Muito Além do Bug do Milênio

MUITO ALÉM DO BUG DO MILÊNIO #04: Does This Look Infected? – Sum 41 (2002)

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DISCO: Does This Look Infected?
BANDA: Sum 41
LANÇAMENTO: 26 de novembro de 2002
ORIGEM: Canadá
GÊNERO: Punk/Hardcore
FORMAÇÃO DO DISCO: Deryck Whibley (Vocal e Guitarra), Dave Baksh (Guitarra e Vocal), Jason McCaslin (Baixo) e Steve Jocz (Bateria)
PRODUCÃO: Greig Nori (Iggy Pop, Marianas Trench, Hedley, The New Cities)
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: The Offspring, Green Day, Blink 182, New Found Glory, Pennywise, Face To Face, Iron Maiden, Metallica, Megadeth e Beastie Boys.

HISTÓRIA

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A trajetória do Sum 41 começou no ano de 1996 no Canadá, quando o, até então apenas guitarrista, Deryck Whibley e o baterista Steve Jocz montou a banda que a princípio atendia pelo nome de Kaspir e fazia cover do NOFX.
Após o lançamento do primeiro disco, Half Hour of Power (2000) e a entrada dos integrantes Jason McCaslin (Baixo) e Dave Baksh (Guitarra), o Sum 41 começou a despontar no cenário musical alternativo, a ponto de ser contratado pela Island Records, afim de ser uma resposta ao trio californiano de Poppy Punk, Blink 182.

Em 2001 a banda lançou o seu segundo disco, All Killer No Filler (2001), que foi um grandioso sucesso e teve duas canções inclusas na comédia adolescente American Pie, os hits Fat Lip e In Too Deep.

Apesar de toda veia melódica, a banda já tinha um pé no Heavy Metal, muito da influência foi advinda do guitarrista Dave Baksh, que é um grande fã do gênero. E foi com essas influências e com a moral lá em cima com a gravadora, que o quarteto se trancou no estúdio em 2002, com o produtor canadense Greig Nori, e pariu um dos álbuns mais sensacionais, pesados e anticomerciais – que acabou sendo muito bem comercializado posteriormente – da história do Punk/Hardcore, pós anos 2000.

Does This Look Infected? foi lançado no dia 26 de novembro de 2002 e pode ser considerado um dos discos mais diversos, coeso e maduro do Sum 41. Mas um amadurecimento eficiente, afinal de contas, houve evolução na sonoridade da banda e não regresso como é comum acontecer com as demais bandas do gênero, como aconteceu com o supracitado Blink 182, além do Green Day e do The Offspring.

Comercialmente falando, Does This Look Infected? foi um imenso sucesso, não muito superior que o seu antecessor, mas vendeu bem, chegando a um total de 860 mil cópias no mundo todo. Além de ter ampliado o mercado da banda que se tornou uma febre no Japão, chegando a registrar um show da mesma lá nas terras nipônicas, durante a turnê do disco, no DVD Sake Bombs and Happy Endings (2003).

Antes de todo esse bundamolismo musical que assola não apenas o rock, mas toda a industria fonográfica, o Sum 41 usou o sistema para corrompê-lo, e Does This Look Infected? foi a prova concreta.

FAIXA A FAIXA

1 – The Hell Song
O primeiro som que se ouve de Does This Look Infected? É de uma forte escarrada seguida de um cuspe, mas a breve nojenta introdução é interrompida por maravilhoso riff de guitarra bem marcante, feito com maestria por Dave Baksh.
The Hell Song foi o segundo single do álbum, escolha certeira por dois lados. Primeiro, porque ela tem o seu apelo comercial, é Poppy Punk e acessível, no entanto, ela tem uma levada pesada, com riffs fortes e um refrão explosivo.
Vale muito a pena conferir também o clipe da canção que é hilário.

2 – Over My Head (Better Off Dead)
É a guitarra de Dave Baksh que comanda Does This Look Infected? Todas as músicas começam com ela, e percebe claramente a forte influência Heavy Metal no músico, pois a maioria dos seus riffs tem que de Iron Maiden e Megadeth, e o riff inicial de Over My Head (Better Off Dead), canção que também virou single, deixa claro essa devoção.

3 – My Direction
My Direction já começa direta, reta e no refrão, em uma levada Poppy Punk, mas que durante as estrofes cai em um veloz Hardcore.

4 – Still Waiting
Aqui é o que podemos chamar de divisor de águas da banda. Still Waiting sepulta qualquer comparação existente do Sum 41 com o Green Day, Blink 182 e qualquer outra banda de Poppy Punk. É justamente nessa canção que eles levam a sua música a um patamar acima dos demais. O começo com a guitarra abafada e Deryck sussurrando os versos iniciais, cria um suspense para a catarse a seguir. Still Waiting é Punk, mas tem fortes elementos de Metal no meio, como, as guitarras pesadas e oitavadas, o pedal duplo na bateria e os vocais alcançando tons altíssimos.
O clipe da música merece e muito ser visto também, afinal mostra como funciona o establishment musical, com os produtores e empresários mandando e ditando regras de como a banda deve funcionar e agir. Além de soar como uma crítica as bandas de Rock chinfrim surgidas na virada do milênio como The Strokes e The Vines.

5 – A.N.I.C.
Com apenas 34 segundos, A.N.I.C. é um Punk Metal furioso com guitarras pesadas e viradas desconcertantes na bateria.

6 – No Brains
No Brains tem uma levada Hip-Hop à Beastie Boys, uma das grandes influencias do grupo, mas sem os vocais falados como é costumeiro nesse tipo de som. O refrão se transforma em um Hardcore furioso. Além dessa salada louca, No Brains conta com um solo inspiradíssimo de Dave Baksh no meio da mesma.

7 – All Messed Up
Talvez seja All Messed Up a canção mais que se parece com o Sum 41 dos discos anteriores, pendendo para o lado do Poppy Punk, com um refrão chiclete e uma melodia mais agradável e festeira, mas apesar de todo esse brilhantismo ela não foge da estética incorporada em Does This Look Infected? e tem a sua dose cavalar de guitarra pesada.

8 – Mr Amsterdam
Saindo do Poppy Punk de All Messed Up e desembocando no Metal à Megadeth em Mr. Amsterdam com direito a guitarra dobrada já na introdução, riffs cavalgados, bateria usando e abusando do pedal duplo e alguns guturais perdidos no meio. Sensacional.

9 – Thanks For Nothing
A calma guitarra na introdução denuncia uma balada que irá acalmar os ânimos de quem chegou até aqui. Mas ledo engano, Thanks For Nothing começa com um Punk Rock circa Pennywise (fase About Time), que logo cai em um Hip-Hop! a lá Beastie Boys, dessa vez sim com vocais falados, feitos pelo baterista Steve Jocz, até cair no Punk Rock de novo, e sermos surpreendidos com um trecho Metal com guitarras dobradas e pedais duplo na bateria.

10 – Hyper-Insomnia-Para-Condrioid
E tome mais guitarras e baterias pesadas e vocais berrados nessa canção doentia que fala dos transtornos psicológicos causados pela insônia.

11 – Billy Spleen
Mais Punk Metal em Does This Look Infected? A influência da vez em Billy Spleen é o Pantera, com guitarras dropadas fazendo riffs pesando uma tonelada e uma bateria que intercala entre o groove e o Hardcore, sem esquecer é claro do pedal duplo. Isso sem mencionar os vocais berrados de Deryck e Dave.

11 – Hooch
A introdução tocada na guitarra lembra muito The Offspring fase Conspiracy of One. Do mais a música segue o conceito implantado no disco, é Punk, mas tem peso de Heavy Metal, com direito a um solo de guitarra de Dave que cairia perfeitamente em qualquer música do Iron Maiden. Por fim ela encerra de forma singela e sublime, com a bateria abaixando o ritmo, a guitarra desligando a distorção e vocal sussurrando os versos finais.

O SUM 41 HOJE

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Após o lançamento de Does This Look Infected? a banda fez um extensa turnê pelos Estados Unidos, Japão e Europa, mas logo voltou para os estúdios para registrar mais um novo trabalho. Chuck (2004), o quarto disco do Sum 41, trazia os elementos pesados do seu antecessor mas mesclava fortemente com a música Pop. A divisão sonora perceptível já demonstrava o racha que a banda sofreria anos depois. Dave Baksh, fã de Heavy Metal e descontente com o rumo musical que a banda estava tomando, deixou a mesma para se dedicar ao seu grupo de Metal chamado Brown Brigade. Como um trio a banda lançou o disco Underclass Hero (2007), que muito flertava com o Poppy Punk e havia se desprendido de vez do peso de outrora.

Em 2010 a banda lança o sexto disco, Screaming Bloody Murder, tenta sem sucesso resgatar o peso e a temática Punk Heavy da fase Does This Look Infected?, mas a verdade era que o Sum 41 já não falava mais com a nova geração e até mesmo com o seu antigo público. E assim ela foi caindo no ostracismo, até o momento que o guitarrista Dave Baksh voltou para banda no meio do ano passado e a mesma anunciou as gravações de um novo disco.

Da formação de que gravou Does This Look Infected? apenas o baterista Steve Jocz não está mais no Sum 41, para o seu lugar entrou Frank Zummo. Com saída de Dave Baksh em 2007, entrou para o seu lugar o guitarrista Tom Thacker. E agora com Dave de volta ao posto, Tom permanece na banda, e assim como o Iron Maiden, uma das grandes influências do grupo, o Sum 41 tem em sua formação um trio de guitarristas.

Um facho de esperança surgiu no coração dos fãs mais ardosos, e que bom. Afinal de contas, uma banda que lançou um petardo sonoro como Does This Look Infected? não merecia ter um fim melancólico.

Até quinta que vem (prometo!)

Veja as colunas anteriores:
#01: By The Grace Of God – The Hellacopters (2002)
#02: Contraband – Velvet Revolver (2004)
#03: Relationship of Command – At The Drive-In (2000)

 

 

 

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5 comentários em “MUITO ALÉM DO BUG DO MILÊNIO #04: Does This Look Infected? – Sum 41 (2002)”

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