Especial, Fila Benário Fala

As Bandas Femininas de Todos os Tempos – Anos 2000

Hoje vamos para penúltima parte do especial iniciado aqui e prosseguido aqui, aqui e aqui, sobre as bandas femininas de todos os tempos. E a década “destrinchada” hoje é 2000. A virada do milênio trouxe algumas surpresas para o Rock em geral, saíram as distorções, o andamento acelerado e o mesmo ganhou uma nova estética e um novo sub-gênero: Indie. E muitas meninas navegaram essa nova onda sonora.

Vamos viajar

ANOS 2000

HATS
2001 - Hats
Estilo:
Punk Rock
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
2001 – 2009
Integrantes:
Eliane (Vocal e Guitarra), Helena (Baixo e Backing Vocal) e Cherry (Bateria e Backing Vocal)
Melhor Álbum:
Hats (2003)
Descrição: 
Mesmo tendo surgido nos anos 2000, o Hats já contava em sua formação com grandes figurinhas carimbadas da cena independente brasileira, a vocalista e guitarrista Eliane, tocou no Dominatrix, Lava, Pin Ups, Kit Kat Club e Dog School. A baixista Helena foi do Basement Monks e Wee. E a baterista Cherry fez parte do Okoto, como guitarrista e vocalista, e como baterista no HC Word.
Juntas elas formaram o Hats, que tinha uma sonoridade puxada para o Rock de Garagem como The Donnas e Sahara Hotnights, que fez um certo furor na cena independente com disco autointitulado lançado em 2003 pela Thirteen Records, um dos selos independentes mais queridos do país que tinha uma cast matador com Hateen, Street Bulldogs, Forgotten Boys, Crazy Legs, Zumbis do Espaço, Carbona, entre outros.
Em 2008 a banda lançou o último disco, intitulado de Locas In Love, e no ano seguinte a banda encerrou as atividades.

VANILLA NINJA
2002 - Vanilla Ninja
Estilo: Pop Rock
Origem:
Estônia
Periodo de Atividade:
2002 – 2008
Integrantes: 
Lenna Kuurmaa (Vocal e Guitarra), Piret Järvis (Guitarra e Vocal), Katrin Siska (Teclado) e Maarja Kivi (Baixo e Vocal)
Melhor Álbum: 
Traces of Sadness (2004)
Descrição: 
Em uma época que a internet banda larga estava engatinhando em solo nacional, as Vanilla Ninja trolaram muita gente. O segundo disco da banda, o Traces of Sadness (2004) foi lançado e distribuído aqui no Brasil via Hellion Records, famosa gravadora voltada para Heavy Metal Melódico, Gothic Metal e também para o Hard Rock. Portanto a imagem que se vendia da banda ao olhar para fotos promocionais e para a capa do CD era que se tratava de uma banda ou de Heavy Metal, ou de Hard Rock na linha do Crucified Barbara. Mas o som dessa banda vinda da Estônia é um Pop Rock bem eletrônico, não é à toa que nem baterista a banda tem. Quem esperava ouvir um Mötley Crüe caia em um Human League, pra não dizer Britney Spears logo de cara.
Para quem gosta do estilo, é um prato cheíssimo, afinal de contas as meninas mandavam muito bem, mas de Pop a música no século XXI já estava farta e o Vanilla Ninja não durou muito, encerrando a sua curta carreira em 2008, seis anos depois do seu surgimento.

THE PRISCILLAS
2003 - The Priscillas
Estilo:
Punk Rock/Rock N’ Roll
Origem:
Inglaterra
Periodo de Atividade:
2003 – Presente
Integrantes: 
Jenny Drag (Vocal), Valkyrie (Guitarra Backing Vocal), Heidi Heelz (Baixo e Backing Vocal) e Lisa Lux (Bateria e Backing Vocal)
Melhor Álbum: 
10,000 Volts (2009)
Descrição:
A Inglaterra considerada a terra do Rock e que nos presenteou com Rock Goddess e Girlschool nos anos 70, ainda nos devia um representante de peso no Rock Feminino do novo milênio, mas a espera foi saciada com o surgimento dessa banda divertida e querida que é o The Priscillas.
Formada em 2003 por Jenny Drag (Vocal), Guri Go-Go (Guitarra e Backing Vocals), Kate Kannibal (Baixo) e Mavis Minx (Bateria). Fazendo uma sonoridade bem diferente do habitual, um Rockabilly com temáticas de horror, com um pé no Punk e outro na música psicodélica, além do ecletismo musical a banda tem em seu ponto alto as letras divertidas, All My Friends Are Zombies (Todos os meus Amigos são Zumbis), Gonna Rip Up Your Photograph (Vou Rasgar a Sua Fotografia) e Brain Surgeon (Cirurgião de Cérebro), são grandes exemplos.
Da formação original, só a vocalista Jenny Drag continua na banda, que já teve homens em sua formação, tocando bateria, mas hoje é formada apenas por garotas.

LIPSTICK
2003 - Lipstick
Estilo:
Pop Rock
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
2003 – 2015
Integrantes: 
Mel Ravasio (Vocal), Dedê Soares (Guitarra), Carol Navarro (Baixo), Mi Oliveira (Teclado) e Tila Gandra (Bateria)
Melhor Álbum:
Lipstick (2007)
Descrição: 
O Lipstick foi formado em 2003 e usufruiu bem dos 15 minutos de fama até o encerramento das atividades em 2015.
A banda formada pelas amigas de colégio, lançou o seu primeiro disco em 2007, fazendo um Pop Rock elétrico e funcionando perfeitamente bem em uma época na qual o Emocore de NX Zero, Fresno, For Fun, Glória e Fake Number dominavam o país. O disco de estréia, autointitulado, contava com uma canção já conhecida do Pop underground, Nanana dos gaúchos do Wonkavision, que foi a escolha certeira para ser o single do disco e videoclipe que foi veiculado bastante na MTV na época.
Em 2009 a banda participou do concurso Garagem do Faustão do programa Domingão do Faustão e ganhou uma grande notoriedade, não ficou com título, mas mesmo assim assinou contrato com a Som Livre que no ano seguinte lançou o próximo disco da banda, o Roquenroll.
Mas como de Roquenroll o nosso país não tem nada, em pouco tempo a moda Emo passou batida, muitas das bandas surgidas na época sucumbiram ao ostracismo, e o Lipstick que tentou de todas as formas se reerguer e sobreviver no mercado musical, não aguentou o tranco e saiu de cena.

AS DOIDIVINAS
2006 - As Doidivinas
Estilo:
Rockabilly
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
2009 – 2015
Integrantes: 
Flávia Couri (Vocal e Guitarra), Luciana Morozini (Baixo) e Helga Balbi (Bateria)
Melhor Álbum:
Envenenada (2010)
Descrição: 
As Doidivinas por sua vez, foi um projeto musical que sempre transitou sem problema algum pelo underground e sempre esteve igualado com as bandas principais de suas integrantes, principalmente da Vocalista e Guitarrista Flávia Couri, que durante sete anos foi baixista do Autoramas.
O som das Doidivinas é um Rockabilly delicioso, de dançar junto com a sua gata de rostinho colado e de topete no cabelo. O primeiro e único cd desse power trio, Envenenada (2010) é uma festa sem fim. E mesmo com o sucesso e as turnês do Autoramas, As Doidivinas sempre arranjavam um tempo para fazer o seu som despretensioso.
Uma pena a Flavia Couri ter se mudado para Dinamarca recentemente e ter colocado um ponto final na sua passagem pelo Autoramas e principalmente na trajetória das Doidivinas.

DOG PARTY
2007 - Dog Party
Estilo:
Punk Rock/Indie Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
2007 a Presente
Integrantes: 
Gwendolyn (Vocal e Guitarra) e Lucy Giles (Vocal e Bateria)
Melhor Álbum:
Lost Control (2013)
Descrição: 
Quando o White Stipes surgiu em 1997, muita gente não havia se ligado que era possível tocar um Rock N’ Roll nervoso e na sua bruta essência apenas com uma guitarra e uma bateria. E quem aprendeu a lição direitinho foram as meninas do Dog Party. As irmãs americanas Gwendolyn e Lucy Giles que já tocavam juntas desde criança, resolveram amadurecer a ideia e juntas formaram o duo Dog Party em 2007.
Elas ainda salvaram o mundo como a mídia adora dizer que o The Strokes salvaram em 2000 quando lançaram Last Nite, mas elas estão no caminho certo vide as suas influências musicais, que vão de Ramones a Runaways, passando por Bikini Kill e até mesmo a banda fictícia Sex Bomb Omb da HQ e filme Scott Pilgrim Contra o Mundo. E também pelo disco Lost Control (2013), que é acelerado, displicente e divertido.
Vida longa ao Dog Party.

VIVIAN GIRLS
2007 - Vivian Girls
Estilo:
Punk Rock/Indie Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo do Atividade:
2007 – 2014
Integrantes: 
Cassie Ramone (Vocal e Guitarra), Katy Goodman (Baixo e Vocal) e Frankie Rose (Bateria e Vocal)
Melhor Álbum:
Vivian Girls (2008)
Descrição: 
A Década de 2000 foi a crescente do Indie Rock, estilo de Rock mais puxado para o lado alternativo, porém sem as distorções e peso de outrora, indo para o lado mais Pop, limpo e comercial da coisa, representantes não faltam, de Vampire Weekend a Kaiser Chiefs, passando pelo próprio e já citado The Strokes. E do lado feminino o grande representante dessa safra do novo milênio foi com certeza as meninas do Vivian Girls. Se por um lado o som não é muito dos amigáveis em termos de peso, velocidade e técnica, elas tem o seu valor e sua notoriedade, chegando até a mesclar uma dose sincera de Punk Rock e Rockabilly no seu Art Rock.
Não é para iniciantes, mas vale e muito dar uma conferida no álbum de estreia das garotas, autointitulado, que tem bons momentos musicais.
Em 2014 elas encerraram as atividades, voltando apenas em 2015 para uma apresentação especial na festa de casamento da baixista Katy Goodman.

DUM DUM GIRLS
2008 - Dum Dum Girls
Estilo:
Indie Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
2008 – Presente
Integrantes: 
Dee-Dee (Vocal e Guitarra), Jules (Guitarra e Backing Vocal), Bambi (Baixo e Backing Vocal) e Sandy (Bateria e Vocal)
Melhor Álbum: 
Only in Dreams (2011)
Descrição: 
Vindo do mesmo país, bebendo da mesma fonte da sonoridade Indie, Lo-fi, até terminando com o mesmo nome, o Dum Dum Girls é uma extensão do que foi o Vivian Girls, belas garotas americanas tocando o seu Indie Rock com influências de Rockabilly e muita psicodelia, como é possível ver no videoclipe abaixo.
A Sub Pop, famosa gravadora de Seattle responsável por lançar nomes importantes da cena alternativa americana como Mudhoney, Soundgarden e Nirvana, bancou as garotas e apostam nelas como o futuro do Rock. O disco Only In Dreams (2011) tem bons momentos, mas ainda é cedo para apostar algo que ainda está novo no mercado, ainda mais em uma sonoridade não tão acessível para um público que hoje não tem muita paciência para consumir música complexa. Mas as “Garotas Dum Dum” tem o seu imenso valor.

AGNELA
2008 - Agnela
Estilo:
Pop Rock
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
2008 – 2013
Integrantes: 
Deia Cassali (Vocal), Nat Vittori (Guitarra), Betah Soarez (Guitarra), Millah Bass (Baixo) e Loma Longotano (Bateria)
Melhor Álbum:
Podia Ser (2009)
Descrição: 
Outra banda brasileira que teve um empurrãozinho de um grande programa de TV. O Agnela foi montado em 2008 justamente para participar do quadro “Olha a Minha Banda”, do Caldeirão do Huck. A banda foi a vencedora do festival e teve o seu primeiro e único álbum, Podia Ser (2009), produzido por Rick Bonadio (CPM 22, Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr., Hateen, Fresno e NX Zero).
As garotas emplacaram o single Podia Ser na trilha da malhação e tinha tudo para estourar no cenário brasileiro, mas no final das contas a banda encerrou as atividades em 2013, após a saída da vocalista Deia Cassali para uma carreira solo que também não vingou.

CONSTANTINE
2009 - Constantine
Estilo:
Hard Rock
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
2009 – Presente
Integrantes: 
Cíntia (Vocal), Emily (Guitarra), Mariana (Guitarra), Monalisa (baixo) e Larissa (Bateria)
Melhor Álbum:
Constante Evolução (2014)
Descrição: 
Enfim uma banda feminina brasileira que surgiu pós anos 2000 e que ainda continua na atividade. Surgido em 2009, o Constantine faz um Rock N’ Roll puro com ênfase nas guitarras pesadas e com diversas influências como as mesmas citam: “Indo do Guns N’ Roses ao Nirvana”, e de fato as referências musicais não param por ai, já que em alguns momentos lembram demais The Donnas na fase Spend The Night (2002) e as guitarras pesadas Hard parecem muito Crucified Barbara.
Mas muito mais do que procurar referências no som das garotas, bora valorizar o trabalho grandioso delas.

Até amanhã com a parte final desse especial.

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