Cinema, Fila Benário Fala

Assim como DiCaprio, Ennio Morricone enfim ganha o seu primeiro Oscar

US-OSCARS-SHOW

Na noite de ontem aconteceu a 88ª edição do Oscar, o grande prêmio da indústria do cinema, e é claro que toda a atenção da mídia, dos fãs e de qualquer terráqueo estava voltada para a categoria de Melhor Ator que contava com presença de Leonardo DiCaprio em sua quarta indicação ao prêmio, já que a sua primeira indicação ao Oscar em 1994 foi na categoria de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme Gilbert Grape.

No entanto quem também ganhou merecidamente o seu primeiro Oscar pela sua colaboração mais do que estupenda para história do cinema foi o compositor italiano Ennio Morricone, pela a trilha sonora do filme Os Oito Odiados do diretor Quentin Tarantino.

O filme Os Oito Odiados
O filme Os Oito Odiados

Conforme já noticiado aqui, Morricone já havia ganho o Globo de Ouro desse ano pela impactante trilha do novo faroeste de Tarantino e era um dos favoritos ao Oscar, mesmo disputando ao lado de outro grande nome da trilha sonora, o também maestro e arranjador James Williams pelo seu retorno triunfante à franquia Star Wars. Os outros indicados a mesma categoria eram Carter Burwell pelo filme Carol, o islandês Jóhann Jóhannsson por Sicario – Terra de Ninguém e Thomas Newman por Ponte dos Espiões, o grande épico de Steven Spielberg. Mas os “deuses” do Oscar fizeram justiça naquela noite no Dolby Theatre na Califórnia e concedeu a Ennio Morricone o seu primeiro Oscar em 87 anos de vida e 70 de carreira dedicados a embalar, com as suas canções maravilhosas, a sétima arte.

Ennio Morricone e John Williams concorriam na mesma categoria
Ennio Morricone e John Williams concorriam na mesma categoria

Apesar já ter ganho um Oscar Honorário em 2007, essa foi a primeira vez que Morricone ganhou pela sua obra vigente. Com essa, ao todo, o maestro soma seis indicações, os outros filmes indicados ao prêmio de melhor trilha, com o toque do mestre, foram: Cinzas no Paraíso (1978), A Missão (1986), Os Intocáveis (1987), Bugsy (1991) e Malena (2000).

Antes de buscar a sua estatueta, Morricone deu um forte abraço em John Williams que estava sentado ao seu lado e já no palco do Dolby Theatre fez um emocionado discurso, em italiano, no qual exaltou a pessoa do próprio Williams, agradeceu ao diretor Quentin Tarantino pela oportunidade e emocionou a todos ao dedicar o prêmio a sua esposa Maria.
Veja um trecho da premiação e do discurso abaixo

Importante ressaltar que a trilha sonora do filme Os Oito Odiados marcava o retorno do compositor ao gênero western depois de 40 anos, e a mesma foi composta sob encomenda do diretor Quentin Tarantino sem o compositor ter assistido uma cena sequer do filme e mesmo assim o trabalho, como pode ser conferido abaixo, ficou fabuloso.

Mesmo que tardio, o Oscar se fez justo, para DiCaprio e principalmente para Morricone.

Anúncios
Cinema, Fila Benário Fala

Novo filme de Quentin Tarantino dá a Ennio Morricone o seu terceiro Globo de Ouro

Foto 1

Na noite do último domingo, dia 10, aconteceu a 73ª edição do Globo de Ouro, cerimônia que premia os principais destaques do cinema e da televisão, além de ser uma grande prévia para o Oscar, que acontecerá no final de fevereiro desse ano.

Entre os vencedores estava o ator Leonardo Di Caprio pela sua atuação no filme O Regresso, que aliás foi o grande vencedor da noite sendo premiado nas categorias de “Melhor Filme de Drama” e “Melhor Diretor” para Alejandro González Iñárritu. Ganhou também a atriz Kate Winslet de “Melhor Atriz Coadjuvante” pelo filme Steve Jobs, a cantora, e agora atriz, Lady Gaga na categoria “Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV” pela série American Horror Story: Hotel. E o brasileiro Wagner Moura foi indicado na categoria “Melhor Ator em Série Dramática” pela sua impecável atuação na pele do traficante Pablo Escobar na série Narcos, mas viu Jon Hamm da série Mad Men pegar o prêmio.

Em sentido horário: Alejandro González Iñárritu e Leonardo Di Caprio, Kate Winslet, Wagner Moura e sua esposa Sandra Delgado e Lady Gaga
Em sentido horário: Alejandro González Iñárritu e Leonardo Di Caprio, Kate Winslet, Wagner Moura e sua esposa Sandra Delgado e Lady Gaga

No entanto na categoria “Melhor Trilha Sonora Original” (a que verdadeiramente interessa para esse humilde espaço) deu merecidamente o compositor italiano Ennio Morricone pela trilha do filme Os Oito Odiados de Quentin Tarantino. Morricone não estava presente na cerimônia e quem buscou o prêmio foi o próprio diretor que fez um discurso emocionado exaltando e muito o trabalho do maestro: “Morricone é o meu compositor favorito e quando digo compositor, falo de Mozart, Chopin, Schubert e Beethoven”, disse. Tarantino chegou a afirmar que o prêmio tinha um significado mais do que especial por ser o primeiro que Ennio Morricone ganhava nos Estados Unidos, mas o compositor já havia ganhado o mesmo Globo de Ouro em duas oportunidades, em 1986 por A Missão e em 1998 com A Lenda do Pianista do Mar.

Tarantino recebendo o prêmio no lugar de Ennio Morricone
Tarantino recebendo o prêmio no lugar de Ennio Morricone

Conforme já destrinchado aqui brilhantemente pelo colunista do Fila Benário Music, Willian Abreu, Ennio Morricone, de 87 anos, é mundialmente conhecido por grandes composições que se tornaram tema dos emblemáticos faroestes dirigidos por Sergio Leone, como a canção The Ecstasy of Gold, conhecida do filme Três Homens em Conflito (1966).

Em entrevista, Morricone disse que não esperava ganhar o prêmio, mas que ficou muito feliz e honrado. E quanto ao discurso de Tarantino, Ennio disse: “Tarantino exagera, é preciso um juízo histórico. O seu juízo é imediato, de uma pessoa gentil que quis fazer um elogio. Mas, é preciso esperar dois séculos para dizer o que ele diz”, ao ter sido comparado com os grandes compositores da música clássica.

A trilha sonora de Ennio Morricone para o filme Os Oito Odiados marca a volta do compositor para o gênero Western depois de 40 anos. Tarantino, um grande admirador de sua obra musical e que já utilizou músicas de Morricone em seus filmes como, Kill Bill Volumes 1 e 2 (2003 e 2004), Bastardos Inglórios (2009) e Django Livre (2013), literalmente tirou o compositor da aposentadoria, que segundos relatos, compôs toda a trilha sem ter assistido ao filme. E mesmo assim a canção de clima assombroso Overture caiu perfeitamente bem para a cena inicial do filme.

O filme em si é mais uma grande obra “Tarantinesca” que conta com os característicos diálogos que moldam a sua filmografia, além é claro de toda violência verborrágica que já lhe é esperada. E a sagrada música de Ennio Morricone vem embalar tudo isso de forma brilhante.

Que venha o Oscar.

Cinema, Especial

Os 20 anos de Pulp Fiction e sua trilha sonora matadora!!!

thumbnail_poster_color-PulpFiction_11r2_Approved_640x360_141767235537

E hoje faz exatos vinte anos do lançamento do melhor filme de toda história da indústria cinematográfica (na minha humilde opinião), a grande obra-prima Pulp Fiction do mestre Quentin Tarantino.
Lançado no dia 14 de Outubro de 1994, Pulp Fiction, não passava de uma produção independente de Tarantino após o relativo sucesso do seu primeiro longa, Cães do Aluguel (1992). Com o roteiro escrito em parceria Roger Avary, e com time de estrelas no elenco como John Travolta, Samuel L. Jackson, Bruce Willis e a estonteante Uma Thurman, Pulp Fiction causou tamanho frison no circuito Hollywood sendo indicado a sete prêmios oscar, incluindo o de melhor filme. Acabou faturando o de melhor roteiro original, além da palma de ouro em Cannes na mesma categoria.
Trazendo uma história não linear, baseado nas revistas Pulp, famosas nas décadas de 70 onde traziam história repletas de sangue e violência, o enredo de Pulp Fiction gira em torno de quatro histórias que se interligam entre si, a primeira cena, um prólogo, já é um emocionante assalto dentro de uma cafeteria protagonizado pelo casal Pumpkin (Tim Roth) e Honey Bunny (Amanda Plummer). Na próxima cena entram em ação os gangsters Vincent Veja (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) à captura de uma maleta a pedido do seu chefe Marsellus Wallace (Ving Rhames), e Vincent recebe a árdua tarefa de acompanhar a esposa de Marsellus à um passeio a pedido do próprio chefe.
O capitulo seguinte, o mais eletrizante narra a história do pugilista Butch Coolidge (Bruce Willis), que fora contratado por Marsellus Wallace para perder uma luta, porém ele não só ganha como mata o seu combatente, e no meio da fuga do poderoso mafioso ele se dá a falta do Relógio de Ouro herdado de seu pai.
O Capitulo final é um complemento do que aconteceu no resgate da maleta no primeiro capitulo, e o epílogo volta pra primeira cena do assalto na cafeteria, apresentando agora o seu desfecho.
Totalmente subversivo e inconseqüente, Pulp Fiction joga na cara dos telespectadores mais de duas horas de violência explicita, além de uma cena de overdose de perder o fôlego, um estupro homossexual, tudo temperado com diálogos muito bem sacados, humorados e até mesmo uma passagem bíblica fictícia citada por Samuel L. Jackson por duas vezes durante o filme e que se tornou uma das frases mais importantes da história do cinema.
Porém com tudo isso Pulp Fiction ainda tem um ingrediente mais do que especial, a sua trilha sonora matadora que se resume à grandes clássicos da Surf Music, do Rock n’ Roll, além da Soul Music.
Em diversas entrevistas Quentin Tarantino ressaltou que a música é um elemento tão importante dentro de um filme como o próprio elenco, e ainda revela que ele próprio faz a escolha do repertório e que a grande maioria das músicas são retiradas de discos de vinil da sua coleção pessoal e o som captado de uma vitrola, pra assim dá mais vivacidade tanto à cena como à trilha, e agradando ao diretor que gosta de ouvir suas canções prediletas da forma original.
E em Pulp Fiction, Tarantino não economizou, foi logo montando um repertório de primeiro escalão que se comunica muito bem com as cenas e os principais diálogos do filme, esses alias, principalmente os mais memoráveis, são eternizados em algumas faixas do álbum.
O álbum da trilha sonora foi lançado no dia 27 de setembro de 1994 e o sucesso foi enorme chegando a ocupar a 21ª posição da Billboard 200.

Segue abaixo, na minha humilde opinião, as melhores e mais marcantes canções desse grande filme:

Misirlou – Dick Dale
A citada cena de abertura do assalto na cafeteria é rapidamente cortada pelo letreiro com o nome do filme e por essa eletrizante canção do mestre Dick Dale, tido para muitos como o criador da Surf Music em meados dos anos 50.
A versão repaginada da canção feita exclusivamente para o filme de Tarantino foi um sucesso, tocando diretamente nas rádios na época, ignorando complemente as restrições impostas pelas mesmas em relação às músicas instrumentais.
Mais tarde o Black Eyed Peas, grupo da estonteante Fergie, lançou a música Pump It, que tinha Misirlou como tema incidental.

Jungle Boogie – Kool & The Gang
Kool & The Gang, os reis do Funk, aparecem na trilha de Pulp Fiction com a dançante Jungle Boogie. Lançada originalmente em 1973 no álbum Wild and Peaceful, o quarto disco da banda, no filme ela dá seqüência aos créditos iniciais, logo após Misirlou, e segue na próxima cena tocando no carro dos personagens Vincent Vega e Jules Winnfield, onde eles conversam sobre as viagens na Europa de Vega.

Let’s Stay Together – Al Green
Outro grande clássico da música negra americana em Pulp Fiction, o hit Let’s Stay Together, canção arrasa quarteirão composta e interpretada pelo Soulmen (e reverendo) Al Green, lançado originalmente em 1971, no álbum homônimo.
A canção embala o longo dialogo do chefão do crime Marsellus Wallace com o pugilista Butch Coolidge pedindo para que ele perca a luta, porém o combinado não ocorre.
Let’s Stay Together passou a ser mundialmente conhecida com a versão feita pela Tina Turner no álbum Private Dancer em 1983.

Son Of A Preacher Man – Dusty Springfield
E mais um pertardo da Soul Music, dessa vez britânica, na trilha de Tarantino. A inglesa e genial Dusty Springfield canta e encanta com o seu clássico Son Of A Preacher Man, enquanto Vincent Vega vai à casa de Mia Wallace e espera ela acabar de se arrumar para enfim ambos saírem.

You Never Can Tell – Chuck Berry
E Rock n’ Roll classico aparece no filme com a versão insana de You Never Can Tell do guitarrista Chuck Berry na cena mais famosa do cinema, a cena onde Vincent Vega e Mia Wallace dançam no concurso de twist na lanchonete Jack Rabbit Slim’s.

Girl, You’ll Be a Woman Soon – Urge Overkill
Ao lado de Misirlou, foi uma das canções mais tocadas nas rádios na época, alavancando ainda mais as vendas da trilha sonora do filme.
Belíssima, intrigante, genial e geniosa a versão de Urge Overkill para o clássico Girl, You’ll Be a Woman Soon de Neil Diamond, é cultuada até hoje, e dentro do filme ela embala a cena mais instigante, a sofrível overdose de Mia Wallace.
Foi o principal sucesso e single da trilha sonora e ficou 59ª Posição da Billboard.

Rumble – Link Wray
Citada por Jimmy Page (guitarrista do Led Zeppelin) como a sua canção favorita, no documentário A Todo Volume (2009), Rumble do genial guitarrista Link Wray, também entra na trilha de Pulp Fiction, servindo de fundo para cena onde Mia Wallace e Vincent Vega conversam na lanchonete Jack Rabbit Slim’s.
A música não entrou no álbum da trilha sonora na época, mas foi incluída na edição de colecionador lançada anos depois, que além de Rumble, a nova versão da trilha contava com mais três canções não incluídas no primeiro lançamento.

Flowers On The Wall – The Statler Brothers
Depois de recuperar o seu relógio de ouro, Butch volta dirigindo alegremente cantando uma canção que tocava em seu carro, até atropelar o mafioso Marcelus que estava à sua captura. A música que fazia a alegria de Butch até dado momento era o country Flowers On The Wall, do grupo The Statler Brothers, famoso grupo formado nos anos 50 que servia até então como backing vocal do grandioso Johnny Cash, até se firmarem como músicos autorais e uma banda de sucesso.

Surf Rider – The Lively Ones
E Pulp Fiction encerra da mesma que forma que começou, de volta a cena do assalto na cafeteria e com surf rock instrumental de trilha, e dessa vez a canção escolhida foi a viajante Surf Rider do The Lively Ones, grupo instrumental de Surf Rock, surgido na Califórnia na década de 50 e que fez muito barulho na cena musical na época justamente com essa canção.

Em tempo: No dia 23 de Maio desse ano, parte do elenco original de Pulp Fiction – a atriz Uma Thurman e o ator John Travolta – além do diretor Quentin Tarantino estiveram em Cannes para assistir uma exibição exclusiva do filme, nas comemorações dos vinte anos de lançamento.
E na chegada no tapete vermelho, Tarantino, acompanhado de Uma repetiram a famosa dança de Vincent Veja e Mia Wallace, para delírio dos presentes.
"Clouds Of Sils Maria" Premiere - The 67th Annual Cannes Film Festival

Parabéns Pulp Fiction, o melhor filme da história do cinema.
Parabéns Quentin Tarantino, só por ter feito essa obra prima, e ter selecionado essas canções incríveis, você é o maior de todos.

1810840