Especial, Fila Benário Fala

7 anos de Fila Benário Music

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No ano de 2009, um jovem e frustrado estudante de logística decide colocar um ponto final na sua infelicidade profissional, amorosa, e qualquer outra que o valha, criando um blog musical como passatempo.

Longe de pretensões empresariais e status, o humilde espaço, hospedado em uma plataforma gratuita, seria apenas um refúgio daquele jovem azarado que buscava ali um recanto de paz para escrever sobre as suas bandas, discos e canções favoritas.

Sem regras, sem qualquer compromisso e muito menos sem linha editorial a seguir, o diário musical era pra escrever apenas o que desse na telha, sem revisão ortográfica, sem filtro, sem nada. Se ele iria longe? Provavelmente não, afinal de contas, nada na vida desse garoto durou muito tempo.

Corta! Ano de 2016, sete anos do blog Fila Benário Music, se eu pudesse voltar no tempo e dizer para aquele garoto desanimado que a vida dele mudaria de ponta cabeça por causa desse simples blog, será que ele acreditaria?

Em sete anos foram 246 posts, 297 comentários e mais 20 mil acessos, números pequenos comparados a grandes portais e blogs com viés mainstream. Mas grandes levando em consideração todo o “establishment” independente no qual o blog vive, sem patrocínio, sem lei rouanet, apenas com divulgação no boca a boca.

Esse singelo espaço que coleciona amigos, alguns desafetos e inúmeros leitores fieis tem muitas histórias pra contar, e fazendo jus aos sete anos que comemoramos nesse dia 4 de agosto, se eu pudesse listar os 7 momentos mais marcantes do Fila Benário Music, seriam esses:

1 – Professores analisam letras do Dead Fish e a banda aprova

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Com certeza o texto “O Hardcore da educação”, professores analisam as letras do ‘Dead Fish’ foi o mais lido de toda a história do Fila Benário Music, só no primeiro dia ele alcançou o histórico número de 10 mil visualizações. Mas pra quem não sabe, a história por traz do mesmo é curiosíssima.

A ideia inicial era convidar todos os meus professores da faculdade, e mais alguns professores amigos, para interpretar e dar a visão em cima de diversas letras de Hardcore. Além do Dead Fish, bandas como FISTT, Hateen, Dance Of Days, Ratos de Porão, Anzol, Street Bulldogs, Nitrominds e muitas outras teriam as suas letras destrinchadas pelos profissionais da educação. No dia 15 de outubro, dia dos professores, o texto iria ao ar.

Só que pra minha frustração, a data foi se aproximando e nada de ninguém me entregar as análises, teve quem recusou o convite alegando falta de tempo, teve quem ficou empolgado no início, mas depois desistiu ao receber a música e ver que não se tratava de um Legião Urbana ou U2, e teve quem simplesmente sumiu do mapa. Enfim, eis que chegou o dia 15 de outubro e eu recebi apenas cinco análises e curiosamente todas eram de músicas do Dead Fish, sem pretensão acabou virando um texto especial do Dead Fish. Mas o certo por linhas tortas deu certíssimo, as análises foram perfeitas, os professores participantes entenderam o espírito da coisa escreveram relatos emocionantes e contestadores, e pra nossa alegria o texto chegou até a banda, que compartilhou em suas redes sociais e ampliou ainda mais o número de leitores.

Valeu Michele Escoura, Luiz Antônio Farago, Ana Paula Vieira de Oliveira, Ricardo Roca e Patrícia Paixão pela parceria.

2 – Reintegração de Posse em SP

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No ano de 2014, uma reintegração de posse no centro de São Paulo é televisionada ao vivo e divide opiniões da população. Em casa, impedido de ir para faculdade, que estava situada no meio do cenário de guerra, eu acompanhei todos os boletins e reportagens ao vivo. Aquele acontecimento foi me consumindo de tal forma que eu também me senti na obrigação de expor a minha opinião acerca do tema e disso nasceu o texto As músicas que retratam a reintegração de posse ontem em São Paulo.

Um texto tão especial que inspirou um trabalho acadêmico e posteriormente a minha indicação para o prêmio Intercom Sudeste em 2015, na categoria “Artigo de Opinião”.

3 – Entrevista com a Bruna Caram

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A minha primeira entrevista oficial para o FBM foi com a banda Rosa de Saron, mas como eu já conhecia os integrantes e já havia conversado com os mesmos em outras oportunidades, nos tempos que a banda dividia os palcos e a estrada com a minha banda na época, o Nazarenos HC, a entrevista foi um bate-papo bem descontraído e um reencontro. Podemos dizer que a primeira entrevista mesmo, já como estudante de jornalismo, foi essa com a Bruna Caram.

Bruna Caram era uma das atrações da Virada Cultural Paulista em Jundiaí, a minha cidade natal. Como grande admirador do trabalho dela, munido de perguntas e com o meu gravador eu fui lá entrevista-la. Bateu nervoso, medo, insegurança, tudo ao mesmo tempo agora, mas a paciência, o carinho e a compreensão se Bruna deixou tudo leve e tranquilo, como se fosse um bate-papo na cozinha de casa. Em determinado momento da entrevista, ao ser questionada se ela gravaria uma música do cancioneiro brega, Bruna pegou na minha mão e cantou um trechinho de Indiferença da dupla Zezé Di Camargo & Luciano. Em tempos que “astro” pop assedia repórter dizendo que “quebraria a mesma no meio”, Bruna Caram manifestou amor, carinho e respeito o tempo todo.

E ainda compartilhou a entrevista em suas redes sociais.

Ler a entrevista completa aqui

4 – Entrevista com o Dead Fish

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Antes da explosão do texto sobre analise das letras, eu tive a honra e privilégio de entrevistar Rodrigo Lima e Alyand do Dead Fish para FBM, após o show da banda em Jundiaí em Abril de 2015.

Rodrigo que é conhecido pelo seu jeito intransigente e difícil de lidar, quebrou todos esses “pré-conceitos”, nos dando uma aula de história, sociologia e falando abertamente sobre qualquer tema que lhe era questionado.

Ler a entrevista completa aqui

5 – Ultraje a Rigor e Raimundos, o embate do século no FBM

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No ano de 2012 as bandas Raimundos e Ultraje a Rigor lançaram o disco “O Embate do Século”, com uma banda tocando um clássico da outra. O resultado foi sensacional e acabou entrando na lista dos melhores do ano do FBM. Mas quem imaginaria que anos depois eu teria a oportunidade de entrevistar Ultraje e Raimundos? Pois bem, a façanha aconteceu.

O Roger Moreira eu entrevistei no ano de 2014, durante a apresentação do Ultraje na Virada Cultural de Jundiaí. Assim como Rodrigo Lima, Roger também é conhecido pelo seu jeitão intransigente e sem papas na língua, mas a entrevista transcorreu super bem, com um Roger empolgado respondendo as perguntas sobre a sua carreira e influências musicais. E no final ele agradeceu pelo bate-papo e pediu para que lhe enviasse a entrevista completa.
Ele compartilhou em suas redes sociais.

E o Raimundos eu entrevistei no ano seguinte, na passagem da banda pelo Sesc Jundiaí, na turnê em comemoração aos 20 anos de carreira. Canisso, o baixista e um dos fundadores do grupo, esbanjou simpatia e boa vontade durante todo o bate-papo. Dado um momento ele me interrompeu dizendo: “Eu não preciso responder mais nada, esse menino sabe tudo sobre a minha carreira”.
A página oficial do Raimundos no Facebook compartilhou a entrevista.

Ler a entrevista completa com o Raimundos aqui
Ler a entrevista completa com o Ultraje a Rigor aqui

6 – Jornalistas renomados escrevem texto especial

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Em meio à confusão generalizada que se encontrava o cenário político brasileiro no primeiro semestre de 2016, eu entrevistei alguns jornalistas, blogueiros e demais intelectuais perguntando: “Qual a trilha sonora desse momento tão caótico”, o resultado foi grandioso e gerou o texto As trilhas sonoras da guerra política brasileira contando com Adriana Carranca, Vitor Guedes, Patrícia Paixão, Fausto Salvadori Filho, Cinthia Gomes, Juliana Almeida, Ricardo Roca, Luíza Caricati, Patty Farina, Caroline Apple e Matheus Pichonelli.

7 – 50 tons de cinza

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Durante a semana da estreia mundial do filme Cinquenta Tons de Cinza, eu estava inconformado com o fato de um filme, baseado em um livro, no qual a protagonista apanha descaradamente de um homem, ser aclamado e aguardado com tanto fervor em um país que a cada três segundos uma mulher é agredida.

Para minha alegria, a minha parceira de escrita, Beatriz Sanz, também compartilhava do mesmo sentimento. Unimos forças e juntos escrevemos o texto 50 Tons de cinza + o desabafo de uma feminista. Eu levando a discussão, como sempre, para o viés musical, e a Beatriz Sanz, feminista ferrenha, chutou o pau da barraca e fez uma reflexão incrível.

Foi o quarto texto mais lido no FBM em 2015.

DEPOIMENTO DAS ETERNAS COLUNISTAS DO FILA BENÁRIO MÚSIC

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Parabéns pra você, nessa data de vida!!! E aí leitores do Fila Benário, todo mundo com saudade? Pois é, nós também. Sabemos que o blog tem ficado meio sozinho, mas é que estamos muito ocupados na vida (nos perdoem). Mas o aniversário do blog não ia passar em branco e eu queria dizer como esse blog e seu criador mudaram minha vida. Nunca fui capaz de manter meu próprio blog, então pedi uma coluna aqui. Foi quando eu comecei a escrever de verdade e a ter comprometimento. Passei a ouvir músicas diferentes e pensar em pautas de cultura. Viajei para o interior por conta de uma entrevista. Obrigada, FBM! Queremos pedir aos fiéis leitores que vocês continuem nos acompanhando. Há qualquer momento, quando vocês menos esperarem a gente dá as caras por aqui!

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Beatriz Sanz é jornalista na Revista Fórum e colunista na Huffpost Brasil

 

 

O que eu carrego do Fila Benário?

Não contribuo para o Fila Benário há algum tempo. Talvez por falta de tempo ou por excesso de trabalho, fui gradualmente parando de escrever sobre música. Vou menos a shows e só ouço meus álbuns preferidos enquanto realizo outras tarefas. Isso é triste, sabe?

Ainda me lembro vividamente de estar frente a frente com Johnny Marr, carregando apenas um bloquinho de anotações e toda a uma carga de admiração. Quando sentei para digitar sobre o festival, despejei sobre os teclados a gratidão de ter vivido aquele dia. Eu, estudante de jornalismo recém-saída do ensino médio, ostentava orgulhosamente uma credencial de imprensa com o nome do primeiro veículo que me deu voz. Curiosamente, esse foi o meu último texto enviado.

Resenhar o que a gente gosta tem um gostinho diferente. Livre de burocracia, deixamos que as palavras ganhem forma, textura, cheiro e movimento. Somos coagidos ao prazer da escrita pela escrita. Simples assim.

Sinto falta desse descompromisso compromissado. Pelo menos posso dizer que não carrego o Fila Benário apenas no meu portfólio. Cada estrofe que eu redigi construiu um pedaço da minha formação.

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Larissa Darc é jornalista na revista Nova Escola

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Especial, FBM Convida, Fila Benário Fala

As trilhas sonoras da guerra política brasileira

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Atualmente a política brasileira está de causar inveja a qualquer roteirista da série House of Cards. O governo Dilma Rousseff, que foi eleito democraticamente em 2014 e assumiu o seu segundo mandato em 2015, não fez outra coisa a não ser tentar se manter no poder , driblando toda e qualquer denúncia de corrupção. Com isso, a economia brasileira despenca, a inflação sobe e o desemprego cresce de maneira absurda. E quando se achava que dessa cartola não poderia sair mais nenhum coelho, o ex-presidente Lula foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil, sendo que foi citado na operação Lava Jato.

Do outro lado, existe uma oposição que não aceitou o resultado das urnas e tenta de todas as formas derrubar a presidente do poder, mas coloca para baixo do tapete todos os seus escândalos de corrupção, envolvendo, inclusive o ex-candidato à Presidência em 2014, Aécio Neves, que teve o seu nome diversas vezes citado na operação Lava Jato, mas que acabou de ter seu processo arquivado.

Ao redor, temos uma mídia totalmente parcial, que mais confunde do que informa, colaborando abertamente para esse grande Fla x Flu político na sociedade brasileira, que não aceita mais opiniões adversas e já partem pra porrada.

Respeitando o espaço primário desse blog, que é falar exclusivamente de música, o Fila Benário Music convidou jornalistas, professores, psicólogos, blogueiros e outros intelectuais para tentar explicar esse cenário de guerra que vivemos na política brasileira, mas sendo o ponto de partida da análise uma música de escolha dos mesmos. O resultado, que ficou impressionante, você confere abaixo.


Vale Tudo (Tim Maia) – por Adriana Carranca

Vale Tudo, de Tim Maia, exprime bem o momento atual. Estamos vendo um vale tudo em Brasília e, ao mesmo tempo, a ascensão da direita homofóbica, xenófoba, racista. A lembrança da música veio com um post do cronista Antônio Prata: ‘Só não vale dançar homem com homem nem mulher com mulher”. Achei genial.

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Adriana Carranca é colunista no jornal O Globo e autora dos livros: Malala, a menina que queria ir para a escola, O Afeganistão Depois do Talibã e O Irã Sob o Chador.

 


Tá Todo Mundo Louco (Silvio Brito) – por Vitor Guedes

Vivemos um momento de insanidade, pessoas querendo justificar o injustificável. De um lado, ignoram os sinais claríssimos de roubo e pilantragem, do outro, ignoram roubo de merenda, helicóptero e qualquer outra ladroagem. É um fanatismo cego.
Já não bastava não poder andar de verde em Itaquera e de preto e branco na Barra Funda, agora não se pode mais usar vermelho ou verde amarelo, virou briga de torcida. É o fim do mundo.
São discursos em nome da legalidade e da democracia, mas com atitudes patéticas contrárias a tudo que pregam.
Vivemos nas trevas, e a treva é o palco perfeito para eleger algo pior do que um “coxinha” ou “petralha” picareta qualquer.
O fundo do poço ainda não chegou.

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Vitor Guedes assina, diariamente, a coluna Caneladas do Vitão no jornal Agora São Paulo, participa semanalmente do programa Seleção Sportv, é professor universitário na UNG e autor do livro Paixão Corinthiana.

 


Roda Viva (Chico Buarque) – por Patrícia Paixão

Nesse momento em que a democracia conquistada arduamente neste país, à custa de muita luta, tortura e sangue, é ameaçada por um golpe arquitetado (de novo!) pelas forças conservadoras, com o apoio de uma justiça e uma mídia que se dizem independentes, mas são partidárias desde criancinha, me lembro, com um forte aperto no peito, da canção “Roda Viva”, de Chico Buarque (#chicólatrasempre).

“A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá”

Incrível como nosso povo esquece fácil das coisas e como a juventude atual ignora os livros de história. O direito a termos “voz ativa”, de votarmos em quem quisermos e definirmos o nosso destino ainda é tão recente na nossa República e já tem gente querendo desrespeitá-lo.

Crianças birrentas, que não se conformam de terem perdido nas urnas. Ignoram as regras do jogo democrático. Não defendo o indefensável PT, mas sim o meu voto em Dilma no segundo turno das eleições de 2014, para evitar um mal que considero maior: o PSDB, um partido que, além de ser especialista nos esquemas de corrupção, prega, por meio de muitos dos seus quadros, o ódio às classes menos favorecidas, às minorias e à classe trabalhadora.

Não sou palhaça de ter ido às urnas para agora essa “roda-viva de birrentos” passar por cima do meu poder de decisão.

Vou continuar lutando em defesa da democracia, que garante, inclusive, o direito dessa roda-viva (formada por uma parcela significativa de pessoas que não podem mais ir a Miami. Que dó…) estar nas ruas. A democracia é “a mais linda roseira que há”.

“Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá”.

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Patrícia Paixão é jornalista, professora universitária nas faculdades: Rio Branco, Anhembi Morumbi e Mackenzie e editora do blog Formando Focas.

 


Coração Tranquilo (Walter Franco) – por Fausto Salvadori Filho

Porque numa hora tão conturbada, em que é tão fácil se deixar levar pelo ódio, pelos alinhamentos automáticos e pela violência, é a hora de respirar e lembrar de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.

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Fausto Salvadori Filho é repórter da Ponte Jornalismo.

 


Get Up, Stand Up (Bob Marley and The Wailers) – por Cinthia Gomes

O reggae pra mim sempre foi uma música de resistência, e essa letra em especial me remete à  compreender as coisas com clareza, desvendar o que atrapalha a nossa consciência, não ser iludido e não desistir, jamais. A luta continua!

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Cinthia Gomes é repórter da Rádio CBN e integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de SP

 


Eu Protesto (Charlie Brown Jr.) – por Juliana Almeida

“Aquela creche que deixaram de ajudar tá por um fio
E a ganância está matando a geração 2000
E a sua tolerância está maior do que nunca agora”

O momento é caótico. A nossa política parece briga de criança, “o doce é meu e eu não divido com ninguém”. A briga pelo poder, está passando do limite. As manifestações exigindo intervenção militar, ou que a presidenta saia do poder. As investigações onde até o sistema judiciário está envolvido, telefones grampeados, conversas distorcidas, mídia manipuladora convencendo o telespectador que o golpe é viável.

“Foi você quem colocou eles lá, mas
Eles não estão fazendo nada por vocês
Enquanto o povo vai vivendo de migalhas
Eles inventam outro imposto pra vocês”

Parece surreal, mas ainda vivemos uma democracia, onde, por mais que pareça uma maioria, segundo a PM e a grande mídia, afinal 2 milhões parecem aos olhos deles representarem um sentimento coletivo. Ainda existe uma democracia, que colocou a presidenta lá. Que você votou, não tão conscientemente em deputados, senadores tão corruptos quanto o partido que acusa. Por que a elite menospreza os outros protestos? Aliás, por que agora protesto não é mais coisa “de vagabundo, que não tem o que fazer em casa”?

Eu Protesto do Charlie Brown Jr, traz sem rodeios, um sentimento gigante “sua tolerância está maior do que nunca agora”. Delação premiada, um juiz achando que é Deus, um conselho de ética que esqueceu seus deveres. As periferias mais abandonadas do que nunca. A educação sofrendo cortes e mais cortes. Partidos políticos que são intocáveis. Uma parte da população pedindo intervenção militar é nossa tolerância indo às alturas. Não vai ser assim que vamos chegar a uma solução. Não é tirando o direito de um que ganharemos alguma coisa.

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Juliana Almeida é estudante de jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul e editora do blog Desarmando a Censura.

 


O Que Será – Flor da Terra (Chico Buarque) – por Ricardo Roca

As razões, primeiro porque a letra é totalmente pertinente.com a situação atual, segundo porque estamos em um momento de total indefinição e turbulência, sem clareza “sobre o que será” e por fim, porque é Chico Buarque, oras.

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Ricardo Roca é professor universitário na Universidade Cruzeiro do Sul e editor do blog Futebol-Arte.

 


Killing In The Name (Rage Against The Machine) – por Luíza Caricati

Acho que, em termos simbólicos, retrata o ódio e à intolerância que vivemos hoje, às custas da política. Um acaba indo na onda do outro e presenciamos cenas lamentáveis de violência, em todas as suas formas de representação.

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Luíza Caricati é jornalista e escreve no blog Merdando.

 


Meu Caro Amigo (Chico Buarque) – por Patty Farina

Foi a música que ele fez para o Augusto Boal (teatrólogo) quando Boal estava no exílio. Os trechos que mais gosto são os que dizem: Que a coisa aqui tá preta, mas a gente continua amando de pirraça porque sem um carinho ninguém segura esse rojão =]

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Patty Farina é psicóloga no SUS e integrante do Coletivo de Teatro do Oprimido Pagú prá Ver.

 


Eu quero é Botar Meu Bloco na Rua (Sérgio Sampaio) – por Caroline Apple

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Se eu pudesse sonorizar o momento político do Brasil seria sem dúvida com Eu Quero é Botar meu Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio. Passamos tanto tempo “dormindo de touca” e “fugindo da briga” e é natural que na hora de colocar o bloco na rua muitas dúvidas, confusões ideológicas e impasses aconteceriam. É o que acontece com tudo que nos predispomos a fazer pela primeira vez. O erro só não vem quando não há a tentativa.
Claro que esse é o lado romântico da coisa, porque a realidade é dura e fere. Resolvemos nos separar em grupo quase que para simplificar a complexidade da heterogeneidade. Facilita dividir em tucanalha x petralhas, coxinhas x comunistas, esquerda x direita. Mas, a verdade é que essa polaridade tira o que temos de mais valioso, a diversidade.
Mas temos coisas em comum. Mais uma vez invoco Sérgio Sampaio, quando ele diz “Há quem diga que eu não sei de nada. Que eu não sou de nada e não peço desculpas”. Essas palavras poderiam ser ditas por qualquer pessoa de qualquer grupo para o seu “adversário” político. Estamos aí, batendo cabeça diariamente, tentando convencer os outros dos nossos pontos de vista em vez de dizer que querendo “todo mundo nesse carnaval”.
Já que os blocos não querem se unir, que pelo menos saibam a hora de se recolher para o próximo bloco passar e os respeite. Isso é democracia. “Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso”, já dizia a canção.

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Caroline Apple é repórter de cidades do Portal R7 e “setorista” na cobertura de protestos. Já passou por jornais como Agora São Paulo, Folha de S.Paulo e Diário de SP.

 


Cálice (Chico Buarque) – por Beatriz Sanz

O que vemos no Brasil é uma ascensão nervosa e generalizada de uma direita que não se importa com mulheres, negras e favelados. Ou seja, eu e meus pares ficamos de fora da festa.
Agora é a hora da luta, é a hora de explicar história pra esse povo e mostrar que não queremos um novo 1964, assim como não queremos um novo holocausto. Já nos basta o genocídio da população negra. Então eu peço ao pai, que nos afaste desse cálice ou ele virá com muito sangue.

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Beatriz Sanz é correspondente do Blog Mural da Folha de São Paulo e editora e colunista do Fila Benário Music.

 


Panis Et Circenses (Os Mutantes) – por Matheus Pichonelli

O debate político atual é uma grande sala de jantar na qual todas as diferenças se aglutinam à mesa em dois grupos principais. Há os ocupados em nascer e morrer e os que, indispostos a viver em vão, buscam compreender o mundo e transformá-lo.

Nas grandes e melhores famílias, o primeiro grupo, até pouco tempo atrás, era dividido entre os contentes e os descontentes. Os contentes acompanhavam tudo com uma determinação bovina: acordavam, ruminavam, ligavam a TV, e voltavam a dormir. Os descontentes acreditavam fazer parte do povo escolhido e culpavam todos os desvalidos da vizinhança pelas desgraças do mundo. Tratavam mal a empregada, caçoavam do filho manco do vizinho, comentavam as aleivosias da atriz, o andar rebolante do filho da prima. Tudo, para eles, era uma afronta a uma moral sob perigo naquela fronteira confusa entre liberdade e libertinagem (eles adoravam usar este termo).

O segundo grupo gostava de provocar. Quando alguém manifestava alguma maledicência, como, por exemplo, aquela impronunciável, em outras mesas, sensação de que no fundo Hitler era só incompreendido, seus representantes entravam em ação como uma espécie de superego do jantar. Condenavam os discursos racistas e homofóbicos e não se constrangiam em classificar o primeiro grupo como alienado e ignorante.

Estes não levavam desaforo. Chamavam os ativistas do segundo grupo de intransigentes quando ouviam que era moralmente condenável não se indignar com as distâncias entre ricos e pobres num país governado durante séculos pelas mesmas oligarquias políticas, econômicas e midiáticas. Muitos do segundo grupo, é bem verdade, eram também ricos, e pegavam no sono tão logo encerravam o discurso. Mas se negavam a ensinar aos filhos o que haviam aprendido com os velhos à mesa. Coisas como lugar de mulher é na cozinha, mendigo não gosta de trabalhar, o certo é louco tomar eletrochoque ou que torturando-se corrigem-se os costumes.

Embora unidos pela ideia de que o mundo, feito de nuances e contradições, era implacável com as soluções rasteiras e resumíveis em uma só frase, repetida sem reflexão até o fim da vida, o segundo grupo tinha lá suas divisões. Uns acreditavam que as coisas só mudariam quando todos tivessem acesso aos mesmos direitos e que era papel do Estado garanti-los. Outros acreditavam que esses direitos já estavam consolidados e que o Estado muito ajudaria se não atrapalhasse. Ambos concordavam que a fome e a pobreza alheias eram moralmente inaceitáveis, o que levou alguns deles a se engajarem em estudos e mutirões pelos lugares que o primeiro grupo sentiria asco só em pisar.

Para o primeiro grupo, a pobreza era um cálculo: quanto maior, melhor as condições de negociação entre patrão e empregado. Uns ofereciam menos do que podiam pagar; outros aceitavam menos do que mereciam porque a outra opção era a fome. Esta condição era sempre lembrada pelo contratante do primeiro grupo quando falava “aquele(a) pobre diabo passava fome quando resolvi ajudar e a gratidão dele(a) é essa: arrumou outro emprego e foi embora”.

(PS: O segundo grupo nem sempre conseguia abrir mão de contratar serviços domésticos; muitos tinham a culpa como a única diferença em relação aos primeiros, mas desconfiavam que aquele jogo de posições não era um direito natural de brancos bem nascidos).

Com propósitos tão distintos em relação ao tema “existência”, os dois grupos juntavam de tempos em tempos as suas facções e protagonizavam batalhas memoráveis quando o assunto era política. Os primeiros viam a política como uma hierarquia similar à que reinava na alta sociedade: um espaço no qual os doutores mandavam e o povo ignorante servia ou obedecia. Era uma relação de confiança num dom natural disponível apenas entre bem-nascidos.

O segundo grupo dizia que dom natural era o caralho. Que essa interpretação do mundo servia apenas aos grupos hegemônicos e que o nome disso era ideologia. Mal resumindo, ideologia, naquele tempo, era a arte de explorar e convencer o explorado de que ele agradava a Deus com a sua servidão e ainda fazia um bom negócio. Foi assim que os defensores da ruptura com essa ideia passaram a receber convites para ir a Cuba ou à União Soviética, quando ainda estava de pé. A falência das ditaduras comunistas era sempre levada à mesa pelo primeiro grupo para lembrar aos demais o que dá mexer no nosso direito natural de explorar as classes inferiores (sic).

Contrário a essa ideia, o segundo grupo percebeu que apenas falar alto na mesa era insuficiente para quebrar o ciclo da canalhice reinante no Brasil. Como não adiantava convencer o primeiro grupo de que os grupos historicamente marginalizados tinham tanto direito a comer, estudar e consumir quanto eles, pararam de dar murro em ponta de faca e começaram a pensar em saídas políticas. Lá, as leis anti-privilégio chegariam antes da vergonha à mesa.

Muitos então começaram a se identificar com o Partido dos Trabalhadores, fundado por um certo ex-operário que se um dia chegaria à Presidência. Durante um tempo, este partido serviu como baliza nas conversas sobre política à mesa. Uns simplesmente não o suportavam pela simples ideia de que a política poderia ser ocupada por quem vinha de baixo, e não apenas pelos mestres e doutores da lei a quem aprenderam a prestar continência.

Outros abraçaram a ideia de que finalmente os anseios populares tinham uma bandeira. Para quem entendia as desigualdades do mundo como uma chaga incapacitante e moralmente condenável era difícil não se identificar com uma legenda que prometia emplacar projetos populares e levar os trabalhadores para o centro das decisões.

Foi assim que a briga entre o primeiro e o segundo grupo à mesa familiar pararam de debater política em si para debater “o PT”. Até a legenda chegar ao poder, não se sabia até onde poderia ser levada a sério, mas era possível discutir o que ela representava: uma possibilidade de participação para além dos grupos dominantes.

O primeiro grupo achou a ideia um horror já de saída. Mesmo quando, já no poder, o partido começou a dar sinais de que podia conciliar os interesses do capital e do trabalho, no tempo em que a economia crescia e até a conservadora Economist via o país decolar, os refratários seguiam dizendo ser um absurdo ver a política ser ocupada por analfabetos e/ou deficientes. Quando inventaram de colocar uma mulher no ministério e, depois, na campanha para a sucessão, a objeção virou uma metralhadora.

Estes vibravam quando o partido errava. Mas se enfureciam quando acertava. Ou quando o grosso da população demonstrava apoio ao projeto que, ao menos na propaganda oficial, tirara milhões de pessoas da pobreza e levara luz, médicos e universidades para localidades até então esquecidas do globo.

Surgiram assim expressões como “bolsa esmola” e “malditos nordestinos” naquela mesa de jantar. Surgia também uma saudade esquisita de antigos governantes que deixaram o poder desmoralizados mas protegidos pela comodidade do discurso segundo o qual são “todos iguais”.

Como a vida naquela mesa seguia igual – o filho paparicado crescera e não virara exatamente um Mark Zuckerberg – era mais fácil atribuir a miséria da própria existência à ignorância dos pobres diabos que vendiam a consciência política por política de distribuição de renda, ação afirmativa e crédito barato para comprar futilidades como arroz, feijão e geladeira.

Durante algum tempo, o segundo grupo gozou uma certa satisfação em ver a ala dos “nascer e morrer” constrangida em desdizer aquilo tudo o que haviam dito antes. O próprio ex-operário dizia: não podemos errar. Mas erraram. E muito, e antes mesmo do primeiro grande escândalo vir à tona as coisas já não eram as mesmas naquela ala da família.

De cara alguns começaram a discordar dos métodos do partido para chegar e permanecer no poder. Parte deles amadureceu a ideia de que o Estado não tinha capacidade para assumir todos os serviços e caminhava para se tornar um gigante irremovível. Passaram a alimentar outras preferências eleitorais.

Outros desconfiaram das alianças do Partido dos Trabalhadores com os patrões e partidos de sempre. E aposentaram o broche antes do Roberto Jefferson abrir a boca. Quando este anunciou o quiproquó, o grupo rachou de vez.

Uns seguiram apoiando o que chamavam de projeto popular sob o argumento de que muita gente melhorou a vida nos últimos anos. Outros, cinicamente, diziam que para governar para os pobres era preciso fazer concessão aos ricos e/ou sujar as mãos. Outros declaravam apoio crítico por não visualizar opções melhores no tabuleiro político. Outros ainda disseram que aquilo era inadmissível e prometeram nunca mais votar na legenda.

Uns migraram o voto para partidos ao centro, como o PSB de Marina Silva em 2014. Outros, à esquerda, como o PSOL de Marcelo Freixo. Outros viraram liberais e passaram a defender a social-democracia tucana.

A maneira como uns e outros defendiam suas posições dentro do mesmo grupo era mais ou menos agressiva conforme a aproximação das eleições. Todos concordavam numa parte: o mundo era injusto e precisava ser mudado. O “como” é que estava em discussão.

Para o primeiro grupo, aquela discussão pouco importava: quem, em algum momento da vida, manifestara qualquer apoio à legenda estava condenado pelo resto da vida a ser chamado de petralha. Eram eles, e mais ninguém, os responsáveis por tirar o Brasil das mãos de pessoas de bem, que jamais haviam desviado um puto em benefício próprio, para colocá-lo nas mãos dessa gentinha.

Durante anos, alimentaram a impressão de que todo voto ou discurso à esquerda era, por natureza, hipócrita, e qualquer argumento em contrário ou era financiado pelo partido ou era resultado de uma lobotomia. Encontraram eco em colunas e blogs editados por quem se indignava com o preço do iPad e se encantava com o Pateta quando ia para a Disney.

Quando o projeto petista entrou em colapso de vez, sobretudo após o escândalo na Petrobras, quem havia abandonado o barco por considerar que o partido havia se tornado igual aos demais e quem ficou nele por opção ou falta de opção compartilharam um último sinal de solidariedade: a tristeza.

Daquele tempo em que eram motivo de piada do primeiro grupo, ficou somente, e não apenas, a convicção de que o mundo ainda está aí para ser mudado. E que dessa compreensão novas alternativas precisarão a ser desenhadas.

Os demais, convictos de que ganharam a parada e podem agora cuidar dos próprios umbigos em paz, estão onde sempre estiveram. Essas pessoas na sala de jantar seguem ocupadas em nascer e morrer.

Matheus

 

Matheus Pichonelli é colunista na revista Carta Capital e no portal Yahoo.

 


 

 

Especial, Fila Benário Fala

As Bandas Femininas de Todos os Tempos – Anos 2010

Enfim encerramos o nosso especial iniciado na última segunda feira na qual destacamos as bandas femininas de todos os tempos. E chegamos em nossa década atual, e o que ela tem a nos apresentar? Grandes promessas? O futuro do Rock? Só tempo dirá, mas as nossas apostas estão aqui:

ANOS 2010

BLACK BELLES
2011 - Black Belles
Estilo:
Garage Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo do Atividade:
2010 – Presente
Integrantes: 
Olivia Jean (Vocal, Guitarra e Órgão), Ruby Rogers (Baixo), Christina Norwood (Sintetizador) e Shelby Lynne (Bateria)
Melhor Álbum:
The Black Belles (2011)
Descrição: 
As primeiras conversas das “Beldades Negras”, com o intuito de montar a banda, foi em 2009, mas foi só em 2010 que o conjunto realmente saiu do papel. Formada em Nashville, a capital do Country americano, o The Black Belles faz um Rock de Garagem com toque góticos e letras obscuras, chamou a atenção de Jack White que rapidamente assinou com as garotas e lançou o primeiro lançamento das garotas, autointitulado, em sua gravadora a Third Man Records.
Sonzeira de responsa.

PUSSY RIOT
2011 - Pussy Riot
Estilo:
Punk Rock
Origem:
Rússia
Periodo do Atividade:
2011 – Presente
Integrantes:
Não identificadas
Melhor Álbum:

Descrição: 
Uma banda que ficou mais conhecida com a polêmica a sua volta do que a sua própria sonoridade. As russas do Pussy Riot até então não tinham nome, rosto e identidade. Encapuzadas e armadas com as suas canções de protesto, elas criaram uma guerra contra o autoritarismo do governo Putin que em 2012 virou o centro das atenções em todos os noticiários do mundo. Durante as eleições presidenciais, no mesmo ano, três integrantes do grupo entraram na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou, e entoaram um cântico em frente ao altar em protesto ao candidato Vladimir Putin, as mesmas foram retiradas pela polícia Russa e detidas, revelada as identidades, Maria Alyokhina, Nadezhda Tolokonnikova e Ekaterina Samoutsevitch, foram condenadas a dois anos de prisão por vandalismo religioso. Em 2014 durante as Jogos de Inverno de Sochi, a banda realizou um protesto em frente a vila olímpica e foram agredidas pela polícia russa, conforme vídeo aqui.

SAVAGES
2011 - savages
Estilo:
Pós Punk
Origem:
Inglaterra
Periodo do Atividade:
2011 – Presente
Integrantes: 
Jehnny Beth (Vocal), Gemma Thompson (Guitarra), Ayse Hassan (Baixo) e Fay Milton (Bateria)
Melhor Álbum: 
Silence Yourself (2013)
Descrição: 
E por fim, encerrando o nosso especial em grande estilo, com certeza as Savages é uma das melhores bandas da nova década e provavelmente uma das melhores surgidas nos últimos dez anos. Formada em Londres no ano de 2011, o som do grupo é um Pós Punk irado, na mesma praia de Gang of Four, Bauhaus, The Cure e Joy Division. É como se tivesse transportado toda a melancolia e densidade do Rock dos anos 80 pra cá. A baixista Ayse Hassan toca linhas sólidas e precisas como um Peter Hook, a guitarrista Gemma Thompson faz riffs gritados emulando o grandioso East Bay Ray do Dead Kennedys, tudo isso embalado pela bateria tribal e violenta de Fay Milton e os vocais charmosos e sensuais da languida e misteriosa Jehnny Beth.
Silence Yourself o disco de estreia das garotas, lançado em 2013, foi um sucesso, a crítica especializada teceu elogios esplendorosos e aclamou a banda como a salvação do Rock, e dada as circunstancias do mesmo atualmente, é verdade. Em 2014 a banda aterrissou no Brasil no festival Lollapalooza e entre tantas atrações bizarras e sem alma, elas saíram ovacionadas pelo público.
No começo de 2016, precisamente no dia 22 de janeiro, as Savages lançaram o segundo álbum, Adore Life, que recebe os mesmos elogios do anterior e possivelmente integrará muitas listas de melhores do ano no final de 2016.
Vida longa as Savages.
https://www.youtube.com/watch?v=FuIB8HEmnoY

 

Especial, Fila Benário Fala

As Bandas Femininas de Todos os Tempos – Anos 2000

Hoje vamos para penúltima parte do especial iniciado aqui e prosseguido aqui, aqui e aqui, sobre as bandas femininas de todos os tempos. E a década “destrinchada” hoje é 2000. A virada do milênio trouxe algumas surpresas para o Rock em geral, saíram as distorções, o andamento acelerado e o mesmo ganhou uma nova estética e um novo sub-gênero: Indie. E muitas meninas navegaram essa nova onda sonora.

Vamos viajar

ANOS 2000

HATS
2001 - Hats
Estilo:
Punk Rock
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
2001 – 2009
Integrantes:
Eliane (Vocal e Guitarra), Helena (Baixo e Backing Vocal) e Cherry (Bateria e Backing Vocal)
Melhor Álbum:
Hats (2003)
Descrição: 
Mesmo tendo surgido nos anos 2000, o Hats já contava em sua formação com grandes figurinhas carimbadas da cena independente brasileira, a vocalista e guitarrista Eliane, tocou no Dominatrix, Lava, Pin Ups, Kit Kat Club e Dog School. A baixista Helena foi do Basement Monks e Wee. E a baterista Cherry fez parte do Okoto, como guitarrista e vocalista, e como baterista no HC Word.
Juntas elas formaram o Hats, que tinha uma sonoridade puxada para o Rock de Garagem como The Donnas e Sahara Hotnights, que fez um certo furor na cena independente com disco autointitulado lançado em 2003 pela Thirteen Records, um dos selos independentes mais queridos do país que tinha uma cast matador com Hateen, Street Bulldogs, Forgotten Boys, Crazy Legs, Zumbis do Espaço, Carbona, entre outros.
Em 2008 a banda lançou o último disco, intitulado de Locas In Love, e no ano seguinte a banda encerrou as atividades.

VANILLA NINJA
2002 - Vanilla Ninja
Estilo: Pop Rock
Origem:
Estônia
Periodo de Atividade:
2002 – 2008
Integrantes: 
Lenna Kuurmaa (Vocal e Guitarra), Piret Järvis (Guitarra e Vocal), Katrin Siska (Teclado) e Maarja Kivi (Baixo e Vocal)
Melhor Álbum: 
Traces of Sadness (2004)
Descrição: 
Em uma época que a internet banda larga estava engatinhando em solo nacional, as Vanilla Ninja trolaram muita gente. O segundo disco da banda, o Traces of Sadness (2004) foi lançado e distribuído aqui no Brasil via Hellion Records, famosa gravadora voltada para Heavy Metal Melódico, Gothic Metal e também para o Hard Rock. Portanto a imagem que se vendia da banda ao olhar para fotos promocionais e para a capa do CD era que se tratava de uma banda ou de Heavy Metal, ou de Hard Rock na linha do Crucified Barbara. Mas o som dessa banda vinda da Estônia é um Pop Rock bem eletrônico, não é à toa que nem baterista a banda tem. Quem esperava ouvir um Mötley Crüe caia em um Human League, pra não dizer Britney Spears logo de cara.
Para quem gosta do estilo, é um prato cheíssimo, afinal de contas as meninas mandavam muito bem, mas de Pop a música no século XXI já estava farta e o Vanilla Ninja não durou muito, encerrando a sua curta carreira em 2008, seis anos depois do seu surgimento.

THE PRISCILLAS
2003 - The Priscillas
Estilo:
Punk Rock/Rock N’ Roll
Origem:
Inglaterra
Periodo de Atividade:
2003 – Presente
Integrantes: 
Jenny Drag (Vocal), Valkyrie (Guitarra Backing Vocal), Heidi Heelz (Baixo e Backing Vocal) e Lisa Lux (Bateria e Backing Vocal)
Melhor Álbum: 
10,000 Volts (2009)
Descrição:
A Inglaterra considerada a terra do Rock e que nos presenteou com Rock Goddess e Girlschool nos anos 70, ainda nos devia um representante de peso no Rock Feminino do novo milênio, mas a espera foi saciada com o surgimento dessa banda divertida e querida que é o The Priscillas.
Formada em 2003 por Jenny Drag (Vocal), Guri Go-Go (Guitarra e Backing Vocals), Kate Kannibal (Baixo) e Mavis Minx (Bateria). Fazendo uma sonoridade bem diferente do habitual, um Rockabilly com temáticas de horror, com um pé no Punk e outro na música psicodélica, além do ecletismo musical a banda tem em seu ponto alto as letras divertidas, All My Friends Are Zombies (Todos os meus Amigos são Zumbis), Gonna Rip Up Your Photograph (Vou Rasgar a Sua Fotografia) e Brain Surgeon (Cirurgião de Cérebro), são grandes exemplos.
Da formação original, só a vocalista Jenny Drag continua na banda, que já teve homens em sua formação, tocando bateria, mas hoje é formada apenas por garotas.

LIPSTICK
2003 - Lipstick
Estilo:
Pop Rock
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
2003 – 2015
Integrantes: 
Mel Ravasio (Vocal), Dedê Soares (Guitarra), Carol Navarro (Baixo), Mi Oliveira (Teclado) e Tila Gandra (Bateria)
Melhor Álbum:
Lipstick (2007)
Descrição: 
O Lipstick foi formado em 2003 e usufruiu bem dos 15 minutos de fama até o encerramento das atividades em 2015.
A banda formada pelas amigas de colégio, lançou o seu primeiro disco em 2007, fazendo um Pop Rock elétrico e funcionando perfeitamente bem em uma época na qual o Emocore de NX Zero, Fresno, For Fun, Glória e Fake Number dominavam o país. O disco de estréia, autointitulado, contava com uma canção já conhecida do Pop underground, Nanana dos gaúchos do Wonkavision, que foi a escolha certeira para ser o single do disco e videoclipe que foi veiculado bastante na MTV na época.
Em 2009 a banda participou do concurso Garagem do Faustão do programa Domingão do Faustão e ganhou uma grande notoriedade, não ficou com título, mas mesmo assim assinou contrato com a Som Livre que no ano seguinte lançou o próximo disco da banda, o Roquenroll.
Mas como de Roquenroll o nosso país não tem nada, em pouco tempo a moda Emo passou batida, muitas das bandas surgidas na época sucumbiram ao ostracismo, e o Lipstick que tentou de todas as formas se reerguer e sobreviver no mercado musical, não aguentou o tranco e saiu de cena.

AS DOIDIVINAS
2006 - As Doidivinas
Estilo:
Rockabilly
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
2009 – 2015
Integrantes: 
Flávia Couri (Vocal e Guitarra), Luciana Morozini (Baixo) e Helga Balbi (Bateria)
Melhor Álbum:
Envenenada (2010)
Descrição: 
As Doidivinas por sua vez, foi um projeto musical que sempre transitou sem problema algum pelo underground e sempre esteve igualado com as bandas principais de suas integrantes, principalmente da Vocalista e Guitarrista Flávia Couri, que durante sete anos foi baixista do Autoramas.
O som das Doidivinas é um Rockabilly delicioso, de dançar junto com a sua gata de rostinho colado e de topete no cabelo. O primeiro e único cd desse power trio, Envenenada (2010) é uma festa sem fim. E mesmo com o sucesso e as turnês do Autoramas, As Doidivinas sempre arranjavam um tempo para fazer o seu som despretensioso.
Uma pena a Flavia Couri ter se mudado para Dinamarca recentemente e ter colocado um ponto final na sua passagem pelo Autoramas e principalmente na trajetória das Doidivinas.

DOG PARTY
2007 - Dog Party
Estilo:
Punk Rock/Indie Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
2007 a Presente
Integrantes: 
Gwendolyn (Vocal e Guitarra) e Lucy Giles (Vocal e Bateria)
Melhor Álbum:
Lost Control (2013)
Descrição: 
Quando o White Stipes surgiu em 1997, muita gente não havia se ligado que era possível tocar um Rock N’ Roll nervoso e na sua bruta essência apenas com uma guitarra e uma bateria. E quem aprendeu a lição direitinho foram as meninas do Dog Party. As irmãs americanas Gwendolyn e Lucy Giles que já tocavam juntas desde criança, resolveram amadurecer a ideia e juntas formaram o duo Dog Party em 2007.
Elas ainda salvaram o mundo como a mídia adora dizer que o The Strokes salvaram em 2000 quando lançaram Last Nite, mas elas estão no caminho certo vide as suas influências musicais, que vão de Ramones a Runaways, passando por Bikini Kill e até mesmo a banda fictícia Sex Bomb Omb da HQ e filme Scott Pilgrim Contra o Mundo. E também pelo disco Lost Control (2013), que é acelerado, displicente e divertido.
Vida longa ao Dog Party.

VIVIAN GIRLS
2007 - Vivian Girls
Estilo:
Punk Rock/Indie Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo do Atividade:
2007 – 2014
Integrantes: 
Cassie Ramone (Vocal e Guitarra), Katy Goodman (Baixo e Vocal) e Frankie Rose (Bateria e Vocal)
Melhor Álbum:
Vivian Girls (2008)
Descrição: 
A Década de 2000 foi a crescente do Indie Rock, estilo de Rock mais puxado para o lado alternativo, porém sem as distorções e peso de outrora, indo para o lado mais Pop, limpo e comercial da coisa, representantes não faltam, de Vampire Weekend a Kaiser Chiefs, passando pelo próprio e já citado The Strokes. E do lado feminino o grande representante dessa safra do novo milênio foi com certeza as meninas do Vivian Girls. Se por um lado o som não é muito dos amigáveis em termos de peso, velocidade e técnica, elas tem o seu valor e sua notoriedade, chegando até a mesclar uma dose sincera de Punk Rock e Rockabilly no seu Art Rock.
Não é para iniciantes, mas vale e muito dar uma conferida no álbum de estreia das garotas, autointitulado, que tem bons momentos musicais.
Em 2014 elas encerraram as atividades, voltando apenas em 2015 para uma apresentação especial na festa de casamento da baixista Katy Goodman.

DUM DUM GIRLS
2008 - Dum Dum Girls
Estilo:
Indie Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
2008 – Presente
Integrantes: 
Dee-Dee (Vocal e Guitarra), Jules (Guitarra e Backing Vocal), Bambi (Baixo e Backing Vocal) e Sandy (Bateria e Vocal)
Melhor Álbum: 
Only in Dreams (2011)
Descrição: 
Vindo do mesmo país, bebendo da mesma fonte da sonoridade Indie, Lo-fi, até terminando com o mesmo nome, o Dum Dum Girls é uma extensão do que foi o Vivian Girls, belas garotas americanas tocando o seu Indie Rock com influências de Rockabilly e muita psicodelia, como é possível ver no videoclipe abaixo.
A Sub Pop, famosa gravadora de Seattle responsável por lançar nomes importantes da cena alternativa americana como Mudhoney, Soundgarden e Nirvana, bancou as garotas e apostam nelas como o futuro do Rock. O disco Only In Dreams (2011) tem bons momentos, mas ainda é cedo para apostar algo que ainda está novo no mercado, ainda mais em uma sonoridade não tão acessível para um público que hoje não tem muita paciência para consumir música complexa. Mas as “Garotas Dum Dum” tem o seu imenso valor.

AGNELA
2008 - Agnela
Estilo:
Pop Rock
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
2008 – 2013
Integrantes: 
Deia Cassali (Vocal), Nat Vittori (Guitarra), Betah Soarez (Guitarra), Millah Bass (Baixo) e Loma Longotano (Bateria)
Melhor Álbum:
Podia Ser (2009)
Descrição: 
Outra banda brasileira que teve um empurrãozinho de um grande programa de TV. O Agnela foi montado em 2008 justamente para participar do quadro “Olha a Minha Banda”, do Caldeirão do Huck. A banda foi a vencedora do festival e teve o seu primeiro e único álbum, Podia Ser (2009), produzido por Rick Bonadio (CPM 22, Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr., Hateen, Fresno e NX Zero).
As garotas emplacaram o single Podia Ser na trilha da malhação e tinha tudo para estourar no cenário brasileiro, mas no final das contas a banda encerrou as atividades em 2013, após a saída da vocalista Deia Cassali para uma carreira solo que também não vingou.

CONSTANTINE
2009 - Constantine
Estilo:
Hard Rock
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
2009 – Presente
Integrantes: 
Cíntia (Vocal), Emily (Guitarra), Mariana (Guitarra), Monalisa (baixo) e Larissa (Bateria)
Melhor Álbum:
Constante Evolução (2014)
Descrição: 
Enfim uma banda feminina brasileira que surgiu pós anos 2000 e que ainda continua na atividade. Surgido em 2009, o Constantine faz um Rock N’ Roll puro com ênfase nas guitarras pesadas e com diversas influências como as mesmas citam: “Indo do Guns N’ Roses ao Nirvana”, e de fato as referências musicais não param por ai, já que em alguns momentos lembram demais The Donnas na fase Spend The Night (2002) e as guitarras pesadas Hard parecem muito Crucified Barbara.
Mas muito mais do que procurar referências no som das garotas, bora valorizar o trabalho grandioso delas.

Até amanhã com a parte final desse especial.

Especial, Fila Benário Fala

As Bandas Femininas de Todos os Tempos – Anos 90

E dando continuidade ao nosso especial iniciado aqui e prosseguido aqui e aqui, sobre as bandas femininas de todos os tempos, enfim chegamos aos anos 90, a década que o Rock entrou com tudo no mainstream, seja com o grunge vindo da gelada e chuvosa Seattle que catapultou o sucesso de Nirvana, Alice In Chains, Pearl Jam e Soundgarden. Ou com o próprio Metal sendo aceito no meio comercial graças ao Metallica e o seu Black Album, ou o revival Punk que apresentou para o mundo as bandas Green Day, The Offspring, Rancid, todas vinda do Underground. Se o período foi frutífero para o Rock no geral, para elas não seriam diferente, e as bandas mais notórias formada apenas por mulheres vieram dessa década plugada.

Bora viajar?

ANOS 90

BIKINI KILL
1990 - Bikini Kill

Estilo: Punk Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
1990 – 1997
Integrantes: 
Kathleen Hanna (Vocal), Kathi Wilcox (Baixo), Tobi Vail (Bateria) e Billy Karren (Guitarra)
Melhor Álbum: 
Reject All American (1996)
Descrição: 
Bikini Kill foi a banda que nos fez queimar os miolos se ela deveria estar aqui nesse especial ou não. A importância dela nessa lista é devido ao que ela significou historicamente, afinal de contas foi a banda que fomentou e incendiou o movimento feminista na música, o chamado Riot Grrrl. Por mais que as outras bandas femininas sempre abordaram questões feministas em suas letras, as próprias Runaways mesmo tinha a canção I Wanna Be Where The Boys Are que significa “Eu Quero Estar onde os Garotos Estão”, mas nenhuma havia se envolvido com tanta gana no movimento e trazido ele pra dentro da música com o Bikini Kill. O Bikini Kill respirava o feminismo. O problema é que a banda tem um homem em sua formação oficial, o grupo conta com Billy Karren na guitarra e ele não é um músico qualquer, ele é o único guitarrista do Bikini Kill que é emblematicamente lembrada e formada pelas garotas Kathleen Hanna (Vocal), Kathi Wilcox (Baixo) e Tobi Vail (Bateria).
Depois de muito o cérebro fritar resolvemos incluir a banda em nosso especial dada a sua importância para a cena musical feminina, ao seu ativismo no movimento feminista que veio em formato de dois álbuns espetaculares – e ao mesmo tempo barulhentos, Pussy Whipped (1994) e Reject All American (1996), além dos seus ideais terem transcendido a barreira da música e influenciando uma geração sem fim de artistas que se empenharam na luta feminista, como o Sonic Youth, o Hole de Courtney Love e o próprio Nirvana. E sem contar também que mesmo Billy sendo o único guitarrista da banda, ele não aparecia nas fotos com a banda (exemplo acima) e tinha uma postura bem discreta no palco, como se não existisse.
Então, Bikini Kill na veia.

VALHALLA
Valhalla
Estilo:
Death Metal
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
1990 – Presente
Integrantes: 
Ariadne Souza (Vocal e Bateria), Adriana Tavares (Guitarra), Alessandra Tavares (Baixo) 
Melhor Álbum: 
Petrean Self (2001)
Descrição: 
A cena Metal feminina no Brasil merece um texto só dela, já que a quantidade de bandas do gênero formada apenas por mulheres é enorme. Não é à toa que saiu recentemente um documentário muito bacana contando a história da cena metal feminina no Nordeste, vale e muito a pena conferir.
Mas se pudéssemos escolher um representante dessa cena tão crescente e atuante, com certeza a banda citada seria o Valhalla.
Com 26 anos de estrada, o som da Valhalla é um Death Metal pesadíssimo, na linha de bandas como Six Feet Under e Cannibal Corpse. A trajetória da banda iniciou no início dos anos 90 na cidade de Brasília, com as irmãs (nada como unir uma família, montar uma banda de Rock) Andréa e Adriana Tavares que começaram tocando juntas na banda Phobia, como vocalista e guitarrista respectivamente. Com a saída da Adriana da banda, Andréa se uniu com a sua outra irmã, Alessandra Tavares que assumiu a guitarra e juntas fundaram o Valhalla.
No decorrer da sua trajetória a banda teve inúmeras formações e hoje ela se reduziu a um trio que é capitaneado pela baterista Ariadne Souza que também assume os vocais guturais, e com as irmãs Adriana e Alessandra, essa última revezando no baixo e na guitarra. Da sua discografia que conta com uma fita demo e três EP, o trabalho que chegou a ter repercussão mundial foi o álbum Petrean Self (2002) que foi distribuído em 28 países.

SAHARA HOTNIGHTS
1992 - Sahara Hotnights
Estilo:
Punk Rock/Hard Rock
Origem:
Suécia
Periodo de Atividade:
1992 – Presente
Integrantes: 
Maria Elisabeth Andersson (Vocal e Guitarra), Jennie Asplund (Guitarra e Backing Vocal), Johanna Asplund (Baixo e Backing Vocal), Karin Forsman (Bateria)
Melhor Álbum:
Jennie Bomb (2001)
Descrição: 
Uma das bandas mais bacanas surgidas nas duas últimas décadas, a Sahara Hotnights veio da Suécia e surgiu exatamente no momento onde os seus conterrâneos do Hellacopters, Backward Babies, The (International) Noise Conspiracy e The Hives estavam despertando interesse no restante do mundo.
Com uma sonoridade que permeia entre o Power Pop, Garage Rock, Indie e o Punk Rock, as gurias fazem um Rock visceral e displicente, no bom sentido, porém com certo ar angelical, mesmo com as guitarras distorcidas berrando no fundo. O seu disco de estreia, C’mon, Let’s Pretend (1999) chegou a ser indicado a dois Grammy Sueco. Jennie Bomb (2001), o disco seguinte, é o que define de forma sublime a carreira do Sahara, um disco veloz, ultrajado, com claras influencias de Runaways e Ramones. Kiss & Tell (2004) veio na sequência com explosivo single Hot Night Crash que chegou a integrar a trilha sonora do jogo de videogame Burnout. Hoje a banda continua na ativa, no entanto os dois últimos registros, Sparks (2009) e Sahara Hotnights (2011) não chegam nem perto da magnitude dos primeiros álbuns, mas mantém acesa a chama de uma das melhores bandas femininas que o mundo já teve, em termos de energia e musicalidade jovial.

DRAIN S.T.H.
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Estilo: Grunge
Origem:
Suécia
Periodo de Atividade:
1993 – 2000
Integrantes: 
Maria Sjöholm (Vocal), Flavia Canel (Guitarra), Anna Kjellberg (Baixo) e Martina Axen (Bateria e Backing vocal)
Melhor Álbum: 
Horror Wrestling (1996)
Descrição:
Se você é chegado em som mais maduro, em um grunge calcado no peso e na densidade depressiva de Alice In Chains e Soundgarden, com uma pitada de Black Sabbath, você necessita conhecer o Drain S.T.H.
Formada também na Suécia, mas em nada recorda o Pop alegre das conterrâneas do Sahara Hotnights, o Drain, que também leva as siglas S.T.H. por ser de Estocolmo, começou a sua trajetória em 1993, com a guitarrista Flavia Canel e a baterista Martina Axen, que tocavam em uma banda de Punk Rock local, a Livin’ Sacrifice. Após algumas mudanças, o Livin’ Sacrifice se transforma na banda Afrodite, e entra para a banda a baixista Anna Kjellberg. Passado um tempo elas conhecem a vocalista Maria Sjöholm e com uma grande afinidade que surge, Maria acaba entrando para banda que não muda apenas o nome, agora sendo chamada definitivamente de Drain, mas sim a sua postura estética musical que muito recorda os tempos áureos do Alice In Chains.
Em 1995 a banda lançou o EP Serve The Shame, mas foi no ano seguinte, com o lançamento do full Horror Wrestling que a banda literalmente ganhou o mundo, se apresentando em diversos festivais pelo mundo, entre eles o Ozzfest ao lado do Black Sabbath, banda do esposo de Maria, o guitarrista Tony Iommi.
Em 1999 a banda lançou o segundo álbum, Freaks of Nature, e saiu em turnê junto com o Black Sabbath, Type Of Negative, Godsmack e Megadeth. Tudo parecia caminhar perfeitamente no reino do “dreno”, mas em 2001 a banda anuncia a separação para cada uma das integrantes cuidarem dos seus projetos pessoais, e assim ficamos órfãos mais uma vez de uma grande banda.

THE DONNAS
1993 - The Donnas
Estilo:
Hard Rock/Punk Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
1993 – Presente
Integrantes: 
Brett Anderson (Vocal), Allison Robertson (Guitarra e Backing Vocal), Maya Ford (Baixo e Backing Vocal) e Torry Castellano (Bateria)
Melhor Álbum: 
Spend The Night (2002)
Descrição: 
“Antes um Ramones de saias, hoje um Mötley Crue envenenado”, assim é mundialmente conhecida as The Donnas, que lá no início da carreira, em 1993, tinham em seu formato musical uma estética “Ramonesca”, com músicas que não passavam da casa dos dois minutos de duração com apenas três acordes e um andamento acelerado, tudo muito simplório, a começar da capa do disco, o primeiro autointitulado lançado em 1997, preto e branco assim como o álbum de estreia dos Ramones, (compare aqui e aqui). Só que com o passar do tempo as Donnas foram aprendendo a tocar os seus instrumentos, foram adquirindo prática e técnica e a evolução da banda é perceptível a cada disco lançado. Em Get Skintight (1999) já tem uns solos bem-intencionados de guitarra, em Turn 21 (2001), as meninas viram o milênio na maioridade e com uma total pegada Hard Rock, com direito a uma versão de Living After Midnight do Judas Priest. Mas foi no álbum posterior, lançado no ano seguinte que temos o divisor de águas na carreira das meninas, Spend The Night (2002) foi o maior sucesso comercial da carreira do Donnas, chegando a bater recordes de venda em vários países, em inclusive no Brasil que agora tinha os discos da banda comercializados por aqui.
Os Ramones de outrora, viraram o Kiss de hoje, com as guitarras envenenadas de Allison Robertson cuspindo riffs poderosos à Angus Young, a bateria de Torry Castellano que antes acelerava, hoje dá toda tônica e um certo peso às canções, e o vocal sensual e sacana de Brett Anderson vem ser a cereja do bolo.
Gold Medal é lançado dois anos depois e leva a banda a outra sonoridade, com um lado Pop mais acentuado, mais Low-fi e menos esporrento que antigamente, muitos fãs chiaram e a banda se ligou e voltou com tudo em Bitchin’ (2007) que até a capa lembra o Mötley Crüe.
A banda que até então manteve intacta a sua formação original, e que já se apresentou diversas vezes no Brasil com a mesma, teve a sua primeira baixa em 2009 com saída da baterista Torry Castellano para tratar de um problema no ombro, em seu lugar entrou Amy Cesari.
Agora falta um disco novo, né meninas?

SLEATER-KINNEY
1994 - Sleater Kinney
Estilo:
Punk Rock/Alternativo
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
1994 – Presente
Integrantes: 
Carrie Brownstein (Vocal e Guitarra), Corin Tucker  (Vocais e Guitarra) Janet Weiss (Bateria e Backing Vocal)
Melhor Álbum: The Woods
 (2005)
Descrição: 
O Sleater-Kinney é aquele famoso filhote de Sonic Youth que deu muito certo. Bebendo declaradamente na fonte do Rock Alternativo e do Punk Rock, a banda surgiu em 1994 como um projeto paralelo das guitarristas, Carrie Brownstein (que tocava no Excuse 17) e Corin Tucker (do Heavens to Betsy). Lora MacFarlane assumiu a bateria por um certo tempo, um total de três anos, mas depois Janet Weiss ficou com a vaga definitiva e a banda nunca mais mudou a sua formação e também não precisou mais dar atenção para as suas bandas “principais”.
O som do grupo não é para iniciantes e sim para iniciados, são muitas referências e influências sonoras jogadas nas canções do grupo que fica impossível classifica-lo dentro de algum gênero no Rock, mas muito mais importante que estilo de Rock que a banda faz é a mensagem que a mesma passa em suas canções, já que o grupo é ativista dentro do movimento feminista e principalmente da sua chancela dentro da música, o Riot Grrrl. Portanto a música é apenas um plano de fundo para a sua mensagem em prol a igualdade das mulheres.
De sua vasta discografia de oito discos dos estilos mais variados fica impossível classificar qual é o mais notório, mas os trabalhos da banda lançados pós anos 2000 vieram com uma produção melhor que os anteriores, o que fez muito fã xiita do grupo esbravejar, mas na dúvida ouça o clean One Beat (2002) e faça um contraponto com o barulhento e insano The Words (2005).
Em 2006 a banda pegou a todos de surpresa com o anúncio de uma separação por tempo indeterminado, mas para nossa alegria em 2014 elas anunciaram também a volta e em 2015 lançaram o disco No Cities To Love que contava com single e o videoclipe divertidíssimo (abaixo) A New Wave.

DOMINATRIX
1995 - Dominatrix
Estilo:
Punk Rock/Hardcore
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
1995 – Presente
Integrantes:
Elisa Gargiulo (Vocal e Guitarra), Josieta Lucas (Guitarra), Débora (Baixo) e Débora Biana (Bateria)
Melhor Álbum:
Beauville (2003)
Descrição: 
Se o EUA tem o Bikini Kill como o seu grande representante do Riot Grrrl na música, aqui no Brasil nós temos com muito orgulho as meninas do Dominatrix, que desde 1995 carrega a bandeira do feminismo no seu Punk/Hardcore gritado e frenético.
O Dominitrix começou a sua trajetória na cidade de São Paulo formada pelas irmãs Isabella e Elisa Gargiulo, ambas vocalistas, mas a primeira assumia a guitarra enquanto a outra ficava com o Baixo. Para a bateria a banda contou com Estela Homem, mas logo a mesma saiu dando o lugar para Débora Biana, e para a segunda guitarra a banda teve diversas integrantes como a guitarrista Ana Pereira e a Eliane, essa última muito conhecida na cena underground pelas bandas Lava e Hats.
Mas foi com o trio Isabella/Elisa/Débora que a banda gravou o seu primeiro full, o disco Girl Gathering (1996) pela gravadora Teenager In a Box de propriedade do Nenê Altro do Dance Of Days. O disco, que continha os sucessos My New Gun e They Cry, foi um sucesso no meio independente e esgotou rapidamente toda a sua tiragem. No ano de 1998 a banda lança o segundo disco, Self Delight, uma parceria entre a Teenager de Nenê com o selo recém fundado Clorine, de propriedade das irmãs Gargiulo, que lançava apenas bandas femininas. Os destaques musicais de Self Delight eram Redial e Against Human Testing, essa última com a participação mais do que especial de Nenê Altro. Em 1999 banda lançou pela Clorine o split com o Street Bulldogs, com elas tocando o clássico We Build Our Own Way deles e eles fazendo uma versão mais do que sensacional de They Cry. Em 2001 foi a vez de sair o Split Bike com o Dance Of Days, dessa vez contendo quatro faixas da banda: Pagan Love, Broken Glass Candy, Flat Earth e Die Die.
Em 2002 Isabella deixa a banda e se muda para os Estados Unidos, Mayra Vescovi que já era guitarrista da banda assume o baixo, e o Dominatix agora tem Elisa assumindo de vez os vocais. Logo depois a guitarrista Flavia dos Santos assume a segunda guitarra da banda.
Em 2003 é lançado o terceiro disco da banda, o belo e bem estruturado Beauville que foi gravado nos Estados Unidos na cidade Portland durante a turnê da banda junto com o grupo Haggard. Como a baterista Débora teve o seu visto negado e a viagem impedida, quem gravou a bateria no disco foi a fundadora Isabella.
Hoje o Dominatrix continua na ativa, com uma formação totalmente reformulada, apenas com Elisa da formação original, e no ano de 2009 elas lançaram o EP Quem Defende Pra Calar, o primeiro com letras em português.

KITTIE
1996 - Kittie
Estilo:
New Metal
Origem:
Canadá
Periodo de Atividade:
1996 – Presente
Integrantes: 
Morgan Lander (Vocal e Guitarra), Tara McLeod (Guitarra), Trish Doan (Bass) e Mercedes Lander (Bateria)
Melhor Álbum:
Spit (2000)
Descrição: 
Na época que o New Metal estava reinante nas paradas musicais com o sucesso de Korn, Limp Bizkit, Coal Chamber e Deftones, obviamente que mais cedo ou mais tarde surgiria um representante feminino do gênero. E tal espera não tardou, no ano de 1996 o Kittie estava lá colocando toda a garotada pra pular junto com o seu metal pesado.
Surgido no Canadá, se a sonoridade da banda era um deleite para os ouvidos dos fãs do gênero Metal Alternativo, o que atrapalhou e muito o crescimento da banda foi a sua constante mudança de formação, ao todo foram oito, sobrando apenas as irmãs (sempre as irmãs) Morgan Lander (vocalista e guitarrista) e a baterista Mercedes Lander.
No ano 2000 a banda lança o seu disco de estreia, Spit, que conta o seu grande maior single de sucesso, a pesada Brackish, que chegou a tocar repetidamente na famosa Rádio Rock brasileira.
Uma pena que os discos seguintes e a constante troca de formação não foram suficientes para manter a banda no mesmo patamar de outrora.
Hoje a banda continua na ativa, com um relativo sucesso no Reino Unido, mas servindo apenas como banda suporte de shows e turnê maiores de artistas mais renomados.
Uma pena, mas força meninas.

CRUCIFIED BARBARA
1998 - Crucified Barbara
Estilo:
Hard Rock/Heavy Metal
Origem:
Suécia
Periodo de Atividade:
1998 – Presente
Integrantes: 
Mia Coldheart (Vocal e Guitarra), Klara Force (Guitarra), Ida Evileye (Baixo) e Nicki Wicked (Bateria)
Melhor Álbum: 
The Midnight Chase (2012)
Descrição: 
De todas as bandas femininas existentes da face da terra, com certeza a mais técnica é o Crucified Barbara. Formada na Suécia em 1998, pela baixista Ida e pela guitarrista Klara Rönnqvist Fors, a intenção a banda era tocar alguns dos seus Punk Rock favoritos, mas devido a alta musicalidade do grupo, que já contava com a baterista Nicki Lindström e com a vocalista Joey Nine, a banda resolveu tornar mais sério o seu rumo e acabou adotando o nome Crucified Barbara e uma sonoridade Hard Rock mais puxada para o Heavy Metal. Mia Karlsson, que já era considerada uma grande guitarrista na Suécia, entrou para a banda, só que os seus dotes vocais também chamaram e muito a atenção do trio. E quando a vocalista Joey saiu da banda por problemas pessoais, Mia rapidamente assumiu os vocais e estava assim definida a formação definitiva do Crucified Barbara, que trocaram os seus sobrenomes ganhando nomes artísticos que muito tem a ver com a sonoridade do grupo. Mia virou Mia Coldheart (Coração Gelado), Klara adotou o Force (Força), Ida virou Ida Evileye (Olho Mal) e a baterista Nicki ficou com o Wicked (Malvada).
Ao todo o grupo tem cinco álbuns em sua discografia, sendo o The Midnight Chase o mais popular vide os singles de sucesso The Crucifier e Rock Me Like The Devil.
A banda já se apresentou no Brasil em duas oportunidades e 2012, fazendo justamente a turnê de The Midnight Chase e em 2014.

FABULOUS DISASTER
1998 - Fabulous Disaster
Estilo:
Punk Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
1998 – 2007
Integrantes: 
Lynda Mandolyn (Vocal), Squeaky (Guitarra e Backing Vocal), Lizzie Boredom (Baixo) e Sally Disaster (Bateria)
Melhor Álbum: Panty Raid
 (2003)
Descrição: 
O Fabulous Disaster foi uma baita banda de Punk/Hardcore que surgiu no momento certo, no lugar certo e fazendo o som certo.
Formada na cidade americana de São Francisco, em 1998, as meninas surgiram quando o Punk Rock estava com tudo na mídia mainstream, vide os sucessos de Green Day e The Offspring, o olhar estava voltado para circuito underground e tudo que aparecia nesse meio como os veteranos do NOFX, do Rancid, Face To Face e até mesmo o Descendents que retornava as atividades na época, era prontamente aclamado por uma multidão de curiosos e o Fabulous Disaster com nove anos em atividade, conseguiu usar esses 15 minutos de fama e catalisar a sua mensagem feminista anárquica para todos em seus quatro discos magistrais entre eles os soberbos, Pretty Killers, Put Out or Get Out e o nervoso Panty Raid. Aliás, Pretty Killers foi o disco que chamou a atenção de Fat Mike, vocalista do NOFX e dono da gravadora Fat Wreck Chords que as levou correndo para o seu selo Pink & Black, subsidiário ao Fat e responsável por lançar apenas bandas femininas.
Em 2003 com a saída da vocalista e guitarrista Lynda Mandolyn, quem assume o posto por um curto período foi a vocalista Cinder Block do Tilt. Em 2007, faltando pouco tempo para completar 10 anos de banda, o Fabulous encerra as atividades.

BULIMIA
Bulimia
Estilo:
Punk Rock
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
1998 – 2001
Integrantes: 
Iéri (Vocal), Bianca (Guitarra e Backing Vocal), Naiana (Baixo e Backing Vocal) e Berila (Bateria)
Melhor Álbum:
Se Julgar Incapaz Foi o Maior Erro Que Cometeu (2001)
Descrição: 
O Bulimia é outro grande orgulho brasileiro do movimento feminista, mas que infelizmente teve um fim trágico, porém não o suficiente para eliminar a banda de vez no imaginário dos fãs que ainda cultuam a mesma.
O Bulimia surgiu em Brasília no ano de 1998, graças a amizade da baterista Berila com a guitarrista Bianca, a luta de ambas no movimento feminista, além da paixão pelo Punk Rock, logo despertaram o interesse em ambas de montar uma banda do gênero e lutar pela causa. E foi com Iéri nos vocais e Naiana no baixo que o Bulimia estava formado.
O nome é uma referência clara ao transtorno psicológico causado por meninas que não querem de forma alguma engordar, estando dessa forma dentro dos padrões de beleza impostos pela sociedade.
No mesmo ano de 1998, elas lançaram a primeira Demo Tape, que já continha o grande sucesso do grupo: Punk Rock Não é só Para o Seu Namorado.
Em 2001 finalmente a banda lança o seu primeiro álbum, Se Julgar Incapaz Foi o Maior Erro que Cometeu, que tinha um desfile de hits que eram hinos da luta feminista como: Lute Por Sua Vida, Nosso Corpo Não Nos Pertence, União, Liberte-se, além é claro do grande sucesso, Punk Rock. No entanto foi no mesmo ano que a baterista Berila e o seu namorado morreram afogados na piscina natural da Chapada dos Veadeiros em Brasília, colocando assim um ponto final na trajetória promissora do Bulimia, mas não na luta das integrantes e das fãs do grupo pela igualdade dos gêneros.

Amanhã voltaremos com a penúltima parte.

Especial, Fila Benário Fala

As Bandas Femininas de Todos os Tempos – Anos 80

E dando continuidade ao nosso especial, iniciado aqui e continuado aqui, sobre as bandas femininas de todos os tempos, hoje iremos abordar a década de 80, que se ficou marcada pelo Synth Pop de Duran Duran, Human League e A-ha, ou pelo Glam Metal farofento de Poison, Warrant e Bon Jovi, os nossos ouvidos agradecem e muito o surgimento dessas meninas com suas bandas surpreendentes e fantásticas.

Bora viajar no tempo?

ANOS 80

AS MERCENÁRIAS
1983 - As Mercenárias
Estilo:
Punk Rock/Pós Punk
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
1983 a 1988 – 2005 a presente
Integrantes: 
Rosália (Vocal), Ana Machado (Guitarra), Sandra Coutinho (Baixo), Lou (Bateria) – Hoje: Sandra Coutinho (Baixo e Vocal), Silvia Tape (Guitarra) e Michelle Abu (Bateria)
Melhor Álbum:
Cadê as Armas (1986)
Descrição: 
Com certeza houve no Brasil muitas outras bandas femininas antes das Mercenárias, mas elas foram as primeiras a ganhar notoriedade no país.
O grupo As Mercenárias foi fundado no ano de 1983 pelas integrantes Sandra Coutinho no Baixo, Ana Machado na Guitarra, Rosália no Vocal e convidaram um tal de Edgard Scandurra para tocar bateria, mas esse não ficou muito tempo já que ele era uma figura muito requisitada no meio musical paulistano e estava envolvido com outras bandas, entre elas o Ultraje a Rigor e o Ira! Com a baterista Lou no lugar, As Mercenárias gravaram o seu primeiro disco Cadê as Armas? (1986) que contava com os sucessos Polícia (não a do Titãs) e Santa Igreja. No ano de 1988 veio o próximo disco, Trashland, mas a gravadora EMI não divulgou o disco como deveria e encerrou o contrato da banda por telegrama. Desanimadas, As Mercenárias encerraram as atividades. Porém no ano de 2005 a baixista Sandra Coutinho, que morava em Berlim até então, retorna ao Brasil e reformula a banda, que hoje conta com Silvia Tape (Guitarra) e Michelle Abu (Bateria) em sua formação e resiste ao tempo.

L7
1985 - L7

Estilo: Punk Rock/Grunge
Origem:
EUA
Periodo de Atividade:
1985 – 2000
Integrantes: 
Donita Sparks (Vocal e Guitarra), Suzi Gardner (Guitarra e Voz), Jennifer Finch (Baixo) e Dee Plakas (Bateria)
Melhor Álbum: 
Bricks Are Heavy (1992)
Descrição: 
Apesar de todo o sucesso do L7 ter vindo na década de 90, justamente pela explosão do movimento grunge de Nirvana, Pearl Jam e Alice In Chains, e da ascensão do Rock Alternativo de Sonic Youth, Smashing Pumpkins e Pixies, o L7 iniciou a sua trajetória na década de 80, precisamente no ano de 1985, em Los Angeles, formada pelas amigas Donita Sparks e Suzi Gardner, ambas guitarristas. Completava a formação a baixista Jennifer Finch e até então o baterista Roy Koutsky. Com essa formação o L7 grava o seu primeiro disco autointitulado em 1988, e nesse mesmo ano a baterista Dee Plakas entra na banda, sendo assim definitivamente o L7 uma banda feminina.
Nos anos 90 vieram toda a glória do grupo, os dois discos que marcaram a sua carreira, os seminais Bricks Are Heavy (1992) e Hungry For Stink (1994), a inclusão da música Shitlist na trilha sonora do filme Assassinos Por Natureza (1994), além da participação da banda em um festival que começava a ganhar uma certa projeção, um tal de Lollapalooza. Mas muito mais do que participar de um festival, o L7 criou o seu próprio, o Rock For Choice, que nada mais era que uma ONG voltada para a defesa da liberdade civil e dos direitos das mulheres. Falando em festival, a primeira passagem do L7 no Brasil foi em 1993 se apresentando no Hollywood Rock no mesmo dia que o Nirvana.
Em 2000 a banda encerrou as atividades para cada uma se dedicar aos seus projetos pessoais, mas no ano de 2014 fomos pegos de surpresa pelo o anúncio da volta do grupo, com a formação original, e uma turnê mundial.

THE 5.6.7.8’s
1986 - The 5 6 7 8's
Estilo:
Surf Rock
Origem:
Japão
Periodo de Atividade: 1986 – Presente
Integrantes: 
Yoshiko “Ronnie” Fujiyama (Vocal e Guitarra), Akiko Omo (Baixo) e Sachiko Fujii (Bateria)
Melhor Álbum:
Bomb The Twist (1996)
Descrição: 
Quem já assistiu ao filme Kill Bill (2003) do diretor Quentin Tarantino com certeza deve lembrar, nem que seja vagamente, da cena no restaurante japonês no qual a protagonista vivida pela atriz Uma Thurman faz um verdadeiro massacre. Antes de toda a carnificina tem uma banda formada por três japonesas tocando um Surf Rock animadíssimo, pois essa banda existe de verdade e desde os anos 80. Estamos falando das The 5.6.7.8’s.
Formada no Japão no ano de 1986, o The 5.6.7.8’s já chegou ser um quarteto, já teve um homem na sua formação, o baterista Eddie, mas hoje é claramente um trio feminino formado por Yoshiko “Ronnie” Fujiyama (Vocal e Guitarra), Akiko Omo (Baixo) e Sachiko Fujii (Bateria).
O som do grupo é um Surf Rock, Rockabilly furioso tocado de forma acelerada e com muitos berros e gritos insanos.
Ao todo a discografia do grupo contém sete discos de estúdio, mas o mais celebre de todos é o Bomb The Twist (1996), que contém o grande sucesso do grupo a dançante Woo-Hoo, a canção que elas tocam ao vivo em Kill Bill.

BABES IN TOYLAND
1987 - Babes in Toyland
Estilo:
Grunge
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
1987 – 2001
Integrantes: 
Kat Bjelland (Vocal e Guitarra), Maureen Herman (Baixo) e Lori Barbero (Bateria)
Melhor Álbum:
Fontanelle (1992)
Descrição: 
O Babes In Toyland, surgido em 1987 na cidade americana de Minneapolis, já fazia um Grunge barulhento antes do termo se tornar popular e virar febre na década seguinte.
O seu disco de estreia, o Spanking Machine (1989), chamou a atenção de ninguém mais, ninguém menos que Thurston Moore do Sonic Youth, que fez questão de apadrinhar a banda e levá-la para abrir os shows do Sonic na turnê europeia.
De volta para os Estados Unidos a banda lançou o EP To Mother (1990) que foi um sucesso instantâneo, mas mesmo assim a banda estava capengando internamente, com um entra e sai de integrantes, principalmente para ocupar a vaga de baixista, ao todo seis baixistas já ocuparam a vaga, entre elas até a líder do Courtney Love.
Mas foi com Maureen Herman definitivamente no baixo, que o Babes In Toyland lançou a sua obra prima e definitiva, o disco Fontanelle (1992), que foi um sucesso de vendas com mais de 200 mil cópias vendidas só nos Estados Unidos. Nemesisters lançado em 1995, também teve aclamação dos fãs e da crítica especializada, mas mesmo com tanto prestígio e reconhecimento, a banda continuava a alimentar os seus problemas internos e foi por muita sorte que ela durou mais seis anos, encerrando de vez as atividades em 2001.

PHANTOM BLUE
1987 - Phantom Blue
Estilo: Hard Rock/Glam Metal
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
1987 – 2009
Integrantes: 
Gigi Hangach (Vocal), Michelle Meldrum (Guitarra), Nicole Couch (Guitarra), Kim Nielsen (Baixo) e Linda McDonald (Bateria)
Melhor Álbum: 
Built to Perform (1993)
Descrição: 
A Década de 80 ficou marcada musicalmente pelo Hard Rock farofa. Advindo de Los Angeles, no estado da Califórnia, um turbilhão de bandas com laque no cabelo, maquiagem, batom, bandanas e muito colorido tomaram o Rock de assalto e fizeram sucesso, fama e glória. Bandas como Mötley Crüe, Poison, Warrant, e muitas outras, causaram frisson entre as menininhas e inveja nos meninos que mesmo por trás de todo aquele visual andrógeno tais bandas reproduziam em suas músicas e também nas atitudes, um discurso machista e sexista. E foi dessa mesma cena musical que surgiu o Phantom Blue, a precursora do Hard Rock/Glam Metal feminino no Califórnia.
Tudo começou quando Michelle Meldrum e Nicole Couch duas guitarristas alunas do Paul Gilbert (Mr. Big e Racer X) resolveram montar uma banda apenas com mulheres e se reuniram com a baixista Debra Armstrong, a baterista Linda McDonald e a vocalista Gigi Hangach e assim montada a primeira encarnação do Phantom Blue. Durante as gravações do primeiro álbum, Debra deixa a banda e quem assume as gravações do baixo é Kim Nielsen, que era aluna de outro integrante do Racer X, o baixista John Alderete. Com Kim efetivada na vaga abanda lança o primeiro álbum autointitulado que já mostra uma musicalidade acima da média, superando em termos de qualidades todos os seus conterrâneos “macho-alfa”.
Na década de 90 o grupo já de contrato assinado com a Geffen Records, lançou os seminais Built To Perform (1993) e Prime Cuts & Glazed Donuts (1995).
O Phantom Blue durou até 2001, depois encerrou as atividades e cada uma das integrantes se dedicou aos seus projetos pessoais, como a baterista Linda McDonald que integrou a banda feminina de tributo ao Iron Maiden, The Iron Maidens. Mas em 2009 a banda se reuniu para uma série de shows comemorativos.

BAMBIX
1988 - Bambix
Estilo:
Punk Rock/Hardcore
Origem:
Holanda
Periodo de Atividade:
1988 – Presente
Integrantes: 
Willia van Houdt (Vocal e Bateria), Nathalie Delisse (Guitarra e Voz), Maniet Voets (Baixo e Voz)
Melhor Álbum:
Leitmotiv (1998)
Descrição: 
O Bambix que hoje conta apenas com a fundadora, guitarrista e vocalista Willia, do sexo feminino na banda, em seu gênese a coisa era bem diferente, a banda era formada apenas por mulheres e Willia divida a função de baterista e vocalista.
Formado na Holanda em 1988, a primeira formação do Bambix contava com Willia van Houdt (Vocal e Bateria), Nathalie Delisse (Guitarra e Voz) e Maniet Voets (Baixo e Voz), e foi com essa formação que grupo gravou o seu primeiro EP intitulado de They Even Took the Memory (1989).
Depois disso, Willia foi para guitarra, Maniet Voets ficou na banda por um tempo, mas logo depois saiu também e hoje o Bambix, que é uma grande entidade do Punk/Hardcore mundial, é uma banda capitaneada pela grandiosa Willia e conta com o baixista Burn von Pey e o baterista Don Cardeneo.

Amanhã voltaremos com mais.

Especial, Fila Benário Fala

As Bandas Femininas de Todos os Tempos – Anos 70

Dando continuidade ao especial inciado ontem (leia aqui) sobre as bandas femininas de todos os tempos, hoje nós iremos abordar toda década de 70 com os seus grupos que foram essenciais para a história do Rock.

Bora viajar?

ANOS 70

THE RUNAWAYS
1975 - The Runaways
Estilo: Punk Rock/Hard Rock
Origem:
EUA
Periodo de Atividade:
1975 – 1979
Integrantes:
Cherie Currie (Vocal), Joan Jett (Guitarra e Voz), Lita Ford (Guitarra), Jackie Fox (Baixo) e Sandy West (Bateria)
Melhor Álbum:
The Runaways (1976)
Descrição: 
Quando se fala em bandas femininas com certeza The Runaways é o primeiro nome que vem a mente. Formada na Califórnia, no ano de 1975, sob a tutela do lendário produtor Kim Fowley, em apenas quatro anos de existência as Runaways escreveram um importante capitulo na história do Rock.
O seu debut álbum auto-intitulado, lançado em 1976, é um clássico absoluto, com sucessos do tamanho de Cherry Bomb, You Drive Me Wild e Dead End Justice.
Nos Estados Unidos elas chegaram a abrir os shows de bandas como Van Halen e Ramones, no entanto o maior numero de fãs das Runaways se encontravam no Japão, onde devoção pela banda era semelhante ao fenômeno da Beatlemania.
No ano de 1977 a banda lanç0u o seu segundo disco, Queens Of Noise, e o último com Cherie Curie nos vocais, que acabou deixando a banda. Joan Jett que fazia os backing vocals e era compositora principal do grupo assumiu os vocais e a banda lançou mais dois discos: Waitin’ for the Night (1977) e And Now… The Runaways (1978).
Com o fim do conjunto em 1979, devido as diferenças musicais de Joan Jett e Lita Ford, a primeira era mais voltada para o Punk Rock e a segunda para o Heavy Metal, cada uma das integrantes saíram em carreira solo, sendo a Joan Jett a que mais obteve sucesso comercial e se mantém na ativa até presente momento. A baterista Sandy West, tentou diversas investidas na industria musical, mas acabou despedindo desse mundo em 2006 vitima de câncer.
Em 2010 chegou às telas o filme “The Runaways” que conta toda trajetória do conjunto porém com ênfase na vida de Joan Jett (interpretada pela Kristen Stewart) e Cherie Currie (Dakota Fanning).
Sem sombra de duvidas, a maior de todas as bandas femininas!!!

ROCK GODDESS
1977 - Rock Goddess
Estilo:
Heavy Metal
Origem:
Inglaterra
Periodo de Atividade:
1975 – Presente
Integrantes: 
Jody Turner (Vocal e Guitarra), Tracey Lamb (Baixo) e Julie Turner (Bateria)
Melhor Álbum: Rock Goddess (1983)
Descrição:
Formada em Londres no finalzinho da década de 70, o Rock Goddess bebia claramente na fonte da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal), alcunha criada para definir o estilo de Heavy Metal feito na terra da rainha, tocado por bandas como Iron Maiden, Saxon e Judas Priest. Assim como a maioria das bandas desse especial, ela também é formada por irmãs, as integrantes Jody e Julie Turner, Vocalista/Guitarrista e Baterista respectivamente. Só no ano de 1983 que a banda lançou o seu primeiro álbum, autointitulado, e que continha os sucessos, Heavy Metal Rock’n’Roll, Satisfied Then Crucified, My Angel e In the Heat of the Night. O disco ficou na posição 65º nas paradas britânicas e nos anos seguintes a banda passou abrir os shows do Iron Maiden e do Def Leppard. No ano de 1987 a banda encerra as atividades, alegando indiferenças pessoais, o que fez a baixista Tracey Lamb entrar por um tempo na banda que iremos abordar logo abaixo, mas sete anos depois elas retornam para o delírio de todos e continuam na ativa até hoje.

GIRLSCHOOL
1978 - Girlschool
Estilo:
Heavy Metal
Origem:
Inglaterra
Periodo de Atividade:
1978 – Presente
Integrantes:
Kim McAuliffe (Vocal e Guitarra), Jackie Chambers (Guitarra e Voz), Enid Williams (Baixo) e Denise Dufort (Bateria)
Melhor Álbum:
Demolition (1980)
Descrição:
Conhecidas como “As Motörhead’s de Saias” o som das Girlschool é claramente influenciado pelo famoso trio de Lemmy Kilmister, alias o próprio Lemmy já havia notado a grande semelhança e meio que “adotou” as gurias pra si, colocando-as para abrir diversos shows da turnê mundial da banda. E nos anos 80 as duas bandas lançaram o EP St. Valentine’s Day Massacre (1981) que contava com o Headgirl (a junção das duas bandas) tocando Please Don’t Touch do Johnny Kidd & The Pirates, as meninas fazendo uma versão de Bomber do Motörhead e eles por sua vez tocando o sucesso Emergency delas.
Mas não pense que a trajetória da banda foi ficar na sombra do Motörhead, o Girlschool sempre teve força própria, um público fiel e uma discografia irretocável, lançando clássicos atrás de clássicos, como Demolition (1980), Girlschool (1993), Believe (2004) e Legacy (2008). Mesmo após o falecimento da guitarrista e uma das fundadoras do grupo, Kelly Johnson, o Girlschool continua na ativa até o momento.

Amanhã tem mais.