Entrevistas

Beatriz Sanz Entrevista Rosa de Saron

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No último domingo (21 de dezembro) um dos maiores expoentes da música católica fez uma apresentação histórica na cidade de Campinas (interior de São Paulo). Com mais de 25 anos de trajetória, a banda de Pop Rock Rosa de Saron, fez o céu e o ginásio do clube regatas tremer com os seus maiores sucessos e apresentando o seu mais novo álbum, o aclamadíssimo Cartas ao Remetente.
O show marcava a inauguração do Projeto Aurora, núcleo criado pela banda, com o intuito de realizar ações solidárias as classes mais necessitadas, e toda a renda desse show, foi para o Lar Ternura, entidade que cuida de crianças carentes.
Antes da apresentação, os integrantes Guilherme de Sá (Vocal) e Rogério Feltrin (Baixo) receberam no camarim da banda a nossa repórter e colaboradora Beatriz Sanz, que bateu um papo com ambos, onde falaram do mais novo trabalho, além do processo criativo do grupo e principalmente sobre as atividades do Projeto Aurora.
O resultado dessa conversa vocês conferem abaixo:

Por Beatriz Sanz

Oi, tudo bem? Então, que quero perguntar pra vocês sobre o CD novo, “Cartas ao Remetente” que é o 14° trabalho, não é isso?

Guilherme de Sá: 13°.

13°? Então, qual é a diferença desse pros outros que já foram lançados?

Guilherme: Não tem muita diferença pra se falar a verdade, nosso trabalho é sempre uma continuação, um após o outro,é… e todo disco tem sua parcela de aprendizados, tem sua parcela de experiências. “Cartas Ao Remetentes” eu sinto que tem um pouco mais de experiências que os outros, né? A gente passou um ano muito, é, impactante, 2013 muito impactante, seja pra bem, seja pra mal, e isso acabou gerando uma carga emocional muito grande na gente, e quando a gente compôs, a gente acabou, é, inserindo isso nas letras do disco, né? Então é basicamente isso, é, “Cartas Ao Remetente” é um disco bastante emocional, mas é também uma continuação dos outros.

E desde 2007, a banda lança, no mínimo, um trabalho por ano. Como é o processo de inspiração, composição e lançamento desses CDs?

Guilherme: A gente é bem mecânico, na verdade, nas poucas coisas que a gente faz, a gente costuma agir com bastante profissionalismo, etc., então pra gente prazo é prazo, a gente percebeu que você precisa lançar um trabalho, então a gente vai, corre atrás, então a gente entra em épocas de composição. Por mais que você faça esboço musical, esboço de letras e etc., a gente entra em épocas de composição mesmo, então as músicas são compostas em 30 dias, 40 dias. Fez as músicas, compôs, a gente fechou, entra em estúdio, grava e acabou. É sempre nesse esquema, nessa velocidade, e é a maneira que dá certo, né? Pelo fato de a gente ir lá, gravar, gastas 3, 4 meses, desde o processo de composição até a finalização, a gente entra numa espécie de férias, então a gente não compõe muito fora dessas épocas, né?

Ah, entendi, e nessa época de composição, vocês fazem músicas a mais, que não entram?

Guilherme: Também, também. Na verdade, esboços têm demais, bastante, entendeu? Mas raramente a música fica de fora, e quando ela fica de fora a gente joga pro próximo disco, tem que ver se ela combina com o resto ou se é diferente demais, ela acaba não chocando muito. Então tem coisas na manga, mas nada gravado. Se alguém morrer aqui não tem mais nada gravado (risos).

Quais são as bandas ou artistas que mais influenciam vocês?

Guilherme: É difícil, porque os quatro têm cabeças muito diferentes, gostos muito diferentes. Mas quando a gente se junta pra compor, a gente meio que já entendeu a nossa roupagem, né? Eu como produtor, acabo estudando bastante coisas que tem por ai, então eu acabo unindo umas coisas retros que eu adoro mas sempre olhando pra frente, sempre a vanguart, sempre meio antenado com o que rola nas paradas de Billboard, essas coisas que a gente pise, né? Mas bandas, vai ter uma centena de bandas se a gente listar todo mundo.

É, e como é a sensação de tocar aqui de volta em Campinas, que é a cidade da banda, e que também foi palco do primeiro festival de música católica?

Guilherme: Ah, pra gente é sempre uma satisfação. Na verdade, onde quer que a gente pise, a gente sempre se sente feliz. Campinas não deixa de ser um desafio, porque “santo de cassa não faz milagres”, aqui você precisa suar a camisa pra você colocar gente,e o bacana é que metade dessas pessoas são conhecidos nossos ou parentes, né? Então vamos dizer que, de todos os shows do ano, o mais V.I.P. é esse aqui (risos). É onde a gente sai daqui e vai comer alguma coisa, embora hoje nós vamos pular no ônibus e ir pro Paraná; mas geralmente quando você toca em Campinas, você sai daqui e vai comer um negócio, vai trocar uma ideia com quem tava no show. Em todo show nosso tem um cronograma um pouco complicado, porque a gente sempre chega na hora do almoço, e tem tudo a ser resolvido ali, e depois tem que sair para o próximo show, e tal. Mas aqui é onde as coisas acontecem com mais tranquilidade.

Pra vocês, qual a importância do Projeto Aurora?

Rogério Feltrin: É um sonho que a gente comenta a muito tempo, que a gente queria viabilizar, mas faltava ainda a coisa de estrutura, a gente conseguir encaixar isso dentro da nossa agenda, que é complicada, mas de uma forma que funcionasse. Então, é primeiro uma realização de um sonho que a gente está em realização(?) e a gente espera muito que dê certo, porque a gente acha que ele vai, de alguma forma concreta, materializar tudo aquilo que a gente canta. Então, hoje é a nossa “menina dos olhos”, uma coisa que a gente tá olhando com muito carinho, tá nascendo ainda, é embrionário, mas a gente espera que seja algo que dê muitos frutos ainda.

Você acha que esse projeto vai fazer com que os jovens se envolvam mais em voluntariado, porque a Rosa de Saron trás muitos jovens; você acha que isso vai fazer com que eles sejam mais adeptos ao voluntariado?

Guilherme: É um dos nossos objetivos, é a nossa esperança na verdade, porque o Rosa um dia vai acabar. O bacana daqui, como eu tava falando ontem em uma entrevista, é você plantar uma semente no coração da galera, e o próprio publico fazer essa semente germinar, entendeu? É um projeto que, se você tiver um caminho longo, ele pode chegar a lugares bem legais. Por enquanto começou com um show e uma colaboração financeira, tipo, toda renda do show vai pra um lar de caridade. Mas a gente torce muito que isso aqui seja o primeiro passo de um longo caminho, né? E pra isso acontecer, é 10% a gente e 90% os outros, então a gente tem consciência, até porque, um dia a banda acaba mesmo, e se ficar plantado no coração da galera, eles mesmos vão acabar continuando no caminho.

A gente agradece pela entrevista, parabéns pelo projeto!

Guilherme: Valeu, imagina. Obrigado!

Da esq pra dir: Felipe Callegari, Wellington Greve (Bateria), Ana Cristina, Fila Benário, Guilherme de Sá (Vocal), Beatriz Sanz e Rogério Feltrin (Baixo)
Da esq pra dir: Felipe Callegari, Wellington Greve (Bateria), Ana Cristina, Fila Benário, Guilherme de Sá (Vocal), Beatriz Sanz e Rogério Feltrin (Baixo)

Perfil - Bia Sanz

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Rock Católico, Shows

Rosa de Saron faz show histórico e solidário em Campinas no último Domingo

Rosa de SaronAconteceu ontem no ginásio do clube Regatas na cidade de Campinas (Interior de São Paulo), mais um show da banda de Pop Rock Cristã, Rosa de Saron, com a sua nova turnê divulgando o seu mais recente CD, o elogiadissimo Cartas ao Remetente.
Porém não se tratava de um show qualquer, além de estar tocando na cidade de origem, a apresentação marcava o nascimento do Projeto Aurora, que segundo os próprios integrantes da banda, é um núcleo com intuito de organizar ações solidárias e ajudar instituições sociais nas suas mais diversas atuações. Toda a renda do show foi revertida ao Lar Ternura, de Campinas, que desenvolve um trabalho socioeducativo e de Educação Infantil para crianças de 03 anos e seis meses a 05 anos e onze meses economicamente carentes.
Pontualmente as 20:00 o show se deu inicio com a canção Reis e Princesas, que abre o álbum Cartas ao Remetente aliando batidas eletrônicas com o peso das guitarras do Rock n’ Roll.
Na plateia a histeria era completa, a Nação Rosariana, como são chamados os fãs da banda, se revezavam entre cantar a plenos pulmões a canção junto com o vocalista Guilherme de Sá, e fotografar toda aquele momento único.
A pesada Neumas d’ Arezzo, também do mais recente disco, veio na sequência mantendo o pique inicial. O mais novo hit do conjunto, a canção Algoritmo, onde o seu vídeo-clipe lançado na última semana no youtube já está com mais de 47 mil visualizações, se fez presente no repertório pra delírio da galera presente.
A banda aproveitou a ocasião especial para ousar no repertório, incluindo duas canções que não são tocadas com muita frequência nos shows da banda justamente por serem canções inéditas nos dois álbuns ao vivo do conjunto, as músicas Ironia S/A do cd Latitude, Longitude (2013), e Projecto Juno do Horizonte Vivo Distante (2010), foi um imenso presente aos fãs que responderam a altura, colocando o ginásio abaixo em um coral de mil vozes. Importante ressaltar também a musicalidade da banda ao vivo, principalmente com o auxilio dos músicos de apoio, o guitarrista e violonista Adriano Motta e o tecladista Marcos, ambos um verdadeiro show a parte, soando pesados nos momentos mais frenéticos e contemplativos nos mais amenos, o último por sinal é portador de uma voz belíssima e tem ajudado muito nos Backing Vocals. Isso sem contar a performance estarrecedora do VJ/DJ Du Bboy, com certeza o mais animado do palco, agitando a todo tempo e interagindo com a galera constantemente.
A apresentação prosseguiu com as canções Cassino Boulevard e Seis Nações, até a banda fazer um pequeno set acústico, já habitual em suas apresentações, contando com as músicas Quando Eu Tiver Sessenta e Sem Você, com um trecho do clássico More Than Words do Extreme.
O show plugado voltou com força total com duas canções do mais recente disco Cartas ao Remetente: Meus Medos, e a dançante Nada Entre o Valor e a Vergonha. Mantendo a aura dançante o sucesso Maquina do Tempo veio na sequencia, com uma pequena citação de She Will Be Loved do Maroon 5 no trecho inicial.
Rosa de Saron 2 Latitude, Longitude contou com a participação do vocalista Mauro Fernandes da banda Oficina G3 nos telões, seguida de Cartas ao Remetente, o único momento do show onde o vocalista Guilherme de Sá empunhou o violão, função que ele não tem realizado com mais frequência, ficando livre apenas para os vocais, e que vocais diga-se de passagem, impressionante o alcance e técnica do mesmo, é de se impressionar.
Durante o show, tanto o baixista e fundador da banda Rogério Feltrin como o próprio vocalista Guilherme de Sá digiram ao público palavras de fé e otimismo, Guilherme inclusive causou comoção coletiva quando disse que o Sentido da fé é colocar o pé e Deus o Chão e reforçou que renunciar o amor na vida é envelhecer a alma.
O show foi desenhando o seu fim com uma versão tocante de As Dores do Silêncio, seguida de Aurora, que se por um lado emocionou a todos presentes ao exibir nos telões imagens da Jornada Mundial da Juventude ocorrida no ano passado no Rio de Janeiro, por outro lado causou estranheza por não contar com a participação de Jonny Voice (ex- Via 33) que participou da gravação original, sendo que o mesmo estava presente no show transitando entre pelo público livremente.

O baterista Wellington Greve "espancando" a sua bateria.
O baterista Wellington Greve “espancando” a sua bateria.

Do Alto da Pedra, o maior sucesso do Rosa de Saron, seria a última canção do repertório como de costume, porém a banda guardou na manga o hit O Sol da Meia Noite, fechando de forma sublime a emblemática apresentação.
Jogando em casa, o time do Rosa de Saron foi campeão ao fazer uma apresentação enérgica e histórica, porém a goleada maior veio da Nação Rosariana ao expressar um amor intenso pela sua banda do coração, sendo antagonistas dessa partida onde a maior vitória celebrada foi a solidariedade.
Rosa de Saron 4

Fiquem ligados aqui no nosso blog que em breve teremos a entrevista exclusiva feita pela colaboradora Beatriz Sanz com os integrantes do Rosa de Saron.

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Lançamentos e Novidades, Resenhas, Rock Católico

Rosa de Saron – Cartas ao Remetente

Rosa de Saron
E muito antes do lançamento oficial (programado para o inicio do mês que vem) nós do Fila Benério Music graças aos amigos Wellington Rodrigues e Isah Dorneles  tivemos o privilégio e a oportunidade de ouvir na integra o mais novo álbum da super banda de Rock Católico Rosa de Saron.
Cartas ao Remetente o oitavo álbum de estúdio da banda que nesse ano completa 25 anos de carreira vem sem diferencial nenhum em relação ao trabalho anterior O Agora e o Eterno (2012), segue a mesma formula, o mesmo roteiro: Canções pop, algumas flertadas com a música eletrônica somadas as guitarras de inicio dedilhado e riffs pesados no refrão, além de faixas acústicas um dos grandes trunfos da banda ao lado é claro da poderosa voz do mítico Guilherme de Sá que exorcizou de vez os graves cavernosos á Marcus Mena (LS Jack) do álbum Horizonte Distante (2009) e vem provando a cada trabalho ser um dos melhores vocalistas em atividade no Brasil, além de exímio compositor também já que das 14 faixas do álbum 12 são de sua autoria.
Apesar da mesmice alarmante em relação não somente ao álbum anterior mas aos demais álbuns da discografia pop mainstream da banda, Cartas ao Remetente vem recheado de boas músicas que com certeza pincelarão no repertório da banda de agora em diante, como é o caso da abertura com Reis e Princesas, uma canção absurdamente pop com batidas eletrônica, mas igualmente empolgante. Solte-me vem na sequencia com a certeza que será o single do disco, levada pop com refrão pegajoso, tudo dentro do padrão Rosa de Saron de qualidade, com destaque para a surpreendente linha de baixo do competente Rogério Feltrin e também para letra impactante que fala sobre liberdade.
As letras alias seguem a normativa adotada pela banda desde a entrada do Guilherme de Sá no grupo há mais de 10 anos, retratam Deus, o evangelho e os demais dogmas da fé de forma poética e figurada e inseridos nos problemas cotidianos, sociopolíticos e psicológicos, como é o caso da faixa-título que acompanhada de belos violões e com a frase inicial “há quem amou demais” já toca o ouvinte logo na primeira audição. A título de curiosidade na introdução da música o violão faz uma frasesinha semelhante ao refrão da canção Do Alto da Pedra, um dos maiores sucessos do Rosa de Saron, sendo possível até cantar junto, ouça e confira.
Mantendo o pique acústico Quando Tiver Sessenta tem uma das letras mais belas da banda, onde trás uma reflexão sobre a velhice, com os desejos de que a visão continue funcionando perfeitamente, que tenha o prazer de buscar os netos na escola e pescar com os amigos com a mesma juventude e vivacidade de anos atrás, belíssima.
Outro destaque de Cartas ao Remetente fica por conta de Algoritmo que é muito parecida com Acenda a Luz do cd anterior, mas apesar da irmandade é uma canção de refrão forte graças aos poderosos riffs de guitarra de Eduardo Faro que tem acertado como nunca nos timbres das distorções, destaque também para os sutis violinos presentes no decorrer da canção.
Neumas d’ Arezzo é a canção mais pesada do disco dentro do padrão de qualidade da banda e com certeza será presença obrigatória nos shows da recente turnê, título faz uma alusão ao monge italiano Guido d’ Arezzo do século 10 que tinha o seu trabalho voltado à música, e a letra uma das mais diretas da banda serve como uma resposta a aqueles que criticam o trabalho de evangelização do Rosa de Saron. E Verdade/Mentira acaba sendo uma das melhores e surpreendentes do álbum, começa com uma levada Pop Rock e na estrofe se entrega a uma melodia “Techno-Punk” no melhor estilo Atari Teenage Riot (Importante banda alemã dos anos 90 que mistura Punk Rock com Música Eletrônica), além de possuir uma letra fortíssima que fala sobre mentira e cabendo uma reflexão para aqueles que mentem e juram pelo Santo nome de Deus.
O restante do álbum segue padronizado, canções suaves com apelo radiofônico e acústicas como o caso de Invernia acompanhada apenas por violões e violinos, e o encerramento belíssimo com Fleur de Ma Vie que em português significa Flor da Minha Vida e é uma homenagem do vocalista Guilherme de Sá a sua filha recém nascida.
Após uma audição completa de Cartas ao Remetente chegamos a conclusão de que se trata de um grande álbum que vem coroar a carreira de uma das bandas mais bem sucedidas dos últimos tempos. O Rosa de Saron consegue fazer música de qualidade agradando quem tem vinculo com a igreja e atraindo atenção de quem não tem religiosidade alguma, mas se identifica com as mensagens positivistas de suas canções.
Na época do lançamento do álbum Horizonte Distante publiquei uma resenha aqui no blog com ácidas criticas ao rumo musical que a banda estava tomando, afinal era eu um jovem fã do Rosa de Saron de sonoridade Heavy Metal do inicio da carreira e não aceitava de forma alguma a mudança drástica que a banda passava, porém hoje me permiti a ouvir a banda com mais atenção e reflito que se trata de duas bandas diferentes, de diferentes épocas, de diferentes formações e principalmente de diferentes propostas. E aberto a essa aceitação é possível ver beleza, qualidade e principalmente religiosidade dentro desse “novo” Rosa de Saron, e Cartas ao Remetente é uma prova fiel desse resultado.

Ao som de Rosa de Saron – Solte-me