mais Stone Temple Pilots do Velvet Revolver. Ela começa sutil, com o baixo de Duff acompanhando a batida “bumbo-surdo-caixa” de Matt Sorum. De forma sensual, Scott Weiland vai cantando os primeiros versos até entrar no refrão chiclete: “It’s a big machine, it’s a big machine. We’re all slaves to a big machine”.
A letra da música, escrita por Weiland, é uma crítica feroz a televisão e ao consumismo que faz todos de escravos.

4 – Illegal I Song
A caixinha da bateria de Matt Sorum vai repicando fortemente até toda banda entrar em uma batida swingada circa Red Hot Chili Peppers fase Californication.

5 – Spectacle
É o Punk Rock do Velvet Revolver. Com destaques para os Backing Vocals de Duff McKagan durante as estrofes. Sensacional.

6 – Fall To Pieces
A canção mais popular e importante da curta trajetória da banda. Fall To Pieces foi o single mais tocado do Velvet Revolver em todo mundo. Aqui no Brasil a canção figurou durante meses nas paradas de sucessos das rádios hit parades.
Falando da música, Fall To Pieces é uma baladaça arrasa quarteirão, e uma das interpretações mais emblemáticas de Slash na guitarra desde Estranged, da sua antiga banda. Tanto nos solinhos pós refrão, quanto no solo principal que é tocado com paixão e técnica apurada.
A letra é a mais confessional da banda até então. Scott após ter sido preso e solto rapidamente em 2004 por posse de drogas, escreveu a letra de Fall To Pieces em uma tacada só, fazendo um imenso desabafo pessoal do vício que o consumia na época e que infelizmente perdurou até o fim de sua vida.
Destaque vai também para o clipe da música, que mostra Scott Weiland interpretando a si mesmo. Depois da sua morte no ano passado é até angustiante assistir ao vídeo.

7 – Headspace
Vem com guitarras pesadas e uma batida quase New Metal, que remetia forte ao rock da época representado por Puddle Of Mudd e Linkin Park. Os efeitos eletrônicos nos vocais de Scott durante o refrão, só fortifica ainda mais a tese.

8 – Superhuman
Também com ares de Stone Temple Pilots na fase Nº 4, Superhuman é um rockão dançante, sensual que tem como destaque a guitarra de Slash logo no solo da introdução.
A letra de Superhuman também é um desabafo de Scott e o seu vício em drogas.
No trecho:
“Always feel like she’s runnin on a hamster wheel”
“Sempre sentindo como se estivesse correndo em uma roda de hamster”

Weiland faz clara alusão de como o vício aprisiona e não deixa sair para lugar algum.

E os versos seguintes são autoexplicativos:
“Getting high, crashing cars and makin mistakes
Keepin her face packed with cocaine
Her face is numb your faith is gone”

“Se dopando, batendo carros e cometendo erros
Mantendo a cara embrulhada com cocaína
A cara dela está amortecida e sua fé já se foi”

E no refrão são citadas as seguintes drogas:

Cocaine – Cocaina
Alcohol – Álcool
Lady-lay – Gíria para Cocaina
Withdrawal – Síndrome causada pela abstinência de drogas
.

9 – Set Me Free
A primeira canção da carreira do Velvet Revolver. Gravada inicialmente para trilha sonora do filme do Hulk de 2003, Set Me Free foi produzida por Nick Raskulinecz, que já trabalhou com Rush e Foo Fighters, e foi aproveitada no tracklist de Contraband. E seria um tremendo desperdício se ela ficasse de fora do repertório do disco.
Iniciada também na guitarra, com um forte riff oitavado que mais parece uma metralhadora do que qualquer outra coisa. O baixo sólido de Duff brilha durante toda a estrofe, fazendo a cama para os vocais graves de Scott disparar sem fôlego os versos iniciais até cair no refrão Hard Rock da mesma.

10 – You Got No Right
Iniciada no violão, You Got No Right é uma balada fortíssima e com certeza uma das mais belas interpretações vocais de Scott Weiland, desde Creep.
Conforme a canção vai crescendo, ela vai ganhando novos elementos, como uma batida de bateria mais consistente, uma guitarra que começa dedilhada com efeito, até explodir no segundo refrão em um forte riff e depois cair em um dos maravilhosos solos feitos por Slash. Tudo isso embalando a letra que fala claramente de uma desilusão amorosa e a angustiante espera da pessoa que não irá voltar.

11 – Slither
E é no desenho final de Contraband que vai reservando as surpresas mais gratas. Para muitos Slither é a melhor canção de toda a carreira do Velvet Revolver, é compreensível tamanha admiração, pois trata-se de uma música muito bem estruturada.
O ambiente que se é criado desde a introdução, que se inicia com a bateria repicada e o baixo fazendo a cama perfeita para a guitarra de Slash entrar e brilhar em um riff oitavado que após um pequeno break a música entra com tudo em um Hard Rock furioso, é no mínimo sensacional, para não dizer genial e perder toda a credibilidade jornalística.
A força da canção está no riff que permeia durante toda estrofe, ele que dá a tônica, força e ritmo a mesma.
E o solo principal de Slash é na humilde opinião desse que vos escreve, o melhor da sua carreira.

12 – Dirty Little Thing
O terceiro single de Contraband, Dirty Little Thing é um pulsante Punk Rock em rispidez e essência. A introdução no baixo lembra um pouco a It’s So Easy que o mesmo Duff McKagan fez na sua banda anterior. O videoclipe da música, que mistura desenhos e imagens da banda tocando dentro de um “trem bordel”, vale e muito a pena ser conferido.

13 – Loving The Alien
E é com essa belíssima balada que Contraband encerra a sua viagem sônica pelo caminho do Rock n’ Roll, Hard Rock, Punk Rock e o Rock de Garagem com pitadas de modernidade.
A batida compassada dela muito lembra Creep, sucesso do disco de estreia do Stone Temple Pilots, mas o restante da canção segue de forma autêntica. A começar pela letra que narra uma paixão de alguém por um… alienígena!

 

O VELVET REVOLVER HOJE

Velvet Revolver

Velvet Revolver

Três anos depois do lançamento de Contraband, o Velvet Revolver lançou mais um disco, Libertad, mesmo contando com boas canções, como Let It Roll e She Builds Quick Machines, o disco passou longe da qualidade e autenticidade do seu antecessor.
Em 2008, Scott Weiland anuncia a sua saída do grupo e a sua volta para o Stone Temple Pilots, assim foi comunicado à imprensa, depois mais tarde em diversas entrevistas o próprio Weiland afirmou que foi expulso do grupo pelos demais integrantes devido ao seu vício em drogas. Em sua própria autobiografia, em um determinado trecho, Weiland fala da sua expulsão do grupo

Eu estava fora de controle durante a segunda turnê do Velvet Revolver, em 2007. No início da turnê eu estava ok, mas aí uma única carreira de cocaína me tirou do prumo. Cheirei, e logo os demônios tinham voltado. Começou outro declínio… Ali estava eu de novo, visitando lugares perigosos para comprar drogas. Mantive tudo em segredo, os caras do Velvet Revolver não sabiam. Quando contei a eles que teria de perder alguns shows para me tratar, a reação deles me chocou. Eles disseram que eu teria de pagar os cachês dos shows. Lembrei a eles que quando eles todos precisaram de tratamento, eu os apoiei, mas não fez diferença alguma para eles. Não importava que o Velvet Revolver tinha vendido cinco ou seis milhões de discos. Eu estava fora.

Desde então a banda seguiu fazendo diversas audições com inúmeros vocalistas e muito se cogitou a entrada de nomes como Corey Taylor (Slipknot e Stone Sour) e Myles Kennedy na vaga deixada por Weiland, mas com as bem-sucedidas carreiras solos de Slash, juntamente com Myles Kennedy, e de Duff McKagan a frente do Loaded, um possível retorno as atividades ficou em segundo plano.
Com a demissão de Scott Weiland do Stone Temple Pilots em 2013, muito se cogitou a volta dele para o grupo, mas Slash desmentiu os boatos na hora, revelando mágoas da primeira passagem do músico na banda.
Agora com a trágica morte por overdose de Scott Weiland em novembro do ano passado e com o anúncio do retorno de Slash e Duff no line up do Guns n’ Roses, é muito improvável uma volta do Velvet Revolver.

Em 2012 a banda se reuniu pela primeira e única vez após a saída de Scott Weiland, para um show mais do especial na House Of Blues em Los Angeles, em prol a família do músico John O’Brien que havia falecido em agosto do ano passado. Na ocasião a banda tocou quatro canções: Sucker Train Blues, She Builds Quick Machines, Slither e o cover de Wish You Were Here do Pink Floyd.
E é com a Sucker Train Blues, tocada pela última vez pelo Velvet Revolver, que encerramos a nossa coluna de hoje.

Até quinta que vem com mais Muito Além do Bug do Milênio

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