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2016 nem acabou, mas tem sido um ano maravilhoso para o Punk Rock/Hardcore, diga-se de passagem. Só no primeiro semestre tivemos os lançamentos de Bob Mould (Patch The Sky), Face To Face (Protection) e The Bouncing Souls (Simplicity). E na entrada do segundo semestre fomos muito bem recebidos com os novos do Descendents (Hypercaffium Spazzinate), The Interrupters (Say It Out Loud) e Against Me! (Shape Shift With Me), sem contar que o NOFX também prepara um lançamento para o mês seguinte. Isso porque eu não mencionei os lançamentos nacionais como os novos do Dance Of Days (Amor-Fati), Hateen (Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui), Zander (Flamboyant), além da estreia do Please Come July (Life’s Puzzle), projeto contando com grandes nomes da cena underground brasileira.

No entanto, os dois discos mais aguardados do gênero eram, com certeza, os novos discos dos californianos do Green Day e do Blink 182. O do trio capitaneado por Mark Hoppus era esperado com ansiedade, pois se tratava do primeiro disco do conjunto sem o guitarrista e vocalista Tom DeLonge (leia a matéria sobre a saída dele aqui), marcando a estreia do Matt Skiba, do Alkaline Trio, no lugar. Já o do Green Day, tinha uma grande espera pelo fato de ser primeiro disco após a internação de Billie Joe Armstrong na clínica de reabilitação, que cancelou toda a turnê de divulgação dos três últimos – e anêmicos – discos do grupo, a trilogia Uno! Dos! e Tré! (2012) A Campanha de marketing em cima de Revolution Radio, além dos dois singles lançados, Bang Bang e a própria faixa título, fazia do disco a tão sonhada, pelos fãs, volta às origens do grupo.

Eis que California e Revolution Radio enfim foram lançados! E como ambos discos se saíram?

California – Blink-182
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Podemos afirmar, sem medo algum, que California é uma continuação de Take Off Your Pants and Jacket (2001), considerado por muitos o último grande disco do Blink-182. O que se ouve no novo álbum é uma colcha de retalhos que costura as melhores nuances sonoras do grupo, de um lado o Hardcore veloz, graças a técnica apuradíssima do baterista Travis Barker, já explicito na curtíssima faixa de abertura Cynical, continuando em The Only Thing That Matters, que relembra em partes a canção Roller Coaster do já citado Take Off Your Pants…, e encerrando o álbum com Brohemian Rhapsody. Do outro lado, temos aquele Poppy Punk, claramente influenciado em Descendents, que sempre permeou na carreira do trio e gerou os seus maiores hits, e em California não seria diferente, o single Bored to Death, seguidos de She’s Out Her Mind, No Future, Kings Of The Weekend e Rabbit Hole, são as provas concretas. E por fim, aquela sonoridade madura que pipocou em no supracitado TOYPAJ e que foi “cama, mesa e banho” do autointitulado de 2003, surge no novo disco, mas dessa vez como um ingrediente que vem a somar e dar consistência ao produto final. Faixas como Los Angeles, Sober, Left Alone e San Diego, usam e abusam de elementos eletrônicos, mas carregam uma beleza e autenticidade.
A estreia de Matt Skiba foi certeira no disco, como guitarrista ele manteve os já conhecidos timbres que soam agradáveis aos ouvidos dos fãs da banda. E na parte vocal, em alguns momentos a sua voz relembra os bons momentos de Tom DeLonge, como em Cynical e Bored to Death. Mas em She’s Out Her Mind e principalmente em No Future ele imprime a sua própria identidade musical, mostrando que tem muita lenha a queimar com o grupo, para nossa alegria.

Revolution Radio – Green Day
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A Rolling Stone gringa estampou o Green Day na capa dizendo que a banda havia voltado ao Punk Rock. A página oficial da banda, no Facebook, postou a imagem da capa do disco, um rádio explodindo, o que fomentava ainda mais a ideia que estaríamos diante do álbum mais pesado do grupo desde Insomniac (1995), e os dois singles lançados do disco, Bang Bang e Revolution Radio não tinha mais nada a provar: O bom e velho Green Day estava de volta.
Só que aí o Revolution Radio saiu, e após uma audição cuidadosa a conclusão que chegamos é que temos o mesmo Green Day megalomaníaco e grandioso (no mal sentido) desde American Idiot. O grupo continua preso na formula musical criada por si, desde o lançamento supracitado, e não consegue mais se libertar das próprias amarras.
Aquele Green Day que emulava Ramones, Hüsker Dü, The Replacements, hoje mergulhou de cabeça no Rock de Arena inglês de The Who, Beatles e Queen, e tenta a todo custo parir a sua obra-prima. As referências citadas são imunes de reprovação, mas dentro do contexto sonoro proposto pelo Green Day, desde o início da carreira, elas soam plastificadas, forçadas e com ares de “precisamos conquistar todos os públicos, custe o que custar”.
Revolution Radio já abre desanimado com a pseudo-balada Somwhere Now, iniciada no violão e com uma explosão no meio que entrega um bom rock, mas nada além disso. Outros momentos deprimentes do disco é Still Breathing, que muito assemelha as Pop Ballads de Katy Perry e Demi Lovato, o Pop Rock inofensivo reaparece na faixa seguinte Youngblood, com direito à corinhos “ôô-ôô” na introdução. Say Goodbye relembra em algumas passagens o hit Holiday, de American Idiot, no entanto, mais devagar e mais pop. E por fim a baladinha Outlaws é digna de piedade.
A formula, já gasta, do grupo de criar epopeias musicais longas e com alternâncias de ritmos, surge aqui em Revolution Radio, com o nome de Forever Now. Ela até começa com um certo entusiasmo e relembrando Green Day circa Nirmod (1997), mas os demais andamentos nada convencionais, adquiridos ao longo dos seis minutos da mesma, o transforma em mais uma canção decepcionante em um disco fortemente mediano.

A imprensa e a indústria musical que sempre deliciou em criar rivalidades entre bandas para fomentar o crescimento e consumo da mesma, seja nos anos 60 com Beatles e Rolling Stones, ou nos anos 90 com Oasis e Blur, no início dos anos 2000 inventou a disputa entre Blink 182 e Green Day aproveitando o momento distinto de ambas, no caso a ascensão do trio de Mark, Tom e Travis com a explosão do disco Enema Of The State (1999), e o limbo que se encontrava o Green Day após a frustrante tentativa de amadurecimento com o diversificado Warning (2000). Na época o Green Day, que tinha muito mais tempo de estrada do que os seus conterrâneos, acabou se tornando a banda de abertura das turnês do Blink 182, o que deu mais margem ainda para uma possível rivalidade, na qual nunca existiu.

Green Day e Blink 182 na turnê conjunta que fizeram em 2002

Green Day e Blink 182 na turnê conjunta que fizeram em 2002

Mas no ano de 2016, diante desses dois lançamentos, no qual ambas bandas se encontram no mesmo patamar dentro da sua trajetória, o Blink 182 levou a melhor!

Até a próxima, Billie Joe!

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Era 18 de Novembro de 2010, me recordo de ter colocado minha mãe no banco do passageiro e ter entrado pela outra porta do carro, antes mesmo de dar partida liguei o rádio como sempre faço de costume, e antes mesmo do outro lado do alto falante a voz gritante de Dave Grohl surgir minha mãe passava mal ao meu lado com fortes convulsões. Na época minha mãe havia sido diagnosticada com quatro Aneurisma Cerebral, já havia feito a cirurgia da retirada de dois e no meio da cirurgia um rompeu causando uma paralisia de todo o seu lado esquerdo, por isso eu a coloquei dentro do carro, porém naquele momento o quarto aneurisma se rompia e depois de dois dias agonizantes ela faleceu, há exato um ano e dois meses depois do meu pai.
Durante o velório eu segui em completo estado de choque, não conseguia discernir e digerir as informações que a partir daquele momento eu não teria mais a figura materna e paterna e que a partir daquele momento seria eu e a minha irmã apenas juntando os cacos e recomeçando a nossa vida, porém na hora de me despedir pela ultima vez cheguei até o caixão e ao invés de chorar, agradecer por tudo uma voz saiu de dentro da minha garganta e inexplicavelmente essa canção foi cantada por mim no mais profundo estado de choque e comoção:

Após um período de luto, finalmente eu resolvi ligar o som do meu carro e música que saiu dos altos falantes foi a mesma daquele fatídico dia que minha mãe passou mal, afinal o cd permanecia lá dentro do aparelho pausado na mesma faixa, a música na ocasião era Come Alive do cd Echoes, Silence, Patience and Grace (2007), do Foo Fighters, rapidamente lembrei daquele triste episódio e imediatamente desliguei o rádio enquanto lagrimas de dor rolavam.
Tempos depois ouvindo todo o cd novamente chegou o momento dessa faixa, e ao contrário das outras vezes eu passava ela antes de mesmo de começar por não ter superado o trauma, dessa vez deixei a canção tocar completamente, e foi nesse momento que me despertou uma curiosidade em entender a letra e rapidamente busquei a tradução e fiquei bastante comovido com o que li:

Desperate meaningless
All filled up with emptiness
Felt like everything was said and done

Deseparado, sem sentido
Tudo cheio com o vazio
Senti que tudo estava dito e feito

Assim que eu me sentia sem a minha mãe, perdido, sem sentido, sem chão…

I lay there in the dark I closed my eyes
You saved me the day you came alive
No reason left for me to survive
You saved me the day you came alive

Eu deito no escuro e fecho os olhos
Você me salvou no dia que você acordou
A razão que você me deixou para sobreviver
Você me salvou no dia que você acordou

Porém esse trecho é a redenção, “Você me salvou no dia que você acordou…” mamãe dormiu eternamente para esse mundo, mas despertou para Vida Eterna, ela acordou para uma vida sem dores, sem sofrimento, sem paralisia, sem visitar hospitais, estava ela feliz e aquilo seria a razão de agora em diante para minha sobrevivência. E a força do refrão repetido: Come Alive que significa: ACORDE me fez literalmente despertar para vida e hoje eu vivo sem tristeza, apenas com a imensa saudade mas com a certeza de que iremos nos encontrar um dia.

Em outra ocasião eu estava namorando, e a minha namorada na época tirou férias e resolveu descansar na casa dos familiares, diante daquela semana que ficamos longe uma imensa saudade apertou e optei por usar a música como antídoto, busquei em minha mente um disco que eu gostava muito mas que há tempos eu não ouvia para fazer essa experiência de matar as saudades, ai o escolhido foi Nimrod do Green Day, lançado em 1997 foi um dos discos que eu mais ouvi, em fita K7 na época, porém com o passar dos anos foi o que menos ouvi da excelente discografia da banda (que se resume do Kerplunk ‘1992’ até o Warning ‘2000’), ouvir Nimrod foi relembrar um passado agridoce mas vivo na memória, na época eu estava começando a tocar violão, conheci pessoas que são meus grandes amigos até hoje, enfim um ótimo resgate histórico, e Nimrod tem todo um caráter importante também para o Green Day retrata o amadurecimento da banda que se livrava das letras abestalhadas sobre masturbação e também das amarras dos três acordes e navegava em outras sonoridades como o Rockabilly, o Horror Rock e até mesmo baladas como é o caso de Good Riddance (Time Of Your Life) que se tornou o grande sucesso do álbum com a sua belíssima letra.

É claro que para os fãs de Punk Rock como eu no disco há grandes momentos também como Nice Guys Finish Last, Scattered, Platypus (I Hate You), Jinx e a nervosa e minha favorita Take Back.

Enfim foi com essa alegria de ouvir Nimrod que senti como é bom sentir saudades de quem amamos e com o amadurecimento que ele carrega também percebi que era o momento de amadurecer a relação e caminhar para uma nova etapa, tal experiência estava sendo escrita e viraria post em breve no blog se ela não tivesse um desfecho triste, o fim do relacionamento, porém ao invés de encontrar companhia “em um copo de bebida, um cigarro ou outra droga qualquer”, me apoiei em outro álbum e dessa vez o escolhido foi o Cidade Cinza, álbum lançado sem pretensões pelo CPM 22 no ano de 2007, mas que aproximou a banda dos fãs que estavam fartos das viagens do quinteto para música Pop e vazia ao apresentar uma sonoridade crua e direta, nas doze faixas do disco o Punk Rock simples impera, porém as letras o grande trunfo da banda vem carregadas de sentimentalismo, emoção e reflexões, há quem diga que o disco é negativo demais, mas eu enxergo esperanças em letras como Escolhas, Provas e Promessas, que se tornou hit do álbum.

E também na faixa título Cidade Cinza que se tornou o meu hino pessoal, afinal “será o fim da nossa história, ou apenas mais um capitulo?”, porém eu “Vivo em São Paulo, na Cidade Cinza” a cidade que adotou esse filho do interior para que ele realize o seu sonho de se tornar um Jornalista, é na Cidade Cinza onde eu tenho realizado o meu sonho diário, é “na cidade Hardcore de transito caótico” que eu me sinto alguém, me sinto útil e tenho minha voz ouvida.
“Viva na Cidade Cinza” assim canta o refrão e assim vou vivendo!

Enfim é a música traduzindo sentimentos, é a música chegando onde as palavras não alcançam.

Desculpe o texto longo e pessoal, amanhã retornaremos com a programação normal.

E mãe, pai, onde vocês estiverem saibam que eu ACORDEI e estou vivendo…