Arquivo da categoria ‘Lançamentos e Novidades’

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2016 nem acabou, mas tem sido um ano maravilhoso para o Punk Rock/Hardcore, diga-se de passagem. Só no primeiro semestre tivemos os lançamentos de Bob Mould (Patch The Sky), Face To Face (Protection) e The Bouncing Souls (Simplicity). E na entrada do segundo semestre fomos muito bem recebidos com os novos do Descendents (Hypercaffium Spazzinate), The Interrupters (Say It Out Loud) e Against Me! (Shape Shift With Me), sem contar que o NOFX também prepara um lançamento para o mês seguinte. Isso porque eu não mencionei os lançamentos nacionais como os novos do Dance Of Days (Amor-Fati), Hateen (Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui), Zander (Flamboyant), além da estreia do Please Come July (Life’s Puzzle), projeto contando com grandes nomes da cena underground brasileira.

No entanto, os dois discos mais aguardados do gênero eram, com certeza, os novos discos dos californianos do Green Day e do Blink 182. O do trio capitaneado por Mark Hoppus era esperado com ansiedade, pois se tratava do primeiro disco do conjunto sem o guitarrista e vocalista Tom DeLonge (leia a matéria sobre a saída dele aqui), marcando a estreia do Matt Skiba, do Alkaline Trio, no lugar. Já o do Green Day, tinha uma grande espera pelo fato de ser primeiro disco após a internação de Billie Joe Armstrong na clínica de reabilitação, que cancelou toda a turnê de divulgação dos três últimos – e anêmicos – discos do grupo, a trilogia Uno! Dos! e Tré! (2012) A Campanha de marketing em cima de Revolution Radio, além dos dois singles lançados, Bang Bang e a própria faixa título, fazia do disco a tão sonhada, pelos fãs, volta às origens do grupo.

Eis que California e Revolution Radio enfim foram lançados! E como ambos discos se saíram?

California – Blink-182
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Podemos afirmar, sem medo algum, que California é uma continuação de Take Off Your Pants and Jacket (2001), considerado por muitos o último grande disco do Blink-182. O que se ouve no novo álbum é uma colcha de retalhos que costura as melhores nuances sonoras do grupo, de um lado o Hardcore veloz, graças a técnica apuradíssima do baterista Travis Barker, já explicito na curtíssima faixa de abertura Cynical, continuando em The Only Thing That Matters, que relembra em partes a canção Roller Coaster do já citado Take Off Your Pants…, e encerrando o álbum com Brohemian Rhapsody. Do outro lado, temos aquele Poppy Punk, claramente influenciado em Descendents, que sempre permeou na carreira do trio e gerou os seus maiores hits, e em California não seria diferente, o single Bored to Death, seguidos de She’s Out Her Mind, No Future, Kings Of The Weekend e Rabbit Hole, são as provas concretas. E por fim, aquela sonoridade madura que pipocou em no supracitado TOYPAJ e que foi “cama, mesa e banho” do autointitulado de 2003, surge no novo disco, mas dessa vez como um ingrediente que vem a somar e dar consistência ao produto final. Faixas como Los Angeles, Sober, Left Alone e San Diego, usam e abusam de elementos eletrônicos, mas carregam uma beleza e autenticidade.
A estreia de Matt Skiba foi certeira no disco, como guitarrista ele manteve os já conhecidos timbres que soam agradáveis aos ouvidos dos fãs da banda. E na parte vocal, em alguns momentos a sua voz relembra os bons momentos de Tom DeLonge, como em Cynical e Bored to Death. Mas em She’s Out Her Mind e principalmente em No Future ele imprime a sua própria identidade musical, mostrando que tem muita lenha a queimar com o grupo, para nossa alegria.

Revolution Radio – Green Day
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A Rolling Stone gringa estampou o Green Day na capa dizendo que a banda havia voltado ao Punk Rock. A página oficial da banda, no Facebook, postou a imagem da capa do disco, um rádio explodindo, o que fomentava ainda mais a ideia que estaríamos diante do álbum mais pesado do grupo desde Insomniac (1995), e os dois singles lançados do disco, Bang Bang e Revolution Radio não tinha mais nada a provar: O bom e velho Green Day estava de volta.
Só que aí o Revolution Radio saiu, e após uma audição cuidadosa a conclusão que chegamos é que temos o mesmo Green Day megalomaníaco e grandioso (no mal sentido) desde American Idiot. O grupo continua preso na formula musical criada por si, desde o lançamento supracitado, e não consegue mais se libertar das próprias amarras.
Aquele Green Day que emulava Ramones, Hüsker Dü, The Replacements, hoje mergulhou de cabeça no Rock de Arena inglês de The Who, Beatles e Queen, e tenta a todo custo parir a sua obra-prima. As referências citadas são imunes de reprovação, mas dentro do contexto sonoro proposto pelo Green Day, desde o início da carreira, elas soam plastificadas, forçadas e com ares de “precisamos conquistar todos os públicos, custe o que custar”.
Revolution Radio já abre desanimado com a pseudo-balada Somwhere Now, iniciada no violão e com uma explosão no meio que entrega um bom rock, mas nada além disso. Outros momentos deprimentes do disco é Still Breathing, que muito assemelha as Pop Ballads de Katy Perry e Demi Lovato, o Pop Rock inofensivo reaparece na faixa seguinte Youngblood, com direito à corinhos “ôô-ôô” na introdução. Say Goodbye relembra em algumas passagens o hit Holiday, de American Idiot, no entanto, mais devagar e mais pop. E por fim a baladinha Outlaws é digna de piedade.
A formula, já gasta, do grupo de criar epopeias musicais longas e com alternâncias de ritmos, surge aqui em Revolution Radio, com o nome de Forever Now. Ela até começa com um certo entusiasmo e relembrando Green Day circa Nirmod (1997), mas os demais andamentos nada convencionais, adquiridos ao longo dos seis minutos da mesma, o transforma em mais uma canção decepcionante em um disco fortemente mediano.

A imprensa e a indústria musical que sempre deliciou em criar rivalidades entre bandas para fomentar o crescimento e consumo da mesma, seja nos anos 60 com Beatles e Rolling Stones, ou nos anos 90 com Oasis e Blur, no início dos anos 2000 inventou a disputa entre Blink 182 e Green Day aproveitando o momento distinto de ambas, no caso a ascensão do trio de Mark, Tom e Travis com a explosão do disco Enema Of The State (1999), e o limbo que se encontrava o Green Day após a frustrante tentativa de amadurecimento com o diversificado Warning (2000). Na época o Green Day, que tinha muito mais tempo de estrada do que os seus conterrâneos, acabou se tornando a banda de abertura das turnês do Blink 182, o que deu mais margem ainda para uma possível rivalidade, na qual nunca existiu.

Green Day e Blink 182 na turnê conjunta que fizeram em 2002

Green Day e Blink 182 na turnê conjunta que fizeram em 2002

Mas no ano de 2016, diante desses dois lançamentos, no qual ambas bandas se encontram no mesmo patamar dentro da sua trajetória, o Blink 182 levou a melhor!

Até a próxima, Billie Joe!

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Saint Cecilia EP

Após uma contagem regressiva surgir no site oficial da banda, denunciando que alguma novidade estava por vir, no último final de semana o Foo Fighters lançou o tão comentado Saint Cecilia EP.

O disquinho contém 5 faixas que foram gravadas em uma sessão única no Hotel ‘Saint Cecilia’ em Austin, Texas, uma das cidades visitadas na série (que originou o disco) Sonic Highways (2014), em meados de setembro desse ano. Com um total de 18 minutos de música, após a audição completa e atenciosa de Saint Cecilia chegamos à conclusão que todas as canções que completam esse EP deveriam facilmente ocupar o tracklist de Sonic Highways, já que esse, por sua vez, se perde na sua grandiosidade desnecessária.

Saint Cecilia abre com a faixa título, uma canção tipicamente Foo Fighters, de levada pop, simples, de refrão pegajoso e forte sentimentalismo. Encaixaria perfeitamente no tracklist do There Is Nothing Left To Lose (1999).  Essa é a identidade da banda, o Foo Fighters se tornou grande por seguir esse padrão, e que bom que Dave Grohl acordou a ponto de reviver os seus períodos de simplicidade musical sepultando de vez essa epopéia sonora que nos enfiou goela abaixo com Sonic Highways.

A canção seguinte, Sean, é um chupim descarado do Hüsker Dü. Grohl nunca escondeu a sua obsessão pelo grupo, a ponto de convidar o líder Bob Mould para uma participação mais do que especial na música Dear Rosemary no disco Wasting Light (2011), e o mesmo Mould retribuiu o convite chamando Dave para participar do seu Show/DVD/Tributo, See a Little Light: A Celebration of the Music and Legacy of Bob Mould, além de ressuscitar as guitarras nos seus dois trabalhos recentes – Silver Age (2012) e Beauty & Ruin (2014) – e atribuir isso aos Foo Fighters.
Sean é um Punk Rock direto, divertido e sensacional como era feito pelo trio de Minneapolis.

Savior Breath presta tributo a outra banda favorita de Grohl, o Motörhead, seguindo o mesmo pique Rock n’ Roll, Metal e Punk do trio comandado por Lemmy Kilmister.
A produção sonora que até então vinha cristalina e audível, nessa canção ela soa um pouco embolada e “suja”, provavelmente proposital, e isso não tira o mérito da canção que se torna mais agressiva e jovial.

Iron Rooster vem para cadenciar Saint Cecilia, mas não coloca tudo a perder. Com exceção da supracitada megalomania de Sonic Highways, Dave Grohl é um grande midas musical, porque ele tem a capacidade de compor uma canção simples, uma canção com odes a sua adolescência punk e ao mesmo tempo consegue compor uma balada tocante. E é o caso dessa belíssima canção.

E The Neverending Sigh, que tinha a sua introdução tocada de fundo no site oficial da banda, enquanto rolava a contagem regressiva para o lançamento do EP, fecha Saint Cecilia de forma sublime e crescente. Segundo Dave Grohl, The Neverending Sigh foi composta a mais de 20 anos, chegando até ter um outro nome anteriormente, 7 Corners. Ela é um casamento perfeito da fase One By One (2002) da banda, no qual ficou demarcado o início do amadurecimento musical do Foo Fighters, com o próprio disco de estreia autointitulado, que carrega uma veia Punk/Grunge acelerada.
Se a intenção do Foo Fighters é explorar outras nuances sonoras, crescer, amadurecer e se tornar grande, The Neverending Sigh é prova que a banda pode inovar, mas sem perder as raízes que lhe consagrou.

Resumindo, nas cinco faixas que compõem o EP, em duas encontramos o Foo Fighters prestando homenagens as suas principais influências musicais, em outras duas a formula simples-pop-perfeita que une melodia, sentimentalismo e peso, e por fim, na última música, um Foo Fighters que se curvou ao seu passado, ressuscitou uma música de duas décadas atrás e a preencheu com os elementos que tornaram a banda a mais relevante dos últimos tempos.

O disco foi disponibilizado no site oficial da banda para download gratuito, e junto com os arquivos em mp3, a pasta zipada ainda conta com uma carta escrita pelo próprio Dave Grohl contando os bastidores das gravações de Saint Cecilia, e por fim encerra o texto dando uma deixa para um suposto fim da banda.
Desculpa, mas não irei cair nesse truque pela terceira vez seguida. Em 2008, logo após o lançamento do Echoes, Silence, Patience and Grace (2007), a banda também anunciou um hiato de tempo indeterminado, todo mundo surtou, um ano depois a banda retornava as atividades lançando um Greatest Hits (2009) com duas canções inéditas (Wheels e Word Forword). Em 2012 a banda anuncia novamente um suposto fim em pleno festival de Reading na Inglaterra, mas esse fim trava-se do período de produção e filmagens da série Sonic Highways.
E depois que o produtor Butch Vig já revelou que virá uma nova temporada de Sonic Highways por ai, essa cartinha de “O fim está próximo”, não me engana.

Enfim, Saint Cecilia EP deixa um gostinho de quero mais e elimina de vez o gosto amargo deixado pelo disco antecessor. A prova concreta de que menos é mais, sempre.

Bem-vindos de volta, Foo’s

Ouça abaixo o EP na íntegra:

Leia aqui no Foo Fighters Br a tradução da carta escrita por Dave Grohl que acompanha o disco.

Eduardo

Muito antes do Rap se tornar o estilo de música aceito pela grande mídia, virando trilha sonora de novela global, tendo eventos patrocinados por marca de cerveja importada, e com os seus novos representantes figurando em line-ups de festivais mainstream como Popload e Lollapalooza. Em outrora ele foi a grande trilha sonora do inconformismo e principalmente uma música de protesto em favor das classes menos favorecidas e dizimadas por um sistema capitalista que financia uma polícia que não teme em ser genocida.

No entanto, é em Carlos Eduardo Taddeo, ou apenas Eduardo, que a chama do autêntico Rap Nacional se mantém acesa.
Revelado no Facção Central, importante grupo de Rap formado em 1989 ao lado do seu cunhado Wellington, o Dum-Dum. Eduardo já era perseguido por críticas ferrenhas e acusações diversas devido a sua música carregada de violência, tanto sonora – o velho batidão pesado do Rap old school – como, notavelmente, nas letras, que era nada mais que um retrato fiel do estado calamitoso que se encontra as principais periferias do país.

Facção Central

Facção Central

Em março de 2013, Eduardo deixa o Facção alegando diferenças ideológicas, e partir dessa decisão o mesmo sai em carreira solo lançando no final de 2014 o seu primeiro álbum, Fantástica Fábrica de Cadáver, quem vem em formato duplo com um total de 32 canções.

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É justamente desse novo disco que Eduardo lança o seu primeiro videoclipe, da canção Substância Venosa. A letra (que pode ser lida aqui) traz o venenoso Eduardo de sempre, culpando a classe dominante (mídia, grandes empresas e a classe média) pelo extermínio na periferia que é recorrente, acontece diariamente, mas todos fingem não ver.

Em tempos que escolas são fechadas pelo governo estadual e a maioridade penal reduzida. Ou que 50% da população brasileira brada que bandido bom é bandido morto, mas ao mesmo “são milhões de Cunha”. Músicas como essa nos convida a refletir sobre o insano mundo que sobrevivemos.

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Após 13 anos de espera, na última quarta-feira finalmente os fãs mais ardosos dos Foo Fighters tiveram motivos de sobra para comemorar, finalmente vazou na internet a versão completa da “Million Dollar Demos” (A Demo de 1 Milhão de Dólares), o verdadeiro “Santo Graal” da banda.
Não sabe do que se trata? Calma que nós explicamos, mas para isso precisamos voltar no tempo.

O ano de 2001 não foi um dos melhores para Dave Grohl & Cia, mesmo depois de ter lançado um álbum grandioso como o There Is Nothing Left to Lose (1999) repleto de hits (Breakout, Learn To Fly, Generator e Next Year), conquistando até então o inédito prêmio Grammy, na categoria “Melhor álbum de Rock”, ocasionou uma turnê gigantesca que passou por terras tupiniquins, onde a banda se apresentou pela primeira vez em Solo Brasileiro no festival Rock In Rio na mesma noite que R.E.M e Beck.
O ano ficaria marcado pela quase perda de um integrante da banda. Enquanto o Foo Fighters fazia uma turnê por Londres, o baterista Taylor Hawkins, na época usuário declarado de drogas, sofreu uma overdose quase fatal de heroína ficando em coma por dois dias. E foi nesse clima de pós overdose e reabilitação de Taylor que a banda inicia as gravações do que seria o seu quarto álbum.

COMEÇAM AS GRAVAÇÕES
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Seguindo a mesma lógica do antecessor, o futuro álbum foi gravado no próprio estúdio da banda, o 606 Studio, na época localizado no porão da casa de Dave Grohl em Virginia – Washington. Hoje o mesmo se encontra em Encino, no estado da Califórnia, próximo à residência de Grohl.
No entanto a vontade do grupo em realizar e finalizar o trabalho era pequena.
Trancafiados no estúdio pouca coisa era produzida, e o que era feito não era do agrado de todos.
Chris Shiflett, guitarrista do grupo, que na época gravava o seu primeiro álbum com a banda chegou a declarar: “Era minha primeira vez no estúdio, era tudo muito estranho, pois eu chegava ao meio-dia, comia alguma coisa, tomava um café e ia embora sem ter tocado absolutamente nada”.
Nate Mendel, o discretíssimo baixista, também demonstrava insatisfação com as gravações meia boca: “Eu estava com saco cheio, eu tocava sem vontade e o Dave vinha e dizia: Isso que você está tocando não casa com o vocal”.
E Dave por sua vez também se demonstrava totalmente descontente com rumos que tomava o novo álbum do conjunto: “Sempre quando eu ouvia o que já tínhamos gravado eu pensava: Não sei se quero que outra pessoa ouça isso”.
A princípio havia 18 músicas gravadas, e um possível tracklist do que viria ser o disco contava com as canções Have It All, Come Back, Burn Away, Halo, Gun Beside My Bed, Lonely as You, Tired of You, além do futuro clássico All My Life.
O álbum ainda não havia titulo, mas recebeu o carinhoso apelido de Tom Petty. As gravações finalizaram no mesmo ano, mas o resultado final desagradou até o empresário da banda, Jon Oliva, que disse que o mesmo poderia ser lançado, mas que ele não tinha certeza se conseguiria vender alguma coisa.
Outro fator conturbado dentro das gravações de Tom Petty, foi a troca de produtor durante a conclusão do álbum. Inicialmente Adam Kasper, também produtor do álbum anterior da banda, o There Is Nothing Left To Lose, havia assumido a produção do disco, no entanto abandonou a mesma na metade, sem motivo aparente, e quem assumiu foi Nick Raskulinecz, conhecido por trabalhos com Rush, System of a Down, Alice In Chains, Stone Sour, e que já tinha trabalhado com o Foo Fighters na produção da música A320 (ouça aqui) que integrou a trilha sonora do filme Godzilla (1998) e depois ele voltaria a trabalhar com a banda nos discos In Your Honor (2005), Skin and Bones (2006) e Echoes, Silence, Patience and Grace (2007).

O produtor Nick Raskulinecz

O produtor Nick Raskulinecz

E o ponto máximo que necessita ser frisado é que nessa brincadeira toda entre custos de produção, locação de equipamentos e o tempo ocioso de pré e pós produção do disco, o mesmo chegou ao assustador valor de 1 milhão de dólares.

UMA PEDRA NO CAMINHO
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No meio das gravações do tal disco conturbado, a banda de Stoner Rock Queens Of The Stone Age sofria a saída do seu baterista Rob Oswald e recruta Dave Grohl para a gravação do próximo álbum, este por sua vez não apenas aceita o convite como também sai em turnê com o conjunto para a divulgação do mesmo, deixando para trás o Foo Fighters com um péssimo disco inacabado nas mãos e o futuro incerto, instalando assim de vez a crise na banda.
Em 2002 Songs For The Deaf é lançado e aclamado pela critica como um dos melhores álbuns do QOTSA.
DavE Grohl em sua melhor forma, relembra os velhos tempos de Nirvana em um disco onde esbanja técnica e fúria, os principais destaques são os singles Go with the Flow e No One Knows no qual ganhou um videoclipe com a participação de Grohl.

A banda sai em turnê durante seis meses e um desses shows era no festival Coachella na Califórnia, no entanto o Foo Fighters também foi convidado para participar do festival, tocando como um dos principais na noite seguinte do Queens.

Cartaz do Coachella 2002: Queens Of The Stone Age no sábado e Foo Fighters no domingo

Cartaz do Coachella 2002: Queens Of The Stone Age no sábado e Foo Fighters no domingo

Era chegado o momento de resolver de uma vez por todas o rumo da banda.

O QUASE FIM
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Com o convite para o Coachella a banda se reuniu para ensaiar, porém clima não era dos melhores, afinal de contas, fazia nada mais, nada menos que seis meses que a banda não se encontrava e ainda havia um imenso espinho entalado na garganta que era o tal álbum maldito de 1 Milhão de Dólares.
Durante o ensaio o clima esquentou e farpas foram trocadas, principalmente entre Dave e Taylor que guardavam magoas um do outro, Taylor não aceitava o abandono do líder da banda para seguir o Queens em turnê, e Dave por sua vez se mostrava ressentido pelo baterista não ter apoiado a sua volta ao instrumento que o projetou ao sucesso, e não achou nada demais ter saído em turnê com o Queens of The Stone Age, levando em consideração que a banda também não estava emprenhada como deveria estar na gravação do novo álbum, a briga encerrou com Taylor anunciando a sua saída da banda após o show no Coachella.
Porém o show no festival foi espetacular, a banda se mostrou gigante e empenhada e após o show Taylor confessou a Dave que continuaria na banda, e o Dave por sua vez optou por voltarem para o estúdio e refazer todo o álbum novo.

ONE BY ONE CONCLUÍDO
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O Foo Fighters refaz todo o álbum que consumiu a banda e quase a fez encerrar as atividades, quanto tempo levou tudo isso? Apenas uma semana!
O Tracklist era o mesmo da outra vez, as únicas modificações foram a troca de titulo de Gun Beside My Bed para Overdrive, e a inclusão da poderosa Times Like These que tem a letra baseada nesse período turbulento que a banda passou nos últimos seis meses.
A produção continua a cargo de Nick Raskulinecz, e essa era a primeira vez que o Foo Fighters gravaria um álbum com recursos digitais, ou seja, com computadores. Levando em consideração que os três álbuns antecessores foram gravados de forma analógica, ou seja, em fitas, e curiosamente, nove anos depois do lançamento de One By One, o Foo Fighters voltava a gravar de forma analógica no álbum Wasting Light, lançado em 2011.
No dia 22 de outubro de 2002 One By One é finalmente lançado e o single All My Life apresenta a fúria do álbum para todo o mundo, afinal de contas é trata-se da canção mais forte, pesada e enérgica do álbum e de toda a carreira da banda.
O resto do álbum é formado por excelentes canções: Times Like These, que viria ser o segundo single da banda, se tornou uma das canções mais importante da mesma, chegando a ganhar dois videoclipes um veiculado em todo mundo que trazia a banda tocando em cenário psicodélico relembrando os clipes antigos de bandas como Black Sabbath e Deep Purple. E a versão americana, com a banda tocando debaixo da ponte de Victorville na Califórnia.
Outros principais destaques do disco são as pesadíssimas Have It All e Low, e a bela balada Halo.
No entanto é importante ressaltar que One By One não chega ser álbum ruim, longe disso, mas é um disco difícil de ser digerido na primeira audição, e isso cabe ao excesso de músicas longas, com bastantes passagens instrumentais de clima dark, parecendo até em certos momentos, obras do Rock Progressivo, Come Back, por exemplo, por mais que seja uma ótima canção, ela beira nove minutos de duração, com longas passagens sem vocais, tocadas no violão. Outro destaque negativo fica por conta de Tired of You, que apesar da participação mais do que especial de Brian May (Queen) nas guitarras, é tida por muitos como uma das piores canções da carreira do Foo Fighters, por ser monótona e sem variação.
Em algumas entrevistas após o lançamento de One By One, Dave Grohl chegou a afirmar que o disco não era um dos seus favoritos da banda e que apenas as quatro primeiras músicas se salvavam de lá, e que o resultado abaixo da média se dava ao fato dele ter sido refeito e gravado rapidamente para assim atender o prazo estipulado pela gravadora. Hawkins também complementa a sua opinião sobre álbum: “Deveria ser chamar Half And Half (meio a meio), ele é meio bom e meio ruim, provavelmente não é o melhor da banda, mas é a fotografia daquele momento em que quase terminamos. Nós não sabíamos o que fazer”, salienta o músico.
Mas One By One rendeu grandes frutos para o Foo Fighters, o disco ganhou o prêmio Grammy em 2003 de “Melhor Disco de Rock”, e All My Life abocanhou a gramofone dourado na categoria “Melhor Performance de Hard Rock”.
Em termos de venda, One By One se saiu muito bem, no Reino Unido ficou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos, batendo inclusive a coletânea do Nirvana recém lançada na época que ficou em terceiro lugar.
Outra curiosidade intrigante a respeito de One By One, é que a sua famosa capa, a ilustração de um coração preto no fundo branco, foi feita nada mais nada menos por Raymond Pettibon, renomado artista plástico Punk, conhecido pelas ilustrações nas capas de discos do Black Flag (além de ter criado o logotipo da banda), Sonic Youth e recentemente a banda OFF!

Algumas capas de Raymond Pettibon: Paranoid Time (Minutemen), Jealous Again (Black Flag), Goo (Sonic Youth) e álbum de estréia do OFF!

Algumas capas de Raymond Pettibon: Paranoid Time (Minutemen), Jealous Again (Black Flag), Goo (Sonic Youth) e álbum de estréia do OFF!

13 ANOS DEPOIS O MUNDO FINALMENTE CONHECE AS CANÇÕES ORIGINAIS
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No final de 2011 a banda lança o seu primeiro documentário intitulado de Back and Forth que conta toda a trajetória da banda em seus 11 anos de carreira na época, e no capitulo dedicado ao álbum One By One a banda relembra todas as dificuldades vividas durante as gravações do álbum, e as faixas que originaram o disco eram tão esculhambadas pela banda no filme que despertou a curiosidade dos fãs de ouvir como ficou o resultado final.
O que não esperávamos é que no ano seguinte, seriamos surpreendidos com trechos de quase todo o disco, que foi disponibilizado pela própria banda na internet, e a recepção por sua vez foi animadora, muitas canções se saíram melhor do que a versão que foi revistada e incluída no One By One, como é o caso de Lonely as You e Come Back com um resultado bem superior do que foi lançado em cd.
O que nos faz pensar porque será mesmo que ele foi refeito?
E no último dia 5 de agosto de 2015 que a página italiana do fã clube da banda no Soundcloud, o Foo Fighters Italian Fan Club, disponibilizou na integra as faixas da famosa Demo de 1 Milhão de dólares.
Nós do Fila Benário Music ouvimos inteirinha e as nossas impressões faixa-a-faixa você pode ler abaixo:

All My Life
O que diferencia da original é um começo mais demorado e fantasmagórico antes do famoso riff da introdução. Outro trecho diferente é na parte berrada “Done, done, and I’m on the next one”, que nessa versão o berro está mais comprimido e sem os efeitos da versão oficial.
Do mais é a mesma canção só que sem o brilho de produção, ou seja, com mais punch e peso.

Have It All
A introdução tocada pela guitarra aqui nessa versão é um pouco mais demorada do que a que saiu em One By One, demora cerca de 12 segundos, contra seis segundos da oficial.
O resto da canção não compromete.

Halo
Uma das mais belas baladas do Foo Fighters, em sua versão demo ela aparece com uma introdução mais longa também, e com efeitos bem precários de guitarras, no entanto a estrutura musical é a mesma, o refrão continua com a mesma carga emocional, o berro “Disappear before we fade away” antes das oitavadas de guitarra continuam firme e forte.
Foi a que menos mudou.

Lonely As You
Ao contrário da anterior, Lonely As You surge aqui irreconhecível e muito superior a versão que entrou em One By One, o que nos leva a questionar: porque essa ficou de fora?
Se na versão oficial a música começa com uma guitarra dedilhada sem efeitos com a voz de Dave Grohl sussurrando o trecho: “What would I do? Lonely as you”.
Nessa versão já começa com um riff distorcido de guitarra tocando as notas da estrofe da música, e minutos depois um alucinado Grohl entra berrando em tons altíssimos a letra da canção.
Se na versão oficial a banda inova fazendo passagens Ska que lembra em alguns momentos algumas coisas swingadas do The Police, aqui é tudo direto, bruto e reto.
Uma das melhores da demo.

Overdrive
Essa já era conhecida do público nos shows da turnê do There Is Nothing Left To Lose, no entanto ela atendia pelo nome de Gun Beside My Bed.
Mantém o pique poppy punk, mas por ser uma versão demo ela aparece sem peso e distorção nas guitarras, e a bateria segue uma batida mais swingada, ao contrário da batida seca e reta da versão original.

Burn Away
Se na versão original a canção começa com um curto riff de guitarra já dando a deixa para o resto da banda entrar na música. Aqui o riff se prolonga mais um pouco.
Considerada por Dave a música mais pesada da banda pelo fato das guitarras terem sidas afinadas com tom abaixo, na versão demo ela mantém o peso.

Come Back
Ao lado de Lonely As You é a canção mais irreconhecível da demo e que deveria estar no tracklist oficial do One By One.
Se a versão original dura cerca de nove minutos, com passagens monótonas no violão e com ar progressivo, aqui o que encontramos é Rock puro.
As diferenças já começa na introdução, enquanto a versão oficial começa com um bom riff de guitarra distorcida que dura 10 segundos, na versão de 1 milhão de dólares a música já começa de imediato com Dave solando uma guitarra na introdução, enquanto Chris faz uma base nervosa na outra.
A bateria também está diferente, e para melhor, Taylor Hawkins faz uma batida usando o os tons e o surdo ao mesmo tempo, dando mais peso e impacto a canção. E Dave Grohl mais uma vez berra os versos em tons altíssimos, uma das suas melhores interpretações vocais.
Enfim, deveria estar no álbum.

Balanço final
Com exceção de Come Back e Lonely as You, o resto não difere muito das versões que entraram oficialmente no tracklist de One By One.
Mas que esse apanhado de canções demo sem produção dá um show no mega ultra hypado e pomposo Sonic Highways, isso dá sim, sem sombra de dúvidas.
Fazendo reinar a lógica matemática da música: Onde menos é mais.

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Quando Montage of Heck foi anunciado como o Documentário definitivo e oficial sobre Kurt Cobain, com direito a exibição do material inédito como filmagens caseiras, fotos pessoais e demo tapes, os fãs do Nirvana foram ao delírio. O Trailer feito para divulgar o filme era extremamente emocionante. Mad Max? Os Vingadores 2? 50 Tons de Cinza? Star Wars? Fuck Off! O filme mais aguardado de 2015 era para muitos, com certeza, Montage Of Heck.

E antes da exibição nacional nos cinemas, eu tive o privilégio de assistir ao documentário, e após duas horas de filme, a experiência foi insatisfatória.

Montage of Heck é um documentário não sobre Kurt Cobain e sua trajetória a frente de uma das bandas mais importantes da história do Rock, mas é um retrato de sua mente doentia. Filme intercala com cenas de desenhos animados, contando algumas passagens da adolescência do músico, algumas imagens animadas de escritos no seu diário pessoal e outras imagens aleatórias de desenhos, recortes de revistas, contendo gravações de áudio de conversas dele com pessoas como o grande amigo Buzz Osbourne, vocalista do Melvins, além de outras insanidades. Algumas coisas funcionam bem, mas no geral a experiência visual chega a ser cansativa e entediante às vezes.

As entrevistas, o elemento chave de qualquer documentário, são curtas e muitas vezes ineficientes, como no caso a entrevista do pai de Kurt, o senhor Don Cobain, que pouquíssimo falou, e o que disse em nada acrescentou.

A participação do baixista Krist Novoselic, o único membro do Nirvana presente no filme, poderia ter sido maior e melhor.

Os vídeos caseiros soam fofos e interessantes ao contar a infância de Kurt, a partir do momento que ele narra a vida louca e conjugal de Kurt com a sua ex-esposa Courtney Love, as cenas são longas, doentias e cansativas. Claro que trata de cenas reveladoras, afinal de contas na maioria das vezes, ambos estão chapados de heroína, mas deveria ter um dinamismo melhor e uma edição eficaz. As cenas são longas, com ambos dizendo coisa com coisa, totalmente deprimente.

A ausência de Dave Grohl no projeto, por incompatibilidade de agenda, também foi sentida, alias, Grohl deveria ter co-dirigido o filme, já que as suas últimas incursões na sétima arte gerou trabalhos magníficos como o documentário sobre o estúdio Sound City e a aclamada série Sonic Highways, que documentou a gravação do último álbum dos Foo Fighters em oito cidades americanas. No entanto não desmereço o trabalho do diretor Brett Morgen, que é conhecido pelo trabalho na direção e produção de grandes documentários, como o filme “O Show Não Pode Parar”, que conta a história do ator, diretor e produtor, Robert Evans.

Brett Morgen

Brett Morgen

Pelo anuncio, pelo marketing, e por toda história de envolver material até então inédito e pessoal do músico, a expectativa foi enorme, porém a decepção maior ainda.

Se você quer algo detalhista e ao mesmo tempo prazeroso de acompanhar, a biografia Mais Pesado que o Céu, do jornalista Charles Cross, continua sendo a mais importante obra já feita sobre a vida, insanidade e morte de Kurt Cobain.

10916351_830632130306672_4582601114635447323_oPor Larissa Darc

Uma das bandas nacionais que foi destaque nessa edição do lollapalooza volta aos palcos da cidade, e dessa vez, de graça.
Paulistanos desde o nascimento até as suas composições, os meninos d’O Terno vem se destacando no cenário musical com o seu segundo album, lançado em 2014, o auto-entitulado “O terno”.

O Terno
Saindo um pouco do clima de assassinatos compulsivos, eles resolveram apostar em letras mais românticas, sem perder o bom humor característico.
A cerca de um mês, foi anunciada oficialmente a saida do baterista Victor Chaves, e agora quem compõe o trio é Biel Basile.

Neste domingo, dia 19 de abril, às 14h eles se apresentam no Parque Villa Lobos, através do Cultura Livre SP, um projeto do Governo do Estado de São Paulo, que desde 2011 traz arte e cultura a espaços públicos da capital.
Quem também sobe (ou no caso, desce) o palco do anfi-teatro do parque é a já consagrada Luiza Possi, que às 15h cantará músicas do seu sétimo álbum, o “Sobre Amor e o Tempo”.

Luiza Possi também participará do show

Luiza Possi também participará do show

Separamos algumas músicas da banda para você fazer bonito na plateia:

O Terno – 66

O Terno – Ai Ai, Como eu me Iludo

O Terno – Papa Francisco Perdoa Tom Zé

Onde: Parque Villa lobos
Como Chegar: Estação Villa Lobos – CPTM
Horário: A partir das 14h
Quanto: De graça

Perfil - Larissa Darc - Consolas Tam. 11

Endigma
E foi lançado ontem para todo o universo via youtube a música Only One Will Stand, o single de estreia do Endigma, a maior promessa do Heavy Metal Nacional em 2015.
Formada em Jundiaí (interior de São Paulo), a banda Endigma é resultante de um projeto entre os músicos Glauco Rezende (Guitarra) e Fernando Arouche (Bateria), sendo esse último conhecido também pelos trabalhos com as bandas Metamorffose e a extinta Nazarenos HC.

Da esq pra dir: Fernando Arouche (Bateria) e Glauco Rezende (Guitarra)

Da esq pra dir: Fernando Arouche (Bateria) e Glauco Rezende (Guitarra)

A dupla já esteve à frente de diversos projetos musicais entre eles a banda Metalzord dedicado a covers de clássicos do metal melódico e tradicional, além de fazerem regravações de sucessos da musica pop em versão heavy metal, como foi o caso da versão da dupla para o sucesso Gangnam Style do sul coreano Psy, que teve mais de 500 mil visualizações e o vídeo chegou a ser citado em uma matéria no Band Sports.

E foi desse virtuosismo da dupla que surgiu o Endigma, apostando na altíssima qualidade dos seus músicos e em material próprio, Only One Will Stand é o mais perfeito cartão de visitas da sonoridade da banda, um Thrash Metal furioso e desconcertante, onde Fernando demonstra toda sua habilidade como baterista, apostando em quebradas, viradas sensacionais e fazendo uso sem moderação alguma do pedal duplo. Já Glauco que bebe da fonte de Dimebag Darrell, Zakk Wylde e Scott Ian, une solos velozes à riffs que pesam uma tonelada.
Mas a grande cereja de Only One Will Stand fica por conta da participação de Leandro Caçoilo nos vocais, conhecido pelos trabalhos à frente da banda Eterna, Soulspell e Hot Rocks, Leandro que é acostumado com o gênero Power Metal e Hard Rock, impressiona a todos em uma interpretação tão pesada e concisa. Importante ressaltar que o baixo foi gravado pelo Fabio Carito da banda Shadowside.
Se o line up da banda será o mesmo da gravação de Only One Will Stand, só o tempo dirá, mas que preciosidades como essa canção surgirá das mãos geniais de Fernando e Glauco, isso podem ter certeza absoluta.

Parabéns Endigma e com vocês Only One Will Stand

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