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2016 nem acabou, mas tem sido um ano maravilhoso para o Punk Rock/Hardcore, diga-se de passagem. Só no primeiro semestre tivemos os lançamentos de Bob Mould (Patch The Sky), Face To Face (Protection) e The Bouncing Souls (Simplicity). E na entrada do segundo semestre fomos muito bem recebidos com os novos do Descendents (Hypercaffium Spazzinate), The Interrupters (Say It Out Loud) e Against Me! (Shape Shift With Me), sem contar que o NOFX também prepara um lançamento para o mês seguinte. Isso porque eu não mencionei os lançamentos nacionais como os novos do Dance Of Days (Amor-Fati), Hateen (Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui), Zander (Flamboyant), além da estreia do Please Come July (Life’s Puzzle), projeto contando com grandes nomes da cena underground brasileira.

No entanto, os dois discos mais aguardados do gênero eram, com certeza, os novos discos dos californianos do Green Day e do Blink 182. O do trio capitaneado por Mark Hoppus era esperado com ansiedade, pois se tratava do primeiro disco do conjunto sem o guitarrista e vocalista Tom DeLonge (leia a matéria sobre a saída dele aqui), marcando a estreia do Matt Skiba, do Alkaline Trio, no lugar. Já o do Green Day, tinha uma grande espera pelo fato de ser primeiro disco após a internação de Billie Joe Armstrong na clínica de reabilitação, que cancelou toda a turnê de divulgação dos três últimos – e anêmicos – discos do grupo, a trilogia Uno! Dos! e Tré! (2012) A Campanha de marketing em cima de Revolution Radio, além dos dois singles lançados, Bang Bang e a própria faixa título, fazia do disco a tão sonhada, pelos fãs, volta às origens do grupo.

Eis que California e Revolution Radio enfim foram lançados! E como ambos discos se saíram?

California – Blink-182
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Podemos afirmar, sem medo algum, que California é uma continuação de Take Off Your Pants and Jacket (2001), considerado por muitos o último grande disco do Blink-182. O que se ouve no novo álbum é uma colcha de retalhos que costura as melhores nuances sonoras do grupo, de um lado o Hardcore veloz, graças a técnica apuradíssima do baterista Travis Barker, já explicito na curtíssima faixa de abertura Cynical, continuando em The Only Thing That Matters, que relembra em partes a canção Roller Coaster do já citado Take Off Your Pants…, e encerrando o álbum com Brohemian Rhapsody. Do outro lado, temos aquele Poppy Punk, claramente influenciado em Descendents, que sempre permeou na carreira do trio e gerou os seus maiores hits, e em California não seria diferente, o single Bored to Death, seguidos de She’s Out Her Mind, No Future, Kings Of The Weekend e Rabbit Hole, são as provas concretas. E por fim, aquela sonoridade madura que pipocou em no supracitado TOYPAJ e que foi “cama, mesa e banho” do autointitulado de 2003, surge no novo disco, mas dessa vez como um ingrediente que vem a somar e dar consistência ao produto final. Faixas como Los Angeles, Sober, Left Alone e San Diego, usam e abusam de elementos eletrônicos, mas carregam uma beleza e autenticidade.
A estreia de Matt Skiba foi certeira no disco, como guitarrista ele manteve os já conhecidos timbres que soam agradáveis aos ouvidos dos fãs da banda. E na parte vocal, em alguns momentos a sua voz relembra os bons momentos de Tom DeLonge, como em Cynical e Bored to Death. Mas em She’s Out Her Mind e principalmente em No Future ele imprime a sua própria identidade musical, mostrando que tem muita lenha a queimar com o grupo, para nossa alegria.

Revolution Radio – Green Day
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A Rolling Stone gringa estampou o Green Day na capa dizendo que a banda havia voltado ao Punk Rock. A página oficial da banda, no Facebook, postou a imagem da capa do disco, um rádio explodindo, o que fomentava ainda mais a ideia que estaríamos diante do álbum mais pesado do grupo desde Insomniac (1995), e os dois singles lançados do disco, Bang Bang e Revolution Radio não tinha mais nada a provar: O bom e velho Green Day estava de volta.
Só que aí o Revolution Radio saiu, e após uma audição cuidadosa a conclusão que chegamos é que temos o mesmo Green Day megalomaníaco e grandioso (no mal sentido) desde American Idiot. O grupo continua preso na formula musical criada por si, desde o lançamento supracitado, e não consegue mais se libertar das próprias amarras.
Aquele Green Day que emulava Ramones, Hüsker Dü, The Replacements, hoje mergulhou de cabeça no Rock de Arena inglês de The Who, Beatles e Queen, e tenta a todo custo parir a sua obra-prima. As referências citadas são imunes de reprovação, mas dentro do contexto sonoro proposto pelo Green Day, desde o início da carreira, elas soam plastificadas, forçadas e com ares de “precisamos conquistar todos os públicos, custe o que custar”.
Revolution Radio já abre desanimado com a pseudo-balada Somwhere Now, iniciada no violão e com uma explosão no meio que entrega um bom rock, mas nada além disso. Outros momentos deprimentes do disco é Still Breathing, que muito assemelha as Pop Ballads de Katy Perry e Demi Lovato, o Pop Rock inofensivo reaparece na faixa seguinte Youngblood, com direito à corinhos “ôô-ôô” na introdução. Say Goodbye relembra em algumas passagens o hit Holiday, de American Idiot, no entanto, mais devagar e mais pop. E por fim a baladinha Outlaws é digna de piedade.
A formula, já gasta, do grupo de criar epopeias musicais longas e com alternâncias de ritmos, surge aqui em Revolution Radio, com o nome de Forever Now. Ela até começa com um certo entusiasmo e relembrando Green Day circa Nirmod (1997), mas os demais andamentos nada convencionais, adquiridos ao longo dos seis minutos da mesma, o transforma em mais uma canção decepcionante em um disco fortemente mediano.

A imprensa e a indústria musical que sempre deliciou em criar rivalidades entre bandas para fomentar o crescimento e consumo da mesma, seja nos anos 60 com Beatles e Rolling Stones, ou nos anos 90 com Oasis e Blur, no início dos anos 2000 inventou a disputa entre Blink 182 e Green Day aproveitando o momento distinto de ambas, no caso a ascensão do trio de Mark, Tom e Travis com a explosão do disco Enema Of The State (1999), e o limbo que se encontrava o Green Day após a frustrante tentativa de amadurecimento com o diversificado Warning (2000). Na época o Green Day, que tinha muito mais tempo de estrada do que os seus conterrâneos, acabou se tornando a banda de abertura das turnês do Blink 182, o que deu mais margem ainda para uma possível rivalidade, na qual nunca existiu.

Green Day e Blink 182 na turnê conjunta que fizeram em 2002

Green Day e Blink 182 na turnê conjunta que fizeram em 2002

Mas no ano de 2016, diante desses dois lançamentos, no qual ambas bandas se encontram no mesmo patamar dentro da sua trajetória, o Blink 182 levou a melhor!

Até a próxima, Billie Joe!

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A internet, a terra sem lei, tem moldado a forma como se lê notícia, como se assiste série e filmes e principalmente como se ouve música. Desde o surgimento de programas de compartilhamento de músicas, como Napster, na virada do milênio, que a indústria musical vem sofrendo uma grande mutação e tem tentado, na medida do possível, se adequar a esse novo mundo.
Mas como está música hoje em dia? É verdade que não há mais artistas de qualidade? O que aconteceu com os bons artistas? Por que as músicas atuais são tão vazias e parecidas? O Rock está próximo do fim? Por que os shows são tão caros? O advento da internet acabou com a música em geral?

Essas e outras perguntas serão respondidas no livro O Impacto da Internet na Indústria e no Marketing Musical, de autoria de César Ricardo Mendes.
Jornalista, professor universitário e músico profissional, César Ricardo Mendes durante meses se dedicou ao tema, realizando pesquisas quantitativas, entrevistas com produtores, empresários e demais pessoas renomadas no meio musical. O fruto desse ambicioso projeto será lançado amanhã em São Paulo, pela editora Multifoco.

E nas vésperas do lançamento, o jornalista bateu um papo com o Fila Benário Music, revelando os bastidores da concepção do livro, traçou um panorama sobre o cenário musical atual, além de nos levar a reflexão sobre o tema Música x Internet.

Confira agora.

 

Como surgiu a ideia de desenvolver esse tema do livro?

Eu sempre soube que um dia escreveria um livro, mas nesse caso específico, surgiu das pesquisas acadêmicas que fiz para as pós-graduações que estudei, somado à minha experiência como consultor de marketing para empresas do meio musical, jornalista no meio musical e músico profissional. E também pela falta de publicações nacionais sobre o tema marketing musical.

Como foram realizadas as pesquisas? Quais foram as principais fontes consultadas e que contribuíram para o formato e direcionamento do trabalho em si?

As pesquisas foram de várias formas. Entrevistei diversos músicos, produtores musicais e proprietários de empresas de equipamentos musicais que pudessem contribuir com todo assunto. Também parti para a pesquisa quantitativa, entrevistando pessoas sobre o consumo musical, o quanto a internet os afetou e coisas do tipo. E pesquisei em muitas revistas musicais, blogs americanos, documentários sobre o impacto da internet (principalmente sobre o Napster) que pudessem servir como forma de juntar tudo o que eu havia conseguido para fazer essa análise descrita no livro. Foi um trabalho de alguns meses, mas que valeu a pena.
E trabalhar no meio, tanto como músico como profissional de comunicação, faz com que você tenha uma visão de dentro do assunto. 

O jornalista, músico e escritor César Ricardo Mendes

O jornalista, músico e escritor César Ricardo Mendes

Falando no Napster, no final dos anos 90 houve toda aquela polêmica envolvendo a banda Metallica e o citado programa de compartilhamento musical. Muitos criticaram a postura da banda – principalmente do baterista Lars Ulrich – afirmando que a mesma já havia ganhado muito dinheiro com a indústria fonográfica. Analisando hoje a crise da indústria fonográfica, você acha que a atitude da banda foi correta?

Isso é algo curioso. Pablo Picasso tinha uma afirmação interessante: “Todo mundo que é contra uma vanguarda, na verdade faz parte dela”. No caso do Metallica, vejo por dois ângulos. Primeiro, se eu fosse um astro do rock na década de 90, vivendo com todos os louros que a indústria fonográfica permitia, sem dúvida alguma eu não iria gostar de que mexessem na minha fonte de renda. Nesse sentido eu compreendo a atitude dos caras do Metallica.
Segundo ângulo, eu poderia ser menos provinciano e tentar fazer daquilo um marketing para a minha banda, o que de certa forma me abriria novas formas rentáveis de lucrar. Até porque a tecnologia é algo que sempre se move para frente, nunca para trás, por isso é difícil lutar contra ela.
Há pouco tempo o Lars Ulrich afirmou se arrepender do levante que fez contra o Napster, o que achei interessante e até humilde da parte dele em se arrepender de toda briga. Mas acho que ele também teve uma motivação midiática para fazer o levante que fez na época.

Você acredita que devido ao novo consumo de música, por meio digital, tem contribuído nos últimos tempos para o aumento de artistas de qualidade musical duvidosa?

 Sem dúvida alguma.
Quando as gravadoras e os produtores musicais estavam no comando havia um certo critério de escolha e produção, e mesmo com aquele critério já existiam coisas ruins. Mas se você observar, até mesmo estilos musicais mais populares, como o sertanejo, tinham melhor qualidade (compare Chitãozinho & Xororó com os sertanejos atuais).
Ao mesmo tempo que ficou mais fácil se lançar como artista, o filtro de qualidade também “abriu o funil”. E o critério artístico de qualidade se perdeu um pouco, seja no Brasil ou em qualquer outra parte do mundo.

Pra você, o encarecimento dos ingressos de shows e espetáculos musicais é fruto do impacto da internet no meio musical?

Essa é uma questão que afeta mais diretamente a nós, brasileiros. Em nosso país o ingresso para um show nunca foi barato. Eu sempre fui frequentador de shows e nunca me lembro de ter pagado barato num ingresso.
Como nossa situação econômica é muito instável e o dólar está nas alturas, sofremos também com o abuso dos organizadores de eventos que precisam lucrar no investimento feito para a realização de um show, por isso nossos ingressos são tão caros.
Mas eu me lembro que em 2013, quando eu estava nos Estados Unidos, vi que teria um show do John Mayer na cidade onde eu estava, por um valor de ingresso que seria em torno de R$150,00 aqui no Brasil. Não estou dizendo que R$150,00 é pouco, mas perto dos R$360,00 cobrados para ver um show internacional atrás de um “pilar”, como é o caso no Brasil, sem dúvida a diferença é grande.
Acho que embora o artista, atualmente, lucre com o show ao invés da venda de CDs, essa questão é mais econômica do que de responsabilidade da internet. 

Você faz parte de uma banda, a Tehilim Celtic Rock. Queria que você nos contasse um pouco da experiência da banda em relação a distribuição dos seus próprios discos. Houve a possibilidade de estender a distribuição para o exterior? E analisando o mercado musical independente atual, se esse tipo de coisa ainda é possível nos dias de hoje para uma banda iniciante?

Como com a minha banda, o Tehilim Celtic Rock, minha experiência é pós-advento da internet, não consegui ter os benefícios desse tipo de distribuição. Algo curioso que me aconteceu sobre as facilidades da internet, foi que certa vez eu estava no centro de São Paulo, e vi um camelô vendendo diversos CDs piratas ali, e entre aqueles CDs estava o meu! Eu fiquei com tanto ódio, que cheguei na minha casa, liberei tudo para download gratuito e como estava passando por um período ruim com a distribuidora de CDs, rompemos o contrato.
Já tem uns quatro anos que faço uso de plataformas como o NoiseTrade para lançar meus CDs virtualmente e gratuitamente. A experiência tem sido muito boa, principalmente no que diz respeito ao mercado internacional, que é maioria que baixa nossos álbuns.

César e Jaqueline Massagardi a frente da "Tehilim Celtic Rock"

César e Jaqueline Massagardi a frente da “Tehilim Celtic Rock”

De qualquer forma, acho que não tem como ser um artista adaptado nos tempos que vivemos sem estar presente nos serviços de streaming (Spotify, Deezer, Google Play etc.). É um investimento que vale a pena.
Fora isso, toda banda precisa estar presente no Youtube, pois é o primeiro lugar onde a maioria das pessoas procuram conhecer uma banda (conforme pesquisas realizadas). Pode ser que futuramente procurem mais pelos serviços de streaming? Claro que pode. Mas por enquanto o Youtube é o “cara”.
Se a banda tiver esse empenho, acredito que é muito possível conseguir um certo público consumidor da sua música. 

Com as recentes mortes de Scott Weiland (Stone Temple Pilots), Lemmy Kilmister e David Bowie, a imprensa musical especializada escreveu que a ida desses, e demais, ícones do Rock somados a não existência novos artistas no mesmo impacto artístico, faz do Rock, daqui alguns anos, um estilo fadado ao ostracismo, assim como o Jazz. Você também compartilha desse pensamento?

Acho difícil o rock cair no ostracismo por toda história que existe por trás dele. A grande verdade é que até mesmo o pop existe por causa do rock. Essa enorme segmentação de estilos musicais que temos hoje em dia, lá atrás, na década de 1960, nasceram do rock.
Porém, sempre tem uma questão que levanto: Quem é o grande nome do rock surgido nos últimos 15 anos? É complicado responder essa pergunta, pois até mesmo o Coldplay (que é mais pop do que rock), tem mais de 15 anos! Infelizmente, e por causa de tanta segmentação que o rock tem, não temos um grande nome que seja unanimidade entre as pessoas. Até mesmo o Michael Jackson que era um artista pop, era uma unanimidade entre os rockers!!!
Talvez, o rock sobreviva de muitas bandas surgidas e que surgirão cada uma fatiando seu pedaço do bolo (e assim não morrerá), mas no que diz respeito a existência de um grande nome, pode ser que fiquemos somente nos livros de história. É duro, mas temos que encarar essa verdade.

A figura do produtor musical tem mudado no decorrer dos anos, De mentes brilhantes como Phil Spector, George Martin, Rick Rubin e Steve Albini, que além de engenheiros de áudio eram compositores e instrumentistas, o produtor hoje está mais focado na questão administrativa e empresarial do artista. Esse assunto também é discutido no seu livro? Como você analisa a produção musical hoje com o advento da internet?

 No livro eu faço essa análise fazendo uma ligação com o papel da gravadora. Se você observar, esses grandes produtores são fruto de grandes gravadoras como a Atlantic, EMI, Warner, Sony, Geffen, Motown e tantas outras de extrema importância.
A figura da gravadora era um “pacote completo”, com produtor musical, trabalho de marketing, personal stylist e todo tipo de coisa possível. A independência artística era quase nula, porque o artista tinha um direcionamento completo para absolutamente tudo em sua vida.
Caras como Bob Rock (Metallica e Mötley Crüe) e Rick Rubin (Red Hot Chili Peppers, Johnny Cash e Black Sabbath) tem um histórico de assinar alguns dos maiores trabalhos do rock. Sem dúvida o “dedo” artístico desses caras foi fundamental.

Rick Rubin (deitado ao fundo) produzindo o Black Sabbath

Rick Rubin (deitado ao fundo) produzindo o Black Sabbath

Eu já tive a oportunidade de trabalhar com produtores musicais na gravação de CDs para os quais fui contratado como guitarrista. Já trabalhei com produtores que sabiam música, sabiam o que fazer para melhorar, e também já peguei uma série de “pangarés” que tinham um título de produtor musical, mas mal sabiam o que fazer no estúdio. E infelizmente, hoje em dia existem muitos desses “pangarés”.
Mas é óbvio que ainda existe a figura do produtor musical, só que boa parte desses caras se resumem a donos de estúdio que vendem o trabalho de gravação e nem todos eles, de fato cumprem a função de um produtor musical (a não ser que você o contrate para essa função). O que acaba fazendo com que nem todos os trabalhos tenham o melhor de si.
Porém, no Brasil mesmo existem uma série de produtores musicais excelentes (conhecidos e desconhecidos), sendo contratados e fazendo trabalhos de qualidade excepcional. Entre eles eu cito o Paulo Anhaia, que é um cara excelente e conhecido no meio nacional.

No ano passado a indústria musical respirou aliviada com as vendas do novo disco da cantora Adele (que só na primeira semana no Reino Unido vendeu um total de 800 mil cópias, batendo o recorde da banda Oasis em 1997 com o álbum Be Here Now, que na primeira semana vendeu 696 mil). Você acredita em futuro otimista para a indústria musical e fonográfica, mesmo com a proliferação da internet?

Uma coisa devemos observar: o hábito de comprar CDs online (que é de onde vem a maioria dessas vendas) é muito mais comum no exterior do que aqui no Brasil. Comprar pelo iTunes ainda é caro para o brasileiro, sem falar que os produtos da Apple beiram o absurdo em nosso país. Esse tipo de coisa intimida a compra online.
Eu acredito que se houver uma adequação desses valores para os diferentes mercados mundiais a venda de músicas pode crescer. Mas, atualmente ela tem um inimigo legal, que são os serviços de streaming (onde a maioria dos usuários permanecem com contas gratuitas ao invés de pagar pelo “premium”).
Eu sou saudosista no que diz respeito a CDs, sinto falta do físico, do encarte e de tudo o que acompanhava a audição. A qualidade também era melhor do que o MP3 que nos adequamos a ouvir (obs: no iTunes os álbuns, em sua grande maioria, não estão no formato MP3).
Particularmente, e posso até me enganar, mas acho que o futuro dos álbuns está nas mãos do streaming.

O crítico musical Regis Tadeu, disse certa vez que: “O melhor da música brasileira atual não está no mainstream e sim no circuito underground”. Você concorda com tal afirmação? Se sim, cite quais as bandas e artistas que mais te chamou atenção nos últimos tempos.

Embora o Régis Tadeu seja extremamente ácido em suas colocações, eu gosto muito das coisas que ele fala. E eu concordo com essa afirmação.
Temos uma quantidade enorme de boas bandas totalmente desconhecidas da maioria das pessoas, mas que fazem um trabalho com nível internacional. Nesse caso, eu poderia até mesmo “puxar sardinha” para a minha banda, o Tehilim Celtic Rock, que com 10 anos de estrada, tocando celtic/folk/rock, jamais saiu do underground.
Entre essas bandas underground nacionais, eu gosto muito o pessoal do Terra Celta, que faz um trabalho incrível dentro do estilo. E também acho muito bom o trabalho do meu amigo André Moraes, que faz um MPB na linha do Lenine, que é de qualidade altíssima. Eu poderia citar também o pessoal do Project 46, que hoje estão na crista da onda do metal nacional.

Agora que o livro será lançado, quais serão os seus projetos de divulgação do mesmo? Pretende palestrar ou ministrar cursos a respeito do tema?

Por eu ser da área de comunicação – além de ser músico –, palestrar é algo que já faço em diversas empresas através do DUO in Workshop, trabalho de palestras corporativas que tenho com a minha esposa.
No caso do livro, espero realmente conseguir palestras dentro do tema proposto, ainda mais, se considerarmos que quase não existe literatura dentro desse tema no Brasil. Obviamente, isso não faz com que eu me considere uma sumidade no assunto, de forma alguma. No livro, fiz questão de citar meu amigo Célio Ramos (dono do EMT – Escola de Música e Tecnologia –  e um conceituado profissional de marketing), que é uma pessoa que considero como um dos mais hábeis no assunto.
A Multifoco Editora também fará um trabalho de divulgação interessante, principalmente em livrarias e eBook. Acho que nesse momento, estou aberto para diversas propostas sobre o livro, desde palestras até cursos e o que mais vier.

Lançamento do Livro: O Impacto da Internet na Indústria e no Marketing Musical
Local: La Quiche Bistrot – Rua: Artur de Azevedo 657 – Pinheiros – SP
Horário: 13h às 17h

7 anos de Fila Benário Music

Publicado: 4 de agosto de 2016 em Especial, Fila Benário Fala

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No ano de 2009, um jovem e frustrado estudante de logística decide colocar um ponto final na sua infelicidade profissional, amorosa, e qualquer outra que o valha, criando um blog musical como passatempo.

Longe de pretensões empresariais e status, o humilde espaço, hospedado em uma plataforma gratuita, seria apenas um refúgio daquele jovem azarado que buscava ali um recanto de paz para escrever sobre as suas bandas, discos e canções favoritas.

Sem regras, sem qualquer compromisso e muito menos sem linha editorial a seguir, o diário musical era pra escrever apenas o que desse na telha, sem revisão ortográfica, sem filtro, sem nada. Se ele iria longe? Provavelmente não, afinal de contas, nada na vida desse garoto durou muito tempo.

Corta! Ano de 2016, sete anos do blog Fila Benário Music, se eu pudesse voltar no tempo e dizer para aquele garoto desanimado que a vida dele mudaria de ponta cabeça por causa desse simples blog, será que ele acreditaria?

Em sete anos foram 246 posts, 297 comentários e mais 20 mil acessos, números pequenos comparados a grandes portais e blogs com viés mainstream. Mas grandes levando em consideração todo o “establishment” independente no qual o blog vive, sem patrocínio, sem lei rouanet, apenas com divulgação no boca a boca.

Esse singelo espaço que coleciona amigos, alguns desafetos e inúmeros leitores fieis tem muitas histórias pra contar, e fazendo jus aos sete anos que comemoramos nesse dia 4 de agosto, se eu pudesse listar os 7 momentos mais marcantes do Fila Benário Music, seriam esses:

1 – Professores analisam letras do Dead Fish e a banda aprova

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Com certeza o texto “O Hardcore da educação”, professores analisam as letras do ‘Dead Fish’ foi o mais lido de toda a história do Fila Benário Music, só no primeiro dia ele alcançou o histórico número de 10 mil visualizações. Mas pra quem não sabe, a história por traz do mesmo é curiosíssima.

A ideia inicial era convidar todos os meus professores da faculdade, e mais alguns professores amigos, para interpretar e dar a visão em cima de diversas letras de Hardcore. Além do Dead Fish, bandas como FISTT, Hateen, Dance Of Days, Ratos de Porão, Anzol, Street Bulldogs, Nitrominds e muitas outras teriam as suas letras destrinchadas pelos profissionais da educação. No dia 15 de outubro, dia dos professores, o texto iria ao ar.

Só que pra minha frustração, a data foi se aproximando e nada de ninguém me entregar as análises, teve quem recusou o convite alegando falta de tempo, teve quem ficou empolgado no início, mas depois desistiu ao receber a música e ver que não se tratava de um Legião Urbana ou U2, e teve quem simplesmente sumiu do mapa. Enfim, eis que chegou o dia 15 de outubro e eu recebi apenas cinco análises e curiosamente todas eram de músicas do Dead Fish, sem pretensão acabou virando um texto especial do Dead Fish. Mas o certo por linhas tortas deu certíssimo, as análises foram perfeitas, os professores participantes entenderam o espírito da coisa escreveram relatos emocionantes e contestadores, e pra nossa alegria o texto chegou até a banda, que compartilhou em suas redes sociais e ampliou ainda mais o número de leitores.

Valeu Michele Escoura, Luiz Antônio Farago, Ana Paula Vieira de Oliveira, Ricardo Roca e Patrícia Paixão pela parceria.

2 – Reintegração de Posse em SP

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No ano de 2014, uma reintegração de posse no centro de São Paulo é televisionada ao vivo e divide opiniões da população. Em casa, impedido de ir para faculdade, que estava situada no meio do cenário de guerra, eu acompanhei todos os boletins e reportagens ao vivo. Aquele acontecimento foi me consumindo de tal forma que eu também me senti na obrigação de expor a minha opinião acerca do tema e disso nasceu o texto As músicas que retratam a reintegração de posse ontem em São Paulo.

Um texto tão especial que inspirou um trabalho acadêmico e posteriormente a minha indicação para o prêmio Intercom Sudeste em 2015, na categoria “Artigo de Opinião”.

3 – Entrevista com a Bruna Caram

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A minha primeira entrevista oficial para o FBM foi com a banda Rosa de Saron, mas como eu já conhecia os integrantes e já havia conversado com os mesmos em outras oportunidades, nos tempos que a banda dividia os palcos e a estrada com a minha banda na época, o Nazarenos HC, a entrevista foi um bate-papo bem descontraído e um reencontro. Podemos dizer que a primeira entrevista mesmo, já como estudante de jornalismo, foi essa com a Bruna Caram.

Bruna Caram era uma das atrações da Virada Cultural Paulista em Jundiaí, a minha cidade natal. Como grande admirador do trabalho dela, munido de perguntas e com o meu gravador eu fui lá entrevista-la. Bateu nervoso, medo, insegurança, tudo ao mesmo tempo agora, mas a paciência, o carinho e a compreensão se Bruna deixou tudo leve e tranquilo, como se fosse um bate-papo na cozinha de casa. Em determinado momento da entrevista, ao ser questionada se ela gravaria uma música do cancioneiro brega, Bruna pegou na minha mão e cantou um trechinho de Indiferença da dupla Zezé Di Camargo & Luciano. Em tempos que “astro” pop assedia repórter dizendo que “quebraria a mesma no meio”, Bruna Caram manifestou amor, carinho e respeito o tempo todo.

E ainda compartilhou a entrevista em suas redes sociais.

Ler a entrevista completa aqui

4 – Entrevista com o Dead Fish

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Antes da explosão do texto sobre analise das letras, eu tive a honra e privilégio de entrevistar Rodrigo Lima e Alyand do Dead Fish para FBM, após o show da banda em Jundiaí em Abril de 2015.

Rodrigo que é conhecido pelo seu jeito intransigente e difícil de lidar, quebrou todos esses “pré-conceitos”, nos dando uma aula de história, sociologia e falando abertamente sobre qualquer tema que lhe era questionado.

Ler a entrevista completa aqui

5 – Ultraje a Rigor e Raimundos, o embate do século no FBM

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No ano de 2012 as bandas Raimundos e Ultraje a Rigor lançaram o disco “O Embate do Século”, com uma banda tocando um clássico da outra. O resultado foi sensacional e acabou entrando na lista dos melhores do ano do FBM. Mas quem imaginaria que anos depois eu teria a oportunidade de entrevistar Ultraje e Raimundos? Pois bem, a façanha aconteceu.

O Roger Moreira eu entrevistei no ano de 2014, durante a apresentação do Ultraje na Virada Cultural de Jundiaí. Assim como Rodrigo Lima, Roger também é conhecido pelo seu jeitão intransigente e sem papas na língua, mas a entrevista transcorreu super bem, com um Roger empolgado respondendo as perguntas sobre a sua carreira e influências musicais. E no final ele agradeceu pelo bate-papo e pediu para que lhe enviasse a entrevista completa.
Ele compartilhou em suas redes sociais.

E o Raimundos eu entrevistei no ano seguinte, na passagem da banda pelo Sesc Jundiaí, na turnê em comemoração aos 20 anos de carreira. Canisso, o baixista e um dos fundadores do grupo, esbanjou simpatia e boa vontade durante todo o bate-papo. Dado um momento ele me interrompeu dizendo: “Eu não preciso responder mais nada, esse menino sabe tudo sobre a minha carreira”.
A página oficial do Raimundos no Facebook compartilhou a entrevista.

Ler a entrevista completa com o Raimundos aqui
Ler a entrevista completa com o Ultraje a Rigor aqui

6 – Jornalistas renomados escrevem texto especial

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Em meio à confusão generalizada que se encontrava o cenário político brasileiro no primeiro semestre de 2016, eu entrevistei alguns jornalistas, blogueiros e demais intelectuais perguntando: “Qual a trilha sonora desse momento tão caótico”, o resultado foi grandioso e gerou o texto As trilhas sonoras da guerra política brasileira contando com Adriana Carranca, Vitor Guedes, Patrícia Paixão, Fausto Salvadori Filho, Cinthia Gomes, Juliana Almeida, Ricardo Roca, Luíza Caricati, Patty Farina, Caroline Apple e Matheus Pichonelli.

7 – 50 tons de cinza

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Durante a semana da estreia mundial do filme Cinquenta Tons de Cinza, eu estava inconformado com o fato de um filme, baseado em um livro, no qual a protagonista apanha descaradamente de um homem, ser aclamado e aguardado com tanto fervor em um país que a cada três segundos uma mulher é agredida.

Para minha alegria, a minha parceira de escrita, Beatriz Sanz, também compartilhava do mesmo sentimento. Unimos forças e juntos escrevemos o texto 50 Tons de cinza + o desabafo de uma feminista. Eu levando a discussão, como sempre, para o viés musical, e a Beatriz Sanz, feminista ferrenha, chutou o pau da barraca e fez uma reflexão incrível.

Foi o quarto texto mais lido no FBM em 2015.

DEPOIMENTO DAS ETERNAS COLUNISTAS DO FILA BENÁRIO MÚSIC

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Parabéns pra você, nessa data de vida!!! E aí leitores do Fila Benário, todo mundo com saudade? Pois é, nós também. Sabemos que o blog tem ficado meio sozinho, mas é que estamos muito ocupados na vida (nos perdoem). Mas o aniversário do blog não ia passar em branco e eu queria dizer como esse blog e seu criador mudaram minha vida. Nunca fui capaz de manter meu próprio blog, então pedi uma coluna aqui. Foi quando eu comecei a escrever de verdade e a ter comprometimento. Passei a ouvir músicas diferentes e pensar em pautas de cultura. Viajei para o interior por conta de uma entrevista. Obrigada, FBM! Queremos pedir aos fiéis leitores que vocês continuem nos acompanhando. Há qualquer momento, quando vocês menos esperarem a gente dá as caras por aqui!

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Beatriz Sanz é jornalista na Revista Fórum e colunista na Huffpost Brasil

 

 

O que eu carrego do Fila Benário?

Não contribuo para o Fila Benário há algum tempo. Talvez por falta de tempo ou por excesso de trabalho, fui gradualmente parando de escrever sobre música. Vou menos a shows e só ouço meus álbuns preferidos enquanto realizo outras tarefas. Isso é triste, sabe?

Ainda me lembro vividamente de estar frente a frente com Johnny Marr, carregando apenas um bloquinho de anotações e toda a uma carga de admiração. Quando sentei para digitar sobre o festival, despejei sobre os teclados a gratidão de ter vivido aquele dia. Eu, estudante de jornalismo recém-saída do ensino médio, ostentava orgulhosamente uma credencial de imprensa com o nome do primeiro veículo que me deu voz. Curiosamente, esse foi o meu último texto enviado.

Resenhar o que a gente gosta tem um gostinho diferente. Livre de burocracia, deixamos que as palavras ganhem forma, textura, cheiro e movimento. Somos coagidos ao prazer da escrita pela escrita. Simples assim.

Sinto falta desse descompromisso compromissado. Pelo menos posso dizer que não carrego o Fila Benário apenas no meu portfólio. Cada estrofe que eu redigi construiu um pedaço da minha formação.

Larissa

 

Larissa Darc é jornalista na revista Nova Escola

12 - Guitar
E tirando as teias e a poeira desse fétido espaço, que hoje nessa data tão importante, comemorada apenas no Brasil (chupa essa, resto do mundo), o Dia do Rock, que eu faço uma singela listinha de 10 bandas que você NECESSITA conhecer. Claro que você não ouviu nenhuma música delas em trilhas de novelas ou em comerciais de cerveja, até porque, meu amigo, se você está procurando boa música no mainstream, você está procurando no lugar errado.
A cena independente tem vivido um dos seus momentos mais prolíferos e com bandas fantásticas e autênticas, portanto separei aqui as 10 que mais me chamaram atenção nos últimos cinco anos. Vale e muito a pena conhecer o trabalho de cada uma.

1 – ILLBRED
1 - Illbred
Talvez o mais veterano dessa lista, o Illbred tem 20 anos de estrada. Formado em Paranaguá (PR), hoje o quarteto composto por Fábio Magronne (Vocal e Guitarra), Dom Murylo (Guitarra), Edsan Rozano (Baixo) e Rodrigo Saif (Bateria) não se prende apenas nas amarras do Hardcore Melódico, mas ousa por outros caminhos do Rock, como o Grunge, o Heavy Metal e claras influências dos anos 80. O seu mais recente trabalho, o disco Livre! (2015), já rendeu três videoclipes, como: A Estrada, Depois do 30 e Viver Longe Daqui.

2 – SALLYS HOME
2 - Sallys Home
Formada em Jundiaí (SP), a Sallys Home passaria facilmente por uma banda californiana. O Seu som veloz e ensolarado remete a bandas marcantes do gênero, como o Descendents, NOFX e Blink 182 (fase Dude Ranch). Contando com Ricardo Drvz (Vocal e Guitarra), Danilo Braga (Guitarra e Backing Vocals), Fábio Castel (Baixo e Backing Vocals) e Evandro Salmeirão (Bateria). O grupo tem dois EPs: Waiting For Destruction (2008) e Summer (S)hit (2011) e no ano passado lançou o seu primeiro álbum completo, Melody Station. E hoje, no Dia do Rock, a banda lança o clipe da música Don’t Follow Them, curta aí em primeira mão.

3 – CHCL
3 - CHCL
Se Mark Arm e Dan Peters do Mudhoney se juntassem com Darby Crash e Pat Smear do The Germs, o resultado seria essa fabulosa banda. O CHCL (abreviação de Chacal) faz um Punk Rock direto, sem frescura, firulas, com vocal rasgado e letras que retratam os problemas do cotidiano. Nascida em Caçapava (SP), a banda é formada por Gustavo Magalhães (Vocal e Guitarra), Diego Xavier (Guitarra e Vocal), Diego Esteves (Baixo e Vocal) e Eder Penha (Bateria). Em 2015 a banda lançou o primeiro full, o pesadíssimo Espora, mas não deixe de conferir o primeiro registro do grupo em estúdio, o EP Inacabado (2013), na época que o mesmo era um Power Trio.

4 – DISORDIA
4 - Disordia
Se a sua linha sonora é o Real Emo dos anos 90 que mesclava melodia, velocidade, berros e guitarras distorcidas, sem o bundamolismo que assolou o gênero na metade dos anos 2000, a sua banda de cabeceira será o Disordia. Também de Jundiaí (SP) e com dez anos de atividade, o quarteto formado por Renan Sales (Vocal e Guitarra), Fernando Oska (Guitarra), Matheus Caccere (Baixo) e Matheus Risso (Batera) traz aquele som agridoce de Samiam, Hot Water Music, Jawbreaker e Lifetime. Resolução, o mais recente trabalho do grupo, foi lançado no início de 2016, via Oba! Records, e conta com a participação especial de Chinho, da banda Chuva Negra, nos vocais de Homem Bomba.

5 – THE GUANTANAMEROS
5 - The Guantanameros
Esqueça tudo que você já ouviu em matéria de Rock, porque o The Guantanameros vai explodir a sua cabeça e te colocar pra bailar. Formado por Nacho Martin (Vocal, Ukulele, Banjo e Bandolim) – um autêntico Guantanamero argentino – a banda ainda conta com Felipe Seda (Guitarra), Luiz Reche (Baixo), Diogo Rampaso (Trompete, Escaleta e Charango), Kaoei Couto (Percussão) e Lucas Blinhas (Bateria e Cajón). O grupo, que completou recentemente um ano de atividade, tem uma sonoridade única e plural, passeando pelo Ska, Hardcore, Reggae, Country, Hip-Hop e música latina, além de cantar em inglês, português e espanhol. No início de 2016 o grupo lançou o seu primeiro EP, Parte #01 e no dia 17 próximo vem a Parte #02. Mas enquanto esse dia não chega, ouça o mais recente single do grupo Don’t Cut The Mullets.

6 – METAMORFFOSE
6 - Metamorffose
Já falamos dessa banda aqui, mas tudo que é bom vale ser relembrado. Também de Jundiaí (SP), o grupo faz aquela linha musical oitentista, resgatando aquele frescor nacional de Biquini Cavadão, Barão Vermelho, Titãs e Capital Inicial. Contando com Nick Moraes (Vocal), Renato Torelli (Guitarra), Guilherme Bianchini (Guitarra), Lê (Baixo) e Fernando Arouche (Bateria), a banda tem um álbum, Pretérito Imperfeito (2014), produzido pelo próprio baterista e lançado de forma independente, e no ano passado integrou a coletânea New Acts produzida pelo Rick Bonadio, com as canções Eu Sou o Vento e Punhos Atados.

7 – PLEASE COME JULY
7 - Please Come July
Se por um lado é a banda mais bebê da nossa lista, sendo formada esse ano, por outro lado, se somar as experiências de cada um dos integrantes dá mais de 30 anos de atividade. O Please Come July vem diretamente da cidade maravilhosa com line up de causar inveja, com Marcus Menezes (Sorry Figure) na Guitarra e Voz, João Veloso Jr. (White Frogs) no Baixo e Voz, além do baterista Felipe Fiorini (Plastic Fire). O som do grupo é um passeio pelo Rock Alternativo dos anos 90, mas um nome, em especial, é a principal influência e norte do grupo: Bob Mould.
Com letras em inglês, o grupo prepara o lançamento do seu primeiro EP, Life’s Puzzle, que verá a luz do sol no final de julho. Enquanto esse dia não chega, bora curtir o primeiro single do disco: A Lot Of Things.

8 – GASOLINE SPECIAL
8 - Gasoline Special
Lemmy Kilmister se foi sem ouvir essa pedrada cavalar sonora. Também de Jundiaí (será que temos uma nova Seattle brasileira?) o grupo, que hoje se consiste em um power trio formado por André Bode (Vocal e Guitarra), Rodrigo Faria (Baixo e Backing Vocal) e Junior Scalav (Bateria e Backing Vocal), faz um rock visceral e sujo, com claras influencias de Motorhead, com algumas passagens de Jimi Hendrix e um encontro perdido com o Nirvana na fase Bleach. As letras, todas em português, são o grande trunfo do grupo, vão desde críticas ao novo rock consumido pela massa, como em 2000 e Foda-se, até temas mais sacanas e picantes, como Tesão Fudido em Você.

9 – SKY DOWN
9 - Sky Down
Fazia tempo que a cena independente não apresentava algo tão forte, libertador, consistente e barulhento como o Sky Down. Bebendo da fonte da mesma fonte do CHCL, o grupo paulista formado por Caio Felipe (Vocal e Guitarra), Amanda Buttler (Baixo) e André Arvore (Bateria) é um misto de The Germs (sua principal influência), com Nirvana (fase In Utero) e Pixies (a fase que você quiser), tudo isso dentro de um Punk Rock barulhento, cantado em inglês, com microfonias e camadas de guitarras que sobressaem a voz. Nowhere (2013), o seu primeiro, e mais recente trabalho, traz o melhor dessa melancolia e insanidade. Vale e muito a pena conferir.

10 – MAD SNEAKS
10 - Mad Sneaks
E por fim, se a sua praia é um grunge bem pesado e denso como o do Alice In Chains e Soundgarden, o seu lugar é aqui. A banda mineira Mad Sneaks apresenta o melhor do som de Seattle e com um grande diferencial (e trunfo): tudo cantando em português!
Composto por Agno Dissan (Vocal e Guitarra), Adriano Lima (Baixo) e Amaury Dias (Bateria), o trio teve o seu primeiro trabalho, o álbum Incógnita (2013), masterizado por ninguém mais, ninguém menos que Jack Endino, o lendário produtor de Bleach, o primeiro disco do Nirvana.

estupro-sexo-e-violência

“No último sábado, dia 21, uma jovem, de apenas 16 anos, moradora de uma comunidade no Rio de Janeiro foi covardemente estuprada por 30 homens na casa do seu então namorado.”

Para! Só essas duas linhas já causam repulsa em qualquer ser humano que tenha o mínimo de caráter. Mas tão grave quanto o crime tem sido as opiniões aleatórias expressas nas redes sociais nas quais pessoas tentam justificar o injustificável: “Mas ela morava em uma favela”, como se as condições sociais da garota justificam ela ter sido barbaramente violentada por 30 brutamontes. “Ouvi dizer que ela tinha um filho de três anos já”, “parece que ela usava droga”, e é claro aquele julgamento que extrapola os limites da insanidade humana: “Meu, ela mora em uma favela no Rio de Janeiro, as meninas de lá andam quase nuas, ou com aqueles shortinhos jeans que é mais fácil andar pelada, porque não tampam nada, ela provocou…”

Agora vamos esquecer de vez esses comentários e vamos voltar para o lead da matéria: “Uma jovem de APENAS 16 ANOS”, 16 anos, segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) ela ainda é uma adolescente, não chegou a idade adulta. “Moradora de uma comunidade do Rio de Janeiro foi COVARDEMENTE ESTUPRADA POR TRINTA!!! TRIN-TA!!! HOMENS NA CASA DO SEU ENTÃO NAMORADO”. Precisava escrever em letras garrafais? Estamos diante de um crime: Uma criança foi brutalmente violentada por trinta pessoas e a culpa ainda recai sobre a vítima com pré-julgamentos que nada justificam a ação dos trinta animais covardes, incluindo o seu namorado que arquitetou toda ação, dopando a mesma e permitindo tal carnificina moral e documentando tudo em vídeo que foi divulgado nas redes sociais.

Resumindo, uma criança em situação de vida carente, que mora com os pais na periferia, que foi apenas passar um dia na casa do seu namorado, teve a sua adolescência massacrada fisicamente, moralmente e psicologicamente e a culpa AINDA É DELA?

Se você ainda pensa assim, convido a refletir a letra dessa canção que irei esmiuçar abaixo. Essa já é a terceira vez que essa música aparece em uma postagem aqui (das outras vezes: aqui e aqui), mas dessa vez eu convido a refletir trecho a trecho. Die Die da banda paulistana de Hardcore feminista Dominatrix, foi lançada em 2001 no disco Split Bike, junto com a banda Dance Of Days e anos depois relançada no disco Beauville de 2003. O veloz Punk Rock cantado em inglês com um trecho narrado em português retrata de forma clara, direta e concisa a vida da mulher que sofre com os abusos físicos e psicológicos e ainda tem a culpa recaída sobre si:

Die Die (Dominatrix)

Cinical cinical dumb to the bone, mr. know-it-all
dumb to the bone, and then you tied
to the same old shit, hiding the surface with more radical surface
You think you see the whole thing by knowing a part of it and then
You’re fucking with the wrong girls again

Cínico, cínico, burro até o osso, o Sr. sabe tudo
Burro até o osso
Apegado à mesma velha merda, escondendo a superfície radical.
Você acha que sabe tudo por saber só uma parte
Então você está se metendo com as meninas erradas novamente

A curta estrofe, que é praticamente cuspida com raiva por Elisa Gargiulo, explica claramente a ação dos juízes morais de plantão. Pessoas cínicas que tentam de todas formas justificar o crime brutal sempre apegado as velhas razões radicais. Culpando a vítima pela roupa que ela veste, pelo fato dela morar em uma comunidade carente, por ela ter tido envolvimento com drogas no passado ou até mesmo ter um filho.

Die!! Die bigot scum
We’ll build up our own
Way, we’ll not take it anymore,
Die bigot scum!

Morra! Morra imbecil preconceituoso
Iremos construir o nosso próprio caminho
Não vamos mais aturar isso,
Morra imbecil preconceituoso

O forte e violento refrão é um grito de basta! Não se refere e nem incita uma morte física dos agressores sexuais e os verbais que justificam a violência, mas sim uma morte simbólica, que todos esses ideais preconceituosos e principalmente a cultura de estupro sejam enterrados de uma vez por todas, afinal “não vamos mais aturar isso”.

Seu burro, seu idiota, que antissocial o quê!
Antissocial é uma mulher tentando andar
Numa rua escura à noite.
Que tipo de vida é essa que eu tenho que
F
icar 24 horas por dia alerta igual a um cão-de-guarda?
De quem são os olhos que te vigiam?
De quem é a mão que te ataca?

E nesse trecho narrado em português, Elisa faz um desabafo no qual muitas mulheres irão se identificar. Quantas e quantas garotas não foram assediada no transporte público, na rua, passando em frente a uma construção e ao agir com indiferença, com constrangimento ou até mesmo com raiva e fúria por parte do abusador, não teve que ouvir ainda ofensas do tipo: “Que chata, que antissocial”, mas na próxima frase ela já explica: “Antissocial é uma mulher tentando andar numa rua escura a noite”. O trecho seguinte: “Que tipo de vida é essa que eu tenho que ficar 24 horas por dia alerta igual a um Cão de Guarda?” Traduz o fato de que a mulher tem que estar sempre em alerta, prestando a atenção em tudo e tomar todos os cuidados possíveis para não incitar a violência contra ela mesma. Que ela tem que estar em alerta igual um Cão de Guarda dentro do transporte público para evitar um possível assédio, que ela tem que se policiar melhor em relação a roupa que ela veste, os lugares que ela frequenta, evitar andar na rua a noite. A sociedade joga essa responsabilidade sob os ombros femininos e não cumprimento dessas regras transforma a vítima em réu de um tribunal moral.
E já o trecho final que questiona: “De quem são os olhos que te vigiam? De quem são as mãos que te atacam?” Nos leva a reflexão: Quem é o agressor? A jovem covardemente violentada caiu em uma emboscada planejada pelo próprio namorado, a pessoa que ela compartilhava os seus planos, sonhos, anseios e sentimentos. O monstruoso namorado teve a crueldade de dopar a mesma e dividi-la com mais 29 pessoas. A pessoa na qual a jovem mais confiava, foi que transformou a sua vida em um terrível pesadelo. Os olhos que vigiam e as mãos que atacam estão mais próximos do que podemos imaginar. E quando o assunto violência doméstica contra mulher entra em pauta, como aconteceu no ano passado quando foi tema da redação do Enem, o mesmo é ignorado e tratado como mimimi de feminista e doutrinação esquerdista marxista.

Diante de todo esse acontecimento, diversas manifestações de solidariedade a garota violentada e mensagens de repúdio e asco ao acontecimento em si foram feitas nas redes sociais. E quando as mulheres postavam “Vocês homens são responsáveis”, alguns, inclusive conhecidos meus postavam: “Nem todos os homens são assim, não generalize…”.
Mas sim, a responsabilidade É NOSSA! Não quero afirmar que todos homens são estupradores e que todos os homens do planeta terra cometeu esse crime horrendo com essa jovem garota, mas compactuamos com a violência feminina quando gargalhamos com discursos machistas e sexistas, quando concordamos que o lugar de mulher é na cozinha e do homem é sentado no sofá assistindo um jogo de futebol com a sua cervejinha do lado. Temos responsabilidade quando achamos que sexo sem consentimento da esposa/namorada/parceira não é estupro. Quando compartilhamos vídeos e fotos íntimas de nossas ex-namoradas como um ato vingativo. Somos culpados quando educamos os nossos filhos homens que eles podem fazer o que quiser, mas exortamos as nossas filhas a se comportar como uma dama.
Quando sabemos que o nosso amigo agride a sua namorada e não tomamos nenhuma providência a respeito, nós somos os culpados! Assim também quando vemos a nossa amiga no ambiente de trabalho sofrendo assédio e fazemos vista grossa.
E não adianta nada você homem se solidarizar com a jovem estuprada, mas aplaudir político boçal que homenageia torturador que tinha com principal prática de tortura introduzir um rato vivo dentro de vaginas.

O que precisamos não é se vitimar com a generalização, mas desconstruir o machismo existente dentro de cada um de nós. E assim evitamos situações deploráveis como essa.

Que MORRA a Cultura de Estupro
Que MORRA a violência contra mulher
E que MORRA a culpabilização da vítima.

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Após seis horas de votação, na Câmara dos Deputados em Brasília, o processo de Impeachment contra a presidente Dilma Rousseff foi aprovado com 367 votos e encaminhado para o Senado Federal, que tem um prazo de 20 dias para decidir a governabilidade do país.

Não vou me estender em afirmar o quanto esse processo de cassação é um imenso golpe partidário, levando em consideração que quem preside o mesmo é o Sr. Eduardo Cunha, mais citado nas delações da Lava Jato do que frase de Clarice Lispector em Facebook. E nem vou também gastar frases e chistes defendendo um governo que meteu o pé pelas mãos em seu recente mandato ao contar com o apoio de movimentos sociais populares e diversas minorias, mas que preferiu se aliar com o partido mais corrupto da história, o PMDB, que apunhalaria mais tarde.

Mas assistir as seis horas de votação do Impeachment foi um imenso exercício de paciência e estomago forte, afinal de contas, muitos do que estavam ali votando pela cassação do mandato da presidente Dilma, estão envolvidos na Lava Jato, principalmente quem presidia a sessão, o Sr. Eduardo Cunha.

E foi assistindo todo aquele espetáculo circense bancado por nós brasileiros, que veio à cabeça algumas canções que muito tem a ver com aquela pataquada formada.
Portanto atente-se abaixo, aumente o volume e reflita:

1 – Se Gritar Pega Ladrão (Bezerra da Silva e Originais do Samba)

Eduardo Cunha (PMDB), investigado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, contas na suíça, recebimento de propinas de empreiteiras.
Rogério Rosso (PSD), indiciado por corrupção eleitoral.
Shéridan (PSDB), titulação irregular de terras públicas em benefício próprio.
Marcos Rotta (PMDB), improbabilidade administrativa com danos aos cofres públicos.
Pauderney Avelino (DEM), condenado a devolver 4,6 milhões ao governo do Amazonas por superfaturamento de contratos.
É esse povo que quer tirar a Dilma do poder e acabar com a corrupção no país, ou manter Dilma no poder significa que a Lava Jato continuará e muitos ali que serão caçados?
Como já cantava o malandro Bezerra da Silva em parceria com Os Originais do Samba: “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”.

2 – Corvos do Paraíso (Dance Of Days)

“Pela minha família, pelos meus filhos, pela minha esposa”, “Pelos plantadores de comida, assim não teríamos o que comer”, “Pela minha tia que me criou”, “Pela república de Curitiba”.
Foi um festival de palavras vazias sem conteúdo jogadas ao vento. A hipocrisia reinava naquele ambiente. O segundo mandamento da lei de Deus, que é “Não citar o seu santo Nome em vão”, foi rasgado assim como a constituição brasileira, naquela noite, afinal, uma quantidade sem fim de deputados falando em nome de Deus apoiavam o golpe e varriam para debaixo do tapete a sua corrupção.
Lançada em 2001 no primeiro de canções em português, o seminal A História Não Tem Fim, Corvos do Paraíso do Dance Of Days é um retrato fiel desse momento, das “Palavras malditas e desgraçadas jogadas contra o vento”.

3 – Bonzo Goes to Bitburg (Ramones)

Em 1885, o presidente americano Ronald Reagan visitou, na Alemanha, o túmulo e prestou condolências à “heróis” nazistas da segunda guerra mundial. Tal repugnante ação fez Joey e Dee Dee Ramone compor o grande sucesso dos Ramones, a introspectiva Bonzo Goes to Bitburg, lançada no disco Animal Boy (1986).
Ontem a cena se repetiu no congresso brasileiro, o deputado Jair Bolsonaro (dispensa maiores apresentações) ao declarar o seu voto a favor do Impeachment dedicou o mesmo ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos maiores torturadores da ditadura militar. Duvida disso? Veja aqui.

4 – Eu Protesto (Charlie Brown Jr.)

Em um texto passado publicado aqui, a jornalista Juliana Almeida, do Desarmando a Censura, citou essa canção como a trilha sonora do momento atual da política brasileira. Não queria soar repetitivo, mas essa canção tem tudo a ver com a votação de ontem. Quem não sentiu vergonha alheia por aqueles deputados vomitando aquele monte de baboseiras? Me senti envergonhado com o voto de Bolsonaro saudando um torturador, me senti envergonhado quando alguém protestava contra Eduardo Cunha no microfone e assembleia toda vaiava, mas como diz a letra da canção de Chorão: “Foi você quem colocou eles lá, mas eles não estão fazendo nada por você”.
A música lançada no álbum 100% Charlie Brown Jr. Abalando a Sua Fábrica, em 2001, parecia ser profética, já que o refrão da mesma é: “Dormem sossegado os caras do senado. Dormem sossegado os que fizeram esse estrago”, afinal de contas o processo foi encaminhado para o Senado Federal para a aprovação, e lá Aécio Neves, também citado na Lava Jato, José Serra, envolvido no cartel do Metrô paulistano e Renan Calheiros serão os que decidirão o futuro. Portanto, eles dormem tranquilamente.

5 – Ideologia (Cazuza)

Um deputado que diz que as mulheres merecem ganhar menos porque ficam gravidas, que diz que filho homossexual merece apanhar e que jamais entraria em um avião pilotado por um cotista, vota a favor do Impeachment citando um torturador. Um deputado que possuí contas na suíça, que cobrava propina de empreiteiras e que é réu da operação Lava Jato, preside e articula a comissão do impeachment. Na canção analisada anteriormente vimos a lucidez de Chorão ao falar do congresso nacional e toda a sua presepada.
Chorão em 2013 se despediu de nós, perdendo a batalha contra as drogas e sucumbindo a uma overdose de cocaína. Portanto a canção de Cazuza, lançada em 1988, com a emblemática frase: “Meus heróis morreram de overdose, os meus inimigos estão no poder”, nunca fez tanto sentido.

6 – O Tempo Não Para (Cazuza)

Uma imagem do congresso lotado e em cima a frase “A tua piscina tá cheia de ratos” circulou com velocidade, pelos contrários ao golpe à democracia. O trecho retirado da canção O Tempo Não Para, também de autoria de Cazuza, faz muito sentido com o circo armado ontem em Brasília. Mas se fosse pra escolher outro trecho da mesma canção para ilustrar melhor ainda esse momento, ele seria: “Eu vejo o futuro repetir o passado”, afinal de contas, o que aconteceu ali ontem foi o mesmo que aconteceu em 1964, homens falando em nome de Deus e da família, uma presidente eleita democraticamente e sem crimes sendo caçada por parlamentares corruptos. É o passado voltando à tona.

7 – Roda Viva (Chico Buarque)

Quando Chico Buarque compôs essa belíssima canção em 1967, o Brasil já estava na ditadura militar, o AI-5 já estava entre nós privando a liberdade do povo brasileiro. E a roseira que Chico Buarque tanto canta na música é a nossa democracia, é o direito de escolher, e ontem privaram o nosso direito. A vitória que foi decretada democraticamente nas urnas em 2014, foi despedaçada ontem em uma manobra arquitetada por Cunha, por vingança e para se safar.

Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
.

8 – Perfeição (Legião Urbana)

E de repente fogos de artifícios! Ué, mas pra quem? É ano novo? Quem marcou gol? Ah, é pelo Impeachment que foi aprovado na câmara dos deputados e encaminhado para o senado. E assim como bons brasileiros: “Vamos comemorar como idiotas, a cada fevereiro e feriado”.
A frase que eu mais ouvi nesses dias que antecederam as votações foram: “Primeiro sai a Dilma, depois tiramos Temer e Cunha”, e para quem proferiu esse absurdo eu canto: “Vamos celebrar a estupidez humana”. Cunha e Temer estão envolvidos na operação Lava Jato, citados na planilha da Odebrecht no recebimento de propinas, com ambos no poder no lugar de Dilma, qual a chance dos próprios moverem um processo pedindo a cassação deles próprios? NENHUMA! Com a saída de Dilma da base governista, Temer e Cunha assumem a presidência, a Lava Jato será barrada e quem é corrupto de verdade estará no poder.

9 – Unicamente (Deborah Blando)

Mas hoje, dia 18 de abril, o dia amanheceu diferente, o ar estava fresco, os pássaros cantaram, e a corrupção, aquela instituída no país no dia 1 de janeiro de 2003, felizmente acabou graças a votação de ontem.
Agora o dólar vai à 1 Real, a gasolina vai custar 50 centavos o litro, os corredores dos hospitais estarão vazios, as multinacionais irão nos ligar de hora em hora oferecendo emprego com salários astronômicos no qual eu serei obrigado a utilizar como critério de desempate quem oferece o melhor plano de saúde.
Como cantava a platinada Deborah Blando: “Raiou o Sol”.
Obrigado, Eduardo Cunha.

10 – Apesar de Você (Chico Buarque)

Na verdade, nebuloso está o nosso país. Para onde iremos? O que será agora da nossa nação? Vamos prosperar ou iremos afundar em um abismo muito pior do que estamos? O segundo mandato de Dilma foi uma sucessão de erros, a economia estagnou, a inflação só aumentou, o desemprego vem ceifando famílias e desespero bate à porta diariamente, mas tirá-la do poder e colocar no lugar políticos que colaboraram com essa situação alarmante que se contra o país é uma saída? Que tal uma reforma política? Ontem em seis horas de votação conhecemos os líderes do povo, os candidatos que também votamos em 2014, mas que fizemos questão de esquecer depois. Eles realmente representam os meus anseios e necessidades? Aliás, tem necessidade de sustentarmos aquela quantidade absurda de parlamentares?
As perguntas são muitas e as respostas ineficientes, mas só sei que “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”.

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Depois de exportar para todo o Brasil a MPB nas décadas de 70 e 80 com Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Tavito, e de proliferar o Rock no final dos anos 80 e início dos 90 com 14 Bis, Skank, Pato Fu e Jota Quest. No dia 27 de março de 2016, Minas Gerais terá mais um nome para se recordar na posteridade, falamos do lançamento do mais novo grupo de pagode fundado na cidade mineira de Varginha, o Insensato Desejo.

Contando com figurinhas carimbadas da cena musical da cidade, o Insensato Desejo surge com uma proposta ousada e audaciosa: “A ideia seria misturar elementos Pop no pagode para tornar o grupo mais atrativo”, diz o produtor do grupo, Dalton Silva, que tem em seu vasto currículo, nomes expressivos como o grupo Soweto, conjunto musical formado nos anos 90 e responsável por revelar para todo o Brasil um dos grandes nomes do pagode atual, o cantor Belo.

Formado por Diogo (Vocal e Cavaco), Will Vieira (Tantã e Vocal), Marcinho (Surdo e Vocal) e Fael (Pandeiro e Vocal), o Insensato Desejo faz jus ao nome de batismo: “Aquele desejo que você não consegue controlar, algo fora da razão”, salienta Dalton.

Batemos um papo com o grupo e com o produtor Dalton, que nos contou o início da trajetória do grupo, além dos próximos projetos e também do imenso desafio que o grupo tem pela frente, de plantar a semente do pagode, naquela que já foi a terra do samba, mas que hoje é completamente dominada pelo Sertanejo Universitário.

Confira agora.

Em primeiro lugar, apresentem os integrantes do Insensato Desejo e falem um pouco de como iniciou a trajetória do grupo.

Will Vieira: Olá, o Insensato Desejo é formado por mim no Tantã e Vocal, Diogo no Vocal e Cavaco, Marcinho no Surdo e Vocal e o Fael no Pandeiro e Vocal. E contamos também com o produtor Dalton Silva.
Anteriormente, eu e o Diogo fazíamos parte do grupo Kaô, muito conhecido na cena musical de Varginha, e o Fael e o Marcinho eram do grupo Nosso Samba. Antes de integrar o grupo Insensato Desejo eu tive uma breve passagem no grupo Griff.

Dalton Silva: A ideia do grupo surgiu após anos de amizade entre eu, o William e o Diogo. E depois de alguns projetos juntos, resolvemos montar esse e convidamos o Rafael e o Marcinho para comporem o grupo.

De vem o nome Insensato Desejo?

Dalton: Vem da ideia do duplo significado, muito pertinente ao samba e pagode, aquele desejo que você não consegue controlar, algo fora da razão, insensato.

E quais são as principais referências musicais do grupo?

Dalton: As principais referências são: Turma do Pagode, Sorriso Maroto, Os Travessos, Belo, e etc. A ideia seria misturar elementos Pop no pagode para tornar o grupo mais atrativo para eventos de grande porte como prefeituras e festas de cidades.

Vocês citam nomes atuais como influências musicais, mas o grupo também bebe da fonte do chamado “Samba Partido Alto”? Se sim quais são as principais influências do Insensato Desejo nesse gênero?

Dalton: O samba como estilo raiz é muito segmentado e preconceituoso. Normalmente quem está dentro desse estilo dificilmente consome pagode, até acho que não podemos perder elementos chave do estilo, como os percussivos, mas o grupo é essencialmente direcionado para atender grandes públicos com letras modernas e nas influências musicais.

Diogo (Vocal e Cavaco), Will Vieira (Tantã e Vocal), Fael (Pandeiro e Vocal) e Marcinho (Surdo e Vocal)

Diogo (Vocal e Cavaco), Will Vieira (Tantã e Vocal), Fael (Pandeiro e Vocal) e Marcinho (Surdo e Vocal)

Em relação às músicas, o grupo já tem canções próprias no repertório?

Dalton: Sim, temos uma música própria que se chama Pode Ouvir, composição minha e do Lalas, ex-vocalista do grupo Soweto. A música deve ser lançada daqui um mês.

Falando nisso, na semana passada o grupo Soweto gravou um vídeo, e disponibilizou nas redes sociais, fazendo um convite a todos para o show de lançamento do Insensato Desejo. Como nasceu essa amizade? E existe uma possibilidade de uma parceria futura entre Soweto e Insensato Desejo, além da contribuição do Lalas para letra de Pode Ouvir?

Dalton: Eu fui produtor do grupo Soweto de 2010 a 2013, mas sou amigo pessoal deles desde 2003. Sim, eu tenho total abertura com o Soweto e com outros artistas também, e com certeza vai acontecer alguma parceria junto com o grupo.

Varginha, a cidade de origem do grupo, tem uma forte cena atuante no pagode e também no samba, mas como estão os planos do grupo para conquistar outras cidades e estados do país? Há contatos com outras produtoras?

Dalton: Na verdade, o grupo não nasceu com intuito de atuar na cena de Varginha, ele já nasce com a perspectiva de fazer um trabalho de carreira nível Brasil, utilizando-se principalmente da minha via de acesso vertical no cenário pagode.

Então podemos dizer que toda a direção artística do grupo está em suas mãos?

Dalton: Sim. A exemplo também de grupos como Sambalada e 4Stylus que eu também produzo.

Hoje o cenário musical brasileiro está muito diferente de 15 anos atrás. A música sertaneja tem dominado o país de forma avassaladora. Como produtor, qual é o seu papel e o do Insensato Desejo nisso? Tem espaço para vocês hoje, ou sempre teve, afinal, “Pagode bom nunca morre”?

Dalton: Olha, o cenário macroeconômico brasileiro está sem sombra de dúvidas tomado pelo sertanejo e suas vertentes, mas também não há dúvidas que em um país tão grande, tão diverso e tão populoso como o Brasil, certamente há espaço para todos os estilos. Devemos levar em conta também o tamanho da influência africana em nossa população, quase 50% da população que garante um público alvo que se identifica plenamente com o estilo, tendo em vista que o gosto musical é de certa forma transmitido biologicamente, existem estudos sobre isso.
O Insensato Desejo vem com esse intuito, fomentar influências originais dentro de um estilo que é tão consumido pelos brasileiros.

Agora falando do grande show de lançamento do grupo, que acontecerá amanhã, dá pra adiantar algumas surpresas dessa noite?

Dalton: Não existe surpresa em si, acredito que o que o público vai ver é fruto de muito tempo de conversas e sonhos e apenas o início de uma grande aventura. Tem muito trabalho pra ser feito e será.

E como está a agenda do grupo nos próximos meses?

Dalton: Foco agora é trabalhar a produção do material autoral e comercial do grupo para a partir disso direcionar para o nosso objetivo, shows de grande porte.

E para quando estão previstas as gravações do primeiro álbum do grupo?

Dalton: Esse ano ainda devemos gravar mais duas músicas, mas o álbum cheio será somente em 2017. O grupo precisa se consolidar estruturalmente e isso precisa de tempo e muito trabalho duro.

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