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Foo Fighters resgata a simplicidade perdida em ‘Saint Cecilia EP’

Saint Cecilia EP

Após uma contagem regressiva surgir no site oficial da banda, denunciando que alguma novidade estava por vir, no último final de semana o Foo Fighters lançou o tão comentado Saint Cecilia EP.

O disquinho contém 5 faixas que foram gravadas em uma sessão única no Hotel ‘Saint Cecilia’ em Austin, Texas, uma das cidades visitadas na série (que originou o disco) Sonic Highways (2014), em meados de setembro desse ano. Com um total de 18 minutos de música, após a audição completa e atenciosa de Saint Cecilia chegamos à conclusão que todas as canções que completam esse EP deveriam facilmente ocupar o tracklist de Sonic Highways, já que esse, por sua vez, se perde na sua grandiosidade desnecessária.

Saint Cecilia abre com a faixa título, uma canção tipicamente Foo Fighters, de levada pop, simples, de refrão pegajoso e forte sentimentalismo. Encaixaria perfeitamente no tracklist do There Is Nothing Left To Lose (1999).  Essa é a identidade da banda, o Foo Fighters se tornou grande por seguir esse padrão, e que bom que Dave Grohl acordou a ponto de reviver os seus períodos de simplicidade musical sepultando de vez essa epopéia sonora que nos enfiou goela abaixo com Sonic Highways.

A canção seguinte, Sean, é um chupim descarado do Hüsker Dü. Grohl nunca escondeu a sua obsessão pelo grupo, a ponto de convidar o líder Bob Mould para uma participação mais do que especial na música Dear Rosemary no disco Wasting Light (2011), e o mesmo Mould retribuiu o convite chamando Dave para participar do seu Show/DVD/Tributo, See a Little Light: A Celebration of the Music and Legacy of Bob Mould, além de ressuscitar as guitarras nos seus dois trabalhos recentes – Silver Age (2012) e Beauty & Ruin (2014) – e atribuir isso aos Foo Fighters.
Sean é um Punk Rock direto, divertido e sensacional como era feito pelo trio de Minneapolis.

Savior Breath presta tributo a outra banda favorita de Grohl, o Motörhead, seguindo o mesmo pique Rock n’ Roll, Metal e Punk do trio comandado por Lemmy Kilmister.
A produção sonora que até então vinha cristalina e audível, nessa canção ela soa um pouco embolada e “suja”, provavelmente proposital, e isso não tira o mérito da canção que se torna mais agressiva e jovial.

Iron Rooster vem para cadenciar Saint Cecilia, mas não coloca tudo a perder. Com exceção da supracitada megalomania de Sonic Highways, Dave Grohl é um grande midas musical, porque ele tem a capacidade de compor uma canção simples, uma canção com odes a sua adolescência punk e ao mesmo tempo consegue compor uma balada tocante. E é o caso dessa belíssima canção.

E The Neverending Sigh, que tinha a sua introdução tocada de fundo no site oficial da banda, enquanto rolava a contagem regressiva para o lançamento do EP, fecha Saint Cecilia de forma sublime e crescente. Segundo Dave Grohl, The Neverending Sigh foi composta a mais de 20 anos, chegando até ter um outro nome anteriormente, 7 Corners. Ela é um casamento perfeito da fase One By One (2002) da banda, no qual ficou demarcado o início do amadurecimento musical do Foo Fighters, com o próprio disco de estreia autointitulado, que carrega uma veia Punk/Grunge acelerada.
Se a intenção do Foo Fighters é explorar outras nuances sonoras, crescer, amadurecer e se tornar grande, The Neverending Sigh é prova que a banda pode inovar, mas sem perder as raízes que lhe consagrou.

Resumindo, nas cinco faixas que compõem o EP, em duas encontramos o Foo Fighters prestando homenagens as suas principais influências musicais, em outras duas a formula simples-pop-perfeita que une melodia, sentimentalismo e peso, e por fim, na última música, um Foo Fighters que se curvou ao seu passado, ressuscitou uma música de duas décadas atrás e a preencheu com os elementos que tornaram a banda a mais relevante dos últimos tempos.

O disco foi disponibilizado no site oficial da banda para download gratuito, e junto com os arquivos em mp3, a pasta zipada ainda conta com uma carta escrita pelo próprio Dave Grohl contando os bastidores das gravações de Saint Cecilia, e por fim encerra o texto dando uma deixa para um suposto fim da banda.
Desculpa, mas não irei cair nesse truque pela terceira vez seguida. Em 2008, logo após o lançamento do Echoes, Silence, Patience and Grace (2007), a banda também anunciou um hiato de tempo indeterminado, todo mundo surtou, um ano depois a banda retornava as atividades lançando um Greatest Hits (2009) com duas canções inéditas (Wheels e Word Forword). Em 2012 a banda anuncia novamente um suposto fim em pleno festival de Reading na Inglaterra, mas esse fim trava-se do período de produção e filmagens da série Sonic Highways.
E depois que o produtor Butch Vig já revelou que virá uma nova temporada de Sonic Highways por ai, essa cartinha de “O fim está próximo”, não me engana.

Enfim, Saint Cecilia EP deixa um gostinho de quero mais e elimina de vez o gosto amargo deixado pelo disco antecessor. A prova concreta de que menos é mais, sempre.

Bem-vindos de volta, Foo’s

Ouça abaixo o EP na íntegra:

Leia aqui no Foo Fighters Br a tradução da carta escrita por Dave Grohl que acompanha o disco.

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Foo Fighters e a Demo de Um Milhão de Dólares

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Após 13 anos de espera, na última quarta-feira finalmente os fãs mais ardosos dos Foo Fighters tiveram motivos de sobra para comemorar, finalmente vazou na internet a versão completa da “Million Dollar Demos” (A Demo de 1 Milhão de Dólares), o verdadeiro “Santo Graal” da banda.
Não sabe do que se trata? Calma que nós explicamos, mas para isso precisamos voltar no tempo.

O ano de 2001 não foi um dos melhores para Dave Grohl & Cia, mesmo depois de ter lançado um álbum grandioso como o There Is Nothing Left to Lose (1999) repleto de hits (Breakout, Learn To Fly, Generator e Next Year), conquistando até então o inédito prêmio Grammy, na categoria “Melhor álbum de Rock”, ocasionou uma turnê gigantesca que passou por terras tupiniquins, onde a banda se apresentou pela primeira vez em Solo Brasileiro no festival Rock In Rio na mesma noite que R.E.M e Beck.
O ano ficaria marcado pela quase perda de um integrante da banda. Enquanto o Foo Fighters fazia uma turnê por Londres, o baterista Taylor Hawkins, na época usuário declarado de drogas, sofreu uma overdose quase fatal de heroína ficando em coma por dois dias. E foi nesse clima de pós overdose e reabilitação de Taylor que a banda inicia as gravações do que seria o seu quarto álbum.

COMEÇAM AS GRAVAÇÕES
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Seguindo a mesma lógica do antecessor, o futuro álbum foi gravado no próprio estúdio da banda, o 606 Studio, na época localizado no porão da casa de Dave Grohl em Virginia – Washington. Hoje o mesmo se encontra em Encino, no estado da Califórnia, próximo à residência de Grohl.
No entanto a vontade do grupo em realizar e finalizar o trabalho era pequena.
Trancafiados no estúdio pouca coisa era produzida, e o que era feito não era do agrado de todos.
Chris Shiflett, guitarrista do grupo, que na época gravava o seu primeiro álbum com a banda chegou a declarar: “Era minha primeira vez no estúdio, era tudo muito estranho, pois eu chegava ao meio-dia, comia alguma coisa, tomava um café e ia embora sem ter tocado absolutamente nada”.
Nate Mendel, o discretíssimo baixista, também demonstrava insatisfação com as gravações meia boca: “Eu estava com saco cheio, eu tocava sem vontade e o Dave vinha e dizia: Isso que você está tocando não casa com o vocal”.
E Dave por sua vez também se demonstrava totalmente descontente com rumos que tomava o novo álbum do conjunto: “Sempre quando eu ouvia o que já tínhamos gravado eu pensava: Não sei se quero que outra pessoa ouça isso”.
A princípio havia 18 músicas gravadas, e um possível tracklist do que viria ser o disco contava com as canções Have It All, Come Back, Burn Away, Halo, Gun Beside My Bed, Lonely as You, Tired of You, além do futuro clássico All My Life.
O álbum ainda não havia titulo, mas recebeu o carinhoso apelido de Tom Petty. As gravações finalizaram no mesmo ano, mas o resultado final desagradou até o empresário da banda, Jon Oliva, que disse que o mesmo poderia ser lançado, mas que ele não tinha certeza se conseguiria vender alguma coisa.
Outro fator conturbado dentro das gravações de Tom Petty, foi a troca de produtor durante a conclusão do álbum. Inicialmente Adam Kasper, também produtor do álbum anterior da banda, o There Is Nothing Left To Lose, havia assumido a produção do disco, no entanto abandonou a mesma na metade, sem motivo aparente, e quem assumiu foi Nick Raskulinecz, conhecido por trabalhos com Rush, System of a Down, Alice In Chains, Stone Sour, e que já tinha trabalhado com o Foo Fighters na produção da música A320 (ouça aqui) que integrou a trilha sonora do filme Godzilla (1998) e depois ele voltaria a trabalhar com a banda nos discos In Your Honor (2005), Skin and Bones (2006) e Echoes, Silence, Patience and Grace (2007).

O produtor Nick Raskulinecz
O produtor Nick Raskulinecz

E o ponto máximo que necessita ser frisado é que nessa brincadeira toda entre custos de produção, locação de equipamentos e o tempo ocioso de pré e pós produção do disco, o mesmo chegou ao assustador valor de 1 milhão de dólares.

UMA PEDRA NO CAMINHO
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No meio das gravações do tal disco conturbado, a banda de Stoner Rock Queens Of The Stone Age sofria a saída do seu baterista Rob Oswald e recruta Dave Grohl para a gravação do próximo álbum, este por sua vez não apenas aceita o convite como também sai em turnê com o conjunto para a divulgação do mesmo, deixando para trás o Foo Fighters com um péssimo disco inacabado nas mãos e o futuro incerto, instalando assim de vez a crise na banda.
Em 2002 Songs For The Deaf é lançado e aclamado pela critica como um dos melhores álbuns do QOTSA.
DavE Grohl em sua melhor forma, relembra os velhos tempos de Nirvana em um disco onde esbanja técnica e fúria, os principais destaques são os singles Go with the Flow e No One Knows no qual ganhou um videoclipe com a participação de Grohl.

A banda sai em turnê durante seis meses e um desses shows era no festival Coachella na Califórnia, no entanto o Foo Fighters também foi convidado para participar do festival, tocando como um dos principais na noite seguinte do Queens.

Cartaz do Coachella 2002: Queens Of The Stone Age no sábado e Foo Fighters no domingo
Cartaz do Coachella 2002: Queens Of The Stone Age no sábado e Foo Fighters no domingo

Era chegado o momento de resolver de uma vez por todas o rumo da banda.

O QUASE FIM
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Com o convite para o Coachella a banda se reuniu para ensaiar, porém clima não era dos melhores, afinal de contas, fazia nada mais, nada menos que seis meses que a banda não se encontrava e ainda havia um imenso espinho entalado na garganta que era o tal álbum maldito de 1 Milhão de Dólares.
Durante o ensaio o clima esquentou e farpas foram trocadas, principalmente entre Dave e Taylor que guardavam magoas um do outro, Taylor não aceitava o abandono do líder da banda para seguir o Queens em turnê, e Dave por sua vez se mostrava ressentido pelo baterista não ter apoiado a sua volta ao instrumento que o projetou ao sucesso, e não achou nada demais ter saído em turnê com o Queens of The Stone Age, levando em consideração que a banda também não estava emprenhada como deveria estar na gravação do novo álbum, a briga encerrou com Taylor anunciando a sua saída da banda após o show no Coachella.
Porém o show no festival foi espetacular, a banda se mostrou gigante e empenhada e após o show Taylor confessou a Dave que continuaria na banda, e o Dave por sua vez optou por voltarem para o estúdio e refazer todo o álbum novo.

ONE BY ONE CONCLUÍDO
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O Foo Fighters refaz todo o álbum que consumiu a banda e quase a fez encerrar as atividades, quanto tempo levou tudo isso? Apenas uma semana!
O Tracklist era o mesmo da outra vez, as únicas modificações foram a troca de titulo de Gun Beside My Bed para Overdrive, e a inclusão da poderosa Times Like These que tem a letra baseada nesse período turbulento que a banda passou nos últimos seis meses.
A produção continua a cargo de Nick Raskulinecz, e essa era a primeira vez que o Foo Fighters gravaria um álbum com recursos digitais, ou seja, com computadores. Levando em consideração que os três álbuns antecessores foram gravados de forma analógica, ou seja, em fitas, e curiosamente, nove anos depois do lançamento de One By One, o Foo Fighters voltava a gravar de forma analógica no álbum Wasting Light, lançado em 2011.
No dia 22 de outubro de 2002 One By One é finalmente lançado e o single All My Life apresenta a fúria do álbum para todo o mundo, afinal de contas é trata-se da canção mais forte, pesada e enérgica do álbum e de toda a carreira da banda.
O resto do álbum é formado por excelentes canções: Times Like These, que viria ser o segundo single da banda, se tornou uma das canções mais importante da mesma, chegando a ganhar dois videoclipes um veiculado em todo mundo que trazia a banda tocando em cenário psicodélico relembrando os clipes antigos de bandas como Black Sabbath e Deep Purple. E a versão americana, com a banda tocando debaixo da ponte de Victorville na Califórnia.
Outros principais destaques do disco são as pesadíssimas Have It All e Low, e a bela balada Halo.
No entanto é importante ressaltar que One By One não chega ser álbum ruim, longe disso, mas é um disco difícil de ser digerido na primeira audição, e isso cabe ao excesso de músicas longas, com bastantes passagens instrumentais de clima dark, parecendo até em certos momentos, obras do Rock Progressivo, Come Back, por exemplo, por mais que seja uma ótima canção, ela beira nove minutos de duração, com longas passagens sem vocais, tocadas no violão. Outro destaque negativo fica por conta de Tired of You, que apesar da participação mais do que especial de Brian May (Queen) nas guitarras, é tida por muitos como uma das piores canções da carreira do Foo Fighters, por ser monótona e sem variação.
Em algumas entrevistas após o lançamento de One By One, Dave Grohl chegou a afirmar que o disco não era um dos seus favoritos da banda e que apenas as quatro primeiras músicas se salvavam de lá, e que o resultado abaixo da média se dava ao fato dele ter sido refeito e gravado rapidamente para assim atender o prazo estipulado pela gravadora. Hawkins também complementa a sua opinião sobre álbum: “Deveria ser chamar Half And Half (meio a meio), ele é meio bom e meio ruim, provavelmente não é o melhor da banda, mas é a fotografia daquele momento em que quase terminamos. Nós não sabíamos o que fazer”, salienta o músico.
Mas One By One rendeu grandes frutos para o Foo Fighters, o disco ganhou o prêmio Grammy em 2003 de “Melhor Disco de Rock”, e All My Life abocanhou a gramofone dourado na categoria “Melhor Performance de Hard Rock”.
Em termos de venda, One By One se saiu muito bem, no Reino Unido ficou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos, batendo inclusive a coletânea do Nirvana recém lançada na época que ficou em terceiro lugar.
Outra curiosidade intrigante a respeito de One By One, é que a sua famosa capa, a ilustração de um coração preto no fundo branco, foi feita nada mais nada menos por Raymond Pettibon, renomado artista plástico Punk, conhecido pelas ilustrações nas capas de discos do Black Flag (além de ter criado o logotipo da banda), Sonic Youth e recentemente a banda OFF!

Algumas capas de Raymond Pettibon: Paranoid Time (Minutemen), Jealous Again (Black Flag), Goo (Sonic Youth) e álbum de estréia do OFF!
Algumas capas de Raymond Pettibon: Paranoid Time (Minutemen), Jealous Again (Black Flag), Goo (Sonic Youth) e álbum de estréia do OFF!

13 ANOS DEPOIS O MUNDO FINALMENTE CONHECE AS CANÇÕES ORIGINAIS
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No final de 2011 a banda lança o seu primeiro documentário intitulado de Back and Forth que conta toda a trajetória da banda em seus 11 anos de carreira na época, e no capitulo dedicado ao álbum One By One a banda relembra todas as dificuldades vividas durante as gravações do álbum, e as faixas que originaram o disco eram tão esculhambadas pela banda no filme que despertou a curiosidade dos fãs de ouvir como ficou o resultado final.
O que não esperávamos é que no ano seguinte, seriamos surpreendidos com trechos de quase todo o disco, que foi disponibilizado pela própria banda na internet, e a recepção por sua vez foi animadora, muitas canções se saíram melhor do que a versão que foi revistada e incluída no One By One, como é o caso de Lonely as You e Come Back com um resultado bem superior do que foi lançado em cd.
O que nos faz pensar porque será mesmo que ele foi refeito?
E no último dia 5 de agosto de 2015 que a página italiana do fã clube da banda no Soundcloud, o Foo Fighters Italian Fan Club, disponibilizou na integra as faixas da famosa Demo de 1 Milhão de dólares.
Nós do Fila Benário Music ouvimos inteirinha e as nossas impressões faixa-a-faixa você pode ler abaixo:

All My Life
O que diferencia da original é um começo mais demorado e fantasmagórico antes do famoso riff da introdução. Outro trecho diferente é na parte berrada “Done, done, and I’m on the next one”, que nessa versão o berro está mais comprimido e sem os efeitos da versão oficial.
Do mais é a mesma canção só que sem o brilho de produção, ou seja, com mais punch e peso.

Have It All
A introdução tocada pela guitarra aqui nessa versão é um pouco mais demorada do que a que saiu em One By One, demora cerca de 12 segundos, contra seis segundos da oficial.
O resto da canção não compromete.
https://soundcloud.com/ffifc/foo-fighters-have-it-all-million-dollar-demos-full-song

Halo
Uma das mais belas baladas do Foo Fighters, em sua versão demo ela aparece com uma introdução mais longa também, e com efeitos bem precários de guitarras, no entanto a estrutura musical é a mesma, o refrão continua com a mesma carga emocional, o berro “Disappear before we fade away” antes das oitavadas de guitarra continuam firme e forte.
Foi a que menos mudou.

Lonely As You
Ao contrário da anterior, Lonely As You surge aqui irreconhecível e muito superior a versão que entrou em One By One, o que nos leva a questionar: porque essa ficou de fora?
Se na versão oficial a música começa com uma guitarra dedilhada sem efeitos com a voz de Dave Grohl sussurrando o trecho: “What would I do? Lonely as you”.
Nessa versão já começa com um riff distorcido de guitarra tocando as notas da estrofe da música, e minutos depois um alucinado Grohl entra berrando em tons altíssimos a letra da canção.
Se na versão oficial a banda inova fazendo passagens Ska que lembra em alguns momentos algumas coisas swingadas do The Police, aqui é tudo direto, bruto e reto.
Uma das melhores da demo.

Overdrive
Essa já era conhecida do público nos shows da turnê do There Is Nothing Left To Lose, no entanto ela atendia pelo nome de Gun Beside My Bed.
Mantém o pique poppy punk, mas por ser uma versão demo ela aparece sem peso e distorção nas guitarras, e a bateria segue uma batida mais swingada, ao contrário da batida seca e reta da versão original.

Burn Away
Se na versão original a canção começa com um curto riff de guitarra já dando a deixa para o resto da banda entrar na música. Aqui o riff se prolonga mais um pouco.
Considerada por Dave a música mais pesada da banda pelo fato das guitarras terem sidas afinadas com tom abaixo, na versão demo ela mantém o peso.

Come Back
Ao lado de Lonely As You é a canção mais irreconhecível da demo e que deveria estar no tracklist oficial do One By One.
Se a versão original dura cerca de nove minutos, com passagens monótonas no violão e com ar progressivo, aqui o que encontramos é Rock puro.
As diferenças já começa na introdução, enquanto a versão oficial começa com um bom riff de guitarra distorcida que dura 10 segundos, na versão de 1 milhão de dólares a música já começa de imediato com Dave solando uma guitarra na introdução, enquanto Chris faz uma base nervosa na outra.
A bateria também está diferente, e para melhor, Taylor Hawkins faz uma batida usando o os tons e o surdo ao mesmo tempo, dando mais peso e impacto a canção. E Dave Grohl mais uma vez berra os versos em tons altíssimos, uma das suas melhores interpretações vocais.
Enfim, deveria estar no álbum.
https://soundcloud.com/ffifc/foo-fighters-come-back-million-dollar-demos-full-song

Balanço final
Com exceção de Come Back e Lonely as You, o resto não difere muito das versões que entraram oficialmente no tracklist de One By One.
Mas que esse apanhado de canções demo sem produção dá um show no mega ultra hypado e pomposo Sonic Highways, isso dá sim, sem sombra de dúvidas.
Fazendo reinar a lógica matemática da música: Onde menos é mais.

Fila Benário Fala, Foo Fighters

Dave Grohl não é deste mundo

Dave Leg

Imagine a situação, você é fã de uma determinada e renomada banda internacional, e a mesma anuncia um show no seu país. Você junta dinheiro, compra o salgado ingresso no cartão de crédito parcelado em mil vezes e espera ansiosamente o dia do show.

Eis que o show chega e logo na segunda música o vocalista desequilibra e cai do palco de uma altura de mais de três metros. Você fica preocupado com o bem estar do artista e tristemente pensa: “Nossa… lá se foi o show que eu tanto esperei”.

Mas quando se trata de Dave Grohl, o guitarrista, vocalista e frontman do Foo Fighters, o impensável acontece. Com certeza você já dever ter lido a respeito do tombo do músico na apresentação da banda na Suécia na última sexta, 12 de Junho. Dave caiu e fraturou a tíbia, o osso lateral da perna. Conforme no vídeo abaixo.

Deitado no chão, o vocalista pediu um microfone e disse para plateia: “Eu acho que quebrei a minha perna, mas fica aqui a minha promessa, eu vou ao hospital, e voltarei para terminar o show”. E a promessa de Dave foi cumprida, em menos de 20 min ele estava de volta ao palco, carregado em uma maca e com a perna imobilizada e deu sequencia ao show sentado e chegou a movimentar de muletas na frente da passarela anexa ao palco.

Foi com certeza a notícia mais aclamada e compartilhada da semana, e foram muitos os que chamaram o músico de herói – em alusão ao grande sucesso do Foo Fighters, a canção My Hero – no entanto eu classifico o ato de Dave Grohl como um de profissional acima da média e principalmente um grande apaixonado pelo o que se faz.

Não vou citar o caso do projeto de funkeiro Mc Gui, porque seria um abismo de diferença compara-los, mas quantos músicos já abandonaram o palco em situações menores e demonstraram nem um pingo de respeito e ética pelo público que, de certo modo, paga o seu salário? Recentemente tivemos aqui em terras brasileiras o show do conjunto americano Puddle Of Mudd, o que para muitos era uma realização de um sonho ao assistir a primeira  apresentação  da banda no país, se tornou um pesadelo que não durou nem meia hora. O vocalista Wes Scantlin visivelmente bêbado e drogado, subiu ao palco do HSBC Brasil e não conseguiu cantar às suas canções, abandonou o palco sob vaias da plateia.

Como não esquecer do caso Guns n’ Roses em 1992 em Montreal, Canadá. Em turnê conjunta com o Metallica, o grupo de James Hetfield teve o show encurtado pelo incidente com os fogos de artifícios no palco que causaram queimaduras de segundo e terceiro grau no vocalista. O Guns por sua vez, por conta da estrela Axl Rose, demorou para começar o show, e o vocalista abandonou o palco alegando indisposição na garganta. O show foi cancelado e o público começou o maior quebra-quebra, com direito a carros virados no estacionamento.

Viatura da polícia virada após cancelamento do show do Guns N' Roses
Viatura da polícia virada após cancelamento do show do Guns N’ Roses

Alias o Guns n’ Roses é a banda mais antiprofissional da face da terra, com shows começando duas horas depois do horário previsto, e ao ser questionado sobre isso, Axl Rose deu a seguinte resposta: “Quer assistir algo cedo, vá assistir Friends”.

Já o simpático Dave Grohl cumpriu o que prometeu, voltou para o palco, fez o show sentado e, com certeza, para aquela plateia, o seu ato de heroísmo fez da apresentação um show histórico e inesquecível.

Dave Grohl alias é um cara que deveria ter o seu cadáver doado para alguma universidade para ser estudado por gerações, afinal de contas ele coberto por alguma aura que é impossível de compreender.

Primeiro que ele teve a oportunidade participar de duas das mais importantes bandas de Rock, primeiro o Nirvana, que revolucionou a música nos anos 90, e agora o Foo Fighters, que é a principal referência Rock na virada do milênio. É claro que os haters de Dave Grohl e Foo Fighters em geral vão afirmar que Dave Mustaine também integrou duas bandas influentes, ao participar do Metallica nos primórdios e depois fundar o Megadeth, assim como Eric Clapton (Cream e Yardbirds), Ronnie Wood (Faces e Rolling Stones), Bob Mould (Hüsker Dü e Sugar), Jimmy Page (Yardbirds e Led Zeppelin), Paul McCartney (Beatles e Wings), Slash (Guns n’ Roses e Velvet Revolver), Max Cavalera (Sepultura e Soulfly), Ronnie James Dio (Black Sabbath e Dio), entre muitos outros. Concordo, isso não é uma exclusividade de Dave Grohl, mas qual outro músico já teve a oportunidade de tocar e dividir o palco com grandes nomes do Rock mundial? Só nessa lista citada acima, Dave já tocou ao lado de seis músicos.

Contra fatos não há argumentos:

Dave Grohl e Rolling Stones

Dave Grohl e Bob Mould

Dave Grohl, Jimmy Page e John Paul Jones

Dave Grohl e Paul McCartney

Dave Grohl, Slash e Lemmy

Dave Grohl e Max Cavalera

Fora isso teve Neil Young, David Bowie, Bruce Springsteen, Elvis Costelo, Joan Jett, Roger Daltrey do The Who, Paul Stanley do Kiss, Brian May e Roger Taylor do Queen e muitos outros. O que deixa bem claro o seu enorme talento, afinal de contas essa galera toda não iria “se queimar” tocando ao lado de um qualquer né?

E após o acontecimento da última sexta e a sua lição de profissionalismo, Dave Grohl nos provou que realmente ele não é deste mundo.

Até o instante momento, Dave Grohl se encontra em Londres em recuperação, e as próximas duas datas da turnê europeia foram canceladas, porém serão remarcadas em breve.

Melhoras.

Dave

Foo Fighters, Shows

Cinco pontos negativos e positivos do show do Foo Fighters em São Paulo

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Todos já estão carecas de saber como foi o show da primeira turnê solo do Foo Fighters em terras paulistanas na última sexta-feira dia 23 de Janeiro no estádio do Morumbi. Os fãs mais “ardosos” ou até mesmo aquele mais coxinha que ouve Coldplay e Arctic Monkeys e que só conhece as canções Everlong e Best Of You classificou o show como épico. Os portais de notícias fizeram mais alarde com o pedido de casamento de um fã no palco durante o show do que a própria apresentação em si. E quem assistiu ao show em tempo real pelo site da Sky disse que tudo estava perfeito e som ótimo.
Mas In loco? Será que aconteceu exatamente tudo que andam propagando por ai? Na minha humilde opinião, apesar de ter gostado sim do show, ficou bem aquém do esperado, ainda mais comparado com apresentação emblemática que a banda fez há exatos três anos no festival Lollapalooza no Jockey Club.
Portanto listarei abaixo os cinco pontos negativos e positivos do tão esperado show do Foo Fighters na terra do samba:

PONTOS NEGATIVOS

1 – SOM BAIXO
O grande vilão da noite com certeza foi a equalização do som. Logo na primeira canção era perceptível o quão estava baixo, pensei ser uma pequena falha que seria solucionada em breve, porém o baixo som permaneceu durante toda apresentação do conjunto, havia momentos que a voz da plateia encobria os instrumentos, e era possível conversar com a pessoa ao lado sem a necessidade de levantar a voz.
Muitos culparam o estádio, afirmando que a acústica do Morumbi é péssima, discordo, já estive no estádio em outras duas oportunidades (para assistir o Metallica em 2010 e o U2 em 2011) e o som estava perfeito e alto como em todo show em arena deve ser. E fora isso o shows de abertura, tanto do Raimundos como o do Kaiser Chiefs principalmente estavam com o som em excelente volume.
Sem sombra de duvidas foi a grande baixa da noite.

2 – COMEÇO COM SOMETHING FROM NOTHING
A escolha do single Something From Nothing para abertura do show foi infeliz. Compreendo que tratava-se de uma turnê onde se divulgava o mais recente disco do conjunto, Sonic Highways e que a canção é o principal carro chefe do álbum e uma das melhores de todo disco, porém é uma canção de melodia arrastada, rebuscada, e que leva um certo tempo a engrenar, não incendiou a plateia.

3 – IMPROVISAÇÕES EXCESSIVAS EM MONKEY WRENCH
O Foo Fighters é conhecido por prolongar demais as canções ao vivo, quem esteve presente na apresentação do conjunto no Lollapalooza em 2012 presenciou uma versão estendida da canção Stacked Actors que durou dez minutos com intermináveis jams e até uma citação de Feel Good Hit of the Summer do Queens Of The Stone Age. No entanto a banda tem exagerado demais nessas improvisações o quem tem transformado esses momentos em puro tédio, e o momento onde isso ficou mais evidente foi durante a canção Monkey Wrench. No meio da canção a banda embarcou em uma Jam improvisada cheia de solos desconexos e com a luz do palco toda apagada, o tédio e impaciência tomou conta de todo o estádio que em “medida de protesto” acenderam as luzes dos celulares como se estivessem chamando a atenção da banda.

4 – IN THE CLEAR PICOTADA
A coisa mais inexplicável do show foi o veto da música In The Clear, eleita por muitos a melhor canção do Sonic Highways, ela teve a sua introdução tocada pela banda, porém logo foi interrompida por sinal do Dave Grohl que imediatamente trocou de guitarra. Falha técnica? A corda da guitarra arrebentou? As perguntas eram muitas, até a banda simplesmente começou a tocar Monkey Wrench no lugar. Como assim???

5 – AUSÊNCIA DE CLÁSSICOS
É claro que uma banda do porte do Foo Fighters com exatos vinte anos de carreira e oito discos lançados iria acabar deixando um clássico ou outro de fora, mas no caso desse show foi algo vergonhoso. Canções como Generator, Rope, Big Me, Long Road To Ruin, Hey Johnny Park e até mesmo o primeiro single lançado pelo conjunto This Is a Call ficaram de fora do repertório.
Levando em consideração que a tal Jam insuportável no meio de Monkey Wrench durou cerca de sete minutos (!!!) daria tempo de sobra de tocar pelo menos duas das canções citadas acima.

PONTOS POSITIVOS

1 – O RESGATE DE I’ll STICK AROUND
Sem sombra de duvidas esse foi o meu momento mais especial do show, o resgate desse petardo sonoro no repertório, I’ll Stick Around um dos primeiros single do álbum de estreia da banda que em 2015 completa 20 anos de lançamento.
O que me assustou foi o estádio inteiro ter se calado nesse momento…

2 – APRESENTAÇÃO DOS INTEGRANTES
A interação da banda – principalmente de Dave Grohl – com a plateia foi o ponto máximo do show, e a apresentação dos integrantes foi um verdadeiro show a parte com direito a cada um tocar um trecho da seminal Tom Sawyer do Rush e depois um bom trecho da clássica War Pigs do Black Sabbath.

3 – ALL MY LIFE É DEFINITIVAMENTE A MELHOR MÚSICA DA BANDA
No documentário lançado pela banda em 2011, o Back and Forth, o guitarrista Chris Shiflett diz que a sua canção favorita do Foo Fighters é All My Life e ele revela: “Podemos estar fazendo a nossa pior apresentação, quando tocamos essa música o show se transforma” E fui justamente isso que aconteceu durante a execução da canção, a plateia incendiou e foi ao delírio, pulou e cantou como se não houvesse amanhã.

4 – O ACÚSTICO DE DAVE GROHL
Dave Grohl vai pra beira do palco empunhando um violão e executa Skin and Bones e Wheels, o que poderia ser o momento mais morno e apático do show tornou-se o mais especial, Dave mostrou ter magnetismo, carisma e rojão de sobra para segurar toda a plateia em um momento tão intimista como foi esse.

5 – O BUTECO DO FOO FIGHTERS
Depois da execução de Times Like These com a primeira parte sendo cantada pelo Dave em voz e violão e a segunda com a banda completa em um palco pequeno montado no meio do estádio, o show virou um Pub, um verdadeiro boteco do Foo Fighters, onde os integrantes se mostravam bem a vontade e tocando grandes clássicos do Rock. Detroit Rock City do Kiss, Stay With Me do Faces além de uma versão pesada de Tie Your Mother Down do Queen com Dave Grohl na bateria e Taylor Hawkins nos vocais encantaram o público. Uma versão de Under Pressure clássico de Queen com David Bowie fechou esse set mais que especial. E um importante detalhe: O som ali estava PER-FEI-TO!!!

SALDO FINAL: Foi muito longe de ser o show épico, histórico e inesquecível que muitos cantaram a bola nas redes sociais, o som baixo e o excesso de improvisações acabou tirando o brilho da apresentação, quem esteve no Lollapalooza 2012 e presenciou o show da última sexta-feira com certeza achou apresentação da banda no festival do Perry Farrell muito melhor em termos de repertório, som e dinamismo.
Mas não foi um show ruim, pelo contrário, a banda mostrou estar na mais plena forma, tocando como nunca em um entrosamento fantástico. Chris Shiflett é de longe o melhor guitarrista dos três com muita agilidade e precisão nos solos, a cozinha de Taylor Hawkins e Nate Mendel é perfeita em total sincronia. Pat Smear é um artigo de luxo e histórico, e Dave Grohl… bem esse cara é o regente dessa orquestra que se peca pelo excesso, faz história com diversão e muito Rock n’ Roll.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES: A respeito dos shows de abertura, quando eu entrei no estádio do Morumbi os Raimundos já estavam no palco tocando Palhas do Coqueiro, ainda deu tempo de ver mais duas músicas do quarteto de Brasilia: I Saw You Sawing e Me Lambe que fechou a curtíssima apresentação do grupo. Essa é a segunda vez que vejo o Raimundos nessa nova formação e não tenho do que reclamar, é muito peso, velocidade e hits que estarão eternamente cravados na história do Rock Brasileiro.
Agora a grande surpresa ficou por conta dos ingleses do Kaiser Chiefs, não escondo de ninguém a falta de simpatia que tenho com a banda, e de toda discografia do conjunto eu acho apenas o primeiro álbum interessante e dos demais discos sobram algumas canções, porém ao vivo eles são eletrizantes, o grupo abriu a apresentação com a enérgica e quase punk Everyday I Love You Less and Less jogo ganho, ainda rolou The Angry Mob, Everything Is Average Nowadays e Ruby o grande sucesso do conjunto aqui em terras tupiniquins e que colocou o Morumbi abaixo debaixo de enorme temporal. O single I Predict A Riot uma das minhas poucas favoritas do conjunto veio também de forma brilhante, a apresentação foi encerrada com Oh My God. Showzão.

E assim foi a passagem do Foo Fighters em São Paulo em sua primeira turnê solo, esperamos a banda em breve.

Em Tempo: Ontem o canal Multishow exibiu na integra apresentação da banda no estádio do Maracanã, do pouco que eu vi (afinal uma forte chuva derrubou o sinal da minha TV) teve alguns pontos que se destacaram mais em relação a SP. No Rio rolou uma versão slow de Big Me, o clássico This Is a Call entrou no lugar de I’ll Stick Around, e In The Clear foi tocada. E no set de Cover, Tom Sawyer foi tocada na integra, porém a interminável e tediosa Jam em Monkey Wrench estava lá presente firme e forte. Agora só nos resta saber se o som lá estava bom, porque em casa estava excelente.

Abaixo uma singela homenagem a galera que foi comigo a esse show tão especial
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Foo Fighters

Afinal de contas, Quem são os Foo Fighters???

foo-fightersE eles já estão entre nós… Foo Fighters em sua primeira turnê solo pelo Brasil, justamente no ano onde a banda comemora 20 anos de carreira.
Na última quarta-feira o Estacionamento da Fiergs em Porto Alegre, recebeu o primeiro show da turnê que segundo relatos foi avassalador, com mais de duas horas de show e um set-list muito especial que passeou por toda discografia da banda.
Hoje a banda desembarca em São Paulo para um show histórico no estádio do Morumbi e eu estarei lá acompanhando tudo de pertinho com tamanha empolgação.
Sou suspeitíssimo para falar a respeito do Foo Fighters, é de longe a minha banda favorita, acho sensacional a dinâmica, a estrutura musical e seu espírito inovador. Por mais que o último álbum do conjunto – Sonic Highways – tenha pecado em muitos aspectos e se tornou um deslize em sua irretocável discografia, a série idealizada por Dave Grohl foi um grande marco na história da música ao retratar com fidelidade a história da música americana e também a oportunidade de apresentar para os ouvintes mais novos, nomes como Bad Brains, Minor Threat, Cheap Trick, Naked Raygun, Trouble Funk, Dr. John, Mudhoney, Heart, The Sonics, Sonic Youth e entre outros citados e retratados à exaustão nos episódios da série.
Quem um dia poderia imaginar que atrás da bateria do Nirvana surgiria o maior talento da música atual? Quem ouviu o tímido single de This Is a Call há exatos 20 anos, imaginária que aquela banda viria ao Brasil em três ocasiões e nessa última com status de superbanda a ponto de lotar estádios de quatro capitais?
Mas afinal, quem são o Foo Fighters? É o nome mais notório quando se fala de Rock hoje em dia, ou é apenas um produto da mídia com músicas pasteurizadas feitas pra agradar a massa?
Foi pensando nisso que eu convidei alguns grandes amigos do meio independente, dos mais variados estilos de Rock para responder: Quem são o Foo Fighters?

“Foo Fighters se tornou minha banda de ‘cabeceira’, de uns 3 anos pra cá consumi muito material dos caras e francamente eles são dever de casa pra qualquer banda que quer ingressar e inovar no mercado. Dave Grohl é o cara!! Falem o que quiser dele… É muito difícil definir uma música favorita, mas acho que ‘The Pretender’ é uma obra, entre outras mais que nem é preciso citar. Gosto muito das composições do álbum ‘Wasting Light’, sonoridade, tudo no álbum é perfeito na minha concepção. Tai uma banda que pode ser considerada uma das maiores (se não, a maior) de nossa época. Acho que depois de tantas gloriosas bandas ao longo dos anos dourados do rock, o Foo Fighters se consagrou como um ‘Gigante’ no mercado, e acho que o céu pra eles não é o limite”.
HélioHélio Valisc – Guitarrista do Ecliptyka / Vocalista e Guitarrista do Maverick

“Ao ouvir o nome da banda Foo Fighters a primeira (e única) coisa que me vem à mente é a canção ‘My Hero’ do álbum The Colour and the Shape.
Os fãs que me perdoem, mas acredito que a banda nunca saiu do terreno seguro e para mim vai sempre soar como uma banda adolescente. Suas canções me remetem àqueles filmes teenagers americanos que foram produzidos em massa no final dos anos 90 onde sempre havia um pobre coitado virgem que nunca tinha beijado uma garota e sofria por conta disso.
Não desacredito o talento da banda, porque pensando bem, se os adolescentes da minha época que sofriam pelas futilidades dessa fase escutavam Foo Fighters ou mesmo as canções açucaradas do Bon Jovi, hoje temos toda uma geração se acabando ao som de RESTART, Banda Cine e NXZero.
Ideologias à parte acredito que a banda fará um grande show em território nacional. Seus músicos são ótimos e Dave Grohl é um vocalista capaz de cativar o público com seu carisma”.
Willian
Willian Abreu – Colunista do blog Fila Benário Music

“Sei que são coisas diferentes, mas ouvi muito mais Foo Fighters do que Nirvana, acho bem melhor, bem mais relevante e sempre polemizo em rodas de amigos Rockeiros com esse comentário.
Me apaixonei por ‘How I Miss You’ desde que ouvi pela primeira vez, acho que na MTV, e numa época sem internet eu ficava torcendo pra achar aquilo de novo. Até que surgiu o Napster.
Fiquei feliz quando vi eles no Rock In Rio pela TV em 2001. Acho que aquele show foi um dos que mais me estimularam a querer ter uma banda”.
Malk
Malk – Vocalista do Betterman

“O Foo Fighters é a próxima grande banda! A criatividade e geniosidade de Dave Grohl juntamente com a história da banda e a forma com que eles trabalham, valorizando a música, respeitando as raízes do rock and roll, trabalhando de forma orgânica, fez com que eles se tornassem um fenômeno musical da nossa geração. Eu vi o Foo Fighters ao vivo na Alemanha em 2008 e desde então sou fascinado pela banda”.
Guilherme
Gui Bollini – Guitarrista e Backing Vocals das bandas Ecliptyka e Maverick

“Cara, o Foo Fighters é uma das bandas que sempre ouvi, e não tenho uma música específica ou coisa assim. Gosto muito dos álbuns ‘There Is Nothing Left To Lose’ e o ‘Wasting Light’, nesse último eu tenho um som preferido, que é a ‘Walk’. De resto tem uma porrada de sons que eu gosto bastante”.
JuninhoJunior Scalav – Baterista do Gasoline Special

“A única coisa que gosto do Dave Grohl é o disco do Killing Joke (s/t – 2003) que ele participou como baterista”.
Will
Will Geraldo – Vocalista e Guitarrista do Violent Attitude If Noticed

E pra você, quem são os Foo Fighters?
Deixe ai nos comentários enquanto eu me preparo para daqui algumas curtir o show do ano

Em Tempo: O show de hoje no estádio do Morumbi será transmitido ao vivo e na integra no perfil da Sky Live, é só acessar esse link ás 21:15 e aproveitar. E o show de domingo no Maracanã será transmitido pelo canal a cabo Multishow.

Fuçando em algumas coisas eu achei esse texto do meu antigo fotolog, onde eu conto como eu conheci a banda e o meu amor platônico por ela. O texto está cheio de erros gramaticais e com vocabulário “internetês” mas vale a pena dar uma conferida.

E mesmo em turnê pelo Brasil com os Foo Fighters, o baixista Nate Mendel acaba de divulgar o seu mais novo projeto musical, a banda Lieutenant que conta com o mesmo nos vocais, até então algo inédito. A matéria completa e a música de trabalho está aqui no site da Rolling Stone, que esse mês inclusive trás o Dave Grohl na capa e uma matéria exclusiva sobre os shows no Brasil.

E amanhã teremos a resenha completa do show aqui.

Beatriz Sanz Fala, Foo Fighters

Foo Fighters por Beatriz Sanz

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Um dia depois do início da primeira turnê do Foo Fighters pelo Brasil, e as vésperas do show que banda fará no estádio do Morumbi (e que eu terei o prazer de assistir), pedi pra minha querida parceira Beatriz Sanz escrever um pequeno depoimento sobre a importância da banda pra ela como complemento de um texto especial que estou preparando para amanhã, porém a guria me “vomitou” o texto pra lá de bom e resolvi publica-lo na integra.

Por Beatriz Sanz

Quando eu descobri o rock’n’roll e mudei completamente o meu estilo de vida (há quem discorde, mas diga-me o que toca em sua playlist e eu lhe direi quem tu és), eu entrei pela porta dos fundos. Não me envergonho em dizer que era aficionada por Simple Plan e Panic! At The Disco, até porque ainda os ouço atualmente. Mas eu mudei de ideia completamente quanto aos meus Deuses do Rock.
Então eu conheci o Dave Grohl e seu Foo Fighters, antes mesmo de saber que ele havia sido baterista daquela que se tornaria a minha banda favorita. Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic, Pai, Filho e Espírito Santo deste estilo musical.
Blasfêmias a parte, eu sempre me divertia com o clipe de Walk. CLIPE GENIAL. Mas eu nunca havia parado para analisar a guitarra suave no início e que aumenta, conforme a melodia se torna mais corrida. Nunca havia parado para analisar a beleza e os ensinamentos presentes na letra.

A primeira música que eu realmente ouvi e me chamou a atenção, pasmem, foi Wheels. Hoje, ela nem faz tanto sentido pra mim, mas houve uma época que eu a ouvia incessantemente.

Conheci o Foo Fighters e me tornei fã. No dia de hoje, The Pretender é minha música preferida da banda (eu mudo minhas listas de músicas preferidas constantemente).

E quanto ao Foo, é exatamente igual ao seu frontman. Melhoram com o tempo! (Ou alguém discorda que o Dave Grohl melhorou MUITO desde o seu tempo no Nirvana?).

Perfil - Bia Sanz

 

Foo Fighters

Assistimos todos os episódios de Sonic Highways

Dave GrohlEnquanto o canal BIS exibe todos os domingos a série Sonic Highways, que conta a origem do novo álbum do Foo Fighters de mesmo título, nós do Fila Benário Music, tivemos o prazer de assistir todos os episódios – alguns inclusive, já comentamos aqui e aqui – e vamos passar o review geral dos episódios restantes e o que se pode esperar desse ousado projeto capitaneado pelo mestre Dave Grohl.

AUSTIN É UMA CONTINUAÇÃO DE NASHVILLE
Foo Fighters em Austin
Após a parada em Nashville, a banda segue para cidade de Austin, a capital do Texas, e o cenário não é muito diferente do episódio anterior, levando em consideração que o local também é considerado a Meca da Country Music.
Se no episódio anterior eu reclamei do pouco tempo que foi dado para a trajetória do cantor country Willie Nelson, aqui ele é o astro principal, já que o mesmo abandonou Nashville e fez a sua vida e sucesso na capital do Texas.
3 - Willie Nelson
Outros gênios locais são recordados nesse episódio, como o trio de Rock n’ Roll ZZ Top, além do jovem bluesman Gary Clark Jr.
Porém o ponto de apoio do capitulo é o tradicional programa musical Austin City Limits que há exatos 40 anos apresenta o que há de melhor na música mundial, com os mais aclamados artistas tocando ao vivo no estúdio, já passaram por lá nomes como Sonic Youth, Pixies, Buddy GuyWillie Nelson e o próprio Foo Fighters na época do lançamento do álbum Echoes, Silence, Patience and Grace, tocando o single The Pretender.
Foo Fighters ACL
E é justamente no estúdio do programa que a banda grava a faixa (alias as faixas) dedicada a cidade, o medley What Did I Do?/God as My Witness.
Com certeza o melhor momento desse episódio é logo na cena inicial, onde a banda já está no estúdio para as gravações da canção, e de repente eles começam a tocar famosos hinos do rock dizendo que são novas composições do Foo Fighters para o novo álbum, Dave Grohl dedilha Stairway To Heaven do Led Zeppelin, o guitarrista Chris Shiflett por sua vez manda o riff mortal de Smoke On the Water do Depp Purple, já Pat Smear dedilha a introdução de Bohemian Rhapsody do Queen, e até o tecladista Rami Jaffee entra na brincadeira tocando um trecho de Layla do Eric Clapton. Isso até Dave Grohl ressurgir e tocar um certo riff que arranca gargalhada de todos na sala e com certeza emocionará quem assiste.
Domingo agora esse episódio vai ar no BIS e se eu fosse você, eu não perderia.

LOS ANGELES E SUA PRINCIPAL ESTRELA… PAT SMEAR
Pat Smear Los Angeles

Já o episódio feito na glamorosa Los Angeles, tem como estrela principal e ponto de partida o guitarrista Pat Smear, já que o mesmo na nasceu na cidade, viveu toda sua vida ali, e fez parte de uma das bandas mais icônicas e influentes do cenário punk local: The Germs.
Em termos musicais, o episódio é riquíssimo, levando em consideração as bandas surgidas na terra do cinema: The Mamas and The Papas, The Doors, The Runaways, Mötley Crüe, Red Hot Chili Peppers, Beck e Guns n’ Roses só para citar algumas.
Entre os entrevistados estão John Densmore e Robby Krieger, baterista e guitarrista respectivamente do The Doors; Slash e Duff McKagan eternos Guns n’ Roses, o radialista Rodney Bingenheimer, que teve um papel fundamental na proliferação do rock e da música independente local, e a eterna musa, a belíssima e genial Joan Jett que por toda a sua história foi merecidamente retratada em Sonic Highways, afinal de contas ela foi responsável pela primeira banda feminina de toda a história da California as estupendas The Runaways.
Joan Jett
Para Pat Smear, elas foram a sua principal influência, chegando a acompanhar todas as apresentações das garotas na cidade. Smear confessou que o mais atraia era o fato de elas serem da mesma idade que ele (na época 16 anos), e relembrou que na contracapa do disco delas trazia uma foto de cada integrante com o nome e a idade, e Dave Grohl diz de forma hilariante:
– Vamo fazer isso no nosso também: “Dave Grohl, 46 anos”.
A obsessão pelas as Runaways era tanta que, em 1978, Joan Jett produziu o primeiro disco do The Germs (GI) a banda de Pat Smear com o insano vocalista Darby Crash. E para Duff McKagan, foi o disco que o fez querer ser músico.
Porém a intenção do episódio é fugir de todo luxo e glamour de Hollywood e ir para o deserto, e é lá onde está localizado o estúdio Rancho De La Luna que foi cenário das gravações da canção Outside, dedicada a cidade e que contou com a participação do lendário guitarrista Joe Walsh (James Gang e The Eagles), a cena que conta com Walsh é o momento mais pessoal do baterista Taylor Hawkins que é fã confesso do guitarrista e chega a se emocionar durante as gravações.

Taylor Hawkins emcionado pós as gravações de Joe Walsh
Taylor Hawkins emcionado pós as gravações de Joe Walsh

E se você sempre quis saber de onde surgiu a amizade quase irmandade de Dave Grohl e Joshua Homme (líder do Queens Of Stone Age) a ponto de um colaborar sempre com o projeto do outro e de terem formado o supergrupo Them Crocked Vultures junto com John Paul Jones (Led Zeppelin), esse episódio é a resposta.

NEW ORLEANS, O MELHOR DE TODOS!!!
Dave Grohl New Orleans

É de longe para mim o melhor episódio de toda a série, e faz jus In The Clear, a canção gravada na cidade e dedicada à mesma, ser a melhor música de Sonic Highways.
Em New Orleans não tem entrevistas com figurinhas carimbadas como Slash, Josh Homme, Joan Jett, Willie Nelson, Dolly Parton e Zac Brown. Mas tem música de verdade correndo nas veias de cada cidadão daquele patrimônio histórico e cultural em forma de cidade.
Conhecida como a capital do autêntico Jazz e dos tradicionais desfiles musicais de rua, New Orleans foi berço de grandes nomes do gênero como: Louis Armstrong, Fats Domino e passando pelo pirado Dr. John. Também foi berço do rock com o grandioso Little Richard, se estendendo até o funk-rock dos geniais The Meters, banda que foi inspiração do Led Zeppelin. Isso sem contar a soul music de Aeron Neville e Harry Connick Jr e o hip hop de Juvenile.
O local escolhido para as gravações de In The Clear foi a tradicional casa de shows Preservation Hall, que começou como uma taberna espanhola, depois virou um estúdio de fotografia de aristocratas até se tornar a principal casa de shows de jazz da cidade, sendo até hoje o principal local do gênero. Hoje o Preservation Hall é mantido por Ben Jaffe como herança do seu falecido pai e amante da boa música. Ben também é líder da Preservation Hall Jazz Band, que fez uma participação mais do que especial na canção In The Clear.
Ben
Outros dois grandes nomes desse episódio é o músico e compositor Allen Toussaint, criador de um dos maiores hits já feitos em New Orleans a canção Southern Nights e o músico Troy Andrews, mais conhecido como Trombone Shorty, um jovem que começou na música ainda garoto, com apenas 5 anos, dividindo o palco do tradicional Jazz Festival com o guitarrista Bo Diddley e hoje se tornou um dos maiores e mais respeitados músicos da nova cena musical de New Orleans.
Trombone Shorty
Apesar de retratar o drama vivido pelos moradores New Orleans com a passagem do furacão Katrina em 2005, todo o tom do episódio de pura alegria e diversão, e entre tantas cenas divertidas e importantes eu escolho duas como minhas favoritas, a primeira é a gravação da bateria de In The Clear, em que Taylor Hawkins vai buscar Dave Grohl no bar em frente ao estúdio para que o mesmo confira o resultado final da canção, e enquanto Dave ouve, um empolgado Taylor dança de forma engraçada ao som da música.

Taylor Hawkins "despirocando" para a vergonha alheia de Dave Grohl
Taylor Hawkins “despirocando” para a vergonha alheia de Dave Grohl

E a outra é quando o baterista da Preservation Hall Jazz Band convida todo alegre e feliz os Foo Fighters para ir no dia seguinte a noite na casa da sua tia para uma Jazz Session regada a muita música e comida.

Chris Shiflett participando da Jazz Session
Chris Shiflett participando da Jazz Session

O episódio encerra da melhor forma possível, com o Foo Fighters se apresentando no Preservation Hall de portas abertas e com a rua tomada de gente, com a participação da Preservation Hall Jazz Band e de Trombone Shorty.

Show no Preservation Hall
Show no Preservation Hall

Assista e você terá presenciado o melhor episódio de toda a série.

O RENASCIMENTO EM SEATTLE
Dave deitado

Apesar de toda carga emocional existente em Seattle, afinal de contas a cidade foi berço de uma das maiores bandas existentes do rock mundial, o Nirvana, onde Dave Grohl, hoje líder do Foo Fighters fez parte, e que perdeu o seu líder Kurt Cobain de forma trágica. O episódio lá feito que deu a origem a música Subterranean, pra mim teve mais valor histórico do que emocional, e já explico o porquê.
Durante toda a existência do Nirvana, Dave Grohl sempre compôs inúmeras canções, e foi até o Robert Lang Studio com a ajuda do produtor Barrett Jones e registrou todas gravando todos os instrumentos e vocais. Muitas delas são conhecidas, pois integraram o primeiro álbum dos Foo Fighters, o auto-intítulado de 1995, porém as demais – com exceção de Marigold que foi gravada pelo Nirvana – ficaram perdidas no tempo, é justamente nesse episódio que muitas canções até então inéditas aparecem, e fica aquela sensação que elas deveriam um dia ser aproveitadas pelos Foo Fighters.
Quando o Barrett mostra a gravação do funk-rock Hooker On The Street, Dave Grohl quase cai na cadeira de tanta vergonha, a mesma cena se repete com a Watered It Down, com o seu refrão repetido a exaustão, porém as demais canções apresentadas empolgam Grohl. Torcemos para que elas vejam a luz do sol um dia.

Dave Grohl com vergonha do seu passado.
Dave Grohl com vergonha do seu passado.

No mais, o restante do episódio é um apanhado geral na cena musical de Seattle, que foi fortemente influenciada pelos The Sonics uma das primeiras bandas a fazer rock n’ roll selvagem nos anos 60. Depois voamos para os anos 70 e lá temos as irmãs Wilson com icônico Heart.
Nancy
E obviamente a cena Grunge no final dos anos 80 que catapultou uma série de bandas para o cenário musical Mudhoney, Soundgarden, Pearl Jam, Alice In Chains e Nirvana.
A criação do selo Sub-Pop, a moda Grunge, o sucesso meteórico do Nirvana e o suicídio de Kurt Cobain, tudo está lá. E a cena mais emocionante sem sombra de duvidas é na entrevista com o baixista Duff McKagan em que ele pede desculpas publicamente ao Dave Grohl por nunca ter ligado para ele após a morte de Cobain.
Duff
Subterranean continua sendo a pior música de Sonic Highways, mas dentro de contexto do episódio ela se faz notar, e a participação de Ben Gibbard do Death Cab For Cuties, o principal nome hoje da cena musical de Seattle, sendo ele um grande fã de Kurt Cobain, teve o seu valor.

NEW YORK, O GRANDE FIM NA CIDADE GRANDE
Chris

E a fim da jornada musical de Dave Grohl e os Foo Fighters chega à maior cidade da América: New York.
A terra do Punk Rock dos Ramones, do Hard Rock do Kiss, do Alternative Noise Rock do Sonic Youth, do Rap do Public Enemy e do herói Homem Aranha.
Paul Stanley
Durante os 60 minutos de episódio, tudo foi muito bem apresentado, os icônicos estúdios locais: Electric Lady Studios criado por Jimi Hendrix, o Record Plant e por fim o Magic Shop de propriedade do produtor Steve Rosenthal e o local escolhido por Dave Grohl para as gravações de I’Am a River.
Os entrevistados desse episódio eram um show a parte: Paul Stanley (Kiss), Chuck D (Public Enemy), L Cool JJ, Joan Jett, além do Editor Sênior da Revista Rolling Stone (e quem sabe um dia meu chefe) David Fricke, o produtor Rick Rubin, e o líder guitarrista e vocalista do Sonic Youth Thurston Moore, que reverenciou a NY dos anos 70 de bandas como Dead Boys, Patty Smith, Television e New York Dolls. Falou também da importância do Kiss para ele, já que a imagem de uma banda como o Led Zeppelin era algo inatingível, e o Kiss fascinava qualquer criança. E também mencionou o impacto causado pelos Ramones, já que o Rock era formado por homens atléticos e sensuais com Roger Daltrey e Robert Plant, e ele se identificava com Joey Ramone que era tão alto e magrelo como ele.
Thurston Moore
Falando em Ramones, para o produtor Rick Rubin, o quarteto era semelhante ao Beatles, não eram apenas quatro pessoas, mas sim algo muito maior.
O tradicional clube CBGB, palco de bandas como Talking Heads, Blondie, Ramones e Richard Hell and the Voddois foi também lembrado em Sonic Highways, como um lugar pequeno, fedido, mas adorável, segundo Joan Jett. E o próprio Dave Grohl confessou a façanha de ter sido expulso do local certa vez.
Por ser o último episódio da série de certa forma ele teria que se interligar com os demais, e ele conseguiu, e o arco principal foi sem sombra de dúvidas a entrevista com o Presidente Barack Obama, curta, porém eficiente, e que fechou de forma sublime essa grande série que foi nada mais que uma verdadeira declaração de amor a música americana.
Barack Obama
Em Tempo:
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Os jornalistas André Barcinski (aqui) e Regis Tadeu (aqui) fizeram uma matéria especial sobre o Foo Fighters e a série Sonic Highways que também merece ser conferida.
Minha resenha faixa-a-faixa do Sonic Highways foi publicada também no site Whiplash e já está com cerca 2888 visualizações (aqui).
O fã clube oficial do Foo Fighters no Brasil, o Foo Fighters BR disponibilizou em sua página oficial três bootlegs referente a três shows realizados na mini-turnê de divulgação do série. Os shows são nas cidades de Chicago (aqui), Seattle (aqui) e New York (aqui).
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