Arquivo da categoria ‘Papo do Enzo’

PAPO DO ENZO: Minus The Bear

Publicado: 26 de fevereiro de 2016 em Papo do Enzo
Tags:

É com muita alegria que o Fila Benário Music tem a honra de apresentar a sua mais nova coluna a Papo do Enzo, comandada pelo músico Enzo Marco, guitarrista e vocalista da banda O Terráqueo, com certeza você ainda irá ouvir falar muito por aí. Bem, chega de papo e vamos para o PAPO de verdade, é com você Enzo Marco.


 

Foto 1

“Não é preciso mais do que uma música para pirar no barulho do Minus The Bear e se deixar levar pelo ritmo frenético dos caras.”

Por Enzo Marco

Lembro-me de quando ouvi “Diamond Lightning” pela primeira vez e fiquei perplexo pela qualidade sonora, depois disso, baixei a discografia e não consegui mais tirar as músicas da cabeça (muito menos do celular).

Formado em 2001 na cidade do rock, mais conhecida como Seattle, o quinteto conta com Jake Snider (voz e guitarra), Dave Knudson (guitarra), Cory Murchy (baixo), Alex Rose (sintetizadores e backing vocal) e Erin Tate (bateria).

O nome “Minus The Bear” teve origem de uma piada interna dos integrantes. Um amigo da banda saiu com uma garota para um encontro, quando a galera se reuniu, perguntaram a ele como foi o “date”. Ele disse: – Vocês se lembram daquela série de TV B.J. and The Bear? Foi daquele jeito, “menos o urso” -, surgiu daí o Minus The Bear. Convenhamos, a história não faz muito sentido, o nome da banda menos ainda, mas é um nome forte quando falamos em pronúncia.

De todas as bandas que você conhece (e vai conhecer), o MTB é provavelmente a que melhor se encaixa na classificação “quase impossível classificar”, afinal, não é qualquer um que consegue misturar elementos do rock alternativo, experimental, pop, eletrônico e indie rock. Mais difícil ainda, é bater tudo no liquidificador e transformar isso em discos viciantes e cheios de energia.

Foto 2

Com uma melodia complexa, às vezes calma, outras nervosa, batidas quebradas, vocais melódicos e pedais de efeito de guitarra, aliás, MUITO efeito de guitarra, o MTB aponta ser uma das bandas mais legais e diferentes que conheci nos últimos tempos.

Eles fazem a festa com o lance dos pedais de efeito e sintetizadores, quem curte guitarra, enlouquece assistindo o vídeo de um show ao vivo dos caras. Em algumas músicas e determinadas partes os guitarristas ficam “só no sapatinho”, isso é, sem tocar guitarra, apenas brincando nos pedais. Para ser mais específico, o principal pedal que faz a magia acontecer é o DL4 Line 6, um pedal de echo, loop e delay, é muita doideira pra dois guitarristas apenas.

Foto 3

As letras, além de questionadoras, são bem indiretas e abrangem assuntos variados. As metáforas melancólicas tratam de relacionamentos, drogas, a complexidade do ser humano dentre outros assuntos.

Preciso falar de boa parte da discografia dos caras, afinal, fã é fã, não é?

Antes de lançarem o primeiro álbum, os caras lançaram três EP´s, vou falar apenas do que me entreteu verdadeiramente.

Foto 4

They Make Beer Commercials Like This (Eles Fazem Comerciais de Cerveja Como Esse), para começar o nome do EP é engraçado e tem cerveja no meio, isso já me agrada. Lançado em 2004, o trabalho ainda não mostra um MTB “maduro”, eu entendo mais como um aviso do tipo “eles estão no caminho certo e em pouco tempo essa banda vai ficar foda”.

Destaco a música “I’m Totally Not Down With Rob’s Alien”, um puta som viciante!

Ouça: Minus the Bear – I’m Totally Not Down With Rob’s Alien

Foto 5

Highly Refined Pirates é o disco de estréia da banda, diga-se de passagem, é um trabalho surpreendente e acima das expectativas. Quando uma banda lança seu primeiro trabalho gravado, espera-se por algo cru, sem definição de identidade, o que é compreensivo, afinal, a banda ainda está se descobrindo. No MTB eu já vi uma identidade muito bem definida logo de cara, nota-se isso ouvindo as músicas “Monkey!!!Knife!!!Fight!!!, som que o refrão forte me lembra um pouco Grunge. Outros sons desse álbum que valem cada play é “Absinthe Party at the Fly Honey Warehouse”, “Get Me Naked 2: Electric Boogaloo”, “Women We Haven´t Met Yet”, “I Lost All My Money At The Cock Fights” (sim, os nomes das músicas são gigantes).

Ouça: Minus The Bear – I Lost All My Money at the Cock Fights

Foto 6

Menos El Oso, disco homônimo, porém em Espanhol, é o segundo trabalho de estúdio do conjunto. O trampo, mostra de fato o que o Minus The Bear veio fazer e porque eles existem. Podem esperar por músicas quebradas (no contratempo), refrões fortes e muito talento na guitarra. Indico com força os sons: “The Game Needed Me”, “Driling”, “Pachuca Sunrise”, “Hooray”, “Fullfill The Dream” e “The Pig War”, ou seja, praticamente o álbum todo.

Ouça: Minus The Bear – The Game Need Me

Foto 7

Planet Of Ice (2007) é um dos discos mais pegada da banda, isso é notável nas músicas “Dr L´Ling” e  “Double Vision Quest” que traz riffs de guitarra pesados somado a baterias e baixos funkeados, isso sem citar as guitarras limpas viajadas.

Não posso deixar de falar de “Throwin´ Shapes”, um som feliz que apresenta um clipe no mínimo inusitado, onde duas pessoas vestidas de esportistas jogam “air basketball”, sem bola (obviamente).

Ouça: Minus the Bear – Throwin’ Shapes

Foto 8

Não é novidade que o MTB consegue ir do céu ao inferno com seu som incomum, por isso, Omni (2010) é a melhor opção para quem quer conhecer o som da banda, mas prefere as baladas. É obrigatório ouvir desse CD “Summer Angel”, “Excuses”, “Fooled By The Night” e “Dayglow Vista Rd.”.

Ouça: Minus the Bear – Summer Angel

Foto 9

O melhor disco de todos é o Infinity Overhead (2012). Meu amigo, que álbum!

Logo de cara você já toma uma porrada ao dar o play em “Steel and Blood”, som que abre o disco (assistam o clipe, tem uma história foda). Não posso deixar de falar do hit psicodélico “Diamond Lightning”, a música que me fez gostar da banda. Se eu integrasse o grupo e tivesse composto esse som, certamente eu não teria mudado nada. Tudo se encaixa perfeitamente. A música tinha que ser daquele jeito. Saca?

O CD é bom de cabo a rabo, mas você não pode deixar de conferir as músicas “Lies and Eyes”, “Listing” e “Empty Party Rooms”.

Ouça: Minus the Bear – Steel and Blood

Foto 10

Um ano depois do lançamento de Infinity Overhead, para provar que não precisa de folga, o MTB lançou o Acoustics II (2013), um álbum acústico ao vivo. O disco, ausente de músicas inéditas, traz vários sons legais como dos trabalhos anteriores.

Ouça: Minus the Bear –  Riddles

Foto 11

O último trabalho de estúdio rolou em 2014 e leva o nome Lost Loves, um álbum plugado com várias regravações de álbuns anteriores e uma única música inédita. Pode parecer chato um CD de músicas regravadas, mas, vale muito a pena conferir, eles mudaram completamente a estrutura das músicas antigas fazendo parecerem novas. Destaque para o som inédito “The Lucky Ones” e para as demais “Eletric Rainbow”, “Surf N Turf”, “Broken China” e “Invented Memory”.

Ouça: Minus The Bear – The Lucky Ones

O que esperar da banda para 2016? Não sei dizer haha, mas, sinto cheiro de full length vindo por aí, devido ao hiato de 3 anos e pouco sem lançar um álbum de inéditas.

Posso afirmar que os ouço faz um bom tempo e nunca ouvi nada igual, considero sim o Minus The Bear a melhor banda desse planeta, e é claro, isso é conversa de fã hahaha.

Se tudo o que eu escrevi ainda não te convenceu de que a banda é de fato incrível, dá o play!

Minus the Bear – Diamond Lightning

Enzo

 

 

Anúncios