Muito Além do Bug do Milênio

MUITO ALÉM DO BUG DO MILÊNIO #05: Siren Song Of The Counter Culture – Rise Against (2004)

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DISCO: Siren Song Of The Counter Culture
BANDA: Rise Against
LANÇAMENTO: 10 de agosto de 2004
ORIGEM: Estados Unidos
GÊNERO: Punk/Hardcore
FORMAÇÃO DO DISCO: Tim McIlrath (Vocal e Guitarra), Chris Chasse (Guitarra e Vocal), Joe Principe (Baixo e Vocal) e Brandon Barnes (Bateria)
PRODUCÃO: Garth Richardson (Red Hot Chili Peppers, L7, Sick of It All e Rage Against The Machine).
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: Bad Religion, Black Flag, Face To Face, Circle Jerks, Comeback Kid, Social Distortion, Minor Threat, Pennywise, NOFX, Descendents, Nirvana, Garage Fuzz e Dead Fish.

HISTÓRIA

Rise Against

Sabe aquela famosa história do simples projeto musical que reunia integrantes de algumas bandas já conhecidas da cena musical, mas que acabou se tornando muito maior do que elas próprias? Hellacopters, Foo Fighters e Queens Of The Stone Age são grandes exemplos, mas inclua nessa lista também o Rise Against.

Formado na cidade americana de Chicago no ano de 1999, o Rise Against contava em sua formação com Joe Principe (Baixo) e Dan Wlekinski (Guitarra), ambos do 88 Fingers Louie, além de Toni Tintari, ex-baterista do Shai Hulud, e Tim McIlrath ex-vocalista do Baxter do The Killing Tree. Com nome de Transistor Revolt, a banda lança a sua primeira demo em 2000, chamando a atenção da tradicional gravadora Fat Wreck Chords do Fat Mike do NOFX, que lançou os dois primeiros e importantíssimos álbuns do grupo (agora já chamado Rise Against) o The Unraveling (2001) e Revolutions Per Minute (2003). O último disco alias causou enorme burburinho na cena alternativa, graças aos singles Heaven Knows e Like The Angel, que tocava nas rádios universitárias e tinha o seu clipe, no caso de Heaven Knows, repetido à exaustão na MTV2, uma espécie de MTV voltada para a música independente.

Tanto frisson, fez a banda ser contratada pelo selo Dreamworks Records, do mesmo conglomerado do estúdio de cinema Dreamworks, ambos sob a direção de Steven Spielberg. Acontece que a Dreamworks acabou sendo vendida para Universal Music e dentro desse conglomerado estava a nostálgica Geffen casa de artistas como o Nirvana, Guns N’ Roses, Sonic Youth e Audioslave. A Geffen assumiu para si o Rise Against e se comprometeu a lançar o próximo álbum da banda.

As gravações do novo disco aconteceram entre dezembro de 2003 e Maio de 2004 em dois estúdios diferentes o Plumper Mountain Sound e o The Warehouse Studio, ambos no Canadá. Já com contando com o baterista Brandon Barnes, que estava na banda desde o The Unraveling e com o guitarrista Chris Chasse. A produção ficou a cargo do produtor e engenheiro de áudio Garth Richardson, que já trabalhou com nomes como Red Hot Chili Peppers (Mother’s Milk), L7 (Hungry for Stink) e o primeiro disco o Rage Against The Machine.

No dia 10 de agosto de 2004, finalmente Siren Song Of The Counter Culture é lançado, já alçando o Rise Against ao status de a próxima banda de Punk Rock a conquistar o mainstream como aconteceu com o The Offspring em 1994. Só nos Estados Unidos o disco vendeu meio milhão de cópias chegando a faturar disco de ouro. No Canadá a banda vendeu 100 mil cópias e na Austrália foram 35 mil. O disco entrou na posição 136º da Billboard na semana de lançamento nos Estados Unidos.

Importante ressaltar que mesmo com todos esses números e o tal sucesso repentino, em Siren Song Of The Counter Culture foram mantidos dois dos principais princípios do Rise Against, a sua sonoridade agressiva e principalmente e o seu discurso progressista sempre a favor das minorias e voltados as causas humanitárias, sociais e ambientais.

FAIXA A FAIXA

1 – State Of The Union
E de repente, baixo e guitarra vão deslizando brutalmente os seus acordes, enquanto a bateria acompanha o andamento sendo espancada sem dó. Tudo isso fazendo a cama para um insano Tim McIlrath berrar as suas palavras de ordem contra o, na época, governo Bush.
Abertura melhor do que essa impossível.

2 – The First Drop
Uma rápida virada na bateria é a deixa para um Hardcore Melódico circa Bad Religion na fase The Process of Belief (2002) invadir os alto falantes.

3 – Life Less Frightening
A levada da guitarra tocada na introdução denuncia o que esperar de Life Less Frightening. Um Poppy Punk empolgante, mas que em nada lembra o clima ensolarado do mesmo estilo feito na California, pelo contrário, os berros ensandecidos de Tim clamando por uma vida menos assustadora, confirma a tese.
Life Less Frightening foi o terceiro e último single de Siren… é uma das músicas mais queridas dos fãs, mas que infelizmente tem sido esquecida do repertório da banda a cada nova turnê. Uma pena.

4 – Paper Wings
Aqui a guitarra também dita ordem, mas o que se ouve ao fim da introdução é um veloz Hardcore Melódico, com algumas passagens Punk que casam perfeitamente com o vocal rouco e agressivo de Tim, que a título de curiosidade é responsável pelo solo de guitarra no meio da canção. Mesmo não sendo single do disco, ela é uma das preferidas dos fãs do grupo e vira e mexe de forma surpreendente ela pinta em alguns setlist da banda.

5 – Blood to Bleed
Quem brilha na introdução de Blood to Bleed é o baixo de Joe Principe que acaba dando toda tônica a canção que soa como uma “Valsa Punk” angustiante. Os berros finais de Tim são o ponto máximo.

6 – To Them These Streets Belong
O pedal seco batendo no bumbo da bateria de forma compassada já denuncia o caos a seguir. To Them These Streets Belong é um Hardcore veloz no qual peso e melodia se fundem na mesma canção.

7 – Tip The Scales
Um Punk Rock simples de estrutura, mas técnico de melodia, emulando um Black Flag em seus momentos mais inspirados, como no álbum Slip It In (1984).

8 – Anywhere But Here
Basicamente uma continuação mais do que perfeita de Paper Wings, tanto na estrutura musical, que é nada mais nada menos que um Hardcore veloz com passagens melódicas e displicentes. Como na letra de punho social e ideológico, que são as marcas registradas do Rise Against.

9 – Give It All
Talvez ao lado de Heaven Knows e Ready To Fall seja o maior hino musical do Rise Against. Give It All foi o primeiro single de Siren… foi lançado três meses depois do álbum e logo ocupou a posição 37 da Billboard Alternative Songs. Give It All é também uma das duas únicas canções do disco que possui videoclipe, e que videoclipe meus amigos! Vale e muito a pena conferir a baixo.
A canção é um Punk Rock forte com passagens melódicas, lembrando muito a grande influência do grupo, o Black Flag. A letra é um manifesto claro contra o corporativismo que assola e escraviza toda humanidade.
O trecho inicial:

Atravesso a ressaca do mar
pareço não conseguir encontrar suas mãos
A poluição queima a minha língua
Tusso as palavras que eu não consigo falar.

É uma visão poética das grandes empresas que poluem o meio ambiente.

10 – Dancing for Rain
Ela começa singelamente tocada no violão e após um pequeno break ela mergulha de cabeça em um Hardcore Melódico cheio de velocidade e com um final insano com Tim McIlrath aos berros.
Dancing For Rain conta também com a participação do músico Nicholas Simons tocando Violoncelo.

11 – Swing Life Away
Aqui o violão reaparece, mas ao contrário da faixa anterior, aqui ele fica a música inteira, sendo o único instrumento da mesma e uma das mais belas baladas do Rise Against, e mesmo que ela soa deslocada do resto da proposta do álbum, acredite ela cumpre bem o seu papel. Não é à toa que ela foi o segundo single do disco, e ao lado de Give It All é a única que possuí videoclipe.
Existem duas versões de Swing Life Away, a do próprio álbum, que é maior, no refrão ela tem uma sutil levada de percussão, conta no meio da música com um solo de violão e mais uma vez com a participação de Nicholas Simons no Violoncelo. E há uma versão editada, mais curta, sem o solo de violão e sem a percussão, que foi lançada na compilação Punk Goes Acoustic. Pra quem não tem a versão física de Siren… e baixou o mesmo nos torrentes da vida, as chances de ter sido “contemplado” com a segunda versão de Swing Life Away é grande.

12 – Rumors of My Demise Have Been Greatly Exaggerated
A melhor maneira de encerrar o disco é com uma canção que traz de forma absoluta todos os elementos que permearam durante toda a obra. Rumors… é um resumo de todo Siren… ele é um Punk Rock melódico, com guitarras oitavas, bateria reta, fazendo a cama para a voz agressiva de Tim McIlrath reinar e berrar no meio da canção. E claro sem esquecer do cunho político e ideológico.
A melhor forma de dizer adeus.

O RISE AGAINST HOJE

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De todas as bandas abordadas aqui na nossa coluna, o Rise Against foi a única que não encerrou as atividades, deu um tempo, ou entrou em hiato e depois voltou a ativa. Pelo contrário, de Siren Song Of The Counter Culture pra cá o Rise Against só tem crescido. No entanto o que é para ser comemorado com alegria vira uma incógnita a partir do momento que lá pra cá o som da banda mudou e muito.

Depois de Siren… o Rise Against lançou o disco The Sufferer & the Witness (2006) que comercialmente falando se saiu ainda melhor que o seu antecessor e emplacando logo de cara três hits: Ready To Fall, Prayer of the Refugee e The Good Left Undone. Esse ficou marcado como o último do guitarrista Chris Chasse que deixaria a banda no ano seguinte. Em 2008 já com Zach Blair no lugar, a banda lança o Appeal to Reason e é exatamente aí que começa o declínio musical do Rise Against. Sai a produção cheia de punch e veracidade e entra um trabalho limpo, brilhante e pomposo, assinado pelo mestre Bill Stevenson, baterista do Descendents, do All e do Black Flag e que já havia produzido dois trabalhos da banda, o Revolutions Per Minute e o próprio The Sufferer… Mas produção a parte, o que falta em Appeal To Reason são canções energéticas, agressivas, velozes e pesadas como em outrora.

Em 2011 finalmente a banda vem pela primeira vez (O FBM cobriu o show aqui) e no mesmo ano lança o novo álbum Endgame que vem na mesma pegada anêmica do antecessor (resenha aqui).

Em 2014 a banda lança o seu mais recente trabalho The Black Market (também resenhado aqui), que afastou de vez o espírito pulsante e enérgico de outrora.

E ficamos aqui na esperança de um novo Siren Song Of The Counter Culture.

Até quinta que vem.

Veja as colunas anteriores:
#01: By The Grace Of God – The Hellacopters (2002)
#02: Contraband – Velvet Revolver (2004)
#03: Relationship of Command – At The Drive-In (2000)
#04: Does This Look Infected? – Sum 41 (2002)

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3 comentários em “MUITO ALÉM DO BUG DO MILÊNIO #05: Siren Song Of The Counter Culture – Rise Against (2004)”

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