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“No último sábado, dia 21, uma jovem, de apenas 16 anos, moradora de uma comunidade no Rio de Janeiro foi covardemente estuprada por 30 homens na casa do seu então namorado.”

Para! Só essas duas linhas já causam repulsa em qualquer ser humano que tenha o mínimo de caráter. Mas tão grave quanto o crime tem sido as opiniões aleatórias expressas nas redes sociais nas quais pessoas tentam justificar o injustificável: “Mas ela morava em uma favela”, como se as condições sociais da garota justificam ela ter sido barbaramente violentada por 30 brutamontes. “Ouvi dizer que ela tinha um filho de três anos já”, “parece que ela usava droga”, e é claro aquele julgamento que extrapola os limites da insanidade humana: “Meu, ela mora em uma favela no Rio de Janeiro, as meninas de lá andam quase nuas, ou com aqueles shortinhos jeans que é mais fácil andar pelada, porque não tampam nada, ela provocou…”

Agora vamos esquecer de vez esses comentários e vamos voltar para o lead da matéria: “Uma jovem de APENAS 16 ANOS”, 16 anos, segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) ela ainda é uma adolescente, não chegou a idade adulta. “Moradora de uma comunidade do Rio de Janeiro foi COVARDEMENTE ESTUPRADA POR TRINTA!!! TRIN-TA!!! HOMENS NA CASA DO SEU ENTÃO NAMORADO”. Precisava escrever em letras garrafais? Estamos diante de um crime: Uma criança foi brutalmente violentada por trinta pessoas e a culpa ainda recai sobre a vítima com pré-julgamentos que nada justificam a ação dos trinta animais covardes, incluindo o seu namorado que arquitetou toda ação, dopando a mesma e permitindo tal carnificina moral e documentando tudo em vídeo que foi divulgado nas redes sociais.

Resumindo, uma criança em situação de vida carente, que mora com os pais na periferia, que foi apenas passar um dia na casa do seu namorado, teve a sua adolescência massacrada fisicamente, moralmente e psicologicamente e a culpa AINDA É DELA?

Se você ainda pensa assim, convido a refletir a letra dessa canção que irei esmiuçar abaixo. Essa já é a terceira vez que essa música aparece em uma postagem aqui (das outras vezes: aqui e aqui), mas dessa vez eu convido a refletir trecho a trecho. Die Die da banda paulistana de Hardcore feminista Dominatrix, foi lançada em 2001 no disco Split Bike, junto com a banda Dance Of Days e anos depois relançada no disco Beauville de 2003. O veloz Punk Rock cantado em inglês com um trecho narrado em português retrata de forma clara, direta e concisa a vida da mulher que sofre com os abusos físicos e psicológicos e ainda tem a culpa recaída sobre si:

Die Die (Dominatrix)

Cinical cinical dumb to the bone, mr. know-it-all
dumb to the bone, and then you tied
to the same old shit, hiding the surface with more radical surface
You think you see the whole thing by knowing a part of it and then
You’re fucking with the wrong girls again

Cínico, cínico, burro até o osso, o Sr. sabe tudo
Burro até o osso
Apegado à mesma velha merda, escondendo a superfície radical.
Você acha que sabe tudo por saber só uma parte
Então você está se metendo com as meninas erradas novamente

A curta estrofe, que é praticamente cuspida com raiva por Elisa Gargiulo, explica claramente a ação dos juízes morais de plantão. Pessoas cínicas que tentam de todas formas justificar o crime brutal sempre apegado as velhas razões radicais. Culpando a vítima pela roupa que ela veste, pelo fato dela morar em uma comunidade carente, por ela ter tido envolvimento com drogas no passado ou até mesmo ter um filho.

Die!! Die bigot scum
We’ll build up our own
Way, we’ll not take it anymore,
Die bigot scum!

Morra! Morra imbecil preconceituoso
Iremos construir o nosso próprio caminho
Não vamos mais aturar isso,
Morra imbecil preconceituoso

O forte e violento refrão é um grito de basta! Não se refere e nem incita uma morte física dos agressores sexuais e os verbais que justificam a violência, mas sim uma morte simbólica, que todos esses ideais preconceituosos e principalmente a cultura de estupro sejam enterrados de uma vez por todas, afinal “não vamos mais aturar isso”.

Seu burro, seu idiota, que antissocial o quê!
Antissocial é uma mulher tentando andar
Numa rua escura à noite.
Que tipo de vida é essa que eu tenho que
F
icar 24 horas por dia alerta igual a um cão-de-guarda?
De quem são os olhos que te vigiam?
De quem é a mão que te ataca?

E nesse trecho narrado em português, Elisa faz um desabafo no qual muitas mulheres irão se identificar. Quantas e quantas garotas não foram assediada no transporte público, na rua, passando em frente a uma construção e ao agir com indiferença, com constrangimento ou até mesmo com raiva e fúria por parte do abusador, não teve que ouvir ainda ofensas do tipo: “Que chata, que antissocial”, mas na próxima frase ela já explica: “Antissocial é uma mulher tentando andar numa rua escura a noite”. O trecho seguinte: “Que tipo de vida é essa que eu tenho que ficar 24 horas por dia alerta igual a um Cão de Guarda?” Traduz o fato de que a mulher tem que estar sempre em alerta, prestando a atenção em tudo e tomar todos os cuidados possíveis para não incitar a violência contra ela mesma. Que ela tem que estar em alerta igual um Cão de Guarda dentro do transporte público para evitar um possível assédio, que ela tem que se policiar melhor em relação a roupa que ela veste, os lugares que ela frequenta, evitar andar na rua a noite. A sociedade joga essa responsabilidade sob os ombros femininos e não cumprimento dessas regras transforma a vítima em réu de um tribunal moral.
E já o trecho final que questiona: “De quem são os olhos que te vigiam? De quem são as mãos que te atacam?” Nos leva a reflexão: Quem é o agressor? A jovem covardemente violentada caiu em uma emboscada planejada pelo próprio namorado, a pessoa que ela compartilhava os seus planos, sonhos, anseios e sentimentos. O monstruoso namorado teve a crueldade de dopar a mesma e dividi-la com mais 29 pessoas. A pessoa na qual a jovem mais confiava, foi que transformou a sua vida em um terrível pesadelo. Os olhos que vigiam e as mãos que atacam estão mais próximos do que podemos imaginar. E quando o assunto violência doméstica contra mulher entra em pauta, como aconteceu no ano passado quando foi tema da redação do Enem, o mesmo é ignorado e tratado como mimimi de feminista e doutrinação esquerdista marxista.

Diante de todo esse acontecimento, diversas manifestações de solidariedade a garota violentada e mensagens de repúdio e asco ao acontecimento em si foram feitas nas redes sociais. E quando as mulheres postavam “Vocês homens são responsáveis”, alguns, inclusive conhecidos meus postavam: “Nem todos os homens são assim, não generalize…”.
Mas sim, a responsabilidade É NOSSA! Não quero afirmar que todos homens são estupradores e que todos os homens do planeta terra cometeu esse crime horrendo com essa jovem garota, mas compactuamos com a violência feminina quando gargalhamos com discursos machistas e sexistas, quando concordamos que o lugar de mulher é na cozinha e do homem é sentado no sofá assistindo um jogo de futebol com a sua cervejinha do lado. Temos responsabilidade quando achamos que sexo sem consentimento da esposa/namorada/parceira não é estupro. Quando compartilhamos vídeos e fotos íntimas de nossas ex-namoradas como um ato vingativo. Somos culpados quando educamos os nossos filhos homens que eles podem fazer o que quiser, mas exortamos as nossas filhas a se comportar como uma dama.
Quando sabemos que o nosso amigo agride a sua namorada e não tomamos nenhuma providência a respeito, nós somos os culpados! Assim também quando vemos a nossa amiga no ambiente de trabalho sofrendo assédio e fazemos vista grossa.
E não adianta nada você homem se solidarizar com a jovem estuprada, mas aplaudir político boçal que homenageia torturador que tinha com principal prática de tortura introduzir um rato vivo dentro de vaginas.

O que precisamos não é se vitimar com a generalização, mas desconstruir o machismo existente dentro de cada um de nós. E assim evitamos situações deploráveis como essa.

Que MORRA a Cultura de Estupro
Que MORRA a violência contra mulher
E que MORRA a culpabilização da vítima.

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E dando continuidade ao nosso especial iniciado aqui e prosseguido aqui e aqui, sobre as bandas femininas de todos os tempos, enfim chegamos aos anos 90, a década que o Rock entrou com tudo no mainstream, seja com o grunge vindo da gelada e chuvosa Seattle que catapultou o sucesso de Nirvana, Alice In Chains, Pearl Jam e Soundgarden. Ou com o próprio Metal sendo aceito no meio comercial graças ao Metallica e o seu Black Album, ou o revival Punk que apresentou para o mundo as bandas Green Day, The Offspring, Rancid, todas vinda do Underground. Se o período foi frutífero para o Rock no geral, para elas não seriam diferente, e as bandas mais notórias formada apenas por mulheres vieram dessa década plugada.

Bora viajar?

ANOS 90

BIKINI KILL
1990 - Bikini Kill

Estilo: Punk Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
1990 – 1997
Integrantes: 
Kathleen Hanna (Vocal), Kathi Wilcox (Baixo), Tobi Vail (Bateria) e Billy Karren (Guitarra)
Melhor Álbum: 
Reject All American (1996)
Descrição: 
Bikini Kill foi a banda que nos fez queimar os miolos se ela deveria estar aqui nesse especial ou não. A importância dela nessa lista é devido ao que ela significou historicamente, afinal de contas foi a banda que fomentou e incendiou o movimento feminista na música, o chamado Riot Grrrl. Por mais que as outras bandas femininas sempre abordaram questões feministas em suas letras, as próprias Runaways mesmo tinha a canção I Wanna Be Where The Boys Are que significa “Eu Quero Estar onde os Garotos Estão”, mas nenhuma havia se envolvido com tanta gana no movimento e trazido ele pra dentro da música com o Bikini Kill. O Bikini Kill respirava o feminismo. O problema é que a banda tem um homem em sua formação oficial, o grupo conta com Billy Karren na guitarra e ele não é um músico qualquer, ele é o único guitarrista do Bikini Kill que é emblematicamente lembrada e formada pelas garotas Kathleen Hanna (Vocal), Kathi Wilcox (Baixo) e Tobi Vail (Bateria).
Depois de muito o cérebro fritar resolvemos incluir a banda em nosso especial dada a sua importância para a cena musical feminina, ao seu ativismo no movimento feminista que veio em formato de dois álbuns espetaculares – e ao mesmo tempo barulhentos, Pussy Whipped (1994) e Reject All American (1996), além dos seus ideais terem transcendido a barreira da música e influenciando uma geração sem fim de artistas que se empenharam na luta feminista, como o Sonic Youth, o Hole de Courtney Love e o próprio Nirvana. E sem contar também que mesmo Billy sendo o único guitarrista da banda, ele não aparecia nas fotos com a banda (exemplo acima) e tinha uma postura bem discreta no palco, como se não existisse.
Então, Bikini Kill na veia.

VALHALLA
Valhalla
Estilo:
Death Metal
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
1990 – Presente
Integrantes: 
Ariadne Souza (Vocal e Bateria), Adriana Tavares (Guitarra), Alessandra Tavares (Baixo) 
Melhor Álbum: 
Petrean Self (2001)
Descrição: 
A cena Metal feminina no Brasil merece um texto só dela, já que a quantidade de bandas do gênero formada apenas por mulheres é enorme. Não é à toa que saiu recentemente um documentário muito bacana contando a história da cena metal feminina no Nordeste, vale e muito a pena conferir.
Mas se pudéssemos escolher um representante dessa cena tão crescente e atuante, com certeza a banda citada seria o Valhalla.
Com 26 anos de estrada, o som da Valhalla é um Death Metal pesadíssimo, na linha de bandas como Six Feet Under e Cannibal Corpse. A trajetória da banda iniciou no início dos anos 90 na cidade de Brasília, com as irmãs (nada como unir uma família, montar uma banda de Rock) Andréa e Adriana Tavares que começaram tocando juntas na banda Phobia, como vocalista e guitarrista respectivamente. Com a saída da Adriana da banda, Andréa se uniu com a sua outra irmã, Alessandra Tavares que assumiu a guitarra e juntas fundaram o Valhalla.
No decorrer da sua trajetória a banda teve inúmeras formações e hoje ela se reduziu a um trio que é capitaneado pela baterista Ariadne Souza que também assume os vocais guturais, e com as irmãs Adriana e Alessandra, essa última revezando no baixo e na guitarra. Da sua discografia que conta com uma fita demo e três EP, o trabalho que chegou a ter repercussão mundial foi o álbum Petrean Self (2002) que foi distribuído em 28 países.

SAHARA HOTNIGHTS
1992 - Sahara Hotnights
Estilo:
Punk Rock/Hard Rock
Origem:
Suécia
Periodo de Atividade:
1992 – Presente
Integrantes: 
Maria Elisabeth Andersson (Vocal e Guitarra), Jennie Asplund (Guitarra e Backing Vocal), Johanna Asplund (Baixo e Backing Vocal), Karin Forsman (Bateria)
Melhor Álbum:
Jennie Bomb (2001)
Descrição: 
Uma das bandas mais bacanas surgidas nas duas últimas décadas, a Sahara Hotnights veio da Suécia e surgiu exatamente no momento onde os seus conterrâneos do Hellacopters, Backward Babies, The (International) Noise Conspiracy e The Hives estavam despertando interesse no restante do mundo.
Com uma sonoridade que permeia entre o Power Pop, Garage Rock, Indie e o Punk Rock, as gurias fazem um Rock visceral e displicente, no bom sentido, porém com certo ar angelical, mesmo com as guitarras distorcidas berrando no fundo. O seu disco de estreia, C’mon, Let’s Pretend (1999) chegou a ser indicado a dois Grammy Sueco. Jennie Bomb (2001), o disco seguinte, é o que define de forma sublime a carreira do Sahara, um disco veloz, ultrajado, com claras influencias de Runaways e Ramones. Kiss & Tell (2004) veio na sequência com explosivo single Hot Night Crash que chegou a integrar a trilha sonora do jogo de videogame Burnout. Hoje a banda continua na ativa, no entanto os dois últimos registros, Sparks (2009) e Sahara Hotnights (2011) não chegam nem perto da magnitude dos primeiros álbuns, mas mantém acesa a chama de uma das melhores bandas femininas que o mundo já teve, em termos de energia e musicalidade jovial.

DRAIN S.T.H.
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Estilo: Grunge
Origem:
Suécia
Periodo de Atividade:
1993 – 2000
Integrantes: 
Maria Sjöholm (Vocal), Flavia Canel (Guitarra), Anna Kjellberg (Baixo) e Martina Axen (Bateria e Backing vocal)
Melhor Álbum: 
Horror Wrestling (1996)
Descrição:
Se você é chegado em som mais maduro, em um grunge calcado no peso e na densidade depressiva de Alice In Chains e Soundgarden, com uma pitada de Black Sabbath, você necessita conhecer o Drain S.T.H.
Formada também na Suécia, mas em nada recorda o Pop alegre das conterrâneas do Sahara Hotnights, o Drain, que também leva as siglas S.T.H. por ser de Estocolmo, começou a sua trajetória em 1993, com a guitarrista Flavia Canel e a baterista Martina Axen, que tocavam em uma banda de Punk Rock local, a Livin’ Sacrifice. Após algumas mudanças, o Livin’ Sacrifice se transforma na banda Afrodite, e entra para a banda a baixista Anna Kjellberg. Passado um tempo elas conhecem a vocalista Maria Sjöholm e com uma grande afinidade que surge, Maria acaba entrando para banda que não muda apenas o nome, agora sendo chamada definitivamente de Drain, mas sim a sua postura estética musical que muito recorda os tempos áureos do Alice In Chains.
Em 1995 a banda lançou o EP Serve The Shame, mas foi no ano seguinte, com o lançamento do full Horror Wrestling que a banda literalmente ganhou o mundo, se apresentando em diversos festivais pelo mundo, entre eles o Ozzfest ao lado do Black Sabbath, banda do esposo de Maria, o guitarrista Tony Iommi.
Em 1999 a banda lançou o segundo álbum, Freaks of Nature, e saiu em turnê junto com o Black Sabbath, Type Of Negative, Godsmack e Megadeth. Tudo parecia caminhar perfeitamente no reino do “dreno”, mas em 2001 a banda anuncia a separação para cada uma das integrantes cuidarem dos seus projetos pessoais, e assim ficamos órfãos mais uma vez de uma grande banda.

THE DONNAS
1993 - The Donnas
Estilo:
Hard Rock/Punk Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
1993 – Presente
Integrantes: 
Brett Anderson (Vocal), Allison Robertson (Guitarra e Backing Vocal), Maya Ford (Baixo e Backing Vocal) e Torry Castellano (Bateria)
Melhor Álbum: 
Spend The Night (2002)
Descrição: 
“Antes um Ramones de saias, hoje um Mötley Crue envenenado”, assim é mundialmente conhecida as The Donnas, que lá no início da carreira, em 1993, tinham em seu formato musical uma estética “Ramonesca”, com músicas que não passavam da casa dos dois minutos de duração com apenas três acordes e um andamento acelerado, tudo muito simplório, a começar da capa do disco, o primeiro autointitulado lançado em 1997, preto e branco assim como o álbum de estreia dos Ramones, (compare aqui e aqui). Só que com o passar do tempo as Donnas foram aprendendo a tocar os seus instrumentos, foram adquirindo prática e técnica e a evolução da banda é perceptível a cada disco lançado. Em Get Skintight (1999) já tem uns solos bem-intencionados de guitarra, em Turn 21 (2001), as meninas viram o milênio na maioridade e com uma total pegada Hard Rock, com direito a uma versão de Living After Midnight do Judas Priest. Mas foi no álbum posterior, lançado no ano seguinte que temos o divisor de águas na carreira das meninas, Spend The Night (2002) foi o maior sucesso comercial da carreira do Donnas, chegando a bater recordes de venda em vários países, em inclusive no Brasil que agora tinha os discos da banda comercializados por aqui.
Os Ramones de outrora, viraram o Kiss de hoje, com as guitarras envenenadas de Allison Robertson cuspindo riffs poderosos à Angus Young, a bateria de Torry Castellano que antes acelerava, hoje dá toda tônica e um certo peso às canções, e o vocal sensual e sacana de Brett Anderson vem ser a cereja do bolo.
Gold Medal é lançado dois anos depois e leva a banda a outra sonoridade, com um lado Pop mais acentuado, mais Low-fi e menos esporrento que antigamente, muitos fãs chiaram e a banda se ligou e voltou com tudo em Bitchin’ (2007) que até a capa lembra o Mötley Crüe.
A banda que até então manteve intacta a sua formação original, e que já se apresentou diversas vezes no Brasil com a mesma, teve a sua primeira baixa em 2009 com saída da baterista Torry Castellano para tratar de um problema no ombro, em seu lugar entrou Amy Cesari.
Agora falta um disco novo, né meninas?

SLEATER-KINNEY
1994 - Sleater Kinney
Estilo:
Punk Rock/Alternativo
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
1994 – Presente
Integrantes: 
Carrie Brownstein (Vocal e Guitarra), Corin Tucker  (Vocais e Guitarra) Janet Weiss (Bateria e Backing Vocal)
Melhor Álbum: The Woods
 (2005)
Descrição: 
O Sleater-Kinney é aquele famoso filhote de Sonic Youth que deu muito certo. Bebendo declaradamente na fonte do Rock Alternativo e do Punk Rock, a banda surgiu em 1994 como um projeto paralelo das guitarristas, Carrie Brownstein (que tocava no Excuse 17) e Corin Tucker (do Heavens to Betsy). Lora MacFarlane assumiu a bateria por um certo tempo, um total de três anos, mas depois Janet Weiss ficou com a vaga definitiva e a banda nunca mais mudou a sua formação e também não precisou mais dar atenção para as suas bandas “principais”.
O som do grupo não é para iniciantes e sim para iniciados, são muitas referências e influências sonoras jogadas nas canções do grupo que fica impossível classifica-lo dentro de algum gênero no Rock, mas muito mais importante que estilo de Rock que a banda faz é a mensagem que a mesma passa em suas canções, já que o grupo é ativista dentro do movimento feminista e principalmente da sua chancela dentro da música, o Riot Grrrl. Portanto a música é apenas um plano de fundo para a sua mensagem em prol a igualdade das mulheres.
De sua vasta discografia de oito discos dos estilos mais variados fica impossível classificar qual é o mais notório, mas os trabalhos da banda lançados pós anos 2000 vieram com uma produção melhor que os anteriores, o que fez muito fã xiita do grupo esbravejar, mas na dúvida ouça o clean One Beat (2002) e faça um contraponto com o barulhento e insano The Words (2005).
Em 2006 a banda pegou a todos de surpresa com o anúncio de uma separação por tempo indeterminado, mas para nossa alegria em 2014 elas anunciaram também a volta e em 2015 lançaram o disco No Cities To Love que contava com single e o videoclipe divertidíssimo (abaixo) A New Wave.

DOMINATRIX
1995 - Dominatrix
Estilo:
Punk Rock/Hardcore
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
1995 – Presente
Integrantes:
Elisa Gargiulo (Vocal e Guitarra), Josieta Lucas (Guitarra), Débora (Baixo) e Débora Biana (Bateria)
Melhor Álbum:
Beauville (2003)
Descrição: 
Se o EUA tem o Bikini Kill como o seu grande representante do Riot Grrrl na música, aqui no Brasil nós temos com muito orgulho as meninas do Dominatrix, que desde 1995 carrega a bandeira do feminismo no seu Punk/Hardcore gritado e frenético.
O Dominitrix começou a sua trajetória na cidade de São Paulo formada pelas irmãs Isabella e Elisa Gargiulo, ambas vocalistas, mas a primeira assumia a guitarra enquanto a outra ficava com o Baixo. Para a bateria a banda contou com Estela Homem, mas logo a mesma saiu dando o lugar para Débora Biana, e para a segunda guitarra a banda teve diversas integrantes como a guitarrista Ana Pereira e a Eliane, essa última muito conhecida na cena underground pelas bandas Lava e Hats.
Mas foi com o trio Isabella/Elisa/Débora que a banda gravou o seu primeiro full, o disco Girl Gathering (1996) pela gravadora Teenager In a Box de propriedade do Nenê Altro do Dance Of Days. O disco, que continha os sucessos My New Gun e They Cry, foi um sucesso no meio independente e esgotou rapidamente toda a sua tiragem. No ano de 1998 a banda lança o segundo disco, Self Delight, uma parceria entre a Teenager de Nenê com o selo recém fundado Clorine, de propriedade das irmãs Gargiulo, que lançava apenas bandas femininas. Os destaques musicais de Self Delight eram Redial e Against Human Testing, essa última com a participação mais do que especial de Nenê Altro. Em 1999 banda lançou pela Clorine o split com o Street Bulldogs, com elas tocando o clássico We Build Our Own Way deles e eles fazendo uma versão mais do que sensacional de They Cry. Em 2001 foi a vez de sair o Split Bike com o Dance Of Days, dessa vez contendo quatro faixas da banda: Pagan Love, Broken Glass Candy, Flat Earth e Die Die.
Em 2002 Isabella deixa a banda e se muda para os Estados Unidos, Mayra Vescovi que já era guitarrista da banda assume o baixo, e o Dominatix agora tem Elisa assumindo de vez os vocais. Logo depois a guitarrista Flavia dos Santos assume a segunda guitarra da banda.
Em 2003 é lançado o terceiro disco da banda, o belo e bem estruturado Beauville que foi gravado nos Estados Unidos na cidade Portland durante a turnê da banda junto com o grupo Haggard. Como a baterista Débora teve o seu visto negado e a viagem impedida, quem gravou a bateria no disco foi a fundadora Isabella.
Hoje o Dominatrix continua na ativa, com uma formação totalmente reformulada, apenas com Elisa da formação original, e no ano de 2009 elas lançaram o EP Quem Defende Pra Calar, o primeiro com letras em português.

KITTIE
1996 - Kittie
Estilo:
New Metal
Origem:
Canadá
Periodo de Atividade:
1996 – Presente
Integrantes: 
Morgan Lander (Vocal e Guitarra), Tara McLeod (Guitarra), Trish Doan (Bass) e Mercedes Lander (Bateria)
Melhor Álbum:
Spit (2000)
Descrição: 
Na época que o New Metal estava reinante nas paradas musicais com o sucesso de Korn, Limp Bizkit, Coal Chamber e Deftones, obviamente que mais cedo ou mais tarde surgiria um representante feminino do gênero. E tal espera não tardou, no ano de 1996 o Kittie estava lá colocando toda a garotada pra pular junto com o seu metal pesado.
Surgido no Canadá, se a sonoridade da banda era um deleite para os ouvidos dos fãs do gênero Metal Alternativo, o que atrapalhou e muito o crescimento da banda foi a sua constante mudança de formação, ao todo foram oito, sobrando apenas as irmãs (sempre as irmãs) Morgan Lander (vocalista e guitarrista) e a baterista Mercedes Lander.
No ano 2000 a banda lança o seu disco de estreia, Spit, que conta o seu grande maior single de sucesso, a pesada Brackish, que chegou a tocar repetidamente na famosa Rádio Rock brasileira.
Uma pena que os discos seguintes e a constante troca de formação não foram suficientes para manter a banda no mesmo patamar de outrora.
Hoje a banda continua na ativa, com um relativo sucesso no Reino Unido, mas servindo apenas como banda suporte de shows e turnê maiores de artistas mais renomados.
Uma pena, mas força meninas.

CRUCIFIED BARBARA
1998 - Crucified Barbara
Estilo:
Hard Rock/Heavy Metal
Origem:
Suécia
Periodo de Atividade:
1998 – Presente
Integrantes: 
Mia Coldheart (Vocal e Guitarra), Klara Force (Guitarra), Ida Evileye (Baixo) e Nicki Wicked (Bateria)
Melhor Álbum: 
The Midnight Chase (2012)
Descrição: 
De todas as bandas femininas existentes da face da terra, com certeza a mais técnica é o Crucified Barbara. Formada na Suécia em 1998, pela baixista Ida e pela guitarrista Klara Rönnqvist Fors, a intenção a banda era tocar alguns dos seus Punk Rock favoritos, mas devido a alta musicalidade do grupo, que já contava com a baterista Nicki Lindström e com a vocalista Joey Nine, a banda resolveu tornar mais sério o seu rumo e acabou adotando o nome Crucified Barbara e uma sonoridade Hard Rock mais puxada para o Heavy Metal. Mia Karlsson, que já era considerada uma grande guitarrista na Suécia, entrou para a banda, só que os seus dotes vocais também chamaram e muito a atenção do trio. E quando a vocalista Joey saiu da banda por problemas pessoais, Mia rapidamente assumiu os vocais e estava assim definida a formação definitiva do Crucified Barbara, que trocaram os seus sobrenomes ganhando nomes artísticos que muito tem a ver com a sonoridade do grupo. Mia virou Mia Coldheart (Coração Gelado), Klara adotou o Force (Força), Ida virou Ida Evileye (Olho Mal) e a baterista Nicki ficou com o Wicked (Malvada).
Ao todo o grupo tem cinco álbuns em sua discografia, sendo o The Midnight Chase o mais popular vide os singles de sucesso The Crucifier e Rock Me Like The Devil.
A banda já se apresentou no Brasil em duas oportunidades e 2012, fazendo justamente a turnê de The Midnight Chase e em 2014.

FABULOUS DISASTER
1998 - Fabulous Disaster
Estilo:
Punk Rock
Origem:
Estados Unidos
Periodo de Atividade:
1998 – 2007
Integrantes: 
Lynda Mandolyn (Vocal), Squeaky (Guitarra e Backing Vocal), Lizzie Boredom (Baixo) e Sally Disaster (Bateria)
Melhor Álbum: Panty Raid
 (2003)
Descrição: 
O Fabulous Disaster foi uma baita banda de Punk/Hardcore que surgiu no momento certo, no lugar certo e fazendo o som certo.
Formada na cidade americana de São Francisco, em 1998, as meninas surgiram quando o Punk Rock estava com tudo na mídia mainstream, vide os sucessos de Green Day e The Offspring, o olhar estava voltado para circuito underground e tudo que aparecia nesse meio como os veteranos do NOFX, do Rancid, Face To Face e até mesmo o Descendents que retornava as atividades na época, era prontamente aclamado por uma multidão de curiosos e o Fabulous Disaster com nove anos em atividade, conseguiu usar esses 15 minutos de fama e catalisar a sua mensagem feminista anárquica para todos em seus quatro discos magistrais entre eles os soberbos, Pretty Killers, Put Out or Get Out e o nervoso Panty Raid. Aliás, Pretty Killers foi o disco que chamou a atenção de Fat Mike, vocalista do NOFX e dono da gravadora Fat Wreck Chords que as levou correndo para o seu selo Pink & Black, subsidiário ao Fat e responsável por lançar apenas bandas femininas.
Em 2003 com a saída da vocalista e guitarrista Lynda Mandolyn, quem assume o posto por um curto período foi a vocalista Cinder Block do Tilt. Em 2007, faltando pouco tempo para completar 10 anos de banda, o Fabulous encerra as atividades.

BULIMIA
Bulimia
Estilo:
Punk Rock
Origem:
Brasil
Periodo de Atividade:
1998 – 2001
Integrantes: 
Iéri (Vocal), Bianca (Guitarra e Backing Vocal), Naiana (Baixo e Backing Vocal) e Berila (Bateria)
Melhor Álbum:
Se Julgar Incapaz Foi o Maior Erro Que Cometeu (2001)
Descrição: 
O Bulimia é outro grande orgulho brasileiro do movimento feminista, mas que infelizmente teve um fim trágico, porém não o suficiente para eliminar a banda de vez no imaginário dos fãs que ainda cultuam a mesma.
O Bulimia surgiu em Brasília no ano de 1998, graças a amizade da baterista Berila com a guitarrista Bianca, a luta de ambas no movimento feminista, além da paixão pelo Punk Rock, logo despertaram o interesse em ambas de montar uma banda do gênero e lutar pela causa. E foi com Iéri nos vocais e Naiana no baixo que o Bulimia estava formado.
O nome é uma referência clara ao transtorno psicológico causado por meninas que não querem de forma alguma engordar, estando dessa forma dentro dos padrões de beleza impostos pela sociedade.
No mesmo ano de 1998, elas lançaram a primeira Demo Tape, que já continha o grande sucesso do grupo: Punk Rock Não é só Para o Seu Namorado.
Em 2001 finalmente a banda lança o seu primeiro álbum, Se Julgar Incapaz Foi o Maior Erro que Cometeu, que tinha um desfile de hits que eram hinos da luta feminista como: Lute Por Sua Vida, Nosso Corpo Não Nos Pertence, União, Liberte-se, além é claro do grande sucesso, Punk Rock. No entanto foi no mesmo ano que a baterista Berila e o seu namorado morreram afogados na piscina natural da Chapada dos Veadeiros em Brasília, colocando assim um ponto final na trajetória promissora do Bulimia, mas não na luta das integrantes e das fãs do grupo pela igualdade dos gêneros.

Amanhã voltaremos com a penúltima parte.

anitta

Por Beatriz Sanz

Ok: Eu não sou fã de funk, mas isso não me exime do meu feminismo.
A cantora Anitta (que utiliza este nome por causa da personagem-título de uma minissérie Global Presença de Anita, interpretada por Mel Lisboa e que por sinal era MUITO FEMINISTA) se apresentou em São Bernardo do Campo neste fim de semana. Ao dançar exibiu celulite (foto acima) e isso foi o bastante para ela ser manchetada como a desgraça da semana!
Além dela, a atriz e cantora Letícia Sabatella (e desta sim, eu sou fã) tomou uns drinks a mais com os amigos, riu tanto que caiu no chão. Só isso e a mídia já divulgou que ela estava em coma alcoólico em Brasília.
Para apoiar Letícia, seus fãs criaram no facebook o evento “Deitaço na BR com Letícia Sabatella”. A musa não só agradeceu a iniciativa como confirmou presença e respondeu dizendo que estava bem de saúde e muito feliz.

deitaço
Letícia e Anitta são apenas mais algumas vítimas da sociedade machista e patriarcal em que vivemos! Para homenageá-las e também as 15 mulheres que morrem por dia no Brasil pelo simples fato de serem mulheres o Fila Benario Music tem o prazer de apresentar a playlist mais feminista do cenário musical! Tem pra todo gosto, aproveitem!

Cindy Lauper – Girls Just Wanna Have Fun

The Runaways – Cherry Bomb

Anitta – Bla bla bla

Taylor Swift – We Are Never Ever Getting Back Together

Valesca Popozuda – Tá Pra Nascer Homem Que Vai Mandar em Mim

Karol Conka – Toda Doida

Esses são só alguns exemplos de Divas Musicais Feministas brilhando pelo mundo!

Esqueci de alguma? Me lembra aí nos comentários!

E não se esqueça: Moçxs, o feminismo é lindo e te liberta!
Perfil - Bia Sanz

Nota do Fila Benário: peço licença pra minha querida Beatriz Sanz, aproveitando a oportunidade eu gostaria de indicar quatro músicas que tem muito a ver com a ocasião.

Sara Bareilles – Fairytale

The Donnas – Take It Off

Sahara Hotnights – On Top Of Your World

Dominatrix – Die Die

Queria citar também Bikini Kill, Juliette and the Licks, Birtha, Hole e Fabulous Disaster, mas ai lembrei que o post é da Bia e não meu (kkkk).
Beijos pra Sanz e pra todas mulheres, e que os seus ideais inflamem o mundo!!!