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Na noite do último domingo, dia 28 de fevereiro, aconteceu a 88ª edição do Oscar, famoso prêmio da indústria cinematográfica, e conforme já noticiado aqui, foi uma premiação que entrou na história das edições por contemplar pela primeira vez nomes importantes do cinema, como o ator Leonardo DiCaprio, que enfim ganhou o seu primeiro Oscar pela sua atuação no filme O Regresso, e também para o famoso compositor italiano Ennio Morricone, que já tinha um prêmio honorário conquistado em 2007, mas no domingo ganhou a sua primeira estatueta pelo seu trabalho à frente da trilha sonora do faroeste Os Oito Odiados de Quentin Tarantino. Mas quem também ganhou o seu primeiro Oscar e que com certeza passou despercebida de todos os holofotes da imprensa foi a Kira Roessler, mais conhecida como a ex-baixista do célebre grupo Punk Rock, Black Flag.

Kira gatinha

Kira Roessler aos 22 anos

Kira Roessler não atuou em nenhum filme, não estava no red carpet do Dolby Theatre na Califórnia vestindo um Chanel e nem subiu ao palco para pegar a sua estatueta e agradecer pelo prêmio, dedica-lo ao cachorro, ao ex-esposo e grande amigo Mike Watt e defender a causa feminista, ambiental, LGBT e negra, como foi feita durante toda a cerimônia. Aliás, o nome de Kira nem mencionado foi entre os indicados, mas ela fez parte da equipe comandada pelos editores supervisores de som, Mark Magini e David White, responsável pela edição de áudio do filme Mad Max: A Estrada da Fúria (2015), que acabou vencendo a categoria de Melhor Edição de Som.

Mark Magini e David White recebendo o Oscar

Mark Magini e David White recebendo o Oscar

Como uma baixista de Punk Rock foi parar na indústria do cinema? Para entender esse percurso é preciso primeiro conhecer a trajetória de Kira Roessler. Antes de integrar o Black Flag, talvez a sua banda mais notória, Kira Roessler já fazia parte da cena punk californiana como baixista do grupo DC3, aos  e paralela a carreira de musicista, a mesma estudava Engenharia Aplicada na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles). Quando rolou o convite para Kira se juntar ao Black Flag que na época contava com Henry Rollins nos vocais, Greg Ginn na guitarra e o Bill Stevenson, também dos Descendents, na bateria, a mesma aceitou, mas com uma condição: que a agenda de shows não prejudicasse os seus estudos.

Black Flag da esq pra dir: Henry Rollins (Vocais), Greg Ginn (Guitarra), Kira Roessler (Baixo) e Bill Stevenson (Bateria)

Black Flag da esq pra dir: Henry Rollins (Vocais), Greg Ginn (Guitarra), Kira Roessler (Baixo) e Bill Stevenson (Bateria)

Kira Roessler participou da chamada era de ouro da banda, gravando os discos Family Man (1984), Slip It In (1984), Loose Nut (1985) e In My Head (1985). No final da turnê de In My Head, Kira deixa o Black Flag e no ano seguinte, em 1986, ela enfim se forma na UCLA.

Discografia Black Flag com Kira: Family Man (1984), Slip It In (1984), Loose Nut (1985) e In My Head (1985)

Discografia Black Flag com Kira: Family Man (1984), Slip It In (1984), Loose Nut (1985) e In My Head (1985)

Em 1987 ela se casa com o, também baixista, Mike Watt do Minutemen e juntos formam o duo de contrabaixo Dos, que mesmo após o divórcio do casal em 1994 o projeto continua até hoje, sendo a sua única ligação com a música desde então.

Mike Watt e Kira no projeto DOS

Mike Watt e Kira no projeto DOS

E foi nesse período longe da música que Kira Roessler se aproximou da indústria cinematográfica, ela já tinha uma imensa paixão pela sétima arte chegando a escrever alguns roteiros para projetos de filmes b que logo foram engavetados, e posteriormente participou de vários documentários que narram a história da cena Punk/Hardcore americana como We Jam Econo: The Story of the Minutemen (2005), que narra a trajetória do grupo Minutemen, American Hardcore (2006) que fala de toda cena Punk nos anos 80, e recentemente foi uma das entrevistadas também do documentário Filmage: The Story of Descendents/All (2013) que conta a história completa das bandas Descendents e All, ambas formadas por Bill Stevenson, seu grande amigo dos tempos de Black Flag.

Kira no documentário sobre o Descendents

Kira no documentário sobre o Descendents

Com todo esse currículo que ela passou a trabalhar na equipe de edição som na função de editora de diálogos. Simplificando, sempre quando há uma cena de dialogo nos filmes, quando há uma conversa entre dois ou mais personagens, é Kira Roessler que faz todo o trabalho de edição, deixando as vozes no mesmo volume, sem que uma se sobressaia mais que a outra, um grande trabalho de nivelamento e sincronia que requer muita dedicação, atenção e profissionalismo.

O seu primeiro trabalho na função de editora de diálogos foi no filme de terror Club Vampire (1998) e a partir daí Kira Roessler foi pegando um trabalho atrás do outro, como: Insônia (2002) do aclamado diretor Christopher Nolan, Confissões de uma Mente Perigosa (2002), A Creche do Papai (2003), Sob o Sol de Toscana (2003), Blade: Trinity (2004), Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor (2008), Appaloosa (2008), Invictus (2009), A Saga Crepúsculo: Lua Nova (2009), Sucker Punch (2011), As Mil Palavras (2012), Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (2014) e trabalhou ao lado dos diretores Zack Snyder e Christopher Nolan em o Homem de Aço (2013), entre vários outros filmes.

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Insônia (2002), Blade: Trinity (2004), Invictus (2009), A Saga Crepúsculo: Lua Nova (2009) e Homem de Aço (2013)

Além de realizar o mesmo trabalho para algumas séries de TV como: Homem Invisível (2000), no qual ela trabalhou apenas no episódio piloto, Robbery Homicide Division (2002), John Adams (2008) e em 2012 ela fez toda a segunda temporada de Game Of Thrones.

O Oscar por Mad Max não foi o primeiro prêmio na carreira cinematográfica de Kira Roessler, ela e toda equipe técnica faturou em Emmy em 2008 na categoria de Melhor Minissérie por John Adams.

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Mesmo que tardio, Parabéns Kira Roessler.

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US-OSCARS-SHOW

Na noite de ontem aconteceu a 88ª edição do Oscar, o grande prêmio da indústria do cinema, e é claro que toda a atenção da mídia, dos fãs e de qualquer terráqueo estava voltada para a categoria de Melhor Ator que contava com presença de Leonardo DiCaprio em sua quarta indicação ao prêmio, já que a sua primeira indicação ao Oscar em 1994 foi na categoria de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme Gilbert Grape.

No entanto quem também ganhou merecidamente o seu primeiro Oscar pela sua colaboração mais do que estupenda para história do cinema foi o compositor italiano Ennio Morricone, pela a trilha sonora do filme Os Oito Odiados do diretor Quentin Tarantino.

O filme Os Oito Odiados

O filme Os Oito Odiados

Conforme já noticiado aqui, Morricone já havia ganho o Globo de Ouro desse ano pela impactante trilha do novo faroeste de Tarantino e era um dos favoritos ao Oscar, mesmo disputando ao lado de outro grande nome da trilha sonora, o também maestro e arranjador James Williams pelo seu retorno triunfante à franquia Star Wars. Os outros indicados a mesma categoria eram Carter Burwell pelo filme Carol, o islandês Jóhann Jóhannsson por Sicario – Terra de Ninguém e Thomas Newman por Ponte dos Espiões, o grande épico de Steven Spielberg. Mas os “deuses” do Oscar fizeram justiça naquela noite no Dolby Theatre na Califórnia e concedeu a Ennio Morricone o seu primeiro Oscar em 87 anos de vida e 70 de carreira dedicados a embalar, com as suas canções maravilhosas, a sétima arte.

Ennio Morricone e John Williams concorriam na mesma categoria

Ennio Morricone e John Williams concorriam na mesma categoria

Apesar já ter ganho um Oscar Honorário em 2007, essa foi a primeira vez que Morricone ganhou pela sua obra vigente. Com essa, ao todo, o maestro soma seis indicações, os outros filmes indicados ao prêmio de melhor trilha, com o toque do mestre, foram: Cinzas no Paraíso (1978), A Missão (1986), Os Intocáveis (1987), Bugsy (1991) e Malena (2000).

Antes de buscar a sua estatueta, Morricone deu um forte abraço em John Williams que estava sentado ao seu lado e já no palco do Dolby Theatre fez um emocionado discurso, em italiano, no qual exaltou a pessoa do próprio Williams, agradeceu ao diretor Quentin Tarantino pela oportunidade e emocionou a todos ao dedicar o prêmio a sua esposa Maria.
Veja um trecho da premiação e do discurso abaixo

Importante ressaltar que a trilha sonora do filme Os Oito Odiados marcava o retorno do compositor ao gênero western depois de 40 anos, e a mesma foi composta sob encomenda do diretor Quentin Tarantino sem o compositor ter assistido uma cena sequer do filme e mesmo assim o trabalho, como pode ser conferido abaixo, ficou fabuloso.

Mesmo que tardio, o Oscar se fez justo, para DiCaprio e principalmente para Morricone.

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Na noite do último domingo, dia 10, aconteceu a 73ª edição do Globo de Ouro, cerimônia que premia os principais destaques do cinema e da televisão, além de ser uma grande prévia para o Oscar, que acontecerá no final de fevereiro desse ano.

Entre os vencedores estava o ator Leonardo Di Caprio pela sua atuação no filme O Regresso, que aliás foi o grande vencedor da noite sendo premiado nas categorias de “Melhor Filme de Drama” e “Melhor Diretor” para Alejandro González Iñárritu. Ganhou também a atriz Kate Winslet de “Melhor Atriz Coadjuvante” pelo filme Steve Jobs, a cantora, e agora atriz, Lady Gaga na categoria “Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV” pela série American Horror Story: Hotel. E o brasileiro Wagner Moura foi indicado na categoria “Melhor Ator em Série Dramática” pela sua impecável atuação na pele do traficante Pablo Escobar na série Narcos, mas viu Jon Hamm da série Mad Men pegar o prêmio.

Em sentido horário: Alejandro González Iñárritu e Leonardo Di Caprio, Kate Winslet, Wagner Moura e sua esposa Sandra Delgado e Lady Gaga

Em sentido horário: Alejandro González Iñárritu e Leonardo Di Caprio, Kate Winslet, Wagner Moura e sua esposa Sandra Delgado e Lady Gaga

No entanto na categoria “Melhor Trilha Sonora Original” (a que verdadeiramente interessa para esse humilde espaço) deu merecidamente o compositor italiano Ennio Morricone pela trilha do filme Os Oito Odiados de Quentin Tarantino. Morricone não estava presente na cerimônia e quem buscou o prêmio foi o próprio diretor que fez um discurso emocionado exaltando e muito o trabalho do maestro: “Morricone é o meu compositor favorito e quando digo compositor, falo de Mozart, Chopin, Schubert e Beethoven”, disse. Tarantino chegou a afirmar que o prêmio tinha um significado mais do que especial por ser o primeiro que Ennio Morricone ganhava nos Estados Unidos, mas o compositor já havia ganhado o mesmo Globo de Ouro em duas oportunidades, em 1986 por A Missão e em 1998 com A Lenda do Pianista do Mar.

Tarantino recebendo o prêmio no lugar de Ennio Morricone

Tarantino recebendo o prêmio no lugar de Ennio Morricone

Conforme já destrinchado aqui brilhantemente pelo colunista do Fila Benário Music, Willian Abreu, Ennio Morricone, de 87 anos, é mundialmente conhecido por grandes composições que se tornaram tema dos emblemáticos faroestes dirigidos por Sergio Leone, como a canção The Ecstasy of Gold, conhecida do filme Três Homens em Conflito (1966).

Em entrevista, Morricone disse que não esperava ganhar o prêmio, mas que ficou muito feliz e honrado. E quanto ao discurso de Tarantino, Ennio disse: “Tarantino exagera, é preciso um juízo histórico. O seu juízo é imediato, de uma pessoa gentil que quis fazer um elogio. Mas, é preciso esperar dois séculos para dizer o que ele diz”, ao ter sido comparado com os grandes compositores da música clássica.

A trilha sonora de Ennio Morricone para o filme Os Oito Odiados marca a volta do compositor para o gênero Western depois de 40 anos. Tarantino, um grande admirador de sua obra musical e que já utilizou músicas de Morricone em seus filmes como, Kill Bill Volumes 1 e 2 (2003 e 2004), Bastardos Inglórios (2009) e Django Livre (2013), literalmente tirou o compositor da aposentadoria, que segundos relatos, compôs toda a trilha sem ter assistido ao filme. E mesmo assim a canção de clima assombroso Overture caiu perfeitamente bem para a cena inicial do filme.

O filme em si é mais uma grande obra “Tarantinesca” que conta com os característicos diálogos que moldam a sua filmografia, além é claro de toda violência verborrágica que já lhe é esperada. E a sagrada música de Ennio Morricone vem embalar tudo isso de forma brilhante.

Que venha o Oscar.

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Quando Montage of Heck foi anunciado como o Documentário definitivo e oficial sobre Kurt Cobain, com direito a exibição do material inédito como filmagens caseiras, fotos pessoais e demo tapes, os fãs do Nirvana foram ao delírio. O Trailer feito para divulgar o filme era extremamente emocionante. Mad Max? Os Vingadores 2? 50 Tons de Cinza? Star Wars? Fuck Off! O filme mais aguardado de 2015 era para muitos, com certeza, Montage Of Heck.

E antes da exibição nacional nos cinemas, eu tive o privilégio de assistir ao documentário, e após duas horas de filme, a experiência foi insatisfatória.

Montage of Heck é um documentário não sobre Kurt Cobain e sua trajetória a frente de uma das bandas mais importantes da história do Rock, mas é um retrato de sua mente doentia. Filme intercala com cenas de desenhos animados, contando algumas passagens da adolescência do músico, algumas imagens animadas de escritos no seu diário pessoal e outras imagens aleatórias de desenhos, recortes de revistas, contendo gravações de áudio de conversas dele com pessoas como o grande amigo Buzz Osbourne, vocalista do Melvins, além de outras insanidades. Algumas coisas funcionam bem, mas no geral a experiência visual chega a ser cansativa e entediante às vezes.

As entrevistas, o elemento chave de qualquer documentário, são curtas e muitas vezes ineficientes, como no caso a entrevista do pai de Kurt, o senhor Don Cobain, que pouquíssimo falou, e o que disse em nada acrescentou.

A participação do baixista Krist Novoselic, o único membro do Nirvana presente no filme, poderia ter sido maior e melhor.

Os vídeos caseiros soam fofos e interessantes ao contar a infância de Kurt, a partir do momento que ele narra a vida louca e conjugal de Kurt com a sua ex-esposa Courtney Love, as cenas são longas, doentias e cansativas. Claro que trata de cenas reveladoras, afinal de contas na maioria das vezes, ambos estão chapados de heroína, mas deveria ter um dinamismo melhor e uma edição eficaz. As cenas são longas, com ambos dizendo coisa com coisa, totalmente deprimente.

A ausência de Dave Grohl no projeto, por incompatibilidade de agenda, também foi sentida, alias, Grohl deveria ter co-dirigido o filme, já que as suas últimas incursões na sétima arte gerou trabalhos magníficos como o documentário sobre o estúdio Sound City e a aclamada série Sonic Highways, que documentou a gravação do último álbum dos Foo Fighters em oito cidades americanas. No entanto não desmereço o trabalho do diretor Brett Morgen, que é conhecido pelo trabalho na direção e produção de grandes documentários, como o filme “O Show Não Pode Parar”, que conta a história do ator, diretor e produtor, Robert Evans.

Brett Morgen

Brett Morgen

Pelo anuncio, pelo marketing, e por toda história de envolver material até então inédito e pessoal do músico, a expectativa foi enorme, porém a decepção maior ainda.

Se você quer algo detalhista e ao mesmo tempo prazeroso de acompanhar, a biografia Mais Pesado que o Céu, do jornalista Charles Cross, continua sendo a mais importante obra já feita sobre a vida, insanidade e morte de Kurt Cobain.

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No início do mês de maio, um grande clássico do gênero terror comemorou 35 anos de lançamento: Friday the 13th, traduzido no Brasil como Sexta-Feira 13, ou simplesmente conhecido por aqui como o “Filme do Jason”.

Sexta-Feira 13 foi lançado no dia 3 de maio de 1980, dirigido, produzido e idealizado pelo diretor americano Sean S. Cunningham, com o roteiro de Victor Miller.
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Apesar de ser primeiro longa da saga de 10 filmes que a série sexta-feira 13 iria ter posteriormente, mitificando um dos maiores serial killer da cultura pop, o mudo Jason Voorhees, o filme de baixíssimo orçamento, pegou carona no sucesso do longa Helloween (1978) e trazia uma história original:

“Em 1958, um casal de adolescentes foge de um acampamento para passar uma noite romântica juntos, mas os dois são perseguidos por um assassino e mortos a facadas. Em 1979, os dirigentes do acampamento Crystal Lake decidem reabrir o local, apesar do trauma que ainda marca a cidade. Quando novos monitores são contratados, eles começam a desaparecer mais uma vez, assassinados brutalmente, um por um”

No final do filme, um grande twist – já não é mais spoiler, afinal de contas o filme completou 35 anos, né minha gente? – o grande assassino nada mais é que Pamela Voorhees, que havia sido cozinheira do acampamento Crystal Lake no ano de 1957, e assistiu o seu filho, o pequeno Jason Voorhees, morrer afogado no lago enquanto os monitores negligentes faziam sexo. Como vingança passou a matar todos, impedindo a reabertura do acampamento.

O filme que custou 500 mil dólares para os estúdios da Paramount, baixo orçamento comparado à grandes produções da época, lucrou absurdos 40 milhões de dólares nos cinemas do mundo todo, obrigando o estúdio a projetar uma sequência no ano seguinte, aproveitando o final aberto do primeiro filme, onde o jovem Jason aparece no lago Crystal Lake, considerada por muitos uma das cenas mais assustadoras da história do cinema.

E para embalar um filme tão histórico como esse, uma trilha sonora tinha que estar a altura, e o procurado para ofício foi o músico Harry Manfredini. Vindo de Chicago (EUA), Harry começou a carreira na música clássica, até se tornar músico de Jazz. Entrou no ramo da trilha sonora na década de 70, o seu primeiro trabalho foi no filme Here Come the Tigers em 79, de Sean S. Cunningham.

Harry Manfredini

Harry Manfredini

Quando Cunningham começou a produzir o Sexta-Feira 13 em 1980, não pensou duas vezes, contou com a mão santa de Manfredini, que criou um tema simples, porém emblemático, que se arrastou nos demais filmes da franquia.

Nos anos 80, a trilha sonora era peça fundamental da construção de um filme, ela ajudou a criar ambientes, fundamentar um clima e aumentar a tensão e suspense sobre a cena assistida. E a trilha sonora dentro do gênero terror sempre foi essencial. Imagine Psicose (1960) de Alfred Hitchcock sem aquela trilha sinistra. E aquele pianinho macabro tocado durante O Exorcista (1973)? Helloween que era o filme da vez na época, tinha uma trilha mais do que estupenda também tocada no piano. E como seria a trilha de Sexta-Feira?

Harry Manfredini usou de efeitos simples, porém precisos, dentro de efeitos de fantasmagóricos tocado em piano e violinos, Manfredini inseriu aquela que seria a marca registrada da trilha, o som “Ki ki – Ma ma” uma abreviação para “Kill Mama”, traduzindo, “Mate Mamãe”, um pedido do filho Jason para que sua mãe Pamela vingue sua morte.
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A trilha sonora foi um sucesso e Harry Manfredini garantiu o seu papel em mais sete filmes da franquia (Sexta-Feira 13 parte 2, 3, 4, 5 e 6, Jason vai Para o Inferno e Jason X).

Por trás de todo grande filme, há sempre uma grande trilha.

Obrigado mestre Manfredini.

Ouça a trilha completa abaixo:

 

 

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Aconteceu no último domingo no tradicional Dolby Theater em Los Angeles a cerimônia do Oscar, prêmio da industria cinematográfica para os filmes que os membros da academia julgam ser o melhor do ano.
Com certeza você já deve ter lido muito a respeito da premiação, do quanto foi insossa a apresentação do canastrão Neil Patrick Harris, do emocionado discurso da Patricia Arquette a favor das mulheres, da apresentação sensacional da Lady Gaga para os clássicos The Sound of Music e Edelweiss do filme A Noviça Rebelde e principalmente do grande vencedor da noite: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)que faturou quatro estatuetas incluindo melhor diretor para o mexicano Alejandro González Iñarritu, e melhor filme.
No entanto o filme que verdadeiramente merecia a estatueta mais cobiçada da noite era sem sombra de duvidas Whiplash.

Dirigido pelo americano Damien Chazelle, o filme (que no Brasil ganhou o subtítulo “Em Busca da perfeição”) narra a história do jovem baterista de Jazz Andrew Neyman (Miles Teller) que consegue uma vaga na mais cobiçada escola de música da cidade, o conservatório Shaffe, sob a tutela do professor tirano Terence Fletcher (JK Simmons). Se a música é vida, prazer e alegria, em Whiplash ela se transforma em tortura, dor, medo, angustia e desespero.
JK Simmons mereceu o prêmio de melhor ator coadjuvante, há tempos Hollywood não apresentava um vilão tão tirano e maldoso, mas sem perder a classe e tom cínico.

JK Simmons com prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por Whiplash

JK Simmons com prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por Whiplash

A obsessão de Andrew em ser o melhor baterista transforma o bom mocismo do personagem em um ser arrogante, pretensioso, a ponto de terminar um relacionamento e bater (literalmente) de frente com o seu mestre.
Se Birdman inovou fazendo uso de takes longos, plano sequencia e uma atuação carismática de Michael Keaton, Whiplash foi mais além construindo uma boa história, envolto da temática musical, com atuações acima da média em tom dramático.
Enfim, assistam e tiram as próprias conclusões, e no final você verá que Chazelle, ao lado de Teller e Simmons deveria levantar a última estatueta daquela noite.

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50 Tons de cinza
E estreia hoje nos cinemas de todo mundo o filme Cinquenta Tons de Cinza, baseado no Best seller da escritora inglesa E L James.
O filme é aguardado com tamanha ansiedade pelos fãs da saga na literatura, desde o vazamento do primeiro trailer no ano passado até a data de hoje, fotos de perfil das redes sociais tem sido trocadas pelo cartaz do filme, e a contagem regressiva pelo dia esperado iniciou-se com veemência. Nos cinemas aqui da região os ingressos antecipados já esgotaram, e salas extras irão exibir o filme.
E é dentro desse cenário caótico e de pura Beatlemania que me pergunto, será que vale tudo isso mesmo? O produto final corresponde a esse ardor e fervor por parte da mídia e dos fãs? Quando eu comentei com algumas amigas que pensei em escrever algo a respeito do livro rapidamente elas me alertaram que eu deveria tomar cuidado. Fiquei sem entender o porquê do receio, seria medo de escrever algo que derrubaria toda a farsa que é o livro/filme? Ou será que estamos diante de uma obra tão sagrada quanto à bíblia e o alcorão?
Não vou entrar no mérito da qualidade do livro, afinal de contas eu li o primeiro volume da saga até a metade e não tive o prazer de terminar de ler e muito menos de ler os restantes, então não sou a pessoa adequada para dizer se o produto é bom ou ruim. Assim como expor a minha estranheza de um livro que fala sobre agressão física e tortura psicológica contra mulher, ser campeão de vendas em um país onde a cada três minutos uma mulher é violentada. Mas enfim o Christian Grey é bonito e bilionário, e o que sentimos é inveja dele, diz o coro feminino.
No entanto a minha reflexão é referente à relevância e o legado que isso deixará, será que daqui trinta anos, alguém se lembrará de 50 tons de Cinza? Será que essa adaptação será tão histórica como foi Carrie, O Iluminado, Christine e outras obras adaptadas do gênio da literatura Stephen King? Ou será apenas uma comoção módica e daqui algum tempo ninguém se lembrará disso, ou pior, lembrará com vergonha de ter gostado?
Foi pensando justamente nisso, já que o nosso espaço aqui é extremamente musical, que eu separei algumas bandas que causaram o mesmo furor e estardalhaço na mídia em seu anuncio assim como o livro/filme Cinquenta Tons de Cinza, mas que depois caiu no total ostracismo, o mesmo destino que essa “obra” pode estar condenada:

Nove Mil Anjos
O primeiro exemplo que me vem à cabeça é essa banda brasileira. Na época em que foi anunciada a união de Champignon (Ex- Charlie Brown Jr.), Peu (Ex- Pitty), Junior Lima (Ex- Sandy & Junior) com o estreante vocalista Peri, o mundo voltou às atenções ao Nove Mil Anjos.
A banda foi gravar o primeiro (e único) cd na Califórnia, no estúdio ao lado do colégio onde Flea e Anthony Kiedis do Red Hot Chili Peppers estudaram. A MTV que na época já sofria uma crise criativa, abraçou a causa e fez a estreia da banda em um VMB, com uma propaganda tão forte que parecia mais a reunião do line up original do Smashing Pumpkins.
E o que aconteceu depois?

All Saints
Com o surgimento e a explosão das Spice Girls na indústria musical nos anos 90, a concorrência agiu rápido e tratou de lançar um novo grupo para rivalizar com as garotas apimentadas. A demo das All Saints chegou a London Records e foi aquele estardalhaço. O single Never Ever foi um sucesso chegando a ganhar o Brit Awards de 1998 de melhor música e clipe.
Enquanto de um lado Mel C das Spice Girls dizia ser fã do grupo rival, do outro Shaznay Lewis dizia cheia de empáfia e arrogância que o seu grupo era infinitamente melhor.
Como a vingança vem a cavalo, hoje ninguém se lembra delas.

Fort Minor
Nos anos 2000 o Linkin Park era o grupo mais bem sucedido da década. Hybrid Theory e Meteora eram nomeados os melhores álbuns dos últimos tempos e a popularidade do conjunto estava lá em cima. E foi nesse cenário favorável que Mike Shinoda responsável pela parte mais Hip Hop do conjunto resolveu lançar um projeto paralelo de Rap que segundo o mesmo revolucionaria a história do gênero.
Sob a produção executiva do rapper Jay-Z e com a participação especial de nomes como John Legend e Kenna, o Fort Minor estava formado
Alguém mais ouviu falar do grupo depois?

Rockstar Supernova
Pegando carona na onda dos Reality Shows, o canal musical VH1 teve a ideia de fazer um programa onde montaria uma superbanda com músicos renomados com a premissa de escolher um vocalista para o grupo. A banda formada por nomes como Gilby Clarke (Ex- Guns n’ Roses – Guitarra), Jason Newsted (Ex- Metallica – Baixo) e Tommy Lee (Motley Crüe – Bateria) contou com o vencedor Lukas Rossi.
Estava formada a Rockstar Supernova, que explodiu como a estrela e sumiu.

Symfonia
Seria o maior supergrupo de Heavy Metal melódico, reunindo os maiores nomes do gênero, André Mattos (ex-Angra e Shaman) nos vocais, Jari Kainulainen (ex-Stratovarius) no Baixo, Mikko Härkin (ex- Sonata Arctica) nos teclados, o monstruoso Uli Kusch (ex-Helloween) na batera, todos chefiados pelo insano guitarrista Timo Tolkki (ex-Stratovarius).
O único cd do grupo, o In Paradisum, foi tão ruim, que o projeto simplesmente morreu sem deixar saudades.

E ai 50 Tons, vai aguentar o tranco e mudar a história do cinema e da literatura, ou vai sumir sem deixar vestígios?

Daqui 30 anos a gente lê esse texto de novo!


Quando a Beatriz Sanz ficou sabendo que eu iria escrever um texto a respeito do tema, rapidamente ela me mandou uma mensagem dizendo: “Ahhhhhhhhhh deixa um espaço pra mim???”, como o seu pedido é uma honra, leiam abaixo a opinião da nossa querida Bia, a feminista:

A FEMINISTA CHEGOU PARA DERRUBAR ESSE FORNINHO HEIN

Por Beatriz Sanz

Assim como meu amigo Vinicius, eu não perdi meu tempo lendo a trilogia. EU SOU FEMINISTA. Mas eu irei ver o filme, aliás, eu estou participando de um “rolezinho 50 tons” com as minhas amigas. Provavelmente eu faltarei, pois estarei curtindo meu Carnaval, mas eu estou com uma curiosidade tremenda em torno deste filme.
Acontece que mesmo sem ter lido, eu posso criticar sim, porque 70% das minhas amigas leram e, portanto, eu já me sinto conhecedora da história. A minha primeira crítica é quanto à profissão da nossa querida mocinha indefesa! Ela precisava mesmo ser jornalista?
EU SOU JORNALISTA (ainda não formada e ainda sem diploma, mas sou). A questão não é que ela teria sujado a minha adorada profissão, mas cadê a criatividade, amigas? Lois Lane é jornalista, a Catwoman vivida por Michelle Pfeiffer em Batman – o retorno também. Além disso na atual série “The Flash”, a melhor amiga e bromance do herói que dá nome a série também é. Isso porque eu só citei histórias em quadrinhos da DC Comics. Bem, nossa querida heroína desta trama sexual poderia ter outra profissão, né?
O segundo ponto, me foi mostrado por uma das jornalistas (e essa sim já formada) que mais admiro no mundo, que leu (com muito sacrilégio) toda a trilogia. Ela me disse que são livros mal construídos, ruins mesmos e que a Anastásia é uma boba-alegre. As meninas ficarão alegres em saber que o único ponto alto da trama é o drama psicológico vivido por Christian Grey.
Terceiro e agora eu entro no mérito do feminismo. A MULHER É AGREDIDA SEXUAL E PSICOLOGICAMENTE, MAS TUDO ISSO É PERDOADO PORQUE O CARA AMA ELA? Bem, peço licença a todas as mulheres já agredidas no Brasil, pois eu irei rasgar a Lei Maria da Penha. Qual é mesmo a desculpa do agressor quando ele quer voltar pra casa? QUE ELE AMA A MULHER A QUEM AGREDIU.
Mas tudo isso é pouco num País onde a cultura é de que “mulher que apanha em casa é porque gosta de apanhar. Tem é que apanhar mesmo”. Então peço gentilmente a todas vocês que defendem a trilogia, que apanhem dos seus parceiros, porque vocês com certeza devem gostar de apanhar.

Para finalizar, eu deixo como dica para todas vocês, leitoras de E.L. James, a campanha #50DollarsNot50Shades. Esta ação consiste em você doar 50 dólares para uma associação que luta contra a violência doméstica ao invés de ir assistir ao filme. É uma boa causa e vale apena!

Campanha #50DollarsNot50Shades

Beijos, da feminista louca.
Perfil - Bia Sanz

Em tempo: Há um ano, as meninas do site Omelete fizeram um vídeo falando sobre o Cinquenta Tons, vale e muito a pena conferir.

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