Melhores do Ano

Os 15 melhores discos internacionais de 2017 por Fila Benário Music

Já estamos em 2018, é fato, mas não é tarde para relembrar os melhores discos lançados em 2017. Até porque houve tanto lançamento bom, que ficará marcado durante muitos anos. E hoje, conforme prometido anteriormente, segue abaixo os melhores discos internacionais lançados no ano de 2017, selecionados pela equipe do Fila Benário Music.

15 – RARE – Hundredth
15 - Hundredth
2017 foi o ano da música shoegaze (aquele rock introspectivo, tocado ora acelerado, ora cadenciado, com os músicos sempre olhando para os seus pés). Novos nomes do gênero, como o Cigarettes After Sex, lançaram os seus discos de estreia, assim como nomes conceituados do gênero mostraram que tem muita lenha ainda a queimar, como o caso dos veteranos do Slowdive. Mas a grande surpresa do estilo, com certeza, vem de uma banda que nada tem a ver com o shoegaze, mas que deu muito certo na empreitada. O Hundredth sempre foi uma banda de Metalcore, de bateria acelerada, guitarras pesadas e vocal berrado. Em RARE, o quarto álbum de sua carreira, a banda mergulhou de cabeça na sonoridade britânica e nos presenteia com uma melodia forte, madura, consistente em canções como Vertigo, Neurotic, Hole, Disarray e Down.
Pra quem gostava do Hundredth mais sisudo e barulhento, RARE é uma decepção. Mas só a coragem da nova guinada sonora, sem soar forçado ou com a intenção de fazer mais dinheiro, como foi o caso do Suicide Silence, por exemplo, faz a banda merecer fortes aplausos.

14 – Songs of Experience – U2
14 - U2
Ter mais de 40 anos de carreira, lançar trabalhos inéditos e ainda soar relevante, é um imenso desafio, e os irlandeses do U2 conseguem cumprir com muito louvor. Songs of Experience, o 13º da carreira do quarteto, mostra a banda em sua melhor forma, soando infinitamente melhor que no seu antepenúltimo álbum, No Line on the Horizon (2009), e na mesma medida do seu antecessor Songs of Innocence (2014). Aqui a banda mescla os melhores momentos da sua carreira: a louvação a música americana de The Unforgettable Fire (1984) e The Joshua Tree (1987) pode ser encontrada na canção Lights Of Home, além da epopéia alemã de Achtung Baby (1991), presente nas faixas You’re The Best Thing About Me, Get Out Of Your Own Way e Red Flag Day.
Se quem vive de passado é museu, o U2 prova que tem um presente glorioso demais, ainda, para nos apresentar.

13 – Lotta Sea Lice – Courtney Barnett e Kurt Vile
13 - Courtney e Kurt
A australiana Courtney Barnett já havia aparecido por aqui com a sua estreia arrasadora, em 2015, no álbum Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit. Hoje ela ressurge com a essa parceria incrível ao lado de um dos grandes nomes do rock alternativo, o compositor e guitarrista norte americano Kurt Vile. Um disco é um lo-fi delicioso, um encontro de vozes dissonantes, sentimentalismo aflorado e belas canções do tamanho de Over Everything, Outta the Woodwork, On Script, Blue Cheese, além do cover de Fear Is Like a Forest de Jen Cloher.
Que ambos continuem com muito sucesso em suas carreiras solos, mas que esse encontro volte a se repetir mais vezes.

12 – Dead Cross – Dead Cross
12 - Dead Cross
O que poderia sair de um projeto de metalcore formado por Mike Patton (Faith No More) e Dave Lombardo (Slayer, Fantomas e Misfits)? Claro que por se tratar da figura esquizofrênica de Patton, o disco não é para iniciantes, mas há bons momentos que merecem ser aclamados como Seizure and Desist, Idiopathic, Shillelagh e Divine Filth.

11 – From The Fires – Greta Van Fleet
11 - Greta Van Fleet
Com certeza a maior surpresa de 2017 foi esse quarteto formado por garotos de Michigan (EUA), que emula um Led Zeppelin melhor do que ninguém. Contando com três irmãos na formação, Josh (vocalista), Sam (baixista) e Jake Kiszka (guitarrista), foi em 2017, após o lançamento do EP Black Smoke Rising que os moleques foram alçados ao status de melhor revelação do ano.
Em From The Fires, eles reuniram as quatro canções do EP, como a magnífica Highway Tune, com as inéditas Edge Of Darkness, A Change Is Gonna Come, Meet On The Ledge e Talk On The Street, lançando, assim, esse full que mostra muita qualidade nesse grupo.
Não há mais o que falar a respeito, ouça e aplauda de pé.

10 – After The Party – The Menzingers
10 - The Menzingers
Esse figurou na lista de melhores discos de 2017 de muita gente. A verdade é que After The Party mostra o The Menzingers em um tremendo amadurecimento em suas canções, que fica claro nas temáticas abordadas nas letras, mas sem abrir mão da melodia e sonoridade que consagrou esse quarteto da Pennsylvania (EUA), o poppy-punk. As belíssimas canções Trick as Thieves, Midwestern States, Charlie’s Army, além da grudenta Tellin’ Lies, provam isso.

9 – Eternity, In Your Arms – Creeper
9 - Creeper
A melhor definição já feita à respeito dos britânicos do Creeper é que é a junção perfeita entre The Misfits com My Chemical Romance. Claro que você pode detestar uma das duas partes da equação (a segunda, é óbvio), mas a verdade é que o Creeper soa maravilhosamente bem em sua proposta de fazer um punk hardcore com horror rock, incluindo elementos pop, sem soar forçado ou desfragmentado. Ouça as canções Black Rain, Suzanne, Down Below, Darling, as velozes Poison Pens e Room 309, além da belíssima balada Crickets, cantada pela tecladista Hannah Greenwood, e se delicie com esse novo nome do gênero.

8 – Wolves – Rise Against
8 - Rise
A dúvida que fica após uma audição minuciosa de Wolves é: “Será que o Rise Against finalmente melhorou, ou será que nós que finalmente nos acostumamos com essa nova banda?”, porque a verdade tem que ser dita, o “fétido” poppy-punk que a banda enveredou nos últimos 10 anos, está presente em Wolves, como nas faixas: Politics Of Love, Mourning In Amerika e Miracle. Mas os bons momentos de outrora, estão em maior número e aparecem na veloz (e berrada), Welcome To The Breakdown, nos singles House On Fire e The Violence, além de How Many Walls e da faixa título, que já abre o disco de forma veloz.
Se ficou melhor, ou se acostumamos com o que era ruim? Só o tempo dirá, mas há tempos um lançamento do Rise Against não soava tão empolgante.

7 – American Beauty – CJ Ramone
7 - CJ
O terceiro disco solo de CJ Ramone, é prova concreta que o baixista era um dos maiores talentos do famoso quarteto nova iorquino.
CJ poderia estar como os outros dois Ramones sobreviventes, Marky e Ritchie, vivendo apenas do seu passado glorioso, mas não! Bom pra ele, melhor pra nós que somos presenteados com esse petardo que reúne suas melhores composições, seguindo na risca toda cartilha aprendida em seus sete anos como um Ramone: três acordes e muita energia.
Os principais destaques de American Beauty são as punks Girlfriend in a Graveyard, Yeah Yeah Yeah, Steady as She Goes, Run Around, além do cover de Pony de Tom Waits. Também há espaço para sentimentalismo no disco, como nas baladas You’ll Neve Make Me Believe e Be A Good Girl. Mas o que vai fazer muito marmanjo chorar de emoção será com a canção Tommy’s Gone, uma singela, e acústica, homenagem ao baterista original dos Ramones, Tommy Ramone, morto em 2014 em decorrência de um câncer.
Discão.

6 – Ogilala – Billy Corgan
6 - Billy Corgan
Em sua primeira experiência solo, o terreno não estava muito fértil para Billy Corgan. O que o público queria mesmo, era a volta do seu grupo oficial, o Smashing Pumpkins. Tanto que o disco em si, TheFutureEmbrace (2005), passou batido pelos fãs e foi malhado pela crítica.
Hoje, de volta com a sua consagrada banda, e com fortes especulações que haverá um retorno da formação original, Billy Corgan (que agora atende pelo nome de batismo William Patrick Corgan) se encontra deitado em berço esplêndido, se sentindo assim seguro para mais um voo solo. E dessa vez deu certo.
Ao contrário de suas outras empreitadas musicais (Smashing Pumpkins e Zwan), em Ogilala, não há uma guitarra distorcida sequer em suas 11 faixas, algo impensável, visto que o músico é tido como um gênio do instrumento, dentro do rock alternativo, mas as composições são tão marcantes e bonitas, que o instrumento nem faz tanta falta assim. Belos arranjos de violões e pianos, fazendo a cama para a voz impactante de Corgan brilhar, como em Zowie, Half-Life Of An Autodidact, Aeronaut, The Long Goodbye e Processional, que conta com a participação de James Iha, olha a reunião do Smashing Pumpkins original acontecendo aí!
Em Ogilala, temos desse compositor uma de suas maiores obras, ao lado de Siamese Dream (1993), Mellon Collie and Infinite Sadness (1995) e, porque não, Celebrity Skin (1998).

5 – Prisoner – Ryan Adams
5 - Ryan
E o prolixo Ryan Adams lançou mais um disco. É impressionante que em cada empreitada sua, ele soa relevante e nos presenteia com músicas marcantes. E o mesmo acontece com Prisoner. Depois enveredar pelos mais vastos caminhos sonoros, seja no hard rock em Rock n’ Roll (2003), seja no country com o brilhante Gold (2001), ou no punk rock de Hüsker Dü e Black Flag em 1984 (2014), ou até mesmo fazendo uma releitura folk do álbum premiado da princesinha pop Taylor Swift, em 1989 (2015). Ryan volta ao folk e faz um disco solar, bonito e com canções soberanas, como a própria faixa título, Tightrope, Doomsday, Haunted House, To Be Without You, Breakdown e Broken Anyway.
E não satisfeito, ele compilou as 17 sobras do disco (!) e lançou no mesmo ano o Prisoner B-Sides.

4 – Trouble Maker – Rancid
4 - Rancid
Porque o mundo ainda necessita de veteranos como Rancid lançando discos inéditos e ensinando essa garotada como é que se faz punk rock de verdade.
Se no disco anterior, …Honor Is All We Know (2014), o grupo foi acusado de preguiçoso, pelo disco curto e de faixas parecidas. Em Trouble Maker, fez aquele saladão punk que os fãs do quarteto adoram. Toda história do punk rock está aqui, tem punk 77, hardcore, rocksteady, ska, como nas canções Track Fast, Ghost Of a Chance, Telegraph Avenue, An Intimate Close Up of a Street Punk Trouble Maker, All American Neighborhood e Make It Out Alive.
A verdade está em Trouble Maker, a bíblia com as palavras de salvação de Tim, Lars, Matt e Branden.
Amém.

3 – Promise Everything – Basement
3 - Basement
Agora chegamos ao momento das medalhas aqui no Fila Benário Music. E a medalha de bronze vai para um dos discos mais ouvidos aqui na redação em 2017. Pra quem ainda não conhece, o Basement é um quinteto formado na Inglaterra, que faz um post hardcore com guitarras trabalhadas e vocais melódicos. Promise Everything é o terceiro disco da carreira do grupo, mas não seria exagero algum ser o primeiro álbum a indicar para alguém que ainda não conhece a banda, mas tem o interesse. Ouça Brother’s Keeper, Hanging Around, Lose Your Grip, Oversized, Blinded Bye, além da faixa título, e se delicie.

2 – As You Were – Liam Gallagher
2 - Liam Gallagher
Se você chegou até aqui procurando por algum Gallagher em nossa lista, esse será o único o que você verá!
Após o fim do Oasis, em 2009, Liam Gallagher teve uma carreira bem irregular. Rapidamente ele montou o Beady Eye, que era um pastiche de tudo que foi lançado no final dos anos 60 e início dos 70. Nada que o próprio Oasis já não tinha feito. Tentou até gravar um álbum mais moderno, com a produção de Dave Sitek, produtor de gente cool como TV on the Radio, Yeah Yeah Yeahs, (além de ter produzido o pior disco do Cerebral Ballzy, o chatíssimo Jaded & Faded (2014)), mas já era tarde, ninguém estava interessado no grupelho e todo mundo aclamava o outro irmão, que estava em uma carreira solo vindoura.
Liam aprendeu que a pressa é inimiga da perfeição, desmontou o grupo e ficou durante três anos planejando o seu voo solo, e finalmente deu certo.  As You Were é um dos melhores discos com voz de Liam desde Be Here Now (1997), do supracitado Oasis. O single Wall of Glass foi de uma escolha certeira, sendo ele forte e crescente. For What It’s Worth, o outro single, poderia integrar o tracklist de Be Here Now de tão grandioso. Outros grandes destaques de As You Were são Come Back to Me, Greedy Soul, Paper Crown, When I’m in Need, Bold, I Get By e a divertida You Better Run, que mostra a sua obsessão por Beatles citando no refrão as palavras Helter Skelter.
Enquanto Noel Gallagher, que na crista da onda, resolveu ousar e lançar o disco de música eletrônica para agradar os filhos. Liam foi pro básico e lançou, como ele mesmo diz, uma obra BÍBLICA.

1 –  in•ter a•li•a – At The Drive-In
1 - At
Que Guns n’ Roses com Slash e Duff, o que! A volta mais esperada pelos fãs de hardcore era, com certeza, a do At The Drive-In, famoso grupo de post-hardcore texano, formado por filhos de imigrantes da América Central, que fazia um som bem experimental, com letras políticas cutucando o imperialismo americano, e lidando com temas espinhudos como a violência contra mulher, abuso sexual infantil e o racismo. Após o lançamento do melhor disco da sua carreira, Relationship of Command (2000), a banda se dissolveu formando dois novos grupos, o Sparta, com Jim Ward (Guitarra e Voz), Paul Hinojos (Baixo) e Tony Hajjar (Bateria), e o The Mars Volta, com as duas mentes pensantes, insanas e criativas Cedric Bixler (Vocal) e Omar Rodríguez (Guitarra). Em 2011 foi anunciado o retorno do grupo, e até houve algumas apresentações em diversos festivais, mas o mal estar entre os integrantes era visível. O grupo desapareceu de novo sem deixar vestígios.
Mas foi em 2016 que começou a pipocar a notícia que o grupo retornaria, sem o guitarrista Jim Ward, mas em compensação lançaria um material inédito. E eis que no começo de 2017 o grupo ressurge das cinzas carregando consigo um dos seus melhores álbuns.
in•ter a•li•a, que significa em latim “Entre Outras Coisas”, traz o grupo em sua melhor forma, com o seu hardcore veloz, mesclando experimentalismos progressivos e algumas passagens dançantes de r&b. Não faltam sucessos atemporais, como Call Broken Arrow, No Wolf Like The Present, Continuum, Pendulum In a Peasant Dress, e os singles que apresentaram o “novo” At The Drive-In para o público: Governed by Contagions, Incurably Innocent e Hostage Stamps.
Um excelente retorno. Que venha para o Brasil logo!

Pronto! Agora chega de 2017!

 

Anúncios
Melhores do Ano

Os 15 melhores discos nacionais de 2017 por Fila Benário Music

Já estamos em 2018, é fato, mas não é tarde para relembrar os melhores discos lançados em 2017. Até porque houve tanto lançamento bom, que ficará marcado durante muitos anos.
E dessa vez optamos por algo inédito, e que esperamos que se repita nos próximos anos. Dividimos a lista em duas, hoje publicaremos os 15 melhores discos nacionais de 2017, e na segunda os 15 internacionais.

Sem maiores delongas, confira quais foram os discos preferidos da nossa equipe

15 – A Última Palavra Feche a Porta – Plutão Já Foi Planeta
15 - Plutão
O pop adocicado do Plutão Já Foi Planeta reaparece em A Última Palavra Feche a Porta, o segundo disco do conjunto de Natal (RN), após três anos da estréia arrasadora em Daqui Pra Lá (2014).

Aqui o grupo usa e abusa de sintetizadores, além de contar com participações especiais de respeito, como Maria Gadu em Duas, e Liniker Barros na dançante e charmosa Insone.

14 – Plush – Lava Divers
11 - Lava Divers
Um Rock puro, visceral, feito na garagem pra tocar na garagem. Esse é o sentimento após uma audição minuciosa do disco de estreia dos mineiros do Lava Divers. Plush traz aquela guitarra distorcida que cospe riffs displicentes, em cima de uma bateria ora acelerada, ora cadênciada, com vocais relaxados que tornam tudo mais mágico e potente.
As 11 faixas do disco, todas em inglês, é um cruzamento perfeito da invasão de bandas suecas no início dos 2000, como Hellacopters, Sahara Hotnights e Backyard Babies, com as guitar bands alternativas do final dos anos 80 como Pixies, Sonic Youth e Dinosaur Jr. mas com identidade própria. Os principais destaques são: I Feel You, Eddie Shumway Is Dead e a bela balada My Boy, cantada pela baterista Ana Zumpano.

13 – Mess – Deb And The Mentals
14 - Deb
Com certeza a grande revelação do ano foi esse disco de estreia da galera do Deb and The Mentals. O som do grupo permeia pelo bubblegum com doses de Ramones, circa Rocket To Russia, tudo cantado em inglês com os belos vocais de Deb Babilônia. Os principais destaques são o single Mess, a abertura arrasadora com Bleeding, e as ramônicas I’m Ok e Alive.
Bela estreia.

12 – Sinais do Sim – Os Paralamas do Sucesso
13 - Paralamas
O tempo só tem feito bem aos Paralamas do Sucesso. Em seu 13º trabalho de estúdio, o grupo ainda apresenta a sua música que permeia entre o rock britânico de The Police com a fusão de ritmos brasileiros, a principal característica do trio. Além da musicalidade afiada, da cozinha exemplar de Bi Ribeiro e João Barone, considerada por muitos a melhor do país, e da guitarra mágica de Herbert Vianna, que serve como suporte da sua voz já gasta, os temas abordados no disco refletem bem os problemas sociais vividos nos últimos anos como explícito na canção Medo do Medo, de autoria da rapper portuguesa Capicua. O single Sinais do Sim, cairia perfeitamente no tracklist de qualquer outro álbum de sucesso do grupo como O Passo do Lui (1984), Selvagem (1986), Os Grãos (1991).
Um retorno triunfante de quem, na verdade, nunca foi embora.

11 – A Gente Mora no Agora – Paulo Miklos
12 - Paulo Miklos

E o terceiro disco solo do Paulo Miklos, o primeiro dele após sua saída definitiva dos Titãs, no ano de 2016, o compositor mostra a sua verdadeira faceta que não era tão explícita no grupo. Paulo Miklos reinventa a roda, canta baião, samba, uma baladaça soul do tamanho de Estou Pronto, na qual cantor exorciza o luto pela morte da esposa em 2012, vítima de câncer, e diz: “Estou vivo, estou pronto, estou amando de novo”. O tom confessional das canções já faz do disco um primor, mas Paulo ainda conta com um timaço de compositores, unindo novos nomes da música brasileira, como Céu, Emicida, Lurdes da Luz, Mallu Magalhães, Tim Bernardes, com membros da velha guarda musical, como Guilherme Arantes e Erasmo Carlos, além dos ex-companheiros de Titãs, que também embarcaram no voo solo como Arnaldo Antunes e Nando Reis.

10 – Continental – Bullet Bane
10 - Bullet
Em seu terceiro disco, a mudança de idioma não foi a única guinada na música do aclamado Bullet Bane. Hoje o som do conjunto, que era um Hardcore veloz com claras influências de metal, se encontra com o post hardcore de bandas como Finch e Senses Fail, além de nuances mais cadenciadas e vocais melódicos, que fica explícito nas faixas: Cisplatina, Curimatá e Encruzilhada. Mas os berros característicos estão lá em faixas como: Gangorra, Melatonina, Esperanto e Labirinto.
Quem arrisca, pode errar, quem não arrisca, já errou. Nesse caso, o Bullet Bane acertou e muito!

9 – Antes Durante Depois – Pavilhão 9
203.cdr
Um retorno muito comemorado em 2017, com certeza, foi do Pavilhão 9. Depois de 11 anos sem lançar um material inédito, e após uma tentativa de volta, mal sucedida, em 2012 no festival Lollapalooza. O grupo capitaneado pelos rappers Rhossi e Doze está de volta e com um adicional de luxo, a entrada do baixista Heitor Gomes, que já teve passagens no Charlie Brown Jr. e CPM 22, que se faz notar nas trabalhadas e pesadas linhas de baixo que abrilhantam as faixas do novo álbum do grupo, Antes Durante Depois. O som é aquele velho conhecido dos fãs do conjunto, aquela mescla entre a rima venenosa do Rap com peso do Rock, como podemos conferir em Boca Fechada, Os Guerreiros, Acredita Não Duvida e no single Tudo Por Dinheiro.

8 – Musica de Brinquedo 2 – Pato Fu
8 - Pato Fu
A genialidade do Pato Fu em realizar releituras de grandes clássicos da música mundial em instrumentos de brinquedo, chegou ao seu segundo volume. Música de Brinquedo 2 traz os Patos revistando sucessos como Palco do Gilberto Gil, Rock da Cachorra do Eduardo Dusek, Mamãe Natureza da Rita Lee, Every Break You Take do The Police, Private Idaho do B-52’s, I Saw You Saying de autoria de Gabriel Thomaz (Little Quail and Mad Birds e Autoramas) eternizada pelos Raimundos, além das politicamente incorretas, para os padrões infantis, Severina Xique-Xique de Genival Lacerda, Livin’n La Vida Loca do Ricky Martin.
Mergulhe nesse universo lúdico, musical e genial do Pato Fu.

7 – Espiral de Ilusão – Criolo
7 - Criolo
Criolo desligou as pickups, abriu mão das rimas que lhe tornaram nacionalmente famoso e voltou às raízes do samba, o gênero musical primário do jovem da periferia do Grajaú.
Em Espiral de Ilusão, Criolo emula Cartola, Zé Keti, Noel Rosa, Paulinho da Viola e outros mestres do samba de raíz e assina a composição das 10 canções inéditas que abrilhantam esse disco. Dilúvio de Solidão, carrega aquele samba maroto do morro com os vocais de apoio femininos característicos do gênero. Calçada, invoca a mãe áfrica, com forte percussão na introdução, e a divertida Filha do Marreco é um tremendo samba de breque à Moreira da Silva. Mas o grande destaque do álbum vai para o single Menino Mimado e o seu refrão contestador: “Meninos mimados não podem reger a nação”.

6 – Caravanas – Chico Buarque
6 - Chico
Depois de seis anos sem material inédito, Chico Buarque finalmente quebra o silêncio e lança Caravanas, o 38º álbum de sua carreira. Muito aguardado pelos fãs, o disco, de apenas nove faixas, faz bonito na discografia do artista, mostrando que o mesmo ainda tem muita lenha a queimar. Tua Cantiga, a primeira canção a ser disponibilizada do disco, carrega uma percussão serena, um piano que dá toda tônica da canção, fazendo a cama para a voz cansada, mas integra, de Chico. O disco também é marcado pelas participações dos netos de chico, o primeiro a aparecer é Chico Brown na composição da valsa Massarandupió, e depois vem a jovem Clara Buarque que canta a canção Dueto. Ambos filhos do cantor Carlinhos Brown com a Clara Buarque, filha de Chico. Outros destaques vão para Blues Para Bia e As Caravanas, nessa última Chico fala dos imigrantes que buscam refúgio em outras nações, contando com a participação especial de Rafael Mike do Dream Team do Passinho nos beat box.
Um país que tem Chico Buarque compondo e lançando maravilhas como essa, não deveria nomear um certo cantor aí como rei…

5 – Ego Kill Talent – Ego Kill Talent
5 - Ego Kill Talent
Contando com integrantes de bandas renomadas, como Sepultura, Diesel, Reação em Cadeia, Pulldown e Sayowa, o Ego Kill Talent chegou com tudo em 2017, se apresentando, inclusive, no Rock In Rio, além de ter feito shows na Europa no mesmo ano. Mas, musicalmente falando, o grupo merece todos os louros colhidos, a música é de qualidade absurda, um Stoner Rock poderoso que lembra muito os californianos do Kyuss. A melódica Still Here, a pulsante Just To Call You Mine, além do single de pegada grunge Sublimated, fazem do disco de estréia do grupo um excelente cartão de visitas.

4 – Premeditated – The Crashing Brains
4 - The Crashing Brains
Vindo diretamente de São Paulo, esse quarteto é a prova mais do que concreta de que o “Grunge Not Dead”, como muitos propagam por aí.
Se você quer procurar por uma referência sonora, Frogstomp, o disco de estreia dos australianos do Silverchair, talvez seja a mais acertada. Mas o disco vai muito além disso, ele apresenta a qualidade musical apurada da banda em excelentes canções como On and On, Lies, Pride e Convinced.
Ouça no volume máximo.

3 – Deixa Quieto – Macaco Bong
3 - Macaco Bong
Se Pato Fu foi mais uma vez genial em fazer releitura de grandes clássicos com instrumentos de brinquedo, o Macaco Bong transcendeu as barreiras da genialidade fazendo releitura instrumental completamente desconstruída de um dos discos mais adorados dos anos 90, o Nevermind do Nirvana.
Aqui o que grupo fez foi pegar a obra parida por Cobain, Grohl e Novoselic, torcer, moer, triturar e remontar esse Frankenstein musical. Tudo é tão especial, a começar dos títulos, o clássico absoluto Smells Like Teen a Spirit virou Smiles Nike Tim Sprite. On a Plain se tornou Móviaje, Something In The Way homenageia a turma da academia com o nome Somente Whey, e Come as You Are é, por sua vez, Com Easy Com Uber. Sobre o resultado musical, é difícil salientar qual releitura ficou melhor, mas as versões de In Bloom (Nublum), Drain You (Drive-In You), Breed (Briza), além da irreconhecível versão de Lounge Act (Salão) são as que saltam aos ouvidos na primeira audição.

2 – Death Rides a Crazy Horse – Corona Kings
2 - Corona Kings
Quer um disco de rock bruto, veloz e visceral como deve ser? Então se delicie com esse petardo do Corona Kings. Death Rides a Crazy Horse, também bebe da fonte da nova escola de rock sueca, flertando muito com as bandas do mestre Nicke Andersson (The Hellacopters e Imperial State Electric). Só a abertura poderosa com Boyhood já define o disco, mas ele ainda nos presenteia com a punk Death Proof, com a pesada e veloz With You e a suingada Broken. Deb Babilônia do Deb and the Mentals participa da faixa Try It Out, com a sua voz marcante.
Enfim, um disco que merece ser ouvido e ouvido de novo.

1 – Year 3000 – Water Rats
1 - Water Rats
E a medalha de ouro de 2017 vai para galera do Water Rats e esse disco incrível.
Vindo das cinzas do Sugar Kane, contando com dois integrantes originais do grupo na formação, Alexandre Capilé (Vocal e Guitarra) e Renê Bernuncia (Bateria), o Water Rats surgiu como um projeto mais punk e displicente ao contrário de toda melodia predial do grupo principal, mas ganhou tanta notoriedade, que o Sugar Kane ficou pra escanteio, e ano a ano o Water Rats vem provando ser um das bandas mais notórias da atualidade, e Year 3000 vem provando isso. O disco já abre com a veloz faixa título, com Capilé berrando alucinadamente. Animal vem na sequência mantendo o pique inicial. A passagem do grupo por Seattle, em 2015, participando do projeto da Converse Rubber Tracks gravando o EP Hellway to High (2016), sob a produção de Jack Endino (Nirvana, Mudhoney, Soundgarden) fica explícita nas canções Another Piece of Heartache e Feels All Fools Right, ambas com forte inclinação grunge e cantadas pelo guitarrista Pedro Gripe. Aliás, em Year 3000, Pedro assumiu a maioria dos vocais, com a sua característica voz grave e ímpar. Os demais destaque do disco são Yeah Yeah Yeah, Riot Girl, Rolling Stoners e a insana Quit Society.
Discão.

Até segunda!!!

Melhores do Ano

Os 15 Melhores Discos de 2015

E chegou aquele momento que todos estavam esperando (e quem vê pensa que o blog está com essa moral toda) a hora de escolher os melhores discos do ano. Como sempre, fazer essa lista é uma tarefa muito complicada, afinal de contas reduzir em 15 todos os discos lançados e ouvidos no ano é muita covardia, mas se eu fosse citar todos os títulos que tem a minha preferência eu precisaria de mais um ano pra poder terminar a matéria, portanto 15 discos por mais que seja desafiador ainda é um numero aceitável.

Se 2015 foi um ano difícil para música, vide o número de ícones musicais que perdemos como, B.B King, Allen Toussaint, Scott Weiland e Lemmy Kilmister, que essas canções desses discos notáveis nos faça lembrar do quanto a música é viva e a obra permanece

Chega de papo e vamos ao que interessa. E naquele velho esqueminha de sempre, de ordem decrescente para dar aquela emoção.

15 – Sol Invictus (Faith No More)
15 - Faith No More
Nunca um disco foi tão esperado como esse, afinal são exatos 18 anos que separa Sol Invictus do penúltimo disco de inéditas do Faith No More, o complexo Album of The Year (1997). No entanto quem é fã da trupe de Mike Patton sabe muito bem que da cabeça doentia do seu líder pode sair as canções mais geniais como também as mais incompreendidas, e se a banda tem a opção de trilhar por um caminho mais fácil, de canções velozes, pesadas e que agradará a grande massa, como foi no disco King for a Day… Fool for a Lifetime (1995), Patton opta pelo caminho mais estreito e difícil e faz de Sol Invictus um disco confuso na primeira audição, mas depois da quinta vez você acostuma e se depara com elementos já familiares na estrutura musical da banda, como é o caso de Superhero. Canções como Sunny Side Up, Separation Anxiety e Black Friday também se fazem notar.
Longe de ser brilhante, mas impossível ser ruim.

14 – The Color Before The Sun (Coheed and Cambria)
14 - Coheed and Cambria
Uma das bandas mais criativas e autenticas do novo Rock, o Coheed and Cambria nunca teve medo de arriscar sonoramente, não é por menos que a banda tem admiração de públicos distintos, tanto a horda do Heavy Metal, quanto a turma do Punk/Hardcore. E em seu novo disco, a banda aparece mais suave que nos anteriores, mas não menos pesada, The Color Before The Sun é um disco solar, bonito e instigante, mas os pesados riffs de guitarras e voz à Geddy Lee do vocalista Claudio Sanchez estão lá presentes em faixas como Island, Eraser, Here To Mars e na pesada The Audience.

13 – Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit (Courtney Barnett)
13 - Courtney
A grata surpresa de 2015 sem sombra de dúvidas foi esse disco de estreia dessa guria maravilhosa. Courtney Barnett é uma cantora e guiatarrista australiana e o seu som é uma mistura insana de grunge, punk rock, alternativo, soul music e até mesmo blues, como podemos provar na encorpada Small Poppies.
As duas faixas de abertura, as enérgicas Elevator Operator e Pedestrian at Best poderiam muito bem estar no tracklist de álbuns clássicos como Dirty do Sonic Youth e Nevermind do Nirvana devida a sua desenvoltura e pentelhice.
No mais, o disco é deliciosa mescla noise de guitarra distorcida unido aos vocais desleixados e sensuais de Courtney Barnett
Já virei fã e espero pelo próximo.

12 – The Book of Souls (Iron Maiden)
12 - Iron Maiden
Com certeza o melhor disco da banda desde Brave New World (2000). The Book of Souls, o 16º trabalho da carreira da Donzela de Ferro, se liberta das amarras do metal progressivo que a banda havia aderido nos três últimos álbuns e se entrega de vez na sonoridade que consagrou o conjunto, o Heavy Metal Tradicional com pinceladas de Hard Rock, como podemos notar no primeiro single do disco, Speed Of Light, que conta com um clipe sensacional, homenageando diversos games antigos. O restante do trabalho é o Maiden nos seus melhores dias, If Eternity Should Fail, a veloz When the River Runs Deep, e a tocante homenagem ao ator Robin Williams, falecido no ano passado, na canção Tears of a Clown.
The Book of Souls celebra o excelente momento da banda e principalmente a vida e saúde do vocalista Bruce Dickinson que no início do ano foi diagnosticado com um câncer na boca e hoje se encontra curado.
Up the Irons

11 – Blaster (Scott Weiland and The Wildabouts)
12 - Scott
O último canto do cisne do finado Scott Weiland. Em sua segunda empreitada solo, e a primeira a frente da banda Wildabouts, formada logo após a sua demissão do Stone Temple Pilots em 2013. Blaster, o único disco do grupo, tá longe de ser um petardo relevante como Core, Purple, Nº 4 de sua ex-banda principal e até mesmo do seminal Contraband do supergrupo Velvet Revolver do qual Scott também fez parte, mas é o disco que carrega o DNA do Weiland. Canções Hard Rock com inclinação Punk e ode ao Rock de Garagem que casa perfeitamente com o vocal à David Bowie de Scott Weiland.
Nas doze faixas do disco, os principais destaques são Way She Moves, a bluseira White Lightning, a poppy punk Bleed Out e dançante Beach Pop.
Talvez tão bom quanto o último de estúdio do STP e infinitamente superior ao Libertad do Velvet Revolver.
Descanse em paz Scott Weiland.

10 – Bad Magic (Motörhead)
10 - Motörhead
Lemmy Kilmister se foi, quem um dia iria imaginar que esse dia chegaria? Mas antes dele nos deixar ele acabou nos deixando o seu último registro o disco Bad Magic. Como toda a irretocável discografia do Motörhead, o disco é fabuloso, mas não vamos nos levar pelo lado da emoção pelo fato de Lemmy não estar mais entre nós. O Motörhead até enquanto existia, gozava de uma posição privilegiada dentro do rock, assim como AC/DC e assim como foi por muito tempo os Ramones. Após lançarem discos que redefiniram a história do Rock, a banda simplesmente fica repetindo a fórmula eternamente e não é de se espantar dizer que esse disco do Motörhead se parece com o antecessor, Aftershock (2013), que por sua vez parece muito com o anterior The Wörld Is Yours (2010), e assim vai. Mas em time que ta ganhando não se mexe, não é? Sim, mas a questão é por mais que Bad Magic seja um excelente disco e não é à toa que ele está nessa lista, ele não será um disco notável e relevante como um Overkill (1979) ou Bomber (1979), talvez ele até venha ser agora por ser o último do Lemmy, mas é um disco que você ouve inteiro e passou 5 minutos você já se esqueceu dele, não é um disco que prende pois o que você ouviu nesse já ouviu no outro e no outro. Shoot Out All of Your Lights é uma poderosa canção, mas a introdução lembra Born to Lose de The Wörld Is Yours, e o andamento da canção parece muito com Sacrifice, é até possível cantar a melodia da mesma em cima dessa.
Mas calma, não trata-se de uma crítica negativa, Bad Magic é um disco sensacional, hinos marcantes não faltam como a já citada Shoot Out All of Your Lights, além da faixa de abertura Victory or Die e Teach Them How to Bleed, e como não citar o maravilhoso cover de Sympathy for the Devil dos Rolling Stones?
Se ele peca por soar igual aos demais, pelo menos Lemmy Kilmister se despediu de nós sem ter lançado um disco ruim.

9 – How Big, How Blue, How Beautiful (Florence + The Machine)
9 - Florence
Pra quem não tem simpatia nenhuma pelo trabalho de Florence + The Machine, as suas canções não passava de uma new age moderna à Kate Bush e Enya, com elementos tribais, passagens progressivas monótonas e vocalizes desnecessários por parte da líder Florence Welch. No entanto, em How Big, How Blue, How Beautiful, o terceiro disco da Florence e sua maquina de fazer música, as coisas realmente mudaram. Sob a produção de Markus Dravs, que já trabalhou com Coldplay e Arcade Fire, o disco vem mais roqueiro, na linha de grupos como Eagles e Fleetwood Mac, aliás, a poderosa faixa de abertura, Ship To Wreck, muito lembra a banda da Stevie Nicks
Outros momentos chave do disco são as canções Queen of Peace, Delilah, a soul dançante Caught, o rock vistoso de Mother, além é claro da faixa título quem tem um refrão impulsivo e marcante.
Para os não fãs, o disco é uma grata surpresa; e para os admiradores, How Big… é um deleite.

8 – Cauterize (Tremonti)
8 - Tremonti
Será que todo mundo que critica Creed ou até mesmo Alter Bridge já parou alguma vez para ouvir um disco inteiro de ambas as bandas? Quem já fez essa experiência sabe muito bem que musicalidade não falta nas mesmas, e muito disso vem do guitarrista Mark Tremonti, que além de um exímio instrumentista, possui uma bela voz e faz grandes composições. E com todos esses atributos é mais do que óbvio que em sua carreira solo ele não iria fazer feio, e não fez! Em seu segundo disco, Cauterize, o que se ouve é um metal moderno, pesado, com guitarras uivantes, bateria com pedais duplos e um casamento perfeito de Black Sabbath com Soundgarden, passando por Van Halen, esse último uma influência óbvia, já que o Tremonti conta com o filho do Eddie Van Halen e também baixista da banda do pai, Wolfgang Van Halen, na formação.
De destaques temos Radical Change, Flying Monkeys, Arm Yourself, Another Heart, Fall Again e Tie The Noose.
Quebre de uma vez por todas o seu radicalismo e ouça esse disco, você não irá se arrepender.

7 – Hollywood Vampires (Hollywood Vampires)
7 - Hollywood
Com certeza o Hollywood Vampires é a melhor banda cover do mundo e quem assistiu a apresentação do supergrupo esse ano no Rock In Rio pode comprovar.
Tem como ser ruim um disco com o repertório que contém My Generation (The Who), Whole Lotta Love (Led Zeppelin), Cold Turkey (John Lennon), Manic Depression (Jimi Hendrix), Break on Through (The Doors) e Another Brick The Wall (Pink Floyd), ser tocado por uma banda que tem na sua formação integrantes como Alice Cooper, Joe Perry (Aerosmith), Slash, Dave Grohl, Brian Johnson (AC/DC), Paul McCartney, Perry Farrell (Janie’s Addiction), Joe Walsh (Eagles), Zak Starkey (Ex-Oasis, Ex-The Who), o produtor Bob Ezrin e o ator Johnny Deep? É óbvio que não, mas como se não bastasse esse desfile de hits, o disco ainda conta com duas canções inéditas: Raise The Dead e My Dead Drunk Friends.

6 – Crosseyed Heart (Keith Richards)
6 - Keith
O terceiro disco solo de Keith Richards, depois de um intervalo de 23 anos, vem carregado de todas as suas influências musicais. O blues de Chicago aparece logo na faixa de abertura, Crosseyed Heart, tocada apenas no violão e com canto velho e sussurrado de Keith fazendo a cama e preparando o terreno para a próxima canção, a animada e poderosa Heartstopper, que parece ter sido tirada do Steel Wheels (1989) da sua banda principal. A belíssima balada arrasa quarteirão Robbed Blind é outro grande destaque de Crosseyed Heart, além da canção Illusion que conta com a participação especial da cantora Norah Jones.
Com o mesmo The X-Pensive Winos, a banda de apoio que gravou os discos solos anteriores, Richards mostra que em time que está ganhando não se mexe e por isso a qualidade do disco está no alto.
Crosseyed Heart foi o último registro gravado do saxofonista Bobby Keys, já que o mesmo nos deixou no ano passado.

5 – Adrenalin Baby (Johnny Marr)
5 - Johnny Marr
Em uma época na qual discos ao vivo não se fazem mais relevantes para a geração que é acostumada a assistir shows full no youtube, o guitarrista britânico Johnny Marr, a lenda criativa por traz do The Smiths, lança esse discaço gravado durante a turnê do seu disco mais recente álbum, o excelente Playland.
Adrenalin Baby passeia pelos dois discos da sua fase solo, o já citado Playland, de onde saem as canções, Easy Money, Candidate, Dynamo, Back In The Box, 25 Hours e a faixa título; Do disco de estreia, The Messenger, que além da faixa título conta com The Right Thing Right, Generate! Generate! e New Town Velocity. E claro que repertório da sua ex-banda não ficaria de fora dessa festa, clássicos como Bigmouth Strikes Again, There Is a Light That Never Goes Out, There Is a Light That Never Goes Out e a sensacional The Headmaster Ritual foram relembrados com maestria, e ainda houve um espaço para o cover de I Fought the Law do The Clash.
Endeusam tanto a pessoa do Morrissey, sendo que o verdadeiro talento por traz do Smiths está aqui e esse compêndio ao vivo é prova do seu trabalho fabuloso.

4 –  This Is The Sonics (The Sonics)
4 - Sonics
“The Sonics é o Punk antes do Punk” já dizia Iggy Pop, considerado por muitos o pai do Punk Rock. Surgida na cidade de Tacoma, próximo de Seattle no inicio dos anos 60, o The Sonics era uma banda de Rock que já soava diferente das demais, devido ao excesso de distorção nas canções e a velocidade inconsequente das mesmas. Entrando em hiato na mesma década, a banda influenciou gerações, de Iggy Pop aos próprios jovens de Seattle que estouraria anos depois: Duff McKagan, Eddie Vedder, Chris Cornell, Jerry Cantrell e um tal de Kurt Cobain.
Voltando as atividades recentemente, inclusive passando pelo Brasil nesse ano, o grupo vomita esse petardo, que como diz Iggy, é o Punk puro e bruto. As doze canções de This Is The Sonics são velozes, pesadas distorcidas e divertidas, a abertura com o cover de Ray Charles, I Don’t Need No Doctor, em versão Punk é jogo ganho, mas o disco ainda tem cartas na manga Bad Betty, Be a Woman, You Can’t Judge a Book By The Cover e The Hard Way
O The Sonics voltou em boa hora, para mostrar como se faz rock de verdade e para tirar de uma vez por todas o estilo do marasmo.
Ouça no volume máximo e aprenda com os velhinhos.

3 – Saint Cecilia EP (Foo Fighters)
3 - Foo
Talvez Saint Cecilia EP não deveria integrar a lista dos melhores discos do ano por justamente não ser um álbum completo, mas um simples EP de cinco faixas. Mas a perfeição das canções é tão pertinente, principalmente em comparação ao anêmico e prepotente Sonic Highways, que ele merece essa exceção.
Gravado esse ano em curtas sessões no Saint Cecilia Hotel em Austin (Texas), o disco traz aquele velho e bom Foo Fighters que somos íntimos e velhos conhecidos. Aquele que mescla o pop punk do Hüsker Dü, com o Heavy Rock do finado Motörhead, que pinça uma canção acústica ali, berra em outra acolá e faz dessa união toda canções memoráveis como Sean, Savior Breath, The Neverending Sigh, além da própria faixa título.

2 – True Brew (Millencolin)
2 - Millencolin
Depois de provar do “amadurecimento musical” que já ceifou as carreiras brilhantes de Blink 182, The Offspring, Green Day e recentemente do Rise Against, o Millencolin voltou a fazer o que sabe de melhor, um Punk Hardcore enérgico e veloz.
Em True Brew o seu nono álbum, o quarteto sueco capitaneado por Nikola Sarcevic prova que ainda bebe da fonte do Hardcore Melódico californiano, aliado ao peso das guitarras e o sentimentalismo das letras. Os principais destaques do disco, além do single Sense & Sensibility, são as canções Egocentric Man, Bring Me Home, Chameleon e Mr. Fake Believe.
Bem vindos de volta, Millecolin! Crescer é para os fracos.

1 – Chasing Yesterday (Noel Gallagher’s High Flying Birds)
1 - Noel
E o melhor disco de 2015 é dele, do homem mais polêmico do show business. Ao declarar esse ano que a aclamada cantora Adele faz música para avós, os fãs da inglesa rebateram Noel Gallagher, dizendo: “Por que ao invés de ficar falando, você não faz música de verdade”, ele fez e está aqui nesse álbum. Chasing Yesterday, o seu segundo álbum solo a frente da banda High Flying Birds vem infinitamente superior ao antecessor e comparada a discografia da sua ex banda, o Oasis, ele é uma extensão dos brilhantes Definitely Maybe (1994) e (What’s the Story) Morning Glory? (1995)
Em Chasing Yesterday, Noel deixa de lado um pouco os elementos eletrônicos que recheavam o disco anterior e assumiu um caso de amor com a guitarra novamente, o que pode ser provado nas faixas The Mexican, Lock All The Doors, You Know We Can’t Go Back e no single dançante In the Heat of the Moment.
O disco ainda conta com a participação especial de Johnny Marr nas guitarras na canção Ballad of the Mighty I
Se a possível volta do Oasis ainda é uma grande incógnita, pelo menos os fãs do conjunto não tem do que reclamar da entusiasmante carreira solo de Noel Gallagher.

Melhores do Ano

Os 15 Melhores discos de 2014 + Os 5 Melhores Nacionais por Fila Benário

E chegou aquele momento que todos estavam esperando (e quem vê pensa que o blog está com essa moral toda) a hora de escolher os melhores discos do ano.
Como sempre, fazer essa lista é uma tarefa muito complicada, afinal de contas reduzir em 15 todos os discos lançados e ouvidos no ano é muita covardia, mas se eu fosse citar todos os títulos que tem a minha preferência eu precisaria de mais um ano pra poder terminar a matéria, portanto 15 discos por mais que seja desafiador ainda é um numero aceitável.
Porém a grande surpresa desse ano foi a quantidade de bons lançamentos nacionais que tivemos, até cogitei fazer uma lista nos mesmos padrões para os discos lançados em solo brazuca, mas acabei escolhendo 5 álbuns que de certa forma se fizeram notar.
Bem chega de falatório e vamos ao que interessa, tenho certeza absoluta que muitos nomes citados soarão desconhecidos para grande maioria, ai está uma excelente oportunidade de conhecer a fundo o trabalho desses artistas e ampliar ainda mais os seus horizontes musicais
Então bora lá? Naquele mesmo “esqueminha” de sempre, de ordem decrescente para dar mais emoção: 

15 – Get Hurt – The Gaslight Anthem
15 - The Gaslight Anthem
Já disse aqui no Blog diversas vezes e volto a repetir, uma das maiores revelações da música nos últimos tempos é o The Gaslight Anthem, o quarteto de New Jersey capitaneado pelo “rouquíssimo” Brian Fallon, vai além das amarras dos três acordes e adicionam em seu punk rock diversos elementos magistrais entre eles o Blues e Country.
Tido como o novo Bruce Springsteen, o The Gaslight Anthem tem ousado a cada álbum, e o mesmo aconteceu em seu mais recente disco, Get Hurt, se o mesmo não é absurdamente genial como o seu antecessor Handwritten (2012) pelo menos tem ótimos momentos como a própria faixa título, além das frenéticas Helter Skeleton, Rollin’ and Tumblin’, Ain’t That a Shame e da quase grunge Stay Vicious.
Pra quem tem a mente aberta, é um grande disco, eu recomendo.

14 – Wasted Years – OFF!
14 - OFF!

Keith Morris e sua trupe barulhenta do OFF! reapareceu em 2014 nos presenteando com um novo álbum, Wasted Years pode não ter vindo veloz como o seu antecessor e aclamado debut álbum, mas veio sujo e malvado como sempre.
Os seus principais destaques são com certeza Hypnotized, a canção mais longa da carreira da banda, com inacreditáveis 2 minutos e 15 segundos. Além da cadenciada Time’s Not On Your Side e do inicio mortal com Void You Out.
Definição curta e grossa, como o disco.

13 – Everything Will Be Alright In The End – Weezer
13 - Weezer
Após uma série de discos ruins e até mesmo petições dos fãs que pretendiam arrecadar 1 milhão de dolares para que a banda encerrasse as atividades, o Weezer acordou a tempo de lançar Everything Will Be Alright In The End que faz jus aos bons momentos da sua brilhante discografia e a todo seu legado histórico dentro da cena alternativa.
Canções simples, cicletudas, com refrões fáceis e pegajosos, e guitarras gritantes, isso é Weezer, e isso está presente em seu novo álbum, que contou com a produção de Ric Ocasek, líder do Cars e responsável pelos discos de maior sucesso do grupo de Rivers Cuomo: Blue Album (1994) e Green Album (2001).
Quanto aos destaques musicais são muitos, praticamente o disco todo, mas a abertura mortal com Ain’t Got Nobody, seguida da dançante Eulogy For A Rock Band e da singela Lonely Girl são as cerejas do bolo. Sem contar o épico final divido em três partes: I. The Waste LandII. AnonymousIII. Return To Ithaka.
Bem vindo de volta Weezer.

12 – Antemasque – Antemasque
12 - Antemasque
Com certeza a maior surpresa de 2014 foi o surgimento da banda/projeto Antemasque, grupo formado das cinzas do The Mars Volta e At The Drive-In, conta os dois gênios de ambas bandas à frente, o vocalista Cedric Bixler-Zavala e o guitarrista Omar Rodríguez-López.
Após um grande desentendimento entre Cedric e Omar que culminou no fim do Mars Volta e na turnê de reunião do At The Drive-In, ninguém imaginaria que ambos voltariam a trabalhar juntos, porém o impensável aconteceu, não apenas fizeram as pazes como recrutaram um time de feras para esse projeto, entre eles o baterista David Elitch (The Mars Volta, Killer Be Killed, Juliette Lewis) e o baixista Flea do Red Hot Chili Peppers. Assim o álbum de estréia do Antemasque é melhor trabalho já feito pela dupla desde Relationship of Command (2000), o último disco do At The Drive-In.
Após tantas viagens sonoras, rebuscadas e progressivas com o The Mars Volta, Cedric e Omar voltaram a fazer música simples, pesada, veloz, com pegada Punk/Hardcore com uma leve inclinação pop, como é o caso de 4AMI Got No Remorse, e da sensacional 50,000 Kilowatts.
A maior revelação de 2014 com certeza.

11 – Honor Is All We Know – Rancid
11 - Rancid
Após 5 anos sem lançar material inédito, o Rancid ressurge quase perto do natal nos presenteando com esse grandiosíssimo álbum reunindo toda aquela genial salada musical que só eles sabem fazer: Punk Rock/Hardcore/Ska/Rocksteady e muito mais.
Influenciados pelos vinte anos do lançamento do seu mais importante álbum, o seminal Let’s Go (1994), o Rancid cai de cara no Punk Rock em canções como Already DeadGrave DiggerBack Where I Belong que parecem ter sido retiradas do Tracklist do citado álbum.
Outros principais destaques são as nervosas Collision CourseFace Up que contam com Tim Armstrong e Lars Frederiksen dividindo os vocais, o primeiro com a sua voz rouca e quase falada e o último com os seus característicos e dilacerantes vocais rasgados.
E falar de Rancid sem citar o baixo mágico do gênio Matt Freeman é covardia, Raise Your Fist é um exemplo de como o cara é fera.

10 – Monuments to an Elegy – Smashing Pumpkins
10 - Smashing Pumpkins
Apesar de todas as suas loucuras e bizarrices (como já noticiado aqui), quando o assunto é música, Billy Corgan sempre nos surpreende apresentando o melhor de si, e não é atoa que recebe o título de grande gênio musical da cena alternativa.
Monuments to an Elegy faz parte do insano projeto Teargarden by Kaleidyscope do Smashing Pumpkins que reunirá ao todo 44 faixas. Sonoramente falando, o disco é um cruzamento entre o peso de Machina/The Machines of God (2000) com a esquizofrenia dançante de Adore (1998).
A quebrada Tiberius inicia o disco que encontra o seu lugar com a balada Being Beige que já está tocando a exaustão nas rádios rock do país.
As baterias do disco foram gravadas pelo mestre Tommy Lee (Mötley Crüe), e toda sua genialidade pode ser sentida na canção mais bacana (e pesada) do disco, a sensacional One and All.

9 – Ronnie James Dio “This Is You Life” Tribute – Vários Artistas
09 - Ronnie James Dio
“É de arrancar lagrimas dos olhos”, não existe outras palavras que definem esse super tributo dedicado ao grande baixinho Ronnie James Dio (Elf, Rainbow, Black Sabbath e Dio).
Com um timaço de feras prestando as mais singelas e sinceras homenagens, o disco passeia por todas as bandas onde o pequeno notável arrebentou o seu gogó com a sua voz poderosa.
Do Rainbow, o supergrupo formado na década de 70 por Dio, Ritchie Blackmore (Guitarra) e Cozy Powell (bateria), temos o Motörhead junto com o Biff Byford do Saxon fazendo uma versão de Starstruck, além das versões matadoras de Glenn Hughes e Rob Halford (Judas Priest) para os clássicos Catch the RainbowMan On The Silver Mountain, respectivamente. Até o Scorpions, do qual eu não sou muito fã, está suportável em The Temple of the King.
Pulando para entrada de Dio no Black Sabbath no final dos anos 70, temos o Anthrax fazendo uma versão fiel de Neon Knights, e o Adrenaline Mob, na época com o mestre Mike Portnoy na batera, mandando ver na pesadona The Mob Rules.
A carreira solo de Dio, no grupo de mesmo nome, é celebrada com louvor no tributo com a bacaníssima versão do Tenacious D (banda do ator Jack Black) para The Last In Line. O aclamado Halestorm da estonteante Lzzy Hale marca presença também com a poderosa Straight Through the Heart. E Corey Taylor do Slipknot e Stone Sour surpreende a todos com uma versão mais do que perfeita de Rainbow In The Dark.
Mas não poderia deixar batida a super participação do Metallica em um medley mais do que especial, com quatro músicas do Rainbow: A Light In The Black, Tarot Woman, Stargazer e Kill the King, formam o Ronnie Rising Medley. Sensacional.
Talvez a única bola fora seja a interpretação pra lá de monótona da Doro para Egypt (The Chains Are On), da carreira solo de Dio, mas nada que venha comprometer o resultado final que ainda conta com o próprio Dio encerrando o disco com uma emocionante versão em piano e voz de This Is You Life que fora lançada originalmente no álbum solo Angry Machines (1996).

8 – Sonic Highways – Foo Fighters
08 - Foo Fighters

Antes do lançamento, Sonic Highways era o álbum mais aguardado do ano, porém ele chegou trazendo uma série de decepções. Afinal, esse caminho de grandiosidade onde o Foo Fighters insiste trilhar não condiz com a proposta musical do conjunto que é justamente a simplicidade em suas canções.
Sonic Highways veio pomposo, gigante em suas 8 faixas, com canções longas, enormes passagens de solos, músicas tediosas e soníferas como por exemplo a parte final de What Did I Do?/God as My Witness e as chatíssimas Subterranean e I Am a River.
Porém o que sobra do álbum é louvável, vide as canções CongregationThe Feast And The Famine e a melhor de todo o disco: In The Clear, com a participação mais do que especial da Preservation Hall Jazz Band.

7 – Whoop Dee Doo – The Muffs
07 - The Muffs

Pra quem não viveu com intensidade os anos 90, com certeza não teve a oportunidade de conhecer o The Muffs, Formado por Ronnie Barnett (Baixo), Roy McDonald (Bateria) e pela sensacional, louca e linda Kim Shattuck (Vocal e guitarra) a banda fez um certo barulho na cena alternativa, correndo por fora, mas sempre presente e eficiente com hits do tamanho de Sad Tomorrow.
Acontece que Kim realizou o maior sonho da sua vida sendo recrutada pra ser a baixista do Pixies no lugar da carismatica Kim Deal, porém a sua estadia ao lado da chatíssima trupe de Black Francis/Frank Black durou apenas 10 meses, após a mesma ter sido expulsa da banda por simplesmente ter dado um mosh na platéia após um show.
O que fez Kim? choramingou a oportunidade perdida? não, pelo contrário, reativou o seu Muffs e lançou o seu álbum mais genial e barulhento.
Whoop Dee Doo é um disco que poderia ter sido lançado nos anos 60 em meio a febre Boogie-woogie e Ie-ie-ie, porém com adicional de guitarras distorcidas e displicência Punk. O single Weird Boy Next Door, mais as canções Paint By NumbersWhere Did I Go Wrong e bela balada Cheezy são principais exemplos.
Chupa Pixies, a Kim é nossa!!!

6 – Last Chance To Dance – CJ Ramone
06 - CJ Ramone

Diferente do ex companheiro de banda, Marky Ramone, que faz a sua carreira em cima do seu passado glorioso, CJ Ramone, o último baixista do Ramones, vem apostando em material inédito e autoral, que faz jus e reverencias ao legado da sua ex-banda.
Last Chance To Dance, o seu mais novo álbum solo, lançado pelo grandioso selo Fat Wreck Chords de propriedade de Fat Mike (NOFX), chega trazendo o melhor do Punk Rock 77, canções como Understand Me? que vem emendada com a sensacional Won’t Stop Swinging, além Long Way To GoPitstop parecem ter sido retiradas do icônico Rocket To Russia (1977) dos Ramones.
Mas não só de “One Two Three Four” vive CJ Ramone, a levada Hard Rock e pesada Mr. Kalashnikov e o Hardcore também pesado de Cluster Fuck, mostram as ousadias do baixista.

5 – Playland – Johnny Marr
05 - Johnny Marr

Se no ano passado eu cometi a injustiça de deixar de fora da lista o álbum da estreia solo de Johnny Marr (ex-guitarrista do The Smiths), esse ano eu fiz questão de colocar. Até porque Playland, o seu mais recente álbum, é infinitamente superior que o seu antecessor.
Playland carrega nas suas onze faixas um frescor, uma leveza e ao mesmo tempo uma aceleração punk, e deixa bem explicito quem era o verdadeiro gênio por trás do The Smiths.
Marr é um gênio das guitarras, sua maneira dedilhada de tocar sem uso de distorções já é conhecida por todos, porém a grande surpresa é que o mesmo possuí uma voz agradável e encantadora.
Os principais destaques de Playland é a dançante Easy Money, as punks Boys Get StraightPlaylandBack In The Box. E as belíssimas baladas DynamoCandidate.
Se cuida Morrissey.

4 – World On Fire – Slash Featuring Myles Kennedy and The Conspirators
04 - Slash

O eterno guitarrista do Guns n’ Roses, Slash, tem alcançado grande prestigio em sua carreira solo, após um disco de estréia com a participação de diversos medalhões do Rock. Slash montou a banda de apoio The Conspirators e deu a ela o melhor vocalista da atualidade, o grande Myles Kennedy.
Em World On Fire, o seu terceiro álbum solo e o segundo amparado pelo Conspirators, Slash cometeu a maior insanidade ao colocar 17 faixas no disco, um total de 77 minutos de música, em vista que hoje graças aos downloads ninguém mais ouve discos completos. Porém foi uma excelente insanidade, levando em consideração que todas as faixas World On Fire são ótimas.
Shadow Life, Automatic Overdrive, 30 Years to Life, Avalon, Dirty Girl, The Dissident, além da faixa título, fica até difícil escolher apenas um destaque de World On Fire, que ainda tem as baladas arrasa quarteirão Bent to FlyBattleground, a “Guns n’ Rosiana” Stone Blind, o instrumental épico Safari Inn com Slash despejando uma tonelada de solos técnicos e a sensacional e grudenta Iris of the Storm.
Quem é Axl Rose mesmo?

3 – Beauty & Ruin – Bob Mould
03 - Bob Mould

De repente Bob Mould passou de desconhecido da grande massa, para status cult. Participação no cd do Foo Fighters (Wasting Light) e também no documentário da banda (Back and Forth), Mould soube aproveitar o momento e lançou o melhor álbum da sua carreira solo, o sensacional e pesado Silver Age (2012), com guitarras distorcidas e um retorno ao punk rock, que o mesmo havia sepultado em seus trabalhos mais experimentais.
Gozando de popularidade em pleno século XXI, Bob Mould resolveu prestar um tributo a si mesmo em seu mais novo álbum, Beauty & Ruin, onde ele resgata todas sonoridades já exploradas e navegadas pelo mesmo em mais de 30 anos de serviços prestados ao rock alternativo. Tem o Punk Rock descarrilhado do Hüsker Dü, o Pop Punk do Sugar, as pirações eletronicas do album Modulate (2002), a introspecção de Life And Times (2009), tudo isso em canções sensacionais como I Don’t Know You AnymoreHey Mr. GreyThe WarLittle Glass PillTomorrow Morning.

2 – The Birds Of Satan – The Birds Of Satan
02 - The Birds Of Satan

Se enganou quem pensou que o super lançamento do Foo Fighters iria ofuscar o novo projeto do baterista Taylor Hawkins, se o nome The Birds Of Satan não é um dos melhores, a música no entanto é aprovadíssima.
Usando e abusando da técnica, Hawkins debulha a sua bateria e sincroniza perfeitamente com os seus característicos e impressionantes vocais rasgados. Somos surpreendidos logo na faixa de abertura The Ballad of the Birds of Satan um épico de nove minutos de duração, com uma constante variação de temas e todos muito bem tocados.
Thanks for the Line o primeiro single do álbum, chegou chegando, com muitas quebradas desconcertantes e geniais. Outros destaques do álbum de estréia auto intitulado são as canções RaspberriesNothing at All.
O único defeito do disco são as poucas faixas, sete ao todo.
É Dave Grohl, você está criando um monstro, e o nome dele é Taylor Hawkins.

1 – Transgender Dysphoria Blues – Against Me!
01 - Against Me!

E em primeiríssimo lugar na nossa lista o mais novo álbum do grupo de Punk Rock Against Me! e o primeiro com o vocalista Tom Gabel assumindo a sua identidade sexual atendendo pelo nome Laura Jane Grace.
Gravado ao lado de um time de feras, o baixista Fat Mike do NOFX e o baterista Atom Willard (Ex- The Offspring, Angels & Airwaves e Danko Jones), o disco vem todo especial, ora pesado calcado no Punk em canções furiosas como Obama Bin Laden As The Crucified Christ e Drinking With The Jocks, ora simplório e poético em belíssimas canções como FuckMyLife666Dead FriendParalytic States e na faixa de abertura Transgender Dysphoria Blues.
Laura Jane Grace está mais livre, mais feliz com a sua real condição e por isso que o disco veio tão especial e apaixonante de ouvir.
Sua experiencia transexual é narrada na canção True Trans Soul Rebel que com certeza é a melhor de todo o álbum, que por si só é genial por inteiro.
Pra quem ainda não conhece o grupo, ta ai uma excelente oportunidade, é o Against Me! em sua melhor e verdadeira forma.
Vida longa a Laurinha.

OS CINCO MELHORES NACIONAIS

5 – Cantigas de Roda – Raimundos
05 - Raimundos

Com mais de duas décadas de serviços prestados ao Rock Nacional, teria os Raimundos mais alguma coisa a provar? E a resposta a essa pergunta vem com o mais novo álbum Cantigas de Roda, o segundo de estúdio com o guitarrista Digão nos vocais, que chegou pesado e violento logo na abertura com a veloz Cachorrinha.
Baculejo vem trazendo aquele tom pop comercial da banda, sem perder a pegada. Outros destaques de Cantigas ficam por conta do divertido Ska-Core Gordelícia, e da regravação de mais um clássico do velho Zenilton a genial Gato da Rosinha, além da ousada Dubmundos que conta com a participação de Sen Dog do Cypress Hill.
Para os fãs de Hardcore, o disco ainda tem as canções Rafael, Nó Suíno e Politics.
No mesmo ano a banda lançou via Som Livre, o DVD/CD Cantigas de Garagem, com todo conteudo de Cantigas de Roda com mais cinco clássicos da banda gravados ao vivo no estúdio.

4 – Não Pare Pra Pensar – Pato Fu
04 - Pato Fu

Há sete anos sem lançar material inédito, os fãs do Pato Fu estavam ardosos na esperança de uma música inédita de Fernanda Takai e cia. No entanto a espera foi recompensada, eis que chegou em nossas mãos, Não Pare Pra Pensar, o décimo álbum da carreira do grupo mineiro, que fica marcado pela estréia do baterista Glauco Nastacia também do Tianastácia, e também pela volta do guitarrista John Ulhoa nos vocais, um deleite aos fãs que sonhavam com esse momento. E é inclusive de sua voz que sai as melhores canções do álbum, a oitentista Ninguém Mexe Com o Diabo e a sensacional You Have To Outgrow Rock’n Roll. Já Fernandinha Takai nos presenteia com a sua doce voz nas canções Siga Mesmo no Escuro e na dançante Cego Para as Cores.
Os demais destaques do álbum é a própria faixa título além dos Rock n’ Roll Mesmo Que Seja Eu, Eu Era Feliz e da marcante Pra Qualquer Bicho com a participação especial do histórico Ritchie.

3 – Não Estamos Sozinhos – Bula
03 - Bula

A maior revelação do Rock Nacional e o disco mais autêntico já ouvido por mim, a banda Bula surgiu das cinzas das bandas Charlie Brown Jr. e a Banca, após a morte dos dois frontman de ambos conjuntos, o grandioso Chorão e o baixista e vocalista Champgnon. O Power Trio formado por Marco Britto (Vocal e Guitarra), Lena Papini (Baixo) e Pinguim (Bateria) é de grande valia, já que a qualidade dos músicos envolvidos é de altíssima, somadas as grandes músicas apresentadas pela banda como o single Duas Caras, e as enérgicas Ela Nasceu Pra Mim, Dilemas, Só Na Contabilidade, Voar com Você e O Sol Dela Brilhou, além da belíssima e tocante balada Armas de Lado que lembra bastante a canção Como Tudo Deve Ser do CBJr.
Marco Britto desempenha bem a função de vocalista, além de ser um exímio guitarrista, revelando de uma vez  por todas quem era o verdadeiro talento da finada banda santista.

2 – Século Sinistro – Ratos de Porão
02 - Ratos de Porão

Será que na imensa barriga do João Gordo há uma gigante reserva de vinho que com tempo vai ficando cada vez melhor?
Talvez essa seja a explicação plausível para cada álbum sensacional que o Ratos de Porão vem lançando a cada ano. Século Sinistro, o mais novo disco dos pais do Punk/Hardcore no país do samba é sensacional, pesadíssimo com João Gordo urrando palavras de ordem de uma sociedade descontente de todas as mazelas do mundo.
Grande Bosta, Sangue e Bunda (que conta com participação especial do porquinho de estimação de Gordo), Prenúncio De TretaViciado DigitalPra Fazer Pobre ChorarNeocanibalismo, traz o melhor do Ratos de Porão, muito peso, agressividade e velocidade.
O verdadeiro Punk Rock está aqui, obrigado Ratos.

1 – Nheengatu – Titãs
01 - Titãs

Óbvio que o melhor disco nacional do ano seria da melhor banda nacional de todos os tempos.
Os Titãs voltaram as origens e lançaram o seu melhor disco em anos, Nheengatu é muito mais que um “Cabeça Dinossauro revistado” com a mídia têm afirmado, Nheengatu é o Titãs em sua melhor forma musical. Com numero reduzido de integrantes, outrora um octeto, hoje contando com quatro integrantes originais e mais o sensacional suporte do baterista Mário Fabre, a banda nos presenteia com um desfile sem fim de músicas pesadas, velozes e contestadoras.
A abertura com Fardado já vale o disco todo, porém ele ainda nos reserva grandes músicas como Mensageiro Da DesgraçaRepública Dos Bananas, Fala RenataChegada Ao Brasil (Terra À Vista), Pedofilia e Flores pra Ela, essa última é sensacional, retratando o drama vivido pelas mulheres que sofrem violência doméstica.
Ei Vanguart, Teatro Magico, Garotas Suecas e demais porcarias que dizem fazer rock no Brasil, ouçam esse disco de cabo a rabo e aprendam de uma vez por todas com os mestres da arte.

Fique ligado que amanhã (o último dia do ano) faremos uma singela retrospectiva dos melhores momentos do Fila Benário Music em 2014.

CURTA A NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK