Arquivo da categoria ‘Muito Além do Bug do Milênio’

61BwnQvG+CL

DISCO: Sing Sing Death House
BANDA: The Distillers
LANÇAMENTO: 2 de junho de 2002
ORIGEM: Estados Unidos
GÊNERO: Punk Rock / Hardcore
FORMAÇÃO DO DISCO: Brody Dalle (Vocal e Guitarra), Rose Mazzola (Guitarra e Backing Vocals), Ryan Sinn (Baixo e Backing Vocals) e Andy Outbreak (Bateria).
PRODUCÃO: The Distillers.
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: Rancid, Bad Religion, Black Flag, Dead Kennedys, Circle Jerks, OFF! e The Offspring (fase epitaph).

HISTÓRIA

01_Distillers_006

A trajetória do Distillers começou na Califórnia no ano de 1998, quando Brody Dalle, na época Brody Armstrong, esposa do vocalista, guitarrista e líder do Rancid, Tim Armstrong, resolveu montar uma banda reunindo as suas duas grandes devoções, o Punk Rock e o feminismo.

Foi dessa união que nasceu o The Distillers, no finalzinho dos anos 90. A primeira formação da banda contava com a baixista Kim Chi, com a guitarrista Rose “Casper” Mazzola e com o baterista Matt Young. Com essa formação a banda lançou o seu primeiro álbum, autointitulado, no ano 2000, via Epitaph Records, a famosa meca do Punk Rock que lançou nomes como Rancid, The Offspring, NOFX, Pennywise e o próprio Bad Religion, a banda do proprietário do selo, o guitarrista Brett Gurewitz.

A banda mal colheu os louros e os frutos do primeiro álbum e já se trancou no estúdio no ano seguinte para gravar o segundo disco. Já com a formação diferente, contando com o baixista Ryan Sinn e o baterista Andy Outbreak. Rose apenas gravou as guitarras, mas deixou a banda logo após o lançamento do disco.

Intitulado Sing Sing Death House, o disco saiu mundialmente no dia 2 de junho de 2002. O álbum foi lançado no selo Hellcat de propriedade do maridão de Brody, o Tim Armstrong, dentro da própria Epitaph.

O disco marcava um imenso divisor de águas na carreira da banda, se anteriormente o The Distillers carregava a alcunha de uma banda de Punk Rock com vocais feminino. Sing Sing… estava a altura de grandes obras já feitas na história do Punk Rock como Group Sex do Circle Jerks, Damage do Black Flag, Suffer do Bad Religion e até mesmo o Milo Goes To College do Descendents, devido a sua velocidade, brutalidade e aproximação com a sonoridade e grandiosidade dos citados.

O álbum alcançou a posição 29 do “Top Independent Albums” e ganhou quatro das cinco estrelas da publicação AllMusic.

FAIXA A FAIXA

1 – Sick of It All
Enquanto uma guitarra vai tocando um riff veloz, a outra vai plugando o cabo no amplificador, dando aquela pequena (e excitante) microfonia e com a mesma fúria toca as cabeças das notas, junto com o baixo e a bateria, até tudo virar um rápido e brutal Hardcore, com destaques para o baixo que faz uma linha insana e veloz à Matt Freeman do Rancid.

2 – I Am a Revenant
Ela começa justamente de onde Sick of It All parou, com um simples repique na caixinha da bateria, ela já entra na mesma velocidade Hardcore da faixa anterior, com Brody Dalle berrando insanamente no pré refrão. O refrão empolgado se divide em duas facetas, nas duas primeiras vezes ele segue a velocidade Hardcore, já na última que vez que é cantado ele segue uma batida seca e pulsante.

3 – Seneca Falls
Também tem a velocidade das anteriores, mas com uma melodia mais Pop e acessível, lembrando claramente o Rancid na fase Let’s Go (1994). A letra, totalmente política e feminista, fala da famosa convenção de Seneca Falls, que aconteceu nos Estados Unidos em 1848, entre os dias 19 e 20 de julho. Nessa convenção, considerada histórica e também como a primeira mobilização do movimento feminista, foi feita a Declaração de Seneca Falls, a primeira que previa os direitos das mulheres.

4 – The Young Crazed Peeling
E chegamos ao grande hit do álbum. The Young Crazed Peeling é absurdamente Pop e Punk na mesma proporção, um completando o outro e coexistindo no mesmo espaço. O Riff inicial é a denuncia perfeita do que virá, um Poppy Punk nervoso, com um refrão chiclete. Mas sem fugir de toda a insanidade do disco e da própria banda, o trecho final, com os berros dilacerantes da Brody Dalle, beira a alucinação.

5 – Sing Sing Death House
A bateria vai dando o tom na caixinha, repicando, o som vai aumentando, vai crescendo até um simples grito da Brody Dale fazer que a canção vire um Hardcore brutal e veloz, com o título sendo berrado constantemente.

6 – Bullet and the Bullseye
Mais insanidade e velocidade. Mais uma vez a bateria chamando a responsabilidade pra si e depois de uma quebrada desconcertante ela faz a clássica batida tribal de bumbo, caixa e surdo ao mesmo tempo até cair na glória do Hardcore.
Brody Dale berra tanto nas estrofes que a sua voz chega até falhar em um instante momento, recurso que abrilhanta ainda mais a canção.

7 – City of Angels
Ela já começa seguinte da anterior, mas com a velocidade bem mais reduzida, caindo em um delicioso Poppy Punk, no qual o baixo e as guitarras, muito bem mixadas por Brett Gurewitz, fazendo o mesmo fraseado de forma perfeita e empolgante.
O vocal rouco e resgado de Brody cantando essa canção, que é quase uma balada perto do restante do disco, casa perfeitamente com a proposta da música, que em sua letra faz uma homenagem a Los Angeles, a cidade natal da mesma.

8 – Young Girl
Young Girl começa com o baixo fazendo um solo marcante, até entrar toda banda e continuar na mesma levada Poppy Punk da faixa anterior. O refrão cantando de forma displicente por Dale com os Backing Vocals de Ryan Sinn é a grande cereja desse floral adubado.

9 – Hate Me
Mas toda essa bondade e beleza não iria muito longe. Hate Me é como se tivesse aberto os portais do inferno. A guitarra gritante no começo e o Hardcore veloz com Brody Dalle destilando todo o seu ódio em todos e até nela mesmo, tem o mesmo efeito de um caminhão desgovernado capotando em uma rodovia lotada.

10 – Desperate
A mais curta de todo o álbum, Desperate tem apenas 1:22 de pura insanidade. Perfeita pra abrir os shows, ela começa com a contagem, berrada, de “One Two Three Four”, enquanto a bateria vai repicando e a guitarra e o baixo acompanhando. Brody berra palavras de ordem enquanto os Backing Vocals vai continua berrando a contagem e completando com “Yeah, Yeah”. Tudo isso até entrar na velocidade do Hardcore, e ainda tem espaço para uma levada pulsante de Punk Rock 77.

11 – I Understand
Prossegue com a mesma loucura e peso de todo álbum, com destaque para o contrabaixo de Ryan Sinn que leva praticamente a canção nas costas, fazendo fraseados em momentos de break.

12 – Lordy Lordy
Por fim Lordy Lordy encerra toda essa epopeia sonora e destrutiva de Sing Sing Death House, mas destoando de todo álbum. A canção tem uma levada Rockabilly com Country e Folk, que fica hilária com os vocais gastos de Brody Dale, uma espécie de June Carter lisérgica. Divertida e brilhante.

O THE DISTILLERS HOJE

57d4826126fb449b9dc107a19abe984a

Após o lançamento de Sing Sing Death House, o Distillers simplesmente surfou na crista da onda dentro da cena alternativa, o sucesso foi tanto que a banda assinou um contrato com a major Sire Records e lançou em 2003 o todo pomposo Coral Fang. Produzido por Gil Norton, fera que produziu álbuns clássicos como Doolite e Bossanova do Pixies e The Colour And Shape do Foo Fighters, o disco em nada recorda a insanidade de Sing Sing. Ele tem o seu tom Punk sim, mas ele fala melhor com o Rock Alternativo e o Grunge. Brody Dale está com a voz parecidíssima com a da Courtney Love.

Para muitos, a mudança radical tratava-se de um recomeço, para os mais puritanos tratava-se do fim da banda, mas os da segunda opção não estavam errados, em 2006 0 The Distillers encerrou as atividades, o grupo até estava trabalhando em um novo lançamento em 2005, mas com a gravidez de Dale, agora casada com Joshua Homme do Queens Of The Stone Age, ela resolveu colocar um ponto final na trajetória.

Passado o hiato, Brody Dale deu início ao seu projeto musical Spinnerette, mais voltado para o Rock Alternativo, e lançou dois álbuns: Ghetto Love e Spinnerette.

Em 2014, Dalle lançou o seu primeiro trabalho solo, Diploid Love, um grande ode ao Pop dos anos 80. Muito bem feito, muito bem produzido, com Dalle cantando como nunca, mas que em nada lembra aquela Brody Dalle de moicano que berrava palavras de ordem e fazia todos pularem com o seu Punk Rock insano a frente do Distillers.

Até quinta que vem.

Anúncios

The Donnas Spend Night

DISCO: Spend The Night
BANDA: The Donnas
LANÇAMENTO: 22 de outubro de 2002
ORIGEM: Estados Unidos
GÊNERO: Hard Rock/ Punk Rock
FORMAÇÃO DO DISCO: Brett Anderson (Vocal), Allison Robertson (Guitarra e Backing Vocals), Maya Ford (Baixo e Backing Vocals) e Torry Castellano (Bateria e Backing Vocals)
PRODUCÃO: Jason Carmer (Third Eye Blind, Laura Pausini e Kimya Dawson) e Robert Shimp (R.E.M., The Mr. T Experience e The Plus Ones).
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: Kiss, Ramones, AC/DC, Motley Crüe, The Runaways, Guns N’ Roses e Rolling Stones.

HISTÓRIA

Donnas

A carreira das Donnas começou na cidade californiana de Palo Alto, nos Estados Unidos no ano de 1993. Amigas de colégio, Brett Anderson, Allison Robertson, Maya Ford e Torry Castellano, todas com 14 anos, resolveram usar as suas habilidades musicais (que não eram muitas na época) para montar uma banda de Rock. Completamente influenciadas por Ramones, o estilo musical das garotas era um Punk Rock reto, simples e de três acordes e com letras que retratavam o cotidiano juvenil da época. As canções caíram nas mãos da gravadora Lookout!, a mesma que revelou o Green Day para o mundo, mais do que depressa elas assinaram contrato com a mesma e em 1997 lançaria o seu primeiro disco, autointitulado, que trazia claramente a sua devoção ao Ramones, com a melodia das canções, a duração das músicas e até a capa parecida.

Pela Lookout vieram mais três lançamentos American Teenage Rock And Roll Machine (1998) Get Skintight (1999) e Turn 21 (2001), e foi justamente o último disco que deu uma nova guinada na sonoridade das meninas, do Punk simples para o Hard Rock californiano de Warrant e Motley Crue, mas sem toda aquela farofada. Turn 21 fez um grande sucesso no circuito americano que chamou a atenção da gravadora Atlantic Records que fez questão de assinar com as Donnas.

E foi no ano seguinte, com a dupla de produtores Jason Carmer e Robert Shimp, sendo que o último já havia trabalhado com as garotas em seus dois últimos álbuns, que as Donnas redefiniram completamente a sua carreira gravando um dos discos mais pesados, técnicos e supremos da história da banda. E foi justamente no dia 22 de outubro de 2002 que Spend The Night chegou às lojas e já causando um imenso estardalhaço ficando na posição 62º da Billboard, logo na semana de lançamento, além de tirar nota máxima nos mais importantes veículos impressos musicais, como Alternative Press, Allmusic e Hot Press. Além de ganhar três de cinco estrelas da Rolling Stone e ter sido classificado como “Um disco divertido, muito bem gravado e importante para época, apesar das letras sacanas”.

Spend The Night também marcou a entrada da banda no mercado brasileiro, já que foi o primeiro disco das Donnas a ser comercializado por aqui. Assim elas se tornavam as “Donnas do mundo”.

FAIXA A FAIXA

1 – It’s on the Rocks
Um Hard Rock poderoso com um forte riff de guitarra à Angus Young na introdução sendo acompanhado pela bateria batendo na Campana (também conhecido como “sino da vaca”).
Abertura melhor que essa? Impossível.

2 – Take It Off
Take It Off é a canção que define toda a carreira das Donnas. Um Hard Rock festeiro com uma letra sacana na qual a garota está no comando e pede para o seu parceiro tirar a roupa logo. Tudo isso embalado a um pesado riff de guitarra aprendido na escola de Ace Frehley.

3 – Who Invited You
Mantém o pique e a velocidade da anterior, sendo a guitarra mais uma vez o destaque principal. Ponto para Allison Robertson, mas também para a mixagem de Chris Lord-Alge que deu um brilho e destaque a mais no instrumento, deixando ele pesado em todas as canções.
Outro grande destaque em Who Invited You são os Backing Vocals no refrão feitos pelos integrantes do The Hellacopters, banda que já abordamos aqui nessa coluna.

4 – All Messed Up
Mais uma vez a guitarra e o “sino da vaca” dão a partida em uma introdução, dessa vez em All Messed Up, que tem uma dinâmica de refrão muito parecida com It’so Easy do Guns N’ Roses.

5 – Dirty Denim
O Punk Rock, que foi a sonoridade primária das Donnas, finalmente dá as caras em Spend The Night na canção Dirty Denim. Mas nem pense se tratar daquela banda quadradona e de três acordes que tocava Teenage Runaway e Hey i’m Gonna Be Your Girl. Em Dirty Denim o espírito Punk aparece em formato de velocidade e andamento, mas dentro dos padrões de qualidade dessa nova reencarnação da banda.

6 – You Wanna Get Me High
Um Rock n’ Roll básico tocado com fúria na bateria que leva praticamente a canção toda no prato de condução.

7 – I Don’t Care (So There)
O deslizar das teclas do piano na introdução denúncia o que vem a seguir, um Rock n’ Roll festeiro no qual Brett Anderson canta que tentou beijar um cara no ginásio, o mesmo não quis e que ela nem se importa com isso.

8 – Pass It Around
Guitarras, Guitarras e mais Guitarras! É assim que podemos definir Pass It Around, logo na introdução Allison toca um power chord com raiva, acompanhada pela bateria de Torry Castellano que espanca os pratos de ataque. No meio da música, logo após o segundo refrão, Allison nos presenteia com um dos melhores solos da sua carreira. A guria sabe bem o que faz.

9 – Too Bad About Your Girl
Começa com uma batida eletrônica acompanhada pelo sólido baixo de Maya Ford, mas uma virada espetacular na bateria faz a canção cair em um delicioso Punk Rock 77. E a música segue brincando com essa métrica: ora eletrônica, ora Punk.

10 – Not the One
Um Beat on the Brat dos Ramones tocado na introdução, mas com muito mais peso na guitarra. Ouça e confira.

11 – Please Don’t Tease
Essa canção se parece muito com os Rolling Stones fase Exile on Main St. (1972). A começar da introdução tocada na guitarra, limpa, sem distorção, lembrando os famosos riff de Keith Richards. A melodia da canção é total Stones com Brett Anderson fazendo graças com a voz assim como Jagger. Linda canção.

12 – Take Me to the Backseat
Take Me to the Backseat volta ao padrão Spend The Night de qualidade, um Hard Punk veloz com guitarras pesadas e a letra mais do que sacana:

Eu não quero ir ao shopping
Não quero ir ao cinema
Eu acho que nós já fizemos tudo
Só me leve para o banco de trás
.

13 – 5 O’Clock in the Morning
E Spend The Night termina como começou e como foi durante todo o álbum, com a guitarra reinante de Allison Robertson fazendo um riff mais do que sensacional e técnico na introdução e depois solando como nunca após o segundo refrão.
Grande canção, grande disco.

O THE DONNAS HOJE

Donnas 2

Spend The Night levou a sonoridade e a carreira das Donnas a outro patamar, passando a integrar line up de imensos festivais pelo mundo como o Rock am Ring na Alemanha. Teria tudo para banda ser as próximas Runaways e influenciar gerações, mas no próximo disco elas deram um grandioso tiro no pé. Gold Medal (2004) veio pomposo demais, mais suave, mais Pop e apesar de boas canções, nem de longe lembrava aquela banda festeira, divertida e roqueira de Spend The Night.

Quando a banda se ligou e voltou a fletar com Hard Rock em Bitchin’ (2007), já era tarde demais, o reinado havia passado e elas suscitavam apenas uma lembrança agridoce de uma banda que surgiu no final dos anos 90, teve o seu ápice no início do novo milênio e nada mais que isso.

Em 2009, a banda sofreu a sua primeira e única baixa, a saída da baterista Torry Castellano para tratar-se de um problema crônico no ombro, para o seu lugar entrou a baterista Amy Cesari.

Até o instante momento, o The Donnas não lançou nenhum disco novo e tem feito pouquíssimos shows, não abandonou o barco, mas também não se houve barulho do mesmo.
Aqui fica a nossa torcida para um retorno como nos velhos tempos, afinal, esse Rock certinho e careta demais que assola os nossos ouvidos atualmente merece uma dose cavalar de sacanagem e atitude que só essas garotas têm.

Até quinta que vem.

Veja as colunas anteriores:
#01: By The Grace Of God – The Hellacopters (2002)
#02: Contraband – Velvet Revolver (2004)
#03: Relationship of Command – At The Drive-In (2000)
#04: Does This Look Infected? – Sum 41 (2002)
#05: Siren Song Of The Counter Culture – Rise Against (2004)
#06: Auf Der Maur – Melissa Auf Der Maur (2004)
#07: Jennie Bomb – Sahara Hotnights (2001)

Sahara

DISCO: Jennie Bomb
BANDA: Sahara Hotnights
LANÇAMENTO: 24 de maio de 2001
ORIGEM: Suécia
GÊNERO: Punk Rock/Hard Rock
FORMAÇÃO DO DISCO: Maria Andersson (Vocal e Guitarra) Jennie Asplund (Guitarra e Backing Vocals), Johanna Asplund (Baixo e Backing Vocals) e Josephine Forsman (Bateria)
PRODUCÃO: Chips Kiesbye (The Hellacopters, Millencolin e Wilmer X).
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: Ramones, Runaways, Joan Jett, The Hellacopters, Foo Fighters, Cachorro Grande, The Clash, Sex Pistols, The Donnas, The Hives e Blondie.

HISTÓRIA

Sahara_Hotnights_på_Kafé_44

A trajetória do Sahara Hotnights começou na Suécia em 1992 quando as irmãs Asplund, Jennie e Johanna, guitarrista e baixista respectivamente, resolveram montar uma banda em cima das suas influências musicais, como Ramones, The Runaways e Suzi Quatro. Reuniram mais duas amigas: Maria Andersson (Vocal e Guitarra) e a baterista Josephine Forsman, e estava montado o Sahara Hotnights.

No ano de 1997, elas lançaram o primeiro EP Suits Anyone Fine, que chamou a atenção do selo musical sueco Speech Records que rapidamente tratou de assinar o contrato com as garotas e no ano de 1999 elas lançam o seu primeiro disco C’mon, Let’s Pretend, que tem uma sonoridade mais clean, sendo um casamento entre o Hole de Courtney Love com o Blondie de Debbie Harry. O disco foi muito bem recebido pela crítica especializada chegando a concorrer o Grammy Sueco em duas categorias.

No ano seguinte a banda entrou no estúdio com o produtor sueco Chips Kiesbye, o Chips K famoso por trabalhar com o Millencolin e The Hellacopters, outras grandes bandas vindas da Suécia (o Hellacopters já falamos aqui nessa coluna). Só que dessa vez, o disco das meninas soaria um pouco mais diferente, ao invés de apostar no óbvio do sucesso do primeiro álbum e manter a mesma sonoridade amena, o Sahara foi para o caminho de pedrgulho e caiu de vez no Rock n’ Roll. Sai de cena a Debbie Harry e entra em ação a Joan Jett.

E foi no dia 24 de maio de 2001 que Jennie Bomb é finalmente lançado. O disco levou esse nome em homenagem a fundadora e guitarrista da banda Jennie Asplund, como se a mesma fosse uma personagem de história em quadrinhos. E capa desenhada dá essa doce sensação.

O disco foi um sucesso instantâneo na Suécia, ficando na segunda posição dos mais vendidos e começou a propagar por toda Europa, com a mídia europeia levantando a bola das garotas, o disco atravessou o oceano e finalmente chegou aos Estados Unidos, sendo lançado na América no ano seguinte.

De Jennie Bomb saíram três singles que posteriormente viraram videoclipes, Alright Alright (Here’s My Fist Where’s the Fight?), On Top of Your World e mezzo balada With or Without Control.
A Suécia que já havia exportado para o mundo nomes como The Hellacopters, The Hives, Backyard Babies, agora tinha mais um bom nome guardado na manga, o Sahara Hotnights e o seu cartão de visitas? Jennie Bomb!

FAIXA A FAIXA

1 – Alright Alright (Here’s My Fist Where’s the Fight)
A batida do bumbo acompanhando o elétrico riff de guitarra, já anuncia a catarse a seguir, um Punk Rock espivetado de refrão chiclete que não faria feio no disco de estreia das Runaways.
Ponto para as garotas.

2 – On Top of Your World
O single absoluto, não apenas de Jennie Bomb, mas de toda a carreira das Sahara Hotnights. A canção tem uma estética Pop na estrofe, com as guitarras intercalando entre a base abafada com um solinho, mas no refrão ela explode em um Hard Rock potente no qual as meninas clamam estar no topo do mundo.

3 – Fire Alarm
A Displicência volta em Fire Alarm, com uma guitarra “fritando” logo na introdução. E mesmo a vocalista Maria Andersson dando uma leve, mas perceptível, semitonada no pré refrão, acaba soando com um elemento chave da canção.

4 – With or Without Control
Na mão da Brody Dalle ou da Courtney Love essa música seria uma bela balada, mas com essas Punks suecas virou um Punk Ballad com a distorção gritando nas guitarras, apesar de haver um sentimentalismo enrustido ali no meio.

5 – Keep Up the Speed
Com o volume máximo no pedal de fuzz, a guitarra faz a introdução da insanidade que vem a seguir, um Hard Rock animado no qual o refrão cantado em uníssono pela banda lembra muito o Kiss.
Sensacional.

6 – No Big Deal
Se você é daqueles que não consegue discernir o som do contrabaixo em uma canção (sim, existe quem não consegue), essa é a música perfeita.
Logo na introdução a baixista Johanna Asplund faz uma linha bem marcante, lembrando as lendárias Big Band de Jazz. Só que durante a estrofe o baixo simplesmente some, deixando um vácuo enorme no qual a guitarra distorcida junto com a bateria acelerada tentam preencher de todas as formas. Mas no refrão ele ressurge todo lindo e pomposo, sendo difícil não o perceber. Ponto para a Johanna.

7 – Down and Out
Down and Out é um perfeito I Wanna Be Sedated dos Ramones, o mesmo andamento, a mesma batida na bateria. Elas que são grandes fãs do lendário quarteto nova iorquino, chegando a gravar uma versão de Rockway Beach para um tributo a banda, mostram em Down and Out que beberam mesmo da fonte.

8 – Only the Fakes Survive
Outra tentativa “fracassada” de fazer uma bela balada. Only the Fakes Survive tem o mesmo “problema” de With or Without Control, ela tem sentimentalismo, tem uma veia Pop pulsando lá no fundo, mas subitamente perdida por debaixo de uma tonelada de distorção de guitarra e de uma bateria que não abre mão do chimbal aberto.
Elas sobem o tom na terceira vez que é cantado o refrão, tem um solo de guitarra singelo, mas eficiente, no meio da canção. Só que toda a jovialidade do Rock de Garagem está lá, e francamente? É disso que a gente gosta.

9 – Whirlwind Reaper
De tanto insistir uma hora elas conseguem. Whirlwind Reaper tem uma pegada mais madura, com um sólida linha de baixo e uma interpretação até que comovente de Maria Andersson, parecendo a Joan Jett em suas canções mais cadenciadas.

10 – Fall Into Line
A batida bumbo-caixa com a guitarra envenenada mergulhada no fuzz, lembra muito os conterrâneos do The Hellacopters na fase Grande Rock.
Do mais é um animado Rock de Garagem.

11 – Are You Happy Now?
Tem um quê de Surf Rock a lá The Ventures, Trashmen e os mestres Beach Boys, logo na introdução e também nas estrofes, principalmente por conta do riff de guitarra. Mas no refrão a baterista Josephine Forsman sai da batidinha ie ie ie e faz umas viradas desconcertantes.

12 – Out of the System
É Ramones de novo em Jennie Bomb, dessa vez a semelhança é com The Crusher, canção do último disco da banda, Adios Amigos.

13 – A Perfect Mess
Poderia muito bem Jennie Bomb ter encerrado na faixa anterior, mas ele prosseguiu e apresenta aqui a sua única bola fora em um disco que caminhava à perfeição. A Perfect Mess, que saiu apenas na edição oficial e europeia do álbum, tem efeitos eletrônicos em excesso em uma batida arrastada e repetitiva, que em nada lembra a fúria, a jovialidade, a energia e a displicência das 12 faixas anteriores.
Desnecessária.

O SAHARA HOTNIGHTS HOJE

sahara_hotnights

Pegando carona no sucesso de Jennie Bomb, em 2004 a banda lança Kiss & Tell que ganhou de vez o mercado americano, chegando a ter o seu principal hit, Hot Night Crash, incluída na trilha sonora do jogo de videogame Burnout 3, além do clipe ser veiculado a exaustão na MTV.
Aqui no Brasil, que o nome da banda era uma novidade, quem ajudou a divulgar e apresentou o Sahara Hotnights para muitos foi o músico Chuck Hipolitho, hoje guitarrista e vocalista do Vespas Mandarinas, mas na época era um dos líderes do Forgotten Boys. Chuck vira e mexe se apresentava com uma camiseta da banda e sempre que era entrevistado e perguntado qual era a banda que ele mais ouvia no momento, ele sempre citava as meninas.

Em 2007 a banda lançou What If Leaving Is a Loving Thing, que fez grande sucesso no seu país de origem e bombou com o single Visit to Vienna, mas em termos de sonoridade, tava se distanciando do Sahara elétrico de Jennie Bomb e voltando ao de sonoridade Pop de C’mon, Let’s Pretend.

Em 2009 as meninas lançaram Sparks, que é um disco de covers que conta com Big Me do Foo Fighters em uma versão irreconhecível, além de If You Can’t Give Me Love da Suzi Quatro e Love Will Never Do (Without You) da Janet Jackson.

O disco seguinte, autointitulado, foi lançado em 2011 e não chega a ser um desastre, mas em nada lembra aquela banda barulhenta e espivitada que nos embalava com a simplicidade do seu Rock n’ Roll. Pelo menos elas continuam na ativa e com a mesma formação desde sempre, portanto torcemos por um lapso de genialidade e que um Jennie Bomb Part Two seja lançado em breve.

Até quinta que vem.

Veja as colunas anteriores:
#01: By The Grace Of God – The Hellacopters (2002)
#02: Contraband – Velvet Revolver (2004)
#03: Relationship of Command – At The Drive-In (2000)
#04: Does This Look Infected? – Sum 41 (2002)
#05: Siren Song Of The Counter Culture – Rise Against (2004)
#06: Auf Der Maur – Melissa Auf Der Maur (2004)

Melissa_Auf_Der_Maur_-_Auf_Der_Maur

DISCO: Auf Der Maur
BANDA: Melissa Auf Der Maur
LANÇAMENTO: 2 de fevereiro de 2004
ORIGEM: Canadá
GÊNERO: Hard Rock
FORMAÇÃO DO DISCO: Melissa Auf der Maur (Vocal, Baixo, Guitarra e Teclado), Steve Durand (Guitarra e Backing Vocals), Eric Erlandson (Guitarra), Chris Goss (Guitarra, Piano e Backing Vocals), Josh Homme (Guitarra, Bateria e Backing Vocals), James Iha (Ebow, Guitarra e Backing Vocals), Jeordie White (Guitarra), Jordon Zadorozny (Guitarra), Nick Oliveri (Baixo), Mark Lanegan (Backing vocals), Ana Lenchantin (Cordas), Paz Lenchantin (Cordas), Fernando Vela (Cordas), Kelli Scott (Bateria), John Stanier (Bateria), Atom Willard (Bateria) e Brant Bjork (Bateria)
PRODUCÃO: Melissa Auf Der Maur e Chris Goss (Queens Of The Stone Age, Screaming Trees, Kyuss e Mondo Generator).
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: Black Sabbath, Soundgarden, Smashing Pumpkins, Alice In Chains, Hole, Helmet, Queens Of The Stone Age, Probot e Drain STH.

HISTÓRIA

melissa-auf-der-maur

A carreira musical da estonteante baixista canadense Melissa Auf Der Maur começou no ano de 1993 quando a mesma era estudante na Concordia University no Canadá e formou com alguns amigos a banda Tinker. Foi nesse período que Melissa conheceu Billy Corgan do Smashing Pumpkins e os dois se tornaram grandes amigos, tanto que em 1994, após a morte da baixista Kristen Pfaff do grupo Hole, Billy sugere para vocalista e líder do grupo, Courtney Love, a entrada de Melissa na banda ocupando a vaga de Kristen.

Courtney assentiu e Melissa Auf Der Maur assumiu o posto e já entrando no meio da turnê do segundo disco da banda o raivoso Live Through This (1994). Em 1998 Melissa grava o seu primeiro e único registro de estúdio com a banda, o super mega produzido e hypado Celebrity Skin, que vem recheado de hits como a própria faixa título, além de Malibu, Awful e Reasons To Beautiful. Tudo parecia caminhar perfeitamente bem no reino de Courtney Love, mas no final de 1999 Melissa Auf Der Maur declara a sua saída da banda alegando incompatibilidade de ideias com os demais integrantes, Courtney obviamente, além de manifestar o desejo de iniciar um projeto solo, já que a mesma cantava infinitamente melhor que a sua ex-patroa.

No entanto, antes de embarcar em voo solo, Melissa atendeu prontamente a um convite de um grande e velho amigo, Billy Corgan, que convidou a baixista para integrar o line up do Smashing Pumpkins em sua turnê de despedida, ocupando a vaga deixa pela baixista D’Arcy Wretzky. Com o último disco do grupo, na época o Machina/The Machines of God (2000), já gravado por D’arcy, mas com Melissa nas fotos promocionais e devidamente creditada como a nova integrante do grupo, o Smashing Pumpkins saiu em turnê pelos Estados Unidos que durou todo ano de 2000.

Após a implosão do Smashing Pumpkins em 2001, Melissa Auf Der Maur fez participação especial no cd de diversas bandas e artistas como Rufus Wainwright e a banda francesa Indochine no qual ela cantou na música Le Grand Secret do disco Paradize (2002).

Mas foi finalmente no ano de 2001 que Melissa Auf Der Maur reuniu um time de feras e grandes amigos como Josh Homme e Nick Oliveri (Queens Of The Stone Age), James Iha (ex-Smashing Pumpkins e Tinted Windows), Eric Erlandson (ex-Hole), Paz Lenchantin (ex-A Perfect Circle, ex-Zwan e Pixies), Mark Lanegan e outros grandes nomes, sob a produção dela mesma em parceria com Chris Goss (Masters of Reality) e começou as gravações do seu primeiro disco solo, que foi gravado entre 2001 e 2003 entre a Califórnia e Canadá.

No dia 2 de fevereiro de 2004, finalmente Auf Der Maur vê a luz do sol, Followed The Waves é a escolha certeira para primeiro single do grupo, já emplacando na faixa de clipes da MTV, principalmente no Brasil, e chegando a posição número 8 da US Billboard Heatseekers. O disco em si foi muito elogiado pela crítica especializada, o semanário musical britânico NME (New Music Express) deu oito das dez estrelas usadas para classificação. A revista americana Alternative Press deu quatro das cinco estrelas que possuem, e o jornalista Keith Phipps do The A.V Club teceu inúmeros elogios a estreia da baixista comparando a sua inspiração musical com a de Billy Corgan. A única pessoa que até o instante momento não se pronunciou a respeito da carreira solo de Melissa Auf Der Maur e o seu álbum de estreia foi seu ex-namorado Dave Grohl, que teve um relacionamento com a baixista de 2000 a 2001.

Comercialmente falando, Auf Der Maur vendeu 200 mil cópias no mundo todo, sendo 35 mil apenas nos Estados Unidos. O disco ainda teve mais dois singles, Real a Lie e Taste You, ambos lançados em 2004 também.

FAIXA A FAIXA

1 – Lightning Is My Girl
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal e Baixo), Steve Durand (Guitarra), Jeordie White (Guitarra) e John Stanier (Bateria).
Efeitos fantasmagóricos de guitarra vão dando um tom sombrio até a deusa ruiva sussurrar as palavras Lightning Is My Girl e a canção virar um Hard Rock furioso que faria corar o Vince Neil.

2 – Followed The Waves
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal e Baixo), Josh Homme (Guitarra), Chris Goss (Guitarra), Jordon Zadorozny (Guitarra) e Brant Bjork (Bateria).
Followed The Waves é o principal hit de Auf Der Maur e faz jus em ser a canção que representa todo esse trabalho. Ela é um Soundgarden com Alice In Chains, Black Sabbath e Smashing Pumpkins batidos no mesmo liquidificador e temperado com um ingrediente mais do que especial, a voz angelical de Melissa Auf Der Maur. Mesmo no meio de tanta barulheira a sua voz permanece doce e suave, imprimindo uma característica única.
A versão do clipe é extremamente editada, cortando momentos e climas essenciais, de certo modo, fique com as duas versões abaixo.

3 – Real a Lie
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal, Baixo e Teclado), Steve Durand (Guitarra), Jordon Zadorozny (Guitarra) e John Stanier (Bateria).
Guitarra e baixo tocados juntos na introdução já dão a deixa para esse Pop/Grunge pulsante, de refrão fácil, mas mantendo o clima sombrio das faixas anteriores.
O final tocado no violão e no teclado, enquanto Melissa interpreta o refrão de forma tocante, cria um ambiente meio vaudeville.

4 – Head Unbound
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal, Baixo e Guitarra), James Iha (Guitarra), Chris Goss (Backing Vocals) e John Stanier (Bateria).
Head Unbound começa com uma batida seca e compassada de bateria usando apenas o trio: bumbo, caixa e surdo. E assim, permeia durante toda a canção, e só com quase três minutos de música que os pratos enfim aparecem conduzindo a mesma em uma levada semelhante a Black Hole Sun, clássico do supracitado Soundgarden. No entanto o curto trecho se encerra e a música volta ao habitual.

5 – Taste You
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal, Baixo e Guitarra), Steve Durand (Guitarra), Mark Lanegan (Backing Vocals) e Jordon Zadorozny (Bateria).
Com certeza é a música mais bela de todo o disco, a começar da letra que fala claramente de um casal apaixonado em meio uma transa.
Nessa canção, além do contrabaixo, Melissa assume a Guitarra na gravação e isso é perceptível logo na introdução tocada de forma abafada que casa perfeitamente com os seus vocais sensuais. Mesmo com o clima soturno que assombra todo o álbum com as guitarras pesadas que dão o tom a cada música, aqui em Taste You o que reina é a melodia.
Um dos principais destaques de Taste You é contar com os Backing Vocals de luxo de Mark Lanegan (ex-Screaming Trees e Queens Of The Stone Age).
Na versão deluxe de Auf Der Maur, uma versão em francês de Taste You entra como bônus.

6 – Beast of Honor
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal e Baixo), Steve Durand (Guitarra), Jordon Zadorozny (Guitarra) e Kelli Scott (Bateria).
Da sutileza de Taste You para a petulância de um cavalo em Beast Of Honor. A guitarra que na anterior começava limpa, aqui já inicia distorcida até a bateria entrar de maneira forte e sermos entregues a melodia pesada que mais parece um Black Sabbath repaginado. O mais curioso disso tudo é que em momento algum Melissa berra, grita, faz guturais à Angela Glasgow ou até mesmo vocais líricos, como são comuns em canções assim. Ela canta com tudo com a sua voz suave o que dá, de certo modo, um toque pra lá de especial.

7 – I’ll Be Anything You Want
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal e Teclado), Josh Homme (Guitarra), Chris Goss (Guitarra), Steve Durand (Guitarra), Jordon Zadorozny (Guitarra), Nick Oliveri (Baixo) e John Stanier (Bateria).
Sem sombra de dúvidas é a canção mais Pop, comercial, alegre, mas não menos brilhante de Auf Der Maur. I’II Be Anything You Want que começa com uma batida meio “Striptease de Pin Up”, Melissa brinca com a voz, vai de agudos estridentes a risadas soltas no meio da canção. A letra é muito divertida e o refrão é contagiante e para cantar junto.
Além de Josh Homme na guitarra, a música ainda conta com Nick Oliveri, na época também do Queens Of The Stone Age, fazendo o Baixo.
Um alento preciso em um álbum tão denso e sombrio.

8 – My Foggy Notion
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal e Baixo), Josh Homme (Guitarra), Jordon Zadorozny (Guitarra), Ana Lenchantin (Cordas), Paz Lenchantin (Cordas), Fernando Vela (Cordas) e Brant Bjork (Bateria).
Da sua breve passagem no Smashing Pumpkins, Melissa trouxe de influência para o Auf Der Maur os elementos que estão presentes nessa música. My Foggy Notion tem as guitarras pesadas, gravadas por Josh Homme junto com Jordon Zadorozny, melodia arrastada, e um arranjo de cordas gravados pelas irmãs Ana e Paz Lenchantin, essa última aliás já teve passagens no A Perfect Circle e Zwan como baixista, e hoje ocupa o eterno posto de Kim Deal no Pixies.

9 – Would If I Could
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal e Baixo), Eric Erlandson (Guitarra), Jordon Zadorozny (Guitarra) e Atom Willard (Bateria).
Essa é sem sombra de dúvidas a que mais se parece com a sua antiga banda, o Hole, não é à toa que ela conta com a participação mais do que especial do ex-guitarrista e mentor musical do grupo, Eric Erlandson.
Depois da breve introdução de guitarra sem distorção com a bateria batendo ao mesmo tempo a caixa e o surdo, só faltou entrar a voz de Courtney Love, pois a canção soaria perfeitamente no tracklist de Celebrity Skin (1998). Não é festeira como I’II Be Anything You Want, mas carrega em si uma leveza e um sentimentalismo Pop, apesar das guitarras pesadas de Erlandson e Zardorozny no refrão final. Would If I Could ainda conta com Atom Willard (na época no The Offspring) na bateria.
E a semelhança com o Hole nos leva a reflexão: Por que não era a própria Melissa a vocalista da banda já que ela canta infinitamente melhor que Courtney Love?

10 – Overpower Thee
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal) e Chris Goss (Piano).
A única bola fora de todo o disco. Tocada só no piano, gravado por Chris Goss, e com o vocal sussurrado de Melissa acompanhando, ela te obriga a usar o seu dedo indicador e passar para próxima faixa, que essa sim vale muito a pena.

11 – Skin Receiver
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal), James Iha (Guitarra e Backing Vocals), Chris Goss (Guitarra), Steve Durand (Guitarra e Backing Vocals), Josh Homme (Backing Vocals), Nick Oliveri (Baixo e Backing Vocals) e John Stanier (Bateria).
O “relincho” do cavalo na introdução é a deixa mais do que perfeita para o que esperar da música, uma batida cavalgada muito utilizada por bandas de metal como Iron Maiden, Saxon, Judas Priest. No refrão o pesado riff de guitarra dá lugar ára uma melodia harmoniosa quase Pop, mas que encaixa perfeitamente com a proposta musical.
O grande destaque vai para o line up que gravou a canção, que conta com um timaço de feras: James Iha, Chris Goss e Steve Durand nas guitarras, e a dobradinha Queens Of The Stone Age de novo com Nick Oliveri no Baixo e Josh Homme nos Backing Vocals.

12 – I Need I Want I Will
Line Up:
Melissa Auf Der Maur (Vocal e Teclado), Josh Homme (Guitarra, Bateria e Backing Vocals), Chris Goss (Backing Vocals) e Nick Oliveri (Baixo).
Não é ruim, mas um álbum desse quilate merecia um encerramento melhor. A melodia é repetitiva, a estrofe é praticamente falada e com a voz repleta de efeitos quase robóticos, enquanto apenas o refrão, também repetitivo, soa agradável aos ouvidos.

A MELISSA AUF DER MAUR HOJE

Melissa 2

Após o lançamento de Auf Der Maur, Melissa embarcou em uma turnê mundial que passou pela Europa, Ásia e pela América do Norte. Após o fim da turnê a baixista entrou no estúdio e começou a gravar o seu segundo disco solo que só foi lançado depois de seis do seu antecessor.

Out of Our Minds (2010) também foi produzido por Chris Goss e conta com a participação de um timaço de feras como Josh Freese na bateria, James Iha na guitarra e Glen Danzig nos vocais. Mas mesmo assim Out of Our Minds passou despercebido por muitos ouvidos e não teve o mesmo clamor e adoração do trabalho anterior. Sem contar que na época do lançamento, Melissa contraiu a gripe Influeza H1N1, a chamada “Gripe do Frango” e teve que adiar algumas datas e ficar de repouso.

Melissa Auf Der Maur hoje tem trabalhado como fotógrafa profissional e ao lado do seu marido, o diretor de filmes indie Tony Stone, tem um filho chamado River de quatro anos de idade. Musicalmente falando, Melissa não lançou mais nada após Out of Our Minds e pouco se envolveu com música. No ano de 2014 Melissa se reuniu com a formação clássica do Hole: Patty Schemel (Bateria), Eric Erlandson (Guitarra) e Courtney Love (Vocal e Guitarra), depois de 14 anos, em um evento que marcava o lançamento do documentário que conta a conturbada vida da baterista Patty Schemel e juntos tocaram a canção Miss World. Depois dessa apresentação muito se falou da volta do Hole com a formação original, mas até o instante momento nada foi confirmado.

Até quinta que vem.

Veja as colunas anteriores:
#01: By The Grace Of God – The Hellacopters (2002)
#02: Contraband – Velvet Revolver (2004)
#03: Relationship of Command – At The Drive-In (2000)
#04: Does This Look Infected? – Sum 41 (2002)
#05: Siren Song Of The Counter Culture – Rise Against (2004)

siren-song-of-the-counter-culture

DISCO: Siren Song Of The Counter Culture
BANDA: Rise Against
LANÇAMENTO: 10 de agosto de 2004
ORIGEM: Estados Unidos
GÊNERO: Punk/Hardcore
FORMAÇÃO DO DISCO: Tim McIlrath (Vocal e Guitarra), Chris Chasse (Guitarra e Vocal), Joe Principe (Baixo e Vocal) e Brandon Barnes (Bateria)
PRODUCÃO: Garth Richardson (Red Hot Chili Peppers, L7, Sick of It All e Rage Against The Machine).
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: Bad Religion, Black Flag, Face To Face, Circle Jerks, Comeback Kid, Social Distortion, Minor Threat, Pennywise, NOFX, Descendents, Nirvana, Garage Fuzz e Dead Fish.

HISTÓRIA

Rise Against

Sabe aquela famosa história do simples projeto musical que reunia integrantes de algumas bandas já conhecidas da cena musical, mas que acabou se tornando muito maior do que elas próprias? Hellacopters, Foo Fighters e Queens Of The Stone Age são grandes exemplos, mas inclua nessa lista também o Rise Against.

Formado na cidade americana de Chicago no ano de 1999, o Rise Against contava em sua formação com Joe Principe (Baixo) e Dan Wlekinski (Guitarra), ambos do 88 Fingers Louie, além de Toni Tintari, ex-baterista do Shai Hulud, e Tim McIlrath ex-vocalista do Baxter do The Killing Tree. Com nome de Transistor Revolt, a banda lança a sua primeira demo em 2000, chamando a atenção da tradicional gravadora Fat Wreck Chords do Fat Mike do NOFX, que lançou os dois primeiros e importantíssimos álbuns do grupo (agora já chamado Rise Against) o The Unraveling (2001) e Revolutions Per Minute (2003). O último disco alias causou enorme burburinho na cena alternativa, graças aos singles Heaven Knows e Like The Angel, que tocava nas rádios universitárias e tinha o seu clipe, no caso de Heaven Knows, repetido à exaustão na MTV2, uma espécie de MTV voltada para a música independente.

Tanto frisson, fez a banda ser contratada pelo selo Dreamworks Records, do mesmo conglomerado do estúdio de cinema Dreamworks, ambos sob a direção de Steven Spielberg. Acontece que a Dreamworks acabou sendo vendida para Universal Music e dentro desse conglomerado estava a nostálgica Geffen casa de artistas como o Nirvana, Guns N’ Roses, Sonic Youth e Audioslave. A Geffen assumiu para si o Rise Against e se comprometeu a lançar o próximo álbum da banda.

As gravações do novo disco aconteceram entre dezembro de 2003 e Maio de 2004 em dois estúdios diferentes o Plumper Mountain Sound e o The Warehouse Studio, ambos no Canadá. Já com contando com o baterista Brandon Barnes, que estava na banda desde o The Unraveling e com o guitarrista Chris Chasse. A produção ficou a cargo do produtor e engenheiro de áudio Garth Richardson, que já trabalhou com nomes como Red Hot Chili Peppers (Mother’s Milk), L7 (Hungry for Stink) e o primeiro disco o Rage Against The Machine.

No dia 10 de agosto de 2004, finalmente Siren Song Of The Counter Culture é lançado, já alçando o Rise Against ao status de a próxima banda de Punk Rock a conquistar o mainstream como aconteceu com o The Offspring em 1994. Só nos Estados Unidos o disco vendeu meio milhão de cópias chegando a faturar disco de ouro. No Canadá a banda vendeu 100 mil cópias e na Austrália foram 35 mil. O disco entrou na posição 136º da Billboard na semana de lançamento nos Estados Unidos.

Importante ressaltar que mesmo com todos esses números e o tal sucesso repentino, em Siren Song Of The Counter Culture foram mantidos dois dos principais princípios do Rise Against, a sua sonoridade agressiva e principalmente e o seu discurso progressista sempre a favor das minorias e voltados as causas humanitárias, sociais e ambientais.

FAIXA A FAIXA

1 – State Of The Union
E de repente, baixo e guitarra vão deslizando brutalmente os seus acordes, enquanto a bateria acompanha o andamento sendo espancada sem dó. Tudo isso fazendo a cama para um insano Tim McIlrath berrar as suas palavras de ordem contra o, na época, governo Bush.
Abertura melhor do que essa impossível.

2 – The First Drop
Uma rápida virada na bateria é a deixa para um Hardcore Melódico circa Bad Religion na fase The Process of Belief (2002) invadir os alto falantes.

3 – Life Less Frightening
A levada da guitarra tocada na introdução denuncia o que esperar de Life Less Frightening. Um Poppy Punk empolgante, mas que em nada lembra o clima ensolarado do mesmo estilo feito na California, pelo contrário, os berros ensandecidos de Tim clamando por uma vida menos assustadora, confirma a tese.
Life Less Frightening foi o terceiro e último single de Siren… é uma das músicas mais queridas dos fãs, mas que infelizmente tem sido esquecida do repertório da banda a cada nova turnê. Uma pena.

4 – Paper Wings
Aqui a guitarra também dita ordem, mas o que se ouve ao fim da introdução é um veloz Hardcore Melódico, com algumas passagens Punk que casam perfeitamente com o vocal rouco e agressivo de Tim, que a título de curiosidade é responsável pelo solo de guitarra no meio da canção. Mesmo não sendo single do disco, ela é uma das preferidas dos fãs do grupo e vira e mexe de forma surpreendente ela pinta em alguns setlist da banda.

5 – Blood to Bleed
Quem brilha na introdução de Blood to Bleed é o baixo de Joe Principe que acaba dando toda tônica a canção que soa como uma “Valsa Punk” angustiante. Os berros finais de Tim são o ponto máximo.

6 – To Them These Streets Belong
O pedal seco batendo no bumbo da bateria de forma compassada já denuncia o caos a seguir. To Them These Streets Belong é um Hardcore veloz no qual peso e melodia se fundem na mesma canção.

7 – Tip The Scales
Um Punk Rock simples de estrutura, mas técnico de melodia, emulando um Black Flag em seus momentos mais inspirados, como no álbum Slip It In (1984).

8 – Anywhere But Here
Basicamente uma continuação mais do que perfeita de Paper Wings, tanto na estrutura musical, que é nada mais nada menos que um Hardcore veloz com passagens melódicas e displicentes. Como na letra de punho social e ideológico, que são as marcas registradas do Rise Against.

9 – Give It All
Talvez ao lado de Heaven Knows e Ready To Fall seja o maior hino musical do Rise Against. Give It All foi o primeiro single de Siren… foi lançado três meses depois do álbum e logo ocupou a posição 37 da Billboard Alternative Songs. Give It All é também uma das duas únicas canções do disco que possui videoclipe, e que videoclipe meus amigos! Vale e muito a pena conferir a baixo.
A canção é um Punk Rock forte com passagens melódicas, lembrando muito a grande influência do grupo, o Black Flag. A letra é um manifesto claro contra o corporativismo que assola e escraviza toda humanidade.
O trecho inicial:

Atravesso a ressaca do mar
pareço não conseguir encontrar suas mãos
A poluição queima a minha língua
Tusso as palavras que eu não consigo falar.

É uma visão poética das grandes empresas que poluem o meio ambiente.

10 – Dancing for Rain
Ela começa singelamente tocada no violão e após um pequeno break ela mergulha de cabeça em um Hardcore Melódico cheio de velocidade e com um final insano com Tim McIlrath aos berros.
Dancing For Rain conta também com a participação do músico Nicholas Simons tocando Violoncelo.

11 – Swing Life Away
Aqui o violão reaparece, mas ao contrário da faixa anterior, aqui ele fica a música inteira, sendo o único instrumento da mesma e uma das mais belas baladas do Rise Against, e mesmo que ela soa deslocada do resto da proposta do álbum, acredite ela cumpre bem o seu papel. Não é à toa que ela foi o segundo single do disco, e ao lado de Give It All é a única que possuí videoclipe.
Existem duas versões de Swing Life Away, a do próprio álbum, que é maior, no refrão ela tem uma sutil levada de percussão, conta no meio da música com um solo de violão e mais uma vez com a participação de Nicholas Simons no Violoncelo. E há uma versão editada, mais curta, sem o solo de violão e sem a percussão, que foi lançada na compilação Punk Goes Acoustic. Pra quem não tem a versão física de Siren… e baixou o mesmo nos torrentes da vida, as chances de ter sido “contemplado” com a segunda versão de Swing Life Away é grande.

12 – Rumors of My Demise Have Been Greatly Exaggerated
A melhor maneira de encerrar o disco é com uma canção que traz de forma absoluta todos os elementos que permearam durante toda a obra. Rumors… é um resumo de todo Siren… ele é um Punk Rock melódico, com guitarras oitavas, bateria reta, fazendo a cama para a voz agressiva de Tim McIlrath reinar e berrar no meio da canção. E claro sem esquecer do cunho político e ideológico.
A melhor forma de dizer adeus.

O RISE AGAINST HOJE

riseagainst-1377202545

De todas as bandas abordadas aqui na nossa coluna, o Rise Against foi a única que não encerrou as atividades, deu um tempo, ou entrou em hiato e depois voltou a ativa. Pelo contrário, de Siren Song Of The Counter Culture pra cá o Rise Against só tem crescido. No entanto o que é para ser comemorado com alegria vira uma incógnita a partir do momento que lá pra cá o som da banda mudou e muito.

Depois de Siren… o Rise Against lançou o disco The Sufferer & the Witness (2006) que comercialmente falando se saiu ainda melhor que o seu antecessor e emplacando logo de cara três hits: Ready To Fall, Prayer of the Refugee e The Good Left Undone. Esse ficou marcado como o último do guitarrista Chris Chasse que deixaria a banda no ano seguinte. Em 2008 já com Zach Blair no lugar, a banda lança o Appeal to Reason e é exatamente aí que começa o declínio musical do Rise Against. Sai a produção cheia de punch e veracidade e entra um trabalho limpo, brilhante e pomposo, assinado pelo mestre Bill Stevenson, baterista do Descendents, do All e do Black Flag e que já havia produzido dois trabalhos da banda, o Revolutions Per Minute e o próprio The Sufferer… Mas produção a parte, o que falta em Appeal To Reason são canções energéticas, agressivas, velozes e pesadas como em outrora.

Em 2011 finalmente a banda vem pela primeira vez (O FBM cobriu o show aqui) e no mesmo ano lança o novo álbum Endgame que vem na mesma pegada anêmica do antecessor (resenha aqui).

Em 2014 a banda lança o seu mais recente trabalho The Black Market (também resenhado aqui), que afastou de vez o espírito pulsante e enérgico de outrora.

E ficamos aqui na esperança de um novo Siren Song Of The Counter Culture.

Até quinta que vem.

Veja as colunas anteriores:
#01: By The Grace Of God – The Hellacopters (2002)
#02: Contraband – Velvet Revolver (2004)
#03: Relationship of Command – At The Drive-In (2000)
#04: Does This Look Infected? – Sum 41 (2002)

0044006356020

DISCO: Does This Look Infected?
BANDA: Sum 41
LANÇAMENTO: 26 de novembro de 2002
ORIGEM: Canadá
GÊNERO: Punk/Hardcore
FORMAÇÃO DO DISCO: Deryck Whibley (Vocal e Guitarra), Dave Baksh (Guitarra e Vocal), Jason McCaslin (Baixo) e Steve Jocz (Bateria)
PRODUCÃO: Greig Nori (Iggy Pop, Marianas Trench, Hedley, The New Cities)
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: The Offspring, Green Day, Blink 182, New Found Glory, Pennywise, Face To Face, Iron Maiden, Metallica, Megadeth e Beastie Boys.

HISTÓRIA

Music_Sum_41_004791_

A trajetória do Sum 41 começou no ano de 1996 no Canadá, quando o, até então apenas guitarrista, Deryck Whibley e o baterista Steve Jocz montou a banda que a princípio atendia pelo nome de Kaspir e fazia cover do NOFX.
Após o lançamento do primeiro disco, Half Hour of Power (2000) e a entrada dos integrantes Jason McCaslin (Baixo) e Dave Baksh (Guitarra), o Sum 41 começou a despontar no cenário musical alternativo, a ponto de ser contratado pela Island Records, afim de ser uma resposta ao trio californiano de Poppy Punk, Blink 182.

Em 2001 a banda lançou o seu segundo disco, All Killer No Filler (2001), que foi um grandioso sucesso e teve duas canções inclusas na comédia adolescente American Pie, os hits Fat Lip e In Too Deep.

Apesar de toda veia melódica, a banda já tinha um pé no Heavy Metal, muito da influência foi advinda do guitarrista Dave Baksh, que é um grande fã do gênero. E foi com essas influências e com a moral lá em cima com a gravadora, que o quarteto se trancou no estúdio em 2002, com o produtor canadense Greig Nori, e pariu um dos álbuns mais sensacionais, pesados e anticomerciais – que acabou sendo muito bem comercializado posteriormente – da história do Punk/Hardcore, pós anos 2000.

Does This Look Infected? foi lançado no dia 26 de novembro de 2002 e pode ser considerado um dos discos mais diversos, coeso e maduro do Sum 41. Mas um amadurecimento eficiente, afinal de contas, houve evolução na sonoridade da banda e não regresso como é comum acontecer com as demais bandas do gênero, como aconteceu com o supracitado Blink 182, além do Green Day e do The Offspring.

Comercialmente falando, Does This Look Infected? foi um imenso sucesso, não muito superior que o seu antecessor, mas vendeu bem, chegando a um total de 860 mil cópias no mundo todo. Além de ter ampliado o mercado da banda que se tornou uma febre no Japão, chegando a registrar um show da mesma lá nas terras nipônicas, durante a turnê do disco, no DVD Sake Bombs and Happy Endings (2003).

Antes de todo esse bundamolismo musical que assola não apenas o rock, mas toda a industria fonográfica, o Sum 41 usou o sistema para corrompê-lo, e Does This Look Infected? foi a prova concreta.

FAIXA A FAIXA

1 – The Hell Song
O primeiro som que se ouve de Does This Look Infected? É de uma forte escarrada seguida de um cuspe, mas a breve nojenta introdução é interrompida por maravilhoso riff de guitarra bem marcante, feito com maestria por Dave Baksh.
The Hell Song foi o segundo single do álbum, escolha certeira por dois lados. Primeiro, porque ela tem o seu apelo comercial, é Poppy Punk e acessível, no entanto, ela tem uma levada pesada, com riffs fortes e um refrão explosivo.
Vale muito a pena conferir também o clipe da canção que é hilário.

2 – Over My Head (Better Off Dead)
É a guitarra de Dave Baksh que comanda Does This Look Infected? Todas as músicas começam com ela, e percebe claramente a forte influência Heavy Metal no músico, pois a maioria dos seus riffs tem que de Iron Maiden e Megadeth, e o riff inicial de Over My Head (Better Off Dead), canção que também virou single, deixa claro essa devoção.

3 – My Direction
My Direction já começa direta, reta e no refrão, em uma levada Poppy Punk, mas que durante as estrofes cai em um veloz Hardcore.

4 – Still Waiting
Aqui é o que podemos chamar de divisor de águas da banda. Still Waiting sepulta qualquer comparação existente do Sum 41 com o Green Day, Blink 182 e qualquer outra banda de Poppy Punk. É justamente nessa canção que eles levam a sua música a um patamar acima dos demais. O começo com a guitarra abafada e Deryck sussurrando os versos iniciais, cria um suspense para a catarse a seguir. Still Waiting é Punk, mas tem fortes elementos de Metal no meio, como, as guitarras pesadas e oitavadas, o pedal duplo na bateria e os vocais alcançando tons altíssimos.
O clipe da música merece e muito ser visto também, afinal mostra como funciona o establishment musical, com os produtores e empresários mandando e ditando regras de como a banda deve funcionar e agir. Além de soar como uma crítica as bandas de Rock chinfrim surgidas na virada do milênio como The Strokes e The Vines.

5 – A.N.I.C.
Com apenas 34 segundos, A.N.I.C. é um Punk Metal furioso com guitarras pesadas e viradas desconcertantes na bateria.

6 – No Brains
No Brains tem uma levada Hip-Hop à Beastie Boys, uma das grandes influencias do grupo, mas sem os vocais falados como é costumeiro nesse tipo de som. O refrão se transforma em um Hardcore furioso. Além dessa salada louca, No Brains conta com um solo inspiradíssimo de Dave Baksh no meio da mesma.

7 – All Messed Up
Talvez seja All Messed Up a canção mais que se parece com o Sum 41 dos discos anteriores, pendendo para o lado do Poppy Punk, com um refrão chiclete e uma melodia mais agradável e festeira, mas apesar de todo esse brilhantismo ela não foge da estética incorporada em Does This Look Infected? e tem a sua dose cavalar de guitarra pesada.

8 – Mr Amsterdam
Saindo do Poppy Punk de All Messed Up e desembocando no Metal à Megadeth em Mr. Amsterdam com direito a guitarra dobrada já na introdução, riffs cavalgados, bateria usando e abusando do pedal duplo e alguns guturais perdidos no meio. Sensacional.

9 – Thanks For Nothing
A calma guitarra na introdução denuncia uma balada que irá acalmar os ânimos de quem chegou até aqui. Mas ledo engano, Thanks For Nothing começa com um Punk Rock circa Pennywise (fase About Time), que logo cai em um Hip-Hop! a lá Beastie Boys, dessa vez sim com vocais falados, feitos pelo baterista Steve Jocz, até cair no Punk Rock de novo, e sermos surpreendidos com um trecho Metal com guitarras dobradas e pedais duplo na bateria.

10 – Hyper-Insomnia-Para-Condrioid
E tome mais guitarras e baterias pesadas e vocais berrados nessa canção doentia que fala dos transtornos psicológicos causados pela insônia.

11 – Billy Spleen
Mais Punk Metal em Does This Look Infected? A influência da vez em Billy Spleen é o Pantera, com guitarras dropadas fazendo riffs pesando uma tonelada e uma bateria que intercala entre o groove e o Hardcore, sem esquecer é claro do pedal duplo. Isso sem mencionar os vocais berrados de Deryck e Dave.

11 – Hooch
A introdução tocada na guitarra lembra muito The Offspring fase Conspiracy of One. Do mais a música segue o conceito implantado no disco, é Punk, mas tem peso de Heavy Metal, com direito a um solo de guitarra de Dave que cairia perfeitamente em qualquer música do Iron Maiden. Por fim ela encerra de forma singela e sublime, com a bateria abaixando o ritmo, a guitarra desligando a distorção e vocal sussurrando os versos finais.

O SUM 41 HOJE

sum41 2015

Após o lançamento de Does This Look Infected? a banda fez um extensa turnê pelos Estados Unidos, Japão e Europa, mas logo voltou para os estúdios para registrar mais um novo trabalho. Chuck (2004), o quarto disco do Sum 41, trazia os elementos pesados do seu antecessor mas mesclava fortemente com a música Pop. A divisão sonora perceptível já demonstrava o racha que a banda sofreria anos depois. Dave Baksh, fã de Heavy Metal e descontente com o rumo musical que a banda estava tomando, deixou a mesma para se dedicar ao seu grupo de Metal chamado Brown Brigade. Como um trio a banda lançou o disco Underclass Hero (2007), que muito flertava com o Poppy Punk e havia se desprendido de vez do peso de outrora.

Em 2010 a banda lança o sexto disco, Screaming Bloody Murder, tenta sem sucesso resgatar o peso e a temática Punk Heavy da fase Does This Look Infected?, mas a verdade era que o Sum 41 já não falava mais com a nova geração e até mesmo com o seu antigo público. E assim ela foi caindo no ostracismo, até o momento que o guitarrista Dave Baksh voltou para banda no meio do ano passado e a mesma anunciou as gravações de um novo disco.

Da formação de que gravou Does This Look Infected? apenas o baterista Steve Jocz não está mais no Sum 41, para o seu lugar entrou Frank Zummo. Com saída de Dave Baksh em 2007, entrou para o seu lugar o guitarrista Tom Thacker. E agora com Dave de volta ao posto, Tom permanece na banda, e assim como o Iron Maiden, uma das grandes influências do grupo, o Sum 41 tem em sua formação um trio de guitarristas.

Um facho de esperança surgiu no coração dos fãs mais ardosos, e que bom. Afinal de contas, uma banda que lançou um petardo sonoro como Does This Look Infected? não merecia ter um fim melancólico.

Até quinta que vem (prometo!)

Veja as colunas anteriores:
#01: By The Grace Of God – The Hellacopters (2002)
#02: Contraband – Velvet Revolver (2004)
#03: Relationship of Command – At The Drive-In (2000)

 

 

 

At The Drive-in

DISCO: Relationship of Command
BANDA: At The Drive-In
LANÇAMENTO: 12 de setembro de 2000
ORIGEM: Estados Unidos
GÊNERO: Post-Hardcore
FORMAÇÃO DO DISCO: Cedric Bixler (Vocal, Percussão e Sintetizadores), Omar Rodríguez (Guitarra e Vocal), Jim Ward (Guitarra, Teclado e Vocal), Paul Hinojos (Baixo) e Tony Hajjar (Bateria)
PRODUCÃO: Ross Robinson (Sepultura, Korn, Slipknot e Limp Bizkit)
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: MC5, Fugazi, Bad Brains, Sunny Day Real Estate, Pink Floyd, The Stooges, Hüsker Dü, Sonic Youth, Biffy Clyro, James Brown, Funkadelic, Parliament e George Clinton.

HISTÓRIA

At The Drive-In

At The Drive-In

Formado no ano de 1993 na cidade de El Paso, no Texas, o At The Drive-In é o que podemos classificar de um dos grupos mais criativos, inventivos e diferentes da cena musical da década. Claramente influenciados pelo Hardcore Melódico de Washington DC, de bandas como, Minor Threat, Bad Brains, Rites Of Spring e Fugazi, o grupo ainda adiciona em seu caldeirão musical, psicodelia, elementos do Rock Progressivo de Pink Floyd e Yes, e até mesmo o groove e o swing da Soul Music.

A primeira formação do At The Drive-In contava com o Cedric Bixler nos vocais, Jim Ward na guitarra, Jarrett Wrenn na outra guitarra, Kenny Hopper no baixo e Bernie Rincon na bateria. Com esse line up, o grupo gravou o EP Hell Paso (1994). Em 1996 Omar Rodríguez entra na banda, a princípio como baixista, gravando o primeiro álbum, o Acrobatic Tenement (1996), no mesmo ano, após o lançamento do disco, Paul Hinojos e Tony Hajjar entram na banda assumindo os postos de baixista e baterista, respectivamente, deixando Omar livre para assumir a segunda guitarra do grupo e assim consolidar a formação mais emblemática da banda, que lançaria os EP’S: El Gran Orgo (1997) e Vaya (1999) e os álbuns In/Casino/Out (1998) e Relationship of Command.

No começo de janeiro de 2000, a banda assina com o selo independente DEN Records e começa as gravações do disco que viria a ser o Relationship…, sob a produção de Ross Robinson, que já havia trabalhado com o Sepultura no disco Roots e no álbum de estreia do Korn, a mixagem e masterização ficou a cargo de Andy Walace, que também já havia trabalhado com o Sepultura. Durante as gravações do disco, a DEN Records se funde com a Grand Royal Records, gravadora criada pelos membros do Beastie Boys após deixarem a Def Jam Recordings do produtor Rick Rubin, e assim Relationship of Command se torna um dos principais lançamentos do selo naquele ano.

No dia 12 de setembro de 2000, o álbum enfim é lançado e nota-se uma tremenda evolução no aspecto musical e instrumental da banda. As composições estão mais complexas, fortes e pesadas, a produção, mesmo que cristalina, não tirou o característico peso e brutalidade das canções, que soam sônicas, velozes destrutivas e ao mesmo tempo melódicas, sensíveis e belas.

Relationship of Command foi o disco que levou o som do At The Drive-In ao grande público. O foi o primeiro trabalho da banda que gerou os primeiros singles do conjunto: One Armed Scissor, Invalid Litter Dept. e Rolodex Propaganda, esse último conta com a participação mais do que especial do ídolo Iggy Pop. O disco chegou a figurar as listas dos mais vendidos em diversos lugares do mundo, ficando em 33º lugar na UK Albums Chart do Reino Unido, em 25º na Australian Albums Chart da Australia, além de figurar a posição 116º na Billboard 200 e durante uma semana apareceu no topo do acompanhamento semanal da Billboard Heatseekers. Sem contar as menções em diversas revistas do segmento musical como a edição da Guitar Player de 2006 que colocou Relationship… na posição 94º da lista dos 100 melhores discos de guitarras de todos os tempos.

Definitivamente é o álbum que apresenta para o mundo a força e o poder do At The Drive-In.

 

FAIXA A FAIXA

1 – Arcarsenal
Uma bateria tribal chama o início da canção que vai criando um ambiente fantasmagórico com o baixo fazendo a cabeça das notas e as duas guitarras solando frases diferentes, mas se completando. Até surgir um pequeno break ficando apenas o baixo distorcido para de repente entrar uma paulada sônica e pesada, até finalmente os vocais de Cedric aparecerem cantando de forma berrada e insana em cima de uma melodia funkeada e grooveada.
Se o James Brown cantasse Hardcore, com certeza Arcarsenal seria a sua primeira música de trabalho.

2 – Pattern Against User
Mal acaba a insanidade berrada da faixa anterior, uma virada de bateria seguida pelo grito Yeah de Cedric já anuncia a próxima faixa de Relationship… Pattern Against User mantém o pique Soul Core, com batidas swingadas, passagens melódicas com os vocais chegando a sussurrar alguns trechos, mas as guitarras continuam gritantes e o baixão distorcido dando toda tônica a canção.
Quando as músicas do At The Drive-In começaram a chegar no Brasil com a proliferação da internet nos anos 2000, Pattern Against User era a que mais causava reboliço entre os fãs pelo fato de antes de refrão o guitarrista Jim Ward canta algo impronunciável que ninguém entendia, muitos achararam até que Jim estivesse falando Badauí (o nome do vocalista do CPM 22) antes de Cedric cantar “Pattern Against User, dilated, bastards waiting for nothing”.

3 – One Armed Scissor
O hit supremo do At The Drive-In. Quem não conhece a banda, mas que tem um pouquinho de conhecimento de Rock com certeza já ouviu essa canção que é emblemática e destrutiva.
A introdução dela já é explosiva, tocando um curtíssimo trecho do empolgante refrão que virá a seguir. Do resto ela vai criando um ambiente suspense com a bateria fazendo rimshot (técnica que a baqueta bate no aro da caixinha da bateria), o baixo vai seguindo as linhas vocais faladas de Cedric e enquanto a guitarra de Jim Ward vai dedilhando singelamente, a de Omar Rodríguez vai esgoelando distorções à Thurston Moore, até finalmente entrar no refrão pesado e ao mesmo tempo chiclete: “Cut away, cut away Send transmission to The one armed scissor”.

4 – Sleepwalk Capsules
Já inicia esporrenta com a banda toda entrando junto e Cedric berrando insanamente os rápidos versos: “Taser taser kindergarten nap nap time pacifier pacifies”. A bateria leva a música toca praticamente no prato de ataque que é espancado furiosamente.
Após o segundo refrão a canção entra em um ritmo cadenciado com guitarras dedilhadas e Cedric sussurrando as palavras: “Lazarus threw the party, lazarus threw the fight, snuck inside the sound of sleep” até voltar a catarse inicial.

5 – Invalid Litter Dept.
Depois de toda insanidade e explosão inicial, Relationship of Command dá o seu primeiro respiro com a belíssima e tocante balada Invalid Litter Dept.
A letra da canção é tristíssima e ao mesmo tempo um lamento pulsante e inconformado em relação aos 700 homicídios que aconteceram na cidade de Juárez no México, desde 1993, no qual as vítimas foram apenas mulheres.
No clipe abaixo é possível ver os locais que ocorreram os assassinatos e um relato escrito de cada um deles.
O grito desesperador de Cedric no trecho final da canção resume o sentimento revoltante de todo o contexto da música.

6 – Mannequin Republic
Uma alta microfonia toma conta da introdução, até a banda toda entrar em uma batida compassada que se transforma em um Hardcore à Bad Brains, com destaque para a sólida linha de baixo, e com um refrão funkeado. Empolgante, barulhenta e insana.

7 – Enfilade
É uma das canções mais esquizofrênicas do disco, primeiro que começa com uma ligação de um suposto sequestrador falando com “mãe leopardo” dizendo que está com a “sua cria” e o valor do resgate será “Dez mil nozes da marca Kola, que devem ser embrulhadas em um papel marrom e colocadas atrás da caixa a meia noite”, no final ele se despede dizendo: “Eu serei a Hiena, você verá” (A título de curiosidade, esse trecho inspirou o nome da banda brasileira de Hardcore Instrumental ‘Eu Serei a Hiena’).
Se a loucura ficasse apenas nessa curta introdução, a música em si é uma insanidade ambulante com batidas eletrônicas logo no início, com vocais dobrados e após um pequeno break no qual percussões são tocadas em claro ritmo latino, o refrão vem um poderoso Eletro-Rock de fazer o Skrillex corar.

8 – Rolodex Propaganda
Para muitos a canção mais importante do disco, pelo simples motivo de ter a participação mais do que especial do pai do Punk Rock, Iggy Pop, cantando com a sua voz gravíssima, hilária e arrastada todos os versos junto com a voz aguda e berrada de Cedric. Mas o brilhantismo de Rolodex Propaganda vai muito mais além, a começar pelo fato de Cedric assumir a guitarra base na gravação (e também nos shows) enquanto Jim Ward toca teclado, sintetizadores e maracas.

9 – Quarantined
Começa com trovões, barulho de chuva no telhado, até um “baixão” surgir gravemente tocando as notas da canção, enquanto os instrumentos vão entrando um a um sutilmente, até um pequeno break (perceberam que a banda adora pausar as suas músicas para criar o ambiente a seguir) dá a deixa para uma melodia cadenciada e mais puxada para a Soul Music. O Baixo de Paul Hinojos é com certeza a grande estrela da música que além de brilhar na introdução, também faz um solo magistral no meio canção.

10 – Cosmonaut
Quarantined foi apenas um fôlego para o caos a seguir que é Cosmonaut. A sua batida na introdução é impossível classificar, somada com a característica guitarra de Omar cuspindo um solo catatônico. Cedric berra frases velozes em cima de um Soul Core furioso.
Não há como explicar, tem que ouvir.

11 – Non-Zero Possibility
Na versão oficial do álbum essa é a última canção. Na outra relançada em 2004 pela gravadora Fearless Records, o disco ainda conta com os b-sides Extracurricular e Catacombs.
Mas a melhor maneira de encerrar um álbum vulcânico, pesado, insano e barulhento como esse Relationship of Command é dando um alento aos nossos ouvidos sensíveis com essa belíssima balada.

 

O AT THE DRIVE-IN HOJE

Anúncio da volta da banda em 2016

Anúncio da volta da banda em 2016

Em menos de um ano após o lançamento de Relationship of Command, o At The Drive-In, para o espanto geral, encerra as suas atividades. Em entrevista Cedric puxou pra si a responsabilidade do rompimento, que ele não estava satisfeito com o segmento musical da banda que estava a cada dia mais próximo do Punk Hardcore do início da carreira, e que tanto ele quanto o guitarrista Omar Rodríguez gostaria de fazer algo mais progressivo e abranger outros estilos musicais. Cedric chegou a afirmar na mesma entrevista que: Queríamos que o próximo álbum do At The Drive-In soasse como The Piper at the Gates of Dawn do Pink Floyd, enquanto os demais membros tinham a intenção de avançar em uma forma de Rock mais alternativo.

Assim a banda se dissolveu e dela foram gerados dois projetos, o The Mars Volta, capitaneado por Cedric e o Omar e que tinha uma sonoridade mais progressiva, com canções longas e esquizofrênicas. E do outro lado o Sparta, sob o comando de Jim Ward, com Paul Hinojos e Tony Hajjar.

Em 2012 para surpresa de todos a banda retornou as atividades para alguns shows especiais, entre eles o Lollapalooza de Chicago, mas era visível o descontentamento e a má vontade da banda com relação a volta vide o desinteresse nas performances. Obviamente a volta fajuta foi soterrada meses depois, o que deu a oportunidade para Omar e Cedric reaparecerem com um projeto musical em que muito lembrava o At The Drive-In nos áureos tempos, o Antemasque.

Eis que no dia 21 de janeiro de 2016 a banda anuncia um retorno definitivo, apresenta um trecho de uma possível música nova e solta esse comunicado, escrito pelo guitarrista Omar Rodríguez, no site oficial da banda:

Estamos todos empolgados por nos encontrarmos novamente, tocarmos no mesmo estúdio novamente e fazer música sob um novo contexto. É daqui que todos viemos. Temos famílias diferentes agora, moramos em lugares diferentes, mas essas são as nossas raízes, e uma pessao verdadeira jamais esquece as suas raízes. Há segurança em estar cercado das pessoas em quem você confia.

Será vem outra obra do calibre de Relationship of Command.

Até quinta que vem.

Veja as colunas anteriores:
#01: By The Grace Of God – The Hellacopters (2002)
#02: Contraband – Velvet Revolver (2004)