Bad Religion e Noel Gallagher dão aula de Rock no pior Lollapalooza de todos os tempos

Publicado: 14 de março de 2016 em Fila Benário Fala
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E no último final de semana aconteceu mais uma edição do festival Lollapalooza no Autódromo de Interlagos em São Paulo. E olhada a escalação completa do festival já era perceptível que estávamos diante da pior edição do evento. Que as edições em terras brasileiras do festival têm apostado em um Headliner de peso e preenchido o restante da programação com infinitas bandas indies insossas, sonolentas e desprezíveis, isso é fato concreto. Porém nessa quinta edição do Lolla, o número de artistas desconhecidos do grande público que contam com uma sonoridade questionável era imenso e os Headliners da noite não eram de tamanha expressão, como o caso do rapper Eminem, que ficou responsável pelo encerramento da primeira noite fazendo a sua tão aguardada estreia nos palcos brasileiros, porém sem o alcance e relevância dos áureos tempos de sua carreira.

Assistir ao Lollapalooza foi uma tortura, até mesmo do sofá de casa, chegou uma hora que me perdi com quantidade de bandas parecidas em som e temática que subiam ao palco. Cadê o peso das guitarras? Não se vende mais pedal de distorção nas lojas? Saíram todos de fabricação? Tão fora de linha?

Mas nem tudo foi absolutamente perdido no festival, quando deu 16h10 do sábado e o primeiro (e único) riff de guitarra soou naquele palco do Lollapalooza, foi uma indiscutível sensação de alívio, emoção e volta pra casa. Precisou o Bad Religion com mais de 37 anos de carreira, subir no palco patrocinado por uma marca de cerveja, para ensinar e até mesmo relembrar como o Rock já foi em outrora.

Jay Bentley, Greg Graffin e Brian Baker detonando tudo com Bad Religion

Jay Bentley, Greg Graffin e Brian Baker detonando tudo com Bad Religion

Totalmente reformulado, hoje contando com o baterista Jamie Miller no lugar de Brooks Wackerman, os Bad restantes, Brian Baker, Jay Bentley e Mike Dimkich, que assumiu a peteca em 2013 no lugar do carismático Greg Hetson, fizeram a cama perfeita para um agora tiozão Greg Graffin cantar os seus discursos panfletários que soam atuais, pertinentes e relevantes. Iniciando com Fuck You, single do último disco do grupo, o elogiadíssimo True North (2013), a partida já estava ganha logo na segunda canção do repertório, o clássico absoluto 21st Century (Digital Boy), dali em diante foi um desfile de hits passando por praticamente toda a discografia do grupo, Sinister Rouge do veloz e moderno The Empire Strikes First (2004), Come Join Us do maduro The Gray Race (1996), New America do homônimo de 2000 que era marcava o último lançamento da banda pela gravadora mainstream, a Atlantic Records e a paulada Do What You Want do seminal Suffer (1988). O meu momento especial foi a execução da trinca de abertura do álbum The Process of Belief (2002), as sensacionais Supersonic, Prove It e Can’t Stop It. Clássicos não faltaram, estavam todos lá e executados com perfeição (e alguns tons abaixo como de costume), Punk Rock Song, Infected, Fuck Armageddon… This Is Hell e o final apoteótico com a dobradinha Generator e American Jesus.

Aqueles cinco punk com idades quase avançadas colocando a juventude do Lollapalooza para pular e abrir imensas rodas de pogo destoou de toda mesmice, caretice e anemia que reinava de forma operante naquele festival.

Assista o show completo abaixo.

No dia seguinte, devido a experiência do dia anterior, eu nem perdi o meu precioso tempo, fui direto ao horário que realmente me interessava e cai de cabeça no show do Noel Gallagher e o seu High Flying Birds, a segunda apresentação do seu projeto solo em terras brasileiras, a primeira foi em 2012, coincidentemente no mesmo ano do primeiro Lollapalooza Brasil.

Noel Gallagher reinando absoluto no último dia de Lollapalooza

Noel Gallagher reinando absoluto no último dia de Lollapalooza

Trazendo do seu recente álbum, o elogiadíssimo Chasing Yesterday (2015), Noel fez um repertório que agradou a todos no final, mesclando as melhores canções de último disco solo, como a ramônica Lock All the Doors, além de In the Heat of the Moment, Riverman, You Know We Can’t Go Back e The Mexican, que funcionam perfeitamente ao vivo, principalmente a última que tem um peso significante nas guitarras, coisa que tirando o show do Bad Religion na tarde anterior, não se ouviu em nenhum momento no festival. Do primeiro disco solo, Everybody’s on the Run abriu a apresentação, a marchinha Dream On também esteve lá assim como os singles The Death of You and Me e a balada If I Had a Gun…, que se tornou tão importante como qualquer hino da sua antiga banda, que falando nela, não ficaria de fora de forma alguma do repertório, com versões pra lá de tocantes de Champagne Supernova e Wonderwall. A batida na bateria do competente Jeremy Stacey denunciava um outro grande clássico dos irmãos Gallagher, a seminal Supersonic, mas na verdade era Listen Up, outro sucesso do Oasis, mas que tem as suas introduções bem parecidas.
Quando Noel Gallagher, que pouco se comunicou no show, empunhou a sua guitarra e tocou os riffs iniciais da explosiva Digsy’s Dinner, a frenética canção do álbum de estreia do Oasis, o Definitely Maybe (1994), ali foi como se todas as atrações enfadonhas que passaram por aquele autódromo tivessem sido reduzidas a pó.

Don’t Back to Anger, o sucesso absoluto da sua antiga banda, fechou o show de maneira perfeita.

Assista o show completo abaixo.

Faço um adendo em relação ao show da Florence + The Machine. Não escondo de ninguém que passa longe de ser a minha preferência musical, não sou íntimo das canções, não são para mim, no entanto tive uma surpresa boa com o disco mais recente do grupo, o How Blue, How Big, How Beautiful (2015), e não foi à toa que ele integrou a lista dos melhores lançamentos de 2015 aqui do Fila Benário Music, portanto assisti ao show com uma rara sapiência e gostei muito do que vi. Ainda não continua sendo a minha banda favorita, mas é um conjunto integro, que toca perfeitamente bem, uma banda competente e afiada e que tem na sua líder, uma mulher apaixonada, com uma presença de palco hipnotizante, com um carisma soberbo, a ponto de falar o tempo com a plateia e até ir de encontro a ela, sem contar o seu alcance vocal formidável. Florence Welch hoje é com certeza uma das melhores cantoras em atividade e o que ela fez no palco, encerrando a última noite do Lollapalooza, é digno de aplausos e reconhecimento.

Florence Welch e a sua maquina de sucesso fechando o Lollapalooza

Florence Welch e a sua maquina de sucesso fechando o Lollapalooza

Resumindo, se a cada edição do Lollapalooza duas bandas se destaca com as suas apresentações, sendo ela todas veteranas, e com as recentes despedidas de Scott Weiland, David Bowie e Lemmy Kilmister, é de se ter medo do futuro da música.

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