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OFF! – Wasted Years

OFF!
E finalmente foi descoberta a “formula rejuvenescedora do rock”, e atribuímos o título de inventor desse grande experimento para o Sr. Keith Morris, um respeitável senhor de 58 anos de idade com resquícios de calvice porém portador de um imenso dredlock. O mesmo possuí uma vasta experiência no ramo de atuação contendo em seu currículo passagens em duas das maiores instituições do Punk Rock/Hardcore da história, Black Flag (1976 – 1979) e Circle Jerks (1979 – 1989).
No entanto é com o seu mais novo experimento que Sr. Morris tem sido louvado constantemente: OFF! o simples nome desse grandioso experimento produzido ao lado dos também químicos experientes: Dimitri Coats (Burning Brides) na guitarra, Steven McDonald (Redd Kross) no baixo e Mario Rubalcaba (Rocket From The Crypt) na bateria, tem causado ebulições por onde passa e até virando peça de moda graças ao  Anthony Kiedis do Red Hot Chili Peppers (lembraram do boné dele agora?), e justamente desse grande feito que a humanidade foi contemplada com Wasted Years, o fruto novo dessa grande experiência.
Wasted Years o tão aguardado álbum do OFF! logo na primeira audição já agrada a todos, a formula que colaborou para o culto e unanimidade favorável a banda está presente no disco: Guitarras gritantes, diretas e repletas de microfonias, baixo em sincronia com as quebradas desconcertantes da bateria do mestre Mario Rubalcaba fazem cama para o velho reclamão Keith Morris berrar suas letais palavras de ordem, tudo isso em menos de dois minutos de música.
Porém mesmo com esses ingredientes Wasted Years carrega uma destreza sonora (no bom sentido) em relação ao álbum antecessor auto-intitulado lançado em 2012, ele vem igualmente pesado, porém mais direto e não tão veloz quanto o aclamado álbum de estréia, na verdade Wasted Years é um ode ao Punk Rock dos anos 70 de bandas como Ramones, Television, Richard Hell and The Voidoids e Buzzcoks, mas com um toque de midas OFF! tudo rispidamente barulhento, canções como Legion of Evil, No Easy Escape, Over Our Heads e It Didn’t Matter To Me transparece claramente isso.
A velocidade Hardcore que fez o OFF! ganhar súditos pelo mundo todo aparece logo na dobradinha de abertura Void You Out e Red White and Black, a primeira alias foi a primeira música do álbum a ser disponibilizada para audição. Outros destaques ficam por conta de Exorcised, All I Can Grab e a levada quase Hard Rock de Time’s Not On Your Side.
Hypnotized com certeza é cereja do bolo, além de ser uma canção grandiosa – e também a mais longa da banda com dois minutos e quinze segundos!!! – ela já possuí um videoclipe fantástico no maior estilo Kick Ass, com as participações especiais de David Yow (Vocalista do Jesus Lizard) e Jack Grisham (Vocalista do TSOL). Épico.
Numa época onde o Rock sofre uma imensa crise criativa, com bandas pré-fabricadas, moldadas com o mesma textura e contexto sonoro, comportamental e visual, o OFF! surge como um dedo em riste à esse bom mocismo chato e reascende aquele ar rebelde que se perdeu no tempo.
Obrigado por nos rejuvenescer Sr. Morris
Volte sempre!!!

Nota: 10

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Hardcore

Nitrominds 1994 – 2012

Meu primeiro contato com essa brutal banda de Hardcore Paulistana, foi há exatamente 10 anos atrás, quando eu estava dando os meus primeiros passos musicais, fazendo parte de uma “banda” (com aspas mesmo) de Hardcore intitulada provisoriamente de “Só Falta Mais um Pouco” (Sim, chamava isso mesmo). Recordo que durante um “ensaio” (com aspas também), apareceu do nada um cd/coletânea patrocinado pela marca de roupas “Vision Street Wear” com diversas bandas de Punk Hardcore Nacionais e também internacionais, havia diversas maravilhas do quilate de: Shelter, Hateen, Dance Of Days, Bambix, Samiam, Fun People, The Hives, Ação Direta, Missi Pier e entre inúmeras bandas havia um simplório Nitrominds; Na época ouvia se falar muito de Nitrominds, era até possível ver inúmeras camisetas da banda em shows undergrounds pela região, mas eu nunca havia escutado uma canção sequer do grupo, e com aquela bolachinha prateada da marca de roupas, eu saciei as minhas vontades, trouxe o cd pra casa, coloquei no meu cd player pra rolar e os primeiros acordes do baixão de Policemen, a canção que representava no Nitrominds, naquela coletânea colocaram a minha casa a abaixo, a musica era um soco no estomago, uma porradaria sem fim, rápida, veloz, pesada, culpa de uma bateria “velossississima”, compassada, eu na época era “”Baterista”” (com mais aspas ainda) e fiquei chocado e pasmo com tamanha técnica e eficiência. Os vocais – em inglês – mesclavam melodia e agressividade soando como um Greg Gaffin tupiniquim, enfim foram 2 Minutos que me levaram ao êxtase e com mais sede e fome de conhecer a banda.

Mesmo destruído eu tenho esse cd até hoje!!!

 E foi ano seguinte, com a nossa bandinha – dessa vez com o nome de Trakinage HC – fazendo alguns showzinhos nos buracos Underground da vida, que eu comprei das mãos Fabiano Nick (Vocalista e Baixista do Fistt) na “banquinha” da sua gravadora Oba Records o lançamento do Nitrominds na época, o bombástico: “Something To Believe”.

Something To Believe (2003)

Talvez tenha sido as 15 musicas que eu mais ouvi na minha vida, Something To Believe é um disco que já nasceu clássico, sua sonoridade bem elaborada sustentada por Punk Hardcore Cru e agressivo, porém melodico ao mesmo tempo, todo cantado em ingles, nos remetiam as grandes bandas internacionais do gênero: Pennywise, Bad Religion, NOFX, Down By Law entre outras. Desde a sua abertura com Flowers And Common View, passando pelas pesadas Modern Family e Relationship, seguidas das melódicas Frustration, Wasting Time e Today e encerrando com a animadinha de final veloz e doentio: What’s All This For, torna Something To Believe um Greatest Hits, o que de certa maneira não deixa de ser.

Com o passar dos anos, aumentando o meu envolvimento com a cena undergroud, eu me aprofundei melhor na banda tendo ela como uma das minhas favoritas do gênero.
No ano de 2005 tive a oportunidade de ver o Nitrominds pela primeira vez em show realizado em Jundiaí-SP que ainda contava com o Garage Fuzz, outra grande banda de Hardcore nacional e o Dead Fish, os donos da festa, que na época havia acabado de lançar o álbum Zero e Um pela gravadora Major: Deck Disc. A noite era do Dead Fish, mas o Nitrominds conseguiu roubar a cena e um pouco do brilho para si próprio fazendo um dos melhores shows da noite, com tamanho peso, consistência e velocidade, muita velocidade, a plateia insana respondia a altura abrindo diversas rodas, cantando todas as canções em uníssono e dando mosh, esse aqui que vos escreve também subiu ao palco para dar um Mosh, mas ao invés de subir e realizar o mesmo rapidamente, tomado pela emoção de estar diante dos Heróis do Hardcore Nacional, optou por fazer os Backing Vocals de Policemen, dividindo o microfone com baixista Lalo, sendo assim pego pelo braço pelo Roadie da banda e jogado involuntariamente na plateia. Por um bom tempo virei uma celebridade módica na cena Hardcore de Jundiaí, como o garoto que foi jogado do palco no show do Nitrominds. Dois anos depois vi – pela ultima vez – o Nitrominds novamente, e foi igualmente brutal o show, ainda mais por ser em um lugar aparentemente pequeno e abarrotado de gente.

Sim, agora você caro leitor (será que tem algum??) deve estar se perguntando, o porque desse texto? O porque dessas histórias sem nexo soando uma declaração de amor a uma banda que uma grande maioria nem ouviu sequer falar dela???
Pois bem, essa tal banda chamada Nitrominds, um grandiossimo Power Trio de Punk Rock/Hardcore formado por André (Vocal e Guitarra), Lalo (Baixo e Voz) e homem polvo: Edu (Bateria) encerrou hoje as suas atividades após 18 anos de lama e glória dentro da cena Underground; Uma dor, um luto que só sente quem acompanhou a trajetória e a carreira da banda, quem já teve suas enérgicas canções como trilha sonora de sua vida, pra quem já presenciou a energia, brutalidade, técnica e genialidade da banda ao vivo.
O término da banda não será lembrado pela MTV e muito menos serão homenageados no próximo VMB, as principais revistas musicais não escreverão uma nota sequer no rodapé falando da falta que mesma fará, mas eu fiz questão de tecer essas humildes linhas para poder dizer o quanto a banda foi importante na minha formação musical, e teve um papel importante também na minha vida pessoal, o quanto ela foi importante na cena Hardcore sendo a banda nacional do gênero que mais vendeu discos e fez turnês no exterior e o quanto ela fará falta a partir de agora.
O futuro dos integrantes até o momento acaba beirando a incerteza: André e Edu em 2010 se aventuraram com o excelente projeto de Thrash Metal “Musica Diablo” que além dois contava com os berros de ninguém mais, ninguém menos que Derrick Green (Sepultura), lançaram um álbum auto-intitulado e saírem em turnê pelo Brasil até o exterior, porém com a saída de Derrick a banda deu uma pausa nas atividades. No entanto torcemos para que os projetos que sejam lançados a partir de agora pelos então ex integrantes do Nitrominds sejam tão geniais como foi a banda ao longo de sua carreira, e como esta sendo muito comum reuniões de bandas que já encerram as atividades, quem sabe o Nitrominds nos brindam com essa alegria?
Além dessa alegria já dada:

Compilação de Covers de clássicos do Hardcore Mundial feitos pela banda com uma capa (e titulo) bem bacana hein?

Obrigado Nitrominds, o Hardcore Nacional Agradece!!!

Ouça e baixe gratuitamente a discografia completa da banda

E Vamos terminar exatamente como tudo começou: