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Hoje completa vinte anos do acidente aéreo que ceifou a vida e colocou um ponto final na curta carreira de oito meses dos Mamonas Assassinas.
Voltando de um show em Brasília em seu jatinho particular, no dia 2 de março de 1996, a banda teve o seu veículo aéreo chocado contra a Serra da Cantareira em São Paulo matando a todos que estavam a bordo.

O Brasil que ainda se recuperava das recentes partidas dos seus “heróis nacionais” como o humorista Mussum e o piloto de Formula 1 Ayrton Senna, ambos falecidos em 1994, também chorou a perda do quinteto musical que, de certa maneira, trouxe alegria a remanescente cena musical da época que tentava de todas as formas se reciclar e atender os anseios da juventude.

As letras divertidíssimas dos Mamonas eram cantaroladas por crianças e senhoras, e muitos temas como traição, de ideologia de gênero, consumo de drogas, xenofobia e educação infantil passavam despercebidos no tom escrachado e verborrágico que era abordado pela banda.

Hoje a lembrança que se tem dos Mamonas Assassinas e que é retransmitida incansavelmente pela imprensa, pelos fãs e admiradores nas redes sociais é daquela banda divertida que se fantasiava de super-herói e em tão pouco tempo se apresentou em diversos programas de TV, aquela banda que tinha a música do Sabão Crá-Crá, ou aquela que falava de uma tal suruba, mas que ninguém fazia ideia absolutamente do que era aquilo. A primeira lembrança agridoce que vem da banda para muitos é da famosa Brasília Amarela retratada na letra de Pelados em Santos. É natural que essas sejam as maiores recordações que a população brasileira tem do grupo e na presente ocasião, do “aniversário” de morte da banda, ela vem sido compartilhada aos montes. Mas será que por trás de todas essas letras divertidas, polêmicas, que hoje faria suar a patrulha do politicamente correto, ninguém prestava a atenção na musicalidade da banda? Ninguém notou várias menções e “easter eggs” perdidos em várias canções do grupo?

Alguém será que já teve a imensa curiosidade de ouvir a primeira encarnação dos Mamonas Assassinas, antes do sucesso e até mesmo do nome Mamonas, que era a banda Utopia, que carregava uma temática mais séria em uma sonoridade vasta que fundia entre o Rock Progressivo, o Funk Rock de Red Hot Chili Peppers e a new wave de The Cure e The Smiths?

Portanto é nesse texto que iremos recordar os bons momentos musicais dos Mamonas Assassinas que com certeza muitos deixaram passar em branco, o que é de certa forma tolerável, já que a grande maioria era pequena demais para captar tamanhas referências.

OUÇA O UTOPIA

Toda banda e artista tem o seu início, isso é fato. Antes de se tornar um grande Soulmen que foi, Marvin Gaye cantava grandes standards da música americana, como Frank Sinatra. Alanis Morissette antes de ser aclamada a nova deusa do Rock pela geração de adolescentes nos anos 90, foi uma cantora de hits Pop com um certo sucesso no seu país de origem, o Canadá. E vindo aqui para o Brasil, o funkeiro Mr. Catra já foi guitarrista de banda de Rock na adolescência. E isso aconteceu com os Mamonas Assassinas também, não pense vocês que a banda nasceu com a sua dose cavalar de humor e ironia, pelo contrário, antes de se chamar Mamonas e tomar o Brasil de assalto, a trajetória de Dinho (Vocal), Bento Hinoto (Guitarra), Júlio Rasec (Teclados), Samuel Reoli (Baixo) e o seu irmão Sérgio Reoli (Bateria) começou como banda Utopia, com letras sérias e uma sonoridade inspirada em Rush, Guns N’ Roses, Red Hot Chili Peppers, The Smiths e os Titãs. Em 1992 a banda lança o seu primeiro vinil autointitulado, mas ao contrário da catarse que a banda causaria três anos depois, o disco vendeu apenas 200 cópias, mas ali já é perceptível a musicalidade aprimorada do grupo já no solo inicial de Bento Hinoto na baladinha new wave Horizonte Infinito, além dos slaps no baixo de Samuel em Utopia 2, enquanto Dinho faz um vocal falado no estilo Anthony Kiedis.
Após a morte do grupo, no ano de 1997 foi lançado o disco A Fórmula do Fenômeno, que trazia o primeiro e único disco do Utopia com diversas sobras de estúdio, entre elas a primeira versão de Pelados em Santos que se chamava Mina.

OS EASTER EGGS MUSICAIS

Quando o primeiro disco dos Mamonas Assassinas foi lançado no dia 23 de junho de 1995, instantaneamente ele se tornou um imenso sucesso, faixas como O Vira, Pelados em Santos, Chopis Centis e Sábado de Sol tocavam incansavelmente nas rádios de todo o país. O que ninguém havia percebido é que no decorrer das 14 faixas e 38 minutos de músicas haviam ali muitas referências pertinentes e geniais:

Chopis Centis tem o seu riff inicial totalmente chupado e copiado do grande clássico do Punk britânico Should I Stay Or Should I Go do The Clash.
Ouça as duas.

A melodia e a frase Doce Doce Amor de Jerry Adriani aparece em Robocop Gay.

Bois Don’t Cry faria o Capitão América chorar com tantas referências soltas. Primeiro a começar do título, uma clara sátira ao sucesso Boys Don’t Cry do The Cure. No meio da música há uma passagem Heavy Metal muito parecida com The Mirror do grupo de Metal Progressivo Dream Theater. E no último trecho onde é cantado “Veja só como é que é, a ingratidão de uma mulher” um trecho da seminal Tom Sawyer do Rush é tocado.

Uma Arlinda Mulher remete claramente a dois clássicos de uma banda britânica que estava despontando para o sucesso na época, o Radiohead. A introdução tocada no violão é semelhante a de Fake Plastic Trees. E antes de entrar no primeiro refrão a guitarra faz a mesma entrada distorcida de Creep.

Baby Elephant Walk a famosa canção que no Brasil ganhou uma versão do grupo Trio Esperança Olha o Passo do Elefantinho, é lembrada em Cabeça de Bagre II, que o título é uma clara homenagem ao Cabeça Dinossauro dos Titãs.

E esse Heavy Metal chamado Débil Mental, com os vocais guturais de Dinho emulando um Max Cavalera, que na época estava ainda no Sepultura e acabava de lançar o importantíssimo disco Roots?

Sábado de Sol e Sabão Crá-Crá são os únicos covers do disco, o segundo é uma versão de uma canção popular, já a primeira é uma regravação da banda Baba Cósmica formada pelo, hoje produtor, Rafael Ramos.

MUSICALIDADE APURADA

Além das canções citadas acima, duas canções que mostram a tamanha versatilidade musical do conjunto são 1406 e Jumento Celestino.

A primeira já impressiona logo na introdução com baita slap de baixo de Samuel que salta aos ouvidos na primeira audição e depois muito bem acompanhado com o excelente fraseado de guitarra de Bento Hinoto.

E se os Mamonas Assassinas “chupinhou” melodias e arranjos de outros artistas, saiba que a introdução de 1406 é muito parecida com a introdução de People Passing By, lançada no disco Entropia (1997) da banda Pain of Salvation. Segundo o vocalista do grupo, Daniel Gildenlöw, tudo não passou de uma mera coincidência.
Ouça abaixo e compare.

E por fim Jumento Celestino trazia o tal Forró-Core já apresentado pelos Raimundos no seu álbum de estreia em 1994, com uma guitarra pesada na parte acelerada da canção.

Saudades.

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Viaduto Liberdade por Alê Andrade

Viaduto Liberdade por Alê Andrade

E hoje, dia 25 de janeiro de 2016, é comemorado os 462 anos da cidade de São Paulo, a maior cidade do país e da América Latina.
São Paulo, conhecida como a terra das oportunidades, é praticamente um mundo dentro do Brasil, levando em consideração a imensa quantidade de imigrantes que aterrissam na terra da garoa em busca de melhoria de vida. É claro que São Paulo tem muito o que melhorar, a Cidade Cinza clama por melhorias no transporte público, clama por segurança e moradia digna. Mas apesar de todos os empecilhos, São Paulo é um lugar no qual a sua vida um dia irá passar e será definitivamente marcada.

São Paulo e sua trajetória de luta, glória, conquistas e até mesmo as suas veementes críticas do que precisa ser melhorado, já foi tema de inúmeras músicas do nosso cancioneiro popular ao longo dos anos. Portanto nós do Fila Benário Music relembramos abaixo, algumas das canções que carregam o amor, a paixão, a solidariedade e até mesmo preocupação à Manhattan brasileira.

 

Rapaziada do Brás (Carlos Galhardo/Jair Rodrigues) – 1917

A primeira música a retratar São Paulo, ou especificamente um bairro paulistano, foi a seresta “Rapaziada do Braz” na época com Z mesmo no final. A música instrumental de Alberto Marino foi composta em 1917. Mas foi em 1960 que ela ganhou letra e foi gravada pelo cantor Carlos Galhardo. Como foi impossível achar a versão de Galhardo, ficaremos com a famosa interpretação do mestre Jair Rodrigues que ficou registrada no álbum Antologia da Seresta (1981).

Saudosa Maloca (Adoniran Barbosa) – 1951

Mundialmente conhecido como o pai do samba paulistano, Adoniran Barbosa cantou São Paulo como ninguém, em todas as suas obras ele sempre fez questão de exaltar o seu amor pela selva de pedra. Daria pra fazer uma lista só com músicas de Adoniran sobre São Paulo, mas escolhi quatro que foram grandes sucessos da carreira do mestre Adoniran.
E a primeira é Saudosa Maloca, uma triste canção que mesmo composta nos anos 50 retrata o atual problema de moradia que permeia até hoje no centro urbano de São Paulo.

Samba do Arnesto (Adoniran Barbosa) – 1953

Já a divertida Samba do Arnesto, fala de um samba que aconteceria no bairro do Brás organizado pelo Arnesto, mas que no final das contas deu o cano em todo mundo. O personagem principal da letra, o Arnesto, viveu até 2014 e apesar da grande amizade com Adoniran Barbosa, o mesmo desmentiu o compositor em duas oportunidades, a primeira pelo fato de não ter organizado samba nenhum e muito menos ter furado o compromisso, e a segundo pelo fato da música sair com a grafia errada, já que Arnesto na verdade se chama Ernesto. Porém a explicação plausível para esse “erro” é que na época o Brasil estava sob o comando do presidente Ernesto Geisel no período da ditadura militar, e para evitar uma posterior censura, como era comum na época, o nome foi trocado.

Lampião de Gás (Inezita Barroso) – 1958

A grande dama da música caipira, Inezita Barroso, gravou essa canção de autoria de Zica Bérgami, que retrata uma São Paulo totalmente diferente da São Paulo veloz, urbana e agitada dos dias atuais. Uma São Paulo de chão de terra, de crianças brincando nas ruas, e sem a rede elétrica fornecendo energia a iluminação era vinda de um Lampião de Gás.

Trem das Onze (Adoniran Barbosa) – 1964

O maior sucesso da carreira de Adoniran Barbosa foi escrito em 1964 e dado de presente para o tradicional grupo de samba paulista, Demônios da Garoa.
A famosíssima letra retrata a história de um jovem apaixonado que mora no bairro do Jaçanã e que precisa pegar o trem das onze horas noite para voltar pra casa há tempo, senão “Só amanhã de manhã”.

São, São Paulo (Tom Zé) – 1968

Tom Zé é o baiano mais apaixonado por São Paulo, não é à toa que o mesmo é torcedor fanático do Corinthians e tem no seu currículo 18 canções que exalta o seu amor por Sampa. Entre elas a mais notável com certeza é o acid-samba São, São Paulo, com o seu refrão romântico: “São, São Paulo meu amor”.

Viaduto Santa Efigênia (Adoniran Barbosa) – 1973

E pra encerrar a categoria Adoniran Barbosa aqui no texto, relembramos a canção Viaduto de Santa Efigênia, composta na década de 70, a música é um lamento triste da demolição que a prefeitura de São Paulo iria realizar no viaduto situado no bairro Santa Efigênia. Inconformado com a obra em uma certa tarde Adoniran encontrou, transitando pelo viaduto, o compositor Alocin e juntos compuseram essa homenagem.

Amanhecendo (Billy Blanco) – 1974

“Vambora, vambora, vambora, tá na hora, vambora, vambora”, quem nunca ouviu pelo menos esse trecho que ficou eternizado na vinheta da rádio Jovem Pan? Pois bem, ele pertence a música Amanhecendo do cantor e vanguarda Billy Branco e ela integra o disco Sinfonia Paulistana (1974), totalmente dedicado a história do povo paulistano e da maior cidade da América Latina.

Sampa (Caetano Veloso) – 1975

Outro baiano apaixonado por São Paulo e que fez sucesso cantando o seu amor por São Paulo. Na década de 70, antes do exílio europeu, Caetano Veloso e Gilberto Gil moraram em São Paulo, precisamente na Praça da República. E um dos locais favoritos da dupla era um bar situado na esquina entre Ipiranga e Avenida São João. O bar, hoje o Bar Brahma, existe até hoje e tal homenagem ficou registrada no disco Joia (1975) e se tornou uma das canções mais populares e queridas do repertório de Caetano.

Lá Vou Eu (Rita Lee) – 1976

Rita Lee ama São Paulo, ela já cantarolava isso quando estava a frente dos Mutantes, já gravou no finalzinho dos anos 90 um disco intitulado de Santa Rita de Sampa (1997), mas foi no finalzinho dos anos 70, já em carreira solo, que Rita Lee compôs e gravou a canção Lá vou Eu, que contém o famoso trecho:

E na medida do impossível
Tá dando pra se viver
Na cidade de São Paulo
O amor é imprevisível como você
E eu
E o céu
.

Ronda (Márcia) – 1977

A famosa canção Ronda, gravada por Márcia e de autoria do seresteiro Paulo Vanzolini, narra a triste história de uma prostituta que mata o seu gigolô em um bar situado na famosa, e já musical, Avenida São João.

Tradição (Geraldo Filme) – 1982

O sambista Geraldo Filme foi durante muito tempo interprete e compositor da Escola de Samba, Vai-Vai. E sempre que podia, Geraldo, nascido no interior Paulista, homenageava a São Paulo que tanto amava, e uma das homenagens mais famosa é a canção Tradição, que já foi gravada pela “Madrinha do Samba” Beth Carvalho. A canção é uma resposta aos críticos e puristas que afirmavam que São Paulo era o túmulo do samba.

Punk da Periferia (Gilberto Gil) – 1983

Gilberto Gil entrou na década de 80 purpurinado. Após o sucesso do seu disco Realce (1979), gravado em Londres, durante o seu exílio, que contava com batidas eletrônicas, sintetizadores e guitarras elétricas. Quatro anos depois ele reaparece com o disco Extra (1983), com a mesma veia Pop acentuada e contando com o sucesso Punk da Periferia, que falava, de forma quase turística, do movimento Punk, que dava os seus primeiros passos na capital paulista reivindicando por melhoria de vida e contra qualquer tipo de injustiça social.
Impossível não cantarolar o refrão por dias:

Eu sou o Punk da periferia
Eu sou da Freguesia do Ó
.

São Paulo, São Paulo (Premê) – 1984

Antigamente conhecido como, Premeditando O Breque, o grupo surgido no final da década de 70, foi muito importante na construção da nova música paulista que mesclava funk, soul, rock e assuntos intelectuais em suas letras.
Em 1984 o grupo alcançou um enorme reconhecimento parodiando o sucesso internacional New York, New York na versão São Paulo, São Paulo.

São Paulo (Cólera) – 1985

Em seu primeiro e clássico disco Tente Mudar o Amanhã (1985), o Cólera já trazia em suas letras o inconformismo com a situação política e econômica além de toda repressão policial sofrida. E a letra de São Paulo retrata perfeitamente isso.

São Paulo (365) – 1986

Se Trem das Onze é o Samba que traduz São Paulo, e se Sampa é a MPB. Então do lado do Rock, a canção São Paulo do 365 é a mais bela homenagem feita a terra da garoa.

A versão dessa música gravada pelo Inocentes é tão perfeita quanto

Pânico em SP (Inocentes) – 1986

E falando no Inocentes, o seu disco de estreia já contava com a faixa título que era um lamento desesperado contra a violência verborrágica que assolava, e infelizmente ainda assola, a cidade de São Paulo.

Pobre Paulista (Ira!) – 1986

Pobre Paulista foi primeira gravação do grupo Ira! lançada primeiro em 1984 em um compacto ao lado da canção Gritos na Multidão. Em 1986 ela reaparece no segundo disco da banda, o Vivendo e Não Aprendendo (1986).

Sampa Midnight (Itamar Assumpção) – 1986

Ao lado do Premê, Itamar Assumpção é um dos grandes nomes da música vanguardista de São Paulo. Segundo críticos musicais, Itamar tem mais músicas sobre São Paulo do que o próprio Adoniran Barbosa, sendo um total de 25 músicas, uma a mais que sambista. Em 1986, Itamar Assumpção lançou o disco Sampa Midnight e a faixa título é uma grande declaração de amor a cidade, citando os seus principais bairros e pontos turísticos.

Paulista (Vânia Bastos) – 1989

Com certeza essa é a canção mais famosa da carreira da cantora Vânia Bastos. Composição do músico, arranjador e esposo de Vânia, Eduardo Gudin, Paulista está presente no álbum Eduardo Gudin & Vânia Bastos (1989). A mais famosa avenida do país, a Avenida Paulista é plano de fundo de uma história de uma história de amor.

Pânico na Zona Sul (Racionais MC’s) – 1990

O Rap, não só o paulista, mas o de todo Brasil, nunca mais seria o mesmo após surgimento do grupo Racionais MC’s em 1990 com o lançamento do disco Holocausto Urbano. Em suas letras já estavam explicitas o descontentamento de Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay. E a canção Pânico na Zona Sul presente no disco de estreia, já alertava a violência e repreensão que a população carente da Zona Sul paulista sofria e sofre até presente data.

Sampa no Walkman (Engenheiros do Hawaii) – 1991

O grupo gaúcho Engenheiros do Havaii também prestou uma homenagem a cidade de São Paulo na canção Sampa no Walkman presente no disco Várias Variáveis (1991). A letra faz uma brincadeira com a música Sampa de Caetano Veloso.

Fim de Semana no Parque (Racionais MC’s) – 1993

Com samples de Domingas e Frases, duas grandes canções de Jorge Ben, Fim de Semana no Parque com certeza é o hino máximo do Racionais MC’s. A canção retrata um fim de semana sob a ótica de quem mora na periferia da Zona Sul de São Paulo.

Santa Rita de Sampa (Rita Lee) – 1997

Já citado acima, em 1997 Rita Lee, grande amante de São Paulo, lançou o disco Santa Rita de Sampa, que conta com uma divertida faixa título na qual Rita se proclama padroeira da cidade e no meio da canção ela cita bairros e pontos turísticos da cidade, como, Pompeia, Vila Mariana, Butantã e Santa Izildinha.
E para os Corinthianos o trecho abaixo é um deleite:

Marginal de Vila Mariana
Tia tiete do tietê
Sofredora Corinthiana
.

Urban Paranoia (Blind Pigs) – 1997

Em 1997, o grupo paulistano de Punk Rock, Blind Pigs, lançava o seu debut ábum intitulado São Paulo Chaos, e a canção Urban Paranoia é um lamento inconformado da situação violenta, desesperadora e caótica que se encontra a cidade.

Agora eu estou na cidade
E vejo que não é nada divertido
Eu ainda estou desempregado
Mas pelo menos eu tenho a minha arma
São Paulo é um caos
É um lugar perigoso de se estar.

City Paranoia (Holly Tree) – 2000

Outro grupo de Punk Rock paulista que se atrevia em cantar em inglês e que também fez uma canção sobre a “São Paulo Paranoica”, foi o Holly Tree. Trio formado por George (Vocal e Guitarra), Tito (Baixo) e Zé (Bateria) fez um imenso barulho na cena independente no meio dos anos 90 e início dos anos 2000. Na virada do milênio os Trees lançaram o hypado Don’t Burst Me (2000) e City Paranoia tá lá prestando a sua homenagem a cidade paranoia.

Tempestade de Facas (CPM 22) – 2007

Responsável por levar o Hardcore melódico a grande mídia, o CPM 22 depois de ganhar o coração das adolescentes com canções açucaradas de veia pop, resolveu voltar às origens com um disco coeso, veloz, pesado e cinzento, como já dizia o título. E Cidade Cinza (2007), o quinto álbum do grupo, vem todo conceitual, já que as letras, em sua maioria, fala de perdas, desilusões, falsidade, e usa a cidade de São Paulo como cenário. Na canção Tempestade de Facas, escrita em parceria com o Rodrigo Koala da banda Hateen, ela aparece de forma singela:

Odeio a tv
A noite eu saio
Nas ruas de SP
Metido entre os carros
.

Cidade Cinza (CPM 22) – 2007

Já na faixa título, trata-se de uma homenagem no padrão Sampa, São Paulo São Paulo e Trem das Onze. Escrita pelo guitarrista Wally, sendo essa a sua última colaboração com a banda, já que o mesmo deixaria o grupo no ano seguinte, a letra da música fala de amor na cidade Hardcore cinzenta e de transito caótico. Somadas a uma melodia simplória, metódica e bonita, é uma das mais belas homenagens a Cidade Cinza.

O Melhor Dançarino de São Paulo (Dance of Days) – 2007

O grupo Dance of Days é outro grande nome do Punk Rock Paulista. Em 2007 o grupo lançou o disco Insônia 2008, o primeiro álbum de banda independente a ser disponibilizado na integra para download, e as referências a cidade de São Paulo no decorrer do disco eram muitas, principalmente porque nessa época o vocalista e letrista, Nenê Altro, estava morando em hotéis no bairro do Arouche, centro paulista. Mas a referência mais notável é a canção O Melhor Dançarino de São Paulo, que é uma clara alusão ao disco Jersey’s Best Dancer (1997) do Lifetime.

Essa Música me Diz Tanto que Nem Sei Como Não Tem o Meu Nome (Dance of Days) – 2007

Outra canção de Insônia 2008 que aborda o tema São Paulo é essa canção confessional de título gigante, principalmente no trecho abaixo:

São Paulo é assim, mas acho tão bom dormir
ouvindo a chuva na janela, embaixo das cobertas.
Então me abraça, que é só você que eu quero
e eu quero ser tudo pra te ver sorrir
.

Contra Todos (Dead Fish) – 2009

Com certeza essa é a melhor música de amor já feita sobre São Paulo. A letra de Contra Todos é um pedido de desculpas do vocalista Rodrigo Lima para sua esposa após a mudança de ambos de Vitória (ES) para terra da garoa.
Segundo Rodrigo, certa vez já morando em São Paulo, a sua esposa saiu cedo para trabalhar e em minutos depois ela voltou pra casa desesperada dizendo: “Tem um homem morto ali na calçada, ele ta ali caído morto e as pessoas passam por cima dele como se nada tivesse acontecido. Quero ir embora dessa cidade, não quero mais ficar aqui”. E foi ouvindo esse lamento que Rodrigo escreveu Contra Todos, que foi lançada no disco de mesmo nome em 2009.

Nas armadilhas da cidade que nos causa repulsa
Nosso horizonte podia ser mais azul
Mas você fica tão bem sob estes tons de cinza
E seus olhos verdes
Sempre me refletem algo bom

Isso é uma guerra e nós sabemos
Fomos criados no meio disso
E no fim das contas ia piorar
Posso ver que está cansada
Entendo seu mau-humor
Espero que não desista
.

Samuel (Passo Torto) – 2011

Passo Torto é um supergrupo de MPB formado em 2010 e conta com grandes nomes da música brasileira atual, como, Romulo Fróes, Kiko Dinucci e Rodrigo Campos.
Com três discos lançados, o grupo sempre exalta São Paulo em suas canções como em Faria Lima Pra Cá. No entanto a sua canção mais sensível, bela e singela é Samuel, que narra a história de um garoto da periferia que fala de São Paulo sob sua ótica, em especial a badalada Rua Augusta.
Linda.

Não Existe Amor em SP (Criolo) – 2011

E por fim o grande hit dos últimos tempos. Lançada no álbum de estreia Nó Na Orelha (2011) a canção Não Existe Amor em SP do rapper Criolo soa moderna com uma batida à Portishead na canção Glory Box.
Reflexiva, claustrofóbica e bela.

Parabéns, São Paulo.

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A recente morte de Lemmy Kilmister, líder do Motörhead, era até então a prova que não surpreenderíamos com despedida alguma mais. Ledo engano. Na última madrugada o “Camaleão” nos deixou, o multifacetado David Bowie se foi aos 69 anos, curiosamente três dias depois do seu aniversário.

Diagnosticado com câncer no cancro há exatos 18 meses, David infelizmente perdeu a batalha, mas ganhou as estrelas, as mesmas que rechearam muitas de suas canções emblemáticas.

Muito se falou da versatilidade de David Bowie ao longo de sua vasta carreira. O seu início como trovador solitário de canções folks à Bob Dylan, que renderam os discos David Bowie (1967), Space Oddity (1969) e The Man Who Sold the World (1970), depois o mergulho de cabeça no rock maquiado, desafiador e transvestido chamado de Glam Rock. Discos como Aladdin Sane (1973) e Diamond Dogs (1974) marcam o prenuncio do Punk Rock, movimento que viria forte em 1977. Bowie abandonou as guitarras sujas e foi para a soul music negra em Young Americans (1975) e quando o mundo achava que isso seria o bastante, Bowie foi para a Berlim e pariu três discos surpreendentes e geniais que misturam Rock com música eletrônica, Low (1977), Heroes (1978) e Lodger (1979).

E assim foi a carreira de David Bowie, como descreveu de forma brilhante o jornalista Julio Maria (Estadão) no seu Facebook:

“Bowie não estava entre os meus heróis, mas admito que ele foi maior do que todos eles por um único motivo: quando algo dava certo, ele o destruía para se reinventar do zero. Quando chegava ao topo, pulava no precipício para escalar outra montanha.”

Portanto, dentro desse mundo musical e de inúmeras facetas onde habitava o alienígena David Bowie, se pudesse escolher apenas um álbum para intitular essencial e obrigatório para conhecer esse ser tão enigmático e genial como Bowie, o escolhido seria The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972).

The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972)

The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972)

Produzido por Ken Scott (Beatles e Devo) em parceria com o próprio Bowie, o disco conceitual narra a história do personagem Ziggy Stardust, um roqueiro alienígena quem vem a terra pregar a sua mensagem de paz e amor através do Rock, mas acaba se entregando aos prazeres da vida terrena como sexo promíscuo e uso de drogas. Na época David Bowie realmente incorporou o personagem em suas apresentações e passou a se chamar Ziggy Stardust, além de assumir a bissexualidade do alienígena.
O disco foi um imenso sucesso comercial, seguindo os passos de Space Oddity, e foi eleito pela revista britânica Melody Marker o melhor disco da década 1970.

Musicalmente falando, The Rise and Fall of Ziggy Stardust… é impecável, é justamente nesse disco que começa o flerte de Bowie com o chamado Glam Rock, não apenas na questão estética visual e comportamental, mas principalmente na sonoridade que era um encontro da fase Rubber Soul (1965) dos Beatles, com a melancolia acústica e rude do Beggars Banquet (1968) dos Stones e já prenunciando o furacão punk que viria nos anos seguintes em forma de Ramones, Sex Pistols, The Damned, o que fica claro em canções como Star, Suffragette City e a ramônica Hang on to Yourself.

Falando de sucessos, a faixa que leva o nome do personagem principal da saga musical, Ziggy Stardust, é minimamente genial uma pérola musical tocada no violão juntamente com uma guitarra distorcida que dá tônica e firmeza a canção. Com certeza a obra suprema de Bowie.

Starman foi o grande sucesso do disco. Com a sua melodia densa e formato crescente, principalmente no refrão explosivo, ela prova mais uma vez a genialidade musical de David Bowie. Uma pena a banda brasileira Nenhum de Nós ter feito nos anos 80 uma versão horrenda dessa canção intitulada “Astronauta de Mármore”.

Outro grande trunfo de The Rise and Fall of Ziggy Stardust… é a banda que participou das gravações e acompanhou David Bowie em turnê até 1973, intitulada de The Spiders From Mars, a banda contava com Mick Ronson (Ian Hunter, Van Morrison e Morrisey) nas guitarras, Trevor Bolder (Uriah Heep e Wishbone Ash) no baixo e Mick Woodmansey (Screen Idols e Dana Gillespie) na bateria.

David Bowie and The Spiders From Mars Da esq pra dir: Trevor Bolder (Baixo), Mick Woodmansey (Bateria), David Bowie e Mick Ronson (Guitarra)

David Bowie and The Spiders From Mars Da esq pra dir: Trevor Bolder (Baixo), Mick Woodmansey (Bateria), David Bowie e Mick Ronson (Guitarra)

Enfim, seria covardia escolher apenas um disco de sua vasta, brilhante e inovadora discografia, mas o essencial está aqui.

Bowie não morreu, ele apenas pegou o seu disco voador e voltou para o seu planeta, mostrando assim ser maior que todos nós.

Descanse em paz, Camaleão.

LemmyScott

O falecimento repentino de Lemmy Kilmister na noite de ontem (28/12) pegou a todos de surpresa. Aos 70 anos recém completados na última semana, Lemmy, vocalista, baixista e alma do Motörhead, tradicional grupo britânico que unia o Punk e Heavy Hetal no seu Rock n’ Roll vigoroso, descobriu um câncer no último sábado e o mesmo em estágio avançado perpetuou a sua vida.

O legado de Lemmy é incontestável, quem conhece a sua trajetória sabe o quanto o Rock esteve nas suas entranhas. Ele praticamente viu o gênero nascer ao assistir apresentações dos Beatles no Cavern Club, palco no qual os Fab Four começaram as suas atividades. Depois ele foi roadie do Jimi Hendrix e um dos seus trabalhos era buscar ácido para o músico e a sua banda.

Já baixista, Lemmy integrou o Hawkwind, banda surgida no início dos anos 70 e que tocava uma espécie de Rock Espacial, a música Silver Machine fez um notório sucesso.

Expulso da banda pelo seu comportamento inconsequente, Lemmy Kilmister fundou a banda mais influente de uma geração de Headbangers que viria a seguir, o Motörhead. O nome, aliás, veio de uma canção composta por ele para o Hawkwind. Com a chamada formação clássica que contava com o guitarrista “Fast” Eddie Clarke e o baterista Phil “Philthy Animal” Taylor, esse último também morto recentemente, a banda lançou álbuns representativos e marcantes como Overkill (1979), Bomber (1979), Ace of Spades (1980) e Iron Fist (1982).

Formação clássica do Motörhead com "Fast" Eddie Clarke (Guitarra), Lemmy Kilmister (Voz e Baixo) e Phil "Philthy Animal" Taylor (Bateria)

Formação clássica do Motörhead com “Fast” Eddie Clarke (Guitarra), Lemmy Kilmister (Voz e Baixo) e Phil “Philthy Animal” Taylor (Bateria)

Se os Ramones foram vaiados no finalzinho da década de 70 ao fazer a abertura do show do Black Sabbath no Estados Unidos, desagradando o público headbanger presente. Lemmy simplesmente idolatrava as duas bandas e mesclava as duas vertentes em sua sonoridade áspera e direta.

O Motörhead ao longo dos anos trocou a sua formação algumas vezes, chegando a fixar o guitarrista Phil Campbell e o baterista Mikkey Dee no excelente álbum Bastards (1993) e mantendo até o último dia de vida da banda. De todas as bandas surgidas na mesma época, o Motörhead era a mais ativa, chegando a lançar um disco a cada dois anos, e antes de Lemmy partir ele deixou o último canto de cisne, o disco Bad Magic lançado esse ano.

Com a morte do músico, uma nação de outros grandes músicos se sentiram órfãos e lamentaram o falecimento do seu ídolo, mentor e herói. Lemmy Kilmister foi influência direta para bandas de Thrash Metal como Metallica, Slayer, Anthrax, Megadeth, Destruction e Sepultura, essa última, alias, tem o seu nome inspirado em uma das canções da banda, e a mesma já chegou a gravar um cover do Motörhead no disco Arise (1991), a canção Orgasmatron.

Mas a música de Lemmy atravessava a barreira do Metal e influenciava o Hardcore/Punk de Dead Kennedys, Bad Religion, Black Flag, Minor Threat, Adolescents, Descendents, Circle Jerks, TSOL, Satanic Surfers, Lagwagon, Strung Out e até mesmo do rock tido como Mainstream, no qual Dave Grohl, líder do Foo Fighters, como o seu maior representante, tem Lemmy Kilmister como ídolo máximo a ponto de convidá-lo para participar do seu projeto de metal Probot, cantando a canção Shake Your Blood.

E depois Lemmy fez uma participação mais do que especial no divertido clipe da canção White Limo dos Foos.

Agora com a triste partida de Lemmy e vendo que a vida já ceifou nomes como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Keith Moon, John Lennon, George Harrison, Kurt Cobain, toda a formação clássica do Ramones e recentemente nos levou o incompreendido Scott Weiland do Stone Temple Pilots, a pergunta que permeia é: “Como será o Rock daqui pra frente?”

Scott Weiland do Stone Temple Pilots se foi esse ano

Scott Weiland do Stone Temple Pilots se foi esse ano

Olhe ao redor, analise o estilo atualmente e reflita. Qual foi a última grande banda de Rock surgida nos últimos anos? Muitos críticos e fãs do gênero afirmam que depois da explosão do Nirvana nos anos 90 o Rock não teve nada igual, e se formos parar pra pensar, estão certos. Qual dessas bandas surgidas pós anos 2000 tem culhões para chamar de influente? Qual mudou e redefiniu a trajetória do gênero?

Falaram muito do The Strokes no início da carreira da banda, que seria o conjunto que abalaria as estruturas da música. Cadê o The Strokes hoje? Lançou um álbum de estreia regular, com canções totalmente chupadas do proto-punk dos anos 60 de Stooges, MC5 e New York Dolls, depois a qualidade dos álbuns foi caindo e hoje o Julian Casablancas, o vocalista blasé do grupo, não sabe nem definir nas entrevistas se a banda ainda existe.

Olhe para o line up de qualquer Lollapalooza ocorrido em terras brasileiras, com exceção de alguns Headliners de peso como Foo Fighters, Nine Inch Nails, Smashing Pumpkins, Soundgarden, Pearl Jam, New Order, Robert Plant e na edição 2016 que contará com Noel Gallagher, os novos representantes do Rock não passam de bandinhas fulecas que misturam pop dançante em suas canções pálidas e anêmicas.

Com a velocidade da informação, hoje a “qualidade” e “importância” da banda são medidas por quantos views ela teve no Youtube, por quantos likes as páginas oficiais ganharam no Facebook, e quantas ouvidas a sua música teve no Spotify da vida. Redes sociais que um dia deixarão de ser populares como o Fotolog e o My Space, ou que até mesmo deixarão de existir, como aconteceu com o próprio Orkut, e toda essa fama repentina será varrida eternamente.

Curiosamente, hoje, dia 29 de dezembro, completa-se 14 anos do falecimento de Cássia Eller e desde então qual outro grande representante o Rock nacional teve depois? Quem mais teve a rebeldia e a ousadia de misturar em seu repertório Beatles, Stones, Nirvana, Hendrix e Cazuza, com Edith Piaf, Chico Buarque, Nação Zumbi, Gilberto Gil e Cartola, soando autêntico e verdadeiro?

A crise no gênero, que em outrora já foi provocativo, um perigo para sociedade e para juventude, mas que acompanhou a evolução dos tempos e redefiniu a história, é mundial, e as mortes de Lemmy Kilmister, Scott Weiland, Cássia Eller, entre muitos outros, não só me entristece, como também me preocupa e me faz questionar: Que música ouvirá os meus filhos no futuro? Algo que irá eternizar e marca-los na vida, ou algo que será esquecido com apenas um click?

R.I.P LEMMY KILMISTER.

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O que faz todo jovem que gosta de música e por ventura sabe tocar algum instrumento musical? Simplesmente ele monta uma banda. Isso é fato.
Se ele gosta de Rock n’ Roll, então ele reunirá amigos da mesma faixa etária e atormentarão a vizinhança toda fazendo barulho em uma garagem qualquer – assim como esse editor já fez inúmeras vezes na adolescência – Se o jovem segue alguma religião, ele usará o seu dom da música para evangelização.
Mas o que fazer quando a música abre portas para algo maior e até mesmo impensável? Foi que aconteceu há exatos dez anos com o até então Ministério de Música UPC, que hoje se tornou a Comunidade de Aliança, Unidos Por Cristo.

O Ministério UPC (Unidos Por Cristo) foi fundado na cidade de Várzea Paulista, interior de São Paulo, no dia 9 de outubro de 2005, pelos irmãos Luiz Felipe e Fábio Cuberos, ambos formavam a cozinha da banda tocando Baixo e Bateria, respectivamente. Ainda completava o Ministério a vocalista Fabiana Gobi, na época noiva de Fábio. Saulo Pinho também fazia os vocais, e a dupla Rodrigo Toledo (Guitarra) e Cleber Souza (Violão) completava o trio de cordas. “O objetivo do ministério até então era apenas realizar uma apresentação para parentes e amigos”, explica o guitarrista Rodrigo, também conhecido como Digo.

Ministério UPC em 2005, em sentido horário Fabiana Gobi (Voz), Fábio Cuberos (Bateria), Felipe Cuberos (Baixo), Rodrigo Toledo "Digo" (Guitarra), Cleber Souza (Violão) e Saulo Pinho (Voz)

Ministério UPC em 2005, em sentido horário: Fabiana Gobi (Voz), Fábio Cuberos (Bateria), Felipe Cuberos (Baixo), Rodrigo Toledo (Guitarra), Cleber Souza (Violão) e Saulo Pinho (Voz)

A citada apresentação aconteceu no dia 12 de novembro do mesmo ano. Porém, a partir daquele marco, o ministério passou a ter a agenda cheia: “Depois dessa apresentação, o UPC passou a ser chamado para tocar em vários eventos da igreja, como semanas jovens, retiros, entre outras coisas”, relembra Digo.

No ano seguinte, precisamente no dia 12 de fevereiro, o ministério cresce em força e em membros, contando com um corpo de dança, responsável pelas coreografias das canções tocadas pela banda, além de um ministério de intercessores, responsáveis em realizar orações em intenção ao trabalho ministerial do grupo. Tais “aquisições” já eram vistas e sentidas como um grande diferencial: “Hoje compreendemos como a providência de Deus, pois já eram realizados retiros internos entre os membros, vigílias, teatros, gestos concretos e formações, sendo ‘somente um ministério de música’”, salienta.

Com o passar do tempo, Luiz Felipe, um dos fundadores do ministério, foi sentindo algo diferente e se colocou a disposição de descobrir o que seria essa inquietação: “De repente eu comecei a sentir que Deus queria algo diferente, eu gostava de tocar contrabaixo, mas para Deus só aquilo não bastava, eu precisava fazer algo mais”, revelou Felipe em uma palestra para jovens católicos no ano de 2013, na Paróquia São Roque, na cidade de Jundiaí.

E foi dessa inquietação que surgiu a ideia do ministério se tornar uma Nova Comunidade: “De inicio uma Comunidade de Aliança, mas logo mais também uma Comunidade de Vida”. Explica Digo.

Para contextualizar, “Comunidade de Aliança” é formada por membros que vivem uma consagração exigente e proposta pela comunidade, sem se desprender das suas atividades seculares, como trabalho e faculdade, além de conviver junto com os seus familiares.
Já a “Comunidade de Vida” é a forma em que os membros vivem uma consagração radical, vivem de forma comunitária dividindo os mesmos bens e teto, seguindo um regime disciplinar. Além de renunciar as atividades seculares.

Como Comunidade de Aliança, as atividades e encontros realizados pela UPC, agora seriamente intitulada de Unidos Por Cristo, aconteciam na própria casa do Luiz Felipe, que pegou pra si a responsabilidade de fundador e doutrinador da comunidade. No ano de 2012, a sede da Comunidade foi transferida para uma chácara no bairro do São Guido, também em Várzea Paulista, no qual se encontra até hoje.

A comunidade Unidos Por Cristo na nova sede

A comunidade Unidos Por Cristo na nova sede

A nova instalação conta com quartos para realização de retiros espirituais, uma imensa sala de reunião, e principalmente da capela no qual são realizadas as missas e celebrações.

Trilhando no caminho da evangelização e buscando vivenciar o que pede a doutrina católica, no dia 15 de março de 2011, o Bispo Diocesano de cidade de Jundiaí, Dom Vicente Costa, autorizou a Unidos Por Cristo a vivenciar o chamado “Ad Experimentum”, uma experiência de cinco anos no qual a comunidade é acompanhada de perto pelo reverendíssimo. Após esse período ele irá autorizar ou não a continuidade da mesma.

Em dez anos a UPC realizou diversas atividades, entre elas, aquelas que entraram para o calendário anual da comunidade como a “Novena de São Francisco de Assis” que acontece entre o final de setembro e começo de outubro. O “Encontro Vocacional” que tem a premissa de compor a comunidade com novos membros, ou até mesmo ser apenas um impulso para que o jovem venha descobrir qual é a sua real vocação. E recentemente o grupo tem realizado “Famílias em Alvéolos”, no qual se dividem em grupos de casados e solteiros para estudar os documentos da igreja, sobre a importância da família na igreja.

Pensando no próximo e sendo um dos carismas da comunidade a Caridade, a Unidos Por Cristo realiza todos os sábados entrega de lanches para moradores de rua.
E pensando nas famílias que necessitam de restauração, foi criado o grupo “Missionários da Misericórdia” dentro da própria comunidade, com intuito de rezar o terço nas casas de famílias.

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Hoje a Comunidade Unidos Por Cristo conta com 31 membros ativos: “Muita gente já passou por aqui, mas quem realmente sente o chamado de Deus, fica”, me confidenciou o fundador Luiz Felipe em recente conversa.

E o Ministério de Música, a gênese original da comunidade, continua firme e forte e com novos membros em sua formação: Aline Maquedo (Voz), Silmara Gonçalves (Voz) e Gustavo Prado (Violão), Rafael Cardoso (Bateria), Thaís Rio (Teclado). Da formação original, aquela que estreava há exatos 10 anos, Saulo Pinho é o único que continua no ministério, os demais integrantes realizam outras tarefas dentro da comunidade.

O Ministério UPC hoje

O Ministério UPC hoje

“A UPC busca levar a o nosso carisma, a ‘Alegria Restauradora do Amor de Cristo’, aonde assim é o desejo do Senhor”, finaliza Digo.

Conheça mais o trabalho da Unidos Por Cristo no seu Facebook oficial


A princípio eu iria escrever sobre essa que considero a maior obra prima do Rock britânico na já tradicional lista feita aqui no FBM onde saudamos os discos que comemoram 20 anos de existência, conforme fizemos aqui sobre o ano de 1994.

Mas a verdade é que (What’s the Story) Morning Glory?  é um álbum que de certa maneira definiu uma década, moldou uma geração. Transformou o Oasis em figuras públicas, a banda que tinha moral, astúcia e arrogância para se denominar melhor que os Beatles. Para muitos, uma heresia, blasfêmia. Para os Gallagher, graça e sabedoria, afinal de contas, quanto maior a polêmica em torno da banda dos irmãos Caim e Abel, maior a repercussão e posteriormente a venda de discos.

Mas ao contrário de hoje, no qual se é apostado apenas no marketing exacerbado, mas conteúdo mesmo que é bom acaba se tornando irrelevante. Morning Glory é um verdadeiro petardo que reúne as canções mais brilhantes e fundamentais na metade da década que já tinha presenciado o Hard Rock espalhafatoso de Los Angeles, o Grunge depressivo da gélida e chuvosa Seattle, e estava em caso de amor com renascimento do Punk Rock por bandas Californianas.

Lançado no dia 2 de Outubro de 1994, um ano após o lançamento do disco de estreia do grupo, o Definitely Maybe (1994), Morning Glory vendeu 347 mil logo na sua primeira semana na Inglaterra. Hoje essa conta chega ao número de 4,8 milhões de cópias, sendo o terceiro álbum mais vendido na história do Reino Unido. Ficando atrás apenas de Greatests Hits do Queen e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles.
No mundo todo (What’s the Story) Morning Glory? Vendeu 23 milhões de cópias.

Os principais singles do disco são a balada Wonderwall, que ficou 34 semanas em segundo nas paradas do Reino Unido. Já Don’t Look Back in Anger ficou em primeiro lugar por 24 semanas.
Outros sucessos de Morning Glory são Roll With It, Champagne Supernova, Cast No Shadow e Some Might Say. Além da poderosa faixa título.

No entanto muitas histórias, lendas e números fomentam o mito por trás desse álbum seminal, portanto relatarei abaixo algumas das maiores curiosidades a respeito dessa obra prima:

Guerra Oasis x Blur

Quem era adolescente nos anos 90 conhecia melhor do que ninguém o embate midiático existente entre Blur e Oasis.
Ambas as bandas surgidas nos anos 90 na Inglaterra e vindas do movimento musical Britpop, adoravam trocar farpas em frente às câmeras.
Noel Gallagher, guitarrista e líder do grupo, chegou a dizer em uma entrevista que gostaria que “Damon Albarn e Graham Coxon pegassem AIDS e morressem”. Após os fãs e a imprensa cair de pau em cima da venenosa frase, Gallagher voltou atrás: “Não desejo que eles peguem AIDS, só quero que morram mesmo”.
Mas na verdade tudo não passava de uma estratégia de marketing. A ideia de que as duas maiores bandas do momento se odiavam fomentava a indústria musical. Os fãs que se identificavam com a sonoridade de uma das bandas escolhiam o seu lado e embarcava nesse “Corinthians x Palmeiras” da música. Eu mesmo, sempre preferi Oasis a Blur, e confesso que só fui dar toda atenção que o quarteto de Damon Albarn merece, já adulto.
No entanto, Oasis e Blur promoveram uma das maiores batalhas épicas na indústria fonográfica, “A Batalha dos Compactos”. As duas bandas lançaram no mesmo dia 14 de Agosto de 1995, os seus singles para venda, de um lado tinha Roll With It, a canção roqueira do Oasis que iria sair no seu segundo disco. Do outro lado, a pop Country House, que também seria lançada no próximo álbum do Blur.
No fim da semana saiu o resultado do vencedor da batalha, Blur venceu vendendo 270 mil cópias, contra 220 mil do Oasis.
A desculpa pela “baixa” venda do Oasis, foi pelo fato do single de Roll With It ser mais caro que o de Country House e de não estar à venda em todas as lojas.
Porém, quando os discos enfim saíram, Morning Glory bateu The Great Escape do Blur sem dó.
Mas o grande vencedor dessa briga toda com certeza foi a indústria do disco, que vendeu como nunca.

Pedaço de uma canção na outra

Logo no início de disco, na introdução de Hello, é possível ouvir um trechinho da introdução de Wonderwall, a terceira faixa do disco.
E no final de Wonderwall é possível uma menção discreta, mas presente, da introdução de Supersonic, tocada no violão.
Ouça as duas canções abaixo e compare.

Plágios?

A belíssima balada Don’t Look Back in Anger, cantada por Noel Gallagher tem um plágio logo na sua introdução. O piano tocado no começo da música é semelhante ao de Imagine, grande clássico de John Lennon.


Já a animada She’s Electric, busca referências logo de cara em TRÊS canções.
Um trecho da música parece muito com While My Guitar Gently Weeps dos Beatles. Os acordes da estrofe lembram Lithium do Nirvana. E o trecho final lembra demais o final de With A Little Help From My Friends, também dos Fab Four.
Na dúvida ouça todas:



Participação especial de luxo

Paul Weller, líder do Jam e grande influência dos Gallagher (depois dos Beatles, claro) participa do disco em duas canções. Ele faz as guitarras e backing vocals de Champagne Supernova. E toca gaita nos instrumentais Untitled 1 e Untitled 2, que na verdade são dois trechos da canção The Swamp Song.
Importante ressaltar que Paul Weller nunca tocou Champagne Supernova com o Oasis ao vivo, ao contrário de Johnny Marr (Ex- Smiths) e John Squire (Stone Roses) que já tocaram.

Músicas notáveis que ficaram de fora

Canções como Stand By Me, Don’t Go Away e All Around The World, foram compostas por Noel Gallagher na época das gravações de Morning Glory, no entanto ele engavetou as três deixando para o próximo disco. Be Here Now.

“Liam, escolha uma música”

Reza a lenda que Noel Gallagher chegou para seu irmão Liam com duas letras, Don’t Look Back in Anger e Wonderwall e falou qual das duas ele aceitaria cantar. Liam optou por Wonderwall, sobrando a outra para Noel. Entretanto, Noel ficou enciumado pois a canção foi feita para sua esposa na época, Meg Matthews.
Ainda sobre Wonderwall, outro grande mito em cima da canção é sobre o título que teria sido inspirado no álbum do ex-Beatle George Harrison, Wonderwall Music de 1968. Mas dizem as más línguas que o Noel, que sofre de dislexia, tentou escrever Wonderfull e acabou saindo Wonderwall.

Sobre drogas e Richard Ashcroft

A letra vulcânica de Morning Glory narra uma experiência que Noel Gallagher  após ter uma viagem ao usar heroína, droga na qual era viciado na época.

Cast No Shadow é dedicada ao amigo Richard Ashcroft, vocalista do The Verve, outra grande banda do movimento Britpop nos anos 90.

Alias a amizade entre Ashcroft  e o Oasis gerou outras parcerias, como a participação de Liam Gallagher fazendo vocal de apoio na canção Come On do disco Urban Hymns do Verve.

A canção esquecida

A única canção de Morning Glory que nunca foi tocada ao vivo foi Hey Now!

Noel x Liam

Se hoje a banda está separada devido à eterna rixa entre os irmãos Gallagher, saiba que a mesma é antiga e na época das gravações de Morning Glory ela chegou ao seu ápice, a ponto do disco não ser completado.
Tudo pelo fato de Liam no meio das gravações de Don’t Look Back in Anger, canção cantada por Noel, deixou os estúdios e foi curtir o seu momento de folga em pub nas proximidades.
Liam retornou no estúdio trazendo consigo 30 beberrões. Noel, revoltadíssimo, chutou todos do estúdio e ainda agrediu Liam com um taco de críquete.
Liam abandonou as gravações retornando duas semanas depois.

Apesar da fama de mau…

Apesar dos Gallagher serem tidos como os “Bad Boys do Rock Noventista”, devido aos seus problemas com drogas, com a imprensa e com demais artistas do Show Bussines, em Morning Glory há apenas um palavrão, ele está na canção de abertura Hello: I’ve got a feeling you still owe me, so wipe the SHIT from your shoes”.

REM 1
Foi no fatídico dia 21 de setembro de 2011 que os fãs de Rock Alternativo ficaram inconsoláveis com a notícia de que uma das maiores bandas do gênero havia encerrado às atividades. O R.E.M.

Apesar de ter ficado caracterizado como um trio nos últimos 15 anos de atividades, após a saída do baterista Bill Berry no ano de 1996, o R.E.M. foi um quarteto formado no finalzinho dos anos 70, na cidade americana de Georgia, por Michael Stipe (Vocal), Peter Buck (Guitarra), Mike Mills (Baixo), além do supracitado Bill. Com mais de 30 anos de carreira, com incontáveis sucessos, discos multiplatinados, prêmios – incluindo uma nomeação para o Hall da Fama do Rock n’ Roll em 2007 – e uma imensa legião de adoradores que ia de Kurt Cobain, passando por Eddie Vedder (Pearl Jam), Chris Martin (Coldplay) e os irmãos Gallagher (Oasis), o R.E.M. é o que podemos chamar de um dos maiores pilares da música alternativa americana.

R.E.M. no início da carreira: Bill Berry (Bateria), Michael Stipe (Vocal), Mike Mills (Baixo), Peter Buck (Guitarra)

R.E.M. no início da carreira: Bill Berry (Bateria), Michael Stipe (Vocal), Mike Mills (Baixo), Peter Buck (Guitarra)

Indo totalmente na contramão da sonoridade da época, que era mais calcada no pós punk com clima gótico, que gerava bandas como The Cure, The Smiths, Sisters Of Mercy, Joy Division e Siouxsie And The Banshees, ou no Hard Rock espalhafatoso de Motley Crue, Bon Jovi, Poison e Warrant. Ou até mesmo o Thrash Metal de Metallica, Slayer, Anthrax e Megadeth.
O R.E.M. reunia as principais influências dos seus integrantes: A simplicidade do Punk Rock, a intelectualidade da música celta e por fim as raízes da música sulista, a música caipira.

O triste fim da banda no ano de 2011 foi fruto de um consenso geral entre os integrantes após 30 anos de carreira com lamas e glórias, entre álbuns históricos e discos que merecem ser esquecidos (como o Around The Sun). Após ver o baterista original sofrer um aneurisma cerebral em meio a um show e depois receber o mesmo na nomeação do Hall do Rock n’ Roll totalmente curado e emocionado, mostra que o R.E.M. já vivenciou e desfrutou de tudo que merecia. Claro que nós como fãs sentimos falta e torçamos por uma volta o quanto antes, mas se eles querem descansar agora, que seja feita a sua vontade.

Portanto para celebrar o legado dessa banda incrível e influente, separei abaixo os meus QUATRO discos favoritos da banda, um pra cada ano que ela deixou de existir.

OS QUATRO MELHORES DISCOS DO R.E.M.

1 – Accelerate (2008)
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Depois da bomba que foi o Around The Sun (2004), repleto de pirações eletrônicas e melodias arrastadas e desconexas. Stipe avisou que o próximo disco seria uma volta as origens, o famoso migué que todo artista dá depois que lança um disco mal incompreendido pela mídia e pelos os fãs.
Porém, quando Accelerate foi lançado a surpresa foi total, fazendo jus ao título, o disco veio completamente acelerado, com canções quase Punks, a trinca de abertura com Living Well Is the Best Revenge, Man-Sized Wreath e o single Supernatural Superserious é contagiante. De rapidez e insanidade, Accelerate ainda conta com a poderosa faixa-título, passando por Horse to Water, Hollow Man , e o encerramento pesado e barulhento com I’m Gonna DJ, com Stipe dizendo que irá discotecar até o fim do mundo.
Na época eu ouvi o disco incrédulo: “Como pode depois de tantas obras-primas, o R.E.M. guardar o melhor da sua carreira até agora?”
Em uma época na qual o Rock já parecia música de comercial de perfumaria, Stipe, Buck e Mills vem chutando bundas.

2 – Document (1987)
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Depois do início de carreira explosivo com disco Murmur (1983) que desbancou grandes nomes da música Pop na época como Michael Jackson e o seu Thriller, e o U2 com o estrondoroso War. Nos discos seguintes o R.E.M. foi perdendo a relevância e a atenção midiática, e a guinada para a banda fechar os anos 80 com chave de ouro e abraçar o sucesso, até então nunca encontrado, na década seguinte foi justamente com esse petardo lançado em 1987.
Document parece um Greatest Hits pela infinidade de sucessos que contém, muitos figuravam até nos últimos dias de vida da banda nos set-list dos shows, como: Finest Worksong, The One I Love e a surpreendente It’s the End of the World as We Know It (And I Feel Fine).
Mas não só hits vive Document: Welcome To The Occupation, Exhuming McCarthy e Lightin’ Hopkins são outras grandes canções desse disco.

3 – New Adventures in Hi-Fi (1996)
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A capa em preto e branco que mostra uma bela paisagem desértica já deixa bem claro o que esperar do álbum. Se por um lado há belas baladas reflexivas como New Test Leper, Leave, Be Mine e Electrolite. Por outro lado há o bom rock aliando poesia e guitarras distorcidas que só o R.E.M. sabe fazer, como The Wake-Up Bomb, Leave, Bittersweet Me, Undertow e So Fast So Numb. Sem contar a cereja do bolo, a canção E-Bow the Letter que conta com a participação mais do que especial de Patti Smith, grande influência de Michael Stipe. Curiosamente Patti voltaria a participar de uma canção do R.E.M. justamente no seu último disco, o Collapse Into Now (2011), na canção Blue.
Voltando ao seminal New Adventures in Hi-Fi, o disco ficou marcado por ser o último com o baterista Bill Berry, que deixou a banda amigavelmente para se dedicar a família e a pescaria em seu sítio, e também o último com o produtor Scott Litt, que havia produzido os álbuns anteriores da banda: Document (1987), Green (1988), Out of Time (1991), Automatic for the People (1992), Monster (1994).

4 –Monster (1994)
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Depois da explosão do Grunge, movimento musical que foi fortemente influenciado pelo R.E.M. A trupe de Michel Stipe mais do que depressa pegou carona na sonoridade da turma das camisas xadrez e lançou esse disco que veio pesado, com muita distorção e letras dilacerantes.
De sucesso temos What’s the Frequency, Kenneth? Um rock rural e enérgico que só o R.E.M. sabe fazer, mas o restante de Monster é genial, com as canções King of Comedy, I Don’t Sleep I Dream, Tongue e Crush with Eyeliner essa última que conta com a participação especial de Thurston Moore do Sonic Youth nas guitarras e vocais.
Michael Stipe, amigo pessoal de Kurt Cobain, chegando a ser padrinho da sua filha Frances Bean, sentiu muito pela morte do vocalista do Nirvana e compôs a fortíssima Let Me In em sua homenagem. E a canção foi gravada justamente com a guitarra de Cobain que lhe foi dada pela viúva Courtney Love.

 

OS QUATRO MELHORES VIDEOCLIPES DO R.E.M.

1 – Imitation Of Life (Do disco Reveal)
E o seu sensacional plano seqüência sem cortes.

2 – The Great Beyond (Da trilha sonora do filme O Mundo de Andy)
Em 1999 o filme O Mundo de Andy foi lançado. Estrelado por Jim Carrey, a cinebiografia conta a história do comediante americano Andy Kaufman, o R.E.M. que já havia homenageado o artista na canção Man on the Moon, compôs The Great Beyond exclusivamente para o filme.
O clipe, que contem cenas do filme, mostra a banda tocando em um programa de TV, até então tudo bem, até eles descobriram onde realmente estão.

3 – Bad Day (Do disco In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003)
Essa canção foi gravada em 1986 para sair no álbum Life’s Rich Pageant, por fim ela acabou sendo descartada. No entanto com os atentados de 11 de Setembro e a invasão americana no Iraque, o R.E.M. ressuscitou a música, deu uma alterada na letra e lançou na coletânea In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003 como faixa inédita junto com Animal.
O videoclipe divertidíssimo mostra os integrantes da banda apresentando um telejornal enquanto canta a música.

4 – Shiny Happy People (Do disco Out of Time)
Ah gente, fala a verdade, quer clipe mais legal e divertido que esse? Essa canção “surrealista” com a participação especial de Kate Pierson do The B-52’s, esse cenário new age, esse povo feliz, alegre e contente dançando, Michael Stipe com esse boné malandro.
Lindo.

OS QUATRO MELHORES SHOWS DO R.E.M.

1 – Rock In Rio 3 (2001)
A primeira vez que o R.E.M. pisou em solo nacional foi na terceira edição do Rock In Rio em 2001. Tocando na mesma noite que Cássia Eller, Barão Vermelho, Beck e Foo Fighters. O grupo fez um show histórico, levando a platéia às lagrimas em diversos momentos do show.
Veículos como a Folha de São Paulo e a Revista Show Bizz mencionaram o show como o melhor de todo o festival.

2 – Live At Wiesbaden (2003)
O show que gerou o melhor um dos melhores DVDs já lançados na história do Rock, o Perfect Square de 2003.
Gravado durante a turnê do Reveal, o show é um enorme passeio por toda a discografia do grupo. Antes da execução de All The Way To Reno (You’re Gonna Be A Star) Michael Stipe diz: “Essa é a canção favorita do Peter Buck, vamos tocar ela exclusivamente pra ele”.

3 – Rock and Roll Hall Of Fame (2007)
Em 2007 a banda foi induzida no Hall do Rock n’ Roll. Eddie Vedder do Pearl Jam fez o discurso de indução. Bill Berry estava presente e se juntou no show especial. Patti Smith subiu no palco e cantou o hino I Wanna Be Your Dog  do Stooges com a banda. Tem coisa melhor?

4 – Austin City Limits (2008)
Durante a turnê do álbum Accelerate em 2008, o R.E.M. subiu no palco o tradicional programa de TV Austin City Limits e fez um show eletrizante. Além das novas canções sucessos como Losing My Religion, Bad Day, Electrolite e Man on The Moon deram as caras no repertório.

Saudades…