Fila Benário Fala

As maiores justiças e injustiças da história do Grammy

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Ainda no clima de Grammy, depois da, controversa para muitos e justa para outros, premiação na última segunda-feira (leia aqui), separamos aqui momentos nos quais a premiação foi justa na categoria de “Melhor Álbum do Ano”, mas também momentos que foi uma tremenda marmelada mal explicada.

JUSTO

1965 – Getz/Gilberto (Stan Getz e João Gilberto)

1 - Getz-Gilberto

Concorrendo com: Cotton Candy (Al Hirt) Funny Girl: Original Broadway Cast (Vários Artistas), People (Barbra Streisand) e The Pink Panther (Henry Mancini).

A primeira e única vez que um artista brasileiro ganhou um Grammy de álbum do ano aconteceu logo na sétima edição da premiação em 1965. O célebre disco Getz/Gilberto (1963), que trazia a união do saxofonista americano de jazz Stan Getz, com o violonista e criador da bossa nova João Gilberto. O disco ainda contava com a participação mais do que especial de Tom Jobim fazendo piano em algumas das muitas canções de sua autoria que se encontrava no disco, como O Grande Amor, Vivo Sonhando, Só Danço Samba, Desafinado e The Girl From Ipanema, a versão inglês para o clássico Garota de Ipanema, que contava com a graciosa voz de Astrud Gilberto.

1968 – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Beatles)

2 - Beatles

Concorrendo com: Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim (Frank Sinatra e Tom Jobim), It Must Be Him (Vikki Carr), My Cup Runneth Over (Ed Ames) e Ode to Billie Joe (Bobbie Gentry).

Depois de perder nos dois anos anteriores, com os álbuns Help! (1965) e Revolver (1966), para o Frank Sinatra. Em 1968 os Beatles se vingaram e ganharam duplamente em grande estilo. Primeiro porque foi merecidamente com o álbum mais memorável de sua carreira, o clássico absoluto Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967). Segundo porque não foi em cima de qualquer álbum do Frank Sinatra, mas sim o disco que unia o Blue Eyes com ninguém mais ninguém menos que Tom Jobim.

1974 – Innervisions (Stevie Wonder)

3 - Stevie Wonder

Concorrendo com: Behind Closed Doors (Charlie Rich), The Divine Miss M (Bette Midler), Killing Me Softly (Roberta Flack) e There Goes Rhymin’ Simon (Paul Simon).

Foi o ano que começou a homogenia do Stevie Wonder. Assim como Sinatra, Stevie foi o único artista que ganhou o prêmio três vezes, mas com uma pequena diferença, Frank Sinatra já foi indicado cinco vezes ao prêmio, já Stevie foi indicado apenas três. Em outras palavras, Stevie Wonder tem 100% de aproveitamento no Grammy.

1975 – Fulfillingness’ First Finale (Stevie Wonder)

4 - Stevie Wonder

Concorrendo com: Back Home Again (John Denver), Band on the Run (Paul McCartney & Wings), Caribou (Elton John) e Court and Spark (Joni Mitchell).

Esse foi sem sombra de dúvidas o Grammy que mais encheu os olhos, concorrendo na mesma noite tinha nada mais nada menos que Elton John, Joni Mitchell, John Denver e Paul McCartney. O que ganhasse era lucro, mas Stevie se saiu melhor com o seu Fulfillingness’ First Finale (1974).

1977 – Songs in the Key of Life (Stevie Wonder)

5 - Stevie Wonder

Concorrendo com: Breezin’ (George Benson), Chicago X (Chicago), Frampton Comes Alive! (Peter Frampton) e Silk Degrees (Boz Scaggs).

É claro que o melhor e mais importante álbum de toda a carreira do Stevie Wonder não iria passar ileso a um Grammy. Songs in the Key of Life (1976), o arrasador disco duplo de Stevie Wonder bateu aquele que é considerado um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos o Comes Alive (1976) do Peter Frampton. Mas um disco que tem sucessos do tamanho de Sir Duke, Isn’t She Lovely, If It’s Magic, As e I Wish, não poderia ficar sem esse prêmio.

1978 – Rumours (Fleetwood Mac)

6 - Fleetwood Mac

Concorrendo com: Aja (Steely Dan), Hotel California (Eagles), JT (James Taylor) e Star Wars Soundtrack (John Williams regendo a The London Symphony Orchestra).

No ano seguinte foi a vez do Fleetwood Mac abocanhar um Grammy com o disco mais célebre de sua carreira, Rumours (1977). O segundo com o casal Lindsey Buckingham na guitarra e a graciosa Stevie Nicks, nos vocais.
Para os desavisados, é nesse disco que está o maior sucesso do grupo, Dreams.

1984 – Thriller (Michael Jackson)

7 - Michael Jackson

Concorrendo com: Let’s Dance (David Bowie), An Innocent Man (Billy Joel), Synchronicity (The Police) e Flashdance Soundtrack (Vários Artistas).

E desde quando o disco mais vendido na história da música mundial não iria ganhar um Grammy? Aqui está a prova concreta que o prêmio é voltado para os artistas com os discos mais vendidos. No entanto no caso de Thriller (1982) e os demais discos citados acima, é reflexo de uma época em que a qualidade e rentabilidade andava de mãos dadas. E não há o que questionar a respeito de qualidade musical em Thriller.

1985 – Can’t Slow Down (Lionel Richie)

8 - Lionel Richie

Concorrendo com: She’s So Unusual (Cyndi Lauper), Purple Rain (Prince & The Revolution), Born in the U.S.A. (Bruce Springsteen) e Private Dancer (Tina Turner).

Depois do Grammy de 1975, esse foi o mais disputado, basta só dar uma olhadinha na listinha acima que mostra as feras que estavam concorrendo o gramofone dourado de melhor disco do ano. Mas deu Lionel Richie, recém-saído do The Commodores, em seu segundo voo solo com o disco Can’t Slow Down (1983).

1988 – The Joshua Tree (U2)

9 - U2

Concorrendo com: Whitney (Whitney Houston), Bad (Michael Jackson), Trio (Dolly Parton, Linda Ronstadt, & Emmylou Harris) e Sign o’ the Times (Prince).

A banda irlandesa U2 era um fenômeno apenas na Europa, mas foi com The Joshua Tree (1987), gravado e produzido no Estados Unidos sob a produção de Daniel Lanois e Brian Eno, que o grupo ganhou a América, o mundo e o Grammy. Desbancando nomes como Michael Jackson e Whitney Houston.

1996 – Jagged Little Pill (Alanis Morissette)

10 - Alanis Morissette

Concorrendo com: Daydream (Mariah Carey), HIStory: Past, Present and Future, Book I (Michael Jackson), Relish (Joan Osborne) e Vitalogy (Pearl Jam).

A segunda prova concreta que “boas vendas de discos que ganham prêmios e que antigamente bom gosto e rentabilidade estava de mãos dadas”. Em 1995 foi lançado o álbum Jagged Little Pill (1995), que marcava a estreia da cantora canadense Alanis Morissette no mercado americano. O disco foi um estouro de vendas. No ano seguinte lá estava ela abocanhando o Grammy e deixando para trás nomes como Michael Jackson, Mariah Carey e o Pearl Jam.

1999 – The Miseducation of Lauryn Hill (Lauryn Hill)

11 - Lauryn Hill

Concorrendo com: Ray of Light (Madonna), The Globe Sessions (Sheryl Crow), Version 2.0 (Garbage) e Come on Over (Shania Twain).

Esse foi o Grammy mais surpreendente de todos os tempos. Primeiro por marcar um fato histórico, apenas mulheres concorriam a categoria principal. Madonna, Lauryn Hill, Shania Twain, Sheryl Crow e o grupo Garbage capitaneado pela bela e insana Shirley Manson. Segundo, pelo fato de ter ganhado justamente a zebra de todas as apostas, o álbum que marcava a estreia solo da ex-Fugges Lauryn Hill.
Falamos tanto agora de representatividade, e no Grammy de 1999 foi a prova, afinal de contas em uma categoria que contava apenas com mulheres, a vencedora foi uma negra com um álbum de Hip-Hop.

2000 – Supernatural (Santana)

12 - Santana

Concorrendo com: Millennium (Backstreet Boys), Fly (Dixie Chicks), When I Look in Your Eyes (Diana Krall) e FanMail (TLC).

O retorno do guitarrista Carlos Santana à mídia, com um disco recheado de participações especiais variadas, como, Rob Thomas, Wyclef Jean, Maná, Everlast, Lauryn Hill e Eric Clapton, além do megassucesso Smooth, fez o mestre das guitarras ganhar a primeira estatueta da virada do milênio, vencendo de forma digna os grupelhos pop Backstreet Boys e TLC.

2003 – Come Away With Me (Norah Jones)

13 - Norah Jones

Concorrendo com: Home (Dixie Chicks), The Eminem Show (Eminem), Nellyville (Nelly) e The Rising (Bruce Springsteen).

Um dos mais belos discos de Jazz dos últimos tempos. Come Away With Me (2002), o disco de estreia de Norah Jones, considerada a voz mais encantadora e dócil do gênero, também venceu de forma fácil uma lista de indicados que só tinha Bruce Springsteen de mais notório, mas com um álbum longe da sua genialidade de outrora. Merecidíssmo.

2005 – Genius Loves Company (Ray Charles)

14 - Ray Charles

Concorrendo com: American Idiot (Green Day), The Diary of Alicia Keys (Alicia Keys), Confessions (Usher) e The College Dropout (Kanye West).

Os punks achavam que aquele seria o ano do Green Day, com o seu aclamado e político American Idiot (2004), mas havia uma imensa e histórica pedra no meio do caminho, uma pedra respeitosa, póstuma e que edificou toda a música americana e mundial, e que depois de muitos tentando ganhar um prêmio de melhor álbum do ano, após a sua partida o erro foi enfim consertado. Genius Loves Company (2004), o álbum póstumo de Ray Charles, que conta com a participação mais do que especial de nomes como Norah Jones, Natalie Cole, Elton John, Diana Krall, B.B. King e entre outros, foi o grande vencedor daquela noite digna de Ray.

2006 – How to Dismantle an Atomic Bomb (U2)

15 - U2

Concorrendo com: The Emancipation of Mimi (Mariah Carey), Chaos and Creation in the Backyard (Paul McCartney), Love. Angel. Music. Baby. (Gwen Stefani) e Late Registration (Kanye West).

Depois de ter perdido de forma injusta (falaremos abaixo) em 2002, o Grammy resolveu se redimir com o U2 na hora certa, afinal de contas, How to Dismantle an Atomic Bomb (2004) é a continuação mais que perfeita de All That You Can’t Leave Behind (2000).

2008 – River: The Joni Letters (Herbie Hancock)

16 - Herbie Hancock

Concorrendo com: Echoes, Silence, Patience & Grace (Foo Fighters), These Days (Vince Gill), Graduation (Kanye West) e Back to Black (Amy Winehouse).

Outro Grammy da reparação. Como um gênio musical como o pianista Herbie Hancock ainda não havia ganhado um prêmio de melhor álbum? Mas a sua hora chegou e ele ganhou com um dos mais belos e tocante tributos já feitos, e o melhor, para uma pessoa ainda viva! River: The Joni Letters (2007), é o seu tributo pessoal para a grande cantora e letrista Joni Mitchel, com a participação especial de Tina Turner, Norah Jones, Leonard Cohen e Corinne Bailey Rae.

INJUSTO

1962 – Judy At Carnegie Hall (Judy Garland)

1 - Judy

Concorrendo com: Breakfast at Tiffany’s Soundtrack (Henry Mancini), Genius+Soul=Jazz (Ray Charles), Great Band with Great Voices (Si Zentner & the Johnny Mann Singers), The Nat King Cole Story (Nat King Cole) e West Side Story (Vários Artistas)

O primeiro caso de injustiça na história do Grammy aconteceu em 1962, quando a atriz cantora Judy Garland, famosa pelo filme Mágico de Oz e pela interpretação da música Over The Rainbow, ganhou a edição de 1962 com o álbum, Judy At Carnegie Hall (1961). A injustiça já começa quando um disco ao vivo concorre com discos inéditos e de estúdio. Mas ela não para por aí, afinal de contas, Judy Garland desbancou nada mais, nada menos que Ray Charles e Nat King Cole na premiação.

1963 – The First Family (Vaughn Meader)

2 - Vaughn Meader

Concorrendo com: I Left My Heart in San Francisco (Tony Bennett), Jazz Samba (Stan Getz & Charlie Byrd), Modern Sounds in Country and Western Music (Ray Charles) e My Son, the Folk Singer (Allan Sherman).

No ano seguinte foi a vez do comediante e cantor Vaughn Meader abocanhar o gramofone e deixar mais uma vez Ray Charles passando vontade. E pior do que isso, quem também estava concorrendo ao prêmio era a dupla genial de Sex e Trompete, Stan Getz e Charlie Parker. Esse prêmio com certeza foi a piada mais engraçada que Vaughn já contou na vida.

1967 – A Man And His Music (Frank Sinatra)

3 - Frank Sinatra

Concorrendo com: Color Me Barbra (Barbra Streisand), Dr. Zhivago Soundtrack (Maurice Jarre), Revolver (Beatles) e What Now My Love (Herb Alpert and the Tijuana Brass).

A polêmica começa quando Frank Sinatra entra na lista como injustiça, mas vamos aos fatos. A Man And His Music (1965) trata-se de uma coletânea, ou seja, Frank Sinatra ganhou um prêmio de melhor disco com músicas que já foram lançadas por ele em outra ocasião, não havia ineditismo nenhum. Mas não para por aí, ele ganhou de um dos discos mais criativos e inventivos da história, nada mais nada menos que o Revolver (1966), o disco que marcou de uma vez por todas o amadurecimento dos Beatles.
Ainda bem que no ano seguinte os Fab Four vingaram bem vingado.

1971 – Bridge over Troubled Water (Simon & Garfunkel)

4 - Simon and Garfunkel

Concorrendo com: Chicago (Chicago), Close To You (The Carpenters), Déjà Vu (Crosby, Stills, Nash and Young), Elton John (Elton John) e Sweet Baby James (James Taylor).

O disco da dupla formada por Paul Simon e Art Garfunkel tem o seu imenso valor, mas não o suficiente para derrubar o segundo disco de Elton John, ao supergrupo Crosby, Stills, Nash and Young e principalmente o belíssimo Close To You (1970) dos irmãos Carpenters.

1972 – Tapestry (Carole King)

5 - Carole King

Concorrendo com: All Things Must Pass (George Harrison), Carpenters (The Carpenters), Jesus Christ Superstar (Vários Artistas) e Shaft (Isaac Hayes)

Carole King, ao lado de Joni Mitchell, é uma das maiores musicistas e letristas de todos os tempos, mas isso não é motivo para papar o prêmio das mãos de George Harisson com o seu emblemático, histórico e obra-prima definitiva All Things Must Pass (1970). A própria Carole King revelou em entrevistas que jamais imaginou que ganharia esse prêmio.
É ai que você percebe quão bom era o Grammy antigamente, se for levar em consideração que é uma “injustiça” Carole King ganhar o prêmio com um dos seus melhores álbuns, pois o outro competidor era nada mais, nada menos que George Harisson.

1976 – Still Crazy After All These Years (Paul Simon)

6 - Paul Simon

Concorrendo com: Between the Lines (Janis Ian), Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy (Elton John), Heart Like a Wheel (Linda Ronstadt) e One of These Nights (Eagles).

Pode até parecer marcação da minha parte com pobre coitado Paul Simon, mas a verdade absoluta que o grande vencedor da noite naquela ocasião merecia ter sido Elton John com o seu psicodélico Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy (1975).

1979 – Saturday Night Fever: The Original Movie Soundtrack (Bee Gees/Vários Artistas)

7 - Bee Gees

Concorrendo com: Even Now (Barry Manilow), Grease Original Soundtrack (Vários Artistas), Running on Empty (Jackson Browne) e Some Girls (Rolling Stones).

Por causa da febre discoteca e do sucesso do filme Os Embalos de Sábado a Noite, a trilha sonora do filme, que contava com músicas do Bee Gees e de outros artistas, foi a grande ganhadora do Grammy de 1979. Só que do outro lado estava nada mais, nada menos que um dos discos mais corajosos e transgressores do show business, o Some Girls (1978) do Rolling Stones, que carregava em si todo tipo de influência, desde a própria Disco Music, na faixa Miss You, passando pelo Blues, Rock Clássico e o Punk Rock, como na sacana Shattered.
Importante ressaltar que essa foi a primeira e única vez na história que os Rolling Stones foram indicados ao prêmio de álbum do ano.

1981 – Christopher Cross (Christopher Cross)

8 - Christopher Cross

Concorrendo com: Glass Houses (Billy Joel), The Wall (Pink Floyd), Trilogy: Past Present Future (Frank Sinatra) e Guilty (Barbra Streisand).

Ninguém consegue acreditar até hoje que Christopher Cross ganhou de ninguém mais, ninguém menos que Pink Floyd com o clássico The Wall (1979). Acho que nem ele…

1994 – The Bodyguard: Original Soundtrack Album (Whitney Houston)

9 - Whitney Houston

Concorrendo com: Kamakiriad (Donald Fagen), River of Dreams (Billy Joel), Automatic for the People (R.E.M.) e Ten Summoner’s Tales (Sting).

Lembra da teoria de que quem vende mais, ganha o Grammy. Pois bem, aqui que ela começa a ser aplicada de forma injusta. A comissão julgadora do prêmio quis se redimir com a cantora Whitney Houston depois das duas derrotas dela nos Grammy de 1986 e 1988, e resolveu premiá-la com o seu disco mais vendido, a trilha sonora do filme O Guarda-Costas, também estrelado por ela. No entanto a tentativa foi falha em dois aspectos: Primeiro porque de longe esse é o álbum mais ralo e cafona de Whitney. Segundo, ele ganhou de uma das maiores obras do Rock Alternativo dos anos 90, o Automatic For The People (1992) do R.E.M.

1995 – MTV Unplugged (Tony Bennett)

10 - Tony Bennett

Concorrendo com: The Three Tenors in Concert 1994 (José Carreras, Plácido Domingo & Luciano Pavarotti), Zubin Mehta From the Cradle (Eric Clapton), Longing in Their Hearts (Bonnie Raitt) e Seal (Seal).

Lembram do Grammy de 1963 que o piadista Vaughn Meader levou o gramofone pra casa? Pois bem, quem perdeu ali também de forma injusta foi o Tony Bennett com o disco I Left My Heart in San Francisco (1962). 32 anos depois os votantes resolveram reparar o erro dando finalmente um Grammy para Tony Bonnett, só que de novo deram para um disco errado. Por mais que as versões acústicas das canções ganharam belos e interessantes arranjos, o disco não tinha ineditismo nenhum e desbancou nomes como Bonnie Raitt, Eric Clapton e Seal.

1997 – Falling into You (Celine Dion)

11 - Celine Dion

Concorrendo com: Odelay (Beck), The Score (The Fugees), Mellon Collie and the Infinite Sadness (Smashing Pumpkins) e Waiting to Exhale: Original Soundtrack Album (Vários Artistas).

Que Falling into You (1996) foi um estrondoso sucesso comercial, chegando a vender cerca de 11 milhões de cópias só nos Estados Unidos e que a canção Because You Loved Me tocava até em rádio desligado na época, isso é a mais pura verdade. Mas tirando esse glace todo, o que sobra dele? É sério mesmo que ele é melhor e mais relevante que o clássico Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995) do Smashing Pumpkins? E cadê o (What’s the Story) Morning Glory? (1995) do Oasis que foi lançado na mesma época e nem entre os indicados ficou?

2002 – O Brother, Where Art Thou? Soundtrack (Vários Artistas)

12 - E ai meu irmão

Concorrendo com: Acoustic Soul (India.Arie), Love and Theft (Bob Dylan), Stankonia (OutKast) e All That You Can’t Leave Behind (U2).

O filme E Aí meu Irmão, Cadê Você?, estrelado por George Clooney, teve a sua trilha sonora como a grande vencedora do Grammy de 2002. Mas levando em consideração que maioria das músicas compiladas já foram sucesso em outrora, e que o disco concorria nada mais, nada menos que com o U2 e a sua fantástica volta ao Rock básico com All That You Can’t Leave Behind (2000), essa premiação foi uma baita de uma injustiça.

2004 – Speakerboxxx/The Love Below (OutKast)

13 - OutKast

Concorendo com: Under Construction (Missy Elliott), Fallen (Evanescence), Justified (Justin Timberlake) e Elephant (White Stripes).

O duo Rap OutKast tem um trabalho digno e irretocável, mas esse prêmio me cheirou duas coisas. Primeiro a tentativa de soar justo, já que no supracitado Grammy de 2002 a banda também concorria com o sensacional Stankonia (2000) e perdeu. Segundo porque levaram em consideração apenas o estouro e sucesso do divertido single Hey Ya! Sendo que concorrendo com eles estavam o também duo, mas de Rock, White Stripes, com o excelente Elephant (2003) e até mesmo a estreia solo muito bem elogiada de Justin Timberlake com Justifield (2002).

2007 – Taking the Long Way (Dixie Chicks)

14 - Dixie Chicks

Concorrendo com: St. Elsewhere (Gnarls Barkley), Continuum (John Mayer), Stadium Arcadium (Red Hot Chili Peppers) e FutureSex/LoveSounds (Justin Timberlake).

As Dixie Chicks têm história dentro da Pop Country Music, mas agora ganhar do Red Hot Chili Peppers em seu álbum duplo que marcava a volta do grupo para o Funk Rock, foi de doer os olhos e ouvidos.

2010 – Fearless (Taylor Swift)

15 - Taylor Swift

Concorrendo com: I Am… Sasha Fierce (Beyoncé), The E.N.D. (Black Eyed Peas), The Fame (Lady Gaga) e Big Whiskey and the GrooGrux King (Dave Matthews Band).

Se muitos acham injusta a vitória de Taylor Swift no último Grammy, o que dizer então de quando ela superou Lady Gaga com o poderosíssimo The Fame (2008) e Beyoncé com o duplo e sensacional I Am… Sasha Fierce (2008)?

2013 – Babel (Mumford & Sons)

16 - Mumford and Sons

Concorrendo com: El Camino (The Black Keys), Some Nights (fun.), Channel Orange (Frank Ocean) e Blunderbuss (Jack White).

Me responde uma coisa, você acha que daqui 30 anos alguém vai se lembrar que o Grammy de 2013 foi vencido por Mumford & Sons?

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