Fila Benário Fala, Livro

Os 15 melhores livros sobre música por Fila Benário

Ontem, dia 29 de Outubro, comemorou-se o “Dia Nacional do Livro”, o Fila Benário Music não poderia ficar de fora dessa e tratamos de listar aqui os 15 melhores livros quando o assunto é música.

É claro que muita coisa boa ficou de fora, e a minha estante abarrotada de livros não permitiu que eu terminasse de ler muita coisa que provavelmente viria a estar aqui, mas aqueles que eu considero especiais e o que servem de porta de entrada para conhecer e entender determinado artista e gênero musical estão aqui.

O Livro do Guitarrista (Tony Bellotto)
1
Começo a lista com uma dica para as crianças, os primeiros ouvintes dessa obra maravilhosa chamada música.
Lançado pela Companhia das Letrinhas e integrante da série Profissões, O Livro do Guitarrista (2001), escrito pelo Titã e também escritor Tony Bellotto é uma apresentação do maravilhoso universo da guitarra para a criançada.
O livro começa delicioso, com uma foto do Jimi Hendrix e o mesmo contanto o impacto que aquela foto teve na sua infância.
No decorrer do livro ele fala das suas aulas de violão que ele teve com uma freira(!), traça uma lista dos seus guitarristas favoritos, das suas bandas favoritas, e dos discos fundamentais que todo guitarrista deve ouvir. Além de explicar o nascimento do Rock através de três gêneros musicais: O Blues, o Jazz e o Country.
Já tenho o meu para mostrar para os meus filhos, futuramente.

Punk – A Anarquia Planetária e a Cena Brasileira (Silvio Essinger)
2
Muitos taxam como a versão brazuca do clássico “Mate-me Por Favor” que contava a origem do Movimento Punk em 1977. Mas Punk (1999) de Silvio Essinger faz um apanhado histórico de como o movimento Punk surgiu e o eco e a influência que o mesmo teve em terras tupiniquins, contando a trajetória de celebres bandas do gênero como Ratos de Porão, Inocentes, Cólera, Garotos Podres, Coquetel Molotov, entre outros.
A evolução do Punk dos Sex Pistols para o Hardcore acelerado de Minor Threat, para o Emotional Hardcore de Hüsker Dü, para o Poppy Punk de Green Day e Offspring, também está nas páginas do livro que encerra tratando o recém fundado na época Atari Teenage Riot com o seu Punk Electro como o futuro do Punk Rock.

Coração Envenenado – Minha Vida com os Ramones (Dee Dee Ramone e Veronica Kofman)
3
Não podemos falar de Punk sem ao menos citar os Ramones. E de todas as biografias existentes que contam a trajetória do conjunto, a minha favorita é Coração Envenenado (1997) de autoria de Dee Dee Ramone.
Dee Dee que foi baixista do grupo desde a fundação até 1989, conta nas poucas páginas do livro a sua conturbada trajetória na banda que se resumia a heroína e muita loucura.
O capítulo no qual ele narra que se prostítuia para conseguir drogas e que acabou inspirando a letra de 53rd and 3rd é de arrepiar.

Vida (Keith Richards)
4
Se em 196 páginas Dee Dee Ramone contou toda sua vida, Keith Richards escarafunchou a sua em mais de 600, mas para lenda vida que faz parte de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, ainda faltaram histórias.
Como diz o título, a Vida (2010) de Keith Richards está em jogo nas páginas desse livro, toda entregue e sem censura. Desde a sua infância no qual ele já tomava uns golinhos de whisky com o seu avô Gus, passando pela sua amizade com Mick Jagger e o nascimento dos Rolling Stones. Os primeiros shows em espeluncas a troco de nada, até a gravação do primeiro disco repleto de covers. Do sucesso de Satisfaction ao consumo de drogas, enfim, tudo está no livro.
Para mim os capítulos mais marcantes são o que ele narra o caso dele com Anita Pallenberg que na época era esposa do ex-guitarrista Brian Jones. Keith escreve de forma absurda que parece que você está com a mesma incerteza e aflição do que ele. As míticas gravações de Exile On Main St. também são um arrasadoras. Mas nada ganha do então amor e ódio entre Mick Jagger e Keith Richards, que aqui ele escreve sem medo algum.

Under Their Thumb (Bill German)
5
Ainda sobre os Rolling Stones, esse livro é fundamental para qualquer fã da banda e estudante de jornalismo.
Imagina você fã dos Rolling Stones tendo a oportunidade de acompanhar a banda por 20 anos e relatar tudo isso em um fanzine que se tornou produto oficial da mesma?
Essa é a história de Bill German, na época um jovem apaixonado pelos Stones que editava o fanzine sobre a banda, o Beggars Banquet.
Um certo dia ele tem a oportunidade de encontrar com os Stones no lançamento do disco Emotional Rescue (1980) e a partir daqui a sua vida dá uma guinada 180°.
Mas não pensem vocês que estar ao lado dos Stones 24hs foi um sonho para German. Under Their Thumb (2011) mostra o inverso.

Mais Pesado que o Céu (Charles R. Cross)
6
Se você acha que sabe tudo a respeito da história de Kurt Cobain, acha que o recém lançado filme “Montage Of Heck” é a sua obra completa e definitiva, com certeza você ainda não leu nenhuma página de Mais Pesado que o Céu (2002). Escrito por Charles R. Cross, ex-editor chefe da The Rocket, principal revista de Rock de Seattle, o livro escancara de vez a história de Kurt Cobain, o homem por trás do mito. Os seus problemas psicológicos, familiares, a sua juventude conturbada morando de casa em casa e até mesmo na rua.
O contato com as drogas e com a música e explosão quase imediata do Nirvana.
Após uma leitura assídua desse livro você passará continuando a amar a obra da banda, mas duvido que você olhará com ternura, devoção e admiração o doentio Cobain.
Aproveito e indico também do mesmo autor o livro Kurt Cobain – Construção do Mito (2014), no qual ele conta como o músico influenciou várias áreas após a sua morte, não apenas na música, mas no cinema, na moda, nas drogas e até mesmo no estudo sobre o suicídio.

Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia (Nelson Motta)
7
Mais louco que Kurt Cobain foi Tim Maia, o homem mais sensacional e polêmico da MPB.
Nelson Motta, grande jornalista, amigo e fã de Tim, era o homem perfeito para escrever essa biografia, e ele não só fez como entregou uma das maiores já produzidas no Brasil. Talvez se Tim estivesse vivo, com certeza ele vetaria essa obra por trazer tantos detalhes pesados de sua vida, como o consumo incansável de drogas, até mesmo no hospital quando o mesmo estava internado após uma inflamação no saco escrotal. Os seus inúmeros processos e pendências judiciais, além dos inúmeros canos e atrasos que o mesmo já proporcionou em shows e programas de auditórios.
O capítulo intitulado de “O Evangelho Segundo Tim Maia” sobre a entrada dele na seita “Universo em Desencanto” vale o livro todo.

Noites Tropicais (Nelson Motta)
8
Ainda com o mestre Nelson Motta, o seu livro de memórias Noites Tropicais (2000) deve ser apreciado por todo estudante de jornalismo, estudante de música, produtor musical e historiadores.
Nelson viu o nascimento da genuína musica brasileira, a Bossa Nova. Logo nas primeiras páginas ele fala de Nara Leão. Vindo de família de classe média, Nelson sempre organizava festinhas da Bossa em sua casa e nomes como Tom Jobim, João Gilberto, Ronaldo Boscolli, Roberto Menescal e a supracitada Nara estão presentes na sua sala de estar e nas páginas do livro.
Conforme a música vai evoluindo, ta lá Nelson acompanhando tudinho, Elis, Chico, Mutantes, Tim, Roberto e Erasmo, enfim, Nelson Motta é a história da música brasileira e tudo que ele fez foi contar nesse livro.

Rod – A Autobiografia (Rod Stewart)
9
Se Nelson Motta esculhambou Tim Maia na sua biografia, Rod Stewart não pagou escritor nenhum pra fazer isso, ele mesmo tomou a decisão e lançou uma das biografias mais sinceras e divertidas dos últimos tempos.
Se hoje ele é conhecido como o amante romântico, o homem que resgata a música americana e que fez milhares de pominhos de idade avançada dançar de rostinho colado no Rock In Rio 2015, Rod foi um roqueiro louco transtornado e que usou mais cocaína do que as suas narinas podiam permitir, chegando ao ponto de utilizar por vias anais.

Metallica – A Biografia (Mick Wall)
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Quando se fala de jornalismo musical nível mundial, o primeiro nome que vem a cabeça é de Mick Wall, repórter da Kerrang. Mick é referência no assunto, idolatrado por muitos e odiado pelo dobro, Wall chegou a ser citado negativamente na letra de Get In The Ring do Guns n’ Roses, devido às críticas negativas que o mesmo fazia da banda na imprensa.
Conhecido por ter escrito a biografia de inúmeras e importantes bandas do cenário Rock, como Black Sabbath, AC/DC e Led Zeppelin, a minha favorita é a do Metallica, que mesmo com toda fama e glória tem as suas histórias de bastidores escondidas – digo, as verdadeiras e não aquela encenação patética exibida no documentário Some Kind Of Monster.
E é em Metallica – A Biografia (2010) que Mick Wall mostra que são James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo de verdade.

Barulho (André Barcinski)
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Amado por mim na mesma proporção que Mick Wall, André Barcinski realiza o mesmo trabalho cultural e musical aqui no Brasil.
Na década de 90, no meio da explosão do movimento Grunge, a ascensão do Nirvana e a expansão de bandas alternativas como Mudhoney, Smashing Pumpkins, Tad, Red Hot Chili Peppers e Ministry. André pegou a mala e voou para os Estados Unidos e fez esse livro-reportagem brilhante mostrando toda a cena underground americana. Se foi impossível pra ele entrevistar Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl devido a fama do conjunto, Barcinski teve a oportunidade de conhecer outras bandas que mais tarde despontaria aqui como sucesso.

Pavões Misteriosos (André Barcinski)
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Citando ainda o mestre André Barcinski, o seu último livro lançado já entrou na minha lista dos favoritos, trata-se de Pavões Misteriosos (2014), que trata de um período peculiar da música popular brasileira, do ano de 1974 até 1983.
E porque esses anos impares? 74 trata-se do ano que foi lançado o disco de estréia dos Secos & Molhados, que foi um grande sucesso e desbancou o até então líder de vendas Roberto Carlos. E 83 porque foi lançado o álbum Vôo do Coração, o primeiro disco do britânico brasileiro Ritchie, que trazia o sucesso Menina Veneno, e foi o disco mais vendido do ano desbancando mais uma vez o “Rei”. Só que entre esses dois discos tivemos a explosão da musica pop nacional com Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Gil, Caetano, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Tim Maia, Gretchen, Sidney Magal, Balão Mágico, Odair José, Ednardo e Raul Seixas.

My Bloody Roots (Max Cavalera)
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A última biografia musical que li recentemente e que merece toda atenção é My Bloody Roots (2013) escrita por Max Cavalera, fundador e líder de uma das mais importantes bandas nacionais, o Sepultura.
Escrito de forma clara e coesa, Max conta da infância em Belo Horizonte, do amor pelo seu time do coração, o Palmeiras, e do começo no Sepultura junto com o seu irmão, o baterista Iggor Cavalera. Livro impressiona pelo fato de como aquela barulheira desafinada, distorcida, berrada e com um baixista que não sabia tocar se tornou a banda mais respeitada no mundo todo.
As gravações dos principais discos, a participação da tribo Xavantes em Roots, o vomito de Max em Eddie Vedder e a traquinagem feita por Max no show do Motörhead está presente em My Blood Roots, assim como a sua conturbada saída da banda em seu auge em 1996.
O livro ainda conta com depoimentos de Mike Patton (Faith No More), Tom Araya (Slayer) e com o prefácio escrito por Dave Grohl (Foo Fighters).

Slash (Slash e Anthony Bozza)
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Slash também não perdeu tempo e principalmente não escondeu nada em sua biografia, escrita em parceria com o jornalista musical Anthony Bozza. Slash narra a sua infância, sua mãe, Ola Hudson, trabalhava com moda e tinha como clientes pessoas influentes como David Bowie, Andy Warhol e muitos outros, não a toa o jovem Slash teve a oportunidade de apertar a mão de um dos seus grande ídolos, Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones.
A trajetória ao lado do Guns n’ Roses é contada tin-tin por tin-tin, o que nos causa a impressão de estar lendo a própria biografia da banda, o que torna o livro mais especial.
O meu capítulo favorito é da conturbada, explosiva e lucrativa turnê dos discos Use Your Ilusion em 1991, que já demonstra a megalomania de Axl Rose.
Porém o meu trecho favorito é quando ele dispensa o sexo com a garota que ele sempre sonhou para ouvir o álbum novo do Aerosmith que estava no quarto da garota, o Rocks (1976). Como forma de vingança por ter perdido a transa, Slash prometeu pra si mesmo tirar a música Back in the Saddle inteira.

Eu Sou Ozzy (Ozzy Osbourne)
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Enfim a minha biografia favorita. Já leu? Não? Então você está autorizado a desligar o computador e providenciar essa belezura, seja na livraria mais próxima, no sebo, ou em pdf em algum site da vida.
Eu Sou Ozzy (2010) escrita pelo próprio Madman é um tapa na cara desses artistas brasileiros que ficam barrando biografias sobre a sua vida, como Roberto Carlos, Caetano Veloso e Djavan.
Se existe uma pessoa com a vida mais repleta de polêmicas é Ozzy Osbourne e tudo que ele faz é escancarar uma a uma sem dó nem piedade. E aquilo que ele a mídia conta e às vezes aumenta ao seu respeito ele simplesmente diz: “Não me recordo de ter feito isso, mas devo ter feito, eu vivia muito chapado pra lembrar de tudo que eu fiz”.
Preso na adolescência por roubar uma loja de roupas, até fazer um cartaz procurando músicos para a sua banda de Blues Rock, a história de Ozzy navega para águas profundas, a banda Earth que virou Black Sabbath, a explosão dos dois primeiros discos mas o dinheiro que não chegava.
O consumo excessivo de drogas toma boa parte das paginas do livro, o capitulo no qual ele narra o consumo rápido de droga em uma mansão nos Estados Unidos enquanto a polícia estava na porta conversando com a empregada é impagável. A triste morte do guitarrista Randy Rhoads é um dos capítulos mais emocionantes do livro.
E a história de Ozzy se funde com a história do próprio Rock, ele compra o segundo disco dos Beatles (With The Beatles) no ano do lançamento (1963), ele conhece pessoalmente Robert Plant antes do mesmo entrar no Led Zeppelin, e é um dos primeiros a ouvir o primeiro álbum da banda. Pessoas como Rick Wakeman, Brian Wilson (Beach Boys), Lemmy Kilmister (Motörhead), Iggy Pop vão aparecendo no livro como personagens de histórias em quadrinhos.
O Glam Rock dos anos 80 está presente no livro no capitulo que narra a turnê conjunta de Ozzy com o Mötley Crue, muita doideira para uma página só. E a explosão do Nirvana nos anos 90 foi crucial para Ozzy retomar a carreira solo e lançar o bombástico No More Tears.
Enfim, leia ou LEIA.

 

 

 

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Beatriz Sanz Fala, Cinema, Fila Benário Fala, Livro

50 Tons de cinza + o desabafo de uma feminista

50 Tons de cinza
E estreia hoje nos cinemas de todo mundo o filme Cinquenta Tons de Cinza, baseado no Best seller da escritora inglesa E L James.
O filme é aguardado com tamanha ansiedade pelos fãs da saga na literatura, desde o vazamento do primeiro trailer no ano passado até a data de hoje, fotos de perfil das redes sociais tem sido trocadas pelo cartaz do filme, e a contagem regressiva pelo dia esperado iniciou-se com veemência. Nos cinemas aqui da região os ingressos antecipados já esgotaram, e salas extras irão exibir o filme.
E é dentro desse cenário caótico e de pura Beatlemania que me pergunto, será que vale tudo isso mesmo? O produto final corresponde a esse ardor e fervor por parte da mídia e dos fãs? Quando eu comentei com algumas amigas que pensei em escrever algo a respeito do livro rapidamente elas me alertaram que eu deveria tomar cuidado. Fiquei sem entender o porquê do receio, seria medo de escrever algo que derrubaria toda a farsa que é o livro/filme? Ou será que estamos diante de uma obra tão sagrada quanto à bíblia e o alcorão?
Não vou entrar no mérito da qualidade do livro, afinal de contas eu li o primeiro volume da saga até a metade e não tive o prazer de terminar de ler e muito menos de ler os restantes, então não sou a pessoa adequada para dizer se o produto é bom ou ruim. Assim como expor a minha estranheza de um livro que fala sobre agressão física e tortura psicológica contra mulher, ser campeão de vendas em um país onde a cada três minutos uma mulher é violentada. Mas enfim o Christian Grey é bonito e bilionário, e o que sentimos é inveja dele, diz o coro feminino.
No entanto a minha reflexão é referente à relevância e o legado que isso deixará, será que daqui trinta anos, alguém se lembrará de 50 tons de Cinza? Será que essa adaptação será tão histórica como foi Carrie, O Iluminado, Christine e outras obras adaptadas do gênio da literatura Stephen King? Ou será apenas uma comoção módica e daqui algum tempo ninguém se lembrará disso, ou pior, lembrará com vergonha de ter gostado?
Foi pensando justamente nisso, já que o nosso espaço aqui é extremamente musical, que eu separei algumas bandas que causaram o mesmo furor e estardalhaço na mídia em seu anuncio assim como o livro/filme Cinquenta Tons de Cinza, mas que depois caiu no total ostracismo, o mesmo destino que essa “obra” pode estar condenada:

Nove Mil Anjos
O primeiro exemplo que me vem à cabeça é essa banda brasileira. Na época em que foi anunciada a união de Champignon (Ex- Charlie Brown Jr.), Peu (Ex- Pitty), Junior Lima (Ex- Sandy & Junior) com o estreante vocalista Peri, o mundo voltou às atenções ao Nove Mil Anjos.
A banda foi gravar o primeiro (e único) cd na Califórnia, no estúdio ao lado do colégio onde Flea e Anthony Kiedis do Red Hot Chili Peppers estudaram. A MTV que na época já sofria uma crise criativa, abraçou a causa e fez a estreia da banda em um VMB, com uma propaganda tão forte que parecia mais a reunião do line up original do Smashing Pumpkins.
E o que aconteceu depois?

All Saints
Com o surgimento e a explosão das Spice Girls na indústria musical nos anos 90, a concorrência agiu rápido e tratou de lançar um novo grupo para rivalizar com as garotas apimentadas. A demo das All Saints chegou a London Records e foi aquele estardalhaço. O single Never Ever foi um sucesso chegando a ganhar o Brit Awards de 1998 de melhor música e clipe.
Enquanto de um lado Mel C das Spice Girls dizia ser fã do grupo rival, do outro Shaznay Lewis dizia cheia de empáfia e arrogância que o seu grupo era infinitamente melhor.
Como a vingança vem a cavalo, hoje ninguém se lembra delas.

Fort Minor
Nos anos 2000 o Linkin Park era o grupo mais bem sucedido da década. Hybrid Theory e Meteora eram nomeados os melhores álbuns dos últimos tempos e a popularidade do conjunto estava lá em cima. E foi nesse cenário favorável que Mike Shinoda responsável pela parte mais Hip Hop do conjunto resolveu lançar um projeto paralelo de Rap que segundo o mesmo revolucionaria a história do gênero.
Sob a produção executiva do rapper Jay-Z e com a participação especial de nomes como John Legend e Kenna, o Fort Minor estava formado
Alguém mais ouviu falar do grupo depois?

Rockstar Supernova
Pegando carona na onda dos Reality Shows, o canal musical VH1 teve a ideia de fazer um programa onde montaria uma superbanda com músicos renomados com a premissa de escolher um vocalista para o grupo. A banda formada por nomes como Gilby Clarke (Ex- Guns n’ Roses – Guitarra), Jason Newsted (Ex- Metallica – Baixo) e Tommy Lee (Motley Crüe – Bateria) contou com o vencedor Lukas Rossi.
Estava formada a Rockstar Supernova, que explodiu como a estrela e sumiu.

Symfonia
Seria o maior supergrupo de Heavy Metal melódico, reunindo os maiores nomes do gênero, André Mattos (ex-Angra e Shaman) nos vocais, Jari Kainulainen (ex-Stratovarius) no Baixo, Mikko Härkin (ex- Sonata Arctica) nos teclados, o monstruoso Uli Kusch (ex-Helloween) na batera, todos chefiados pelo insano guitarrista Timo Tolkki (ex-Stratovarius).
O único cd do grupo, o In Paradisum, foi tão ruim, que o projeto simplesmente morreu sem deixar saudades.

E ai 50 Tons, vai aguentar o tranco e mudar a história do cinema e da literatura, ou vai sumir sem deixar vestígios?

Daqui 30 anos a gente lê esse texto de novo!


Quando a Beatriz Sanz ficou sabendo que eu iria escrever um texto a respeito do tema, rapidamente ela me mandou uma mensagem dizendo: “Ahhhhhhhhhh deixa um espaço pra mim???”, como o seu pedido é uma honra, leiam abaixo a opinião da nossa querida Bia, a feminista:

A FEMINISTA CHEGOU PARA DERRUBAR ESSE FORNINHO HEIN

Por Beatriz Sanz

Assim como meu amigo Vinicius, eu não perdi meu tempo lendo a trilogia. EU SOU FEMINISTA. Mas eu irei ver o filme, aliás, eu estou participando de um “rolezinho 50 tons” com as minhas amigas. Provavelmente eu faltarei, pois estarei curtindo meu Carnaval, mas eu estou com uma curiosidade tremenda em torno deste filme.
Acontece que mesmo sem ter lido, eu posso criticar sim, porque 70% das minhas amigas leram e, portanto, eu já me sinto conhecedora da história. A minha primeira crítica é quanto à profissão da nossa querida mocinha indefesa! Ela precisava mesmo ser jornalista?
EU SOU JORNALISTA (ainda não formada e ainda sem diploma, mas sou). A questão não é que ela teria sujado a minha adorada profissão, mas cadê a criatividade, amigas? Lois Lane é jornalista, a Catwoman vivida por Michelle Pfeiffer em Batman – o retorno também. Além disso na atual série “The Flash”, a melhor amiga e bromance do herói que dá nome a série também é. Isso porque eu só citei histórias em quadrinhos da DC Comics. Bem, nossa querida heroína desta trama sexual poderia ter outra profissão, né?
O segundo ponto, me foi mostrado por uma das jornalistas (e essa sim já formada) que mais admiro no mundo, que leu (com muito sacrilégio) toda a trilogia. Ela me disse que são livros mal construídos, ruins mesmos e que a Anastásia é uma boba-alegre. As meninas ficarão alegres em saber que o único ponto alto da trama é o drama psicológico vivido por Christian Grey.
Terceiro e agora eu entro no mérito do feminismo. A MULHER É AGREDIDA SEXUAL E PSICOLOGICAMENTE, MAS TUDO ISSO É PERDOADO PORQUE O CARA AMA ELA? Bem, peço licença a todas as mulheres já agredidas no Brasil, pois eu irei rasgar a Lei Maria da Penha. Qual é mesmo a desculpa do agressor quando ele quer voltar pra casa? QUE ELE AMA A MULHER A QUEM AGREDIU.
Mas tudo isso é pouco num País onde a cultura é de que “mulher que apanha em casa é porque gosta de apanhar. Tem é que apanhar mesmo”. Então peço gentilmente a todas vocês que defendem a trilogia, que apanhem dos seus parceiros, porque vocês com certeza devem gostar de apanhar.

Para finalizar, eu deixo como dica para todas vocês, leitoras de E.L. James, a campanha #50DollarsNot50Shades. Esta ação consiste em você doar 50 dólares para uma associação que luta contra a violência doméstica ao invés de ir assistir ao filme. É uma boa causa e vale apena!

Campanha #50DollarsNot50Shades

Beijos, da feminista louca.
Perfil - Bia Sanz

Em tempo: Há um ano, as meninas do site Omelete fizeram um vídeo falando sobre o Cinquenta Tons, vale e muito a pena conferir.

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Cinema, Homenagem, Livro, MPB

Livro: Vale Tudo: O Som e A Fúria de Tim Maia (Nelson Motta)

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Estreou ontem nos principais cinemas do país o filme Tim Maia, cinebiografia do maior artista brasileiro de todos os tempos, dirigida por Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny e Reis e Ratos). Filme conta com os atores Robson Nunes e Babu Santana interpretando Tim em sua adolescência e na fase adulta e de sucesso, respectivamente.

Cartaz

E paralelo ao lançamento do filme, eu finalmente consegui realizar um grande sonho pessoal (com sete anos de atraso) que foi ler a biografia Vale Tudo – O Som e A Fúria de Tim Maia, escrita pelo genial jornalista, produtor, compositor – e que em breve ganhará um texto aqui no blog em virtude dos seus 70 anos – Nelson Motta.
O livro de 300 páginas é um minucioso relato da vida do gordinho mais simpático da Barra da Tijuca (RJ).
Nascido Sebastião Rodrigues Maia, Tim Maia era o caçula de uma família de 12 filhos, Sr. Altivo e Dona Maria Imaculada, os seus País, eram donos de uma pensão na Barra da Tijuca, e a família toda se empenhava no trabalho para garantir o sustento, e o pequeno Tim, era o entregador das marmitas, recebendo o horrendo apelido de “Tião Marmiteiro”. O episódio que narra o encontro quase fatal de Tião Marmiteiro com o jovem Erasmo Carlos é hilário.
O livro narra a morte de Sr. Altivo, o fechamento da pensão e as dificuldades financeiras que a família Maia enfrentou e em paralelo a isso mostra o inicio da trajetória musical de Tim Maia, que montou o grupo musical Os Sputniks, que tinha na sua formação ninguém mais, ninguém menos que Roberto Carlos. Além da sua ida para os Estados Unidos, onde conheceu a soul music, o movimento negro, aprendeu a falar inglês fluente, mas preso e deportado de volta para o Brasil teve que lidar com a miséria e o fato dos seus amigos de infância Roberto e Eramo estarem fazendo sucesso com o movimento Jovem Guarda.
Da sua tentativa fracassada de fazer parte do movimento Jovem, até o lançamento do seu primeiro e aclamado disco em 1970 com os sucessos Coroné Antônio Bento, Primavera, Azul da Cor do Mar e Cristina, foi um pulo, e assim o Tião Marmiteiro se tornava o Tim Maia do Brasil.

Os meus trechos favoritos de Som e Fúria é o primeiro encontro do jovem Tim com o também jovem Jorge Ben Jor, que também tinha aspirações musicais, porém era mais esbelto, atlético, alto e capoeirista. Tim se sentiu intimidado com a presença de Jorge e não quis acompanhar na cantoria que ele fazia na praia, até que alguém na multidão gritou:
– Canta ai Tião Marmiteiro.
E ao ter o apelido revelado ele entrou ferozmente na canção.
A sua amizade com o pessoal dos Mutantes, principalmente com a graciosa cantora Rita Lee é um capitulo a parte, na turnê do lançamento do seu primeiro álbum, Tim e os Mutantes foram se apresentar em um festival de Rock na cidade de Bauru, interior de São Paulo, Tim já usuário de drogas e principalmente de Maconha, ficou responsável por levar o mato seco para que ele e a trupe de Rita Lee utilizassem durante o festival, porém ele esqueceu e ficou completamente desesperado. No meio do show ele diz para a platéia:
– Bauru, conhecida cidade do lanche Bauru… vem cá será que algum de vocês não tem um Bauretezinho ai pra compartilhar comigo? É um Baurete?
E fazia gestos com a mão indicando que queria um baseado, a platéia ficou sem entender, mas a turma dos Mutantes piraram tanto com aquilo que batizaram o seu próximo álbum na época de Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets
Alias a sua paixão pela cantora Rita Lee é comentada durante todo o livro, dado um momento da história, Rita está depressiva devido ao fim do casamento com o músico Roberto de Carvalho, e eis que o autor do livro, Nelson Motta, surge na história visitando a sua grande amiga Rita Lee, e vendo que ela não estava nada bem ele pede para Tim Maia dar um telefonema animando a sua velha amiga, eis que Tim liga e diz:
– Ô Ritalee vou direto ao papo, esperei dez anos da administração Arnaldo Baptista (ex líder dos Mutantes e também ex marido de Rita Lee), dez anos da administração Roberto de Carvalho, eu só quero te dizer que… (pausa para uma voz mais cavernosa) I LOVE YOU.

A Amizade de Rita Lee (Renata Guida) e Tim Maia (Babu Santana) retratada no filme
A Amizade de Rita Lee (Renata Guida) e Tim Maia (Babu Santana) retratada no filme

Ainda no mundo do Rock, na década de 80, a casa carioca Circo Voador teve a idéia de fazer um encontro das tribos, um show onde reuniria a turma do Funk com o pessoal do Punk Rock, estilo que estava em ascensão no momento, e convidou o mestre Tim Maia para se apresentar com a abertura do grupo Punk carioca Coquetel Molotov. Quando o grupo Punk começou a tocar o seu som barulhento, Tim no camarim se revoltou, mandou chamar Maria Juçá, a organizadora do evento e meteu a boca dizendo que se recusava subir ao palco após aquela barulheira anárquica. Tim Maia só não subiu no palco, como fez um show histórico agradando a todos, principalmente a horda do Punk Rock que dançaram o tempo todo. No final do show Tim fez uma festa no camarim regada a Uísque com os Punks e dizia feliz para Juçá:
– Eu não disse que iria dar certo? Eu sou o primeiro Punk do Brasil.
O seu período de sobriedade, porém de pura insanidade ao integrar a louca seita “Universo em Desencanto”, o que fez conceber os dois álbuns mais sensacionais da música brasileira, os discos Tim Maia Racional Vol 1 e 2 (1975 e 1976 respectivamente), ganhou no livro um capitulo genial intitulado de O Evangelho Segundo Tim Maia.

Tim Maia a frente da seita "Universo em Desencanto"
Tim Maia a frente da seita “Universo em Desencanto”

O livro faz uma análise fio a fio de suas principais composições, das gravações e dos principais álbuns que alavancaram a carreira de Tim transformando-o no Pai da Soul Music no Brasil, da banda Vitória Régia e os seus músicos excepcionais e muito pacientes com o indisciplinado Tim Maia. Além da criação da Seroma Edições (As iniciais do seu nome Sebastião Rodrigues Maia) e da Vitória Régia Discos, que segundo o seu proprietário, era a única que pagava aos sábados, domingos e feriados após as 20 horas.
Os seus amores, as brigas conjugais, os filhos queridos, a sua famosa fama de furão e encrenqueiro, as parcerias musicais, tudo está detalhado com muito primor em Som e Fúria, que serviu de roteiro para o filme que tem tudo pra ser um sucesso e honrar o legado desse que foi o maior artista que o país já teve.

Valeu sindico, o Brasil inteiro Gostava Tanto de Você.
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