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Hateen faz show marcante em Jundiaí, atendendo pedidos de fãs no repertório

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(Foto: Aldeia Bar)

No dia 25 de novembro, faltando apenas trinta dias para o natal, o grupo paulistano Hateen se apresentou no Aldeia Bar, em Jundiaí (SP), e presenteou o público com um grande show, contando com os maiores sucessos da sua carreira.

Antes, duas bandas da casa fizeram os shows de abertura: Boca de Lobo e Facing Death. A primeira, formada pelos vocalistas Bruno Galiego e Cassiano Biaggio, Cappuccelli (Guitarra), Raul Fernandes (Baixo) e Diego Martins (Bateria), faz um Punk Rock direto, pesado e com precisão, com claras influências de OFF!, Comeback Kid, Circle Jerks e Biohazard, e com uma presença de palco enérgica. No repertório, canções como: Celebração, Jurandir e Feras Cabeludas fizeram a alegria da imensa horda que acompanha fielmente a banda em suas apresentações. O principal destaque vai para o inesperado, e divertido ao mesmo tempo, cover de Living After Midnight do Judas Priest.

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Boca de Lobo (Foto: Aldeia Bar)

O Facing Death fazia, na ocasião, o show de lançamento do primeiro álbum do grupo, From Here to the Unknown. Apesar de todo o ineditismo, a banda conta com figurinhas carimbadas da cena jundiaiense dos anos 2000, oriundas de bandas como Make Your Wish, OneFourSeven e Dust Mind. O som do grupo é um passeio entre a fase madura do Millencolin em Pennybridge Pionners, com respingos sonoros de Hot Water Music e Jawbreaker.

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Facing Death (Foto: Aldeia Bar)

Para os donos da noite, o show foi uma catarse coletiva. No palco, uma banda muito bem entrosada, que se apresentava pela quinta vez em Jundiaí, sendo a terceira vez consecutiva no Aldeia Bar, se mostrava afiada em sua missão de tocar os sucessos da sua fase definitiva cantada em português, mas dando uma atenção maior em seu mais recente lançamento Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui, concebido no ano passado. Na plateia, um bom número se fazia presente, sendo suficiente para cantar, pular, subir na grade que separava o palco do público, e até mesmo se emocionar com lágrimas rolando nos olhos, diante das canções do grupo.

O show abriu com a faixa título do novo disco, seguido de Eu Voltei e da faixa título do quinto álbum do grupo, Obrigado Tempestade. A canção Perdendo o Controle, que narra o drama pessoal do vocalista Rodrigo Koala, que sofre de ansiedade e síndrome do pânico, foi dedicada a todos que também sofrem desse mal invisível. Do novo disco ainda teve Coração de Plástico e o hit Passa o Tempo. Do primeiro disco do grupo, cantado na língua natal, o seminal Procedimentos de Emergência, tivemos Não Vá, Uma Vida Sem Saudade, Inferno Pessoal e a radiofônica Quem Já Perdeu o Sonho Aqui?. Músicas como Laser e Você Não Pode Desistir, também fizeram presentes. Para os fãs da fase em inglês do quarteto, um deleite, uma versão do sucesso Danger Drive, eternizado no segundo disco do grupo, o clássico Dear Life, mas que foi revistado também no Procedimentos de Emergência.

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Hateen (Foto: Aldeia Bar)

Como citado anteriormente, o Hateen se encontra em sua melhor forma musical, uma banda totalmente entrosada e tocando na mais perfeita sincronia. Thiago Carvalho, fez por merecer o posto oficial de baterista, após amargar, durante meses, o cargo de substituto do Ricardo Japinha, que na época dividia funções entre a banda e o CPM 22. Thiago tem feeling, técnica e muita fúria por trás do instrumento, chegando até a deslocar de lugar o bumbo da bateria em diversas vezes durante o show. Formando uma cozinha precisa ao lado do baixista Leon Sérvulo, a dupla era a peça que faltava para engrenagem Hateen continuar a rodar.

Fábio Sonrisal e Rodrigo Koala, formam, hoje, a dupla de guitarristas mais respeitada da cena underground, com riffs marcantes, solos precisos e oitavadas que dão todo o dinamismo nas canções da banda. E o Koala, aliás, tem cantado de forma intensa, mantendo os seus berros e alcançando notas altíssimas no tom original.

O grande sucesso mainstream do grupo, a canção 1997, deveria fechar o show, mas foi nesse exato momento que a plateia, que também fez o seu show particular cantando todo o repertório, deixando a banda visivelmente emocionada, começou a pedir mais canções. E foram desses pedidos que ainda rolaram, de forma improvisada, mas muito bem executada: Minha Melhor Invenção, Não Existe Adeus e Perfeitamente Imperfeito.

Comemorando 23 anos de carreira, o grupo gravará o seu primeiro DVD ao vivo, no próximo dia 22 de dezembro, no Hangar 110, em São Paulo, sendo o último show da banda no local, e o penúltimo da casa, que irá encerrar as atividades nesse ano. Não há dúvidas que esse show será de muita importância para o grupo, mas, com certeza, essa noite no Aldeia Bar, também será inesquecível para todos que lá se fizeram presentes.

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Fila Benário Fala, Shows

O melhor do Rock In Rio 2015 (1ª Parte)

Pepeu e Baby

Não estava nos meus planos fazer uma cobertura, ou até mesmo escrever um simples texto sobre a edição comemorativa do Rock In Rio, que acontece na cidade maravilhosa desde a última sexta-feira.

Primeiro porque infelizmente eu não fui para o festival. Segundo porque quando se trata de um festival transmitido em tempo real pela TV, internet e qualquer outro meio, uma análise escrita acaba perdendo a relevância. Todo mundo já viu, já leu e já discutiu o que deveria. Porém, para o meu espanto e alegria eu fui muito cobrado por leitores do blog, pedindo um parecer meu a respeito dos shows que aconteceram no primeiro final de semana do Rock In Rio.

Foram tantos pedidos que eu resolvi atender com muito carinho e farei abaixo uma breve análise dos shows que na minha humilde opinião foram os melhores até então do festival:

A VOLTA DE BABY E PEPEU FOI O MELHOR SHOW DO ROCK IN RIO, E NÃO SE FALA MAIS NISSO

Quem me conhece sabe o quanto eu venero os Novos Baianos. Pra mim o início do Rock no Brasil está ali. O autêntico Rock Brasileiro, não aquela a cópia descarada da British Invasion que a Jovem Guarda de Roberto e Erasmo fazia. Lynyrd Skynyrd não enfiava influências sulistas em seu Rock? Porque não o Brasil não colocar pandeiro e cavaco no seu Rock Psicodélico?

Portanto, essa união do ex-casal, Pepeu Gomes e Baby do Brasil, depois de 27 anos, era esperada por mim com muita alegria, e o show foi um verdadeiro desfile de hits (Flor do Desejo, Mil e Uma Noites, Menino do Rio, Menina Dança, Masculino e Feminino e Trinindo Trincando) e de muita guitarra, com Pepeu pai e Pedro Baby, filho do casal, duelando nas seis cordas.

Baby está com a voz intacta, cantando maravilhosamente bem, alcançando os tons altíssimos e com uma presença de palco invejável. O fato de agora ela ser uma pastora evangélica (ou Popastora como a mesma definiu) e proclamar o nome de “Jesus Christ” no palco do Rock In Rio, trouxe um brilhantismo e irreverência a mais para apresentação.

Baby e Pepeu provaram que a verdadeira música brasileira está viva com eles, quem quiser é só chama-los.

DEE SNIDER SALVOU O ANGRA DO FIASCO DO ROCK IN RIO 2011

Depois da pífia apresentação na edição 2011 do Rock In Rio, no mesmo palco Sunset, o Angra finalmente se redimiu e entregou um show irretocável.

É evidente que Fábio Lione (Rhapsody On Fire e Vision Divine) é superior a qualquer vocalista que já assumiu o posto do Angra, e a sua interpretação de clássicos da era Mattos (Lisbon e Carry On) e da era Falaschi (Waiting Silence, Rebirth e Nova Era) só confirmou a tese.

No entanto foi a participação de Dee Snider, a voz e alma do Twisted Sister, executando dos hinos máximos da banda: I Wanna Rock e We’re Not Gonna Take It, que jogou gasolina no palco e incendiou a plateia.

METALLICA NO PILOTO AUTOMÁTICO É MELHOR QUE MUITA BANDA NA FLOR DA SUA JUVENTUDE

A família Medina aprendeu que não se faz Rock In Rio sem Metallica, essa é a terceira vez seguida que a trupe de James Hetfield vem para a edição nacional do festival. No entanto de todos os shows, esses foi o mais fraco, porém não necessariamente o pior, afinal de contas trata-se de Metallica.

Depois de uma exaustiva turnê que passou por todos os continentes do mundo, incluindo a Antártica, o Metallica encerrava a maratona de shows no palco do Rock In Rio, e era nítido o cansaço estampado na face de cada um dos integrantes, mas uma banda com hits do tamanho de Enter Sadman, Sab But True, Wherever I May Roam e For Whom the Bell Tolls, não faz show ruim. Nem a falha no som no meio de Ride The Lightning acabou com brilho da apresentação.

No final do show, o baterista Lars Ulrich pegou o microfone e disse que a banda estaria voltando para os Estados Unidos para continuar as gravações do novo álbum. Já estava na hora.

Que voltem descansados na próxima e com músicas novas no repertório.

SEAL, ELTON JOHN E ROD STEWART, A TRINCA ROMANTICA DESTRÓI NO ROCK IN RIO

No domingo o Palco Mundo recebeu a maior trinca da música romântica de todos os tempos, parecia mais um festival das rádios Alfa FM e Antena 1.

O britânico Seal já subiu no palco do Rock In Rio mandando logo de cara o seu maior sucesso, o hit Crazy, e ainda desceu no meio da plateia e cantou juntinho dos fãs, com a sua potente voz continua encantando a todos.

Se na edição de 2011 a organização do Rock In Rio sacaneou o Sir. Elton John, colocando-o entre duas ninfetinhas da música pop, Kate Perry e Rihanna. Dessa vez Elton estava no dia certo tocando ao lado de feras, e tal feito fez o show transcorrer melhor, e era nítida a alegria de Elton, que entrou no palco trajando um paletó com o logo do Captain Fantastic, personagem criado por ele na turnê do álbum Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy, de 1975
Com uma banda que o acompanha a mais de três décadas, Elton entregou o melhor da sua discografia: Tiny Dancer, Saturday Night’s Alright for Fighting, Rocket Man, Goodbye Yellow Brick Road, Levon, e The Bitch Is Back.

Rod Stewart, que tocou na primeira edição do festival, fez uma apresentação grandiosa, o que é de se esperar.
Mesclou hits importantíssimos da sua carreira solo (Da Ya Think I’m Sexy?, Rhythm of My Heart e Baby Jane) com as suas famosas versões para os clássicos: It’s a Heartache (Bonnie Tyler), Have You Ever Seen the Rain? (Creedence Clearwater Revival cover) e This Old Heart of Mine (Is Weak for You) (The Isley Brothers cover), e ainda mandou Stay With Me da sua antiga banda, o Faces. E nessa hora, Rod, fanático por futebol, chutou bolas para a plateia ensandecida.

E O QUEEN COM MENINO LAMBERT?

Esse foi o pedido mais registrado na página do Fila Benário Music: “O que você achou do Queen com o Adam Lambert?”, “Quando você vai falar do show do Queen no Rock In Rio?”, “Você acha que o menino canta bem?”, foram tantas perguntas a respeito do show do Queen com o Adam Lambert substituindo o insubstituível Freddie Mercury, que eu fiz questão de deixar para o final.

Cabe antes de mais nada deixar bem claro que se trata de uma opinião pessoal, e não da verdade que tem que ser seguida e acreditada na risca.

Eu sinceramente não sou fã da carreira solo do Adam Lambert, a sua música poperô de academia não me agrada nem um pouco. Quando o Brian May anunciou o garoto para o posto de vocalista e posteriormente uma turnê com o mesmo incorporado na banda, confesso que fiquei intrigado e nada satisfeito com anúncio. Ainda mais depois que o Queen já havia excursionado com o grande vocalista Paul Rodgers do Free e Bad Company.

Quebrei o meu preconceito e fui assistir alguns vídeos de Adam com o Queen, e confesso que duas coisas me chamaram a atenção positivamente. A primeira foi o fato dele cantar bem, posso não gostar da carreira dele, das músicas dele, mas não posso negar o óbvio, ele canta muito bem, alcança tons altíssimos, não é atoa que o repertório todo foi tocado no tom original. A segunda e mais importante é que no palco com o Queen, Adam Lambert é Adam Lambert, em momento algum ele se preocupa em ficar imitando Freddie Mercury, ele é ele e ponto final. Diferente do Chester Bennington que tem a necessidade de ficar imitando os trejeitos de Scott Weiland a frente do Stone Temple Pilots.

Quanto ao show da banda no Rock In Rio, não podemos chamar aquilo de um show do Queen, por mais que esteja ali o palco metade da formação original, na presença de Brian May e do baterista Roger Taylor, mas sim de uma bela homenagem a aquela que será eternizada como uma das bandas mais importantes do gênero.

Críticas vão vir de todos os lados: “Ah, mas não é a mesma coisa”, mas é claro que não é, assim como Black Sabbath sem Ozzy também não foi, e nem por isso deixou de ter o seu valor. Os críticos de internet chegaram até a reclamar do fato de Adam Lambert ser homossexual… Sério mesmo que um fã de Queen vai querer queixar de um vocalista homossexual? É sério? Seria o mesmo que premiar o Geraldo Alckmin pela gestão da crise hídrica… Ah tá, isso também aconteceu…

Mas brincadeiras à parte, respondendo as inúmeras perguntas que me fizeram a respeito do show. Sim, eu gostei da apresentação, e como não gostar minha gente? Sons como Stone Cold Crazy (de longe a minha música favorita do Queen), Another One Bites the Dust, Killer Queen, Somebody to Love, Crazy Little Thing Called Love, We Will Rock You e We Are The Champions, sendo executados com perfeição pela dupla May e Taylor, foi um deleite para os ouvidos.

Sobre Lambert, ele cumpriu muito bem o seu papel. Compará-lo com Freddie? Impossível, esse é incomparável, mas se a comparação for com Paul Rodgers, Lambert perde. Rodgers tinha um timbre mais Rock n’ Roll e Blues, perfeito para a sonoridade do Queen, já Lambert veio do Pop, no lugar de agudos ele faz altos vibratos, mas isso não significa que ele seja ruim ou indigno de ser o mestre de cerimônias dessa grande homenagem ao legado da banda.

Enfim, essa foram algumas das minhas observações.

A partir de hoje tem mais Rock In Rio, e desses quatros dias eu já arrisco em dizer que o melhor show dessa segunda etapa será do Faith No More, que se apresenta amanhã na mesma noite que o Slipknot.

Se eu estiver errado me cobrem aqui.

Larissa Darc Fala, Shows

Festival da Cultura inglesa – Johnny Marr + The Strypes + Gaby Amarantos

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Por Larissa Darc
Fotos por Beatriz Sanz

Uma vez por ano, a escola Cultura Inglesa traz a solo brasileiro diversas personalidades para o seu festival. Nomes como Franz Ferdinand, Los Campesinos e The Jesus and Mary Chain já fizeram parte da lista de artistas que se apresentaram gratuitamente em São Paulo pelo evento.

Dessa vez, os convidados foram The Strypes, Gaby Amarantos e Johnny Marr. Juntos, provocaram uma mistura explosiva no domingo da cidade mais movimentada do país.

A abertura dos shows ficou por conta da Banda Staff Only de professores e funcionários da Cultura Inglesa e a Banda Blue Drowse de alunos da mesma instituição. Os dois apostaram em covers de famosos artistas do cenário indie e rock, aquecendo a multidão para os shows que viriam a seguir.

O Fila Benário Music foi credenciado para curtir o festival, e vamos te contar o que aconteceu durante as apresentações dessa quente tarde de domingo. Vamos lá!

The Strypes
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Os irlandeses do The Strypes abriram mão do chá da tarde para subir pontualmente as 4h da tarde no palco. Com o seu indie rock elétrico, conduziu a platéia a um show agitado, com ares do lollapalooza. Ross Farrely, vocalista da banda, mostrou-se performático, junto aos seus curiosos instrumentos. Dançava com o pandeiro e girava a inseparável gaita ao redor do corpo durante os momentos de instrumentais.

Em certo momento, Pete O’Hanlon, o carismático baixista, foi até a platéia buscar um balão inflável do Bob Esponja. A atitude animou a todos, menos ao vocalista, que fez gestos de reprovação ao companheiro de banda.

Simpáticos, agradeciam ao publico o tempo todo, e deixaram uma sensação de missão cumprida ao fim do show.

 Gaby Amarantos
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Logo em seguida, anunciaram que a “Rainha da Amazônia” subiria ao palco. E estavam falando, é claro, de Gaby Amarantos. Mesclando grandes hits ingleses a marcante melodia paraense, ela animou com maestria o exigente público que, por alguns momentos, abandonarem o “carão” para se jogaram em contagiantes danças.

Diversos convidados especiais foram chamados durante a apresentação. Uma delas foi a “Valentine”, uma travesti famosa por interpretar, de forma cômica, a cantora Amy Winehouse.

O ponto alto do show foi, sem dúvidas, o momento em que foi tocado um medley com diversos funks de sucesso, um atrás do outro. Pode-se ouvir desde “Cerol na Mão” à “Minha Eguinha Pocotó”.

Chegando ao final do show, Gaby distribuiu flores aos fãs, enquanto discursava a favor da diversidade, repudiando ao conservadorismo. Foi profundamente aplaudida com ao dizer que “Ser brega é ser feliz!”.

Johnny Marr
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O mestre de cerimônia a encerrar a maratona de shows foi, ninguém menos do que, Johnny Marr, o ex-guitarrista da banda The Smiths.

Para descrever esse show, podemos usar o “Oh, it was intense” que ele comentou após executar uma de suas músicas.

Apesar de ser um show focado no seu trabalho solo, não abriu mão de grandes clássicos da sua antiga banda, para levar os ávidos fãs a uma viagem de volta para os anos 80. Em There’s a light that never goes out, transformou o Memorial da America Latina em um grande baile ao ar livre, entornando um sonoro coral nostálgico.

Agradecia aos fãs a todo momento, desfazendo de vez o estereótipo do “Inglês antipático”. Saiu do palco após tocar o hit “how soon is now“, mas logo voltou para finalizar com o Bis. Ele cantou mais 3 músicas, e foi embora de vez deixando uma promessa aos fãs:

“See you next year!”

Quem ai já está ansioso para 2016?

Veja todas as fotos do evento na nossa página do facebook.
Perfil - Larissa Darc - Consolas Tam. 11

Fila Benário Fala, Shows

Zé Henrique & Gabriel encerra a Virada Jundiaí com direito a show de burocracia da produção

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Uma das maiores críticas que leio dos leitores do Fila Benário Music, é pelo fato blog abordar apenas shows e artistas de Rock e MPB, não abrindo espaço para outros estilos e ritmos. Em partes eu discordo, afinal temos o Willian Abreu que é um grande entendido de Música Clássica e escreve muito acerca do tema. E com a entrada dos demais colunistas o site tem ficado mais diverso e plural, musicalmente falando.

Mas foi ouvindo o clamor desse povo, que ontem eu fui ao Parque da Uva (Jundiaí – SP) fazer a cobertura do show da dupla sertaneja Zé Henrique & Gabriel, no encerramento da Virada Jundiaí (leia a cobertura completa do dia anterior aqui). Porém não foi uma tarefa fácil, e não me refiro a música.

Conforme a orientação da organização do evento, a secretaria da cultura da cidade de Jundiaí, a dupla iria atender a imprensa no camarim após o show. A única exigência era a apresentação da credencial para a entrada ser liberada. Como eu estava devidamente credenciado, e no dia anterior tudo havia funcionado tranquilamente, pensei que seria fácil. Logo no início do show, fui tentar entrar na famosa “zona mista”, a área entre o palco e a plateia, local onde fica a imprensa, o pessoal da produção e os seguranças; porém a minha entrada foi barrada, apresentei a credencial para o segurança, mas a resposta dele era negativa.

Quando olhei pra dentro da zona mista, o espaço, ao contrário do dia anterior, estava lotado, abarrotado de gente, de fãs, com suas latinhas de cervejas, celulares fazendo selfies e curtindo uma grande balada. Perguntei novamente para o segurança: “porque eu não posso entrar amigo?”, mas ele não me respondia. O segurança era o mesmo do dia anterior, de uma empresa terceirizada contratada pela prefeitura da cidade, ai eu chamei ele de novo e falei: “amigo, você não lembra de mim? Eu sou da imprensa, eu estava aqui ontem, nós conversamos o dia todo, eu cobri os shows de ontem ai dentro”, disfarçadamente ele chegou no meu ouvido e cochichou: “não sou eu não, mano, é a produção dos caras que não quer deixar”.

A grade que separava o "público" do outro público, e eu barrado do lado de fora
A grade que separava o “público” do outro público, e eu barrado do lado de fora

Mas não queria deixar porque? Mas e aquele monte de gente ali curtindo uma balada? Continuei na grade a espera de alguém da organização, eis que apareceu uma moça, chamei ela e contei toda história, nisso ela me disse: “a produção só deixa entrar com essa pulseirinha preta no pulso, quem não estiver não entra, nem com o crachá da imprensa a entrada é liberada”. Ouvi aquilo incrédulo e aproveitei para questionar a presença daquele público enorme na área reservada a produção e a imprensa: “eles são do fã clube”, disse ela, “eles tem passagem livre”.

Comecei a guardar as minhas coisas para ir embora, quando a moça compadecida com o ocorrido, implorou uma tal pulseira para a produção da dupla, e assim a minha entrada foi finalmente liberada.

Com toda essa confusão eu perdi mais da metade do show, mas o pouco que assisti trata-se daquele mais do mesmo dos shows de sertanejo, quem já esteve presente em um conhece o script. A dupla começa tocando os seus principais sucessos, depois passa a interpretar canções de outras duplas e os sucessos radiofônicos do momento. Prestam uma homenagem a verdadeira música de raiz, tocando clássicos de moda de viola. E aproveita a oportunidade para fazer o jabá dos filhos cantores, Zé Henrique no caso, levou para o palco os dois filhos, um, o João Pedro, é cantor gospel, e junto com o pai cantou a música Faz um Milagre em Mim. Já o outro, o Rafael Lima, subiu no palco de calça apertada cantando um arrocha com a seguinte letra: “Eu já peguei a sua amiga, mas vou pegar você também”. Como dizia o Smashing Pumpkins, era o “Sagrado e o Profano” na mesma moeda.

Rafael Lima mandando o seu arrocha
Rafael Lima mandando o seu arrocha

Porém a verdade tem que ser dita, a banda que acompanha a dupla é fenomenal, músicos de altíssima qualidade, tocando com maestria, técnica apurada e com tamanho profissionalismo. O guitarrista jundiaiense que acompanha a banda, o músico Fernando Gambini, é um artista excepcional, além de ser um excelente cantor. Em determinado momento da apresentação, ele assumiu os vocais e fez a alegria do público roqueiro presente tocando um medley com as canções Hey Brother (Avicii), It’s My Life (Bon Jovi) e Sweet Child o’ Mine (Guns n’ Roses).

Fernando Gambini fazendo o seu show
Fernando Gambini fazendo o seu show

Zé Henrique merece também uma atenção especial por dois motivos, primeiro pelo excelente músico que é, fazendo bons solos de guitarra e hipnotizando a todos no toque da viola caipira. Porém o campo onde artista melhor atua é na composição, Zé Henrique, ou João Rodrigues, seu nome de batismo, é compositor de mais de 400 músicas gravadas pelos maiores nomes da música sertaneja. De Milionário & José Rico, passando por Daniel, Rio Negro & Solimões, Rick & Renner, Bruno & Marrone, Zezé Di Camargo & Luciano, até chegar na nova geração do sertanejo como Jorge & Mateus.

Hoje, 90% da música sertaneja tocada nas rádios do país, tem a assinatura do compositor Zé Henrique, portanto é aceitável a inclusão de muitas dessas canções no repertório da dupla, afinal é tudo dele mesmo.

Fim de show, não é um show para mim, afinal não sou nada amante do gênero, mas é um show bem feito, muito bem estruturado, com uma banda profissional, com som de primeira. Pra quem gosta é um prato cheio e diversão garantida.

Eis que começa o meu drama: mais do que depressa eu fui resgatar na plateia a minha grande amiga e fotografa Juliana Pavan, que estava credenciada, mas que não tinha a bendita pulseira preta que dava passagem para o camarim e entrevista com a banda, conversei com o segurança novamente dizendo que ela era minha fotografa, que ela estava com a credencial da prefeitura e que ela estava acompanhada comigo que estava com a pulseira preta, mas resposta obviamente foi negativa, mas ele deu um suspiro de esperança: “vai lá dentro e pede  você mesmo para a produção”. Entrei correndo nos backstages e trombei com um brutamonte vestindo a camiseta da produção da banda, com o enorme logo da Som Livre estampado na manga, falei que eu era da imprensa, que a minha fotografa estava do lado de fora, que se ele não autorizava a entrada dela, mais do que depressa ele não autorizou. Com muita dor no coração eu sai para arena e dispensei a mesma, peguei a câmera fotográfica com ela, e eu mesmo ficaria incumbido de fazer a entrevista e tirar as fotos. Jornalismo mais independente do que esse, impossível.

Fui pra porta do camarim que estava abarrotada de gente em uma fila quilométrica para tirar fotos e pegar autógrafos. Nisso passou uma funcionária da organização da Virada e eu rapidamente perguntei: “a imprensa vai entrar depois desse pessoal todo, ou teremos acesso antes?”, ela respondeu: “a imprensa já entrou, você não vai entrar mais não”. Mais do que depressa eu retruquei: “como assim a imprensa já entrou? O show acabou agora de pouco, não faz nem cinco minutos, você viram eu aqui lutando pra tentar colocar a minha fotografa aqui dentro, e como assim a imprensa já entrou? A dupla está dando entrevista de 30 segundos agora?”. Nisso ela disse aquilo que era esperado: “ordens da produção, agora entra só os fãs, se você quiser esperar todo mundo entrar e depois tentar a sorte, espera ai, mas tenho certeza que você não vai conseguir”, disse ela completando: “eles proibiram até filmagens e fotografias em cima do palco”.

Fiquei ali do lado camarim olhando aquela fila quilométrica, e nisso me veio uma lembrança da Virada Cultural do ano passado, que aconteceu no mesmo lugar, lembrei do Roger Moreira do Ultraje a Rigor, que me recebeu sorridente no camarim, e ainda me disse: “senta aqui amigo, vamos bater um papo”. Lembrei também da maravilhosa Bruna Caram, no mesmo evento, que durante a entrevista segurou nas minhas mãos e cantou um trechinho de “Indiferença” do Zezé Di Camargo & Luciano.
Rodrigo Lima do Dead Fish, que é considerado (até por ele mesmo) um chato, me deu um abraço bem apertado após a entrevista que fiz com ele, e ainda me disse: “essa entrevista foi polemica hein? Você me precisa me mandar ela depois”. E como esquecer a simpatia de Rodrigo Koala e Fábio Sonrisal do Hateen que me atenderam no bar do Inferno Club, com a maior alegria e disposição?
E nem precisei ir muito longe com as minhas lembranças, no dia anterior, naquele mesmo lugar, quando eu fui abordar o rapper GOG para uma entrevista, o mesmo disse: “meu amigo, você me espera só um minutinho que eu vou atender um pessoal que quer tirar uma foto comigo ali na frente? Eu já eu volto”, dali 20 minutos ele voltou sorridente e me disse: “bora bater um papo, Negrão?”. Sem contar o supersimpático Chico César, que me atendeu antes do show para entrevista, e no final do show ele me convidou para entrar no seu camarim e me serviu uma fatia bem generosa do seu lanche de metro, e ainda me deu um copo de whiskey, que aceitei por educação e depois deixei sobre a mesa do camarim, pelo fato de eu não beber.

Com todas essas lembranças eu voltei a realidade e me perguntei: “O que mesmo eu estou fazendo aqui?”

Guardei o bloco de perguntas e a câmera fotográfica na mochila e fui embora.

Se toda essa burocracia é uma exigência da gravadora, e a dupla é inocente? Isso eu não sei, só sei que eu não estava ali pedindo dinheiro emprestado e muito menos aprovando crédito para comprar um carro ou apartamento, eu estava apenas fazendo o meu trabalho e principalmente valorizando o deles, afinal de contas, o que seria de qualquer artista sem a exposição da mídia e sem os veículos de comunicação?

Agradeço a toda equipe da organização da Virada Jundiaí, que tentou fazer de tudo para que o meu trabalho fosse realizado, peço desculpas para fotógrafa Juliana Pavan por todo o transtorno. E quanto a tal produção da dupla, um recadinho:

Calma, vocês trabalham para o Zé Henrique & Gabriel e não para o U2.

Shows

Segundo dia da Virada Jundiaí reúne Rock, Rap e MPB

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“Três dias de muita arte, música e cultura”, esse é o slogan da primeira Virada Jundiaí, a mais nova empreitada cultural da prefeitura de Jundiaí, que vem substituir a tradicional “Virada Cultural Paulista”.

Com novo formato, nova proposta, mas com o mesmo espírito, a Virada Jundiaí, conta com três dias de evento, dias 22, 23 e hoje, encerrando com o show da dupla sertaneja Zé Henrique & Gabriel, no tradicional Parque da Uva.

A equipe do Fila Benario Music não esteve presente no primeiro dia de evento, que contou com as apresentações dos Demônios da Garoa e o Teatro Mágico, mas ontem o próprio Fila Benário esteve presente e conta as experiências logo abaixo.

Sábado de Rock na Virada Jundiaí

Quem sentiu falta de algum medalhão do Rock Nacional no Line-up da Virada Jundiaí, não tinha do que reclamar, Jundiaí é um dos maiores celeiros do Rock Underground, com bandas sensacionais que representam muito bem o estilo musical. E muito sagaz foi a prefeitura em escalar na programação os seus maiores representantes.

A festa começou às 10 da matina com a banda Metamorffose se apresentando no Pavilhão Interno do Parque da Uva. Se eles foram injustiçados com horário ruim, com o tempo cortado e com a ausência do segundo guitarrista do conjunto, o Guilherme Bianchini, o mesmo não pode dizer da apresentação da banda que foi intocável.
Tamanho despojamento, técnica e profissionalismo que a banda escancara no palco é absurdo, em um set-list repleto de covers nacionais e internacionais, entre elas as versões anárquicas para Por Que a Gente é Assim (Barão Vermelho), O Papa é Pop (Engenheiros do Havaii) e Tempo Perdido (Legião Urbana), e uma versão de Plush do Stone Temple Pilots, que faria Scott Weiland sentir vergonha da sua atual condição. Famintos, a única canção própria do conjunto no repertório, foi uma pequena amostra do largo caminho que a banda tem a trilhar na reconstrução do Rock Nacional Mainstream.
Durante o show, o Vocalista Nick Moraes anunciou que a banda estará no cast da coletânea que apresenta novos nomes do Rock Nacional, produzida pelo estúdio Midas (Rick Bonádio).
Que o sucesso venha em breve, pois o Mainstream merece bandas assim.

Metamorffose
Metamorffose

Durante a apresentação da Metamorffose, a banda Felina já se apresentava no Coreto do Parque da Uva, um palco bem montado ao ar livre, com puff, bancos de madeira e cadeiras de plástico, fazia a plateia se sentir à vontade, e deliciar-se com um bom som.
Se faltava técnica e profissionalismo na banda, sobrava energia, garra, sensibilidade e muita ousadia na Felina que fez um enorme saladão sonoro no set-list que ia de Pearl Jam e Nirvana à Cássia Eller e Amy Winehouse. Versões noises de Joan Jett e King Of Leon estiveram também presentes no repertório, que encerrou com a emblemática Best of You do Foo Fighters. Tudo isso muito bem cantado no poderoso vozeirão da belíssima Juliane Cardoso.
Que esse frescor e displicência juvenil que a Felina carrega em sua sonoridade seja utilizada na composição de músicas próprias, o Rock Nacional está carente de atitudes assim.

Felina
Felina

Pontualmente às 14h, foi a vez do Ecliptyka, com o seu Heavy Metal pesado e inteligente, se apresentar no Palco Externo do Parque da Uva. Divulgando o mais recente trabalho, o álbum Times Are Changed (leia a resenha aqui), a banda é um verdadeiro show a parte no que diz respeito a profissionalismo. Desde a abertura com Changed and Gone, passando por Forgotten, The Your Final Breath, If You Only Knew e o poderoso single Times Are Changed, você se descabela com as guitarras pesadas e ultra-rápidas de Hélio Valisc e Guilherme Bollini, e se encanta com os vocais e a performance arrasadora de Helena Martins.
O show foi dedicado a filha recém-nascida do baterista Tiago Catalá, que havia nascido no dia anterior. Na ausência do mesmo quem assumiu as baquetas foi o também genial Murilo Martins.
What You Think You Feel encerrou a apresentação em grande estilo, mostrando que o Ecliptyka não é apenas um forte nome na cena metal jundiaiense, mas na brasileira.

Ecliptyka
Ecliptyka

Com contrato assinado na Sony Music, e com status de banda grande, a Locomotron se apresentou às 18h no Pavilhão Interno. Infelizmente não acompanhei o show todo, pois na mesma hora o rapper GOG se apresentava no Palco Externo, mas o pouco que conferi, deu pra sacar a energia e carisma dos garotos em versões próprias para grandes clássicos do Rock Nacional, como Malandragem dá um Tempo (Versão do Barão Vermelho para o sucesso do Bezerra da Silva) e Sociedade Alternativa (Raul Seixas).

Locomotron
Locomotron

É o Terror, é o Terror, Rap Nacional, é o GOG que chegou

O rapper Genival de Oliveira Gonçalves, o GOG, que já tem cidadania jundiaiense, chegando a morar por um bom tempo na Vila Hortolândia, na cidade de Jundiaí, havia se apresentado na parte da tarde no bairro do São Camilo, dentro da programação da Virada Jundiaí. Mas quem achou que o seu show no Parque da Uva seria morno e cansado, estava errado, GOG veio cheio de rima e energia e fez um show histórico, ou uma celebração como o mesmo diz: “celebração a gente ri, chora, se emociona e fica com marcas”, salientou.
Com uma banda enxuta, com percussão, violão e pick-ups, durante uma hora e vinte minutos de apresentação GOG, fez rima, prosa, discursou e claro mandou os seus principais sucessos, entre eles: É o terror e Quando o Pai se Vai, com o famoso sampler de “Como Vou Deixar Você” de Paulo Diniz.
Entre os discursos acalorados, o grande ponto alto da apresentação, GOG frisou: “a palavra tolerância deve ser tirada do dicionário, eu não quero tolerância, eu quero respeito”. Em meio à polêmica da redução da maioridade penal, GOG foi categórico: “Eu sou a favor da maturidade cultural”. E orgulhoso da sua negritude, GOG conclamou: “a chapinha nos aprisionou durante anos, agora ela não tem mais vez na quebrada”, um convite aos negros não se envergonharem das madeixas crespas.
GOG convidou para o palco, o grupo de rap jundiaiense 288, para dar uma canja em uma música autoral, a satisfação dos garotos em estar ao lado do mestre do rap era nítida.
A canção Fogo no Pavio, encerrou a apresentação com GOG saudando os professores em greve, segundo o mesmo: “os formadores do país”.

GOG
GOG

Chico César absurdamente genial

Duas horas depois, o Palco Externo era finalmente ocupado por Chico César, o grande gênio da música popular brasileira.
Não há meros expectadores no show de Chico César, na celebração musical do pequeno paraibano, você está exposto a qualquer tipo de experiência, você canta, dança, sorri, esperneia, se emociona e se sai de lá querendo mais e agradecido.
A enxuta, porém eficiente, banda formada por baixo, sanfona, bateria e com o violão/guitarra e voz de Chico, começou os acordes de Béradêro, César subiu todo simpático saudando a plateia, e a partir daquele momento foi um verdadeiro desfile de sucessos. Mama África, o seu maior sucesso foi a terceira canção do repertório, para delírio dos presentes que dançaram o tempo todo. Baladas como Pensar em Você e A Primeira Vista, se encontravam com os forrós e xotes de Comer na Mão, Forró Pesado e Alma Não tem Cor.
Chico César fez a plateia, formada em sua maioria por brancos, cantar o nome do ativista Nelson Mandela, no xote-reggae Mandela. E convidou o rapper GOG para a poderosa: Respeitem os Meus Cabelos, Brancos.

Chico César e GOG
Chico César e GOG

Chico é fenomenal, sua presença de palco, sua voz poderosa, e a sua técnica no violão e na (sensacional) guitarra (em formato de ônibus) é hipnotizante.
O final com Chico e banda de mãos dadas a capela cantando Pedra de Responsa, foi arrepiante.

Chico César e Banda
Chico César e Banda

Uma verdadeira aula de música brasileira, quem viu, viu!!!

Em breve aqui no Fila Benário Music, a entrevista completa com o rapper GOG e o mestre Chico César.

Lançamentos e Novidades, Larissa Darc, Shows

Dica: Vá de Terno esse fim de semana

10916351_830632130306672_4582601114635447323_oPor Larissa Darc

Uma das bandas nacionais que foi destaque nessa edição do lollapalooza volta aos palcos da cidade, e dessa vez, de graça.
Paulistanos desde o nascimento até as suas composições, os meninos d’O Terno vem se destacando no cenário musical com o seu segundo album, lançado em 2014, o auto-entitulado “O terno”.

O Terno
Saindo um pouco do clima de assassinatos compulsivos, eles resolveram apostar em letras mais românticas, sem perder o bom humor característico.
A cerca de um mês, foi anunciada oficialmente a saida do baterista Victor Chaves, e agora quem compõe o trio é Biel Basile.

Neste domingo, dia 19 de abril, às 14h eles se apresentam no Parque Villa Lobos, através do Cultura Livre SP, um projeto do Governo do Estado de São Paulo, que desde 2011 traz arte e cultura a espaços públicos da capital.
Quem também sobe (ou no caso, desce) o palco do anfi-teatro do parque é a já consagrada Luiza Possi, que às 15h cantará músicas do seu sétimo álbum, o “Sobre Amor e o Tempo”.

Luiza Possi também participará do show
Luiza Possi também participará do show

Separamos algumas músicas da banda para você fazer bonito na plateia:

O Terno – 66

O Terno – Ai Ai, Como eu me Iludo

O Terno – Papa Francisco Perdoa Tom Zé

Onde: Parque Villa lobos
Como Chegar: Estação Villa Lobos – CPTM
Horário: A partir das 14h
Quanto: De graça

Perfil - Larissa Darc - Consolas Tam. 11

Fila Benário Fala, Shows

Smashing Pumpkins salva Lollapalooza 2015 do abismo

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Do pouco que eu acompanhei dos dois dias do festival Lollapalooza no último final de semana, cheguei a conclusão que essa com certeza foi a edição mais fraca, rala e superficial do evento. E quem realmente salvou ambos os dias foram os headliners.
No sábado em meio de centenas de bandas indies chatérrimas e Dj’s que só apertam play gritam palavras: “hello brazil”, quem se fez notar foi o todo poderoso Robert Plant, que dispensa credenciais, e fez um show memorável ao lado do seu mais novo grupo The Sensational Space Shifters.
O domingo já era previsto como o pior dia do festival, e não só ficou na promessa como se foi cumprido, com mais bandas indies insossas e depressivas, mais Dj’s fazendo a garotada dar soco no ar e virar os olhos. O único resquício de Rock que sobraria naquele domingo ficou sob-responsabilidade do Smashing Pumpkins, e esse por sua vez não fez feio.
Subindo no palco patrocinado por uma marca de desodorante, pontualmente ás 20h30 Billy Corgan, o líder e cabeça pensante do grupo estava acompanhado da sua nova e provisória formação que em termos de técnica e despojamento não deve em nada a formação clássica do conjunto.
O repertório foi o melhor já apresentado pela banda em anos, abrindo com a nervosa e surreal Cherub Rock, do seminal álbum Siamese Dream , o Smashing Pumpkins logo na sequencia presenteou os fãs com um dos seus maiores hits da sua carreira, a belíssima balada Tonight, Tonight.

O restante do set list foi um passeio por toda a discografia do conjunto, do já citado Siamese Dream (1993), tivemos a grande surpresa da noite que foi o clássico Disarm que há muito tempo não era tocado pela banda e que ganhou lugar na recente turnê. Do esquizofrênico Adore (1998), tivemos o dançante single Ava Adore, que colocou a multidão para berrar a plenos pulmões o refrão “We must never be apart”. Clássicos como 1979, Bullet with Butterfly Wings do Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995), dividiam espaço com Being Beige, Drum + Fife, Monuments e One and All do mais recente álbum Monuments to an Elegy (2014) que funcionaram perfeitamente ao vivo. Até Pale Horse e United States que não as melhores canções dos respectivos álbuns, Oceania (2012) e Zeitgeist (2007), dentro do repertório se fizeram notar e ganharam peso extra, a última então virou uma enorme e pesada jam.
Brad Wilk com certeza é o cara mais sortudo do mundo, afinal de contas ele integrou uma das bandas mais importantes dos anos 90, o Rage Against The Machine, e posteriormente a dos anos 2000, o Audiosalve, além de ter a honra de gravado o último álbum de estúdio do Black Sabbath, o 13 (2013). E agora integra o line up do Smashing Pumpkins sendo com certeza o melhor instrumentista no palco, tocando forte, pesado, esbanjando técnica e aprimorando ainda mais as tradicionais viradas e contratempos das músicas.

Brad Wilk
Brad Wilk

Já o baixista Mark Stoermer do The Killers, se de um lado sobra competência como músico, do outro falta carisma e vontade, o mesmo não se movimentava e não esboçava reação alguma no palco. Talvez seja porque ficamos mal acostumados com o Pumpkins ter tantas baixistas belas e carismáticas como D’arcy Wretzky, Melissa Auf Der Maur, Ginger Reyes e Nicole Fiorentino.
Se há oito anos Jeff Schroeder integrava a banda despertando uma imensa desconfiança a cerca do seu futuro desempenho, hoje ele tem o seu lugar garantido nos Pumpkins, e tampouco os fãs se lembram de quem foi James Iha. E Billy Corgan, o gênio genioso, o cara mais difícil do Rock, a metralhadora giratória que não tem papas na língua e fala o que der na telha, estava em uma noite inspirada, tanto musicalmente fazendo urrar a sua guitarra, com muito peso e solos bem executados, além da sua característica voz que permanece intacta. Como pessoalmente, interagindo com plateia o tempo todo, sorrindo, se divertindo e regendo o coro de mil vozes que tomavam por completo o Autródomo de Interlagos.
Durante a apresentação da banda, Billy tocou um trechinho de Killing In The Name do RATM ao apresentar Brad Wilk e arrancou gargalhadas da plateia.
O curto repertório de uma hora e meia de duração ainda contou com o sensacional b-side Drown, que causou histeria nos die-hard-fans da banda, além da sensacional Stand Inside Your Love, e encerrou de forma sublime com Corgan sozinho no palco empunhando um violão tocando um dos maiores sucessos da banda, o hit Today, com plateia em uníssono, fazendo inclusive os solos de guitarra em determinada parte da canção.
Ao longo dos seus 24 anos de festival, o Lollapalooza se perdeu e muito, em forma, conteúdo e autenticidade. Se no início tratava-se de um festival que apresentava o que havia de melhor na música, era totalmente alheio ao corporativismo e se embasava em causas humanitárias. Hoje o que temos é um circo produzido pela indústria cultural, que rasteja amparado por grandes empresas que injetam dinheiro a troco de publicidade, e escala um line up musical tão profundo quanto um pires. E depois de tanta porcaria que assisti nos palcos do Lollapalooza naquele domingo, quando Corgan subiu com o seu Smashing Pumpkins e fez urrar a sua guitarra eu olhei para os céus e agradeci a Deus por esses gênios ainda existirem.