MUITO ALÉM DO BUG DO MILÊNIO #07: Jennie Bomb – Sahara Hotnights (2001)

Publicado: 10 de março de 2016 em Muito Além do Bug do Milênio
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Sahara

DISCO: Jennie Bomb
BANDA: Sahara Hotnights
LANÇAMENTO: 24 de maio de 2001
ORIGEM: Suécia
GÊNERO: Punk Rock/Hard Rock
FORMAÇÃO DO DISCO: Maria Andersson (Vocal e Guitarra) Jennie Asplund (Guitarra e Backing Vocals), Johanna Asplund (Baixo e Backing Vocals) e Josephine Forsman (Bateria)
PRODUCÃO: Chips Kiesbye (The Hellacopters, Millencolin e Wilmer X).
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: Ramones, Runaways, Joan Jett, The Hellacopters, Foo Fighters, Cachorro Grande, The Clash, Sex Pistols, The Donnas, The Hives e Blondie.

HISTÓRIA

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A trajetória do Sahara Hotnights começou na Suécia em 1992 quando as irmãs Asplund, Jennie e Johanna, guitarrista e baixista respectivamente, resolveram montar uma banda em cima das suas influências musicais, como Ramones, The Runaways e Suzi Quatro. Reuniram mais duas amigas: Maria Andersson (Vocal e Guitarra) e a baterista Josephine Forsman, e estava montado o Sahara Hotnights.

No ano de 1997, elas lançaram o primeiro EP Suits Anyone Fine, que chamou a atenção do selo musical sueco Speech Records que rapidamente tratou de assinar o contrato com as garotas e no ano de 1999 elas lançam o seu primeiro disco C’mon, Let’s Pretend, que tem uma sonoridade mais clean, sendo um casamento entre o Hole de Courtney Love com o Blondie de Debbie Harry. O disco foi muito bem recebido pela crítica especializada chegando a concorrer o Grammy Sueco em duas categorias.

No ano seguinte a banda entrou no estúdio com o produtor sueco Chips Kiesbye, o Chips K famoso por trabalhar com o Millencolin e The Hellacopters, outras grandes bandas vindas da Suécia (o Hellacopters já falamos aqui nessa coluna). Só que dessa vez, o disco das meninas soaria um pouco mais diferente, ao invés de apostar no óbvio do sucesso do primeiro álbum e manter a mesma sonoridade amena, o Sahara foi para o caminho de pedrgulho e caiu de vez no Rock n’ Roll. Sai de cena a Debbie Harry e entra em ação a Joan Jett.

E foi no dia 24 de maio de 2001 que Jennie Bomb é finalmente lançado. O disco levou esse nome em homenagem a fundadora e guitarrista da banda Jennie Asplund, como se a mesma fosse uma personagem de história em quadrinhos. E capa desenhada dá essa doce sensação.

O disco foi um sucesso instantâneo na Suécia, ficando na segunda posição dos mais vendidos e começou a propagar por toda Europa, com a mídia europeia levantando a bola das garotas, o disco atravessou o oceano e finalmente chegou aos Estados Unidos, sendo lançado na América no ano seguinte.

De Jennie Bomb saíram três singles que posteriormente viraram videoclipes, Alright Alright (Here’s My Fist Where’s the Fight?), On Top of Your World e mezzo balada With or Without Control.
A Suécia que já havia exportado para o mundo nomes como The Hellacopters, The Hives, Backyard Babies, agora tinha mais um bom nome guardado na manga, o Sahara Hotnights e o seu cartão de visitas? Jennie Bomb!

FAIXA A FAIXA

1 – Alright Alright (Here’s My Fist Where’s the Fight)
A batida do bumbo acompanhando o elétrico riff de guitarra, já anuncia a catarse a seguir, um Punk Rock espivetado de refrão chiclete que não faria feio no disco de estreia das Runaways.
Ponto para as garotas.

2 – On Top of Your World
O single absoluto, não apenas de Jennie Bomb, mas de toda a carreira das Sahara Hotnights. A canção tem uma estética Pop na estrofe, com as guitarras intercalando entre a base abafada com um solinho, mas no refrão ela explode em um Hard Rock potente no qual as meninas clamam estar no topo do mundo.

3 – Fire Alarm
A Displicência volta em Fire Alarm, com uma guitarra “fritando” logo na introdução. E mesmo a vocalista Maria Andersson dando uma leve, mas perceptível, semitonada no pré refrão, acaba soando com um elemento chave da canção.

4 – With or Without Control
Na mão da Brody Dalle ou da Courtney Love essa música seria uma bela balada, mas com essas Punks suecas virou um Punk Ballad com a distorção gritando nas guitarras, apesar de haver um sentimentalismo enrustido ali no meio.

5 – Keep Up the Speed
Com o volume máximo no pedal de fuzz, a guitarra faz a introdução da insanidade que vem a seguir, um Hard Rock animado no qual o refrão cantado em uníssono pela banda lembra muito o Kiss.
Sensacional.

6 – No Big Deal
Se você é daqueles que não consegue discernir o som do contrabaixo em uma canção (sim, existe quem não consegue), essa é a música perfeita.
Logo na introdução a baixista Johanna Asplund faz uma linha bem marcante, lembrando as lendárias Big Band de Jazz. Só que durante a estrofe o baixo simplesmente some, deixando um vácuo enorme no qual a guitarra distorcida junto com a bateria acelerada tentam preencher de todas as formas. Mas no refrão ele ressurge todo lindo e pomposo, sendo difícil não o perceber. Ponto para a Johanna.

7 – Down and Out
Down and Out é um perfeito I Wanna Be Sedated dos Ramones, o mesmo andamento, a mesma batida na bateria. Elas que são grandes fãs do lendário quarteto nova iorquino, chegando a gravar uma versão de Rockway Beach para um tributo a banda, mostram em Down and Out que beberam mesmo da fonte.

8 – Only the Fakes Survive
Outra tentativa “fracassada” de fazer uma bela balada. Only the Fakes Survive tem o mesmo “problema” de With or Without Control, ela tem sentimentalismo, tem uma veia Pop pulsando lá no fundo, mas subitamente perdida por debaixo de uma tonelada de distorção de guitarra e de uma bateria que não abre mão do chimbal aberto.
Elas sobem o tom na terceira vez que é cantado o refrão, tem um solo de guitarra singelo, mas eficiente, no meio da canção. Só que toda a jovialidade do Rock de Garagem está lá, e francamente? É disso que a gente gosta.

9 – Whirlwind Reaper
De tanto insistir uma hora elas conseguem. Whirlwind Reaper tem uma pegada mais madura, com um sólida linha de baixo e uma interpretação até que comovente de Maria Andersson, parecendo a Joan Jett em suas canções mais cadenciadas.

10 – Fall Into Line
A batida bumbo-caixa com a guitarra envenenada mergulhada no fuzz, lembra muito os conterrâneos do The Hellacopters na fase Grande Rock.
Do mais é um animado Rock de Garagem.

11 – Are You Happy Now?
Tem um quê de Surf Rock a lá The Ventures, Trashmen e os mestres Beach Boys, logo na introdução e também nas estrofes, principalmente por conta do riff de guitarra. Mas no refrão a baterista Josephine Forsman sai da batidinha ie ie ie e faz umas viradas desconcertantes.

12 – Out of the System
É Ramones de novo em Jennie Bomb, dessa vez a semelhança é com The Crusher, canção do último disco da banda, Adios Amigos.

13 – A Perfect Mess
Poderia muito bem Jennie Bomb ter encerrado na faixa anterior, mas ele prosseguiu e apresenta aqui a sua única bola fora em um disco que caminhava à perfeição. A Perfect Mess, que saiu apenas na edição oficial e europeia do álbum, tem efeitos eletrônicos em excesso em uma batida arrastada e repetitiva, que em nada lembra a fúria, a jovialidade, a energia e a displicência das 12 faixas anteriores.
Desnecessária.

O SAHARA HOTNIGHTS HOJE

sahara_hotnights

Pegando carona no sucesso de Jennie Bomb, em 2004 a banda lança Kiss & Tell que ganhou de vez o mercado americano, chegando a ter o seu principal hit, Hot Night Crash, incluída na trilha sonora do jogo de videogame Burnout 3, além do clipe ser veiculado a exaustão na MTV.
Aqui no Brasil, que o nome da banda era uma novidade, quem ajudou a divulgar e apresentou o Sahara Hotnights para muitos foi o músico Chuck Hipolitho, hoje guitarrista e vocalista do Vespas Mandarinas, mas na época era um dos líderes do Forgotten Boys. Chuck vira e mexe se apresentava com uma camiseta da banda e sempre que era entrevistado e perguntado qual era a banda que ele mais ouvia no momento, ele sempre citava as meninas.

Em 2007 a banda lançou What If Leaving Is a Loving Thing, que fez grande sucesso no seu país de origem e bombou com o single Visit to Vienna, mas em termos de sonoridade, tava se distanciando do Sahara elétrico de Jennie Bomb e voltando ao de sonoridade Pop de C’mon, Let’s Pretend.

Em 2009 as meninas lançaram Sparks, que é um disco de covers que conta com Big Me do Foo Fighters em uma versão irreconhecível, além de If You Can’t Give Me Love da Suzi Quatro e Love Will Never Do (Without You) da Janet Jackson.

O disco seguinte, autointitulado, foi lançado em 2011 e não chega a ser um desastre, mas em nada lembra aquela banda barulhenta e espivitada que nos embalava com a simplicidade do seu Rock n’ Roll. Pelo menos elas continuam na ativa e com a mesma formação desde sempre, portanto torcemos por um lapso de genialidade e que um Jennie Bomb Part Two seja lançado em breve.

Até quinta que vem.

Veja as colunas anteriores:
#01: By The Grace Of God – The Hellacopters (2002)
#02: Contraband – Velvet Revolver (2004)
#03: Relationship of Command – At The Drive-In (2000)
#04: Does This Look Infected? – Sum 41 (2002)
#05: Siren Song Of The Counter Culture – Rise Against (2004)
#06: Auf Der Maur – Melissa Auf Der Maur (2004)

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comentários
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