Melhores do Ano

Os 15 melhores discos internacionais de 2017 por Fila Benário Music

Já estamos em 2018, é fato, mas não é tarde para relembrar os melhores discos lançados em 2017. Até porque houve tanto lançamento bom, que ficará marcado durante muitos anos. E hoje, conforme prometido anteriormente, segue abaixo os melhores discos internacionais lançados no ano de 2017, selecionados pela equipe do Fila Benário Music.

15 – RARE – Hundredth
15 - Hundredth
2017 foi o ano da música shoegaze (aquele rock introspectivo, tocado ora acelerado, ora cadenciado, com os músicos sempre olhando para os seus pés). Novos nomes do gênero, como o Cigarettes After Sex, lançaram os seus discos de estreia, assim como nomes conceituados do gênero mostraram que tem muita lenha ainda a queimar, como o caso dos veteranos do Slowdive. Mas a grande surpresa do estilo, com certeza, vem de uma banda que nada tem a ver com o shoegaze, mas que deu muito certo na empreitada. O Hundredth sempre foi uma banda de Metalcore, de bateria acelerada, guitarras pesadas e vocal berrado. Em RARE, o quarto álbum de sua carreira, a banda mergulhou de cabeça na sonoridade britânica e nos presenteia com uma melodia forte, madura, consistente em canções como Vertigo, Neurotic, Hole, Disarray e Down.
Pra quem gostava do Hundredth mais sisudo e barulhento, RARE é uma decepção. Mas só a coragem da nova guinada sonora, sem soar forçado ou com a intenção de fazer mais dinheiro, como foi o caso do Suicide Silence, por exemplo, faz a banda merecer fortes aplausos.

14 – Songs of Experience – U2
14 - U2
Ter mais de 40 anos de carreira, lançar trabalhos inéditos e ainda soar relevante, é um imenso desafio, e os irlandeses do U2 conseguem cumprir com muito louvor. Songs of Experience, o 13º da carreira do quarteto, mostra a banda em sua melhor forma, soando infinitamente melhor que no seu antepenúltimo álbum, No Line on the Horizon (2009), e na mesma medida do seu antecessor Songs of Innocence (2014). Aqui a banda mescla os melhores momentos da sua carreira: a louvação a música americana de The Unforgettable Fire (1984) e The Joshua Tree (1987) pode ser encontrada na canção Lights Of Home, além da epopéia alemã de Achtung Baby (1991), presente nas faixas You’re The Best Thing About Me, Get Out Of Your Own Way e Red Flag Day.
Se quem vive de passado é museu, o U2 prova que tem um presente glorioso demais, ainda, para nos apresentar.

13 – Lotta Sea Lice – Courtney Barnett e Kurt Vile
13 - Courtney e Kurt
A australiana Courtney Barnett já havia aparecido por aqui com a sua estreia arrasadora, em 2015, no álbum Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit. Hoje ela ressurge com a essa parceria incrível ao lado de um dos grandes nomes do rock alternativo, o compositor e guitarrista norte americano Kurt Vile. Um disco é um lo-fi delicioso, um encontro de vozes dissonantes, sentimentalismo aflorado e belas canções do tamanho de Over Everything, Outta the Woodwork, On Script, Blue Cheese, além do cover de Fear Is Like a Forest de Jen Cloher.
Que ambos continuem com muito sucesso em suas carreiras solos, mas que esse encontro volte a se repetir mais vezes.

12 – Dead Cross – Dead Cross
12 - Dead Cross
O que poderia sair de um projeto de metalcore formado por Mike Patton (Faith No More) e Dave Lombardo (Slayer, Fantomas e Misfits)? Claro que por se tratar da figura esquizofrênica de Patton, o disco não é para iniciantes, mas há bons momentos que merecem ser aclamados como Seizure and Desist, Idiopathic, Shillelagh e Divine Filth.

11 – From The Fires – Greta Van Fleet
11 - Greta Van Fleet
Com certeza a maior surpresa de 2017 foi esse quarteto formado por garotos de Michigan (EUA), que emula um Led Zeppelin melhor do que ninguém. Contando com três irmãos na formação, Josh (vocalista), Sam (baixista) e Jake Kiszka (guitarrista), foi em 2017, após o lançamento do EP Black Smoke Rising que os moleques foram alçados ao status de melhor revelação do ano.
Em From The Fires, eles reuniram as quatro canções do EP, como a magnífica Highway Tune, com as inéditas Edge Of Darkness, A Change Is Gonna Come, Meet On The Ledge e Talk On The Street, lançando, assim, esse full que mostra muita qualidade nesse grupo.
Não há mais o que falar a respeito, ouça e aplauda de pé.

10 – After The Party – The Menzingers
10 - The Menzingers
Esse figurou na lista de melhores discos de 2017 de muita gente. A verdade é que After The Party mostra o The Menzingers em um tremendo amadurecimento em suas canções, que fica claro nas temáticas abordadas nas letras, mas sem abrir mão da melodia e sonoridade que consagrou esse quarteto da Pennsylvania (EUA), o poppy-punk. As belíssimas canções Trick as Thieves, Midwestern States, Charlie’s Army, além da grudenta Tellin’ Lies, provam isso.

9 – Eternity, In Your Arms – Creeper
9 - Creeper
A melhor definição já feita à respeito dos britânicos do Creeper é que é a junção perfeita entre The Misfits com My Chemical Romance. Claro que você pode detestar uma das duas partes da equação (a segunda, é óbvio), mas a verdade é que o Creeper soa maravilhosamente bem em sua proposta de fazer um punk hardcore com horror rock, incluindo elementos pop, sem soar forçado ou desfragmentado. Ouça as canções Black Rain, Suzanne, Down Below, Darling, as velozes Poison Pens e Room 309, além da belíssima balada Crickets, cantada pela tecladista Hannah Greenwood, e se delicie com esse novo nome do gênero.

8 – Wolves – Rise Against
8 - Rise
A dúvida que fica após uma audição minuciosa de Wolves é: “Será que o Rise Against finalmente melhorou, ou será que nós que finalmente nos acostumamos com essa nova banda?”, porque a verdade tem que ser dita, o “fétido” poppy-punk que a banda enveredou nos últimos 10 anos, está presente em Wolves, como nas faixas: Politics Of Love, Mourning In Amerika e Miracle. Mas os bons momentos de outrora, estão em maior número e aparecem na veloz (e berrada), Welcome To The Breakdown, nos singles House On Fire e The Violence, além de How Many Walls e da faixa título, que já abre o disco de forma veloz.
Se ficou melhor, ou se acostumamos com o que era ruim? Só o tempo dirá, mas há tempos um lançamento do Rise Against não soava tão empolgante.

7 – American Beauty – CJ Ramone
7 - CJ
O terceiro disco solo de CJ Ramone, é prova concreta que o baixista era um dos maiores talentos do famoso quarteto nova iorquino.
CJ poderia estar como os outros dois Ramones sobreviventes, Marky e Ritchie, vivendo apenas do seu passado glorioso, mas não! Bom pra ele, melhor pra nós que somos presenteados com esse petardo que reúne suas melhores composições, seguindo na risca toda cartilha aprendida em seus sete anos como um Ramone: três acordes e muita energia.
Os principais destaques de American Beauty são as punks Girlfriend in a Graveyard, Yeah Yeah Yeah, Steady as She Goes, Run Around, além do cover de Pony de Tom Waits. Também há espaço para sentimentalismo no disco, como nas baladas You’ll Neve Make Me Believe e Be A Good Girl. Mas o que vai fazer muito marmanjo chorar de emoção será com a canção Tommy’s Gone, uma singela, e acústica, homenagem ao baterista original dos Ramones, Tommy Ramone, morto em 2014 em decorrência de um câncer.
Discão.

6 – Ogilala – Billy Corgan
6 - Billy Corgan
Em sua primeira experiência solo, o terreno não estava muito fértil para Billy Corgan. O que o público queria mesmo, era a volta do seu grupo oficial, o Smashing Pumpkins. Tanto que o disco em si, TheFutureEmbrace (2005), passou batido pelos fãs e foi malhado pela crítica.
Hoje, de volta com a sua consagrada banda, e com fortes especulações que haverá um retorno da formação original, Billy Corgan (que agora atende pelo nome de batismo William Patrick Corgan) se encontra deitado em berço esplêndido, se sentindo assim seguro para mais um voo solo. E dessa vez deu certo.
Ao contrário de suas outras empreitadas musicais (Smashing Pumpkins e Zwan), em Ogilala, não há uma guitarra distorcida sequer em suas 11 faixas, algo impensável, visto que o músico é tido como um gênio do instrumento, dentro do rock alternativo, mas as composições são tão marcantes e bonitas, que o instrumento nem faz tanta falta assim. Belos arranjos de violões e pianos, fazendo a cama para a voz impactante de Corgan brilhar, como em Zowie, Half-Life Of An Autodidact, Aeronaut, The Long Goodbye e Processional, que conta com a participação de James Iha, olha a reunião do Smashing Pumpkins original acontecendo aí!
Em Ogilala, temos desse compositor uma de suas maiores obras, ao lado de Siamese Dream (1993), Mellon Collie and Infinite Sadness (1995) e, porque não, Celebrity Skin (1998).

5 – Prisoner – Ryan Adams
5 - Ryan
E o prolixo Ryan Adams lançou mais um disco. É impressionante que em cada empreitada sua, ele soa relevante e nos presenteia com músicas marcantes. E o mesmo acontece com Prisoner. Depois enveredar pelos mais vastos caminhos sonoros, seja no hard rock em Rock n’ Roll (2003), seja no country com o brilhante Gold (2001), ou no punk rock de Hüsker Dü e Black Flag em 1984 (2014), ou até mesmo fazendo uma releitura folk do álbum premiado da princesinha pop Taylor Swift, em 1989 (2015). Ryan volta ao folk e faz um disco solar, bonito e com canções soberanas, como a própria faixa título, Tightrope, Doomsday, Haunted House, To Be Without You, Breakdown e Broken Anyway.
E não satisfeito, ele compilou as 17 sobras do disco (!) e lançou no mesmo ano o Prisoner B-Sides.

4 – Trouble Maker – Rancid
4 - Rancid
Porque o mundo ainda necessita de veteranos como Rancid lançando discos inéditos e ensinando essa garotada como é que se faz punk rock de verdade.
Se no disco anterior, …Honor Is All We Know (2014), o grupo foi acusado de preguiçoso, pelo disco curto e de faixas parecidas. Em Trouble Maker, fez aquele saladão punk que os fãs do quarteto adoram. Toda história do punk rock está aqui, tem punk 77, hardcore, rocksteady, ska, como nas canções Track Fast, Ghost Of a Chance, Telegraph Avenue, An Intimate Close Up of a Street Punk Trouble Maker, All American Neighborhood e Make It Out Alive.
A verdade está em Trouble Maker, a bíblia com as palavras de salvação de Tim, Lars, Matt e Branden.
Amém.

3 – Promise Everything – Basement
3 - Basement
Agora chegamos ao momento das medalhas aqui no Fila Benário Music. E a medalha de bronze vai para um dos discos mais ouvidos aqui na redação em 2017. Pra quem ainda não conhece, o Basement é um quinteto formado na Inglaterra, que faz um post hardcore com guitarras trabalhadas e vocais melódicos. Promise Everything é o terceiro disco da carreira do grupo, mas não seria exagero algum ser o primeiro álbum a indicar para alguém que ainda não conhece a banda, mas tem o interesse. Ouça Brother’s Keeper, Hanging Around, Lose Your Grip, Oversized, Blinded Bye, além da faixa título, e se delicie.

2 – As You Were – Liam Gallagher
2 - Liam Gallagher
Se você chegou até aqui procurando por algum Gallagher em nossa lista, esse será o único o que você verá!
Após o fim do Oasis, em 2009, Liam Gallagher teve uma carreira bem irregular. Rapidamente ele montou o Beady Eye, que era um pastiche de tudo que foi lançado no final dos anos 60 e início dos 70. Nada que o próprio Oasis já não tinha feito. Tentou até gravar um álbum mais moderno, com a produção de Dave Sitek, produtor de gente cool como TV on the Radio, Yeah Yeah Yeahs, (além de ter produzido o pior disco do Cerebral Ballzy, o chatíssimo Jaded & Faded (2014)), mas já era tarde, ninguém estava interessado no grupelho e todo mundo aclamava o outro irmão, que estava em uma carreira solo vindoura.
Liam aprendeu que a pressa é inimiga da perfeição, desmontou o grupo e ficou durante três anos planejando o seu voo solo, e finalmente deu certo.  As You Were é um dos melhores discos com voz de Liam desde Be Here Now (1997), do supracitado Oasis. O single Wall of Glass foi de uma escolha certeira, sendo ele forte e crescente. For What It’s Worth, o outro single, poderia integrar o tracklist de Be Here Now de tão grandioso. Outros grandes destaques de As You Were são Come Back to Me, Greedy Soul, Paper Crown, When I’m in Need, Bold, I Get By e a divertida You Better Run, que mostra a sua obsessão por Beatles citando no refrão as palavras Helter Skelter.
Enquanto Noel Gallagher, que na crista da onda, resolveu ousar e lançar o disco de música eletrônica para agradar os filhos. Liam foi pro básico e lançou, como ele mesmo diz, uma obra BÍBLICA.

1 –  in•ter a•li•a – At The Drive-In
1 - At
Que Guns n’ Roses com Slash e Duff, o que! A volta mais esperada pelos fãs de hardcore era, com certeza, a do At The Drive-In, famoso grupo de post-hardcore texano, formado por filhos de imigrantes da América Central, que fazia um som bem experimental, com letras políticas cutucando o imperialismo americano, e lidando com temas espinhudos como a violência contra mulher, abuso sexual infantil e o racismo. Após o lançamento do melhor disco da sua carreira, Relationship of Command (2000), a banda se dissolveu formando dois novos grupos, o Sparta, com Jim Ward (Guitarra e Voz), Paul Hinojos (Baixo) e Tony Hajjar (Bateria), e o The Mars Volta, com as duas mentes pensantes, insanas e criativas Cedric Bixler (Vocal) e Omar Rodríguez (Guitarra). Em 2011 foi anunciado o retorno do grupo, e até houve algumas apresentações em diversos festivais, mas o mal estar entre os integrantes era visível. O grupo desapareceu de novo sem deixar vestígios.
Mas foi em 2016 que começou a pipocar a notícia que o grupo retornaria, sem o guitarrista Jim Ward, mas em compensação lançaria um material inédito. E eis que no começo de 2017 o grupo ressurge das cinzas carregando consigo um dos seus melhores álbuns.
in•ter a•li•a, que significa em latim “Entre Outras Coisas”, traz o grupo em sua melhor forma, com o seu hardcore veloz, mesclando experimentalismos progressivos e algumas passagens dançantes de r&b. Não faltam sucessos atemporais, como Call Broken Arrow, No Wolf Like The Present, Continuum, Pendulum In a Peasant Dress, e os singles que apresentaram o “novo” At The Drive-In para o público: Governed by Contagions, Incurably Innocent e Hostage Stamps.
Um excelente retorno. Que venha para o Brasil logo!

Pronto! Agora chega de 2017!

 

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Melhores do Ano

Os 15 melhores discos nacionais de 2017 por Fila Benário Music

Já estamos em 2018, é fato, mas não é tarde para relembrar os melhores discos lançados em 2017. Até porque houve tanto lançamento bom, que ficará marcado durante muitos anos.
E dessa vez optamos por algo inédito, e que esperamos que se repita nos próximos anos. Dividimos a lista em duas, hoje publicaremos os 15 melhores discos nacionais de 2017, e na segunda os 15 internacionais.

Sem maiores delongas, confira quais foram os discos preferidos da nossa equipe

15 – A Última Palavra Feche a Porta – Plutão Já Foi Planeta
15 - Plutão
O pop adocicado do Plutão Já Foi Planeta reaparece em A Última Palavra Feche a Porta, o segundo disco do conjunto de Natal (RN), após três anos da estréia arrasadora em Daqui Pra Lá (2014).

Aqui o grupo usa e abusa de sintetizadores, além de contar com participações especiais de respeito, como Maria Gadu em Duas, e Liniker Barros na dançante e charmosa Insone.

14 – Plush – Lava Divers
11 - Lava Divers
Um Rock puro, visceral, feito na garagem pra tocar na garagem. Esse é o sentimento após uma audição minuciosa do disco de estreia dos mineiros do Lava Divers. Plush traz aquela guitarra distorcida que cospe riffs displicentes, em cima de uma bateria ora acelerada, ora cadênciada, com vocais relaxados que tornam tudo mais mágico e potente.
As 11 faixas do disco, todas em inglês, é um cruzamento perfeito da invasão de bandas suecas no início dos 2000, como Hellacopters, Sahara Hotnights e Backyard Babies, com as guitar bands alternativas do final dos anos 80 como Pixies, Sonic Youth e Dinosaur Jr. mas com identidade própria. Os principais destaques são: I Feel You, Eddie Shumway Is Dead e a bela balada My Boy, cantada pela baterista Ana Zumpano.

13 – Mess – Deb And The Mentals
14 - Deb
Com certeza a grande revelação do ano foi esse disco de estreia da galera do Deb and The Mentals. O som do grupo permeia pelo bubblegum com doses de Ramones, circa Rocket To Russia, tudo cantado em inglês com os belos vocais de Deb Babilônia. Os principais destaques são o single Mess, a abertura arrasadora com Bleeding, e as ramônicas I’m Ok e Alive.
Bela estreia.

12 – Sinais do Sim – Os Paralamas do Sucesso
13 - Paralamas
O tempo só tem feito bem aos Paralamas do Sucesso. Em seu 13º trabalho de estúdio, o grupo ainda apresenta a sua música que permeia entre o rock britânico de The Police com a fusão de ritmos brasileiros, a principal característica do trio. Além da musicalidade afiada, da cozinha exemplar de Bi Ribeiro e João Barone, considerada por muitos a melhor do país, e da guitarra mágica de Herbert Vianna, que serve como suporte da sua voz já gasta, os temas abordados no disco refletem bem os problemas sociais vividos nos últimos anos como explícito na canção Medo do Medo, de autoria da rapper portuguesa Capicua. O single Sinais do Sim, cairia perfeitamente no tracklist de qualquer outro álbum de sucesso do grupo como O Passo do Lui (1984), Selvagem (1986), Os Grãos (1991).
Um retorno triunfante de quem, na verdade, nunca foi embora.

11 – A Gente Mora no Agora – Paulo Miklos
12 - Paulo Miklos

E o terceiro disco solo do Paulo Miklos, o primeiro dele após sua saída definitiva dos Titãs, no ano de 2016, o compositor mostra a sua verdadeira faceta que não era tão explícita no grupo. Paulo Miklos reinventa a roda, canta baião, samba, uma baladaça soul do tamanho de Estou Pronto, na qual cantor exorciza o luto pela morte da esposa em 2012, vítima de câncer, e diz: “Estou vivo, estou pronto, estou amando de novo”. O tom confessional das canções já faz do disco um primor, mas Paulo ainda conta com um timaço de compositores, unindo novos nomes da música brasileira, como Céu, Emicida, Lurdes da Luz, Mallu Magalhães, Tim Bernardes, com membros da velha guarda musical, como Guilherme Arantes e Erasmo Carlos, além dos ex-companheiros de Titãs, que também embarcaram no voo solo como Arnaldo Antunes e Nando Reis.

10 – Continental – Bullet Bane
10 - Bullet
Em seu terceiro disco, a mudança de idioma não foi a única guinada na música do aclamado Bullet Bane. Hoje o som do conjunto, que era um Hardcore veloz com claras influências de metal, se encontra com o post hardcore de bandas como Finch e Senses Fail, além de nuances mais cadenciadas e vocais melódicos, que fica explícito nas faixas: Cisplatina, Curimatá e Encruzilhada. Mas os berros característicos estão lá em faixas como: Gangorra, Melatonina, Esperanto e Labirinto.
Quem arrisca, pode errar, quem não arrisca, já errou. Nesse caso, o Bullet Bane acertou e muito!

9 – Antes Durante Depois – Pavilhão 9
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Um retorno muito comemorado em 2017, com certeza, foi do Pavilhão 9. Depois de 11 anos sem lançar um material inédito, e após uma tentativa de volta, mal sucedida, em 2012 no festival Lollapalooza. O grupo capitaneado pelos rappers Rhossi e Doze está de volta e com um adicional de luxo, a entrada do baixista Heitor Gomes, que já teve passagens no Charlie Brown Jr. e CPM 22, que se faz notar nas trabalhadas e pesadas linhas de baixo que abrilhantam as faixas do novo álbum do grupo, Antes Durante Depois. O som é aquele velho conhecido dos fãs do conjunto, aquela mescla entre a rima venenosa do Rap com peso do Rock, como podemos conferir em Boca Fechada, Os Guerreiros, Acredita Não Duvida e no single Tudo Por Dinheiro.

8 – Musica de Brinquedo 2 – Pato Fu
8 - Pato Fu
A genialidade do Pato Fu em realizar releituras de grandes clássicos da música mundial em instrumentos de brinquedo, chegou ao seu segundo volume. Música de Brinquedo 2 traz os Patos revistando sucessos como Palco do Gilberto Gil, Rock da Cachorra do Eduardo Dusek, Mamãe Natureza da Rita Lee, Every Break You Take do The Police, Private Idaho do B-52’s, I Saw You Saying de autoria de Gabriel Thomaz (Little Quail and Mad Birds e Autoramas) eternizada pelos Raimundos, além das politicamente incorretas, para os padrões infantis, Severina Xique-Xique de Genival Lacerda, Livin’n La Vida Loca do Ricky Martin.
Mergulhe nesse universo lúdico, musical e genial do Pato Fu.

7 – Espiral de Ilusão – Criolo
7 - Criolo
Criolo desligou as pickups, abriu mão das rimas que lhe tornaram nacionalmente famoso e voltou às raízes do samba, o gênero musical primário do jovem da periferia do Grajaú.
Em Espiral de Ilusão, Criolo emula Cartola, Zé Keti, Noel Rosa, Paulinho da Viola e outros mestres do samba de raíz e assina a composição das 10 canções inéditas que abrilhantam esse disco. Dilúvio de Solidão, carrega aquele samba maroto do morro com os vocais de apoio femininos característicos do gênero. Calçada, invoca a mãe áfrica, com forte percussão na introdução, e a divertida Filha do Marreco é um tremendo samba de breque à Moreira da Silva. Mas o grande destaque do álbum vai para o single Menino Mimado e o seu refrão contestador: “Meninos mimados não podem reger a nação”.

6 – Caravanas – Chico Buarque
6 - Chico
Depois de seis anos sem material inédito, Chico Buarque finalmente quebra o silêncio e lança Caravanas, o 38º álbum de sua carreira. Muito aguardado pelos fãs, o disco, de apenas nove faixas, faz bonito na discografia do artista, mostrando que o mesmo ainda tem muita lenha a queimar. Tua Cantiga, a primeira canção a ser disponibilizada do disco, carrega uma percussão serena, um piano que dá toda tônica da canção, fazendo a cama para a voz cansada, mas integra, de Chico. O disco também é marcado pelas participações dos netos de chico, o primeiro a aparecer é Chico Brown na composição da valsa Massarandupió, e depois vem a jovem Clara Buarque que canta a canção Dueto. Ambos filhos do cantor Carlinhos Brown com a Clara Buarque, filha de Chico. Outros destaques vão para Blues Para Bia e As Caravanas, nessa última Chico fala dos imigrantes que buscam refúgio em outras nações, contando com a participação especial de Rafael Mike do Dream Team do Passinho nos beat box.
Um país que tem Chico Buarque compondo e lançando maravilhas como essa, não deveria nomear um certo cantor aí como rei…

5 – Ego Kill Talent – Ego Kill Talent
5 - Ego Kill Talent
Contando com integrantes de bandas renomadas, como Sepultura, Diesel, Reação em Cadeia, Pulldown e Sayowa, o Ego Kill Talent chegou com tudo em 2017, se apresentando, inclusive, no Rock In Rio, além de ter feito shows na Europa no mesmo ano. Mas, musicalmente falando, o grupo merece todos os louros colhidos, a música é de qualidade absurda, um Stoner Rock poderoso que lembra muito os californianos do Kyuss. A melódica Still Here, a pulsante Just To Call You Mine, além do single de pegada grunge Sublimated, fazem do disco de estréia do grupo um excelente cartão de visitas.

4 – Premeditated – The Crashing Brains
4 - The Crashing Brains
Vindo diretamente de São Paulo, esse quarteto é a prova mais do que concreta de que o “Grunge Not Dead”, como muitos propagam por aí.
Se você quer procurar por uma referência sonora, Frogstomp, o disco de estreia dos australianos do Silverchair, talvez seja a mais acertada. Mas o disco vai muito além disso, ele apresenta a qualidade musical apurada da banda em excelentes canções como On and On, Lies, Pride e Convinced.
Ouça no volume máximo.

3 – Deixa Quieto – Macaco Bong
3 - Macaco Bong
Se Pato Fu foi mais uma vez genial em fazer releitura de grandes clássicos com instrumentos de brinquedo, o Macaco Bong transcendeu as barreiras da genialidade fazendo releitura instrumental completamente desconstruída de um dos discos mais adorados dos anos 90, o Nevermind do Nirvana.
Aqui o que grupo fez foi pegar a obra parida por Cobain, Grohl e Novoselic, torcer, moer, triturar e remontar esse Frankenstein musical. Tudo é tão especial, a começar dos títulos, o clássico absoluto Smells Like Teen a Spirit virou Smiles Nike Tim Sprite. On a Plain se tornou Móviaje, Something In The Way homenageia a turma da academia com o nome Somente Whey, e Come as You Are é, por sua vez, Com Easy Com Uber. Sobre o resultado musical, é difícil salientar qual releitura ficou melhor, mas as versões de In Bloom (Nublum), Drain You (Drive-In You), Breed (Briza), além da irreconhecível versão de Lounge Act (Salão) são as que saltam aos ouvidos na primeira audição.

2 – Death Rides a Crazy Horse – Corona Kings
2 - Corona Kings
Quer um disco de rock bruto, veloz e visceral como deve ser? Então se delicie com esse petardo do Corona Kings. Death Rides a Crazy Horse, também bebe da fonte da nova escola de rock sueca, flertando muito com as bandas do mestre Nicke Andersson (The Hellacopters e Imperial State Electric). Só a abertura poderosa com Boyhood já define o disco, mas ele ainda nos presenteia com a punk Death Proof, com a pesada e veloz With You e a suingada Broken. Deb Babilônia do Deb and the Mentals participa da faixa Try It Out, com a sua voz marcante.
Enfim, um disco que merece ser ouvido e ouvido de novo.

1 – Year 3000 – Water Rats
1 - Water Rats
E a medalha de ouro de 2017 vai para galera do Water Rats e esse disco incrível.
Vindo das cinzas do Sugar Kane, contando com dois integrantes originais do grupo na formação, Alexandre Capilé (Vocal e Guitarra) e Renê Bernuncia (Bateria), o Water Rats surgiu como um projeto mais punk e displicente ao contrário de toda melodia predial do grupo principal, mas ganhou tanta notoriedade, que o Sugar Kane ficou pra escanteio, e ano a ano o Water Rats vem provando ser um das bandas mais notórias da atualidade, e Year 3000 vem provando isso. O disco já abre com a veloz faixa título, com Capilé berrando alucinadamente. Animal vem na sequência mantendo o pique inicial. A passagem do grupo por Seattle, em 2015, participando do projeto da Converse Rubber Tracks gravando o EP Hellway to High (2016), sob a produção de Jack Endino (Nirvana, Mudhoney, Soundgarden) fica explícita nas canções Another Piece of Heartache e Feels All Fools Right, ambas com forte inclinação grunge e cantadas pelo guitarrista Pedro Gripe. Aliás, em Year 3000, Pedro assumiu a maioria dos vocais, com a sua característica voz grave e ímpar. Os demais destaque do disco são Yeah Yeah Yeah, Riot Girl, Rolling Stoners e a insana Quit Society.
Discão.

Até segunda!!!

Shows

Hateen faz show marcante em Jundiaí, atendendo pedidos de fãs no repertório

Hateen - 2
(Foto: Aldeia Bar)

No dia 25 de novembro, faltando apenas trinta dias para o natal, o grupo paulistano Hateen se apresentou no Aldeia Bar, em Jundiaí (SP), e presenteou o público com um grande show, contando com os maiores sucessos da sua carreira.

Antes, duas bandas da casa fizeram os shows de abertura: Boca de Lobo e Facing Death. A primeira, formada pelos vocalistas Bruno Galiego e Cassiano Biaggio, Cappuccelli (Guitarra), Raul Fernandes (Baixo) e Diego Martins (Bateria), faz um Punk Rock direto, pesado e com precisão, com claras influências de OFF!, Comeback Kid, Circle Jerks e Biohazard, e com uma presença de palco enérgica. No repertório, canções como: Celebração, Jurandir e Feras Cabeludas fizeram a alegria da imensa horda que acompanha fielmente a banda em suas apresentações. O principal destaque vai para o inesperado, e divertido ao mesmo tempo, cover de Living After Midnight do Judas Priest.

Hateen - 4
Boca de Lobo (Foto: Aldeia Bar)

O Facing Death fazia, na ocasião, o show de lançamento do primeiro álbum do grupo, From Here to the Unknown. Apesar de todo o ineditismo, a banda conta com figurinhas carimbadas da cena jundiaiense dos anos 2000, oriundas de bandas como Make Your Wish, OneFourSeven e Dust Mind. O som do grupo é um passeio entre a fase madura do Millencolin em Pennybridge Pionners, com respingos sonoros de Hot Water Music e Jawbreaker.

Hateen - 5
Facing Death (Foto: Aldeia Bar)

Para os donos da noite, o show foi uma catarse coletiva. No palco, uma banda muito bem entrosada, que se apresentava pela quinta vez em Jundiaí, sendo a terceira vez consecutiva no Aldeia Bar, se mostrava afiada em sua missão de tocar os sucessos da sua fase definitiva cantada em português, mas dando uma atenção maior em seu mais recente lançamento Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui, concebido no ano passado. Na plateia, um bom número se fazia presente, sendo suficiente para cantar, pular, subir na grade que separava o palco do público, e até mesmo se emocionar com lágrimas rolando nos olhos, diante das canções do grupo.

O show abriu com a faixa título do novo disco, seguido de Eu Voltei e da faixa título do quinto álbum do grupo, Obrigado Tempestade. A canção Perdendo o Controle, que narra o drama pessoal do vocalista Rodrigo Koala, que sofre de ansiedade e síndrome do pânico, foi dedicada a todos que também sofrem desse mal invisível. Do novo disco ainda teve Coração de Plástico e o hit Passa o Tempo. Do primeiro disco do grupo, cantado na língua natal, o seminal Procedimentos de Emergência, tivemos Não Vá, Uma Vida Sem Saudade, Inferno Pessoal e a radiofônica Quem Já Perdeu o Sonho Aqui?. Músicas como Laser e Você Não Pode Desistir, também fizeram presentes. Para os fãs da fase em inglês do quarteto, um deleite, uma versão do sucesso Danger Drive, eternizado no segundo disco do grupo, o clássico Dear Life, mas que foi revistado também no Procedimentos de Emergência.

Hateen - 1
Hateen (Foto: Aldeia Bar)

Como citado anteriormente, o Hateen se encontra em sua melhor forma musical, uma banda totalmente entrosada e tocando na mais perfeita sincronia. Thiago Carvalho, fez por merecer o posto oficial de baterista, após amargar, durante meses, o cargo de substituto do Ricardo Japinha, que na época dividia funções entre a banda e o CPM 22. Thiago tem feeling, técnica e muita fúria por trás do instrumento, chegando até a deslocar de lugar o bumbo da bateria em diversas vezes durante o show. Formando uma cozinha precisa ao lado do baixista Leon Sérvulo, a dupla era a peça que faltava para engrenagem Hateen continuar a rodar.

Fábio Sonrisal e Rodrigo Koala, formam, hoje, a dupla de guitarristas mais respeitada da cena underground, com riffs marcantes, solos precisos e oitavadas que dão todo o dinamismo nas canções da banda. E o Koala, aliás, tem cantado de forma intensa, mantendo os seus berros e alcançando notas altíssimas no tom original.

O grande sucesso mainstream do grupo, a canção 1997, deveria fechar o show, mas foi nesse exato momento que a plateia, que também fez o seu show particular cantando todo o repertório, deixando a banda visivelmente emocionada, começou a pedir mais canções. E foram desses pedidos que ainda rolaram, de forma improvisada, mas muito bem executada: Minha Melhor Invenção, Não Existe Adeus e Perfeitamente Imperfeito.

Comemorando 23 anos de carreira, o grupo gravará o seu primeiro DVD ao vivo, no próximo dia 22 de dezembro, no Hangar 110, em São Paulo, sendo o último show da banda no local, e o penúltimo da casa, que irá encerrar as atividades nesse ano. Não há dúvidas que esse show será de muita importância para o grupo, mas, com certeza, essa noite no Aldeia Bar, também será inesquecível para todos que lá se fizeram presentes.

Fila Benário Fala, Lançamentos e Novidades, Resenhas

Green Day e Blink 182 lançaram novos discos, qual é o melhor?

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2016 nem acabou, mas tem sido um ano maravilhoso para o Punk Rock/Hardcore, diga-se de passagem. Só no primeiro semestre tivemos os lançamentos de Bob Mould (Patch The Sky), Face To Face (Protection) e The Bouncing Souls (Simplicity). E na entrada do segundo semestre fomos muito bem recebidos com os novos do Descendents (Hypercaffium Spazzinate), The Interrupters (Say It Out Loud) e Against Me! (Shape Shift With Me), sem contar que o NOFX também prepara um lançamento para o mês seguinte. Isso porque eu não mencionei os lançamentos nacionais como os novos do Dance Of Days (Amor-Fati), Hateen (Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui), Zander (Flamboyant), além da estreia do Please Come July (Life’s Puzzle), projeto contando com grandes nomes da cena underground brasileira.

No entanto, os dois discos mais aguardados do gênero eram, com certeza, os novos discos dos californianos do Green Day e do Blink 182. O do trio capitaneado por Mark Hoppus era esperado com ansiedade, pois se tratava do primeiro disco do conjunto sem o guitarrista e vocalista Tom DeLonge (leia a matéria sobre a saída dele aqui), marcando a estreia do Matt Skiba, do Alkaline Trio, no lugar. Já o do Green Day, tinha uma grande espera pelo fato de ser primeiro disco após a internação de Billie Joe Armstrong na clínica de reabilitação, que cancelou toda a turnê de divulgação dos três últimos – e anêmicos – discos do grupo, a trilogia Uno! Dos! e Tré! (2012) A Campanha de marketing em cima de Revolution Radio, além dos dois singles lançados, Bang Bang e a própria faixa título, fazia do disco a tão sonhada, pelos fãs, volta às origens do grupo.

Eis que California e Revolution Radio enfim foram lançados! E como ambos discos se saíram?

California – Blink-182
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Podemos afirmar, sem medo algum, que California é uma continuação de Take Off Your Pants and Jacket (2001), considerado por muitos o último grande disco do Blink-182. O que se ouve no novo álbum é uma colcha de retalhos que costura as melhores nuances sonoras do grupo, de um lado o Hardcore veloz, graças a técnica apuradíssima do baterista Travis Barker, já explicito na curtíssima faixa de abertura Cynical, continuando em The Only Thing That Matters, que relembra em partes a canção Roller Coaster do já citado Take Off Your Pants…, e encerrando o álbum com Brohemian Rhapsody. Do outro lado, temos aquele Poppy Punk, claramente influenciado em Descendents, que sempre permeou na carreira do trio e gerou os seus maiores hits, e em California não seria diferente, o single Bored to Death, seguidos de She’s Out Her Mind, No Future, Kings Of The Weekend e Rabbit Hole, são as provas concretas. E por fim, aquela sonoridade madura que pipocou em no supracitado TOYPAJ e que foi “cama, mesa e banho” do autointitulado de 2003, surge no novo disco, mas dessa vez como um ingrediente que vem a somar e dar consistência ao produto final. Faixas como Los Angeles, Sober, Left Alone e San Diego, usam e abusam de elementos eletrônicos, mas carregam uma beleza e autenticidade.
A estreia de Matt Skiba foi certeira no disco, como guitarrista ele manteve os já conhecidos timbres que soam agradáveis aos ouvidos dos fãs da banda. E na parte vocal, em alguns momentos a sua voz relembra os bons momentos de Tom DeLonge, como em Cynical e Bored to Death. Mas em She’s Out Her Mind e principalmente em No Future ele imprime a sua própria identidade musical, mostrando que tem muita lenha a queimar com o grupo, para nossa alegria.

Revolution Radio – Green Day
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A Rolling Stone gringa estampou o Green Day na capa dizendo que a banda havia voltado ao Punk Rock. A página oficial da banda, no Facebook, postou a imagem da capa do disco, um rádio explodindo, o que fomentava ainda mais a ideia que estaríamos diante do álbum mais pesado do grupo desde Insomniac (1995), e os dois singles lançados do disco, Bang Bang e Revolution Radio não tinha mais nada a provar: O bom e velho Green Day estava de volta.
Só que aí o Revolution Radio saiu, e após uma audição cuidadosa a conclusão que chegamos é que temos o mesmo Green Day megalomaníaco e grandioso (no mal sentido) desde American Idiot. O grupo continua preso na formula musical criada por si, desde o lançamento supracitado, e não consegue mais se libertar das próprias amarras.
Aquele Green Day que emulava Ramones, Hüsker Dü, The Replacements, hoje mergulhou de cabeça no Rock de Arena inglês de The Who, Beatles e Queen, e tenta a todo custo parir a sua obra-prima. As referências citadas são imunes de reprovação, mas dentro do contexto sonoro proposto pelo Green Day, desde o início da carreira, elas soam plastificadas, forçadas e com ares de “precisamos conquistar todos os públicos, custe o que custar”.
Revolution Radio já abre desanimado com a pseudo-balada Somwhere Now, iniciada no violão e com uma explosão no meio que entrega um bom rock, mas nada além disso. Outros momentos deprimentes do disco é Still Breathing, que muito assemelha as Pop Ballads de Katy Perry e Demi Lovato, o Pop Rock inofensivo reaparece na faixa seguinte Youngblood, com direito à corinhos “ôô-ôô” na introdução. Say Goodbye relembra em algumas passagens o hit Holiday, de American Idiot, no entanto, mais devagar e mais pop. E por fim a baladinha Outlaws é digna de piedade.
A formula, já gasta, do grupo de criar epopeias musicais longas e com alternâncias de ritmos, surge aqui em Revolution Radio, com o nome de Forever Now. Ela até começa com um certo entusiasmo e relembrando Green Day circa Nirmod (1997), mas os demais andamentos nada convencionais, adquiridos ao longo dos seis minutos da mesma, o transforma em mais uma canção decepcionante em um disco fortemente mediano.

A imprensa e a indústria musical que sempre deliciou em criar rivalidades entre bandas para fomentar o crescimento e consumo da mesma, seja nos anos 60 com Beatles e Rolling Stones, ou nos anos 90 com Oasis e Blur, no início dos anos 2000 inventou a disputa entre Blink 182 e Green Day aproveitando o momento distinto de ambas, no caso a ascensão do trio de Mark, Tom e Travis com a explosão do disco Enema Of The State (1999), e o limbo que se encontrava o Green Day após a frustrante tentativa de amadurecimento com o diversificado Warning (2000). Na época o Green Day, que tinha muito mais tempo de estrada do que os seus conterrâneos, acabou se tornando a banda de abertura das turnês do Blink 182, o que deu mais margem ainda para uma possível rivalidade, na qual nunca existiu.

Green Day e Blink 182 na turnê conjunta que fizeram em 2002
Green Day e Blink 182 na turnê conjunta que fizeram em 2002

Mas no ano de 2016, diante desses dois lançamentos, no qual ambas bandas se encontram no mesmo patamar dentro da sua trajetória, o Blink 182 levou a melhor!

Até a próxima, Billie Joe!

Entrevistas

O impacto da internet na indústria musical, vira tema de livro

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A internet, a terra sem lei, tem moldado a forma como se lê notícia, como se assiste série e filmes e principalmente como se ouve música. Desde o surgimento de programas de compartilhamento de músicas, como Napster, na virada do milênio, que a indústria musical vem sofrendo uma grande mutação e tem tentado, na medida do possível, se adequar a esse novo mundo.
Mas como está música hoje em dia? É verdade que não há mais artistas de qualidade? O que aconteceu com os bons artistas? Por que as músicas atuais são tão vazias e parecidas? O Rock está próximo do fim? Por que os shows são tão caros? O advento da internet acabou com a música em geral?

Essas e outras perguntas serão respondidas no livro O Impacto da Internet na Indústria e no Marketing Musical, de autoria de César Ricardo Mendes.
Jornalista, professor universitário e músico profissional, César Ricardo Mendes durante meses se dedicou ao tema, realizando pesquisas quantitativas, entrevistas com produtores, empresários e demais pessoas renomadas no meio musical. O fruto desse ambicioso projeto será lançado amanhã em São Paulo, pela editora Multifoco.

E nas vésperas do lançamento, o jornalista bateu um papo com o Fila Benário Music, revelando os bastidores da concepção do livro, traçou um panorama sobre o cenário musical atual, além de nos levar a reflexão sobre o tema Música x Internet.

Confira agora.

 

Como surgiu a ideia de desenvolver esse tema do livro?

Eu sempre soube que um dia escreveria um livro, mas nesse caso específico, surgiu das pesquisas acadêmicas que fiz para as pós-graduações que estudei, somado à minha experiência como consultor de marketing para empresas do meio musical, jornalista no meio musical e músico profissional. E também pela falta de publicações nacionais sobre o tema marketing musical.

Como foram realizadas as pesquisas? Quais foram as principais fontes consultadas e que contribuíram para o formato e direcionamento do trabalho em si?

As pesquisas foram de várias formas. Entrevistei diversos músicos, produtores musicais e proprietários de empresas de equipamentos musicais que pudessem contribuir com todo assunto. Também parti para a pesquisa quantitativa, entrevistando pessoas sobre o consumo musical, o quanto a internet os afetou e coisas do tipo. E pesquisei em muitas revistas musicais, blogs americanos, documentários sobre o impacto da internet (principalmente sobre o Napster) que pudessem servir como forma de juntar tudo o que eu havia conseguido para fazer essa análise descrita no livro. Foi um trabalho de alguns meses, mas que valeu a pena.
E trabalhar no meio, tanto como músico como profissional de comunicação, faz com que você tenha uma visão de dentro do assunto. 

O jornalista, músico e escritor César Ricardo Mendes
O jornalista, músico e escritor César Ricardo Mendes

Falando no Napster, no final dos anos 90 houve toda aquela polêmica envolvendo a banda Metallica e o citado programa de compartilhamento musical. Muitos criticaram a postura da banda – principalmente do baterista Lars Ulrich – afirmando que a mesma já havia ganhado muito dinheiro com a indústria fonográfica. Analisando hoje a crise da indústria fonográfica, você acha que a atitude da banda foi correta?

Isso é algo curioso. Pablo Picasso tinha uma afirmação interessante: “Todo mundo que é contra uma vanguarda, na verdade faz parte dela”. No caso do Metallica, vejo por dois ângulos. Primeiro, se eu fosse um astro do rock na década de 90, vivendo com todos os louros que a indústria fonográfica permitia, sem dúvida alguma eu não iria gostar de que mexessem na minha fonte de renda. Nesse sentido eu compreendo a atitude dos caras do Metallica.
Segundo ângulo, eu poderia ser menos provinciano e tentar fazer daquilo um marketing para a minha banda, o que de certa forma me abriria novas formas rentáveis de lucrar. Até porque a tecnologia é algo que sempre se move para frente, nunca para trás, por isso é difícil lutar contra ela.
Há pouco tempo o Lars Ulrich afirmou se arrepender do levante que fez contra o Napster, o que achei interessante e até humilde da parte dele em se arrepender de toda briga. Mas acho que ele também teve uma motivação midiática para fazer o levante que fez na época.

Você acredita que devido ao novo consumo de música, por meio digital, tem contribuído nos últimos tempos para o aumento de artistas de qualidade musical duvidosa?

 Sem dúvida alguma.
Quando as gravadoras e os produtores musicais estavam no comando havia um certo critério de escolha e produção, e mesmo com aquele critério já existiam coisas ruins. Mas se você observar, até mesmo estilos musicais mais populares, como o sertanejo, tinham melhor qualidade (compare Chitãozinho & Xororó com os sertanejos atuais).
Ao mesmo tempo que ficou mais fácil se lançar como artista, o filtro de qualidade também “abriu o funil”. E o critério artístico de qualidade se perdeu um pouco, seja no Brasil ou em qualquer outra parte do mundo.

Pra você, o encarecimento dos ingressos de shows e espetáculos musicais é fruto do impacto da internet no meio musical?

Essa é uma questão que afeta mais diretamente a nós, brasileiros. Em nosso país o ingresso para um show nunca foi barato. Eu sempre fui frequentador de shows e nunca me lembro de ter pagado barato num ingresso.
Como nossa situação econômica é muito instável e o dólar está nas alturas, sofremos também com o abuso dos organizadores de eventos que precisam lucrar no investimento feito para a realização de um show, por isso nossos ingressos são tão caros.
Mas eu me lembro que em 2013, quando eu estava nos Estados Unidos, vi que teria um show do John Mayer na cidade onde eu estava, por um valor de ingresso que seria em torno de R$150,00 aqui no Brasil. Não estou dizendo que R$150,00 é pouco, mas perto dos R$360,00 cobrados para ver um show internacional atrás de um “pilar”, como é o caso no Brasil, sem dúvida a diferença é grande.
Acho que embora o artista, atualmente, lucre com o show ao invés da venda de CDs, essa questão é mais econômica do que de responsabilidade da internet. 

Você faz parte de uma banda, a Tehilim Celtic Rock. Queria que você nos contasse um pouco da experiência da banda em relação a distribuição dos seus próprios discos. Houve a possibilidade de estender a distribuição para o exterior? E analisando o mercado musical independente atual, se esse tipo de coisa ainda é possível nos dias de hoje para uma banda iniciante?

Como com a minha banda, o Tehilim Celtic Rock, minha experiência é pós-advento da internet, não consegui ter os benefícios desse tipo de distribuição. Algo curioso que me aconteceu sobre as facilidades da internet, foi que certa vez eu estava no centro de São Paulo, e vi um camelô vendendo diversos CDs piratas ali, e entre aqueles CDs estava o meu! Eu fiquei com tanto ódio, que cheguei na minha casa, liberei tudo para download gratuito e como estava passando por um período ruim com a distribuidora de CDs, rompemos o contrato.
Já tem uns quatro anos que faço uso de plataformas como o NoiseTrade para lançar meus CDs virtualmente e gratuitamente. A experiência tem sido muito boa, principalmente no que diz respeito ao mercado internacional, que é maioria que baixa nossos álbuns.

César e Jaqueline Massagardi a frente da "Tehilim Celtic Rock"
César e Jaqueline Massagardi a frente da “Tehilim Celtic Rock”

De qualquer forma, acho que não tem como ser um artista adaptado nos tempos que vivemos sem estar presente nos serviços de streaming (Spotify, Deezer, Google Play etc.). É um investimento que vale a pena.
Fora isso, toda banda precisa estar presente no Youtube, pois é o primeiro lugar onde a maioria das pessoas procuram conhecer uma banda (conforme pesquisas realizadas). Pode ser que futuramente procurem mais pelos serviços de streaming? Claro que pode. Mas por enquanto o Youtube é o “cara”.
Se a banda tiver esse empenho, acredito que é muito possível conseguir um certo público consumidor da sua música. 

Com as recentes mortes de Scott Weiland (Stone Temple Pilots), Lemmy Kilmister e David Bowie, a imprensa musical especializada escreveu que a ida desses, e demais, ícones do Rock somados a não existência novos artistas no mesmo impacto artístico, faz do Rock, daqui alguns anos, um estilo fadado ao ostracismo, assim como o Jazz. Você também compartilha desse pensamento?

Acho difícil o rock cair no ostracismo por toda história que existe por trás dele. A grande verdade é que até mesmo o pop existe por causa do rock. Essa enorme segmentação de estilos musicais que temos hoje em dia, lá atrás, na década de 1960, nasceram do rock.
Porém, sempre tem uma questão que levanto: Quem é o grande nome do rock surgido nos últimos 15 anos? É complicado responder essa pergunta, pois até mesmo o Coldplay (que é mais pop do que rock), tem mais de 15 anos! Infelizmente, e por causa de tanta segmentação que o rock tem, não temos um grande nome que seja unanimidade entre as pessoas. Até mesmo o Michael Jackson que era um artista pop, era uma unanimidade entre os rockers!!!
Talvez, o rock sobreviva de muitas bandas surgidas e que surgirão cada uma fatiando seu pedaço do bolo (e assim não morrerá), mas no que diz respeito a existência de um grande nome, pode ser que fiquemos somente nos livros de história. É duro, mas temos que encarar essa verdade.

A figura do produtor musical tem mudado no decorrer dos anos, De mentes brilhantes como Phil Spector, George Martin, Rick Rubin e Steve Albini, que além de engenheiros de áudio eram compositores e instrumentistas, o produtor hoje está mais focado na questão administrativa e empresarial do artista. Esse assunto também é discutido no seu livro? Como você analisa a produção musical hoje com o advento da internet?

 No livro eu faço essa análise fazendo uma ligação com o papel da gravadora. Se você observar, esses grandes produtores são fruto de grandes gravadoras como a Atlantic, EMI, Warner, Sony, Geffen, Motown e tantas outras de extrema importância.
A figura da gravadora era um “pacote completo”, com produtor musical, trabalho de marketing, personal stylist e todo tipo de coisa possível. A independência artística era quase nula, porque o artista tinha um direcionamento completo para absolutamente tudo em sua vida.
Caras como Bob Rock (Metallica e Mötley Crüe) e Rick Rubin (Red Hot Chili Peppers, Johnny Cash e Black Sabbath) tem um histórico de assinar alguns dos maiores trabalhos do rock. Sem dúvida o “dedo” artístico desses caras foi fundamental.

Rick Rubin (deitado ao fundo) produzindo o Black Sabbath
Rick Rubin (deitado ao fundo) produzindo o Black Sabbath

Eu já tive a oportunidade de trabalhar com produtores musicais na gravação de CDs para os quais fui contratado como guitarrista. Já trabalhei com produtores que sabiam música, sabiam o que fazer para melhorar, e também já peguei uma série de “pangarés” que tinham um título de produtor musical, mas mal sabiam o que fazer no estúdio. E infelizmente, hoje em dia existem muitos desses “pangarés”.
Mas é óbvio que ainda existe a figura do produtor musical, só que boa parte desses caras se resumem a donos de estúdio que vendem o trabalho de gravação e nem todos eles, de fato cumprem a função de um produtor musical (a não ser que você o contrate para essa função). O que acaba fazendo com que nem todos os trabalhos tenham o melhor de si.
Porém, no Brasil mesmo existem uma série de produtores musicais excelentes (conhecidos e desconhecidos), sendo contratados e fazendo trabalhos de qualidade excepcional. Entre eles eu cito o Paulo Anhaia, que é um cara excelente e conhecido no meio nacional.

No ano passado a indústria musical respirou aliviada com as vendas do novo disco da cantora Adele (que só na primeira semana no Reino Unido vendeu um total de 800 mil cópias, batendo o recorde da banda Oasis em 1997 com o álbum Be Here Now, que na primeira semana vendeu 696 mil). Você acredita em futuro otimista para a indústria musical e fonográfica, mesmo com a proliferação da internet?

Uma coisa devemos observar: o hábito de comprar CDs online (que é de onde vem a maioria dessas vendas) é muito mais comum no exterior do que aqui no Brasil. Comprar pelo iTunes ainda é caro para o brasileiro, sem falar que os produtos da Apple beiram o absurdo em nosso país. Esse tipo de coisa intimida a compra online.
Eu acredito que se houver uma adequação desses valores para os diferentes mercados mundiais a venda de músicas pode crescer. Mas, atualmente ela tem um inimigo legal, que são os serviços de streaming (onde a maioria dos usuários permanecem com contas gratuitas ao invés de pagar pelo “premium”).
Eu sou saudosista no que diz respeito a CDs, sinto falta do físico, do encarte e de tudo o que acompanhava a audição. A qualidade também era melhor do que o MP3 que nos adequamos a ouvir (obs: no iTunes os álbuns, em sua grande maioria, não estão no formato MP3).
Particularmente, e posso até me enganar, mas acho que o futuro dos álbuns está nas mãos do streaming.

O crítico musical Regis Tadeu, disse certa vez que: “O melhor da música brasileira atual não está no mainstream e sim no circuito underground”. Você concorda com tal afirmação? Se sim, cite quais as bandas e artistas que mais te chamou atenção nos últimos tempos.

Embora o Régis Tadeu seja extremamente ácido em suas colocações, eu gosto muito das coisas que ele fala. E eu concordo com essa afirmação.
Temos uma quantidade enorme de boas bandas totalmente desconhecidas da maioria das pessoas, mas que fazem um trabalho com nível internacional. Nesse caso, eu poderia até mesmo “puxar sardinha” para a minha banda, o Tehilim Celtic Rock, que com 10 anos de estrada, tocando celtic/folk/rock, jamais saiu do underground.
Entre essas bandas underground nacionais, eu gosto muito o pessoal do Terra Celta, que faz um trabalho incrível dentro do estilo. E também acho muito bom o trabalho do meu amigo André Moraes, que faz um MPB na linha do Lenine, que é de qualidade altíssima. Eu poderia citar também o pessoal do Project 46, que hoje estão na crista da onda do metal nacional.

Agora que o livro será lançado, quais serão os seus projetos de divulgação do mesmo? Pretende palestrar ou ministrar cursos a respeito do tema?

Por eu ser da área de comunicação – além de ser músico –, palestrar é algo que já faço em diversas empresas através do DUO in Workshop, trabalho de palestras corporativas que tenho com a minha esposa.
No caso do livro, espero realmente conseguir palestras dentro do tema proposto, ainda mais, se considerarmos que quase não existe literatura dentro desse tema no Brasil. Obviamente, isso não faz com que eu me considere uma sumidade no assunto, de forma alguma. No livro, fiz questão de citar meu amigo Célio Ramos (dono do EMT – Escola de Música e Tecnologia –  e um conceituado profissional de marketing), que é uma pessoa que considero como um dos mais hábeis no assunto.
A Multifoco Editora também fará um trabalho de divulgação interessante, principalmente em livrarias e eBook. Acho que nesse momento, estou aberto para diversas propostas sobre o livro, desde palestras até cursos e o que mais vier.

Lançamento do Livro: O Impacto da Internet na Indústria e no Marketing Musical
Local: La Quiche Bistrot – Rua: Artur de Azevedo 657 – Pinheiros – SP
Horário: 13h às 17h

Especial, Fila Benário Fala

7 anos de Fila Benário Music

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No ano de 2009, um jovem e frustrado estudante de logística decide colocar um ponto final na sua infelicidade profissional, amorosa, e qualquer outra que o valha, criando um blog musical como passatempo.

Longe de pretensões empresariais e status, o humilde espaço, hospedado em uma plataforma gratuita, seria apenas um refúgio daquele jovem azarado que buscava ali um recanto de paz para escrever sobre as suas bandas, discos e canções favoritas.

Sem regras, sem qualquer compromisso e muito menos sem linha editorial a seguir, o diário musical era pra escrever apenas o que desse na telha, sem revisão ortográfica, sem filtro, sem nada. Se ele iria longe? Provavelmente não, afinal de contas, nada na vida desse garoto durou muito tempo.

Corta! Ano de 2016, sete anos do blog Fila Benário Music, se eu pudesse voltar no tempo e dizer para aquele garoto desanimado que a vida dele mudaria de ponta cabeça por causa desse simples blog, será que ele acreditaria?

Em sete anos foram 246 posts, 297 comentários e mais 20 mil acessos, números pequenos comparados a grandes portais e blogs com viés mainstream. Mas grandes levando em consideração todo o “establishment” independente no qual o blog vive, sem patrocínio, sem lei rouanet, apenas com divulgação no boca a boca.

Esse singelo espaço que coleciona amigos, alguns desafetos e inúmeros leitores fieis tem muitas histórias pra contar, e fazendo jus aos sete anos que comemoramos nesse dia 4 de agosto, se eu pudesse listar os 7 momentos mais marcantes do Fila Benário Music, seriam esses:

1 – Professores analisam letras do Dead Fish e a banda aprova

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Com certeza o texto “O Hardcore da educação”, professores analisam as letras do ‘Dead Fish’ foi o mais lido de toda a história do Fila Benário Music, só no primeiro dia ele alcançou o histórico número de 10 mil visualizações. Mas pra quem não sabe, a história por traz do mesmo é curiosíssima.

A ideia inicial era convidar todos os meus professores da faculdade, e mais alguns professores amigos, para interpretar e dar a visão em cima de diversas letras de Hardcore. Além do Dead Fish, bandas como FISTT, Hateen, Dance Of Days, Ratos de Porão, Anzol, Street Bulldogs, Nitrominds e muitas outras teriam as suas letras destrinchadas pelos profissionais da educação. No dia 15 de outubro, dia dos professores, o texto iria ao ar.

Só que pra minha frustração, a data foi se aproximando e nada de ninguém me entregar as análises, teve quem recusou o convite alegando falta de tempo, teve quem ficou empolgado no início, mas depois desistiu ao receber a música e ver que não se tratava de um Legião Urbana ou U2, e teve quem simplesmente sumiu do mapa. Enfim, eis que chegou o dia 15 de outubro e eu recebi apenas cinco análises e curiosamente todas eram de músicas do Dead Fish, sem pretensão acabou virando um texto especial do Dead Fish. Mas o certo por linhas tortas deu certíssimo, as análises foram perfeitas, os professores participantes entenderam o espírito da coisa escreveram relatos emocionantes e contestadores, e pra nossa alegria o texto chegou até a banda, que compartilhou em suas redes sociais e ampliou ainda mais o número de leitores.

Valeu Michele Escoura, Luiz Antônio Farago, Ana Paula Vieira de Oliveira, Ricardo Roca e Patrícia Paixão pela parceria.

2 – Reintegração de Posse em SP

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No ano de 2014, uma reintegração de posse no centro de São Paulo é televisionada ao vivo e divide opiniões da população. Em casa, impedido de ir para faculdade, que estava situada no meio do cenário de guerra, eu acompanhei todos os boletins e reportagens ao vivo. Aquele acontecimento foi me consumindo de tal forma que eu também me senti na obrigação de expor a minha opinião acerca do tema e disso nasceu o texto As músicas que retratam a reintegração de posse ontem em São Paulo.

Um texto tão especial que inspirou um trabalho acadêmico e posteriormente a minha indicação para o prêmio Intercom Sudeste em 2015, na categoria “Artigo de Opinião”.

3 – Entrevista com a Bruna Caram

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A minha primeira entrevista oficial para o FBM foi com a banda Rosa de Saron, mas como eu já conhecia os integrantes e já havia conversado com os mesmos em outras oportunidades, nos tempos que a banda dividia os palcos e a estrada com a minha banda na época, o Nazarenos HC, a entrevista foi um bate-papo bem descontraído e um reencontro. Podemos dizer que a primeira entrevista mesmo, já como estudante de jornalismo, foi essa com a Bruna Caram.

Bruna Caram era uma das atrações da Virada Cultural Paulista em Jundiaí, a minha cidade natal. Como grande admirador do trabalho dela, munido de perguntas e com o meu gravador eu fui lá entrevista-la. Bateu nervoso, medo, insegurança, tudo ao mesmo tempo agora, mas a paciência, o carinho e a compreensão se Bruna deixou tudo leve e tranquilo, como se fosse um bate-papo na cozinha de casa. Em determinado momento da entrevista, ao ser questionada se ela gravaria uma música do cancioneiro brega, Bruna pegou na minha mão e cantou um trechinho de Indiferença da dupla Zezé Di Camargo & Luciano. Em tempos que “astro” pop assedia repórter dizendo que “quebraria a mesma no meio”, Bruna Caram manifestou amor, carinho e respeito o tempo todo.

E ainda compartilhou a entrevista em suas redes sociais.

Ler a entrevista completa aqui

4 – Entrevista com o Dead Fish

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Antes da explosão do texto sobre analise das letras, eu tive a honra e privilégio de entrevistar Rodrigo Lima e Alyand do Dead Fish para FBM, após o show da banda em Jundiaí em Abril de 2015.

Rodrigo que é conhecido pelo seu jeito intransigente e difícil de lidar, quebrou todos esses “pré-conceitos”, nos dando uma aula de história, sociologia e falando abertamente sobre qualquer tema que lhe era questionado.

Ler a entrevista completa aqui

5 – Ultraje a Rigor e Raimundos, o embate do século no FBM

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No ano de 2012 as bandas Raimundos e Ultraje a Rigor lançaram o disco “O Embate do Século”, com uma banda tocando um clássico da outra. O resultado foi sensacional e acabou entrando na lista dos melhores do ano do FBM. Mas quem imaginaria que anos depois eu teria a oportunidade de entrevistar Ultraje e Raimundos? Pois bem, a façanha aconteceu.

O Roger Moreira eu entrevistei no ano de 2014, durante a apresentação do Ultraje na Virada Cultural de Jundiaí. Assim como Rodrigo Lima, Roger também é conhecido pelo seu jeitão intransigente e sem papas na língua, mas a entrevista transcorreu super bem, com um Roger empolgado respondendo as perguntas sobre a sua carreira e influências musicais. E no final ele agradeceu pelo bate-papo e pediu para que lhe enviasse a entrevista completa.
Ele compartilhou em suas redes sociais.

E o Raimundos eu entrevistei no ano seguinte, na passagem da banda pelo Sesc Jundiaí, na turnê em comemoração aos 20 anos de carreira. Canisso, o baixista e um dos fundadores do grupo, esbanjou simpatia e boa vontade durante todo o bate-papo. Dado um momento ele me interrompeu dizendo: “Eu não preciso responder mais nada, esse menino sabe tudo sobre a minha carreira”.
A página oficial do Raimundos no Facebook compartilhou a entrevista.

Ler a entrevista completa com o Raimundos aqui
Ler a entrevista completa com o Ultraje a Rigor aqui

6 – Jornalistas renomados escrevem texto especial

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Em meio à confusão generalizada que se encontrava o cenário político brasileiro no primeiro semestre de 2016, eu entrevistei alguns jornalistas, blogueiros e demais intelectuais perguntando: “Qual a trilha sonora desse momento tão caótico”, o resultado foi grandioso e gerou o texto As trilhas sonoras da guerra política brasileira contando com Adriana Carranca, Vitor Guedes, Patrícia Paixão, Fausto Salvadori Filho, Cinthia Gomes, Juliana Almeida, Ricardo Roca, Luíza Caricati, Patty Farina, Caroline Apple e Matheus Pichonelli.

7 – 50 tons de cinza

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Durante a semana da estreia mundial do filme Cinquenta Tons de Cinza, eu estava inconformado com o fato de um filme, baseado em um livro, no qual a protagonista apanha descaradamente de um homem, ser aclamado e aguardado com tanto fervor em um país que a cada três segundos uma mulher é agredida.

Para minha alegria, a minha parceira de escrita, Beatriz Sanz, também compartilhava do mesmo sentimento. Unimos forças e juntos escrevemos o texto 50 Tons de cinza + o desabafo de uma feminista. Eu levando a discussão, como sempre, para o viés musical, e a Beatriz Sanz, feminista ferrenha, chutou o pau da barraca e fez uma reflexão incrível.

Foi o quarto texto mais lido no FBM em 2015.

DEPOIMENTO DAS ETERNAS COLUNISTAS DO FILA BENÁRIO MÚSIC

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Parabéns pra você, nessa data de vida!!! E aí leitores do Fila Benário, todo mundo com saudade? Pois é, nós também. Sabemos que o blog tem ficado meio sozinho, mas é que estamos muito ocupados na vida (nos perdoem). Mas o aniversário do blog não ia passar em branco e eu queria dizer como esse blog e seu criador mudaram minha vida. Nunca fui capaz de manter meu próprio blog, então pedi uma coluna aqui. Foi quando eu comecei a escrever de verdade e a ter comprometimento. Passei a ouvir músicas diferentes e pensar em pautas de cultura. Viajei para o interior por conta de uma entrevista. Obrigada, FBM! Queremos pedir aos fiéis leitores que vocês continuem nos acompanhando. Há qualquer momento, quando vocês menos esperarem a gente dá as caras por aqui!

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Beatriz Sanz é jornalista na Revista Fórum e colunista na Huffpost Brasil

 

 

O que eu carrego do Fila Benário?

Não contribuo para o Fila Benário há algum tempo. Talvez por falta de tempo ou por excesso de trabalho, fui gradualmente parando de escrever sobre música. Vou menos a shows e só ouço meus álbuns preferidos enquanto realizo outras tarefas. Isso é triste, sabe?

Ainda me lembro vividamente de estar frente a frente com Johnny Marr, carregando apenas um bloquinho de anotações e toda a uma carga de admiração. Quando sentei para digitar sobre o festival, despejei sobre os teclados a gratidão de ter vivido aquele dia. Eu, estudante de jornalismo recém-saída do ensino médio, ostentava orgulhosamente uma credencial de imprensa com o nome do primeiro veículo que me deu voz. Curiosamente, esse foi o meu último texto enviado.

Resenhar o que a gente gosta tem um gostinho diferente. Livre de burocracia, deixamos que as palavras ganhem forma, textura, cheiro e movimento. Somos coagidos ao prazer da escrita pela escrita. Simples assim.

Sinto falta desse descompromisso compromissado. Pelo menos posso dizer que não carrego o Fila Benário apenas no meu portfólio. Cada estrofe que eu redigi construiu um pedaço da minha formação.

Larissa

 

Larissa Darc é jornalista na revista Nova Escola

Fila Benário Fala

10 bandas nacionais que você PRECISA conhecer!

12 - Guitar
E tirando as teias e a poeira desse fétido espaço, que hoje nessa data tão importante, comemorada apenas no Brasil (chupa essa, resto do mundo), o Dia do Rock, que eu faço uma singela listinha de 10 bandas que você NECESSITA conhecer. Claro que você não ouviu nenhuma música delas em trilhas de novelas ou em comerciais de cerveja, até porque, meu amigo, se você está procurando boa música no mainstream, você está procurando no lugar errado.
A cena independente tem vivido um dos seus momentos mais prolíferos e com bandas fantásticas e autênticas, portanto separei aqui as 10 que mais me chamaram atenção nos últimos cinco anos. Vale e muito a pena conhecer o trabalho de cada uma.

1 – ILLBRED
1 - Illbred
Talvez o mais veterano dessa lista, o Illbred tem 20 anos de estrada. Formado em Paranaguá (PR), hoje o quarteto composto por Fábio Magronne (Vocal e Guitarra), Dom Murylo (Guitarra), Edsan Rozano (Baixo) e Rodrigo Saif (Bateria) não se prende apenas nas amarras do Hardcore Melódico, mas ousa por outros caminhos do Rock, como o Grunge, o Heavy Metal e claras influências dos anos 80. O seu mais recente trabalho, o disco Livre! (2015), já rendeu três videoclipes, como: A Estrada, Depois do 30 e Viver Longe Daqui.

2 – SALLYS HOME
2 - Sallys Home
Formada em Jundiaí (SP), a Sallys Home passaria facilmente por uma banda californiana. O Seu som veloz e ensolarado remete a bandas marcantes do gênero, como o Descendents, NOFX e Blink 182 (fase Dude Ranch). Contando com Ricardo Drvz (Vocal e Guitarra), Danilo Braga (Guitarra e Backing Vocals), Fábio Castel (Baixo e Backing Vocals) e Evandro Salmeirão (Bateria). O grupo tem dois EPs: Waiting For Destruction (2008) e Summer (S)hit (2011) e no ano passado lançou o seu primeiro álbum completo, Melody Station. E hoje, no Dia do Rock, a banda lança o clipe da música Don’t Follow Them, curta aí em primeira mão.

3 – CHCL
3 - CHCL
Se Mark Arm e Dan Peters do Mudhoney se juntassem com Darby Crash e Pat Smear do The Germs, o resultado seria essa fabulosa banda. O CHCL (abreviação de Chacal) faz um Punk Rock direto, sem frescura, firulas, com vocal rasgado e letras que retratam os problemas do cotidiano. Nascida em Caçapava (SP), a banda é formada por Gustavo Magalhães (Vocal e Guitarra), Diego Xavier (Guitarra e Vocal), Diego Esteves (Baixo e Vocal) e Eder Penha (Bateria). Em 2015 a banda lançou o primeiro full, o pesadíssimo Espora, mas não deixe de conferir o primeiro registro do grupo em estúdio, o EP Inacabado (2013), na época que o mesmo era um Power Trio.

4 – DISORDIA
4 - Disordia
Se a sua linha sonora é o Real Emo dos anos 90 que mesclava melodia, velocidade, berros e guitarras distorcidas, sem o bundamolismo que assolou o gênero na metade dos anos 2000, a sua banda de cabeceira será o Disordia. Também de Jundiaí (SP) e com dez anos de atividade, o quarteto formado por Renan Sales (Vocal e Guitarra), Fernando Oska (Guitarra), Matheus Caccere (Baixo) e Matheus Risso (Batera) traz aquele som agridoce de Samiam, Hot Water Music, Jawbreaker e Lifetime. Resolução, o mais recente trabalho do grupo, foi lançado no início de 2016, via Oba! Records, e conta com a participação especial de Chinho, da banda Chuva Negra, nos vocais de Homem Bomba.

5 – THE GUANTANAMEROS
5 - The Guantanameros
Esqueça tudo que você já ouviu em matéria de Rock, porque o The Guantanameros vai explodir a sua cabeça e te colocar pra bailar. Formado por Nacho Martin (Vocal, Ukulele, Banjo e Bandolim) – um autêntico Guantanamero argentino – a banda ainda conta com Felipe Seda (Guitarra), Luiz Reche (Baixo), Diogo Rampaso (Trompete, Escaleta e Charango), Kaoei Couto (Percussão) e Lucas Blinhas (Bateria e Cajón). O grupo, que completou recentemente um ano de atividade, tem uma sonoridade única e plural, passeando pelo Ska, Hardcore, Reggae, Country, Hip-Hop e música latina, além de cantar em inglês, português e espanhol. No início de 2016 o grupo lançou o seu primeiro EP, Parte #01 e no dia 17 próximo vem a Parte #02. Mas enquanto esse dia não chega, ouça o mais recente single do grupo Don’t Cut The Mullets.

6 – METAMORFFOSE
6 - Metamorffose
Já falamos dessa banda aqui, mas tudo que é bom vale ser relembrado. Também de Jundiaí (SP), o grupo faz aquela linha musical oitentista, resgatando aquele frescor nacional de Biquini Cavadão, Barão Vermelho, Titãs e Capital Inicial. Contando com Nick Moraes (Vocal), Renato Torelli (Guitarra), Guilherme Bianchini (Guitarra), Lê (Baixo) e Fernando Arouche (Bateria), a banda tem um álbum, Pretérito Imperfeito (2014), produzido pelo próprio baterista e lançado de forma independente, e no ano passado integrou a coletânea New Acts produzida pelo Rick Bonadio, com as canções Eu Sou o Vento e Punhos Atados.

7 – PLEASE COME JULY
7 - Please Come July
Se por um lado é a banda mais bebê da nossa lista, sendo formada esse ano, por outro lado, se somar as experiências de cada um dos integrantes dá mais de 30 anos de atividade. O Please Come July vem diretamente da cidade maravilhosa com line up de causar inveja, com Marcus Menezes (Sorry Figure) na Guitarra e Voz, João Veloso Jr. (White Frogs) no Baixo e Voz, além do baterista Felipe Fiorini (Plastic Fire). O som do grupo é um passeio pelo Rock Alternativo dos anos 90, mas um nome, em especial, é a principal influência e norte do grupo: Bob Mould.
Com letras em inglês, o grupo prepara o lançamento do seu primeiro EP, Life’s Puzzle, que verá a luz do sol no final de julho. Enquanto esse dia não chega, bora curtir o primeiro single do disco: A Lot Of Things.

8 – GASOLINE SPECIAL
8 - Gasoline Special
Lemmy Kilmister se foi sem ouvir essa pedrada cavalar sonora. Também de Jundiaí (será que temos uma nova Seattle brasileira?) o grupo, que hoje se consiste em um power trio formado por André Bode (Vocal e Guitarra), Rodrigo Faria (Baixo e Backing Vocal) e Junior Scalav (Bateria e Backing Vocal), faz um rock visceral e sujo, com claras influencias de Motorhead, com algumas passagens de Jimi Hendrix e um encontro perdido com o Nirvana na fase Bleach. As letras, todas em português, são o grande trunfo do grupo, vão desde críticas ao novo rock consumido pela massa, como em 2000 e Foda-se, até temas mais sacanas e picantes, como Tesão Fudido em Você.

9 – SKY DOWN
9 - Sky Down
Fazia tempo que a cena independente não apresentava algo tão forte, libertador, consistente e barulhento como o Sky Down. Bebendo da fonte da mesma fonte do CHCL, o grupo paulista formado por Caio Felipe (Vocal e Guitarra), Amanda Buttler (Baixo) e André Arvore (Bateria) é um misto de The Germs (sua principal influência), com Nirvana (fase In Utero) e Pixies (a fase que você quiser), tudo isso dentro de um Punk Rock barulhento, cantado em inglês, com microfonias e camadas de guitarras que sobressaem a voz. Nowhere (2013), o seu primeiro, e mais recente trabalho, traz o melhor dessa melancolia e insanidade. Vale e muito a pena conferir.

10 – MAD SNEAKS
10 - Mad Sneaks
E por fim, se a sua praia é um grunge bem pesado e denso como o do Alice In Chains e Soundgarden, o seu lugar é aqui. A banda mineira Mad Sneaks apresenta o melhor do som de Seattle e com um grande diferencial (e trunfo): tudo cantando em português!
Composto por Agno Dissan (Vocal e Guitarra), Adriano Lima (Baixo) e Amaury Dias (Bateria), o trio teve o seu primeiro trabalho, o álbum Incógnita (2013), masterizado por ninguém mais, ninguém menos que Jack Endino, o lendário produtor de Bleach, o primeiro disco do Nirvana.