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2015-06-02 18.40.47

Na fria quarta-feira de 2 de Junho, por volta das 18h, uma estranha movimentação atraia olhares de curiosos e principalmente de seguranças na Estação Sé do Metrô de São Paulo. Mulheres, homens, jovens e até mesmo crianças empunhando cartazes, pediam o fim dos abusos sexuais no transporte coletivo, além de uma ação mais enérgica da administração do metrô, da segurança e do próprio governo do estado.

O protesto que foi marcado e impulsionado pela internet, através das redes sociais, surgiu após na última quarta-feira (27 de maio) a jornalista do portal R7, Caroline Apple, ter sofrido abuso sexual dentro do metrô. Um homem que estava atrás da mesma, se masturbou dentro do coletivo e ejaculou na calça da repórter. Desesperada, a mesma procurou a segurança do metrô, que por sua vez disse que nada poderia fazer a respeito.

Infelizmente a história de Caroline não é um caso isolado, segundo estatísticas, a cada 15 segundos uma mulher é abusada dentro do transporte coletivo. Informações colhidas com uma funcionária do metrô paulista comprovam que no ano de 2014 foram registradas 100 queixas de abuso sexual dentro do metrô.

Algo precisa ser feito já, as mudanças precisam ser imediatas, os abusadores devem ser denunciados, capturados e punidos, e as vitimas, no caso as mulheres, não podem em hipótese alguma ser culpadas pela violência e constrangimento sofridos, a vitima não tem culpa.

Apesar do chefe de segurança do metrô ter tentado por duas oportunidades retirar o protesto de dentro das imediações, alegando que esse tipo de manifestação não pode acontecer naquele espaço físico, os militantes da causa não deixaram se abater e alegaram que só sairiam do local retirados a força, afinal de contas, para conter abusadores a segurança não tem a mesma eficiência do que para retirar pessoas que apenas seguravam um cartaz, né?

Manifestantes na Estação da Sé

Manifestantes na Estação da Sé

Estando eu participando desse ato humanista, e respeitando a linha editorial desse espaço, que é a música, entrevistei as mulheres presentes na manifestação e perguntei qual a música que elas achavam que mais tinha ver com esse acontecimento, a luta das mulheres pela preservação do corpo, o fim do abuso sexual e o respeito mútuo.

As canções escolhidas com uma breve analise minha você confere logo abaixo

Sambei 24 Horas (Cristina Buarque) / Cinema Americano (Thais Gulin) – Por Ana Cotrim

A professora de antropologia na FAPSP e recém doutora em Filosofia, Ana Cotrim, rapidamente escolheu duas canções que muito tem a ver com a situação na qual lutávamos e exigíamos na estação da Sé.

Sambei 24 Horas é um samba de composição do genial Wilson Batista, que ficou eternizado na voz da sensacional Cristina Buarque. Um homem que deixa a mulher em casa e sai para sambar, curtir os amigos e tomar uma cervejinha, é a coisa mais natural do mundo, mas e quando os papeis se invertem e a mulher quer experimentar todo esse doce prazer?

Aquela visão hollywoodiana do homem macho, bruto, musculoso, saído do elenco de Os Mercenários, é retratada na canção Cinema Americano, da mais nova revelação da música popular brasileira, a jovem e talentosa Thaís Gulin.
O trecho que mais me chama atenção na música é:

“Prefiro o poeta pálido anti-homem que ri e que chora […]
[…]Prefere ao invés de Slayer ouvir Caetano, ouvir Mano Chao
Não que Slayer não seja legal e visceral
A expressão do desespero do macho americano é normal”.

Sensacional.

Mulheres de Atenas (Chico Buarque) – Por Patrícia Paixão

Claro que não faltaria Chico Buarque nessa lista, e é claro que ele seria escolhido por uma das suas maiores fãs, a jornalista e professora Patrícia Paixão.

Nenhum homem cantou às mulheres do Brasil como Chico Buarque. A mulher que sofre, a mulher discriminada, a mulher que com açúcar e com afeto faz o doce predileto do esposo na esperança que ele fique em casa, exibindo a todos a sociedade patriarcal e vexatória que vivemos.

A escolha de Paixão foi a famosa canção feminista de Chico, Mulheres de Atenas, e eu dedico essa canção a própria Patrícia, ela foi uma das incentivadoras desse ato ontem em plena a estação da Sé, e foi ela com muita garra e coragem, vinda de Atenas, que peitou o chefe de segurança do metrô dizendo: “vai ter manifestação sim, e se não quiserem, que me tirem a força”.

Patrícia Paixão batendo de frente com o chefe de segurança do metrô

Patrícia Paixão batendo de frente com o chefe de segurança do metrô

Carta de Amor (Maria Bethania) – Por Karem Izitocadi

A recente composição de Maria Bethania (lançada em 2013) foi a escolha da militante feminista Karem Izitocadi.

Karem chegou à estação da Sé acompanhada da sua filha pequena, que por sua vez estava toda elétrica e com uma camiseta com o símbolo do feminismo no peito. Empunhando um cartaz que dizia: “A segurança protege as catracas, mas não protege as mulheres”, Karem, ao lado de amigas que militam juntas no grupo feminista “Pagú pra Ver”, já entoava o trecho da canção de Bethania:

“Não mexe comigo, que eu não ando só.”

E que fique o recado: Abusadores, não mexam com elas!!!

Antipatriarca (Anita Tijoux) – Por Carou

A maior surpresa dessa lista pra mim com certeza foi essa canção na qual eu não conhecia e bastou uma simples ouvida para eu me tornar um grande admirador. Antipatriarca é de autoria da cantora chilena Ana Tijoux, também conhecida como Anita.

Antes, era Mc do grupo de Rap Makiza, mas foi a partir do ano de 2006 que Anita iniciou em carreira solo pregando claramente o feminismo, as injustiças sociais, o ambientalismo, entre outras questões humanitárias.

Confira a letra aqui e delicie-se com essa canção escolhida pela militante Carou: “é Carou com U no final mesmo, mano”, como me disse a mesma.

Fuck You (Lily Allen) – Por Beatriz Sanz

Quem esteve presente também no protesto, foi a nossa colunista aqui do FBM, Beatriz Sanz. Feminista assumida, Bia era a manifestante mais “serelepe”, não parava em nenhum momento, ora estava convidando a todos os usuários do metrô a aderirem à campanha tirando foto com os cartazes, ora berrando palavras de ordem, e ora me abraçando feliz e satisfeita por estar ali e engrossando essa luta em liberdade pelas mulheres.

E quando perguntei qual seria a sua música escolhida, ela não pestanejou: Fuck You, da Lily Allen. Traduzindo: Um FODA-SE bem grande para esses abusadores doentes que constrangem e violenta as mulheres.

Ela Vai Voltar (Charlie Brown Jr.) – Por Rosângela Tomas

O fato de ter morrido nas circunstancias nas quais foram evidenciadas, não tira o mérito dele de ter sido um dos maiores letristas entre anos 90 e 2000 do rock brasileiro.

Alexandre Abrão, mais conhecido como Chorão tinha a sensibilidade de tratar, às vezes na mesma canção, de problemas políticos, questões sociais, e falar de amor, com refrões fáceis e grudentos.

Em Ela Vai Voltar, canção do sétimo álbum da sua banda, o Charlie Brown Jr, Chorão reforça o papel da mulher forte:

“Ela tem força, ela tem sensibilidade, ela é guerreira
Ela é uma deusa, ela é mulher de verdade”

Essa canção foi à escolhida da jovem estudante de jornalismo Rosângela Tomas, que emocionou a todos os presentes na manifestação, dando um triste depoimento sobre os recentes abusos que a mesma vem sofrendo no metrô a caminho da faculdade.

Vocês São Damas (Pregador Luo) – Por Jayane Condulo

O Cristianismo, que por muitas vezes é taxado de propagar o machismo pelo mundo, tem na sua figura mais importante, o próprio Jesus Cristo, o principal libertador e apoiador da causa feminina, basta uma simples leitura no evangelho de João, capítulo 8 e versículos de 1 a 11, que vemos que enquanto os homens queriam apedrejar Maria Madalena pelo “crime” de prostituição, Cristo calou a todos com os dizeres: “atire a primeira pedra quem nunca errou”.

Foi com essa santidade que a estudante de jornalismo e editora do blog Rotineiras, Jayane Condulo, escolheu essa canção do rapper cristão, Pregador Luo, onde ele exalta as mulheres e suas qualidades.

Menina Mulher da Pele Preta (Jorge Ben) – Por Kátia Barreto

A escolha da também estudante de jornalismo Kátia Barreto, me emocionou e me fez revelar algo que há muito tempo eu carrego com muita angustia no meu coração.

“A menina mulher da pele preta” de Jorge Ben, poderia muito bem ser a minha querida e saudosa mãe.

Mamãe, a mulher de pele preta, trabalhou a vida inteira como empregada doméstica, e em uma das casas onde ela trabalhava, ela lidou com uma situação de abuso por parte do patrão. Nessa casa, a esposa saia para trabalhar todos os dias, enquanto marido, que vivia fazendo pequenos bicos, ficava em casa praticamente o dia todo. Na casa minúscula, o homem imundo passava pelos corredores se esfregando na minha mãe, que se sentia constrangida com a situação. Até que um determinado dia, mamãe estava fazendo a faxina e da sala ela viu a porta do quarto aberta e o homem estirado na cama se masturbando ali tranquilamente. Mais do que depressa mamãe guardou as suas coisas e veio correndo pra casa aos prantos. Pedi que ela denunciasse o caso, mas a sua voz engasgada disse:

– E quem vai acreditar em mim? Quem vai acreditar nessa velha?

E é justamente isso que acontece, no Brasil a cada um minuto uma mulher é violentada, a cada 15 segundos uma mulher é abusada no transporte coletivo, e toda vez que elas vão fazer uma denuncia, o que elas ouvem? “Mas você estava sozinha?”, “mas ele era o seu marido?”, “Também, com essa roupa você queria o que?”

BASTA!!!

We Are The Champions (Queen) – Por Emily Santos

O protesto que durou cerca de uma hora, continuou quando as manifestantes que seguiam para estação república pegaram o trem na linha vermelha, e dentro do coletivo continuou exibindo os cartazes e berrando as palavras de ordem:

“Mexeu com uma, mexeu com todas”

Para a militante feminista e estudante de jornalismo, Emily Santos, aquele ato simbólico foi uma grande vitória, e We Are Champions do Queen é a canção que vem coroar o momento.

E se eu pudesse escolher uma canção, ficaria com Die Die, da banda paulistana e feminista de hardcore, Dominatrix.

Afinal de contas, como diz o único trecho em português da canção:

“Seu burro, seu idiota, que anti-social o quê
Anti-social é uma mulher tentando andar numa rua escura à noite.
Que tipo de vida é essa que eu tenho que ficar 24 horas por dia alerta igual a um cão-de-guarda?!
De quem são os olhos que te vigiam?
De quem é a mão que te ataca?

#MexeuComElas #MexeuComigo

Os blogs Rotineiras e Fala Kaique publicaram matérias excelentes sobre o ocorrido, vale muito a pena dar uma conferida aqui e aqui, respectivamente.

O portal R7 também esteve presente fazendo a cobertura completa do protesto. Confira aqui.

Beck, o vencedor do prêmio mais cobiçado da noite: "Álbum do ano"

Beck, o vencedor do prêmio mais cobiçado da noite: “Álbum do ano”

Aconteceu na noite de ontem mais uma edição do prêmio Grammy. Foi se o tempo onde considerávamos os vencedores da noite os maiores nomes da música, hoje se tornou um prêmio da indústria musical, onde ganha quem vendeu mais, quem emplacou um grande hit no ano anterior ou o vídeo com o maior numero de visualizações.
Duvida? É só você pegar a lista dos vencedores dos últimos três anos e comprar com o imbatível Grammy de 1975 que teve Stevie Wonder como o vencedor concorrendo com Paul McCatney, Joni Mitchel e Elton John.
E talvez percebendo a decadência da musica contemporânea que o Grammy hoje apresenta um novo formato, abdicando parcialmente as premiações e investindo mais nos shows. As apresentações são literalmente um show a parte, já dizia o jornalista musical Felipe Machado que “O Grammy é um lugar onde até as cantoras ruins cantam bem”. Tudo envolto de uma super produção de brilhar os olhos.
Mas ai eu lhe pergunto? Não se trata de Grammy? A premiação da musica? E porque tirar o que tem de mais importante que são justamente os prêmios? Isso me levou de volta há uma época onde igrejas, instituições de caridades e demais ONGs organizavam bingos em prol da causa defendida, depois que a palavra bingo ficou associada ao cartel criminoso e vicioso, os eventos dessa natureza passaram a ser chamados de “Show de Prêmios”, e é justamente isso que virou o Grammy, um verdadeiro show de prêmios, onde o foco é uma apresentação muito bem estruturada e produzida, e que lá no meio se entregam alguns prêmios nos quais a academia julga ser de destaque. Para se ter uma ideia de como está corrompida a importância da premiação na festa, o prêmio de Álbum do Ano, o mais importante da noite, que sempre foi entregue no final da festa, nessa edição foi entregue no meio, sem nenhum alarde ou destaque, seguido de mais uma tonelada de shows e de dois prêmios da mesma natureza: Música do ano e Gravação do ano.
Mimimis a parte, vamos ao que interessa, ao melhores (e piores momentos) da noite de gala da música mundial:

AC/DC DEU UMA VERDADEIRA AULA DE MÚSICA
Foi de tamanha esperteza do Grammy colocar o AC/DC para abrir a festa. Apesar do Line Up esfarelado, sem a presença do guitarrista Malcoln Young afastado da banda desde o ano passado por demência, e do baterista problema Phill Rudd, os australianos mandaram ver no seu Hard Rock mágico ao som do mais novo sucesso Rock or Bust, e do clássico levanta multidões Highway To Hell, que fez o Sir. Paul McCartney levantar da cadeira e um emocionado e animado Dave Grohl cantar da plateia a canção à plenos pulmões.
Acho muito engraçado quando algum crítico diz que a salvação do Rock está nas mãos de grupelhos como Arcade Fire, Strokes e Arctic Monkeys. Enquanto existir Angus Young, o rock não precisa de salvação.

Angus Young dando uma aula de Rock no Grammy

Angus Young dando uma aula de Rock no Grammy

MIRANDA LAMBERT CALOU A MINHA BOCA
A cantora Pop Country Miranda Lambert também se apresentou no palco do Grammy, e muito mais do que fazer um simples show, ela simplesmente calou a minha boca e reduziu à zero o preconceito que eu tenho com a atual Country Music.
A banda da jovem Miranda é um espetáculo, toca muitíssimo bem, e faz linhas pesadas em momentos frenéticos. Um verdadeiro Country n’ Roll.
Não é a toa que a musa foi contemplada com um prêmio de melhor álbum country com o seu lançamento Platinum.
Vou dar mais ouvidos para o trabalho da moça.

KAYNE WEST TENTA SER RELEVANTE, MAS SÓ TENTA…
A critica endeusa demais o trabalho de Kayne West, já cheguei a ler sacrilégios do tipo “o John Lennon do Rap”, mas pra mim não passa de um cara amarrada que sampleia até musica de comercial de pasta de dente em sua canção e tenta demasiadamente soar Avant-garde, mas não cola…

Kayne West em sua pífia apresentação

Kayne West em sua pífia apresentação

MADONNA ARRASA… NO PLAYBACK
Com 56 anos de idade, uma carreira espetacular, a rainha da pop music e uma das mais ultrajantes artistas de todos os tempos, precisava a Madonna subir no palco do Grammy e se apresentar em um descarado Playback? Que ela sempre foi uma entretainer, que valorizou a super produção, a coreografia, cenários e figurinos, é do conhecimento de todos nós, mas sei lá né? Poderia ela soltar a sua própria voz, era o mínimo…

SE TINHA TUDO PARA O ED SHEERAN PASSAR BATIDO, NÃO PASSOU
Já que os netos dos Bluesman, dos Jazzistas e dos reis da Soul Music optaram pelo Hip Hop, os brancos invadiram de vez a música negra e tentam do seu jeito fazer a coisa acontecer, já tivemos Amy Winehouse, Adele, Duffy, ainda temos o bacaníssimo Mayer Hawthorne. E agora temos o mais novo representante da Soul Pop Music Branca, o simpático Ed Sheeran. E quem achou que ele passaria despercebido, o mesmo fez um show pulsante contando com as participações mais do que especiais do pianista e gênio do Jazz Herbie Hancock ao lado do outro “ícone” da soul branca, o guitarrista John Mayer.

JEFF LYNNE EMPOLGOU MACCA
O veterano Jeff Lynne dispensa qualquer tipo de apresentação, quando ele empunha a sua guitarra, a mágica acontece, e a sua apresentação fez Paul McCartney levantar da cadeira para bater palmas, dançar e cantar com tamanha empolgação que só foi contida quando o mesmo percebeu que estava sendo filmado e sentou-se timidamente.

ANNIE LENNOX AINDA CANTANDO COMO NUNCA
Nunca tinha ouvido falar no tal cantor Hozier, descobri após algumas pesquisas que o magrelo é Irlandês e tem sete anos de carreira. A apresentação do cara tava lá numa certa monotonia, estava, até Annie Lennox adentrar no palco. A eterna líder do Eurythmics roubou a cena com o seu vozeirão poderoso e foi ovacionada de pé na interpretação do clássico I Put a Spell On You que ficou imortalizado na voz da eterna diva Nina Simone.

BECAUSE SO HAPPY…
Ela já enjoou? É irritante? Ninguém mais aguenta ouvir? Sim, sim e SIM!!! Mas inegável que Happy, o grande sucesso de Pharrell Williams foi a música do ano.
Merecido o prêmio de melhor Performance Pop Solo e a sua apresentação no palco do Grammy.

DEPOIS DO AC/DC O MELHOR SHOW FOI DA LADY GAGA
Já exaltei aqui no blog a figura da Lady Gaga, acho ela uma artista incrível, corajosa, ousada e que além de tudo canta muitíssimo bem. E ontem ela foi simplesmente um espetáculo, se apresentando ao lado do genial e vanguarda Tony Bennett, divulgando o recém trabalho lançado pela dupla, o sensacional disco Cheek To Cheek com regravações de grandes clássicos do Jazz. Bennett e Gaga apresentaram justamente a canção Cheek To Cheek que ficou um espetáculo, com Lady Gaga arrasando nos vocais.
Gaga anunciou uma turnê mundial da dupla e o anuncio de mais um disco, dessa vez com releituras de Cole Porter. Torço fervorosamente para que ambos os projetos se concretizam.
Enquanto isso a tal cantora Sia, que copia descaradamente a esquizofrenia de Gaga, continua não mostrando o rosto aos fãs e fez uma apresentação estranha e teatral, e saiu da festa sem nenhum prêmio.

Lady Gaga e Tony Bennett

Lady Gaga e Tony Bennett

RIHANNA E KAYNE WEST COM PAUL MCCARTNEY DE ARTIGO DE LUXO
O velho Macca (assim com o Dave Grohl) já virou presença obrigatória no Grammy, se há três anos ele fechou a noite se apresentando ao lado de Bruce Springsteen, Dave Grohl, Joe Walsh, Rusty Anderson e Brian Ray tocando o medley final do álbum Abbey Road dos Beatles, assim como no ano passado que tocou ao lado do ex parceiro de Beatles Ringo Starr. Dessa vez ele foi um artigo de luxo tocando violão na apresentação da cantora Rihanna ao lado do todo poderoso (SÓ QUE NÃO) Kayne West, na mais nova canção da cantora, o single FourFiveSeconds.

QUANDO DEUS PISA NO PALCO DO GRAMMY, NEM QUE SEJA PRA TOCAR GAITA
Stevie Wonder foi o grande homenageado do Grammy desse ano, com direito a uma festa onde grandes nomes da música atual irão interpretar clássicos da sua brilhante carreira.
Porém ontem o Grammy tratou de antecipar as homenagens com a apresentação do rapper Usher fazendo uma emocionada interpretação do clássico If It’s Magic, ai Stevie sobe ao palco para tocar gaita no final da canção, precisa dizer algo?

E O GRAMMY VAI PARA???
Já que a própria instituição deixou a premiação para segundo plano, deixamos por último os vencedores da noite.
Beck me surpreendeu por duas vezes, confesso que não dou grande fã do seu trabalho, me recordo de nos anos 90 ouvir as suas canções mais populares como Loser e Devil’s Haircut, mas fora isso nunca acompanhei com atenção o trabalho do cara, porém inevitavelmente ouvi o mais recente trabalho do moço graças as aclamadas criticas da mídia especializada, e Morning Phase é sim um excelente disco, trazendo um Beck menos dançante, mais introspectivo e musical. Só não imaginava que ele faturaria o Grammy de Melhor Álbum Rock desbancando U2 e Tom Petty, além do prêmio mais cobiçado da noite, o de Melhor álbum do ano, desbancando a favorita Beyoncé. Engraçado foi Kayne West simulando invadir o palco igual fez no VMA durante a premiação da cantora Taylor Swift.
Sam Smith – mais um nome da Soul Branca – foi o grande vencedor da noite, ganhando ao todo 4 prêmios: Melhor Revelação (desbancando a bunduda Iggy Azalea), Álbum Vocal Pop, Música do Ano e Gravação do ano com a canção Stay With Me.

Sam Smith, o grande vencedor da noite

Sam Smith, o grande vencedor da noite

O Casal mais importante da industria fonográfica, Beyoncé e Jay Z faturaram um gramofone de melhor performance R&B pela parceria na canção Drunk In Love.
Das premiações que não foram televisionadas, as que eu mais gostei foi do (agora) trio de Nashville Paramore na categoria Melhor Canção Rock, com a música Ain’t It Fun, já destilei aqui o meu veneno a respeito do último trabalho do conjunto que não chega ao pés de tudo que já foi feito pela banda, mas essa música em si é sensacional.
Lady Gaga e Tony Bennett faturaram o prêmio de melhor Álbum tradicional pop vocal com Cheek to Cheek. Merecidíssimo.

A dupla Gaga e Bennett fatura um Grammy e anuncia turnê mundial

A dupla Gaga e Bennett fatura um Grammy e anuncia turnê mundial

Rosanne Cash, a filha do Men In Black Johnny Cash, fez jus ao sobrenome e faturou de cara três gramofones Melhor Performance Roots Norte-Americano, Melhor Canção Roots, Melhor Álbum Americana.
Gosto muito do duo Tenacious D formado pelos atores e comediantes Jack Black e Kyle Gass, e já citei diversas vezes o quanto ficou bacana a versão da dupla para o clássico The Last In Line do Dio, mas agora eles ganharem a categoria de Melhor performance Metal desbancando o Motörhead com a canção Heartbraker foi uma tremenda sacanagem.
Do resto foi aquele mais do mesmo de sempre: Eminem ganhando de melhor álbum Rap, o rapper Kendrick Lamar ganhando mais algum ali, a Carrie Undewood faturando mais outro ali, e “lerigo” ganhando de melhor trilha sonora.

Um verdadeiro Bingo transvestido de SHOW DE PRÊMIOS!!!

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Endigma
E foi lançado ontem para todo o universo via youtube a música Only One Will Stand, o single de estreia do Endigma, a maior promessa do Heavy Metal Nacional em 2015.
Formada em Jundiaí (interior de São Paulo), a banda Endigma é resultante de um projeto entre os músicos Glauco Rezende (Guitarra) e Fernando Arouche (Bateria), sendo esse último conhecido também pelos trabalhos com as bandas Metamorffose e a extinta Nazarenos HC.

Da esq pra dir: Fernando Arouche (Bateria) e Glauco Rezende (Guitarra)

Da esq pra dir: Fernando Arouche (Bateria) e Glauco Rezende (Guitarra)

A dupla já esteve à frente de diversos projetos musicais entre eles a banda Metalzord dedicado a covers de clássicos do metal melódico e tradicional, além de fazerem regravações de sucessos da musica pop em versão heavy metal, como foi o caso da versão da dupla para o sucesso Gangnam Style do sul coreano Psy, que teve mais de 500 mil visualizações e o vídeo chegou a ser citado em uma matéria no Band Sports.

E foi desse virtuosismo da dupla que surgiu o Endigma, apostando na altíssima qualidade dos seus músicos e em material próprio, Only One Will Stand é o mais perfeito cartão de visitas da sonoridade da banda, um Thrash Metal furioso e desconcertante, onde Fernando demonstra toda sua habilidade como baterista, apostando em quebradas, viradas sensacionais e fazendo uso sem moderação alguma do pedal duplo. Já Glauco que bebe da fonte de Dimebag Darrell, Zakk Wylde e Scott Ian, une solos velozes à riffs que pesam uma tonelada.
Mas a grande cereja de Only One Will Stand fica por conta da participação de Leandro Caçoilo nos vocais, conhecido pelos trabalhos à frente da banda Eterna, Soulspell e Hot Rocks, Leandro que é acostumado com o gênero Power Metal e Hard Rock, impressiona a todos em uma interpretação tão pesada e concisa. Importante ressaltar que o baixo foi gravado pelo Fabio Carito da banda Shadowside.
Se o line up da banda será o mesmo da gravação de Only One Will Stand, só o tempo dirá, mas que preciosidades como essa canção surgirá das mãos geniais de Fernando e Glauco, isso podem ter certeza absoluta.

Parabéns Endigma e com vocês Only One Will Stand

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Blink 182
Ontem uma notícia pegou de surpresa todos os fãs do trio californiano de Pop Punk Blink 182, a suposta saída do guitarrista e vocalista Tom DeLonge, pela segunda vez do conjunto.
Segundo informações o baterista Travis Barker e o baixista e também vocalista Mark Hoppus soltaram o seguinte comunicado:

“Nós estávamos todos prontos para tocar em um festival e gravar um novo álbum e Tom ficava adiando sem razão. Uma semana antes de nós irmos para o estúdio, recebemos um e-mail de seu agente explicando que ele não queria participar de projetos do Blink 182 por tempo indeterminado. Preferia trabalhar em seus outros empreendimentos não-musicais. Não temos ressentimentos, mas o show tem que continuar para os nossos fãs”.

Bastou para isso para humanidade ficar estarrecida: “não existe Blink sem Tom”, “Blink 182 é Tom, Mark e Travis”. No final da noite Tom soltou um comunicado em sua página no Facebook que desmentia a tal saída, no entanto o comunicado confuso demais deixa ainda mais indefinida a situação da banda:

“Para todos os fãs, eu nunca deixei a banda. Eu estava em uma ligação sobre um evento do blink-182 em New York City quando todas essas notas de imprensa começaram a aparecer. Aparentemente, essas notas foram enviadas pela banda. Não somos uma banda perfeita, mas Cristo…”.

Mais tarde a assessoria de imprensa do guitarrista publicou esse outro comunicado:

“Eu nunca deixei a banda. Na verdade, estava em um telefonema discutindo um possível evento do blink-182 em New York quando soube das notícias. A única verdade é que tenho muitos compromissos que limitam minha disponibilidade esse ano. Eu amo o Blink e não estou saindo”.

Indo totalmente contra essa comoção pela volta/não saída de Tom, eu sou totalmente a favor que ele vaze do Blink 182 o mais rápido possível, se for preciso pra ontem.
O hiato da banda em 2005 após o lançamento do execrável álbum auto-intítulado do conjunto veio das mãos de Tom, na época Mark disse em entrevistas que “a banda havia deixado de ser uma democracia, e que Tom tomava todas as decisões”, Mark ainda revelou que “Tom havia deixado de conversar com o restante da banda e que se comunicava com os demais através do seu empresário”. O guitarrista chegou a trocar o numero do seu telefone para que não fosse importunado pelos ex-colegas.
O fim do Blink 182 na época gerou a criação de duas bandas entre os ex-integrantes: Tom DeLonge formou o experimental Angels and Airwaves, e já a dupla dinâmica Mark e Travis fundaram o sensacional +44. O experimentalismo proposto por Tom na sonoridade do seu conjunto, mais as declarações de Mark e Travis sobre o comportamento autoritário do músico na época da antiga banda nos deixa bem claro que foi Tom que guiou o direcionamento musical do Blink nos últimos tempos, com uma sonoridade mais eletrônica, pop, afastando completamente da gênese Punk de outrora.
Com o retorno do conjunto em 2009 após o acidente de avião que quase tirou a vida do baterista Travis Barker, o grupo lançou o sexto álbum da carreira Neighborhoods que há muitos resquícios da sonoridade do AVA de Tom. E é importante ressaltar também que com a volta do conjunto, o +44 obviamente encerrou as atividades, enquanto Tom continuou firme forte com o seu Angels and Airwaves, uma prova de que o Blink 182 tampouco era uma prioridade em sua vida.
Agora eu vou ficar chorando pela saída do desinteressado e ditador Tom? Ainda mais sabendo que o Matt Skiba do genial Alkaline Trio irá substitui-lo nos shows já agendados? Nem a pau Juvenal.

Matt Skiba (Alkaline Trio) o substituto temporário de Tom DeLonge

Matt Skiba (Alkaline Trio) o substituto temporário de Tom DeLonge

Sobre o futuro da banda que ficará incerto desde então, se Mark e Travis quiserem encerrar de vez as atividades da banda e voltar aonde havia parado com o seu +44 eu acho válido, a banda tinha um imenso potencial, trata-se de uma sonoridade que agrada os integrantes envolvidos e principalmente os fãs mais old school do Blink 182.

Por outro lado, acho que eles têm capacidade de segurar o rojão e continuar com o Blink sim, seja com o Skiba (que seria um sonho) ou com qualquer outro, até porque convenhamos, as melhores canções da carreira do Blink 182 vieram das mãos e da voz principalmente de Mark:

Sometimes

Dammit

Josie

Emo

Don’t Leave Me

Going Away To College

Wendy Clear

What’s My Age Again?

Adam’s Song

The Rock Show

Happy Holidays, You Bastard

Heart’s All Gone

MH 4.18.2011

TCHAU TOM, SEJA FELIZ!!!

 

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Billy e Scott

Nas últimas semanas dois grandes nomes do rock alternativo dos anos 90 viraram manchete do mundo inteiro graças as suas megalomanias.

Billy Corgan, o genial e genioso líder do Smashing Pumpkins é conhecido tanto pela sua capacidade de criar hinos para sua banda como também de ter um dos temperamentos mais difíceis do mundo do Rock. Já no início dos anos 2000, Corgan praticamente surtou com a banda e encerrou as atividades da mesma alegando uma série de motivos, entre eles: O uso abusivo de drogas da baixista D’arcy Wretzky, o difícil convívio com o guitarrista James Iha, e o mais insano de todos: o pesadelo que teve, onde estava lutando boxe com a cantora pop Britney Spears, e assim ele chegou a conclusão que não havia mais espaço para o rock, com alta do pop xexelento na mídia.
O Smashing Pumpkins pôs fim a sua aclamada trajetória com a baixista Melissa Auf Der Maur ocupando o cargo deixado pela D’arcy nos shows restantes.

Smashing Pumpkins com Melissa Auf Der Maur (a esq)

Smashing Pumpkins com Melissa Auf Der Maur (a esq)

De repente Corgan anuncia que queria voltar pro Rock, todo mundo imaginou ser a volta dos Pumpkins e trepidaram de alegria, mas uma imensa pá de cal foi jogada sobre nossas cabeças quando veio o anuncio da sua nova banda, o Zwan. A banda era legalzinha, bacaninha, o único disco do conjunto, o Mary Star of the Sea, era muito bom, e o line-up do grupo era um verdadeiro Dream Team, contando com a grandiosa baixista argentina Paz Lenchantin (A Perfect Circle, Auf Der Maur, The Chelsea e hoje no Pixies) e o próprio baterista do Pumpkins, Jimmy Chamberlin. Mas o difícil temperamento de Corgan zangou tudo e a banda acabou em 2004.

Billy Corgan e o seu Zwan

Billy Corgan e o seu Zwan

Ai o tiozão lançou um álbum solo (o incompreendido The Future Embrace) com claras influencias do Syth Pop dos anos 80 e logo no primeiro show da turnê saiu chutando tudo no palco e mandando a plateia pra aquele lugar, quando foi pedido para que tocasse uma música do Smashing Pumpkins.
Os Pumpkins voltaram em 2007, apenas com Corgan e o baterista Jimmy da formação original e lançaram o sensacional Zeitgeist.
Tudo parecia estar perfeito no reino das aboboras amassadas, mas ai começou um entra e sai danado de integrantes, até que fecharam com a formação que até então parecia vindoura, com o guitarrista Jeff Schroeder, a baixista Nicole Fiorentino (que na infância foi a modelo da capa do álbum Siamese Dream dos Pumpkins) e o jovem baterista Mike Byrne. Com esse line up Billy Corgan visitou o Brasil pela terceira vez tocando no festival Planeta Terra e anunciou o audacioso projeto Teargarden by Kaleidyscope que reuniria nada mais nada menos que 44 faixas.

Smashing Pumpkins em 2010 com Nicole, Jeff e Mike

Smashing Pumpkins em 2010 com Nicole, Jeff e Mike

Em 2014, Corgan demite a banda toda, deixando apenas o guitarrista, anuncia Tommy Lee do Motley Crüe na bateria do novo álbum intitulado de Monuments To An Elegy e sai em turnê com Brad Wilk do Rage Against The Machine na Bateria e com o baixista Mark Stoermer do The Killers, acabando de vez com fascínio de Corgan por mulheres no contrabaixo de suas bandas. Além de ter mencionado negativamente na imprensa as bandas Pearl Jam, Soundgarden e Foo Fighters, alegando que são bandas preguiçosas e sem evolução alguma.
Porém nada foi mais explosivo que a sua última entrevista a Rolling Stone americana onde dizia “estar farto do Rock e que o fim da banda estaria próximo”.

Eis que Scott Stapp resolveu também pirar o cabeção, o líder do Creed, a banda mais odiada de todos os tempos, surgiu no final da febre do movimento grunge, e pegando uma carona na sonoridade da galera depressiva de Seattle. O Creed foi um fenômeno de vendas nos Estados Unidos chegando a vender mais que o guitarrista Jimi Hendrix no país.
Creed  Eu particularmente gosto do Creed, e tenho a total convicção que o conjunto de Scott Stapp assim como muitas outras bandas, são vitimas das gravadoras que escolhem a pior faixa do álbum para ser o single e condenam todo o trabalho restante da banda, por mais genial que seja.
Acredito que os maiores críticos do Creed nunca ouviram essas canções da banda:






E o Creed teve uma trajetória semelhante aos Pumpkins em todos os sentidos, com muito ego inflado, muitas brigas entre os integrantes –  o que culminou na saída do baixista Brian Marshall nas gravações do terceiro álbum, Weathered – e no fim o comportamento do próprio Scott Stapp que se revelou viciado em drogas, colocando fim aos boatos de que a banda tinha ligação com o cristianismo.
Resumindo, a banda encerrou as atividades no período mais frutífero, Scott seguiu carreira solo, lançando o cd The Great Divide (2005), e os integrantes remanescentes, contando com o baixista Marshall, se uniram com o ex-vocalista do The Mayfield Four o Myles Kennedy e formaram o grandioso Alter Bridge.

Alter Bridge

Alter Bridge

Após cinco anos o Creed voltou às atividades, lançou o elogiadíssimo Full Circle e embarcou em uma turne também visitando o Brasil. Mas na prática a volta era pura fachada, já que o relacionamento de Scott com os demais integrantes era péssimo, o que culminou mais uma vez no fim da banda, e “dessa vez pra valer” segundo o guitarrista Mark Tremonti.
Scott Stapp lançou mais um cd solo (Proof of Life – 2013), enquanto o Alter Bridge fazia sangrar com o sensacional Fortress que foi aclamado como um dos melhores discos lançados em 2013. Ai Stapp volta a virar notícia, mas dessa vez não com um retorno do Creed ou algo parecido, o mesmo aparece em um vídeo digno de pena, com aparência envelhecida, totalmente acabado, dizendo ter sido roubado pela gravadora e que dormia em um quarto de hotel e não tinha absolutamente nada para comer.

Passada toda comoção do vídeo que viralizou para o mundo todo, Scott pediu um financiamento coletivo no valor de 500 mil dólares para gravação de um novo cd solo, o que gerou outra campanha onde se pedia um montante de 50 mil dolares para Scott não lançar o cd. E como desgraça pouca é bobagem, na semana passada portais do mundo inteiro noticiou o altíssimo nível de insanidade de Scott Stapp que alegou ser um oficial da CIA com a missão de matar o presidente Barack Obama, a informação foi dada pela sua ex-esposa. Scott obviamente desmentiu e disse ser armação da ex-companheira e alegou estar livre de drogas e que não apresenta nenhum tipo de problema mental.
Leia a notícia aqui.

Billy Corgan e Scott Stapp duas vitimas da própria megalomania.

 

scott_ashetonNo ultimo domingo (16/03/2014) fomos pegos de surpresa com uma noticia que abalou completamente o mundo da música, a morte de Scott Asheton, baterista do The Stooges (ou Iggy And The Stooges), o principal progenitor de umas das sonoridades mais controversas e cultuadas do Rock: o Punk Rock, além de ter revelado para o mundo uma das figuras mais emblemáticas do mundo musical: Iggy Pop.
Nascido em 1949, Scott juntamente com o seu irmão e guitarrista Ron Asheton (também falecido em 2009 em decorrência de um infarto) integraram o Stooges em 1967 logo após receberem um telefonema de James Newell Osterberg, também conhecido como Iggy Pop, para juntos montarem uma banda.
Essa banda se não foi unanimidade em questão de popularidade e êxito comercial, teve enorme significado em outros aspectos, mais importantes do que reles reconhecimentos, o Stooges foi uma banda que moldou o curso do rock, embutindo em sua musica uma sonoridade primitiva, suja, agressiva, que revelava o anseios, desejos e real situação da juventude daquela época que não era apenas de paz e amor, mas também (e principalmente) de contestação e inconformismo, e o The Stooges era o porta-voz dessa geração.
E muito da sonoridade brutal da banda se deve aos irmãos Asheton, se de um lado havia as guitarras gritantes, sujas e depravadas de Ron que dava toda tônica a musicalidade do Stooges, a bateria acelerada de Scott definia o espírito e carisma da banda, podia não ser um exímio baterista, mas estava dentro do contexto no qual a banda seguia.
Scott ao lado de Iggy foram os únicos membros que estiveram a frente do Stooges desde o seu gênese, participando integralmente da relevante discografia do grupo: The Stooges (1969), Fun House (1970), Raw Power (1973), e da volta arrasadora do conjunto em meados dos anos 2000 com os discos The Weirdness (2007) e Ready To Die lançado no ano passado e já comentado aqui no blog.
Com o fim prematuro do The Stooges no inicio da década de 70, Scott integrou o Sonic’s Rendezvous Band, um super grupo formado por grandes nomes da cena Proto-punk de Detroit como: Fred Smith (MC5), Gary Rasmussen (The Up) além de Scott Morgan grande musico de Soul que fez parte da banda Rationals.

No ano de 2010 Scott Asheton junto com o Stooges foi introduzido no Rock And Roll Hall Of Fame, com direito a discurso de indução feito pelo Billie Joe Armstrong (Green Day) e uma apresentação memorável da banda quebrando todos os protocolos da tal careta premiação.

Scott esteve no Brasil em duas ocasiões com o The Stooges, uma em 2005 no festival Claro que É Rock, e outra como Headliner no festival Planeta Terra que aconteceu no ano de 2009 no extinto parque de diversões Playcenter em São Paulo, o show ficou marcado pela “invasão” dos fãs no palco a pedido do próprio Iggy Pop.

Scott Asheton faleceu no domingo à noite, e a causa da sua morte ainda não foi divulgada, Iggy Pop, seu grande parceiro escreveu uma nota em seu Facebook:

Scott era um grande artista, eu nunca ouvi alguém tocar bateria com mais significado do que Scott Asheton. Ele era tipo meu irmão. Ele e Ron deixaram um enorme legado ao mundo. Os Ashetons sempre foram e continuarão a ser uma segunda família pra mim.
Meus pensamentos estão com sua irmã Kathy, sua esposa Liz e sua filha Leanna, que tem a luz de sua vida

Estava nos planos da banda lançar, ainda esse ano, um disco com canções compostas nos anos 70, mas nunca lançadas, o diferencial do álbum é que seria gravado sem a presença de Iggy Pop que pediu umas férias ao conjunto, o disco contaria com a participação de diversos vocalistas entre eles:  Mark Lanegan (Screaming Trees) e Jello Biafra (Dead Kennedys), o disco estava sendo gravado e produzido no 606 Studio de propriedade de Dave Grohl, que obviamente daria o ar da sua graça em alguma canção.

Fica aqui a nossa humilde homenagem ao homem que acima de tudo mudou o curso da musica para melhor e que agora ao lado seu irmão Ron lá de cima olha para nós e nos prova o quanto lá esta melhor do que aqui.

RIP SCOTT ASHETON
1949 – 2014

bruce dickinson-027
“Você pode perder sua casa, seu carro, mas ninguém pode tirar o seu conhecimento

e com o conhecimento você conquista casa, carro e mais o que quiser”
(Autor desconhecido)

Faz exatamente uma semana que Bruce Dickinson esteve em terras brasileiras, no entanto sua curta (porém eficiente) visita repercute até presente momento .
Conhecido mundialmente como vocalista do Iron Maiden, uma das maiores e mais celebres bandas de Heavy Metal de todos os tempos, além de uma vasta carreira solo de tamanha relevância com sete álbuns lançados, inclusive um ao vivo gravado aqui no Brasil (Scream For Me Brazil – 1999), o que trouxe Dickinson a nossa humilde terra não foram os seus dotes musicais, dos quais já estamos mais do que mais familiarizados, mas sim a sua faceta empreendedora.
É de conhecimento de todos que Bruce Dickinson é um homem inquieto, colecionando inúmeras atividades e funções além de cantor e compositor, entre elas: historiador, esgrimista (chegando a ser convidado para ser capitão da equipe britânica nas olimpíadas de 1988 em Seul, mas recusando pois estava em turnê com Iron Maiden), além de radialista (pela BBC de Londres), roteirista (do filme Chemical Wedding) e piloto de avião, isso sem contar o honorário doutorado de música que recebeu da universidade britânica Queen Mary College em reconhecimento e honra a sua contribuição a industria musical. Portanto essa imagem do Bruce Dickinson empreendedor não habitava o imaginário dos seus fãs, mas tal ação se concretizou após o mesmo que tem como paixão e profissão secundaria a pilotagem de aviões visualizar a necessidade de uma empresa que fornecesse serviços de manutenção para aeronaves e assim foi concebida a empresa Cardiff Aviation hoje sob sua gestão.
E com essa mente empresarial inovadora que Bruce Dickinson foi um dos convidados para palestrar no evento Campus Party que chegava a sua sétima edição aqui no Brasil, evento que reúne milhares de empreendedores, geeks, nerds, cientistas e demais cultos onde debatem e apresentam ideias inovadoras de ciência, cultura e entretenimento digital. Para participar desse grande evento Bruce chegou ao Brasil na segunda-feira a tarde aterrissando na (minha) cidade (natal) de Jundiaí, onde foi recebido calorosamente por membros da imprensa que ainda estavam abobados em não receber naquela ocasião o Bruce cantor mas o empresário. E na terça-feira já estava nas dependencias do Anhembi, local onde aconteceu o evento para durante uma hora falar sobre sua experiência no empreendedorismo.
Conforme imaginado, o Iron Maiden não foi o seu tema principal, no entanto Bruce fez inúmeros paralelos da banda e a industria musical em geral com a situação empresarial momentânea. Ele citou que “as empresas de hoje precisam ter fãs, e não clientes” e citou o exemplo da gigante Apple, que é uma empresa que tem milhões de fãs espalhados pelo mundo, que tem uma imensa adoração pelos seus produtos e fazem fila na estréia de um novo equipamento eletrônico da empresa para adquiri-lo. Bruce também mencionou que hoje em dia uma boa graduação não significa qualidade no serviço prestado e até ironizou dizendo que “até um macaco pode ter MBA”, isso foi a deixa para falar de sua empresa a Cardiff Aviation, afinal de contas Bruce não é engenheiro, mas não impediu de abrir uma empresa desse ramo “quando se tem profissionais que executam o serviço com qualidade” disse.36042.52090-Bruce-Dickinson
O mais novo feito de Bruce Dickinson é a criação e comercialização da cerveja Trooper (da musica The Trooper do Iron Maiden do disco Piece Of Mind – 1983), Bruce explicou “Chegou uma hora que produzir um CD deixou de ser lucrativo, mas as pessoas ainda ouvem a sua música. Então tive a ideia de fazer cerveja, e o que aconteceu é que passamos a vendê-la associada à música. O disco acabava sendo subsidiado pela bebida, porque a mesma pessoa só compra um DVD ou download uma vez, mas quantas cervejas ela bebe? Muitas! E o sucesso da cerveja vem da fama da música – já atingimos 2,5 milhões de litros da Trooper vendidos”. Ainda sobre o Maiden, Bruce explicou como as recentes turnês na America do Sul foram lucrativas e ao mesmo tempo econômicas para banda: “Enquanto ganhava experiência como piloto de avião, percebi que em determinadas épocas do ano muitas empresas aéreas abaixo do equador ficavam com mais de 30% da frota parada, o que tornava a locação de aviões algo muito barato. Pensamos bem e decidimos que poderíamos usar essa diferença de preço para fazer uma tour muito mais barato que o normal, unindo esses lugares com aviões parados. Os rapazes do Iron Maiden todos concordaram e então decidimos que onde o avião parasse, a gente faria um show. E essa diferença nas localidades fez a nossa base de fãs crescer de uma forma que as outras bandas não entendiam”.
E foram com essas e outras sábias palavras que Bruce Dickinson foi ovacionado no anhembi na última terça-feira, talvez não com a mesma intensidade dos aplausos que recebe no final dos seus shows, mas com certeza deixou todos presentes admirados com a sua mente visionária e empreendedora.
Em uma época onde o principal modismo musical é “ostentar” fúteis valores materiais, parafraseio o título desse post dizendo que “Cada um OSTENTA o que tem de melhor” e naquela tarde Bruce Dickinson “ostentou” e compartilhou sabedoria e conhecimento, e com conhecimento se conquista tudo, principalmente dignidade. Afinal de contas “tirar onda de Camaro Amarelo, conquistado com a herança do velho”, é mole, agora construir um império com muito trabalho, suor, sabedoria e reconhecimento, e compartilhar isso pra milhares de curiosos, isso se chama: Bruce Dickinson!!!

Up The BRUCE

ao som de The Mayfield Four – Suckerpunch