7 anos de Fila Benário Music

Publicado: 4 de agosto de 2016 em Especial, Fila Benário Fala

B7Un25uCcAAJb7M.jpg-large

No ano de 2009, um jovem e frustrado estudante de logística decide colocar um ponto final na sua infelicidade profissional, amorosa, e qualquer outra que o valha, criando um blog musical como passatempo.

Longe de pretensões empresariais e status, o humilde espaço, hospedado em uma plataforma gratuita, seria apenas um refúgio daquele jovem azarado que buscava ali um recanto de paz para escrever sobre as suas bandas, discos e canções favoritas.

Sem regras, sem qualquer compromisso e muito menos sem linha editorial a seguir, o diário musical era pra escrever apenas o que desse na telha, sem revisão ortográfica, sem filtro, sem nada. Se ele iria longe? Provavelmente não, afinal de contas, nada na vida desse garoto durou muito tempo.

Corta! Ano de 2016, sete anos do blog Fila Benário Music, se eu pudesse voltar no tempo e dizer para aquele garoto desanimado que a vida dele mudaria de ponta cabeça por causa desse simples blog, será que ele acreditaria?

Em sete anos foram 246 posts, 297 comentários e mais 20 mil acessos, números pequenos comparados a grandes portais e blogs com viés mainstream. Mas grandes levando em consideração todo o “establishment” independente no qual o blog vive, sem patrocínio, sem lei rouanet, apenas com divulgação no boca a boca.

Esse singelo espaço que coleciona amigos, alguns desafetos e inúmeros leitores fieis tem muitas histórias pra contar, e fazendo jus aos sete anos que comemoramos nesse dia 4 de agosto, se eu pudesse listar os 7 momentos mais marcantes do Fila Benário Music, seriam esses:

1 – Professores analisam letras do Dead Fish e a banda aprova

dead-fish-627x324

Com certeza o texto “O Hardcore da educação”, professores analisam as letras do ‘Dead Fish’ foi o mais lido de toda a história do Fila Benário Music, só no primeiro dia ele alcançou o histórico número de 10 mil visualizações. Mas pra quem não sabe, a história por traz do mesmo é curiosíssima.

A ideia inicial era convidar todos os meus professores da faculdade, e mais alguns professores amigos, para interpretar e dar a visão em cima de diversas letras de Hardcore. Além do Dead Fish, bandas como FISTT, Hateen, Dance Of Days, Ratos de Porão, Anzol, Street Bulldogs, Nitrominds e muitas outras teriam as suas letras destrinchadas pelos profissionais da educação. No dia 15 de outubro, dia dos professores, o texto iria ao ar.

Só que pra minha frustração, a data foi se aproximando e nada de ninguém me entregar as análises, teve quem recusou o convite alegando falta de tempo, teve quem ficou empolgado no início, mas depois desistiu ao receber a música e ver que não se tratava de um Legião Urbana ou U2, e teve quem simplesmente sumiu do mapa. Enfim, eis que chegou o dia 15 de outubro e eu recebi apenas cinco análises e curiosamente todas eram de músicas do Dead Fish, sem pretensão acabou virando um texto especial do Dead Fish. Mas o certo por linhas tortas deu certíssimo, as análises foram perfeitas, os professores participantes entenderam o espírito da coisa escreveram relatos emocionantes e contestadores, e pra nossa alegria o texto chegou até a banda, que compartilhou em suas redes sociais e ampliou ainda mais o número de leitores.

Valeu Michele Escoura, Luiz Antônio Farago, Ana Paula Vieira de Oliveira, Ricardo Roca e Patrícia Paixão pela parceria.

2 – Reintegração de Posse em SP

hotel-aquarius

No ano de 2014, uma reintegração de posse no centro de São Paulo é televisionada ao vivo e divide opiniões da população. Em casa, impedido de ir para faculdade, que estava situada no meio do cenário de guerra, eu acompanhei todos os boletins e reportagens ao vivo. Aquele acontecimento foi me consumindo de tal forma que eu também me senti na obrigação de expor a minha opinião acerca do tema e disso nasceu o texto As músicas que retratam a reintegração de posse ontem em São Paulo.

Um texto tão especial que inspirou um trabalho acadêmico e posteriormente a minha indicação para o prêmio Intercom Sudeste em 2015, na categoria “Artigo de Opinião”.

3 – Entrevista com a Bruna Caram

dsc01087

A minha primeira entrevista oficial para o FBM foi com a banda Rosa de Saron, mas como eu já conhecia os integrantes e já havia conversado com os mesmos em outras oportunidades, nos tempos que a banda dividia os palcos e a estrada com a minha banda na época, o Nazarenos HC, a entrevista foi um bate-papo bem descontraído e um reencontro. Podemos dizer que a primeira entrevista mesmo, já como estudante de jornalismo, foi essa com a Bruna Caram.

Bruna Caram era uma das atrações da Virada Cultural Paulista em Jundiaí, a minha cidade natal. Como grande admirador do trabalho dela, munido de perguntas e com o meu gravador eu fui lá entrevista-la. Bateu nervoso, medo, insegurança, tudo ao mesmo tempo agora, mas a paciência, o carinho e a compreensão se Bruna deixou tudo leve e tranquilo, como se fosse um bate-papo na cozinha de casa. Em determinado momento da entrevista, ao ser questionada se ela gravaria uma música do cancioneiro brega, Bruna pegou na minha mão e cantou um trechinho de Indiferença da dupla Zezé Di Camargo & Luciano. Em tempos que “astro” pop assedia repórter dizendo que “quebraria a mesma no meio”, Bruna Caram manifestou amor, carinho e respeito o tempo todo.

E ainda compartilhou a entrevista em suas redes sociais.

Ler a entrevista completa aqui

4 – Entrevista com o Dead Fish

dead-fish

Antes da explosão do texto sobre analise das letras, eu tive a honra e privilégio de entrevistar Rodrigo Lima e Alyand do Dead Fish para FBM, após o show da banda em Jundiaí em Abril de 2015.

Rodrigo que é conhecido pelo seu jeito intransigente e difícil de lidar, quebrou todos esses “pré-conceitos”, nos dando uma aula de história, sociologia e falando abertamente sobre qualquer tema que lhe era questionado.

Ler a entrevista completa aqui

5 – Ultraje a Rigor e Raimundos, o embate do século no FBM

Ultraje Raimundos

No ano de 2012 as bandas Raimundos e Ultraje a Rigor lançaram o disco “O Embate do Século”, com uma banda tocando um clássico da outra. O resultado foi sensacional e acabou entrando na lista dos melhores do ano do FBM. Mas quem imaginaria que anos depois eu teria a oportunidade de entrevistar Ultraje e Raimundos? Pois bem, a façanha aconteceu.

O Roger Moreira eu entrevistei no ano de 2014, durante a apresentação do Ultraje na Virada Cultural de Jundiaí. Assim como Rodrigo Lima, Roger também é conhecido pelo seu jeitão intransigente e sem papas na língua, mas a entrevista transcorreu super bem, com um Roger empolgado respondendo as perguntas sobre a sua carreira e influências musicais. E no final ele agradeceu pelo bate-papo e pediu para que lhe enviasse a entrevista completa.
Ele compartilhou em suas redes sociais.

E o Raimundos eu entrevistei no ano seguinte, na passagem da banda pelo Sesc Jundiaí, na turnê em comemoração aos 20 anos de carreira. Canisso, o baixista e um dos fundadores do grupo, esbanjou simpatia e boa vontade durante todo o bate-papo. Dado um momento ele me interrompeu dizendo: “Eu não preciso responder mais nada, esse menino sabe tudo sobre a minha carreira”.
A página oficial do Raimundos no Facebook compartilhou a entrevista.

Ler a entrevista completa com o Raimundos aqui
Ler a entrevista completa com o Ultraje a Rigor aqui

6 – Jornalistas renomados escrevem texto especial

manifestacao_brasil_2

Em meio à confusão generalizada que se encontrava o cenário político brasileiro no primeiro semestre de 2016, eu entrevistei alguns jornalistas, blogueiros e demais intelectuais perguntando: “Qual a trilha sonora desse momento tão caótico”, o resultado foi grandioso e gerou o texto As trilhas sonoras da guerra política brasileira contando com Adriana Carranca, Vitor Guedes, Patrícia Paixão, Fausto Salvadori Filho, Cinthia Gomes, Juliana Almeida, Ricardo Roca, Luíza Caricati, Patty Farina, Caroline Apple e Matheus Pichonelli.

7 – 50 tons de cinza

50-tons-de-cinza

Durante a semana da estreia mundial do filme Cinquenta Tons de Cinza, eu estava inconformado com o fato de um filme, baseado em um livro, no qual a protagonista apanha descaradamente de um homem, ser aclamado e aguardado com tanto fervor em um país que a cada três segundos uma mulher é agredida.

Para minha alegria, a minha parceira de escrita, Beatriz Sanz, também compartilhava do mesmo sentimento. Unimos forças e juntos escrevemos o texto 50 Tons de cinza + o desabafo de uma feminista. Eu levando a discussão, como sempre, para o viés musical, e a Beatriz Sanz, feminista ferrenha, chutou o pau da barraca e fez uma reflexão incrível.

Foi o quarto texto mais lido no FBM em 2015.

DEPOIMENTO DAS ETERNAS COLUNISTAS DO FILA BENÁRIO MÚSIC

11010541_10207047676335890_1073333360991046024_n

Parabéns pra você, nessa data de vida!!! E aí leitores do Fila Benário, todo mundo com saudade? Pois é, nós também. Sabemos que o blog tem ficado meio sozinho, mas é que estamos muito ocupados na vida (nos perdoem). Mas o aniversário do blog não ia passar em branco e eu queria dizer como esse blog e seu criador mudaram minha vida. Nunca fui capaz de manter meu próprio blog, então pedi uma coluna aqui. Foi quando eu comecei a escrever de verdade e a ter comprometimento. Passei a ouvir músicas diferentes e pensar em pautas de cultura. Viajei para o interior por conta de uma entrevista. Obrigada, FBM! Queremos pedir aos fiéis leitores que vocês continuem nos acompanhando. Há qualquer momento, quando vocês menos esperarem a gente dá as caras por aqui!

12112361_1060172974023232_3693227445809123793_n

 

Beatriz Sanz é jornalista na Revista Fórum e colunista na Huffpost Brasil

 

 

O que eu carrego do Fila Benário?

Não contribuo para o Fila Benário há algum tempo. Talvez por falta de tempo ou por excesso de trabalho, fui gradualmente parando de escrever sobre música. Vou menos a shows e só ouço meus álbuns preferidos enquanto realizo outras tarefas. Isso é triste, sabe?

Ainda me lembro vividamente de estar frente a frente com Johnny Marr, carregando apenas um bloquinho de anotações e toda a uma carga de admiração. Quando sentei para digitar sobre o festival, despejei sobre os teclados a gratidão de ter vivido aquele dia. Eu, estudante de jornalismo recém-saída do ensino médio, ostentava orgulhosamente uma credencial de imprensa com o nome do primeiro veículo que me deu voz. Curiosamente, esse foi o meu último texto enviado.

Resenhar o que a gente gosta tem um gostinho diferente. Livre de burocracia, deixamos que as palavras ganhem forma, textura, cheiro e movimento. Somos coagidos ao prazer da escrita pela escrita. Simples assim.

Sinto falta desse descompromisso compromissado. Pelo menos posso dizer que não carrego o Fila Benário apenas no meu portfólio. Cada estrofe que eu redigi construiu um pedaço da minha formação.

Larissa

 

Larissa Darc é jornalista na revista Nova Escola

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s