Arquivo da categoria ‘Especial Fistt 20 Anos’

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E fechando com chave de ouro o especial dedicado aos 20 anos de Fistt, nós do Fila Benário Music tivemos a imensa honra e o prazer de entrevistar o frontman da banda, o Baixista e Vocalista F. Nick.
Nick nos recebeu na sede da Oba Records a sua gravadora, no domingo, um dia depois do show, para um bate papo bem descontraído onde falou dos 20 anos de carreira, dos 10 anos que o cd Vendo as Coisas Como Você comemora também esse ano, além de muitas outras novidades.
O Bate papo na integra você acompanha abaixo, e na sequencia uma resenha completa sobre o show da banda no último sábado fechando assim as comemorações dos 20 anos de Fistt:

Essa é a terceira vez consecutiva que o Fistt faz o show de aniversário da banda, podemos dizer que virou uma tradição de agora em diante?
Nós fizemos a primeira vez no ano retrasado com o Bullet Bane, no ano passado com o Dance Of Days e dessa vez com o Pense, é o terceiro ano seguido que a gente faz até porque na verdade a gente toca pouco em Jundiaí, a gente toca uma vez por ano na cidade, a gente tocou na Festa da Uva (tradicional festa da cidade) no começo do ano que foi um show extra assim, mas a gente toca só uma vez por ano aqui em Jundiaí mesmo. E tende a virar uma tradição sim e repetir nos próximos anos, quando o Fistt toca em Jundiaí somos nós que organizamos os shows, então no ano que vem com certeza vai rolar de novo, a gente pega banda de algum camarada nosso que nós queremos tocar juntos, convida e fazemos o show. Mas no ano que vem teremos de novo com certeza, se a gente aguentar até lá vai ter (risos).

Além dos 20 anos de carreira, o Fistt comemora 10 anos do lançamento do terceiro disco da banda Vendo As Coisas Como Você, que é um disco totalmente diferente do restante da discografia da banda. Comente um pouco sobre esse disco, se você gosta dele, se ele tem espaço dentro do set-list da banda nos shows, enfim, qual é a relação do Fistt com esse cd?
Nós estamos com cinco discos de estúdios lançados, a gente tenta colocar um pouco de todos no repertório, não temos preferencia nenhuma de colocar mais músicas de um determinado álbum do que de outro. A gente tem o Finais Iguais, Histórias Diferentes (2001) que é o disco mais conhecido e as pessoas querem ouvir mais músicas dele e eu acho bem óbvio , acho normal não me incomoda em ponto algum, mas a gente toca sempre umas três quatro músicas do Vendo as Coisas… e algum momento a gente deve fazer um show especial dele assim como a gente fez com o Finais Iguais, então pode rolar sim.

Em relação dele ser o álbum mais diferente da discografia da banda, ser um disco mais pesado, o que você acha que contribuiu pra isso, foi o momento que vocês gravaram que acabou influenciando para essa sonoridade mais pesada? ou pelo fato dos dois novos integrantes na época os guitarristas Bauer e Rudy?
Não não, eu acho que integrante não tem nada a ver não, na verdade todos os discos nossos são bem diferentes um do outro, os que estão mais próximos assim são o Finais Iguais… e Como Fazer Inimigos (2008), que são discos mais próximos. Mas não é cara, a gente estava afim de fazer algo daquele jeito, mas eu também não vejo muita diferença dele em relação aos outros, na verdade eu acho ele uma continuidade do Finais Iguais… que já tem bastante musicas com letras elaboradas e o Vendo as Coisas… veio depois justamente para completar mas não é o “patinho feio” da banda não, a gente gosta dele sim.
É que é assim, ele não é um disco que a gente bate muito em cima dele nos shows, a gente toca mais as musicas que tem clipe (no caso Medo), mas de repente como eu falei podemos fazer um show dele na web (como a banda já fez em comemoração dos seus 20 anos na última semana) enfim, alguma coisa a gente vai fazer.
Agora quanto aos integrantes não tem nada a ver porque o Bauer mesmo ele entrou na banda na turnê do Finais Iguais…, ele já tava ali, o Fabrízio (Martinelli, ex-guitarrista) saiu da banda quando saiu o Finais Iguais, o Bauer entrou em seguida, ele participou de todo o processo de composição e tudo mas ele já estava de antes praticamente, só não lançou o Finais Iguais mas ele estava ali, assim como o Birão (Baterista).

Tanto que na primeira tiragem do Finais Iguais não tinha o nome do Bauer e na segunda já tinha né?
Sim, já tinha, o Fabrízio foi pro Street Bulldogs logo quando saiu o Finais Iguais…, ai daqui a pouco o Fabrízio já estava no Hateen e em tudo quanto era lugar (risos), menos no Fistt (gargalhadas). Mas o Bauer estava ali ele participou de tudo, então não acho que foi a entrada de integrantes que influenciou, acho que foi o momento mesmo, a gente quis fazer um negócio um pouco mais elaborado e depois no Como Fazer Inimigos a gente voltou a fazer um pouco mais solto.

Em 2010 com o lançamento do cd Como Fazer Inimigos, o Fistt teve o seu álbum distribuído pela Sony Music, você conseguiria imaginar o Fistt dentro do mercado Mainstream?
Naquela época o legal do Mainstream era a distribuição, e distribuição era uma coisa que interessava pra gente porque a gravadora mesmo não fez absolutamente nada pela gente. Na verdade ela fez o que combinou: lançou e distribuiu, colocou nos “.com” e tudo que tinha que ser feito, mas não houve um clipe, não houve um vídeo, não houve nada pra divulgar, mas a consciência que eu tenho do Fistt eu acho que somos uma banda que está legal dentro do underground mas uma banda pequena demais pro mainstream, então eu não sei cara não da pra ficar falando o objetivo da banda, eu acho que toda banda tem essa ambição de tipo uma gravadora chegar e dizer: “viu, eu vou distribuir o seu disco melhor”, pô é legal pra banda sabe? Eu que acho se você monta uma banda o teu interesse é o seu som chegue em algum lugar. Quando você fala em Mainstream as pessoas pensam muito em rádio, Domingão do Faustão e na coisa toda. Por exemplo lá fora não acontece isso, você tem gravadoras independentes grandes ou até mesmo o Mainstream trabalha com bandas que estão nesse meio que a gente está. É que no Brasil é esquisito, você não tem o meio do caminho, ou você é muito Underground você está na sarjeta você tem que se fuder, ou você é demais, a banda não consegue sobreviver no meio do caminho no Brasil, é difícil, veja só os meninos do Pense (MG), eles estão tocando pra baixo e pra cima mas pergunta pra eles se dá pra viver de música? não dá. Ninguém consegue fazer isso e é desrespeitoso isso com a banda, já aconteceu com a gente aqui no Fistt, a gente já chegou a largar o emprego, largar as coisas pra viver daquilo e você não consegue nem ter o mínimo, você não consegue nem ter um som descente as vezes. Então é foda cara, o Brasil é ingrato com isso, é ingrato pra caramba, mas é igual eu falo: a gente faz porque a gente gosta, se a gente não gostasse a gente ia estar plantando banana (Risos).

Falando em gravadoras, você tem a Oba Records que além de ser a gravadora oficial do Fistt, já lançou diversos artistas no mercado independente. Como está a Oba hoje? ela só tem o Fistt em seu casting ou está a procura de novos artistas?
Não, eu só trabalho com o Fistt mesmo, pelo menos por um bom tempo eu não tenho intenção nenhuma de pegar mais bandas assim cara. Gravadora ela depende muito de venda de disco, esse tipo de coisa, e esse poder hoje tem que ser dado as bandas, igual eu falei pra você, é difícil pra uma banda sobreviver, não que a gravadora ganhe milhões, não é isso, não é nada disso, a gravadora ela ajuda a banda a distribuir, ajuda a chegar dentro das nossas proporções, limitações e aquela coisa toda, mas se a banda está conseguindo fazer isso por conta, esse poder tem que ser dado a ela. O Fistt mesmo tem total poder em cima de suas decisões, a Oba é apenas mais um meio de divulgar a banda, como uma imprensa, é difícil nesse meio você que tem banda mandar um material pra imprensa e pedir pra publicar, a gravadora consegue fazer isso, eu consigo mandar um release pra imprensa. Você, você mesmo tem um blog, você publica, sabe que na internet é muito mais fácil, quantas bandas te mandam mandam material pedindo pra você divulga-las?

Algumas…
Não é muito mais fácil a gravadora fazer isso pra você? A gravadora não manda pra você: “Ei essa é a banda tal, ouça ai”, não pelo contrário eles mandam algo como: “Nós somos a gravadora tal, e estamos divulgando a banda tal, e que está tocando em tal lugar”, é diferente a comunicação e isso é legal, mas assim voltando só o lance das bandas, hoje elas estão todas no meio independente e isso é legal cara, é o poder em cima do lado artístico da banda, é o “eu quero fazer desse jeito e eu quero que se foda”, não vai ter ninguém enchendo o saco pedindo pra você fazer um monte de coisa.

Falando agora em novos projetos, eu me recordo que no ano de 2012 você postou no seu perfil do Facebook que o Fistt estaria lançando futuramente um CD com uma sonoridade mais limpa, mais clean e iria se chamar Sorria, tem planos desse CD ser lançado? e quando?
Então a gente já abortou o projeto (risos), cara eu joguei nesse meio tempo três CD’s fora, eu escrevi três discos e joguei todos fora, é sério, a gente escreveu um esse ano e eu descartei o disco. É assim, eu começo a fazer os discos e ai eu falo: “caramba esse disco ta legal”, mas ai se me dá cinco minutos eu falo que não está mais legal e descarto o disco. Eu tenho um monte de música pela metade sabe? então rola muito isso, e os meninos da banda me dão essa carta branca sabe? eles falam: “faz ai cara, escreve as músicas e a gente ajuda a finalizar depois”, mas eu já descartei varias coisas muitas vezes e vou fazer ai mais centenas de vezes (risos).

Mas teremos a oportunidade de ter material inédito do Fistt em breve?
Esse ano não vai dar tempo, a gente está com bastante shows, vamos tocar até o final do ano, mas vamos ver no ano que vem. Mas ai cai naquele assunto que a gente já falou cara, nós somos uma banda de 20 anos e é legal a gente lançar material novo, mas as pessoas querem ouvir infelizmente ou felizmente as coisas antigas, então é complicado pra caramba, a gente lançou um EP agora (Hasta la Vista Junior!) e não tocamos nenhuma música dele ao vivo, é engraçado falar isso mas isso acontece, raramente tocamos uma música dele, e não é porque a banda não gosta, é porque as vezes funciona tocar as músicas que a galera gosta, dar o que a galera quer. Mas vamos fazer algo sim, eu gosto de ir pro estúdio (risos).

Falando nisso você nos surpreendeu com a sua mais nova carreira solo, lançando um EP todo acústico (Zero Zero Nada) com algumas músicas do Fistt e uma inédita. Então gostaria de saber como vai essa carreira? se teremos mais músicas em breve ou se você irá sair em turnê?
Você ficou surpreso de verdade com aquilo? (Risos)

Eu fiquei ué… achei interessante, um Dashboard Confessional da roça (Risos)
Aquilo foi uma brincadeira, eu fiz aquilo pra mim na verdade, era um projeto que tinha ai eu pensei: “cara, quero fazer um negócio solo, como eu vou fazer não quero nem saber”, ai peguei fui lá e gravei cara, gravei em dois, três dias, fiz pra mim, ai o pessoal começou a falar: “pô vamos lá fazer um show”, mas eu não vou fazer show acústico sabe? não é a minha pegada, bastante lugar já me pediu: “não Nick, vamos fazer o seu show, você voz e violão”, não, eu não fiz pra isso eu fiz pra mim, se as pessoas gostaram eu fico feliz que elas tenham gostado, mas não vou fazer show disso.
Agora a gente está começando a mexer no outro EP, ai vai ser plugado, tem uma banda que inclusive contará com o Alê que foi o primeiro baterista do Fistt, o Paulinho Veloz (Ex- Way For Out, UTC e Revanche) vai produzir pra mim, mas ai é outra vibe, vamos fazer umas músicas e a gente vai gravar. Se vai fazer show eu já não sei também, mas não é prioridade.

Nesses 20 anos de trajetória do Fistt qual foi a melhor coisa que já te aconteceu e o que ainda te irrita?
A cara tem um monte de coisa legal, o legal é a amizade que você faz com a galera, isso daí é o que fica, todas as outras coisas passam. A gente tem uma discografia bem coerente, a gente faz discos bons e isso é legal, não é uma banda que o pessoal fala: “nossa que disco merda eles fizeram” e depois fala: “nossa que disco legal” de ficar variando sabe? a gente não é assim, se for pra fazer uma merda a gente não faz, fica sem fazer, eu sou disso saí, eu fico puto com as bandas que eu gosto quando lançam porcaria, se for pra fazer coisa mais ou menos eu não faço não. Então cara da parte legal é isso, os amigos que você conhece no rolê, e depois de 20 anos você ainda estar tocar é bacana, eu era muito novo eu montei a banda com 15 anos, sou um cara novo tenho 36 anos ainda tenho lenha pra queimar, aguento mais um pouco.
Agora de coisa ruim cara… se for ligar pra coisa ruim é melhor nem montar uma banda, porque dá merda pra caramba, se for pra você não ter coisa ruim na vida monta uma caderneta de poupança e fica em casa (risos).

Mas não te irrita as vezes você com 20 anos de carreira ver que tem publico que prefere assistir uma banda cover do que uma banda com trabalho autoral como vocês?
Não, não me irrita não cara, na verdade a gente toca pra quem gosta da gente, não tem como eu pegar um cara e dizer “olha a minha banda, ela é legal” e descer a goela abaixo, é impossível fazer isso, não tem como e não é democrático também. Logico que é muito mais legal, querdizer na minha cabeça, é muito mais legal ver uma banda autoral que os caras estão lá ralando pra escrever, pra gravar, pra fazer tudo, do que ver uma banda cover. Mas cara tem espaço pra todo mundo, eu acho que o que prevalece é o respeito, a gente tem que respeitar as diferenças, e isso é uma diferença, então sei-lá, quem gosta, gosta e continue indo , muito obrigado, e quem não gosta não vá, pelo menos não enche o saco de quem ta tocando (risos).

Fistt e Pense quebram tudo no Aldeia Rock Bar – 16/08/2014
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O Aldeia já virou referencia para os amantes do Rock n’ Roll na cidade de Jundiaí, uma casa aconchegante, acolhedora com um serviço de bar eficiente e uma excelente acústica receberia naquela ocasião um dos shows mais emblemáticos por ali já ocorrido, tratava-se do show em comemoração aos 20 anos do genial Fistt. O ambiente era de total animosidade, entre a plateia, ilustres personagens da cena undeground jundiaiense se encontravam e abraçavam fraternalmente, relembrando os velhos tempos, tirando sarro das marcas que o tempo deixou em cada um, como a barriguinha saliente, os cabelos ralos entre outras velhices, porém algo era unanime, todos relembravam com carinho da importância do Fistt nesses vinte anos na cena musical de Jundiaí. Tudo isso embalada pela trilha sonora preparada pelo DJ Fish Nothing que preparou um set-list muito especial mesclando Rancid, Bad Religion, Dead Kennedys, At The The Drive-In, Foo Fighters e Metallica.
Já era mais de meia noite quando os mineiros do Pense subiram no palco do Aldeia para apresentar para todos os presentes  seu Hardcore Violento, com claras influencias de Comeback Kid e Rise Against (nos primeiros álbuns já me apreço a dizer). Na ocasião os garotos apresentaram as músicas do seu mais recente trabalho Além Daquilo que Te Cega e foi muito bem aceito pelo público. Enfim, sangue novo na cena e isso é muito bom, parabéns rapaziada.

Lucas (Vocal) quebrando tudo com a banda Pense (MG)

Lucas (Vocal) quebrando tudo com a banda Pense (MG)

Depois de uma breve espera para os últimos ajustes no som: F. Nick (Vocal e Baixo), Dulino (Guitarra), Ricardo Drvz (Guitarra e Vocal) e Birão (Bateria) sobem no palco ao som de The Good, The Bad, The Ugly clássica canção do maestro Ennio Morricone para o filme de mesmo nome e muito utilizada pelos Ramones na abertura dos seus clássicos shows.
“Boa Noite Jundiaí, nós somos o Fistt” e foi com esses dizeres de Nick que a banda começou o massacre sonoro com a pesada Nada Por Você. Aquecendo canção que abre o cd Como Fazer Inimigos (2008) veio logo na sequencia preparando o território para o outro massacre que viria a seguir, o tradicional hino Hardcore na Veia, cantando em uníssono pelos presentes.
Conforme prometido na divulgação do evento o show contaria com participações especias de ex-integrantes da banda e a primeira foi do guitarrista Adriano Bauer que teve uma passagem na banda entre 2001 á 2006 e executou a pesadíssima canção Medo do grandioso e incompreendido álbum Vendo as Coisas Como Você (2004) que nesse ano também completa 10 anos de lançamento.
O show deu sequencia com os hits Garrafas, Paraotempo, a auto-sátira Pobre F. Nick, Minduim e Todo Amor Morre Abandonado, essa última teria a participação especial do guitarrista Crildo, porém ele não compareceu. Um adendo importante a ser feito é como passar dos anos tem feito bem ao Fistt, a banda continua com a mesma energia de outrora porém mais revigorados e técnicos e o principal destaque vai para a dupla de guitarristas Dulino e Ricardo, enquanto o primeiro toca com competência todos os clássicos solos e oitavadas registrados nos discos, o segundo deu um novo folego a banda fazendo excelente backing vocals (já que o mesmo lidera os vocais da banda Sallys Home também) e com uma presença de palco marcante, pulando, agitando, vibrando por estar ali e convidando todo público a se divertir também.
Canções do primeiro cd da banda, o clássico Pamim, Panóis, Pocêis (1999) estiveram presentes no set-list como: Não, O Quartel e Spok, essa última contou com a participação mais do que especial do ex-baterista Alê.
Vinteum considerada por muitos a música mais emblemática do Fistt e eleita uma das “100 melhores músicas do cenário independente” segundo o jornalista Wladimyr Cruz (Zona Punk), colocou o Aldeia abaixo.
Rudy o grande ex-guitarrista do conjunto que faleceu no ano passado foi homenageado com muita emoção na canção Um Herói que teve a participação especial de sua esposa Aline Tiene nos vocais.
Finais Iguais, Histórias Diferentes e a versão de A Turma foi desenhando o final do show que encerrou de forma emblemática com a canção Se Todo Filho de Deus Fosse Maconheiro com a participação especial de Vardo Dariva, irmão de Nick e Ricardo, nas guitarras (eita família musical hein?) e com o palco praticamente invadido pelos fãs e ex-integrantes da banda que cantavam com o empolgação e muita alegria a canção tocada.
Fim de festa, todos foram para casa felizes e contentes. Com certeza foi mais um capitulo muito importante escrito nessas “Histórias pra Contar”.

F. Nick, Ricardo, Birão e Dulino, Parabéns rapaziada!!!

Repertório

Nada Por Você
Aquecendo
Hardcore na Veia
Medo (Part. Especial: Adriano Bauer – Guitarra)
Garrafas
Paraotempo
Pobre F. Nick
Minduim
Todo Amor Morre Abandonado
Não
Madrugada
Vendo As Coisas Como Você
Meu Amigo Copo
O Quartel
Spok (Part. Especial: Alê – Bateria)
Vinteum
Um Herói (Part. Especial: Aline Tiene)
Finais Iguais, Histórias Diferentes
A Turma
Se Todo Filho de Deus Fosse Maconheiro (Part. Especial: Vardo Dariva – Guitarra, Alê – Bateria e mais um bando de loucos)

Ao som de Ana Cañas – Esconderijo

Fala galera
Indo pra penúltima parte do nosso especial dedicado aos 20 anos dos nossos heróis da Jundroça o Fistt, segue abaixo o cartaz do show que acontecerá hoje em Jundiaí no Aldeia Rock Bar.
O show especial contará com músicas de todos os cds e participação de ex integrantes. A abertura do evento ficará a cargo da banda Pense (MG) que estará lançando o seu cd Além Daquilo Que Te Cega.
Se eu fosse você não perderia de jeito nenhum:

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Pra você que é da capital, o Fistt estará se apresentando amanhã no tradicional Hangar 110, juntamente com as bandas Pense, Monday Sucks e The Fingerprints:

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Na última terça-feira (12/08) o Fistt fez um show ao vivo no Estúdio do Chapola (Jundiaí – SP) e foi transmitido em tempo na real na internet, pra quem perdeu, o show está na integra abaixo:

http://youtu.be/p7BV39dxrxo

Isso galera, bora prestigiar essa galera maneira com o seu “Punk Rock na área e Hardcore na veia”.

Amanhã voltamos com a última parte do nosso especial.

Ao som de Fistt – New School 99

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Indo pra quinta parte do nosso especial em comemoração aos 20 anos da banda jundiaiense (SP) de Hardcore, Fistt, hoje nós vamos contar um pouquinho da história do selo Oba Records, criado pelo F. Nick, vocalista da banda, a princípio para lançar os trabalhos do Fistt, porém com o passar dos anos o selo foi crescendo e se tornou uma referencia para música independente no início do milênio.
A Oba Records foi fundada exatamente no ano de 1998, e o seu primeiro lançamento foi justamente a segunda demo-tape do Fistt, a Paraotempo. No mesmo ano a gravadora lançou também as demo-tape das bandas Kaktus Erctus (Volta as Aulas), Estado Alterado (Pobre Assalariado) e do genial Burt Reynolds (Is It Right? Is It Wrong?) famosa guitar band de Jundiaí que continua na ativa até presente data. A primeira Demo Tape do Fistt a Çonzeira que foi lançada no ano de 1996, também foi reeditada e lançada via Oba Records no seu ano de fundação.
No ano seguinte foi a vez do tradicional Avéia Kuaker, também de Jundiaí, lançar a sua primeira demo-tape via Oba Records intitulada de HC na Véia, e foi no mesmo ano que a Oba Records produziu o seu primeiro cd, e adivinha de qual banda? Sim, o Fistt, com o álbum Pamim, Panóis, Pocêis que compilava as duas primeiros da banda.
A partir daquele momento a Oba Records passou progredir aceleradamente e as mais importantes bandas da cena independente integraram o cast da gravadora: Killi, Alternative System, Positive System, Instinto, Seven Elevenz, Charlieroad, Cueio Limão, Self Defense, FHA, Worms, Iupi, Nosux, Vinte! além da italiana Kalashnikov só pra citar algumas.
Na virada do milênio a Oba Records teve o privilégio de lançar o mais recente cd na época de uma das mais importantes bandas de Punk Rock dos anos 80, Os Replicantes. E aproveitando a febre Emo na época, bandas do gênero como Shif e Vida tiveram os seus primeiros trabalhos lançados via Oba Records.

Escolhi abaixo dez disquinhos fundamentais lançados pela Oba Records para que você possa conhecer e cultuar; A grande maioria infelizmente está fora de catalogo, mas é possível achar nos 4 Shared da vida.
A lista está em ordem cronológica, e como destrinchei toda a discografia do Fistt em post atrás, os nossos herois da roça ficarão de fora dessa listinha:

Os Dez Melhores Discos da Oba Records por Fila Benário:

1 – Varios – 30 Segundos é Muito (2001)
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E já começamos a lista com esse projeto ousado onde F. Nick reuniu nada mais nada menos 138 bandas em um único cd, mas com um diferencial, cada uma tocando apenas 30 Segundos!!! Exatamente: apenas 30 Segundos, e já foi  suficiente pra esse cd ser cultuado pelo país todo e ser um fenômeno de venda na cena independente.
Entre as 138 bandas presentes tem o Sick Terror do Nene Altro do Dance Of Days, o Killi, ACK, Positive System, Emo. e o próprio Fistt com a seminal 2 e 10.

2 – Kalashnikov – Bandiera de Bruciare (2001)

A primeira e unica banda internacional do cast da Oba Records chegou chegando, os Italianos do Kalashnikov apresenta um Punk Rock sisudo, agressivo, mas interpretado com ar angelical graças aos belos vocais da vocalista Cinzia. Porém diferente dos seus inúmeros conterrâneos que compõem canções em inglês, o Kalashnikov canta tudo em sua lingua nativa, o que deixa o trabalho ainda mais sensacional de se apreciar.
Os principais destaques do EP Bandiera de Bruciare são Isanti Crudeli della GiovenezzaBerlino est 1980.
Lindo e impactante

3 – Alternative System – Meus Sonhos (2002)
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Vinda também do interior paulista (Itapira), a banda Alternative System quando lançou esse debut álbum já tinha 9 anos de carreira.
Como o próprio título deixa claro, o álbum é a realização de um sonho tanto da banda quanto de F. Nick que sempre declarou ser um admirador da sonoridade do conjunto que alterna entre o veloz Hardcore melódico e momentos de amenidade emocional.
Meus Sonhos conta com os grandes clássicos da banda como Homosapiens, Esquecimento, Aparencia, Guerra Civil e Ignorar, essa ultima o Fistt regravou em seu terceiro cd Vendo as Coisas Como Você (2004).

4 – Killi – Menos Um (2002)
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Um dos meus cds favoritos da Oba Records, o Debut álbum do grupo paulistano Killi liderado pelo casal Mariana e Paulinho vem recheado de canções com levadas Poppy punk adocicadas graças a voz graciosa e angelical de Mariana.
São 12 faixas de letras sussurradas e conflitos teenager, tudo muito bem tocado e sincero.
Os principais destaques ficam para os hits: Que Horas São, Engano, Deixa Eu Dormir e a sensacional Eu Não Gostei de Ver Você (Porque Você Não Sai Daqui?), além da Pop Longe do Abrigo e uma versão Punk do clássico Estupido Cupido de Celly Campelo.
Que mané Paramore o que, é Killi na Veia!!!

5 – Avéia Kuaker – Difícil de Esquecer (2003)
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E o grande Avéia Kuaker de Jundiaí finalmente lança o seu primeiro cd.
Difícil de Esquecer vem trazendo o que a banda faz de melhor, um Hardcore Melódico bem na linha Face To Face e Pennywise com letras confessionais e teenager, tudo isso aliado ao vocal choroso (no bom sentido) do grande Chiquinho, a lenda jundiaiense.
Difícil de Esquecer é o grande carro chefe do disco ao lado do grande hino da banda HC na Véia que retrata a história de uma senhora que se incomodava com o barulho causado pelo ensaio dos garotos.
Hilário.

6 – UTC – EP (2003)
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O UTC com certeza era a banda mais pesada do cast da Oba Records, também de Jundiaí, o Quinteto trazia em sua sonoridade muita influencia do pesado Hardcore Nova Iorquino de bandas como Madball e Agnostic Front.
Esse EP de apenas quatro músicas serve como aperitivo para mostrar o grande poder de fogo que a banda tinha nos palcos.
Impossível escolher uma unica canção, na duvida fique com todas: Quem Perdeu, Mudanças, Só Mais Uma Canção e Pessoa Pura.
Importante ressaltar que o UTC foi a banda que projetou o guitarrista Rudy para a cena alternativa e esse por sua vez deixou a banda para integrar o Fistt, e esse por sua vez foi substituído pelo Bauer que na época ainda era Guitarrista do Fistt, assim completando a “brodagem”.

7 – Cueio Limão – Quem Matou o Bozo? (2004)
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Depois do Finais Iguais… do Fistt esse é o meu cd favorito da Oba Records. Quem Matou o Bozo? foi o cd que projetou o Cueio Limão para o cenário nacional.
Fazendo uma linha melódica e muito bem tocada, a banda aloprava nas letras cheia de referencias a desenhos e seriados antigos, além de piadas internas como o caso de Prego que narra a história de um jovem que não tem intimidade nenhuma com o Skate, mas tem desejo de ser Skatista.
Todas as canções do cd Demo Hardcore do Mato estão presentes em Quem Matou o Bozo? porém repaginadas.
Destaque para Mario que conta com os Backing Vocals de F. Nick.
Sensacional

8 – FHA – Pulgueiro In California (2004)
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A primeira vez que o ouvi a banda paulistana FHA foi justamente no quartel general da Oba Records, estava eu lá uma linda tarde comprando um cd do Dance Of Days enquanto F. Nick fazia a arte do cartaz de um show que iria acontecer em Jundiaí dias seguintes com a participação do Fistt, UTC, Want One, No Reason At All, Ted Bear e o FHA. Como essa banda era a unica que eu desconhecia, eu tratei de perguntar quem era, e Nick sem pensar duas vezes me colocou o video clipe da canção Radicalismo Total da banda pra eu assistir, e ali começou o caso de amor, fui ao citado show, vi a banda In Loco, adorei (ainda mais a versão Hardcore que eles fizeram de Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio? dos Ramones), comprei o cd e logo fiz amizade com o pessoal, Carlinhos era uma figuraça, gente finíssima.
E o cd é um pancada, porradas como Capitalismo e Discriminação se encontra com hilarias como a já citada Radicalismo Total e a faixa título.
No ano de 2005 o Baterista Nene comete suícidio e tempos depois a banda encerra as suas atividades…

9 – Havana 55 – Rádio Espetáculo (2004)
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Foi em um Oba Fest – Festival Anual da Gravadora – em 2004 que eu conheci o Havana 55 e ali foi paixão a primeira ouvida, diferente do que estava rolando na época que era uma massiva sonoridade Emocore, o Havana simplesmente resgatou toda a simplicidade do Rock n’ Roll dos anos 50, é possível encontrar na sonoridade dos garotos elementos de Beach Boys, Beatles, Buddy Holly e até mesmo Ramones circa Leave Home, e o melhor, tudo (muito bem) cantado em Português.
Uma pena foi eu ter perdido o cd (ou me levaram embora) e agora ele estar fora de catalogo.

10 – Os Replicantes – Go Ahead (2005)
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O próprio F. Nick me confidenciou que estava de bobeira um dia na tradicional Galeria do Rock em SP e encontrou com ninguém mais e ninguém menos que Wander Wildner dos Replicantes por lá, e entre uma conversa e outra Wander contou que a banda havia gravado um cd mas que não encontrava gravadora nenhuma para lançar, sem ao menos pedir ele jogou o trabalho na mão de Nick e disse:
– Oh lança a gente ai no seu selo.
E esse cd virou Go Ahead, um grande álbum que resgata toda a história de uma das mais emblemáticas bandas de Punk Rock da década de 80 em canções novas como Falcatrua e clássicos revistados como O Futuro é Vortex.
Talvez foi esse o último grande lançamento da Oba Records, sem contar os álbuns do Fistt é claro.

Se deliciem cambada, amanhã tem mais…

Ao som de Killi – Deixa Eu Dormir

 

 

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Indo pra nossa quarta parte do especial em comemoração aos 20 anos da banda Fistt, hoje iremos relembrar o sensacional show organizado por F. Nick, Mirtão e o seu selo de propriedade da banda Oba Records que aconteceu no distante ano de 2002 em Jundiaí (SP) e que de certa forma abalou as estruturas da humilde cidadezinha.
O texto infelizmente carece imagens e vídeos até porque na época câmera digital era um sonho distante, celular só fazia ligação e eram poucos que tinham, resumindo não éramos escravos da tecnologia, mas a memória de quem estava lá, como esse que vos escreve, lembra muito bem de como foi tudo:

Era dia 13 de Março de 2002 quando Mirtão, então guitarrista da banda Fistt, organizou aquele que seria o evento que mudaria pra sempre a história da cidade de Jundiaí, o “1º Festival de Hardcore” chegava com os dois pés no meio do peito trazendo um Line-Up de peso contendo o que havia de melhor na cena independente e mainstream do Hardcore: o próprio Fistt, os donos da casa que na época havia recém lançado o álbum Finais Iguais, Histórias Diferentes e que já era um sucesso de vendas na região. Os veteranos capixabas do Dead Fish que causava um certo alarde na cena independente com o hypado cd Sonho Médio, e pra fechar a noite com chave de ouro, o grupo Paulistano CPM 22 que na época começava a gozar do sucesso mainstream graças ao lançamento do seu primeiro cd auto intitulado pela gravadora major Arsenal Music e com hits como Regina Let’s Go, Tardes de Outubro e O Mundo dá Voltas tocando incansavelmente nas FM’s da vida. Além das bandas das abertura, as estreantes: Cueio Limão e Self Defense. Enfim um show histórico e pra ninguém botar defeito.
O show aconteceu no tradicional clube jundiaiense Grêmio C.P, muito conhecido na época por suas tradicionais domingueiras e curiosamente citado na letra da música Não do Fistt, registrado no primeiro cd do conjunto Pamim, Panóis, Pocêis:

“Não, não tenho dinheiro
Não, não vou no Grêmio
Não, não gosto de mel, e é por isso eu não vou na Babel”.

Os ingressos obviamente se esgotaram com tremenda facilidade meses antes do show, e era possível analisar isso devido quão lotado estava os arredores do clube antes dos shows começar. A alegria entre os presentes era visível, afinal nunca um show desse porte havia acontecido com essa veemência em Jundiaí, alias corrigindo: no ano anterior a Oba Records já havia organizado um show do mesmo porte trazendo justamente o CPM 22 (mas sem a fama que o acercava no momento), os cariocas do Carbona e o Holly Tree (se não me falha a memória), além do Fistt.
Depois de uma pequena confusão do lado de fora onde alguns “vândalos” começaram a chutar os ônibus que passavam pela rua, e esses foram agredidos por “”punks”” que achavam que a paz se prega na porrada, esse mero detalhe ruim se esfarelou dentro de um Grêmio abarrotado de gente por todos os lados, e após uma discotecagem totalmente surreal que ia de Nirvana a Ultraje a Rigor e de Planet Hemp a Jimmy Eat World, eis que começaram os shows:
“Nós somos o Cueio Limão, viajamos 17 horas pra tocar aqui”
E foi com esses dizeres do guitarrista e vocalista Mano, que o Cueio Limão (de Dourados -MT) abriu a festa com a canção Prego, mostrando o seu Hardcore enérgico e divertido, e fazendo agitar uma multidão que não fazia ideia de quem eles eram, inclusive eu que fiquei perplexo com os garotos.
O repertório foi todo baseado na sua demo intitulada carinhosamente de Hardcore do Mato, com as canções: Maçarico Love Song, Simon’ Song, Cornélio, Amor do Cão e uma que graças ao seu refrão chiclete ficou grudado na cabeça dos presentes: Mário. Ainda houve tempo para as covers de NOFX (Muder The Government) e uma versão surreal de The KKK Took My Baby Away dos Ramones, já que na presente data fazia apenas um ano da morte do grande Joey Ramone.
Logo após o show dos garotos eu me lembro que corri na banquinha dentro do recinto e comprei a demo deles na qual eu guardo com muito carinho até hoje.

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Na sequencia veio o Self Defense de Curitiba, mantendo o pique enérgico do Cueio Limão, mas com letras e temáticas mais sérias comparadas aos garotos de Dourados. Fez uma apresentação muito boa, apresentando as canções do seu futuro disco (que mais tarde seria lançado pela Oba Records) e com direito a cover de Peaceful Day do Pennywise. Porém o momento surpresa da apresentação foi uma versão sensacional que eles fizeram de Little Respect do Erasuse, se você não sabe ainda que música eu estou falando ouça abaixo:

E eis que surge a hora do santo da casa fazer milagre: F. Nick (Vocal e Baixo), Mirtão (Guitarra), Bauer (Guitarra) e Birão (Bateria), o Fistt, subiram com status de heróis da roça no palco do Grêmio e colocaram toda galera pra cantar junto. Os primeiros acordes de Vinteum o grande clássico da banda fizeram ecoar o local e impressionante como a plateia cantava tudo uníssono.
O repertório foi o show a parte, tudo que era clássico estava lá: New School 99, Nada Por Você, Minduim, Paraotempo, 2 e 10, Quem Fica Por Último, Madrugada, Um Herói e claro o hino Hardcore na Veia.
Menininha foi dedicada “a toda galera que acompanhava a gente no Bar do Bilé”, tradicional boteco de Jundiaí onde o Fistt fez as suas primeiras apresentações. Ainda no clima honroso a memória de Joey Ramone o Fistt tocou o clássico Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio? dos Ramones.
E como time que joga em casa tem bonus point, a banda contou com a participação do ex-baixista Favela em duas das mais clássicas canções do grupo: Não e Se Todo Filho de Deus Fosse Maconheiro.
O Fistt foi ovacionado por todos os presentes e confesso que senti orgulho tremendo de saber que a minha cidade natal tem um representante tão impactante e genial como o Fistt na cena Hardcore Nacional.
E o festival continuou com as apresentações de Dead Fish e CPM 22, de um lado o Dead Fish fez um show burocrático e competente tocando de cabo a rabo as canções do seu clássico cd Sonho Médio causando histeria em uma horda de fãs apaixonados pela banda, e do outro lado o CPM 22 fez um show muito bom mas liberto das amarras da cena independente e com status de a nova sensação do Pop Rock Nacional, hits radiofônicos como Regina Let’s Go e O Mundo da Voltas se cruzavam com perolas do inicio da carreira do quinteto como Light Blue Night e Por Que?, além de dois covers muito bem escolhidos para agitar a galera: Territorial Pissings do NirvanaRock ‘n’ Roll High School dos Ramones (Joey Ramone homenageado mais uma vez).
Podemos definir a cena independente de Jundiaí como antes e depois desse imenso festival, afinal de contas foi absurdo o numero de bandas surgidas em Jundiaí e região após esse show: Anyway, Want One, Chemical X, Way For Out, Make Your Wish, Dwarf, além da ressurreição do clássico R14 Radial, só pra citar algumas. Eu mesmo me aventurei em duas bandas na época, a primeira foi o Quebrando o Silencio (que mais tarde se tornou Luck Bad) onde eu era guitarrista e tocávamos entre um milhão de covers o cd inteiro do Cueio Limão (aquela famosa demo que eu comprei na banquinha do show), e depois o “seminal” Só Falta Mais Um Pouco que anos depois se tornou o Trakinage HC e torturou os ouvidos de todos durante os três anos de existência, mas foi divertido.
Uma pena que Jundiaí nunca mais teve noites como essa.

Eu ainda não tive a oportunidade de agradecer o Mirtão e o F. Nick por esse show tão sensacional, então com 12 anos de atraso aqui vai o meu MUITO OBRIGADO.

Ao som de Ramones – I Wanna Be Sedated

Continuando o nosso especial em homenagem ao 20 anos da banda Fistt, nesse capítulo nós vamos destrinchar toda a discografia do quarteto que há duas décadas sacode o Brasil com o seu Hardcore do interior.
Abaixo de cada resenha há um streming para que você possa ouvir os álbuns na integra e se deliciar com as delicias da Roça.
Optei por falar apenas da discografia em CD, deixando de fora as Demo Tape de inicio da carreira, já que todas foram compiladas e virando o primeiro cd oficial da banda.
Sem maiores delongas, com vocês Fistt:

Pamim, Panóis, Pocêis (1999)
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Formação: F. Nick: Vocal
Mirtão: Guitarra e Vocal
Favela: Baixo
Alê: Bateria

O que podemos chamar de primeiro cd do Fistt nada mais é que a união das duas primeiras demo tape da banda, a Çonzeira (1996) e Paraotempo (1998).
Clássicos não faltam nesse disquinho histórico: Hardcore na Veia, Menininha, Queria te Dizer, Paraotempo, Não, Spok e muitos outros.
O Quartel, mesmo simplora talvez seja a canção de maior cunho ativista da banda, no qual repudia claramente o alistamento militar obrigatório.
Do lado irônico (que o pessoal adora referir como “engraçadinho”) temos Maria e Joana (clara referencia a Marijuana) e Se Todo Filho de Deus Fosse Maconheiro, canção que surgiu após um encontro de F. Nick com um velho conhecido chamado Tikinho, e após o bate papo o mesmo diz a Nick: “Se todo filho de Deus fosse maconheiro, seria festa o ano inteiro”. Ao contrário do que se pensa, ambas canções apesar de trazer a tona os conceitos “canabisticos” elas não fazem nenhum tipo de apologia as drogas, mas sim uma alusão irônica as bandas da época que só falavam nesse tema (leia-se Planet Hemp).
O título do cd é uma critica as revistas na época que discriminavam a banda devido ao fato dela ser do interior, que julgavam que a mesma não seria capaz de atingir o circuito paulistano.


Finais Iguais, Histórias Diferentes (2001)
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Formação: F. Nick: Vocal e Baixo
Mirtão: Guitarra e Vocal
Fabrízio Martinelli: Guitarra
Juca: Bateria

Definitivamente o grande masterpiece do Fistt, os principais sucessos da banda estão aqui, canções que marcaram gerações, que fizeram história e que levou toda temática do Hardcore do Interior para o Brasil inteiro.
São 16 faixas de pura nostalgia, de instrumental simples porém eficiente e letras que com uma certa ironia carrega alguns questionamentos, como é o caso de Vinteum que abre o disco e é considerada por muitos a musica mais importante da carreira do Fistt.
O disco segue com a pesada Nada Por Você, a sensacional New School 99 e com o grande hit Minduim inspirada no personagem Charlie Brown. Desenhos antigos alias são a inspiração direta de Finais Iguais… já que o disco ainda conta com Amigos de Infância (Namaguederaz) inspiradas nos seriados japoneses de super heróis e com a versão do tema do desenho The Get Along Gang, conhecido aqui no Brasil como “A Nossa Turma”, na canção A Turma.
Menininha, Hardcore na Veia e Paraotempo do cd anterior reaparece em Finais Iguais, com uma roupagem mais agressiva e dentro dos padrões do álbum. O Album ainda conta com um cover do Muzzarelas, grande influência de F. Nick, a canção The Buzz Guy que ficou tão sensacional quanto a original.
Enfim um disco genial e totalmente necessário pra quem se julga curtir Punk/Hardcore Independente.

Vendo As Coisas Como Você (2004)
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Formação: F. Nick: Vocal e Baixo
Bauer: Guitarra e Vocal
Rudy: Guitarra
Birão: Bateria

Um Fistt como você nunca viu (e talvez nunca mais veja), esse é o sentimento após ouvir as 13 faixas de Vendo as Coisas Como Você, o disco mais incompreendido da discografia da banda.
Rápido, Pesado e reflexivo, Vendo as coisas, surge como um dedo médio em riste para os puristas que classificava o Fistt como mais uma banda engraçadinha na cena independente. O disco marca a estreia dos guitarristas Bauer e Rudy e é possível sentir guinada sonora que a banda teve com a entrada de ambos já que as guitarras pesadas são os grandes destaques desse disco.
De hits temos Medo que virou videoclipe com a participação do tatuador Jundiaiense Lacraia e foi exibido constantemente na MTV na faixa da madrugada. Garrafas que foi a primeira música do disco a ser liberada pra audição na internet, talvez seja a canção que mais se aproxima do Fistt do cd anterior, mas o restante do álbum é só “pedreira”: Versos e Refrões, Marginal, Agora, Vezes, Histórias Pra Contar e a filosófica F-15.
Mantendo a tradição de homenagear bandas do underground brasileiro, Fistt faz uma versão surpreendente de Ignorar do finado e genial Alternative System, no qual eu ouso dizer que ficou muito melhor que a versão original. Outros destaques de Vendo as Coisas é a própria faixa título que é uma das canções mais belas da banda, além do instrumental genial The Good ,The Bad ,The Bauer e de Overdrive que encerra o disco, mas se eu fosse você eu ficaria escutando o disco até o fim pra você se divertir com a surreal “faixa pós créditos”.
Depois de Finais Iguais é o meu disco favorito.

Viva! Ao Vivo no Black Jack (2006)
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Formação: F. Nick: Vocal e Baixo
Bauer: Guitarra e Vocal
Rudy: Guitarra
Birão: Bateria

Me recordo até hoje, era um sábado a noite e eu estava curtindo o meu único dia de folga em casa descansando, quando de repente o meu telefone toca e era o Ricardo Dariva irmão do F. Nick me convidando pra ir na gravação do cd ao vivo do Fistt no dia seguinte, vontade não me faltou, mas teria que trabalhar no dia anterior, portanto recusei o convite. Me arrependo amargamente disso até hoje.
Viva! o único registro ao vivo do Fistt é a captação perfeita do que é a banda ao vivo, muito peso, velocidade, somados com espontaneidade e uma plateia insana, alias a plateia é o principal destaque e com certeza a maior participação especial desse disco, é inacreditável como todas as canções são cantadas em uníssono com tamanha paixão e empolgação. Nem a insossa platéia do Los Hermanos que dizem ser a mais fanática do Brasil chega perto da cartase que a galera faz nesse show, só o começo de Nada Por Você já vale o álbum todo.
O disco conta com todos os hits da carreira do quarteto (Vinteum, Minduim, Medo, Hardcore na Veia) e algumas surpresas, como Não e O Quartel do primeiro álbum, além da anárquica Se Todo Filho de Deus Fosse Maconheiro que fecha o disco de forma sublime com a participação especial do Guitarrista Crildo da banda Worms, e que mais tarde se tornaria do Fistt, alias no campo de participações especiais ainda temos o ex-guitarrista da banda (na época) o Mirtão na canção Um Heroi.
New School 99 é merecidamente dedicada para o Baterista Nene da banda Paulistana FHA que um ano antes da gravação havia cometido suicídio vitima da depressão, e já Menininha o grande hit da banda é dedicada para todos os Emos presentes no local.
Um registro digno de uma banda digna!

Como Fazer Inimigos (2008)
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Formação:
 F. Nick: Vocal e Baixo
Mirtão: Guitarra e Vocal
Crildo: Guitarra
Birão: Bateria

Com a produção de Paulo Anhaia e gravado no estúdio Midas de propriedade do produtor Rick Bonadio, Como Fazer Inimigos vem com nivel de qualidade lá em cima e talvez chegou até causar estranheza em quem já era acostumado com as tosqueiras (no bom sentido) da banda, mas ao contrário de quem achava que o Fistt havia se vendido e viria mais Pop nesse novo álbum, simplesmente caiu do cavalo. É Fistt na mais plena forma musical (porque na estética…) e isso já é um grande alento.
O disco começa com o single Aquecendo, escolha certeira, canção métrica e redondinha, genial. O resto do álbum eu ouso dizer que é uma mescla do Fistt coeso de Vendo as Coisas… com o irônico e hitmaker de Finais Iguais… Canções velozes e pesadas como Eu Não Faço Ninguém Feliz e Éssa é a Ultima Vez, recorda o cinzento disco de 2004. Já as divertidas Meu Amigo Copo, Pobre F. Nick, e Sad Rockstar cairia como uma luva no Tracklist de Finais Iguais.
Porém o disco ainda conta com a belissima balada Continuar que vem no estilo Baby I Love You dos Ramones, Todo Amor Morre Abandonado que Nick cita a sua querida cidade natal Jundiaí e além do resgate histórico de Mallory, canção do projeto Snif! de F. Nick e Crildo surgido em 2005 após a pausa que o Fistt deu na época.
O Fascínio de Nick pelo desenho do Snoopy aparece em Como Fazer Inimigos com a canção Carta Para a Garotinha Ruiva. Porém a maior surpresa do disco é a faixa Carnaval, um épico de mais de nove minutos de duração que mescla Punk Rock, Hardcore, Ska, com Reggae e música mexicana e ainda conta com a participação especial do ex-integrante Fabrízio Martinelli nas guitarras e do grande Rodrigo Lima do Dead Fish.

Bom Dia (2011)
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Formação: F. Nick: Vocal e Baixo
Mirtão: Guitarra e Vocal
Dulino: Guitarra
Birão: Bateria

Após três anos sem lançar material inédito o Fistt reaparece com esse single virtual muito divertido, fazendo uma declaração a um amor ainda desconhecido, e com ânsia de saber quais as preferencias desse amor, se ela gosta de Ramones ou de bandas do Underground e até mesmo se ela torce para o Corinthians.
A canção serviu pra saciar os fãs que estavam sedentos por material novo da banda e também para apresentar para o mundo o mais novo guitarrista da banda, o grande Dulino também vindo da banda Perturbadores de Silencio (Várzea Paulista – SP).
A capa feita pelo artista jundiaiense Junior Scalav, alimenta ainda mais o fascinio de F. Nick pela turma do Charlie Brown, onde se vê o Minduim em cima de uma arvore abraçado com a sua Garotinha Ruiva.
Genial.

Hasta La Vista, Junior! (2012)
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Formação: F. Nick: Vocal e Baixo
Ricardo Dariva: Guitarra e Vocal
Dulino: Guitarra
Birão: Bateria

O EP vem apresentando a formação definitiva da banda, com o reforço de Ricardo Dariva na guitarra, e chega com o mesmo alto padrão de qualidade apresentado em Como Fazer Inimigos, graças a produção do grande Chapola e masterização do Lampadinha conhecido por trabalhar com as bandas Hateen, CPM 22 e entre outros.
O disquinho conta com 5 faixas: três inéditas e duas covers. Do lado autoral temos a abertura veloz com Consideração, e o single Entre o Dia e a Noite com a participação mais do que especial de Reynaldo Cruz o mais novo nome da cena independente a frente do Plastic Fire, na minha humilde opinião uma das canções mais sensacionais da banda nos últimos tempos. Fechando o lado próprio contamos com Tudo Bem? que traz um Punk Rock Melódico a lá Face To Face.
Mantendo a tradição de homenagear o underground brasileiro o Fistt faz uma versão sensacional de Todo Mundo Contra Mim do ACK, e o disquinho encerra com o sublime cover de I Just Want To Have Something To Do dos Ramones.

Amanhã tem mais…

Ao som de Fistt – Overdrive

Fistt INessa semana que a banda Jundiaiense de Hardcore melódico, Fistt, comemora 20 anos de carreira, nós do Fila Benário Music teremos a honra de esmiuçar a trajetória do quarteto em sete partes, e hoje vamos falar sobre o surgimento da banda, e o primeiro contato da mesma com esse que vos escreve. Bora tampar o nariz porque a o cheirão de naftalina vai subir por aqui:

O Fistt começou a sua trajetória na cidade de Jundiaí, interior de São Paulo precisamente no ano de 1994, quando o jovem Fabiano Dariva, apaixonado por Ramones e mais três amigos resolveram montar uma banda para sucumbir o entediante marasmo que rondava os adolescentes da época, mesmo sem saber tocar absolutamente nada, mas movidos por uma paixão musical a banda se formou com Alê na Bateria, Favela no Baixo, Emer na Guitarra e Fabiano nos vocais, e o critério para a escolha do nome da banda foi simples: “o integrante que tivesse o sobrenome mais engraçado” é óbvio que sobrou para Fabiano Dariva, portanto a banda passou a se chamar Os Darivas em alusão aos seus heróis Ramones.
Com essa formação a banda fez o seu único show em uma tradicional escola em Jundiaí, o Geva, mas o show foi um verdadeiro desastre, afinal de contas ninguém realmente sabia tocar e a banda acabou sendo expulsa do palco pela diretora da escola.
Em 1995 Fabiano se muda com a família para a cidade de Santa Barbara d’ Oeste (Interior de SP) devido ao novo serviço do seu pai, e os Darivas obviamente deram uma pausa em suas atividades. E foi explorando o Underground da nova cidade que Fabiano parou no bar Hitchcock e assistiu a apresentação do Muzzarelas, grande banda do circuito independente também do interior de São Paulo (Campinas), e a sua sonoridade que variava entre o Punk Rock clássico e o Rock n’ Roll de garagem unidos a letras non sense pegou o jovem Fabiano de jeito afim de querer retomar as atividades da banda mesmo a distancia.
Um dia ouvindo Toy Dolls, basicamente a canção Fisticuffs in Frederick Street, Fabiano teve uma luz e resolveu trocar o nome da banda de Darivas para Fisttcuffs.
De volta oficialmente para Jundiaí o Fisttcuffs teve a sua primeira troca na formação, sai o guitarrista Emer e entra o icônico Mirtão, amigo de escola de Fabiano e realizador de proezas como “usar o mesmo moletom preto por quarenta dias seguidos”, com essa formação que o Fisttcuffs grava a sua primeira demo tape, naquela que passaria ser a casa da banda o estúdio Happy Sound de propriedade do também icônico Paulão Maltauro, o Paulão. Çonzeira (escrita assim mesmo) foi lançada no ano de 1996 e já trazia os primeiros sucessos do grupo como Não, Quartel e Spok. A fita virou um sucesso instantâneo e a banda passou a ser figurinha carimbada na região ao lado de outras bandas do Underground Jundiaiense como No Deal, Charlieroad e R14 Radial.
Em 1998 a banda lança a demo tape Paraotempo trazendo de sucesso a própria faixa título e o hino Hardcore na Veia, e foi justamente nesse ano que a minha história com o agora chamado Fistt (cortando de vez o Cuffs) se difunde. Na época eu tinha apenas 10 anos, mas já era um garoto louco por Rock, e a primeira vez que ouvi falar no conjunto foi em show que a rádio paulistana Dumont FM estava organizando na época na cidade de Jundiaí, o “Ska Dumont” que além do Fistt contaria com a presença do Skuba e o Skamundongos, ambas de SP, pra mim que nunca tinha ido a um concerto de Rock, aquela era a possibilidade, porém meu pai não foi nada favorável e vetou a minha ida.
No ano seguinte eu estava no segundo módulo do ensino fundamental (leia-se quinta série) e tinha um amigo meu na sala, o Rodrigo, que era tão fã de rock quanto eu, e diariamente trocávamos cds e K7’s de rock na sala de aula, e eis que um dia ele surgiu com Cd-R com uma capa meio doida com um desenho de quatro caras com enormes pontos de interrogação na cara, era o Fistt, rapidamente peguei o cd trouxe pra casa e surtei ouvindo-o repetidamente, pra mim foi um verdadeiro choque, o som era semelhante as minhas bandas favoritas Ramones, Sex Pistols, Misfits, Face To Face, Bad Religion, Green Day e até um quê de Minor Threat ali tinha, porém era tudo cantado em português, eu entendia claramente o que F. Nick (conforme vinha escrito no encarte do cd) cantava e as letras por sinal carregava uma ironia sem tamanho.
Esse cd que foi feito para ser comercializado nos shows da banda era um ensaio do que viria ser o próximo cd, alias o primeiro grande cd do Fistt, o clássico Pamim, Panóis, Pocêis lançado em 1999 pelo seu próprio selo a Oba Records, o disco compilava as duas primeiras demo-tape da banda: Çonzeira e Paraotempo. O título era uma provocação direta aos veículos de comunicação na época que discriminavam o Fistt por ser do interior e diziam que jamais a banda alcançaria sucesso nas capitais, o disco foi um sucesso e rapidamente saiu fora de catalogo.
Na mesma época o Fistt passou por mais alterações em sua formação, Nick acabou assumindo a segunda guitarra, e Favela acabou saindo da banda e o baixo ficou a cargo de Fabrízio Martinelli, porém ensaios depois ele acabou se tornando o guitarrista da banda e Nick oficialmente o baixista, passado um tempo Alê também desiste da banda e para o seu lugar entra o baterista Juca e foi com essa formação que a banda gravou o grandioso Finais Iguais, Histórias Diferentes lançado em 2001, considerado até hoje pelos fãs da banda o Masterpiece do conjunto é nele que se encontra os maiores hits da história do Fistt: Vinteum, Minduim, Madrugada, Nada Por Você, New School 99, além das regravações dos eternos hits: Menininha, Paraotempo, a versão de A Turma tema do desenho Get Along Gang, e o hino supremo Hardcore Na Veia. No mesmo ano Juca e Fabrizio deixam a banda, esse último por sinal acabou ingressando no Street Bulldogs outra grandiosa banda do circuito independente paulistano e depois se tornou guitarrista do Hateen, ganhou por duas vezes consecutivas o prêmio de “Guitarrista dos Sonhos” da MTV e hoje integra a banda Vowe. O Guitarrista Adriano Bauer e o Baterista Birão ocupam os postos deixados.
Nessa época o jovem Fila Benário já era um fã incondicional do Fistt, lembro de ter comprado uma cópia de Finais Iguais… na extinta loja de cds Music Mix em Jundiaí logo quando saiu, e ouvia religiosamente, a discografia do Fistt é repleta de álbuns geniais, mas por história e nostalgia o Finais Iguais é o meu disco favorito da banda, simples, direto e objetivo.
No ano seguinte Nick organiza na cidade de Jundiaí o 1º Festival de Hardcore e foi um evento brilhante com line up de peso contando com o Fistt, as estreantes Cueio Limão e Self Defense, o emergente Dead Fish, e o já bombado e o hypado nas paradas de sucesso CPM 22, o show foi um sucesso, esgotou todos os ingressos e consolidou ainda mais o nome do Fistt no cenário nacional.
Em 2004 a banda lança o cd Vendo as Coisas Como Você, com Rudy Tiene (Ex- UTC) no lugar de Mirtão, e por mais que eu tenha uma predileção pelo FIHD, Vendo as Coisas classifico como o álbum mais importante da carreira do Fistt, um verdadeiro divisor de águas, aqui a banda surge com o dedo médio em riste para os puristas de plantão que taxava o conjunto de mais uma banda “engraçadinha”, aqui o Fistt surge pesado, coeso, veloz, fica a prova nas canções Medo, Vezes, F-15, Overdrive e Versos e Refrões. Acho que esse foi o período que eu mais vi o Fistt ao vivo então é a formação que eu mais tenho em mente quando me lembro da banda.

Da esq. pra dir: Birão (Bateria) Rudy (Guitarra), F. Nick (Vocal e Baixo) e Bauer (Guitarra)

Da esq. pra dir: Birão (Bateria) Rudy (Guitarra), F. Nick (Vocal e Baixo) e Bauer (Guitarra)

Na época eu já estava com “banda”, o intrigante Trakinage HC e eis que surgiu a possibilidade de dividirmos o palco, foi no festival Old School Fest, organizado pelo Diego Musselli da banda Outmind (hoje guitarrista do Taco Beer) no dia 20 de Novembro de 2004, aquilo era um sonho se realizando eu ia tocar junto com os meus heróis.
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Tava tudo perfeito se não fosse um simples detalhe: a nossa banda ser horrível!!! Não sei onde eu estava com a cabeça quando peguei as baquetas e resolvi ser baterista um dia, nunca toquei bateria na vida, não tenho coordenação motora, mas me achava o baterista, compus meia duzia de canções horríveis, todas com a mesma nota sem variação e achava que estava tudo lindo, mas a farsa caiu por terra quando começamos a tocar e percebi que Nick, até então meu grande herói na cena alternativa, entrou no recinto pra nos ver e não aguentou ficar até o fim da primeira música, se mandou… Aquilo foi frustrante, fiquei tão traumatizado com o ocorrido que meses depois eu saí da “banda” que logo em seguida acabou. No final das contas cada integrante do Trakinage (inclusive eu) montou a sua própria banda e todas deram muito certo, talvez o problema fosse nós juntos.

Em 2005 vem a noticia como uma bomba do tamanho do maracanã, o Fistt dá uma pausa nas atividades, aquilo foi um choque para todos os fãs do conjunto. No mesmo ano F. Nick aparece com um projeto intitulado de Snif! que contava com ele no Baixo e Vocais, além do seu próprio irmão Ricardo Dariva (que na época era guitarrista do Bett’s) nas guitarras ao lado de Crildo (Worms) e do baterista Conrado do Shileper High, a banda gravou apenas três sons, entre eles o hit Mallory e o cover de Going To Pasalacqua do Green Day.
Para nossa alegria o Fistt retorna as atividades no ano seguinte gravando o seu primeiro álbum ao vivo no tradicional Black Jack Bar em São Bernardo do Campo. Rudy e Bauer acabam deixando a banda amigavelmente para se dedicar a outros projetos, Mirtão volta para ocupar o posto de pior guitarrista e Crildo do Worms e Snif! enfim é efetivado ao cargo.

Da esq. pra dir: Mirtão, Birão, F. Nick e Crildo

Da esq. pra dir: Mirtão, Birão, F. Nick e Crildo

Com a produção de Paulo Anhaia (Hateen, CPM 22, Houdini) no estúdio Midas do Rick Bonadio o Fistt grava o álbum Como Fazer Inimigos, lançado em 2008 gratuitamente na internet o disco foi um verdadeiro sucesso, chegando a ganhar o prêmio de Download de ouro, o cd em si é um show a parte, trás uma mescla do Fistt coeso de Vendo as Coisas, com o Irônico de Finais Iguais, dessa vez com instrumental ainda mais eficiente graças ao tratamento de produção que o cd recebeu, os principais destaques são os singles Aquecendo e Meu Amigo Copo, além da divertida e singela homenagem ao vocalista em Pobre F. Nick, porém o principal destaque fica pra épica Carnaval com quase nove minutos de duração (!), contando com as participações especiais do ex- guitarrista Fabrizio Martinelli e Rodrigo Lima do Dead Fish, surreal.

Fabrízio Martinelli (Ex-Fistt) e Rodrigo Lima (Dead Fish) gravando as suas participações especiais em "Como Fazer Inimigos"

Fabrízio Martinelli (Ex-Fistt) e Rodrigo Lima (Dead Fish) gravando as suas participações especiais em “Como Fazer Inimigos”

Daí em diante o Fistt virou uma verdadeira dança das cadeiras, com incontáveis trocas de integrantes, o Baterista Birão saiu, dando lugar para o excelente Léia, mas depois voltou. Crildo saiu e no seu lugar entrou Karacol que na época era também baixista do Hateen, que por fim acabou saindo e dando lugar de vez para Dulino (da banda Perturbadores de Silencio), com essa formação o Fistt gravou o divertido single virtual Bom Dia lançado em 2011.

Duas das formações citadas: A primeira foto com Léia (Bateria) e Karacol (Guitarra). A segunda com a volta do Birão.

Duas das formações citadas: A primeira foto com Léia (Bateria) e Karacol (Guitarra). A segunda com a volta do Birão.

No ano seguinte Mirtão saí pela milésima vez da banda, dando espaço enfim para Ricardo Dariva irmão de Nick e também guitarrista do Sallys Home assumir as guitarras da banda, no mesmo ano a banda lança o sensacional EP Hasta La Vista, Junior! com o sensacional single Entre o Dia e a Noite com a participação especial de Reynaldo Cruz do Plastic Fire, além de uma versão surreal para a canção Todo Mundo Contra Mim da banda carioca ACK.

Fistt Atualmente: Ricardo Dariva (Guitarra), Birão (Bateria), F. Nick (Vocal e Baixo), Dulino (Guitarra)

Fistt Atualmente: Ricardo Dariva (Guitarra), Birão (Bateria), F. Nick (Vocal e Baixo), Dulino (Guitarra)

No ano passado uma noticia triste noticia pegou a todos de surpresa, que foi o falecimento do ex guitarrista Rudy Tiene que há seis anos lutava contra a leucemia. Tal noticia me afetou de tal forma que fiquei magoadíssimo, Rudy sempre foi sorridente, gente boa, além de um excelente músico, sua maneira rápida e pesada de tocar guitarra moldou a sonoridade do Fistt, algo que pode ser notado no álbum Vendo as Coisas Como Você. Naquele bisonho show que a minha banda o Trakinage HC tinha feito com o Fistt, eu fiquei arrasado após o péssimo show que fizemos, e Rudy chegou com aquele largo sorriso me deu um abraço e disse:

– Não desiste não velho, você tem potencial!!!
Fistt III

E assim segue o Fistt completando 20 anos de trajetória, repleta de altos e baixos, de lama e glória de inúmeras roubadas, mas sem esquecer principalmente de suas origens, de onde veio.
Atualmente além do blog eu faço parte de um canal recém formado chamado DiscBox onde teremos diversos programas falando sobre música, e recentemente tive a oportunidade de entrevistar o Fabiano Nick para o programa Disco3 onde cada convidado falará sobre os seus três discos favoritos, o que era pra ser uma simples entrevista se tornou um divertido bate papo de mais de quarenta minutos de duração, em nenhum minuto parecia que estava diante do proprietário da Oba Records, do homem que trouxe No Use For a Name pra tocar em Jundiaí, do que já havia dividido palco com Marky Ramone, Bad Religion, Millencolin e Down By Low, parecia que eu estava conversando com um grande amigo, e talvez seja, alias esse sempre foi o espírito que o Fistt transpareceu em suas apresentações, de intimidade, cumplicidade de amizade mesmo.

Eu entrevistando o F. Nick para o programa Disco3 do canal DiscBox

Eu entrevistando o F. Nick para o programa Disco3 do canal DiscBox

E no próximo sábado onde o Fistt estará se apresentando mais uma vez em Jundiaí, mas dessa vez comemorando os seus 20 anos, eu estarei lá aplaudindo os meus amigos.

Vida longa ao Fistt.

Amanhã tem mais…

Ao som de Fistt – Vendo as Coisas Como Você (Ao Vivo)

FisttFala galera!!!
No final dessa semana uma das maiores bandas do circuito independente comemora 20 anos de existencia, estamos falando do Fistt, banda natural de Jundiaí – SP que há duas décadas leva o seu “Hardcore do Interior” para todo o Brasil, com muito peso, velocidade, melodia e sarcasmo (leia-se sarcasmo, irônia e não letras engraçadinhas).
Eu particularmente sou um grande fã dessa banda que é motivo de orgulho para todos nós natural dessa humilde cidadezinha interiorana, portanto até domingo nós do Fila Benário Music em comemoração dessa data tão especial, vamos até domingo dedicar um post a trajetória do Fistt. Durante toda a semana nós vamos contar a história da banda, contar o meu envolvimento com a mesma, suas principais músicas, comentar toda a discografia do quarteto e até mesmo fazer um review geral do selo criado pelo Fistt que até metade da decada ajudou a moldar a cena independente brasileira, a gravadora Oba Records.

Mas antes, para quem ainda não sabe quem é o Fistt, segue abaixo um release contando em miudos a trajetória da banda, feito pela minha grande amiga e futura jornalista Marina Filippe e também divulgando os shows que a banda fará nesse final de semana em comemoração as suas vinte primaveras:

FISTT comemora 20 anos com shows especiais

Banda celebrará em Jundiaí e São Paulo em final de semana

O FISTT, que surgiu em Jundiaí (SP) como uma reunião de garotos que queriam tocar Ramones em 1994, agora comemora suas vinte primaveras em um final de semana especial. Isso porque a banda leva um show exclusivo ao Aldeia Bar – em sua cidade natal – no sábado, 16, e repete a dose no Hangar 110 no domingo, 17. Os eventos irão contar com participações de ex-integrantes e músicas de todos os álbuns, que relembram formações, apresentações marcantes e, claro, histórias boas para contar.

Como uma prévia, a FISTT realizará um show transmitido pela internet nesta terça-feira, 12, que pode ser visto pelo site Net Show. Mas, quem conferir o show ao vivo no Aldeia Bar ou no Hangar 110 poderá curtir de perto os clássicos “Minduim”, “Vinteum” e “Menininha”, além de outras músicas de um setlist que pretende agradar os novos e antigos fãs, que terão uma banda cheia de energia, como o FISTT sempre fez. “Todos esses anos tocamos em inúmeras cidades e nos divertimos muito! Vamos reunir essas melhores lembranças em show especiais. Afinal, não é sempre que se comemora 20 anos de banda”, diz o vocalista F. Nick.

No sábado, o evento conta também com a banda Pense, que lança o disco Além Daquilo que te Cega, e promoções especiais. Enquanto no domingo participam também as bandas Monday Sucks e The Fingerprints

Serviço Sábado:16 de agosto, às 22h.

Local: Aldeia Bar – Rua do Retiro, 279 – Jundiaí

Entrada: R$15 com confirmação no evento do facebook e R$20 na porta.

Censura da casa: 18 anos. Menores somente acompanhados pelos pais ou responsáveis

Serviço Domingo: 17 de agosto, às 18h.

Local: Hangar 110 – Rua Rodolfo Miranda, 110 – São Paulo

Entrada: R$15 antecipado e R$ 25 na porta

Censura da casa:14 anos