Muito Além do Bug do Milênio

MUITO ALÉM DO BUG DO MILÊNIO #09: Sing Sing Death House – The Distillers (2002)

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DISCO: Sing Sing Death House
BANDA: The Distillers
LANÇAMENTO: 2 de junho de 2002
ORIGEM: Estados Unidos
GÊNERO: Punk Rock / Hardcore
FORMAÇÃO DO DISCO: Brody Dalle (Vocal e Guitarra), Rose Mazzola (Guitarra e Backing Vocals), Ryan Sinn (Baixo e Backing Vocals) e Andy Outbreak (Bateria).
PRODUCÃO: The Distillers.
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: Rancid, Bad Religion, Black Flag, Dead Kennedys, Circle Jerks, OFF! e The Offspring (fase epitaph).

HISTÓRIA

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A trajetória do Distillers começou na Califórnia no ano de 1998, quando Brody Dalle, na época Brody Armstrong, esposa do vocalista, guitarrista e líder do Rancid, Tim Armstrong, resolveu montar uma banda reunindo as suas duas grandes devoções, o Punk Rock e o feminismo.

Foi dessa união que nasceu o The Distillers, no finalzinho dos anos 90. A primeira formação da banda contava com a baixista Kim Chi, com a guitarrista Rose “Casper” Mazzola e com o baterista Matt Young. Com essa formação a banda lançou o seu primeiro álbum, autointitulado, no ano 2000, via Epitaph Records, a famosa meca do Punk Rock que lançou nomes como Rancid, The Offspring, NOFX, Pennywise e o próprio Bad Religion, a banda do proprietário do selo, o guitarrista Brett Gurewitz.

A banda mal colheu os louros e os frutos do primeiro álbum e já se trancou no estúdio no ano seguinte para gravar o segundo disco. Já com a formação diferente, contando com o baixista Ryan Sinn e o baterista Andy Outbreak. Rose apenas gravou as guitarras, mas deixou a banda logo após o lançamento do disco.

Intitulado Sing Sing Death House, o disco saiu mundialmente no dia 2 de junho de 2002. O álbum foi lançado no selo Hellcat de propriedade do maridão de Brody, o Tim Armstrong, dentro da própria Epitaph.

O disco marcava um imenso divisor de águas na carreira da banda, se anteriormente o The Distillers carregava a alcunha de uma banda de Punk Rock com vocais feminino. Sing Sing… estava a altura de grandes obras já feitas na história do Punk Rock como Group Sex do Circle Jerks, Damage do Black Flag, Suffer do Bad Religion e até mesmo o Milo Goes To College do Descendents, devido a sua velocidade, brutalidade e aproximação com a sonoridade e grandiosidade dos citados.

O álbum alcançou a posição 29 do “Top Independent Albums” e ganhou quatro das cinco estrelas da publicação AllMusic.

FAIXA A FAIXA

1 – Sick of It All
Enquanto uma guitarra vai tocando um riff veloz, a outra vai plugando o cabo no amplificador, dando aquela pequena (e excitante) microfonia e com a mesma fúria toca as cabeças das notas, junto com o baixo e a bateria, até tudo virar um rápido e brutal Hardcore, com destaques para o baixo que faz uma linha insana e veloz à Matt Freeman do Rancid.

2 – I Am a Revenant
Ela começa justamente de onde Sick of It All parou, com um simples repique na caixinha da bateria, ela já entra na mesma velocidade Hardcore da faixa anterior, com Brody Dalle berrando insanamente no pré refrão. O refrão empolgado se divide em duas facetas, nas duas primeiras vezes ele segue a velocidade Hardcore, já na última que vez que é cantado ele segue uma batida seca e pulsante.

3 – Seneca Falls
Também tem a velocidade das anteriores, mas com uma melodia mais Pop e acessível, lembrando claramente o Rancid na fase Let’s Go (1994). A letra, totalmente política e feminista, fala da famosa convenção de Seneca Falls, que aconteceu nos Estados Unidos em 1848, entre os dias 19 e 20 de julho. Nessa convenção, considerada histórica e também como a primeira mobilização do movimento feminista, foi feita a Declaração de Seneca Falls, a primeira que previa os direitos das mulheres.

4 – The Young Crazed Peeling
E chegamos ao grande hit do álbum. The Young Crazed Peeling é absurdamente Pop e Punk na mesma proporção, um completando o outro e coexistindo no mesmo espaço. O Riff inicial é a denuncia perfeita do que virá, um Poppy Punk nervoso, com um refrão chiclete. Mas sem fugir de toda a insanidade do disco e da própria banda, o trecho final, com os berros dilacerantes da Brody Dalle, beira a alucinação.

5 – Sing Sing Death House
A bateria vai dando o tom na caixinha, repicando, o som vai aumentando, vai crescendo até um simples grito da Brody Dale fazer que a canção vire um Hardcore brutal e veloz, com o título sendo berrado constantemente.

6 – Bullet and the Bullseye
Mais insanidade e velocidade. Mais uma vez a bateria chamando a responsabilidade pra si e depois de uma quebrada desconcertante ela faz a clássica batida tribal de bumbo, caixa e surdo ao mesmo tempo até cair na glória do Hardcore.
Brody Dale berra tanto nas estrofes que a sua voz chega até falhar em um instante momento, recurso que abrilhanta ainda mais a canção.

7 – City of Angels
Ela já começa seguinte da anterior, mas com a velocidade bem mais reduzida, caindo em um delicioso Poppy Punk, no qual o baixo e as guitarras, muito bem mixadas por Brett Gurewitz, fazendo o mesmo fraseado de forma perfeita e empolgante.
O vocal rouco e resgado de Brody cantando essa canção, que é quase uma balada perto do restante do disco, casa perfeitamente com a proposta da música, que em sua letra faz uma homenagem a Los Angeles, a cidade natal da mesma.

8 – Young Girl
Young Girl começa com o baixo fazendo um solo marcante, até entrar toda banda e continuar na mesma levada Poppy Punk da faixa anterior. O refrão cantando de forma displicente por Dale com os Backing Vocals de Ryan Sinn é a grande cereja desse floral adubado.

9 – Hate Me
Mas toda essa bondade e beleza não iria muito longe. Hate Me é como se tivesse aberto os portais do inferno. A guitarra gritante no começo e o Hardcore veloz com Brody Dalle destilando todo o seu ódio em todos e até nela mesmo, tem o mesmo efeito de um caminhão desgovernado capotando em uma rodovia lotada.

10 – Desperate
A mais curta de todo o álbum, Desperate tem apenas 1:22 de pura insanidade. Perfeita pra abrir os shows, ela começa com a contagem, berrada, de “One Two Three Four”, enquanto a bateria vai repicando e a guitarra e o baixo acompanhando. Brody berra palavras de ordem enquanto os Backing Vocals vai continua berrando a contagem e completando com “Yeah, Yeah”. Tudo isso até entrar na velocidade do Hardcore, e ainda tem espaço para uma levada pulsante de Punk Rock 77.

11 – I Understand
Prossegue com a mesma loucura e peso de todo álbum, com destaque para o contrabaixo de Ryan Sinn que leva praticamente a canção nas costas, fazendo fraseados em momentos de break.

12 – Lordy Lordy
Por fim Lordy Lordy encerra toda essa epopeia sonora e destrutiva de Sing Sing Death House, mas destoando de todo álbum. A canção tem uma levada Rockabilly com Country e Folk, que fica hilária com os vocais gastos de Brody Dale, uma espécie de June Carter lisérgica. Divertida e brilhante.

O THE DISTILLERS HOJE

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Após o lançamento de Sing Sing Death House, o Distillers simplesmente surfou na crista da onda dentro da cena alternativa, o sucesso foi tanto que a banda assinou um contrato com a major Sire Records e lançou em 2003 o todo pomposo Coral Fang. Produzido por Gil Norton, fera que produziu álbuns clássicos como Doolite e Bossanova do Pixies e The Colour And Shape do Foo Fighters, o disco em nada recorda a insanidade de Sing Sing. Ele tem o seu tom Punk sim, mas ele fala melhor com o Rock Alternativo e o Grunge. Brody Dale está com a voz parecidíssima com a da Courtney Love.

Para muitos, a mudança radical tratava-se de um recomeço, para os mais puritanos tratava-se do fim da banda, mas os da segunda opção não estavam errados, em 2006 0 The Distillers encerrou as atividades, o grupo até estava trabalhando em um novo lançamento em 2005, mas com a gravidez de Dale, agora casada com Joshua Homme do Queens Of The Stone Age, ela resolveu colocar um ponto final na trajetória.

Passado o hiato, Brody Dale deu início ao seu projeto musical Spinnerette, mais voltado para o Rock Alternativo, e lançou dois álbuns: Ghetto Love e Spinnerette.

Em 2014, Dalle lançou o seu primeiro trabalho solo, Diploid Love, um grande ode ao Pop dos anos 80. Muito bem feito, muito bem produzido, com Dalle cantando como nunca, mas que em nada lembra aquela Brody Dalle de moicano que berrava palavras de ordem e fazia todos pularem com o seu Punk Rock insano a frente do Distillers.

Até quinta que vem.

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